Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Unclouded

[FM2023] With Hearts Aligned - Fortuna Düsseldorf (22/23)

Publicações recomendadas

J0cgEZM.jpg

 

 

Estou de volta!!!! É verdade, após algum tempo sem participar activamente nesta secção decidi voltar. Meteram-me o bichinho e pronto, aqui estou eu.

Ora, em termos de save, acho que vai ser algo idêntico ao que sempre fiz, com uma pequena diferença - embora vá ter história (só faço saves com ficção!) esta apenas acontece até ao início do save. Diria que uns 6/7 capítulos até arrancar em modo full-FM.

Espero que se divirtam tanto quanto eu me estou a divertir a jogar e a escrever - e já sabem, alguma dúvida basta perguntarem. Let's go!

Editado por Unclouded
  • Like 2

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Martini Branco, há 59 minutos:

Boa sorte e bem vindo de volta! 💪

 

Citação de cadete, há 55 minutos:

Here we go. Boa sorte.

 

Citação de six_strings, há 30 minutos:

Vamos para as Higlands? Scotland? Welcome back

PEACE

Obrigado! É bom estar de volta, honestamente!

Ainda é cedo, @six_strings! Ahah!

Mais logo posto o 1º capítulo, mal chegue a casa faço isso. 😉

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de XavalekeMorrison, há 33 minutos:

Final Fantasy *.*

 

BS no Save

Obrigado 😉

Compartilhar este post


Link para o post

J0cgEZM.jpg

 

Capítulo 1: Chance, Destino e Acaso

 

 

Alberto di Stefano.

Pelé.

Maradona.

Johan Cruyff.

Zinedine Zidane.

Ronaldo.

Cristiano Ronaldo.

Lionel Messi.

Todas as gerações que existiram tiveram os seus génios no mundo do futebol. Sem excepção, todas tiveram os seus limites moldados e expandidos devido à graça de cada um deles. O nascimento de alguém assim era um acaso do universo, uma dádiva divina, se lhe quiserem assim chamar.

A sua genialidade era tanta e tão rara que só na geração actual houve, ao mesmo tempo, uma disputa acirrada entre duas estrelas para determinar qual o melhor génio – estes foram sendo espalhados pelo tempo, e só na era de Cristiano e Messi existiu a verdadeira rivalidade entre astros de um universo paralelo ao dos comuns mortais.

Mas a nossa história começa um pouco antes deste enorme duelo, ainda inacabado. Recuemos um pouco no tempo, até ao ano de 1993, mais especificamente. Uma tarde de Verão relativamente quente traz algo impensável até então. Qual é a chance de, no mesmo dia e na mesma cidade, nascerem dois indivíduos capazes de moldarem, em conjunto, os limites do desporto rei?

A cidade é Krefeld, localizada no Oeste alemão. No corredor de obstetrícia o dia tinha sido calmo, pelo que não havia a habitual azáfama. Apenas dois partos. Em lados opostos do corredor, as famílias congratulavam-se com a chegada dos seus mais novos membros. Longe estariam de saber que, em poucos anos, os dois iriam tornar-se numa intempérie capaz de alterar tudo o que o futebol juvenil alemão sabia. Mas isso é uma história para mais tarde.

Para já, vamos seguir a linha do tempo como ela é. Três anos se volveram desde o fatídico dia 7 de Julho de 1993. A família Schneider tinha continuado a sua vida como ela era antes do nascimento do pequeno Thomas. Donos de um mini-mercado, era habitual os clientes verem um menino muito sossegado atrás do balcão onde o seu pai trabalhava. Com uma saúde algo débil, tinha sido diagnosticado com uma cardiopatia congénita que o impossibilitava de brincar e correr como é normal na sua idade. Não obstante, sempre foi um menino tranquilo, ficando com os seus brinquedos sem se mexer muito enquanto ouvia o seu pai e a sua mãe trabalhar na loja.

