Burkina2008 Publicado 4 Março 2014 Resposta mais a serio, há razões para se ter abandonado o padrão ouro à umas decadas valentes...o maior problema é mesmo o que Portugal tem com o euro. Tendo o ouro como padrão é igual a perder o controlo sobre a politica monetária no pais. Sobretudo a China que vem prosperando, mantendo artificialmente o yuan desvalorizado (para poder vender "barato" no exterior e fazer com que a procura interna por produtos importados não suba) seria a morte para eles. Em pouco tempo o yuan valorizava para o seu valor "real" e as exportações decresciam a pique invertendo a balança comercial chinesa... Compartilhar este post Link para o post
Stromp Publicado 4 Março 2014 Podem fazer o favor de parar de estragar o tópico com discussões dignas de um dia de carnaval no infantário? O tópico tem estado muito bom, sempre com intervenções de qualidade e informativas. Não estraguem isto, sff /moderador Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 4 Março 2014 Num jornal espanhol diz-se que a China avisou os EUA que se não moderam a sua postura relativamente à Rússia e à Ucrânia, irao exigir o pagamento da dívida em ouro A China e os EUA estão bastante dependentes um do outro para do nada os chineses fazerem isso. E já houve alturas bastante piores em termos de relações EUA/China (Tibete, disputas territoriais da China em termos de arquipélagos, espionagem). Como uma vez fizeram num cartoon: Compartilhar este post Link para o post
4tires Publicado 5 Março 2014 Já agora, Burkina como é que sabes o que é que o povo decidiu? Em Kiev, tiveste no máximo 100 000 pessoas. A Ucrânia tem 45 milhões de pessoas, o resto da população não conta? Em Kiev os manifestantes eram mortos a tiro, e nem todas as pessoas podiam lá estar. Compartilhar este post Link para o post
Cra Publicado 5 Março 2014 Em Kiev os manifestantes eram mortos a tiro, e nem todas as pessoas podiam lá estar. É, a policia disparava sobre os manifestantes porque sim, não tinham nada para fazer. E as pessoas começaram a morrer quando aquilo deixou de ser uma manifestação. Nem metade daquelas pessoas eram de Kiev, a maioria veio de autocarros do Ocidente. Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 5 Março 2014 A cobertura mediática no mainstream foca-se muito nas manobras militares em curso na Crimeia (onde tudo já está decidido) e nas grandes jogadas entre Putin e Obama… Muitas das análises geo-políticas feitas por supostos especialistas dão ideia que os manifestantes no terreno são meros “peões”. Mas a verdade é que o ritmo dos eventos na Ucrânia foi muito marcado pelas forças no terreno. A NATO e a UE teriam preferido uma transição mais “suave” na Ucrânia e que a saída de Yukanovitch tivesse sido negociada. Mas os neo-nazis no terreno (os cães de fila que o Imperialismo tinha à sua disposição…) é que não se acomodaram à vontade dos seus mestres. O aumento da violência, a fuga de Yakunovitch (que foi perseguido a tiro), a tomada de assalto do parlamento em Kiev, a adopção de leis revogando a possibilidade do Russo ser língua oficial em qualquer região da Ucrânia, ou a própria composição do novo “governo”, foi tudo em grande medida ditados pelos gangs neo-nazis. (...) Bem verdade isto. Este gajo do 5dias escreve uns textos engraçados, sempre dum ponto de vista comunista alinhado com o pcp claro mas vê-se que se dá ao trabalho de pesquisar informação de vários lados, que é mais do que se pode dizer da maioria dos comentadores que por estes dias aí andam. Há coisa de uma semana o ministro dos negócios estrangeiros polaco andava muito entretido a mandar tweets com mapas do derrube das estátuas do Lenine… Passada uma semana esse palhaço fascista já não tem matéria para tweets desses. Entre outras coisas, o derrube das estátuas do Lenine foi um dos sinais de alarme que fez as populações do sul e o leste erguerem-se contra os fascistas. Na verdade, muitos dos protestos no leste e no sul começaram por ser acampamentos e concentrações em defesa das estátuas de Lenine. Não quero com isto dizer que toda a mobilização a leste e a sul têm um carácter “Leninista”. Tenho tido o cuidado de “catalogar” as