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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de ascom, há 8 minutos:

Existe algum exagero por parte dos media mas o pânico financeiro é relativamente normal. Não está relacionado com a mortalidade alta ou baixa, mas sim com o facto de existirem cidades e regiões na China em quarentena que deixam de produzir. O mesmo está a acontecer na Coreia do Sul e agora em Itália e tudo indica que vai acontecer em outros Países. Uma desaceleração da economia mundial devido ao corona virus é algo consensual.

O Corona Virus não será algo fatal, mas não sabemos bem se a taxa de mortalidade são esses 2%. Dados de Países autoritários são sempre de duvidar.

É isto mesmo. O pânico nos mercados tem a ver com quebras de produção e de consumo, não com a taxa de mortalidade. Mas não deixa de ser interessante comparar o Corona às outras epidemias recentes, como a gripe das aves ou o Ébola, e perceber até que ponto não se trata de algo passageiro e com um impacto econômico relativamente curto no tempo. Porque não duvido que a partir dos primeiros sinais de uma vacina ou de alguma contenção na propagação, vamos assistir a subidas repentinas nos preços dos ativos financeiros que irão facilmente superar os all time highs recentes.

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Como disseram o caso do Corona vírus afeta imenso os mercados. Há vendedores chineses enfiados dentro de casa há semanas.

Começa a haver quebra de stocks e as empresas a terem de procurar fornecedores alternativos de outras geografias.

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Então o CoronaVirus poderá causar uma quebra financeira nos mercados, que voltarão a ser atrativos para os investidores, e irá diminuir a população e diminuir a produção das empresas, levando á diminuição da poluição causada pelo ser humano.

 

Nem tudo corre mal para os jovens de hoje, principalmente para aqueles que já estão efectivos.

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87037671_507248220206604_2501404316288417792_n.png?_nc_cat=106&_nc_ohc=ux9Yfw1wFaMAX8QTYxA&_nc_ht=scontent.flis9-1.fna&oh=b0e9c9a4a13ab0617cb99246c0efda63&oe=5EC2EDF2Perdi 6 horas a analisar isto nos últimos dias, se acreditarmos nas sondagens oficiais que dão 45.3% Trump, 49.7% Bernie, teremos o 1º cenário, o cenário mais otimista possível para o Bernie é o 2º e para o Trump é o 3º.

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Citação de jean-luc godard, há 2 minutos:

Quem me dera que tivéssemos um bom programa de debate na televisão pública em vez desta m*rda do prós e contras

Basta mudar a apresentadora.

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Citação de jean-luc godard, há 13 minutos:

o bernie tem razão lol, e respondeu muito bem.

Uma coisa é ter razão, outra é dizer aquilo nos EUA, de uma perspetiva política, é uma ''gaffe'' que vai ser bem paga nos swing states e explorada pelo Trump se ele assim quiser. Mas até ao final das Primárias Democratas ele vai acumular sucessos. O problema vem depois quando tiver que contactar com outro tipo de eleitorado. Achas que é assim que ele vai conquistar votos nos estados que ele precisa voltar a ganhar aos Republicanos que foram perdidos em 2016 ? Achas que alguém vai deixar de votar Trump para votar em alguém que elogia um aspeto específico do regime cubano nos EUA? Estamos a falar de um país em que 40% das pessoas pensa como os votantes do Ventura. E ele vem falar em Cuba, ok. Se ele quer atingir 70% de votos na California, e as maiores votações de sempre nas grandes cidades dos estados que já votam democrata, ao mesmo tempo que só ganha uns 15 estados, força, está no bom caminho. Depois todos nós nos admiramos quando aberrações como o Trump ou os Bush's ganham eleições.

Editado por Ticampos

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Citação de Mayday, Em 24/02/2020 at 01:34:

E como é que sabes qual é o melhor local para construir sem estudos e estudinhos? 

Resolver o problema com um problema é que não é solução.

Começando a casa pelos alicerces.

Temos um problema, o esgotamento da capacidade da Portela. Há três soluções, tentar expandir o aeroporto actual, construir um novo aeroporto de raiz ou construir um aeroporto complementar. Então estude-se qual a melhor, a que tem melhor relação custo-benefício, etc. Agora, andarmos há anos e anos a discutir um aeroporto inútil na Ota, passando pela rábula do Alcochete jamais, para depois irmos para esta bela rábula do Montijo, com previsões de poder ser alagado devido ao aquecimento global em poucas décadas, é uma estupidez. Entretanto, já apareceram uns iluminados a falar de Alverca, ignorando o facto das descolagens e aterragens na Portela e em Alverca "colidirem", impedindo que ambos os aeroporto funcionem em pleno, ao mesmo tempo.