Mais três anos se passaram. O pequeno Thomas Schneider, já em idade escolar, conseguia levar uma vida normal. Apesar de não conseguir fazer esforços físicos, tudo o resto era possível, pelo que tinha, desde que entrara na escola primária, conseguido fazer os primeiros amigos e, claro, rivais. Nas aulas cedo se reparou que estava ali um génio – aprendia mais rápido que os outros, não se exibindo por isso. Os professores cochichavam entre si – se com 6 anos ele tinha um intelecto desta magnitude, o que faria o pequeno Thomas quando crescesse?

No dia 26 de Maio de 1999, Thomas despediu-se dos seus colegas e andou o mais rápido que podia até casa – não podia perder, absolutamente, o que se ia passar nessa noite. Cumprimentou o pai e a mãe com dois beijos, e sentou-se em frente ao televisor que tinham na sala. Sorrindo, o seu pai, Aaron Schneider, puxou de uma cerveja, sentando-se ao pé do seu filhote. Não tardou até que se ouvisse o habitual hino da Champions. O coração do pequeno Thomas palpitava – adorava futebol desde que se lembrava. Ao ver entrar em campo as duas equipas – Manchester United e Bayern de Munique – sentiu um arrepio.

Ainda o jogo estava nos seus inícios quando Basler inaugura o marcador, deixando os bávaros na frente da partida. Vibraram com o jogo intensamente, não fosse Aaron adepto fanático de futebol, tendo essa qualidade – ou  defeito – sendo passada para o seu filho. Quando o árbitro anunciou os descontos, Thomas deixou escapar um bocejo. Estava feito o resultado.

“Olha com atenção. O jogo só acaba depois dos descontos.”

Como que uma premonição, Aaron acabara de falar e Sheringham empata o encontro. Thomas sorriu.

“É prolongamento, pai?”

“Parece que sim! Mais meia hora de jogo.”

Levantou-se para buscar mais uma cerveja – “Aaron, estás a beber demais hoje!” – quando ouviu um grito de Thomas. Apressou-se e viu o pequeno encostado ao televisor – Solskjær acabara de marcar, virando a partida em apenas dois minutos. Aos berros, abraçaram-se pai e filho. O futebol era isto. Jogado, vivido até ao limite.

  • Like 4

Compartilhar este post


Link para o post

Especialmente da cara com que o Lothar Matthäus ficou 😄

Foi o último jogo do Schmeichel pelo United antes de vir para o Sporting. ❤️

PEACE

Editado por six_strings
  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de cadete, há 18 horas:

Lembro-me bem dessa final.

 

Citação de six_strings, há 16 horas:

Especialmente da cara com que o Lothar Matthäus ficou 😄

Foi o último jogo do Schmeichel pelo United antes de vir para o Sporting. ❤️

PEACE

Também é dos primeiros jogos que me lembro de assistir. Acreditem ou não - foi completa coincidência ter sido este e não outro a aparecer ahah.

Enorme Schmeichel ❤️

Obrigado a ambos!

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

J0cgEZM.jpg

 

Capítulo 2: Encontro do Destino

 

 

Setembro de 2004

Agora com 11 anos, Thomas Schneider era já um nome bastante conhecido na zona de Krefeld e arredores. Com a sua saúde irremediavelmente comprometida, tinha focado todos os seus esforços para ser aceite como membro infantil da equipa técnica das escolinhas de futebol de Dortmund. Todos os dias, sem excepção, Thomas entrava no comboio rumo a Dortmund, após o término escolar, de modo a poder ajudar nos treinos de uma das escolas afiliadas ao enorme clube.

Conseguira a proeza, no ano transacto, de ser aceite como treinador. Os adultos, apesar de se rirem da situação, sabiam o quanto ele gostava e o quanto ele percebia de futebol. Tinham, por isso, a responsabilidade de extrair o melhor dele – afinal, eram formadores na área do futebol, independentemente se for para jogador ou membro técnico.

Iam ter, no fim de semana de 11 e 12 de Setembro, um campeonato com as equipas dos arredores – mas toda a gente sabia que apenas o Dortmund e o Colónia tinham verdadeiras hipóteses de conseguir o título. Nem Düsseldorf nem Duisburgo apostavam verdadeiramente na idade infantil para construírem as suas equipas, pelo que Thomas tinha aqui a chance de se mostrar.