movimentações populares em curso no leste e no sul como pró-Russas e anti-fascistas. Parecem-me ser estas as caracterizações mais correctas da natureza dos movimentos em causa. Também me parece que, de momento, uma vitória das forças anti-fascistas na Ucrânia já seria um grande resultado. Uma longa discussão seria até que ponto, para de facto obter essa vitória, não será necessário lutar por um programa de carácter vincadamente anti-oligarca, comunista e Revolucionário… Mas parece-me que, no terreno real, a dialéctica está a encarregar-se de resolver muitas dessas questões… Provavelmente, desde a queda da União Soviética em 1991 que não se via na Ucrânia tanta gente com a bandeira da frota soviética (também considerada como uma bandeira da União Soviética tout court). Há muito que não se viam tantos combatentes com a faixa de S. Jorge (símbolo usado pelas tropas soviéticas para celebrar a vitória sobre os Nazi-fascistas na segunda guerra mundial). Na ânsia de de derrubar Lenine e exibir símbolos das SS Nazis, os fascistas de Kiev acabaram por prestar um enorme favor à recuperação de uma série de símbolos Soviéticos… Dá vontade de citar Marx, “a revolução por vezes necessita do chicote da contra-revolução para avançar”… Sim, são só símbolos. Mas sendo “apenas” símbolos não deixam de dar um sinal forte. Se tudo isto fosse irrelevante, o ministro polaco não mandava tweets com mapas dos lenines derrubados, os filo fascistas não falariam deste assunto, os Nazis não se empenhariam tanto em derrubar as estátuas de Lenine, nem os anti-fascistas em defendê-las… Numa reportagem da CNN em directo da Crimeia, a Jornalista que entrou em directo teve que admitir que a maioria da população (todos com quem ela tinha falado) estavam a favor da “invasão russa”. Depois deu o exemplo de um comício no centro da cidade onde se ouvia non stop canções co..co..co..comunistas (sim a repórter engasgou-se ao ter de pronunciar a palavra) http://5dias.wordpress.com/ Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 5 Março 2014 Resposta mais a serio, há razões para se ter abandonado o padrão ouro à umas decadas valentes...o maior problema é mesmo o que Portugal tem com o euro. Tendo o ouro como padrão é igual a perder o controlo sobre a politica monetária no pais. Sobretudo a China que vem prosperando, mantendo artificialmente o yuan desvalorizado (para poder vender "barato" no exterior e fazer com que a procura interna por produtos importados não suba) seria a morte para eles. Em pouco tempo o yuan valorizava para o seu valor "real" e as exportações decresciam a pique invertendo a balança comercial chinesa... agora é a parte onde respondes algo que não se saiba. Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 5 Março 2014 Durão Barroso: Comissão Europeia vai ajudar Ucrânia com 11 mil milhões de euros O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, anunciou esta quarta-feira, em Bruxelas, um pacote de ajuda financeira à Ucrânia de 11 mil milhões de euros. O pacote, especificou José Manuel Durão Barroso em conferência de imprensa, combina verbas do orçamento da União Europeia, do Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). Do orçamento da UE vão sair três mil milhões de euros nos próximos anos, 1,6 mil milhões de ajudas macrofinanceiras (empréstimos) e 1,56 mil milhões de ajuda ao desenvolvimento (subvenções). Durão Barroso sublinhou que a ajuda macroeconómica poderá ser enviada já nas próximas semanas. Por seu lado, o BEI irá financiar a Ucrânia numa verba que pode ir até aos três mil milhões de euros e o BERD em cinco mil milhões. Este pacote, de curto e médio prazo, será discutido na quinta-feira pelos chefes de Estado e de Governo da UE, que se reúnem num Conselho Europeu extraordinário, convocado para debater a Ucrânia. Na conferência de imprensa, Durão Barroso salientou ainda que "cabe ao povo ucraniano decidir o seu futuro" e apelou à resolução através do diálogo da situação na Crimeia, acrescentando acreditar que "ninguém se oporá ao envio de observadores internacionais" para a república autónoma. A tensão entre a Ucrânia e a Rússia agravou-se na última semana, após