Citação de Lebohang, há 3 horas:

Aquilo que eu acho estranho é em 300 e tal infetados haver já 11 mortes, são números muito superiores àqueles registados na China. Não me parece que a medicina chinesa esteja a anos-luz da italiana (sorry @Che) portanto a única hipótese é que os chineses além de esconderem a gravidade da situação também andaram a martelar números.

Eu não percebo nada do assunto, mas não poderá estar relacionado com a genética?

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Citação

A consoladora redondeza da Terra

Qualquer "debate" com André Ventura nunca será sobre outra coisa que não as coisas que André Ventura quer dizer na televisão, e o que ele quer dizer nunca é sobre política, mas sobre tudo aquilo que começa no sítio onde a política acaba.

Rogério Casanova
22 Fevereiro 2020 — 00:12
André Ventura

André Ventura

© Leonardo Negrão/Global Imagens

Nesta semana, centenas de milhares de portugueses tiveram oportunidade de ver alguém a explicar na televisão que 1) ele não é racista, e 2) Portugal, tal como ele, também não é racista. Não foi a primeira vez que esta pessoa foi à televisão explicar que nem ele nem Portugal são racistas; também não será a última. Há vários anos que é possível ver a mesma pessoa numa parte diferente da televisão, onde, em vez de explicar que não é racista e que Portugal não é racista, costuma explicar outro género de coisas, aos gritos. As explicações costumam versar temas como "ISTO ALGUMA VEZ É PENÁLTI?" "VAI CHAMAR PALHAÇO À TUA TIA!" ou "ANÍBAL! ANÍBAL! NÃO ME INTERROMPAS! ANÍBAL!"

A pessoa que comentava penáltis e especulava sobre laços de parentesco de palhaços tornou-se entretanto deputado, e o aparato jornalístico-televisivo nacional auto-impôs-se a tarefa de o submeter à única forma de escrutínio que hoje em dia conhece: o escrutínio que consiste em apontar periodicamente uma câmara a alguém e perguntar-lhe "qual é a sua opinião sobre este assunto?" O assunto designado da semana era "o racismo", portanto as opções eram apenas duas. O inquirido pode achar que o racismo é bom, ou pode achar que o racismo é mau.

Que o racismo é mau foi uma mensagem transmitida com tamanho sucesso ao longo das últimas décadas que se tornou quase consensual, mesmo entre pessoas que de vez em quando se comportam como se o racismo fosse bom, ou pelo menos neutro. O gesto reflexo de qualquer racista é precisamente negar que o seu racismo é racista. "Racista" passou a significar apenas aquilo que ninguém é, porque o racismo é mau e o racista não acredita ser mau. A alternativa óbvia é passar a achar que o problema real não é "o racismo", mas sim outro, e "a hipocrisia" é sempre um candidato viável.

Os painéis de comentário futebolístico são a academia perfeita para desenvolver dois talentos específicos muito úteis na arte de substituir um problema por outro: a capacidade para continuar a gritar coisas na televisão enquanto outras pessoas gritam coisas diferentes; e a capacidade paralela - comum, aliás, à maioria dos adeptos de futebol, mesmo os que não vão à televisão - para conseguir blindar qualquer opinião através do recurso constante a situações hipotéticas, imaginando o que diriam pessoas imaginárias nas circunstâncias por si imaginadas. O que diria o adepto do clube x se situação y fosse com ele? E o que diria a imprensa se esta falta fosse cometida pelo jogador y em vez do jogador z? O que estas pessoas ou instituições imaginárias diriam ou não diriam é sempre, imagine-se, muitíssimo hipócrita.

É esta longa e árdua formação profissional que permite a André Ventura dizer coisas muito alto e muito depressa, sem que essas coisas mantenham em nenhum momento a mais ténue relação com o assunto supostamente em causa. É o que lhe permite, por exemplo, a propósito dos insultos racistas de que Marega foi alvo, comentar que "António Costa não fez um tweet quando um bombeiro foi agredido, porque não dava jeito" ou que "qualquer dia não podemos dizer paciência de chinês porque vem logo uma comissão meter-nos um processo". Semanticamente, as frases cumprem a mesma função de "não falas daquele fora-de-jogo de Setembro em Vila do Conde porque não dá jeito!" ou "qualquer dia não se pode tocar em nenhum jogador que é logo penálti!" Respeitam a melodia do tema com uma letra improvisada. Permitem que o racismo continue a ser mau, ao mesmo tempo que é despromovido à condição de falso problema e substituído por outro, que é o problema de "qualquer dia ser tudo racismo".