Como esperado, abafaram completamente a oposição – Thomas era capaz de instruir bem os seus jogadores, sendo auxiliado pelos professores que compunham a equipa técnica quando cometia algum erro ou necessitava de ajuda. A final, contra o Colónia, era mais uma vitória certa, pensava Thomas.

Quando o árbitro apitou, o castelo que o pequeno montara começou a ruir. Um jogador adversário, de cabelo desgrenhado e a jogar a ponta de lança, começou a destruir todas as tentativas de marcação. Descia, apoiava os companheiros, lançava contra-ataques ferozes e determinados. Não tardou para que marcasse o primeiro da partida. Thomas encostou a mão ao queixo, pensativo. Deu ordens para fazerem marcação dupla naquele jogador. E, mais uma vez, os seus planos falharam – com um simples passe de tabela com um companheiro, o ponta da lança desmarcou-se e bisou.

“Quem é ele?”

“Alexander Nacht. Um ponta de lança muito promissor de quem já se fala para reforço das escolas do Bayern de Munique.” – respondeu um dos professores.

“Mostrem-me mais dados, por favor.”

Entregaram-lhe a folha com os registos que tinham sobre Alexander, e o olhar de Thomas imediatamente parou na data de nascimento – 7 de Julho de 1993, Hospital Central de Krefeld. Mesmo dia e local? Abanou a cabeça e continuou a analisar o pouco que tinha à disposição.

Irritado, desistiu – não havia nada no papel que o fosse fazer capaz de anular o avançado. Até que reparou num padrão, repetido vezes sem conta, que o fez abrir muito os olhos. Chamou o médio defensivo da sua equipa e disse-lhe algo ao ouvido.

“O que disseste, Thomas?”

“Todos os ataques do Colónia começam por ele. Todos, sem excepção. Por vezes, quando tens uma estrela tão brilhante numa equipa ela torna-se o foco de tudo, o que pode tanto ser bom como mau. Assim, tenho um plano.”

E, efectivamente, resultou – o médio antecipou que a equipa ia tentar colocar a bola em Alexander e interceptou antes do esférico chegar ao destino, lançado um contra-ataque eficaz que resultou num golo. Celebrando, Thomas deu por si a encarar o adversário. Este sorria mas encarava-o de volta com um olhar determinado.

A partida acabou por terminar por 2-1 para o Colónia – resignado, Thomas cumprimentou todos os adversários.

“O teu nome.”

Olhando para Alexander, viu como ele estava frustrado. Sem perceber bem, respondeu.

“Thomas. Thomas Schneider.”

“Sou o Alexander. Thomas, isto não vai ficar assim.”

E, com uma sacudidela, afastou-se. Tinha ganho o encontro mas tinha sido anulado durante a maior parte da partida. Pela primeira vez na sua vida, Alexander tinha sido efectivamente travado. E por alguém da sua idade!

O tempo foi passando. Torneios após torneios, os dois continuaram a encontrar-se. Umas vezes vencia Thomas, outras vezes Alexander. A rivalidade entre os dois crescia e fazia-os também crescer. Toda a gente conhecia o nome dos dois. O novo “Flick” e o novo “Cruyff”, como eram apelidados, iam crescendo a uma velocidade estonteante. E nenhum deles sabia que as rodas do destino, matreiras e certeiras, estavam já em andamento.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Não me lembro da final de 99' pois tinha apenas 6 anos, mas entretanto já a vi e foi algo de épico!

Nasce uma rivalidade entre estes dois meninos... Vamos ver no que irá resultar.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de six_strings, há 7 horas:

Está a nascer uma rivalidade 😄

PEACE

Obrigado 😉

Citação de Martini Branco, há 4 horas:

Não me lembro da final de 99' pois tinha apenas 6 anos, mas entretanto já a vi e foi algo de épico!

Nasce uma rivalidade entre estes dois meninos... Vamos ver no que irá resultar.

Foi completamente surreal mesmo!