a queda do ex-presidente Viktor Ianukovich, por causa da Crimeia, península do sul do país onde se fala russo e está localizada a frota da Rússia do Mar Negro. A crise na Ucrânia começou em Novembro com protestos contra a decisão de Ianukovich de recusar a assinatura de um acordo de associação com a UE e promover uma aproximação à Rússia. Jornal de Negócios Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 5 Março 2014 (editado) UI! Breaking news da RT (que normalmente é de desconfiar mas isto parece real). Está a ser divulgada uma conversa telefónica entre o ministro dos negócios estrangeiros da Estonia e a Katherine Ashton, representante dos negocios estrangeiros da União Europeia em que o gajo da Estonia dá a informação de que os snipers que mataram pessoal em Maidan não foram ordenados pelo Yanukovich mas sim por membros da "nova coligação"!! http://www.youtube.com/watch?v=ZEgJ0oo3OA8 8.20 min “There is now stronger and stronger understanding that behind the snipers, it was not Yanukovich, but it was somebody from the new coalition,” Paet said during the conversation. “I think we do want to investigate. I mean, I didn’t pick that up, that’s interesting. Gosh,” Ashton answered. Paet also recalled his conversation with a doctor who treated those shot by snipers in Kiev. She said that both protesters and police were shot at by the same people. “And second, what was quite disturbing, this same Olga [bogomolets] told as well that all the evidence shows that the people who were killed by snipers from both sides, among policemen and then people from the streets, that they were the same snipers killing people from both sides,” the Estonian FM stressed. Ashton reacted to the information by saying: “Well, yeah…that’s, that’s terrible.” “So that she then also showed me some photos she said that as a medical doctor she can say that it is the same handwriting, the same type of bullets, and it’s really disturbing that now the new coalition, that they don’t want to investigate what exactly happened,” Paet said. Pelos vistos é legit! O ficheiro foi conseguido e metido no Liveleak por membros dos serviços secretos leais ao ex-presidente, que hackearam os telefones. O Telegraph já pegou nisto e confrontou a Ashton que não comentou, os outros jornais do "ocidente" estão a demorar. Editado 5 Março 2014 por antifa Compartilhar este post Link para o post
JonasThern Publicado 5 Março 2014 Isto agora é cada um a puxar a brasa à sua sardinha como se costuma dizer. Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 5 Março 2014 O MNE da Estónia acabou de confirmar que a chamada é autêntica: On the Telephone Conversation between Foreign Minister Paet and EU High Representative for Foreign Affairs Catherine Ashton05.03.2014 The recording of a telephone conversation between Foreign Minister Urmas Paet and High Representative Catherine Ashton that has been leaked online is authentic. The conversation between Paet and Ashton took place on 26 February after the Estonian Foreign Minister’s return from his visit to Ukraine. His visit took place last week, soon after the end of street violence in Kiev. Foreign Minister Paet was giving an overview of what he had heard the previous day in Kiev and expressed concern over the situation on the ground. We reject the claim that Paet was giving an assessment of the opposition’s involvement in the violence. `It is extremely regrettable that phone calls are being intercepted,’ said Paet. ’The fact that this phone call has been leaked is not a coincidence,’ added Paet. http://www.vm.ee/?q=node%2F19353 Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 5 Março 2014 Russian supporters reaction after that news: Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 5 Março 2014 Os deputados do BE abandonaram o hemiciclo em protesto contra a recusa do PM em responder à Catarina Martins. Compartilhar este post Link para o post
Puto Perdiz Publicado 5 Março 2014 pareciam uns putos do ensino básico. - és um mentiroso - não falo mais contigo - ai não? - não. não mandas em mim - então vou-me embora. Compartilhar este post Link para o post
