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  1. The Misfortunates Um belo filme sobre crescer. De facto existem muitos filmes deste género, mas nunca deixaram de me apelar curiosamente, e fiquei a pensar nisso enquanto via o filme. As primeiras vezes, os desgostos, as confusões, como há aquele embate com a realidade e como se vai moldando a nossa percepção do mundo. Acho que é belo porque no fundo se fala do mesmo mas por sabores diferentes. Cada um de nós teve uma infância, uma adolescência e teve os seus próprios embates com o mundo real, momentos que nos moldaram, as pessoas que nos marcaram... essa beleza pode ser transmitida. Enquanto escrevo isto ouço o som do mar e penso na sua companhia constante na minha vida, desde a minha infância que este som tem estado lá ao fundo, ao ponto de muitas vezes nem dar por ele, mas quando dou por mim lá volta essa consciência, e lembrando de um filme que fala também sobre o crescimento mas noutra fase mais avançada dos vintes e de procurar algo para se fazer na vida, um rumo: o Farväl Falkenberg, um filme sueco que abordava um grupo de amigos que cresceram juntos numa pequena vila perto do mar e ainda continuavam lá, alguns com as suas tentativas, mas ainda sem ninguém realmente "decolar", e na altura em que vi esse filme senti-me estranhamente identificado por um filme que falava duma realidade na Suécia. E essa consciência traz-me a ideia do cinema que tanto me fascina, a de ser uma arte empática, que nos relaciona, que nos conecta com outro ser humano, e muitas vezes nos obriga a pensar por outra pessoa, como seria estar ali, naquele papel, com aquelas "cartas" na mão que lhe foram dadas e imagino então que algo que eu sinto neste momento alguém no Azerbeijão também sinta, uma certa sensação embora com "cores" diferentes claro, são países e culturas diferentes, mas isso não nega a conexão que possa existir. Eu imagino uma luz brilhante que vem da mãe de cada um de nós e essa luz vai sendo moldada pela realidade que lhe é apresentada, pela cultura, pelas crenças. E essas coisas juntas com as experiências que for tendo vão moldando essa luz, que vai se identificando com várias coisas, criando uma identidade. E eu imagino se esta luz é a mesma mas apenas com condicionantes diferentes. No caso do "The Misfortunates" o Gunther cresceu numa familia com vários problemas de alcoolismo e violência e essa vivência, esse ambiente torna-se quase como o próprio ser da pessoa, ela cresceu e habituou-se a viver assim segundo aqueles conceitos do que era normal. Lembra-me da ideia do Dogtooth do Lanthimos, se formos ensinados de uma maneira nós vamos acreditar nela até que a verdade se expresse de uma maneira bem forte, muitas vezes violenta, que nos faça compreender que o que vivíamos era uma ilusão. E isso, caindo outra vez na mesma tecla ahah, é bonito. É bonito porque parece que impossibilita qualquer comparação, como temos tanta tendência para fazer, porque no fundo cada um vive uma realidade completamente diferente do outro, não há como fugir. Podemos fingir mas mais cedo ou mais tarde essa ilusão cai. Nós somos iguais exactamente porque somos diferentes, porque vivemos numa batalha constante e diária, contra nós próprios e as nossas ideias de quem somos, que têem raiz nas pessoas em quem confiámos a nossa educação, a nossa familia, que passou pelo mesmo processo, de aprender o que era a sua verdade e o que não fazia mais sentido continuar. É um constante processo de aprendizagem da humanidade e nós estamos a fazer o nosso papel no meio desta multidão. Um ponto pequeno, que mesmo sendo pequeno, tem muita força. E viva a vida! Vi o filme no mubi, acho que vai continuar lá mais um dia e depois deve sair, aproveitem!