Citação de Burkina2008, há 1 hora:

BS

Obrigado 😉

Compartilhar este post


Link para o post

J0cgEZM.jpg

 

Capítulo 3: De Rival para Rival

 

 

Setembro de 2009

O comboio para Dortmund estava lotado como habitual – afinal, era de manhã cedo e milhares deslocavam-se para os seus trabalhos na maior cidade da periferia. Thomas não era excepção – sentia-se muito nervoso quando se despediu dos pais na estação oeste de Krefeld e entrou na carruagem. Sentou-se, na expectativa. Cerrando os punhos, não conseguiu evitar um sorriso. Tinha conseguido, finalmente, a oportunidade de ouro.

Duas paragens mais à frente as portas abriram-se e entrou mais gente. Thomas olhou, meio distraído, e encarou com Alexander.

“Tu-“

Acenando relutantemente, Alexander sentou-se junto a Thomas.

“Tu também, certo?”

Percebendo imediatamente a pergunta, franziu o sobrolho e confirmou. Parecia que o destino de ambos estava interligado, novamente.

Quando chegaram a Dortmund, saíram ao mesmo tempo. Thomas acelerou o passo o máximo que podia. Alexander acelerou ainda mais. Quando deram por isso, estavam a andar quase em corrida, tentando colocar-se à frente um do outro. Thomas sentiu o preço a pagar por tamanha estupidez – uma dor aguda no peito fê-lo abrandar. Ofegante, caminhou mais calmamente. À sua frente, Alexander reduziu o ritmo, mantendo-se no entanto na dianteira.

Sem trocar uma única palavra, chegaram ao centro de treinos das equipas jovens do Borussia Dortmund. Foram recebidos pelo responsável do programa que os ia acolher – afinal, tinham sido escolhidos para uma semana de experiência naquele que era o segundo maior clube alemão. Foram encaminhados para a área onde os jovens pernoitavam quando estavam na academia de modo a poderem, finalmente, separar-se.

“Não pode ser!”

“Estão a brincar, não estão??”

O quarto 515 tinha sido atribuído a ambos. Olharam um para o outro com desdém e pensaram o mesmo. Não era que sentissem ódio um pelo outro, mas o facto de serem da mesma cidade e, como a imprensa local os tratava, jovens prodígios, fazia com que sentissem uma realidade desmesurada. E agora tinham de compartilhar quarto? Fácil de imaginar a discussão acalorada sobre quem ficava no beliche de cima, causando alvoroço na residência a que ninguém conseguiu resistir de apreciar com uma bela gargalhada.

Mais tarde, ainda antes de almoço, reuniram com os restantes jogadores e a equipa técnica que os ia avaliar.

“Jovens, não percamos muito tempo. Sabem porque estão aqui. O Borussia concedeu-vos a honra e oportunidade de uma semana à experiência. Todos vocês – ninguém espera que sejam os melhores amigos. Mas em campo têm de se tolerar e lutar juntos. Só assim vocês conseguem ganhar jogos.”

E assim começou uma semana fatídica. No primeiro dia, Thomas apenas viu como uma equipa técnica trabalhava a sério, enquanto que Alexander participou na integra dos treinos da equipa jovem. Ao segundo dia, e até ao final da semana, ia ser Thomas a comandar todos os escolhidos à experiência. E, logo no segundo dia, as coisas começaram a correr mal.

“Mexe-te mais rápido! Para a direita!”

“Não vês que estou completamente marcado??”

A animosidade entre Thomas e Alexander era notória – e a equipa ressentia-se. Todos obedeciam sem questionar às ordens de Thomas, e resultava bem no geral. No entanto, mal o esférico caísse aos pés do avançado, a jogada acabava perdida. Não havia coordenação nenhuma entre eles. Suspirando, o treinador do Dortmund Sub-16 sabia que isto podia acontecer.

Passou o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto dia. Toda a gente via o quão bom era Thomas, e o quão bom era Alexander. No entanto, continuavam sem conseguir conectar-se em campo e multiplicar o seu potencial. Chamados à parte, foram ameaçados.

“Não é admissível! Vocês querem ser profissionais com essa atitude? Ou mostram que sabem jogar e lutar juntos, ou então nenhum de vocês é aceite na academia! Entendido?”