Stromp Publicado 5 Março 2014 Mas esta m*rda é assim? Não responde? Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 5 Março 2014 O melhor são os aplausos do rebanho após ele anunciar que não tem qualquer obrigação de responder à questão dela. "Não tenho nada que responder!" "Muito bem, senhor PM. Muito bem!" :lol: Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 5 Março 2014 Porra, ridículo o Passos. Compartilhar este post Link para o post
Boo Riquelme Publicado 5 Março 2014 não responde a uma pergunta e alega "direito à liberdade de expressão" :lol: Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 5 Março 2014 Este primeiro ministro de Portugal também é um belo escroto... Aquela cara de desgraçadinho ofendido era mesmo como dizia o meu avô "dar-lhe com um pano encharcado naquela tromba!" Não responde??? Esta m*rda não o Burundi e se não quer responder tem bom remédio, arruma as coisinhas dele e põe se na alheta! Compartilhar este post Link para o post
paladino77 Publicado 5 Março 2014 Assim muito por cima, alguém pode indicar como teve influência o Estado na economia após o 25 de Abril, e diferenças comparadas à influência antes do mesmo ? Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 6 Março 2014 President Putin's Fiction: 10 False Claims about Ukraine Fact Sheet Office of the Spokesperson Washington, DC March 5, 2014 Share on facebookShare on twitterShare As Russia spins a false narrative to justify its illegal actions in Ukraine, the world has not seen such startling Russian fiction since Dostoyevsky wrote, “The formula ‘two plus two equals five’ is not without its attractions.” Below are 10 of President Vladimir Putin’s recent claims justifying Russian aggression in the Ukraine, followed by the facts that his assertions ignore or distort. 1. Mr. Putin says: Russian forces in Crimea are only acting to protect Russian military assets. It is “citizens’ defense groups,” not Russian forces, who have seized infrastructure and military facilities in Crimea. The Facts: Strong evidence suggests that members of Russian security services are at the heart of the highly organized anti-Ukraine forces in Crimea. While these units wear uniforms without insignia, they drive vehicles with Russian military license plates and freely identify themselves as Russian security forces when asked by the international media and the Ukrainian military. Moreover, these individuals are armed with weapons not generally available to civilians. 2. Mr. Putin says: Russia’s actions fall within the scope of the 1997 Friendship Treaty between Ukraine and the Russian Federation. The Facts: The 1997 agreement requires Russia to respect Ukraine’s territorial integrity. Russia’s military actions in Ukraine, which have given them operational control of Crimea, are in clear violation of Ukraine’s territorial integrity and sovereignty. 3. Mr. Putin says: The opposition failed to implement the February 21 agreement with former Ukrainian President Viktor Yanukovych. The Facts: The February 21 agreement laid out a plan in which the Rada, or Parliament, would pass a bill to return Ukraine to its 2004 Constitution, thus returning the country to a constitutional system centered around its parliament. Under the terms of the agreement, Yanukovych was to sign the enacting legislation within 24 hours and bring the crisis to a peaceful conclusion. Yanukovych refused to keep his end of the bargain. Instead, he packed up his home and fled, leaving behind evidence of wide-scale corruption. 4. Mr. Putin says: Ukraine’s government is illegitimate. Yanukovych is still the legitimate leader of Ukraine. The Facts: On March 4, President Putin himself acknowledged the reality that Yanukovych “has no political future.” After Yanukovych fled Ukraine, even his own Party of Regions turned against him, voting to confirm his withdrawal from office and to support the new government. Ukraine’s new government was approved by the democratically elected Ukrainian Parliament, with 371 votes – more than an 82% majority. The interim government of Ukraine is a government of the people, which will shepherd the country toward democratic elections on May 25th – elections that will allow all Ukrainians to have a voice in the future of their country. 