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Acusações de violação ameaçam destituir Bill Cosby do papel de "pai da América"

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A América negra (e não só) está a perder um dos seus pais televisivos? Bill Cosby, a figura tutelar de uma das mais populares e socialmente relevantes sitcoms norte-americanas da década de 1980, está novamente no centro de um furacão mediático em que é alvo de várias acusações de violação e abuso sexual. Os dois projectos que tinha na calha para regressar aos ecrãs foram cancelados ou adiados e a sua carreira está a ser decretada como manchada para sempre. “A sua reputação estava alicerçada como um castelo de cartas, e colapsou”, decretou o experiente relações públicas Howard Bragman no LA Times.

 

Bill Cosby, de 77 anos, está a ser alvo de uma série de acusações de violação pela segunda vez na sua longa carreira – em 2005 surgiram os primeiros relatos, pela voz da funcionária universitária Andrea Constand, que deram origem a uma investigação policial e ao surgimento de mais alegadas vítimas de violação por parte do actor. A advogada Tamara Green e a aspirante a actriz Barbara Bowman estavam entre elas. Constand chegou a acordo para resolver o seu processo e outras 13 mulheres citadas como testemunhas não chegam a depor. Durante todo o processo, os advogados de Cosby negaram as alegações e o comediante nunca foi formalmente acusado de quaisquer crimes sexuais.

 

Barbara Bowman e Tamara Green reiteraram as suas histórias em Fevereiro deste ano na Newsweek e a defesa do comediante voltou a negar e a minorar a importância das mesmas, lembrando que estas “eram nada há dez anos e ainda são nada”. Mas, há um mês, o comediante norte-americano Hannibal Buress dedicou parte do seu número de stand-up às acusações de violação em torno de Cosby e um vídeo do sketch tornou-se viral. É então que Barbara Bowman escreve um texto de opinião no Washington Post em que detalha as circunstâncias do seu alegado ataque – e sublinha que só quando um homem falou sobre o assunto é que ele teve algum eco.

 

Depois, a antiga modelo Janice Dickinson disse pela primeira vez, na terça-feira, ao programa Entertainment Tonight, que também fora drogada e violada por Bill Cosby – a presença de medicamentos é uma constante nas histórias das mulheres que o acusam e que remetem para alegados acontecimentos ocorridos a partir de 1969. Os advogados do comediante disseram que a história de Dickinson é “uma mentira fabricada” e enviaram uma carta à imprensa avisando os jornalistas que quem acompanha esta história “avança por sua conta e risco”. E foi então que, quando a 15.ª mulher acusou Bill Cosby de violação, a indústria começou a tentar dissociar-se da polémica.

 

Na terça-feira, o serviço de streaming Netflix adiou um especial de comédia stand up de Cosby agendado para dia 28. Na quarta-feira, a cadeia norte-americana NBC cancelou o seu “projecto Cosby”, que estava ainda em fase de desenvolvimento. As repetições da série que o tornou mundialmente conhecido, The Cosby Show, também foram canceladas no canal de cabo americano TV Land e dois talk shows já não o querem como convidado – o de David Letterman e o da actriz Queen Latifah. Ainda assim, segundo a Reuters, o comediante manteve agendado para sexta-feira um espectáculo já esgotado na Florida. A rádio pública americana NPR questiona Cosby sobre os casos e o comediante responde com silêncio, tendo depois o seu advogado comunicado que o comediante “não dignificará estas alegações com qualquer resposta”.

 

Entretanto, uma tentativa de campanha online em torno de Cosby foi contaminada pelo caso no dia 10. A equipa do septuagenário lançou um gerador de memes (uma imagem associada a um texto curto que tende a tornar-se viral nas redes sociais) que se tornaram rapidamente num dilúvio de mensagens sobre as acusações. Uma das poucas vozes a sair em sua defesa foi a da também comediante Whoopi Goldberg, que no seu programa The View disse ter "muitas perguntas" sobre as alegações contra ele, entre elas sobre porque não recorreu Bowman à polícia após os alegados acontecimentos.

 

Bill Cosby é casado com Camille Cosby há 50 anos e grande parte da sua carreira foi construída em torno de um apelo familiar, dos seus livros sobre parentalidade às suas participações na Rua Sésamo, mas sobretudo pela série que o tornou uma figura essencial dos anos 1980 americanos. Ele era um TV dad.

 

Por isso mesmo, agora que a Internet e as redes sociais exponenciaram o alcance das acusações que o rodeiam, proclama-se já que “não há fuga aos estragos para o seu legado”, como escreveu Brian Lowry, editor e crítico de TV da Variety. Isso ou “uma carreira de décadas desmorona-se”, como titulou o Washington Post. Numa altura em que a sua biografia está nas bancas (sem mençãos acusações) e em que passam 30 anos sobre a sua série-chave e se cumprem os 50 anos de carreira de Cosby.

 

 

Fonte: Público

 

 

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/acusacoes-de-violacao-ameacam-destituir-bill-cosby-do-cargo-de-pai-da-america-1676926

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