Saíram do gabinete e olharam um para o outro. Engolindo o orgulho, Alexander estendeu a mão. Thomas aceitou o cumprimento.

“A razão pela qual não me movo para onde mandas é porque sinto que o lado esquerdo da defesa deles é mais fraco. Eu sou ambidestro, portanto prefiro enfrentar por aquele lado do que ir meter-me na boca do lobo.”

Thomas levou a mão ao queixo, pensativo. Era verdade que, com ele a mover-se para a esquerda, o efeito era o mesmo, mas tinha de depender da habilidade dele no um para um.

“Consegues fintá-lo bem, se estiveres de costas para ele?”

“Sem problema!”

Sorrindo, Thomas explicou o seu plano então.

 

O último treino começara e, para os dois jovens, não havia mais nenhum oportunidade. A bola chegou a Alexander que, de costas para o defesa, olhou para o banco. Thomas acenou rapidamente. Voltando sobre si próprio para a esquerda, meteu a bola, de calcanhar, por entre as pernas do defesa e correu em direcção ao lado esquerdo da área. Levantou a cabeça e viu, a entrar na área, o médio ofensivo da equipa. Cruzou e este encostou facilmente para um soberbo golo de equipa. Sorriu efusivamente – tinha corrido tal e qual como Thomas previra.

Thomas, por seu lado, não cabia em si de contente – o facto de confiar em Alexander para quebrar a linha defensiva aumentava exponencialmente o seu leque de opções. As possibilidades tácticas multiplicavam-se na sua cabeça, pelo que nem reparou na jogada do 2-0 – Alexander pegara na bola e rematara de fora da área, em potência, para um golo fenomenal.

Só o viu à sua frente, de punho estendido. Sorrindo, Thomas estendeu o punho e bateram. Não havia necessidade de pedir desculpas. Juntos, iam ser indestrutíveis. E, no fundo, sabiam disso quando, no final do treino, foram aceites como membros jovens do Borussia Dortmund.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Os dois rivais já perceberam que só juntos conseguem os objectivos! 

Boa sorte! 

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Tuckius, há 7 horas:

Os dois rivais já perceberam que só juntos conseguem os objectivos! 

Boa sorte! 

E bem a tempo!

Citação de six_strings, há 6 horas:

UPS, afinal this could be the beggining of a beautiful friendship.

PEACE

Pode ser mesmo ahah.

Obrigado 😉

Compartilhar este post


Link para o post

J0cgEZM.jpg

 

Capítulo 4: No Coração da Tempestade

 

 

 

Maio de 2011

Agora com 17 anos, os dois jovens tinham-se tornado no símbolo da nova geração alemã de futebol. Chamado com regularidade às camadas jovens da selecção, Alexander Nacht era considerado um dos futuros génios da modalidade. Já Thomas Schneider era convidado para integrar, regularmente, os treinos da equipa principal do Borussia Dortmund, liderada por Jürgen Klopp. As duas estrelas em ascensão conquistavam, gradualmente, o respeito de todos, gerando assim imensas expectativas para o seu caminho.

Tinham, ao longo de duas temporadas, cimentado o seu lugar na formação de Dortmund. Conquistaram a Taça Juvenil Alemã na temporada 09/10, ficando em 2º lugar na liga. Além disso, tinham várias taças juvenis regionais, bem como prémios individuais de mérito – Alexander tinha sido premiado como Jogador do Ano Juvenil, enquanto que Thomas ganhara o prémio de Melhor Treinador Sub-19.

Estávamos hoje na final do campeonato sub-19 do futebol alemão – Borussia Dortmund vs Bayer Leverkusen. Thomas, um pouco nervoso, sabia que era um jogo do tudo ou nada – os últimos dois anos tinham culminado nesta oportunidade única. Uma vitória e o campeonato era deles. Uma vitória e estava certa a sua integração, a tempo inteiro, na equipa técnica principal. Deu as indicações aos jogadores, tentando transparecer calma. Alexander ajudou a isso, encorajando o restante balneário – como capitão de equipa, era o braço direito de Thomas em campo.

