Fluke Publicado 14 Abril 2012 Bem, está aqui uma história e pêras Unclouded. Ainda não consegui ver "onde é que isto vai parar" mas em todo o caso já deu para ler com agrado. Otsukaresama deshita :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Unclouded Publicado 15 Abril 2012 Capítulo 4 - Grão-Mestre da Ordem de Hórus http://www.youtube.com/watch?v=cFxGNfjmWkQ&feature=relmfu O grupo de rebeldes era pequeno, com apenas 5 elementos. Porém, havia um que se destacava claramente entre os outros - vestido com um capa negra, tinha a face escondida e, pelo que se podia perceber, seria algum utilizador de artes negras. Ao avistá-lo, o pai de Kalatse saltou do barco para a margem e preparou-se para o derrubar. Antes que pudesse fazer algo, os seus guarda-costas tinham sido mortos pela força inimiga. Josef correu para o seu lado e pegou na cimitarra, disposto a acabar com os homens que os impediam de fugir despercebidos. Os 4 soldados da resistência atacaram de imediato o homem moreno que, com muita habilidade, conseguiu aguentar os golpes deles. Depois, investiu com a cimitarra sobre um, fazendo-o soltar a espada para depois lhe cortar a cabeça. Ao mesmo tempo que fazia isto com a mão direita, deu uma cotovelada no maxilar de outro dos rebeldes, partindo-lho e deitando-o ao chão. Rodopiou rapidamente e deu um murro no nariz do terceiro combatente, cortando-lhe a garganta de seguida. Porém, quando ia abater o quarto adversário, o homem que tinha o maxilar partido deu-lhe um pontapé nas canelas, derrubando-o. O outro, aproveitando esta brecha, levantou a espada e baixou-se rapidamente. Porém, o som metálico que se ouviu a seguir foi essa mesma espada a cair por terra, quando o sacerdote cravou uma adaga nas costas do combatente. Retirou-a e baixou-se, acabando com o sofrimento do rebelde a que Josef partira o maxilar, rasgando-lhe a veia jugular. Olhou para o dono do Dente de Crocodilo e disse-lhe para entrar no barco e começar a fugir. Este recusou de imediato, mas as palavras do sacerdote fizeram-no obedecer: "É uma ordem, Josef! Como Grão-Mestre da Ordem de Hórus ordeno-te que vás!" Cambaleando, o egípcio voltou a colocar-se dentro da pequena embarcação e pegou nos remos, pronto a zarpar. Kalatse começou a chorar, gemendo baixinho e pedindo ao pai para vir com eles. O sacerdote, muitas vezes tão severo e controlado pelos seus deveres, deixou finalmente cair a máscara de ferro e acercou-se do seu filho, pegando nele ao colo e abraçando-o calorosamente. "Kalatse, tu és o meu sucessor e o homem que pode restituir a Ordem do Deus Falcão na Terra. Lembra-te de quem és e nunca olhes para trás - tu és meu filho, filho de Kalotro e de Shanameya, herdeiro do templo sagrado de Gyara e emissário de Hórus. Vai com Josef e segue os seus conselhos: pode não parecer, mas ele é o único a quem eu confiaria a minha vida!" Dizendo isto, colocou o filho no barco de pesca e virou-se para o homem do capuz. Concentrando-se para lá dos limites imagináveis, reuniu todo o seu poder e investiu - levantou as mãos e, de imediato, um bando de falcões apareceu no céu, mesmo por cima do rebelde. Este riu-se alto e, com um gesto bastante relaxado, transformou algumas das tábuas do pequeno porto em chacais, que investiram sobre as aves de rapina, abatendo-as. Com um olhar que mostrava preocupação, Josef apressou-se a remar ainda mais depressa - o homem da capa negra não era um mago qualquer - assim como Kalotro era capaz de utilizar a magia de Hórus, também o rebelde era capaz de utilizar magia de um Deus, o malvado Seth, inimigo natural dos seres vivos. E, mesmo não sendo perito em artes mágicas, Josef reconhecia que o homem talvez fosse mais forte do que o sacerdote. O Grão-Mestre da Ordem de Hórus sabia que estava em desvantagem e, mesmo assim, não virou costas ou tentou fugir - manteve-se estoicamente entre o lago Nasser e o mago, disposto a fazer de tudo para deixar Kalatse escapar. Uniu as mãos e sussurrou, pedindo ao seu Deus regedor que lhe perdoasse por usar o poder que estava prestes a activar. Sabia que era tabu, mas mesmo assim pareceu-lhe que, se aquele poder lhe tinha sido confiado, era esta a altura de o utilizar. Afastou as mãos um pouco, com um brilho branco a aparecer no espaço entre elas. Pouco a pouco, o sacerdote começou a transformar-se: primeiro os braços