O projeto "Benfica District", recentemente apresentado por Rui Costa, levanta sérias preocupações do ponto de vista estético e arquitetónico. Em vez de valorizar o Estádio da Luz — um dos maiores símbolos do Sport Lisboa e Benfica e da cidade de Lisboa — o projeto parece sufocá-lo entre construções modernas que destoam completamente da envolvente desportiva.
Um dos grandes problemas deste plano urbanístico é precisamente esse: o estádio perde protagonismo. Rodeado por edifícios altos e estruturas que nada têm a ver com o carácter icónico e simbólico da "Catedral", o Estádio da Luz deixa de ser o elemento central e distintivo da zona, tornando-se apenas mais um volume num aglomerado de betão e vidro. O impacto visual é desolador para qualquer benfiquista que se orgulhe do seu clube e do que ele representa na paisagem urbana.
Além disso, a linguagem arquitetónica do "Benfica District" parece seguir uma tendência genérica de “cidade moderna” sem alma, como se tivesse sido copiada de qualquer centro comercial urbano ou business park. É um espaço frio, impessoal, e que pouco ou nada comunica com a história e identidade do Benfica. O clube sempre se destacou por ser diferente, por ter alma, por ter uma ligação emocional com os seus adeptos — mas nada disso se vê refletido neste projeto.
Pior ainda, corre-se o risco de transformar a zona envolvente do estádio num espaço elitista e descaracterizado, onde o betão substitui a paixão, e onde os interesses imobiliários se sobrepõem à tradição desportiva e cultural.
O "Benfica District" podia e devia ser uma oportunidade para elevar o Estádio da Luz, torná-lo ainda mais simbólico e valorizado. Em vez disso, optou-se por um projeto que parece mais preocupado em maximizar metros quadrados de construção do que em preservar e enaltecer a identidade do clube.