O árbitro apitou para o início do encontro, com o Bayer Leverkusen a entrar mais forte – bastava o empate para serem os campeões, mas pareciam não querer abandonar o estilo forte e pressionante. Thomas sorriu – estavam preparados para isso mesmo. Alexander, a jogar na sua posição preferida de avançado, desceu em campo para ajudar a defender. E a oportunidade não tardou em surgir – Rüdiger interceptou um passe errado de Danny da Costa e lançou um contra-ataque fulminante, metendo a bola na ala esquerda para Götze. Este, em corrida, baralha o defesa lateral e cruza para a área. Nas alturas, Alexander antecipa-se a Nauber e cabeceia sem dó nem piedade para o golo. 1-0 para o Dortmund!

A partida tornou-se mais monótona – mas era esse o objectivo. Adormecer o Leverkusen de modo a impedir o seu jogo pressionante, para depois fustigar a defensiva adversária com ataques rápidos e de sobrecarga pelas alas. Mas, até ao intervalo, o resultado não sofreu qualquer alteração.

“Atenção às bolas paradas! Benatelli, mais atenção ao Opper! Dá-lhe uma cacetada se for preciso, mas não facilites naquele bocado do campo. Alex, recua mais um pouco quando estivermos a defender!”

“Tipo um falso nove?”

Acenando positivamente, Thomas continuou a corrigir posicionamentos e a fazer as alterações devidas. Quando o encontro retomou, o Leverkusen voltou com a abordagem pressionante e altamente ofensiva, mas com as correções posicionais do seu treinador, o Dortmund conseguiu aguentar a carga.

No entanto, Alexander, que sempre se guiara mais por instinto do que propriamente por planos e tácticas, achou que a abordagem do adversário estava perfeita para tentar alterar ele mesmo um pouco a sua posição. Acenando a Thomas, apontou para o lado direito – entre o defesa lateral e o defesa central do lado esquerdo da defesa do Bayer. Thomas percebeu de imediato e chamou Serrone. A placa de substituição subiu – saída de Silaj, médio centro, para a entrada de Serrone, um avançado rápido. Alexander encostou-se à ala direita do ataque do Dortmund, ficando Serrone na posição que era a sua. Ouvindo uma gargalhada, Thomas virou-se para o banco do Bayer Leverkusen.

“Ah! Um erro de principiante! O ataque é a melhor defesa – um dito de principiantes e amadores!”

Deixou escapar um sorriso. Thomas sabia o que era ser constantemente subestimado. Vez atrás de vez, provara que tinha o necessário para ser um líder de sucesso, mas nem assim a sua tenra idade desfazia o mito de que era um “amador”, “jovem” e “inexperiente” treinador. Não foi com surpresa que viu o Bayer colocar mais um avançado, também. E aí, sabia, tinha sido dado o xeque-mate.

Benatelli pressionou Opper ao ponto de o esférico sobrar para Götze. Este levanta a cabeça e mete um passe rasteiro em Serrone, fresco e acabado de entrar. Os centrais marcam-no acirradamente, e no momento em que a defesa se apercebe da asneira, já era tarde. O avançado coloca a bola para o lado, onde Alexander entra, em velocidade, em direção à área adversária. Vollborn sai da baliza para tentar evitar o golo, mas com maestria o goleador pica a bola – esta faz um balão perfeito e entra na baliza. 2-0!

Em festa e eufóricos, os adeptos do Dortmund carregavam a equipa às costas – cânticos, aplausos, tudo servia para catapultar os seus jogadores. Estes, motivados pela eminente vitória, dominavam a partida facilmente. Por seu lado, os jogadores do Leverkusen começou a aparentar cansaço e irritação. E foi num lance, praticamente igual ao do golo, que Ziesing, tentando travar Alexander, lhe dá um pontapé numa canela, mesmo à entrada da área. O jovem cai agarrado à perna e o defesa é expulso com vermelho directo e imensos apupos da bancada.

“Alex!”

Levantando-se a custo, Alexander dá o sinal de OK para o banco. Assegurando aos seus companheiros de que estava bem, ajeitou a bola para marcar o livre. Ainda lhe doía, e bastante, o sítio onde levara a pancada, mas tinha, como capitão, de terminar ali a partida. Olhou para Thomas, e viu que este tinha um sorriso firme e convicto.