começaram a encurtar-se e a ganhar penas, depois foram as pernas que começaram a mudar. Nas costas apareceu-lhe um par de asas, à medida que o seu corpo se tornava num falcão de proporções enormes. Com o poder que detinha, o sacerdote investiu sobre o mago que aparentava estar aterrado. Com as garras das patas e o bico afiado, rasgou vestes, pele e carne, desfazendo o inimigo em pedaços. O barco ainda não estava muito longe, pelo que aproveitou este facto para voar até lá. Mal aterrou sentiu a sua energia vital a desaparecer rapidamente, desfazendo o feitiço de transformação e desmaiando aos pés de Kalatse. Compartilhar este post Link para o post
Unclouded Publicado 17 Abril 2012 Boa tarde caros amigos :mrgreen: Tive duas frequências hoje à tarde pelo que não pude actualizar ontem. Quanto a hoje, vamos lá ver se terei tempo mas, no máximo dos máximos, amanhã à tarde sai um novo capítulo. Abraço Compartilhar este post Link para o post
bmfpcdm Publicado 20 Abril 2012 O quarto capítulo está interessante, mas preferia que o sacerdote tivesse ficado para trás, a passagem de responsabilidade estava feita. Estou curioso por descobrir por que motivo o permitiste regressar ao barco. Não pares! Compartilhar este post Link para o post
Unclouded Publicado 20 Abril 2012 O quarto capítulo está interessante, mas preferia que o sacerdote tivesse ficado para trás, a passagem de responsabilidade estava feita. Estou curioso por descobrir por que motivo o permitiste regressar ao barco. Não pares! Digamos que se não o "matei" é porque ainda tenho um fim para ele :mrgreen: Abraço :compinchas: Compartilhar este post Link para o post
Unclouded Publicado 20 Abril 2012 Capítulo 5: Última Missão http://www.youtube.com/watch?v=arN_9QvuqqA&feature=relmfu No lado oeste do Lago Nasser encontrava-se um pequeno aglomerado montanhoso que serviu, de início, para Josef, Kalotro e Kalatse se esconderem. Utilizaram uma das grutas mais remotas para se abrigarem, de modo a poderem tratar do sacerdote. Este, a cada minuto que passava, perdia cada vez mais as suas forças. Josef apressava-se a tentar fazer baixar-lhe a febre através de umas ervas que conhecia na região, mas a temperatura recusava-se a ceder. Mais pálido e mais abatido que nunca, o pequeno Kalatse estava sentado ao seu lado, segurando na mão do pai com toda a força de que dispunha, como se estivesse a transferir para ele a sua própria vitalidade. Assim se passaram alguns dias, mas infelizmente o Grão-Mestre da Ordem de Hórus não conseguiu reagir à perda enorme de energia que usou no seu feitiço, mal executado, de transformação em falcão. Tinha conseguido escapar e fazer com que o que seu filho também fugisse, mas estava a pagar com a própria vida pelo facto de ter quebrado o mais sagrado dos tabus da sua Ordem. Ainda estava deitado na sua cama de canas que Josef preparara, não conseguindo levantar-se nem usar o corpo como bem queria. De repente, sentiu uma presença na sua mente, tentando de imediato bloquear o acesso aos seus pensamentos. Só que, como estava fraco, não resistiu muito tempo e sucumbiu à vontade dessa força alheia, desmaiando de seguida. Quando acordou, apercebeu-se que tinham passado algumas horas, pois na pequena gruta a luz amarelada do crepúsculo indicava precisamente isso. Tossiu e chamou Josef, pedindo-lhe para chamar Kalatse e para se sentarem à sua beira, pois tinha de falar com eles. O garoto, tristonho desde a fuga de Gyara, logo se animou, pois pensou que finalmente o pai estivesse recuperado. Correu desenfreado para a cama, sentando-se no chão duro e frio, com um sorriso de orelha a orelha. Josef fez o mesmo, mas com muita mais calma e com o pressentimento de que algo estava mal. "Josef, Kalatse, ouçam estas minhas palavras, pois vão ser as minhas últimas..." Kalatse não percebeu o que o sacerdote queria dizer, pelo que olhou com curiosidade para o dono do Dente de Crocodilo. Este deixou escapar uma lágrima, mas nada disse. Voltou a encarar o Grão-Mestre e notou que a sua voz estava a tremer. Fechou os olhos e preparou-se para ouvir - a pobre criança, ainda imatura nestes assuntos, demorou a perceber as palavras do pai, mas quando percebeu estremeceu e baixou a cabeça. "O meu corpo está completamente acabado: se não fosse o próprio Hórus a emprestar-me um pouco da sua magia, já estaria