5. Mr. Putin says: There is a humanitarian crisis and hundreds of thousands are fleeing Ukraine to Russia and seeking asylum. The Facts: To date, there is absolutely no evidence of a humanitarian crisis. Nor is there evidence of a flood of asylum-seekers fleeing Ukraine for Russia. International organizations on the ground have investigated by talking with Ukrainian border guards, who also refuted these claims. Independent journalists observing the border have also reported no such flood of refugees. 6. Mr. Putin says: Ethnic Russians are under threat. The Facts: Outside of Russian press and Russian state television, there are no credible reports of any ethnic Russians being under threat. The new Ukrainian government placed a priority on peace and reconciliation from the outset. President Oleksandr Turchynov refused to sign legislation limiting the use of the Russian language at regional level. Ethnic Russians and Russian speakers have filed petitions attesting that their communities have not experienced threats. Furthermore, since the new government was established, calm has returned to Kyiv. There has been no surge in crime, no looting, and no retribution against political opponents. 7. Mr. Putin says: Russian bases are under threat. The Facts: Russian military facilities were and remain secure, and the new Ukrainian government has pledged to abide by all existing international agreements, including those covering Russian bases. It is Ukrainian bases in Crimea that are under threat from Russian military action. 8. Mr. Putin says: There have been mass attacks on churches and synagogues in southern and eastern Ukraine. The Facts: Religious leaders in the country and international religious freedom advocates active in Ukraine have said there have been no incidents of attacks on churches. All of Ukraine’s church leaders, including representatives of the Ukrainian Orthodox Church-Moscow Patriarchate, have expressed support for the new political leadership, calling for national unity and a period of healing. Jewish groups in southern and eastern Ukraine report that they have not seen an increase in anti-Semitic incidents. 9. Mr. Putin says: Kyiv is trying to destabilize Crimea. The Facts: Ukraine’s interim government has acted with restraint and sought dialogue. Russian troops, on the other hand, have moved beyond their bases to seize political objectives and infrastructure in Crimea. The government in Kyiv immediately sent the former Chief of Defense to defuse the situation. Petro Poroshenko, the latest government emissary to pursue dialogue in Crimea, was prevented from entering the Crimean Rada. 10. Mr. Putin says: The Rada is under the influence of extremists or terrorists. The Facts: The Rada is the most representative institution in Ukraine. Recent legislation has passed with large majorities, including from representatives of eastern Ukraine. Far-right wing ultranationalist groups, some of which were involved in open clashes with security forces during the EuroMaidan protests, are not represented in the Rada. There is no indication that the Ukrainian government would pursue discriminatory policies; on the contrary, they have publicly stated exactly the opposite. Fonte: http://www.state.gov/r/pa/prs/ps/2014/03/222988.htm Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 6 Março 2014 (editado) Viver com pensões de 300 euros inShare 6 de Março, 2014por Catarina Guerreiro e Sónia Balasteiro Dois milhões de portugueses têm reformas inferiores a 364 euros. Racionam os remédios e há alturas em que têm de escolher: a saúde ou a comida. Muitos ainda ajudam os filhos desempregados. Por sofrer de graves problemas nos intestinos, Ana Vitorino, de 79 anos, tem de tomar um pó que a farmácia da sua residência manda vir do estrangeiro. Devia consumir um pacote por dia, mas para poupar divide-o ao meio e dá-lhe para dois dias. E assim consegue que a embalagem que compra por 15 euros chegue a durar um mês e meio. Racionar alguns medicamentos é um dos métodos que Ana usa para