“Caramba, que coração de ferro! Nem num momento destes consegues estar nervoso. Tens assim tanta confiança em mim?”

Chegou-se atrás para ganhar balanço, preparando-se para bater o livre. O árbitro apita e ele corre para a bola.

“Mas também, é por isso que és o meu melhor amigo!”

A bola vai em curva por cima da barreira e entra no ângulo. Vollborn fica estático, não conseguindo reagir. Um hat-trick do fenómeno alemão! 3-0! Alexander sai a correr em direcção ao banco e atira-se para os braços de Thomas. Rugindo, os dois gritam com alegria, rodeados pelos restantes jogadores.

O resultado não fugiu, e, em festa, os jovens futebolistas e equipa técnica do Dortmund foram, noite dentro, brindados com entrevistas, pedidos de autógrafos e comida e bebida para si e para as suas famílias. Aaron Schneider e a sua mulher estavam, obviamente, presentes – eram muito agradecidos a Alexander pelo facto de se ter tornado tão amigo de Thomas – uma amizade rara e talvez até quase impossível de obter nos dias que correm. Falavam casualmente com os pais dele quando repararam que tanto Thomas como Alexander tinham desaparecido do salão da academia, chamados por alguém. Quando voltaram, minutos mais tarde, vinham calados e com um ar sério.

“Que se passa?”, indagou Aaron.

Thomas sentia as pernas a tremer, incapaz de falar. Foi Alexander quem, colocando o braço por cima do ombro de Thomas, conseguiu explicar.

“Vamos integrar a comitiva principal do Borussia Dortmund a partir de Julho! Vamos fazer a pré-época com a equipa principal!”

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de six_strings, Em 19/01/2023 at 18:01:

Especialmente da cara com que o Lothar Matthäus ficou 😄

Foi o último jogo do Schmeichel pelo United antes de vir para o Sporting. ❤️

PEACE

Ele saiu para ser ovacionado e acabou por ser o único troféu que ele não ganhou.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de RoMbA, há 4 horas:

Ele saiu para ser ovacionado e acabou por ser o único troféu que ele não ganhou.

Dizem que ao sair até deu um beijo na orelhuda ahah. Coitado, deve ter ficado com uma azia naquela noite.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

J0cgEZM.jpg

 

Capítulo 5: Um Sonho, Dois Sonhos

 

 

 

O dia que se seguiu à conquista do campeonato sub-19 foi um reboliço em Krefeld. Com uns dias de férias, os dois jovens prodígios da cidade estavam de volta a casa e, como era habitual, onde passavam tinham de dar autógrafos aos seus fãs. Combinaram encontrar-se numa das pastelarias mais famosas da cidade, pois Thomas queria conversar com Alexander sobre uma coisa que, na sua óptica, era muito importante – a adaptação ao mundo profissional.

“Alex, daqui para a frente vai ser ainda mais complicado. Vamos ter de estar focad- QUE ESTÁS A FAZER??”

Alexander divertia-se a meter conversa com umas raparigas do colégio privado da cidade, não parecendo estar a prestar muita atenção. Thomas suspirou – não conseguia que aquele “cabeça de vento” se mantivesse sério mais do que cinco minutos. Com um encolher de ombros, bebeu um gole do seu cappuccino.

“Vá, não fiques assim! Eu sei que temos de estar focados. Simplesmente não estou muito preocupado. É viver um dia de cada vez.”

Apontando-lhe com a colher, o treinador foi incapaz de se controlar.

“És capaz de pensar um pouco no futuro??”

“Claro que sou! Até eu tenho os meus sonhos, porra!”

Quando se aperceberam de que estavam a falar demasiado alto, encolheram-se um pouco, desatando à gargalhada logo de seguida. Limpando uma lágrima de tanto se rir, Thomas queria saber mais, perguntando ao seu melhor amigo qual é que era esse “sonho”.

“Quero ganhar o Campeonato do Mundo.”