morto a esta hora. No entanto, antes de partir tenho de servir de instrumento para o nosso Deus, nem que para isso tenha de aplicar ao meu máximo a pouca vida que me resta." Uma luz inundou a gruta, obrigando até Josef, que tinha os olhos fechados, a virar a cara. Quando a enorme claridade se dissipou, tanto o homem da cimitarra como o filho do sacerdote se viraram para a cama deste, onde o viram sentado, calmo e cheio de energia. Estupefactos, pensaram, por instantes, que este tinha recuperado, mas depressa a voz profunda e amável que ouviram os fez eliminar essa hipótese. "Eu sou Hórus, Deus Falcão e principal Protector de tudo o que vive." Compartilhar este post Link para o post
Unclouded Publicado 23 Abril 2012 (editado) Capítulo 6 - Como tudo começou... http://www.youtube.com/watch?v=xBXrRfcnP98 Ao reparar que Josef e Kalatse aparentavam um ar extremamente desconfiado, Hórus riu-se muito alto, colocando-os imediatamente à vontade. Dirigindo-se ao dono do Dente de Crocodilo, perguntou-lhe se continuava decidido em seguir a sua profecia, pelo que o homem se levantou e, com orgulho nas voz, disse que sim. O Deus Falcão voltou a sorrir e desta feita virou-se para o rapaz. Achou piada que a sua maior esperança fosse tão inocente, tão pequena, mas ainda assim não disse nada. O filho do sacerdote, envergonhado por estar a ser observado daquela maneira, baixou os olhos. Não sabia bem o que dizer, pois desde cedo sabia que o Deus que o pai e os outros homens do templo dedicavam o seu tempo iria aparecer à sua frente para lhe falar. Hórus apercebeu-se disso e avançou com uma pergunta simples que deixou até Josef a olhar para ele: "- Kalatse, sabes quem eu sou e porque estou aqui, não sabes?" O rapaz disse que sabia, mas que não sabia o porquê. O Deus Falcão fechou os olhos por momentos, até que se ajeitou na cama de canas e pediu a Josef que se sentasse também. Inspirou profundamente, resolvendo contar-lhe a sua história de modo a fazer a criança perceber o seu papel naquela guerra. "- Como vocês sabem, o Kalotro morreu ao lutar contra um lacaio de uma organização religiosa que vai de encontro a todos os meus ensinamentos... Eles optaram por seguir a mente pérfida de Seth, usando magia negra e traições para conseguir concretizar os seus objectivos. Pois bem, vou-vos contar o porquê de eu e Seth estarmos, desde sempre, em guerra." "- Para vocês perceberem bem os contornos desta história, tenho de começar por falar nos três irmãos, filhos dos Deuses Geb e Nut. Esses três irmãos eram Ísis, Osíris e Seth. Sempre foram companheiros e desde cedo mostraram vontade de defender o Egipto das ameaças externas dos infiéis que veneram outros deuses. Tudo era perfeito até ao dia em que Seth começou a invejar Osíris por este ser o Deus mais adorado no país. Ressentido por ser considerado apenas o Deus dos animais, do deserto e das pragas, começou a preparar esquemas de vingança e armadilhas contra o seu irmão." "-Este, sem nunca suspeitar da traição da sua própria família, caiu finalmente numa delas. Seth conseguiu matá-lo, cortando-o em pedaços após isso e lançando-os ao rio Nilo. Porém, Ísis já há muito tinha compreendido as verdadeiras intenções do seu irmão maléfico, pelo que conseguiu reunir de imediato o corpo de Osíris para o reviver. Com a ajuda de Tot, Deus da Sabedoria e da Lua, fê-lo voltar à vida, mas com uma condição - Osíris não podia nunca mais regressar ao mundo dos vivos, pelo que ficou no Submundo e se tornou o Deus da Morte, juntamente com Anúbis, o Deus Chacal. Os dois até hoje se mantêm aí, avaliando as condições de os espíritos irem para o paraíso ou não." "- Ísis, sedenta de vingança pela morte do seu irmão e também marido, desceu ao Submundo e concebeu um filho com Osíris, filho esse que viria a desencadear uma guerra enorme contra o inimigo dos seus pais." Levantando-se, Hórus anunciou com uma voz cheia de orgulho e emoção: "- Eu sou Hórus, Deus Falcão, filho de Osíris, Deus do Submundo, e de Ísis, Deusa da Magia e Protectora dos Recém-Nascidos!" Editado 23 Abril 2012 por Unclouded Compartilhar este post Link para o post
Unclouded Publicado 29 Abril 2012 Fui operado na sexta e ainda não estou em condições "intelectuais" de escrever um novo capítulo. Não se preocupem que não desisti :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post