sobreviver, pois está entre os dois milhões de portugueses que, segundo a Segurança Social, recebem menos de 364 euros de reforma por mês. No seu caso ainda conta com bastante menos. “Pode ver”, diz, mostrando o recibo do IRS, que guarda embrulhado num pano azul escuro. “Até tenho vergonha”, desabafa, referindo-se aos 259,36 euros da sua pensão. Reformou-se aos 50 anos devido a problemas de saúde, mas sempre deu no duro. “Fui empregada doméstica e trabalhei muito, não falhava nem sábados nem domingos”, conta Ana, que só muito recentemente descobriu que, por a sua reforma ser tão baixa (4.733 euros por ano), pode beneficiar do Complemento Solidário de Idoso - uma ajuda financeira mensal para os que têm rendimentos anuais inferiores a 4.909 euros e que desde 2008 também se destina a pessoas com mais de 65 anos (em 2007, foi para maiores de 70 e em 2006 só para os com mais de 80). “Entreguei agora os papéis na Segurança Social”, revela, satisfeita por imaginar que em breve poderá ter mais alguns euros que prometem aligeirar a sua ginástica financeira. Só nas contas da água, luz e telefone vai parte do orçamento. “E às vezes, na farmácia, ainda gasto duas notas de vinte e uma de dez”, explica, lembrando que ainda tem de pagar a comida - que se resume a sopa e, algumas vezes, bacalhau. “Há anos que é raro comprar algo para mim”, recorda. O kispo que traz vestido foi dado por familiares que “vivem longe, na terra”. O que lhe vale é que a casa onde reside, em Lisboa, no Beato, é sua - pois comprou-a há 40 anos com ajuda de um familiar a quem foi pagando. Como a família está longe, tem de viver sozinha. Uma solidão que, segundo os Census de 2011, afecta 400 mil idosos, sendo Lisboa uma das regiões com maior percentagem de pessoas mais velhas a viver sozinhas (22%), seguida do Alentejo (22%). O que tem minorado a solidão de Ana é o projecto da Associação Médicos do Mundo, que lhe permite conviver com outras pessoas do bairro e fazer ginástica com uma fisioterapeuta (ver texto em baixo). E o facto de nunca ter casado nem ter descendência acaba por poupá-la de viver um drama que está a ser partilhado por muitas das suas amigas, que têm reformas semelhantes e não sabem como ajudar os filhos desempregados. O gosto de ajudar os filhos Conceição, de 72 anos, recebe 303,34 euros de reforma, e parte vai para a filha desempregada, de 50 anos, e a neta, de 20 e poucos, que acabou o curso mas não consegue trabalho. Esta costureira não tem tido uma vida fácil desde que ficou viúva, há quase 40 anos, com uma filha pequena. “Todos os dias, há 38 anos, escrevo numa agenda o que gasto. A meio do mês, faço contas para ver o que ainda posso gastar. Há coisas que têm de ficar para o mês seguinte”, afirma, explicando que, além da reforma, recebe a pensão de viuvez, de 152 euros. Mas tudo junto não chega para as despesas. Vive numa casa situada numa subcave sem janelas, onde cai chuva na zona onde tem a máquina de costura, o frigorífico e uma mesa de refeições. Paga 40 euros de renda, mais água, luz, gás e comida, sem contar com os custos que tem com a saúde. Por causa dos cancros que sofreu - na língua e no pescoço - tem uma série de problemas que todos os meses lhe pesam no bolso. “No IPO, onde as pessoas são maravilhosas, não pago nada. Mas depois há muita coisa que preciso e não é comparticipada”, diz falando do gel (seis euros) e das gotas (oito euros por frasco) que põe nos olhos “por ter ficado sem lágrimas, devido à radioterapia”. “A isto soma-se os medicamentos para a tiróide, os lorenin, os lexotan e o omeprazol” - descreve, confessando que muitas vezes o que lhe vale são as pequenas ajudas em géneros que recebe das pessoas para quem faz trabalhos de costura “sem levar nada”, como as freiras de um lar. “Quando me dão alguma coisa, guardo e tenho um miminho para a minha filha”. Apesar das dificuldades, há uma coisa que Conceição está ansiosa por escrever na agenda diária dos seus gastos. “Quero comprar o livro daquele senhor Manuel Forjaz”, diz, referindo-se ao antigo gestor de 50 anos que tem dado várias entrevistas a falar da forma 'feliz' como lida com o cancro que tem no pulmão. “Sou como