  2. Estou a gostar e tem um bom catálogo. O único mas é mesmo a qualidade em alguns filmes, até mesmo recentes, como o "The Disappearance of Eleanor Rigby" que só estão disponiveis em 576p
  3. E também para quem não sabe, a RTP Play também tem uma seleção de filmes e séries disponiveis, os que passam semanalmente e depois saem da base de dados e mais uns quantos que ficam por lá como alguns portugueses ou Magic in the Moonlight do Woody Allen, por exemplo. https://www.rtp.pt/play/
  4. Não, alguns continuam a ter limite de tempo e continua a haver uma certa curadoria, com um filme a entrar a cada dia, pelo menos pelo que percebi, mas os filmes que vão sair até agora só dizem "leaving soon" não dizem em quantos dias
  5. Ui, é um novidade ótima que acaba de lhe dar mais força como plataforma streaming, muito bom! https://www.thehindu.com/entertainment/movies/mubi-launches-new-library-section-with-films-of-kielowski-david-lynch-among-others/article31639207.ece
  6. - Happy as Lazaro, - Beasts of the Southern Wild - Post Tenebras Lux - The Florida Project - Holy Motors - Dogtooth - Shoplifters - El espiritu de la colmena - El abrazo de la serpiente - Nostalgia de la luz - Filmes do Apichatpong Weerasethakul, Jim Jarmusch, Aki Kaurismaki, Roy Andersson, Ozu, Saytajit Ray, Rosselini, Ingmar Bergman, Nuri Bilge Ceylan, Agnes Varda, Fellini Alguns da minha watchlist:
  7. Beasts of the Southern Wild Mais um belo filme destes últimos anos. E ponto final. Visto no filmin
  8. Falando do Linklater, este video é das coisas mais belas que ja vi neste registo em que o autor fala da sua obra e dos temas que retrata. Realmente o tempo tem uma preponderancia central no cinema dele, principalmente na trilogia Before e no Boyhood. Comparável a essas obras existe a trilogia do Apu do Saytajit Ray e os filmes da sequencia Antoine Doinel do François Truffaut, em que há um acompanhamento no tempo dos personagens
  9. O que já tinhas visto dele? Para além da trilogia, os outros três que me tocam forte dele são o Slacker, o Waking Life e o Boyhood. Ele tem uma maneira de filmar que me permite sentir como se fosse comigo, e a verdade é que me revejo em muitos momentos, são pequenos pedaços de vida o que ele captura.
  10. Gostei muito da 5ª, mais do que da sexta até
  11. J'ai perdu mon corps Já tinha ouvido falar algumas vezes deste filme, e realmente gostei muito da abordagem. É um filme poético, tem uma narrativa, mas o que me agarrou mais no filme foi o que não foi dito, o que foi contemplado. A animação tem realmente uma capacidade incrivel de nos transpor sensações. Está disponível no Netflix para quem queira ver.
  12. Alguém sabe como será possivel assistir a Twin Peaks a partir de meios legais? Não está na HBO nem Netflix certo? Na filmin também só lá está o filme. Existe algum sitio tipo videoclube da NOS/MEO que dê para assistir por ai?
  13. De tempos a tempos também vou tendo esses "problemas de consciência" mas depois lembro-me de toda a riqueza que o Cinema trouxe à minha vida, os horizontes que abriu, a capacidade que tem de te meter noutros papéis, a capacidade empática que tem, as novas perspectivas e percepeções que me gerou, tudo isso o cinema trouxe-me quando comecei a explorar os vários caminhos e ramificações que existem dentro dele. Mas como tudo, acredito que a chave está no equilibrio, entre o que se consome e a ação gerada. Dar e receber, devemos dar na medida em que recebemos, como que para equilibrar uma balança, e quem recebe mais também mais será exigido. Por isso acredito que o nosso papel enquanto cinéfilos, leitores, apreciadores de arte/cultura tem uma responsabilidade adquirida, não pode ser um papel puramente passivo. Há uns anos vinha-me esta frase à cabeça: "A arte não serve de nada se não nos expandirmos com ela". E realmente, de que serve ver imensos filmes/documentários que falam sobre a mesma temáticas, às vezes já quase num loop, vemos um documentário sobre isto depois sobre aquilo, mas depois nunca realmente paramos para efetuar uma ação. Porque a arte gera ideias, gera reações internas, pensamentos, vontades... mas se não as escutarmos acabam por ficar ali presas, sem lugar por onde ir, enterradas, enquanto se continua para a próxima obra, mas sem a bagagem anterior resolvida. É importante digerir uma obra, tal como se faz com refeições também. Porque a arte é um alimento, e com os alimentos também há certas regras, certo numero de refeições ao dia, isto para existir o tal equilibrio. Se comemos uma maçã ou sete há uma diferença, tal como há uma diferença no valor que dás à maçã que comes. Quando alguém come uma maçã e percebe o valor que é ter uma maçã nas mãos para comer, é uma riqueza. Imagina as outras pessoas que não têem maçãs ou que não sabem o que tu vês nela. É ai que entra o dar, a partilha. Partilhar esse valor. A arte é uma partilha eterna, ligada intrinsecamente à vida, à vontade da partilhar esse brilho, de criar a partir dele. A criação é inata em nós, e a arte é essa criação que surge de nós. A arte como sinónimo de vida só vale a pena se for viva. E nós estamos cá é para isso, para viver, nunca nos esqueçamos disso.
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