- Num contexto financeiro desastroso, um plantel que ficou a 18 pontos do 1º lugar perde Taremi, Pepe, Evanilson e Francisco Conceição e ganha Mora, Samu e Moura. O investimento fundamental para estabilizar a defesa (Pérez) flopa.
Mais importante: vários jogadores nucleares têm simpatia pela facção derrotada nas eleições (Diogo Costa), consideram-se em final de ciclo e querem sair (Diogo Costa, Pepê, Galeno) ou entendem-se injustiçados pelas suas condições salariais (Varela). Estas posições são amplamente ventiladas no balneário.
Em Janeiro o plantel perde o seu melhor jogador (Nico). Os objetivos desportivos da temporada são secundarizados, em linha com uma estratégia de sustentabilidade a médio/longo prazo que subscrevo.
- Pelo menos em duas ocasiões ao longo da temporada, os treinadores (Vítor Bruno e Anselmi) foram ativamente sabotados em campo por vários elementos da equipa (Nacional, Estrela). Ao pisar o relvado do Dragão no jogo contra o Santa Clara, depois de ter apunhalado o anterior treinador, o plantel estava convencido de que seria campeão. A realidade desmentiu os delírios de grandeza dos jogadores. Acrescem casos irredimíveis de indisciplina (Otávio, Djaló) ou de orgulho resultante de desfasamento de expectativas (Fábio).
- AVB é um indivíduo tolerante. As atitudes autoritárias e aparentemente drásticas que foi tomando ao longo da temporada devem ser percebidas à luz da grosseira indisciplina e falta de profissionalismo que se foi verificando. Da mesma forma, a excessiva ambição com que AVB foi gerindo objetivos e expectativas - com a qual tendo a discordar - está também relacionada com a necessidade de responsabilizar o plantel perante obrigações que vários elementos estavam pouco interessados em cumprir.
Por tudo isto, considero que não foram reunidas condições mínimas para que qualquer treinador tivesse sucesso nesta temporada.
O objetivo sumaríssimo deste defeso é desmantelar completamente o grupo de trabalho mais disfuncional que este Clube já teve.
Alienados os ativos, a minha expectativa é que AVB trate os sócios como adultos e ofereça explicações suficientemente esclarecedoras para que a maior quota de culpa não seja imputada ao treinador, especialmente se este permanecer no cargo.
No que diz respeito à qualidade do Anselmi, julgo que está no fio da navalha e confio no julgamento técnico que será feito. As atenuantes são enormes, mas o facto é que, ao dia de hoje, a equipa não parece ser capaz de interpretar melhor aquilo que lhes é pedido do que era há 6 meses.