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O dia em que deixei de ouvir música nos transportes

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Citação de doom_master, Em 02/12/2019 at 10:32:

Após muitos anos a usar phones todos os dias nos transportes para a faculdade/trabalho, comecei a deslocar-me de carro diariamente quando passei a ir para um cliente mais longe. Foram 4 anos durante os quais senti tantas saudades dos transportes públicos, com tudo o que têm de mal, como nunca pensei alguma vez sentir. O stress dos péssimos condutores portugueses chateava-me até mais não.

Há uns meses troquei de trabalho e voltei à antiga rotina de andar diariamente de transportes públicos. Perco quase o dobro do tempo do que perdia quando ia de carro para o cliente, e não o trocava. Para mim aquele momento em que vou no meu mundo, de headphones e livro na mão, tem um valor inestimável.

Como consegues ler e ouvir música ao mesmo tempo? Eu mal me consigo concentrar a ler um livro, quanto mais com música. 😅

Editado por Leston

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Citação de Leston, há 15 minutos:

Como consegues ler e ouvir música ao mesmo tempo? Eu mal me consigo concentrar a ler um livro, quanto mais com música. 😅

uma das alturas que mais recordo da minha vida era o tempo em que nas duas viagens de comboio quotidianas andava a ler os quatro volumes do Guerra e Paz, a ouvir albuns do Tiago Bettencourt em loop. Manhã e tarde, uns quantos meses. Acabei a associar uma coisa a outra. Ou seja, para mim, Guerra e Paz tem como banda sonora Tiago Bettencourt.

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É uma questão de hábito, mesmo. Se estiveres com dificuldades, começas com o volume baixo ou músicas sem letra para não te focares tanto naquilo e quando dás por ela consegues na boa. É mais complicado ler em autocarros e assim, a meu ver. Mas também isso é uma questão de hábito. O meu truque era ir levantando a cabeça do livro nas curvas mais apertadas, que já sabia quando vinham aí por já saber o percurso como a palma da minha mão. Hoje em dia só levanto quando é para sair, praticamente.

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Citação de Black Hawk, há 14 horas:

Acabou de me aparecer como sugestão no Facebook:

Quanto às críticas, pah, é sempre bom ouvir/ler as mesmas, mas de gente incapaz de colocar uma ideia por escrito, desenvolvê-la e fazer dela uma narrativa, desses está o mundo cheio. É tão mais fácil aceder ao Facebook e criticar quem o faz. Nem exige qualquer destreza mental.

Aliás, agora que li com atenção alguns dos comentários na publicação do Facebook permite-me acrescentar outra coisa: críticas sobre o vocabulário, a mensagem, a fluência do texto, o raciocínio, etc, merecem toda a consideração e enquadram-se nas que merecem atenção; críticas de quem lê o texto e ficam com a ideia que a mensagem principal deste é que "tudo só para dizer que comprou um carro" ou que "pensa que é adulto só porque já tem um carro", muito honestamente, nem merecem que percas dois segundos do teu tempo. É preciso ser-se bem incapaz na interpretação escrita para passarem de tal forma ao lado da mensagem do teu texto.

Obrigado a todos pelo feedback e, sobretudo, pelo apoio.

Há mensagens que nos marcam mais do que outras e foi o caso desta do @Black Hawk. Por mais simples que possa parecer, há sempre coisas que mexem connosco, seja como for. No fundo apetecia-me responder, com algo estruturado, a dizer-lhes que, na verdade, não souberam interpretar e esse, sim, foi o problema.

Contudo, esta mensagem fez-me relativizar as coisas. De alguma forma funcionou como trigger para perceber que, não, não vale a pena dar relevo a pessoas que passaram claramente ao lado da mensagem passada. Preferia mil vezes que me criticassem por terem uma opinião oposta do que por acharem algo não correspondente à realidade. Enfim, obrigado, Puro. Foi muito fixe e permitiu-me colocar as coisas numa perspectiva diferente.

Obrigado a vocês! São (sempre) os maiores.

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Durante 6 anos sempre fui para a secundária/universidade com os fones nos ouvidos durante 30 minutos e eram os melhores 30 minutos do meu dia. Estivesse a chover ou a nevar (na secundária nevava uns dias no inverno), sempre escolhi ir a pé em vez de ir com familiares de carro por causa da calma que aquela pequena parte do meu dia me transmitia.