ele”, garante Conceição, que agora voltou a ir às segundas-feiras ao IPO fazer tratamentos na coluna. “De três em três anos, o cancro diz: 'Olá, estou aqui'“. Mas Conceição não desiste: “Se Deus me deixou viver, vou aproveitar”. Mais chorosa é Maria Augusta, de 84 anos, que também dá parte da reforma ao filho Armando, que trabalhou na construção civil e está desempregado. “Recebo só 370 euros e quase metade é para pagar a conta que gasto com este aquecedor. Se não, morro de frio”, relata a antiga empregada de pastelaria, embrulhada numa manta e sentada no sofá da sua sala, onde passa horas a fio: não sai à rua por ter colocado uma prótese no joelho e estar dependente de canadianas. “Olhe, vejo novelas”, desabafa. Com graves problemas cardíacos, Maria Augusta toma muitos medicamentos. Mas conseguiu ser um dos 25 idosos que recebem ajuda do projecto da Médicos do Mundo, patrocinado pela Segurança Social. “Pagam-me os medicamentos e vêm cá a casa ajudar-me. Limpam isto, trocam a cama...”, descreve, aproveitando para contar um dos episódios que mais a marcou nos últimos anos. “Andava a sentir-me mal, mas o médico de família nunca me auscultava. Só me dizia: 'O que você tem é velhice e isso não tem cura'“. Pouco depois da última consulta, foi internada no Hospital Curry Cabral com líquido nos pulmões. “Fiquei revoltada”. Foram os problemas de saúde que a obrigaram a reformar-se aos 67 anos, recebendo agora mais 99 euros pelo complemento de dependência. Se pudesse, tinha continuado mais tempo a trabalhar como cozinheira: “Ainda faço a minha sopa. Apoio-me nas bancadas da cozinha e deslizo por ali fora”. Trabalhar sem parar A muitos quilómetros de distância de Lisboa, a situação dos idosos é idêntica. E muitos, apesar de reformados, continuam a trabalhar. Manuel, um alentejano de 73 anos e antigo motorista que se reformou há oito, ainda hoje trabalha como negociante de lenha. Apesar de ser um trabalho duro - e de ter tido um ataque cardíaco há três anos, tendo descoberto que sofre de diabetes - não tem outra opção. Com os 200 euros da reforma da mulher, Maria, ficam com pouco mais de 700 euros por mês. “Há meses em que tenho de escolher que medicamentos compro, se os meus, se os dele”, explica Maria, esclarecendo que os dois gastam 300 euros por mês só em remédios. “As coisas não estão fáceis. Trabalhámos tanto, a vida inteira, e nunca pensámos chegar à velhice nas condições em que estamos”, desabafa, enquanto o marido aproveita para dizer que não querem é ir para um lar: “Gostamos de viver juntos na nossa casa, à nossa maneira”. Além disso, também têm de ajudar um dos seis filhos que está desempregado e vive com eles. Os problemas do desemprego dos filhos estão a afectar cada vez mais idosos. Segundo dados de Novembro passado, todos os dias são penhorados 125 mil euros em pensões, parte porque os idosos foram fiadores dos seus descendentes que ficaram desempregados e não pagam as dívidas. À Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE) não param, por isso, de chegar situações de desespero, conta a presidente, Maria do Rosário Gama: “Temos um associado que recebe 292 euros de reforma. A Caixa Geral de Aposentações deixou de pagar-lhe durante meses e, quando veio tudo junto, cerca de 4.000 euros, cobraram-lhe o IRS”. A comida ou os remédios A grande 'guerra' da associação, agora, é a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que será aplicada a reformas de 1.300 euros, mesmo que resultem de complementos de pensão. “O corte é brutal. Há idosos obrigados a escolher entre o alimento e a medicação”, denuncia a responsável, acrescentando que a APRE vai tentar travar a medida com uma providência cautelar. E deixa um alerta: “Os suicídios em idosos, na Grécia, aumentaram 7% por causa das medidas de austeridade. Não tenho dúvida de que o mesmo está a acontecer cá”. Os números mostram que Portugal não é neste momento um país fácil para idosos: mais de 90% dos que têm acima de 65 anos recebe menos de 500 euros por mês. Abílio, de 75 anos, e Maria Teresa, de 74, residem na Nazaré. Os dois acumulam cerca de 700 euros de reforma, 400 dele e 300 dela. “Não chega”, atalha Maria