A simplicidade com que Alexander disparou aquela tirada desarmou completamente Thomas – ganhar um Campeonato do Mundo? Altamente improvável. Mas ao olhar para o amigo nos olhos, viu que estes se mantiveram sérios e determinados. Engoliu em seco, e fitou a sua caneca em silêncio.

“De certeza que tu também tens algum sonho. Ambição, objectivo, o que seja. Por mais disparatado que seja, diz-me.”

Vendo que Thomas se mantinha em silêncio, atirou-lhe com um pacote de açúcar à cabeça. Quando este começou a ripostar, Alexander lembrou-o de que eram, a partir de agora, membros profissionais. Era agora que tinham de ter objectivos para sobreviver no lago dos tubarões que é o futebol.

“Muito bem então.”

Tirou um caderninho do bolso e começou a escrever. Alexander esperou, esperou e continuou a esperar. Passaram dez minutos e Thomas mantinha-se a rabiscar as folhas. No entanto – e o avançado reparou nisso – tinha os olhos brilhantes e determinados.

“Que caderno é esse?”

“Um bloco onde costumo escrever as minhas ideias para as tácticas e assim. Não me chateies agora, Alex!”

“Se o teu sonho é escrever um livro, parabéns. Fizeste-o numa pastelaria, devias estar orgulhoso.”

Praguejando, Thomas pegou no caderninho com as duas mãos e abriu-o na direcção de Alexander. Este começou a ler o esquema desenhado por Thomas e riu-se.

“Como assim, cinco Ligas dos Campeões?? E cinco ligas? Que sonho marado é este?”

Continuou a rir-se, vendo que Thomas se sentia algo envergonhado por ter compartilhado algo tão pessoal e, como é habitual nos sonhos, tão impossível e improvável de se fazer. No entanto, tinha tido uma ideia.

“Thomas, e se o fizermos juntos?”

“Como assim, juntos?”

“Tu a treinador. Eu a jogador. Porque não fazermos dos nossos sonhos um só?”

E explicou a Thomas – porque não, visto trabalharem tão bem em conjunto, fazerem por ser profissionais lado a lado? No momento em que um perdesse capacidades, o outro teria de seguir sozinho, mas enquanto conseguissem tinham de chegar aos seus objectivos.

“Tu não sabes o que estás a dizer, pois não?”

E rabiscou mais um pouco no bloco.

“Se demorares em média cinco anos num clube para o poderes moldar e ganhar uma Liga dos Campeões, se são cinco, dá vinte e cinco anos! Onde é que um jogador aguenta tanto tempo a jogar? E depois, o Campeonato do Mundo?”

“Eu aguento. E não são cinco anos. Comigo lá, em três anos temos o caneco em casa! E tu sabes que podes treinar um clube e uma selecção ao mesmo tempo, não sabes?”

“Mesmo assim, isso é demasi-“

Alex levantou-se e olhou para ele. Encarou-o nos olhos e esticou o punho.

“Um sonho só é um sonho se for quase impossível de realizar. E nós vamos realizar o nosso!”

Sorrindo, Thomas esticou o punho. Havia uma ténue chance de aquele plano resultar. Sim, pensou. Tinha de almejar o mais alto possível. E, na companhia do seu amigo, não havia a palavra “nunca” no seu léxico.

Entretidos, continuaram a falar de possíveis trajetos profissionais, hipotéticos – Alexander queria uma carreira a começar no Dortmund, passando por Portugal, Itália, Inglaterra e acabando no Real Madrid. Já Thomas apenas queria treinar. Não importava o clube. Queria era conquistar um país e avançar para o próximo.

Estavam tão absortos na sua conversa que não repararam, a tempo, nos olhares de terror dos clientes da pastelaria. Quando se aperceberam, olharam pela janela e tentaram desviar-se. Mas as rodas do destino são cruéis, frias e certeiras. Não param nem se deixam parar.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Depois de vencido o campeonato sub19, esta dupla de amigos (outrora adversários) começa a focar no futuro. Cinco Ligas, cinco Champions! Veremos até que ponto isso será (ou não) uma realidade 😉

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

×
×
  • Criar Novo...