Tal como o @Mica e graças ao meu pai, ouvia sempre Pink Floyd, Dire Straits, Pearl Jam e afins e só deus sabe as saudades que tenho desses 30 minutos de fones nos ouvidos, agora que ando de carro para todo o lado porque enfim, a vida andou para a frente.

Grande texto, os meus mais sinceros parabéns.

Editado por Robe
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Esses comentários no Facebook lol, é que ainda por cima não há criatividade em fazer uma crítica sem pés nem cabeça.

Por exemplo:

tl;dr: O jovem burguês de 18 anos Barradas anuncia ao país via Público que comprou carro novo para encher a plebe de pó (nos dias secos) e água (nos dias de chuva) enquanto ouve Chopin, Mozart e Beethoven e delicia-se com um fillet mignon mal passado acompanhado por uma panaché, servida ligeiramente fria à temperatura de 6ºC.

Se é para não perceber e ler o texto como deve ser mais vale comentar isto para ganhar o prémio de mais criativo do ano no Facebook.

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Também ouvia imensa música quando andava de transportes para a Universidade, no meu velhinho Creative Zen Micro.

De manhã, para chegar as 09:00,  tinha a opção de ir às 08:00 (trajeto por estrada nacional) ou as 08:30 (pela AE), e preferia ir sempre no que demorava mais tempo para poder ouvir música. Pouca gente entendia. Quando aparecia alguém conhecido em alguma paragem e se sentava ao meu lado era um turn off do crl. Desilusão era também quando percebia que não tinha carregado a bateria do leitor de mp3.

Agora no carro basicamente oiço rádios de notícias. Música oiço durante o trabalho no spotify.

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Citação de Thierry Henry, Em 02/12/2019 at 16:34:

Não sei se foi a mesma, mas a mim levou-me de imediato à "The Suburbs". Curiosamente, foi provavelmente o álbum que mais ouvi nessas idas e regressos da escola/faculdade retratados no texto.

Por acaso a que eu acho que mais se adequa desse álbum é a Wasted Hours. Em que mencionam precisamente uma viagem de autocarro para a escola.

Quanto ao texto,  está excelente. A música sempre foi uma companhia ao longo desses anos embora tenha ganho mais relevo nos tempos da secundária, não tanto pela frequência com que a ouvia mas por ter expandido um pouco os horizontes nessa fase.

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Citação de Sumudica by Night, há 2 horas:

Também ouvia imensa música quando andava de transportes para a Universidade, no meu velhinho Creative Zen Micro.

De manhã, para chegar as 09:00,  tinha a opção de ir às 08:00 (trajeto por estrada nacional) ou as 08:30 (pela AE), e preferia ir sempre no que demorava mais tempo para poder ouvir música. Pouca gente entendia. Quando aparecia alguém conhecido em alguma paragem e se sentava ao meu lado era um turn off do crl. Desilusão era também quando percebia que não tinha carregado a bateria do leitor de mp3.

Agora no carro basicamente oiço rádios de notícias. Música oiço durante o trabalho no spotify.

Tinha um Creative MuVo, e ainda o tenho. Com uns 15 anos, cheio de fita cola e com elásticos à volta para o segurar, e ainda bomba. Trocar a pilha é sempre uma tarefa daquelas, bem como escolher que músicas vou por, dado o limite de 2GB. Antes tive um de 1GB, ainda me lembro de achar que ia ter dificuldades a encher quando passei para este de 2GB 😄  Só o deixei de usar diariamente há coisa de 2 anos, quando me rendi a uma pen com mais GB para usar no rádio e, mais tarde, ao Spotify.

Quanto a malta conhecida sentar-se ao meu lado nos transportes públicos, os meus amigos já estão avisados que estarem ao meu lado não significa que têm companhia para a viagem, e eu evito sentar-me ao lado deles se houver algum banco de 2 pessoas livre. Aquele momento é só para mim, mesmo. Alguns levavam a mal inicialmente, mas já se resignaram.