André Ventura faz várias coisas, mas nenhuma delas é complicada. E a mais simples e mais pertinente é esta: selecciona algumas coisas que não costumavam ser ditas na televisão e depois vai à televisão dizê-las

Também presente no estúdio, Miguel Sousa Tavares interpretou o mesmo papel que Ricardo Sá Fernandes interpretara duas semanas antes: a voz condescendente e apenas levemente exasperada do adulto na sala, cumprindo a sua cândida utopia de que as "ideias" se derrotam em duelos do séc. XIX, com luvas, cartolas, regras, árbitro e elevação, e provavelmente alheio ao facto de o espectáculo, para quem assistia de fora, se assemelhar a um debate entre estatísticas do Pordata e uma resma de manchetes em caixa alta. "Vivemos num dos países mais seguros do mundo", explicou, de forma adulta. "Vamos ser sérios, Miguel, vamos deixar de ser hipócritas", ouviu. "A maioria agora sente-se a minoria, Miguel, quando é ao contrário nunca é racismo, Miguel", ouviu. "Os portugueses que pagam impostos estão fartos disto", ouviu.

O debate durou 15 minutos e conseguiu não ser sobre racismo, nem sobre Marega, nem sobre futebol, nem sequer sobre política, porque qualquer "debate" com André Ventura nunca será sobre outra coisa que não as coisas que André Ventura quer dizer na televisão, e o que ele quer dizer nunca é sobre política, mas sobre tudo aquilo que começa no sítio onde a política acaba: o reino da sensação e do atavismo, da irritação espontânea, da comichão do momento - de algo que pode assumir várias formas e ser provocado por vários assuntos, mas que se pode resumir quase sempre da mesma maneira: a autocomiseração impotente e recursiva de quem acredita que há demasiadas coisas irritantes a ser ditas por pessoas irritantes - na televisão, nos jornais, nas redes sociais - e portanto precisa de que alguém diga as coisas opostas para aliviar essa irritação.

André Ventura faz várias coisas, mas nenhuma delas é complicada. E a mais simples e mais pertinente é esta: selecciona algumas coisas que não costumavam ser ditas na televisão e depois vai à televisão dizê-las. Que as coisas que diz sejam falsas, ou que as diga de uma forma transparentemente performativa, é quase irrelevante, porque a melhor resposta encontrada até agora pelas pessoas que não são André Ventura é aparecer ao lado dele na televisão a reiterar, de modo igualmente performativo, as verdades bem-comportadas que sempre foram ditas na televisão. O racismo existe e é mau: xeque-mate.

Kierkegaard conta, num dos seus textos menores, a história de um louco que conseguiu fugir de um hospício. A caminho da cidade mais próxima, é assaltado pelo receio de ser recambiado caso suspeitem de que ele é louco, portanto decide-se a convencer toda a gente da sua sanidade, através "da verdade objectiva daquilo que diz". O resultado prático desta decisão é que, ao visitar um amigo, ou ao cruzar-se com estranhos na rua, não faz outra coisa a não ser repetir "A Terra é redonda! A Terra é redonda!". O desgraçado é prontamente internado outra vez.

Uma quantidade considerável de pessoas que costumam dizer coisas na televisão (e nos jornais, e nas redes sociais) foi-se convencendo gradualmente de que identificar e classificar algo desagradável é o mesmo que torná-lo inoperante. Os explicadores profissionais dos "perigos do populismo" na imprensa, normalmente mais interessados em procurar analogias do que raízes, estiveram nos últimos anos demasiado entretidos com outra figura do futebol português para perceberem que quem se desmarcava e seguia isolado era quem já fazia parte do mesmo sistema, alguém cuja ambição nunca se esgotou em dizer apenas mal dos árbitros na televisão, quando há tanta coisa que se pode dizer na televisão, e tanto problema para substituir pelo problema da "hipocrisia".