Teresa. Por isso, ainda trabalha na livraria que abriram há 50 anos. O que também é uma ocupação: “Vou-me entretendo”, diz. Já António, em Castelo Branco, gostaria de parar, se pudesse. Tem 78 anos, começou a aprender o ofício de sapateiro aos 12 e agora, mais de 60 anos depois, mantém aberta a oficina. Tem como reforma cerca de 300 euros e a mulher 200: pouco sobra depois de comprarem os medicamentos, que custam “300 euros, todos os meses”. Mas para ele a crise tem um lado bom, que é levar mais pessoas à sua oficina, pois “têm menos dinheiro para gastar em sapatos novos”. “Este país não está para velhos”, conclui António, para logo de seguida emendar: “Nem para velhos nem para novos”. Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=100762 É uma tristeza tudo isto que se passa, mas estas pessoas por falta de informação ou por outras razoes nunca descontaram (ou pouco descontaram para a segurança social) assim que é difícil de receberem mais dinheiro, que tem que ser tirado dos outros que também "trabalham duro" . Na altura em que tiveram a opcao de descontar, fecharam os olhos e ficaram com o dinheiro, que direito se tem de queixar agora por receber pouco. Estes ainda sao os que tem sorte, porque outros que hoje em dia trabalham e ja descontaram 20-25 anos do ordenado, vao chegar a reforma e dificilmente teram algum de volta... Editado 6 Março 2014 por Burkina2008 Compartilhar este post Link para o post
Boo Riquelme Publicado 6 Março 2014 as pessoas mais velhas têm esse tipo de reformas baixissimas por 2 razões: - tinham empregos relativamente banais e precários (empregadas domésticas, fábricas, etc) - Não existiam descontos para a seg.social. A caixa de providência só comecou com o Salazar já no fim da sua governação e a existir mesmo descontos feitos a sério e estruturados no tempo do Marcello Caetano. Ou seja, essas pessoas não têm culpa de "não terem descontado". Já para não falar que nos trabalhos fabris, o dono da fábrica não descontava o que devia descontar e ficava com o dinheiro desses impostos para encher o bolso. Foi o que aconteceu com 2 tias minhas do Algarve, descontaram durante 9 anos que trabalharam na fábrica de conservas, agora há poucos anos queriam reformar-se e têm uma reforma de 300€ quando deviam ter de 500€. Portanto o problema não é dessas pessoas que "nunca descontaram". Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 6 Março 2014 (editado) as pessoas mais velhas têm esse tipo de reformas baixissimas por 2 razões: - (1) tinham empregos relativamente banais e precários (empregadas domésticas, fábricas, etc) - (2) Não existiam descontos para a seg.social. A caixa de providência só comecou com o Salazar já no fim da sua governação e a existir mesmo descontos feitos a sério e estruturados no tempo do Marcello Caetano. Ou seja, essas pessoas não têm culpa de "não terem descontado". (3) Já para não falar que nos trabalhos fabris, o dono da fábrica não descontava o que devia descontar e ficava com o dinheiro desses impostos para encher o bolso. Foi o que aconteceu com 2 tias minhas do Algarve, descontaram durante 9 anos que trabalharam na fábrica de conservas, agora há poucos anos queriam reformar-se e têm uma reforma de 300€ quando deviam ter de 500€. Portanto o problema não é dessas pessoas que "nunca descontaram". (1)Hoje em dia as pessoas continuam a ter esse tipo de empregos e a descontar. E desde o tempo do Marcelo Caetano já se passaram mais de 40 anos. Ou seja essas pessoas que hoje tem 70-80 anos, nessa altura teriam 30-40 anos, ou seja pelo menos 25 em que poderiam ter descontado, mas empregadas de limpeza (como é o caso da primeira) ou costureiras (como a segunda) nunca quiseram descontar...ainda hoje muitas não o fazem (2)Portanto não pouparam para a velhice mesmo sabendo que não teriam rendimentos nessa altura...muito inteligente... (3)Que devem ser uma grande parte dos 2 milhões de pensionistas que recebem abaixo dos 364 euros.... :maluco: A lição aqui é que quem cumpriu não vai ter reforma e que quem nunca descontou anda a viver a custa dos outros... Editado 6 Março 2014 por Burkina2008 Compartilhar este post Link para o post