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Nem consigo imaginar nesta fase deslocar-me sem ter musica comigo. Estou tão habituado a minha musica, que tem um pouco de tudo, que a radio já dificilmente rivaliza. Como um pouco como o Doom entro no inicio e saio perto dos terminos das carreiras é um tempo que me sabe tão bem.
Lembro-me ainda há uns meses estava no metro da linha vermelha partindo em São Sebastião para o Oriente e nesse percurso estava uma barulheira tão grande e doía-me a cabeça de tal modo que coloquei o fones, puz a Siren of The Woods dos Therion e durante 10  minutos abstrai-me completamente daquele barulho todo e soube-se ainda melhor que o costume.
 

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andar de carro com a minha música em alto e bom som é das coisas que me dá prazer nesta life

talvez por isso sinta arrepios na espinha só de pensar na hipótese de ligar o carro e começar um esganiçado qualquer tipo Vasco Palmeirim com as m*rda dele logo de manhã, pqp

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Citação de UnReal, há 12 horas:

andar de carro com a minha música em alto e bom som é das coisas que me dá prazer nesta life

talvez por isso sinta arrepios na espinha só de pensar na hipótese de ligar o carro e começar um esganiçado qualquer tipo Vasco Palmeirim com as m*rda dele logo de manhã, pqp

concordo, para irmos para o spot não passo sem a minha music

Citação de doom_master, há 20 horas:

Tinha um Creative MuVo, e ainda o tenho. Com uns 15 anos, cheio de fita cola e com elásticos à volta para o segurar, e ainda bomba. Trocar a pilha é sempre uma tarefa daquelas, bem como escolher que músicas vou por, dado o limite de 2GB. Antes tive um de 1GB, ainda me lembro de achar que ia ter dificuldades a encher quando passei para este de 2GB 😄  Só o deixei de usar diariamente há coisa de 2 anos, quando me rendi a uma pen com mais GB para usar no rádio e, mais tarde, ao Spotify.

Quanto a malta conhecida sentar-se ao meu lado nos transportes públicos, os meus amigos já estão avisados que estarem ao meu lado não significa que têm companhia para a viagem, e eu evito sentar-me ao lado deles se houver algum banco de 2 pessoas livre. Aquele momento é só para mim, mesmo. Alguns levavam a mal inicialmente, mas já se resignaram.

às vezes queixava-me quando tinha de escolher que músicas quero no mp3 quando queria tantas, mas agora tenho spotify e tenho tanta música que ouço 1 terço delas ou menos no dia-a-dia. 😅

Editado por Leston
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Citação de UnReal, há 12 horas:

andar de carro com a minha música em alto e bom som é das coisas que me dá prazer nesta life

talvez por isso sinta arrepios na espinha só de pensar na hipótese de ligar o carro e começar um esganiçado qualquer tipo Vasco Palmeirim com as m*rda dele logo de manhã, pqp

Tens um Saxo e o álbum é o Orbital Mix 8.

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Excelente texto @nopla ,tens uma qualidade a escrever incrível. Diria mesmo que é um dom! 

Sobre o conteúdo, engraçado que praticamente todos nós temos um momento diário em que conseguimos "escapar" ao stress diário. Tal como alguns, recordo com alguma nostalgia o meu mp3 da creative que me acompanhava nas viagens de 6a e domingo de Castelo Branco até ao Entroncamento da vida de estudante (ao mesmo tempo lia o Record, não falhava). Depois quando passei a ter carro inicialmente aproveitava também para ouvir música consoante o tipo de actividade que ia fazer, o que é curioso já que hoje em dia prefiro ouvir rádio e ficar surpreendido com a música que estiver a passar. Isso era algum impensável há poucos anos atrás.

Por outro lado, e alguns salientaram esse ponto, é muito importante todos nós ter uma espécie de "momentum" diário para puder libertar a mente do stress diário e de todas as tarefas que temos de realizar. Para uns a música é essencial, outros lerem 30 minutos um livro sem ninguém a chatear, entre outros. Mas o principal é conseguirmos desligar e ter aquele bocado só para nós, diria mesmo que face ao ritmo absurdo que a maior parte de nós tem todos os dias não tendo essa pausa torna-se complicado a médio/longo prazo aguentar a carga (burn-out, problemas de ansiedade, etc).

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Citação de bug, há 7 horas:

Tens um Saxo e o álbum é o Orbital Mix 8.

Já tive um Saxo, foi o meu primeiro carro. Toda a gente adorava o facto de ter que meter um pin para o (censurado) arrancar:

keypad.jpg

Tão bom, as saudades apertam. ❤️

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