 

O venturismo não existe politicamente, porque só existe no ecrã, e apenas em reacção a algo predefinido, a algo que já irritou alguém, algures: a sua substância resume-se a dizer na televisão aquilo que ninguém dizia na televisão, e a confiar na propensão de algumas pessoas para interpretar aquilo que ninguém dizia como algo crucial que se pretendia ocultar. O arsenal retórico disponível para combater isto é, pelos vistos, reiterar a confortável verdade de que a Terra é redonda, perguntar a André Ventura se ele acha bem ou mal que a Terra seja redonda, e ouvir tranquilamente a sua resposta - na televisão, e todas as semanas. Claro que a Terra é redonda, concorda ele. Não há problema nenhum com coisas redondas, alguns dos meus melhores amigos são redondos. Mas muitas outras coisas são quadradas e sobre isso ninguém fala porque não dá jeito. Vamos ser sérios, chega de hipocrisia. Qualquer dia é tudo redondo, e os portugueses que pagam impostos estão fartos.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/22-fev-2020/a-consoladora-redondeza-da-terra-11848175.html

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Finalmente os negacionistas também já criaram um ídolo composto por tudo aquilo que a acusam a greta de ser. 

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Citação de Mayday, há 5 horas:

Finalmente os negacionistas também já criaram um ídolo composto por tudo aquilo que a acusam a greta de ser. 

antes havia uma americana toda "the south willl rise again", mas foi banida do youtube.

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Citação de Puto Perdiz, Em 25/02/2020 at 12:41:

perdeu a florida com essa

O pessoal cubano anti-Castro é quase todo na sua totalidade Republicano, e isso é nas gerações mais antigas. Nas gerações mais novas, os democratas têm grande parte da população hispânica da Florida (que agora é cada vez mais porto-riquenha e dominicana)

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Citação de El Colosso, há 15 minutos:

O pessoal cubano anti-Castro é quase todo na sua totalidade Republicano, e isso é nas gerações mais antigas. Nas gerações mais novas, os democratas têm grande parte da população hispânica da Florida (que agora é cada vez mais porto-riquenha e dominicana)

A maior parte dos hispânicos que abandonaram Cuba são anti-Castro, portanto saíram de Cuba e foram para os EUA. Mas sim, o problema é que essas gerações ainda dominam os EUA e vai demorar uns 10/15 anos até perderem a sua importância atual bastante decisiva.

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Citação de El Colosso, há 3 horas:

O pessoal cubano anti-Castro é quase todo na sua totalidade Republicano, e isso é nas gerações mais antigas. Nas gerações mais novas, os democratas têm grande parte da população hispânica da Florida (que agora é cada vez mais porto-riquenha e dominicana)

Eu gosto muito do Bernie, se bem que acho que a sua idade é "demasiado" avançado e tenho alguma dificuldade em o imaginar nos palcos do mundo. Quero também deixar claro que acho o melhor dos candidatos.

No entanto, esta história para mim prova de certa forma de que ele não terá grande hipóteses. Para o americano médio qualquer tipo que diga que quer aumentar os impostos aos ricos, que quer aumentar a despesa na Segurança Social e que quer um sistema como o Europeu dificilmente não será considerado um marxista.

Ainda nem estamos no confronto com o Trump e já está a ser catalogado por todos os lados como um velho louco comunista que vai destruir os ideais americanos.

Um bom exemplo é o de um jornalista da ABC que foi "apanhado" em camarâ a dizer isto:

“I think there should be national health insurance,” Wright argues. “I’m totally fine with reining in corporations, I think there are too many billionaires, and I think that there’s a wealth gap. That’s a problem.”

Resultado, foi marcado como socialista\comunista e já foi suspenso (também por se declarar no video contra o Trump)

Editado por SAS_Robben

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Citação de Plagio o Original, há 9 horas:

 

Spoiler
Reportagem

“Há cada vez mais desigualdade no Porto. Não se pode viver aqui”

Na ilha do Beco do Paço, o anúncio do fim dos contratos instalou o medo. Senhorio vai realojar dois inquilinos, os restantes ficam por sua conta. Câmara do Porto não garante casas no imediato e todos recusam ir para albergues. E agora? “Vou para a rua dormir e pedir… é o que me resta”

Mariana Correia Pinto (texto) e
Paulo Pimenta (fotografia)
26 de Fevereiro de 2020, 7:18
 
O silêncio de Mamadou Samba é ensurdecedor. Empurra a porta vermelha de entrada na sua ilha e caminha lentamente pelo longo e estreito corredor, entre electrodomésticos velhos, malas vazias, móveis, sacos, bacias, cobertores, vasos pouco floridos. Caminha alheio à conversa acesa entre os vizinhos, como se ignorasse um filme demasiadas vezes repetido na TV. Os contratos de arrendamento de quem ainda ali habita foram cessados. O prazo dado pelo senhorio já passou. Mas, sem alternativa à vista e numa angústia crescente, resistem à saída. Mamadou Samba, boina preta e olhar deserto, permanece introspectivo. Passa pelos vizinhos, abre a porta de casa, puxa uma cadeira para o corredor. A sua imagem, sentado e de cigarro na mão, é a metáfora perfeita do fim. Numa revolta taciturna, desorientada e já sem forças. “Está tudo igual”, acaba por dizer, minutos depois.

“Tudo igual” é sinónimo de interrogação profunda quanto ao tempo por vir. A dias do último Natal, quando o PÚBLICO ali entrou pela primeira vez e a notícia indesejada trazida pelo senhorio causava inquietação, as palavras já lhe faltavam. “Querem tirar a gente à toa”, contava, desnorteado, enquanto exibia a sua “casa-bunker: Metros quadrados contados na palma de uma mão, cozinha a que não se pode chamar cozinha, sem casa de banho, colchão no chão e paredes enegrecidas pela humidade. Mamadou Samba chegou há 11 anos ao Beco do Paço, pequena artéria portuense sem saída nem honras de toponímia para lá da designação do lugar. Cobravam-lhe 125 euros mensais por aquele pedaço de casa que não é casa, “é um buraco”, a poucos passos do Hospital de Santo António. Paga água, luz, medicação, faz as refeições num albergue na Praça da República. Sobra pouco para lá da promessa de resistir: “Não saio, daqui não saio.”

É uma frase repetida por quase todos. Não por teimosia ou capricho, mas por um sentimento de atropelo e ausência de opções. Ana Sousa fora a primeira a dar por estranhos no corredor da ilha, apressando-se a chamar o companheiro. “Ele fala melhor”, justifica-se. António Santos tem frases assertivas e 51 anos de uma vida nunca em linha recta. Há meses diagnosticaram-lhe duas hérnias na coluna e indicaram-lhe o caminho do bloco operatório. O patrão mostrou-lhe o caminho da rua. Sem emprego nas obras nem direito a subsídio de desemprego, sobrevive com o Rendimento Social de Inserção (RSI): menos de 200 euros que não lhe permitem itinerário algum.

Ana Sousa vem de telemóvel na mão para mostrar a impossibilidade matemática da sobrevivência. Todos os dias procuram um tecto novo, antevendo o momento em que a polícia invada a ilha e os obrigue a sair. Arrendar uma casa no Porto é pura utopia para o casal, ambos com RSI — “Pedem 600, 800, 1000 euros...” — e mesmo uma simples cama revela-se uma busca inglória. “Quartos para casal são 375”, responderam-lhe por sms quando tentou saber mais sobre um anúncio online: “260 euros”, lê-se noutra mensagem, com o aviso pronto de seguida, “só para solteiros”.

No início de Janeiro, António Santos entregou os papéis de pedido de casa na empresa municipal de habitação do Porto, consciente da ausência de direitos na sua ilha por não ter um contrato há anos suficientes. A lei só obriga o senhorio, que o PÚBLICO não conseguiu contactar, a realojar dois inquilinos e é para eles que tem procurado alternativa. Para António, a resposta do município chegaria um mês depois: a candidatura não atingia a “pontuação mínima para a qualificação e atribuição de uma habitação em regime de arrendamento apoiado”. Jurando ter apenas o RSI como rendimento e explicando ter feito o pedido apenas para ele porque a companheira estava, naquela altura, ausente, aponta a frase na carta e questiona: “Será que não tenho direito por não ter dinheiro? Ou acham que tenho a mais?”

Quem não cumpre a matriz do regulamento da Domus Social é geralmente convidado pela autarquia a fazer uma candidatura ao Porto Solidário, projecto municipal de apoio ao pagamento da renda ou empréstimo bancário que aumentará a sua dotação para dois milhões e prevê auxiliar mil famílias na nova edição. “Mandaram-me procurar uma casa, que depois apoiavam. E onde estão as casas?!”

A diferença entre rendas e rendimentos é crescente. O aviso é de académicos e foi comprovado recentemente por uma equipa de investigadores da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, que relatam uma frequente incapacidade de famílias com rendimentos médios de aceder a um apartamento dito mediano. Para quem fica abaixo desses, o drama agrava-se. Isso mesmo está dito na Estratégia Local de Habitação, elaborada pelo próprio município para concorrer ao Programa de Apoio ao Acesso à Habitação 1.º Direito. Analisando o segundo quintil, correspondente a rendimentos mais baixos, revelaram a quase completa incapacidade dessas pessoas para aceder ao mercado: só numa tipologia T0 é possível pagar, em todas as freguesias do Porto, uma renda definida pela ONU e pelo 1.º Direito como comportável (aquela que não compromete a satisfação de outras necessidades básicas).

No Porto, a habitação social é a finta mais comum ao problema: 30 mil pessoas vivem em bairros camarários e cerca de mil já tiveram direito a uma casa, mas aguardam por ela numa lista de espera com tempo estimado de três anos. O número não mostra todo o universo carente de um tecto, como revelou a própria autarquia num estudo de 2017 realizado a pedido do Governo, apontando para o dobro a quantidade de famílias em “privação severa de habitação”. Para alguns, o caminho parece barrado nas duas vias: numa, um mercado privado escasso ou com preços inacessíveis, noutra uma resposta social incapaz de abraçar todos. Sobram, depois, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, que terá cerca de mil casas no Porto e respostas de emergência social recusadas por muitos: dormir em albergues ou pensões é, para eles, uma não-solução. A habitação, direito constitucional, deve ser garantida, em primeiro lugar, pelo Governo, têm repetido o executivo de Rui Moreira e a oposição. Mas, na ilha do Carregal, na freguesia do centro histórico, a Constituição não passa da porta.

No fio da navalha

António Santos chega-se à casa da vizinha do lado. “Oh Sãozinha, anda cá fora!” Maria da Conceição abriga-se no número cinco da ilha por caridade. Ser dependente do tio António Moura Pinto — um dos dois inquilinos que serão realojados pelo senhorio, pela idade e por terem contratos antigos — nunca esteve nos seus planos. Trabalha há mais de 20 anos a fazer limpezas num colégio privado do Porto onde a mensalidade mais baixa não anda muito longe do salário mínimo e a máxima lhe daria condições de uma vida folgada. Maria da Conceição deixou de conseguir pagar os 300 euros do quarto a que chamava casa, na Ribeira, quando uma cirurgia à mão esquerda a forçou a ficar de baixa. Agora, nem esse rendimento tem.

A pernoitar entre as paredes do tecto da filha e a minúscula casa do tio, onde a cama é curta para o seu tamanho, diz ter perdido a chegada de uma carta registada com convocatória para a junta médica. Faltou, perdeu direitos. Maria da Conceição tem 66 anos, entregou os papéis para a reforma, mas pondera todos os dias voltar ao colégio, contra indicação médica e apesar da falta de força. Na bacia pousada no corredor, pode ilustrar a sua incapacidade: “Pus ali a roupinha de molho e agora nem consigo torcê-la. Esta minha mão está muito mal...”

Como o vizinho, também ela pediu uma habitação camarária em Janeiro. O processo está em análise, mas, conhecendo o desfecho do caso de António Santos, teme o pior. “E se não tiver casa?”, pergunta sem aguardar réplica. O descrédito na democracia cresce e o medo da mudança instala-se. Maria da Conceição orgulha-se da nova cidade, bonita e cobiçada, mas questiona a utilidade da sua beleza se não a puder viver também. “É tudo para turista ver”, reclama, falando dos preços das habitações e dos “hostels por todo o lado.”. O regulamento para o Alojamento Local está a ser redigido há quase um ano pela câmara, que determinou a suspensão temporária de novos registos no centro histórico e na freguesia do Bonfim, onde o número de AL é já superior ao de habitações, até à sua conclusão. No estudo-base para a elaboração do regulamento, sobressaíam dados agridoces. A reabilitação urbana no Porto fez-se graças ao turismo, quis sublinhar o executivo. Mas a expulsão de moradores por causa desse mesmo motor económico foi significativa — 57% dos AL haviam ocupado casas onde morava gente —, apontaram outras forças políticas.

Na ilha, a discussão afasta-se de dados, mas recheia-se de realidade. E da impressão de uma vida sentenciada: sem pilares, de pobreza entranhada, às vezes geracional, mas nunca voluntária. “Vou para a rua viver e pedir… é o que resta”, acrescenta Maria da Conceição, como se respondesse, com receio, à sua pergunta anterior. “Ninguém quer viver assim, mas aqui chegámos...” Ao lado, António Santos acena de cabeça baixa e resume a sua dor: “Há cada vez mais desigualdade no Porto. Não se pode viver aqui.

 

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