Descartes Publicado 5 Setembro 2011 (editado) HÁ 40 ANOS - SOUTH ORANGE 1971 SOUTH ORANGE Há 40 anos atrás o US Open disputou-se uma semana depois do que acontece hoje. Nesta semana teve lugar o último torneio de preparação em South Orange. O vencedor do torneio foi Clark Graebner (27 anos) que estava num excelente período de forma, tendo repetido a vitória da semana anterior em Merion. Graebner somou assim o seu 3º título de 1971 e da carreira. Desta vez a final foi mais desequilibrada, tendo o norte-americano necessitado de apenas 3 sets para derrotar o francês Pierre Barthes (29 anos). O jogo mais complicado foi a meia-final contra o neo-zelandês Onny Parun (24 anos) que só foi decidida no tie-break do 5º set. Na outra meia-final o francês Barthes derrotou em 3 sets o favorito norte-americano Marty Riessen (29 anos) ganhando o direito a disputar a sua 3ª final da carreira. Pierre Barthes disputou 6 finais na carreira mas não conquistou qualquer título no circuito mundial. SOUTH ORANGE FINAL: Clark Graebner (USA) d. Pierre Barthes (FRA) 6-3 6-4 6-4 MEIAS-FINAIS Pierre Barthes (FRA) d. Marty Riessen (USA) 6-1 7-6 6-4 Clark Graebner (USA) d. Onny Parun (NZL) 1-6 6-1 6-2 1-6 7-6 Editado 5 Setembro 2011 por Descartes Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 12 Setembro 2011 HÁ 40 ANOS - US OPEN - 1ª Semana Antes de começar com o relato do que aconteceu nesta semana há 40 anos convém apresentar resumidamente alguns aspectos históricos. É ponto assente que a designada "Era Open" teve o seu início em 1968. É esse o ano reconhecido pela ATP e são os torneios decorridos desde essa altura que são referenciados como oficiais e sobre os quais são produzidas todas as estatísticas e factos históricos. No entanto, a verdadeira "Era Open" só teve o seu início em Agosto de 1972, com a formação da própria ATP. O que aconteceu em 1968 e constituiu o ponto de viragem foi o facto da generalidade dos torneios passarem a aceitar a presença quer de amadores, quer de profissionais. Até lá havia torneios para amadores e torneios para profissionais. E não se misturavam. Havia, no entanto, algumas excepções relevantes como era o caso de alguns dos torneios que hoje são conhecidos como torneios do "Grand Slam" que sempre tiveram um processo organizativo próprio. No entanto, entre 1968 e Agosto de 72, ainda não era possível que cada tenista se candidatasse à participação nos torneios que lhe apetecia. Mantinham-se vigentes estruturas responsáveis pela organização de torneios que contavam com tenistas sob contrato e que impunham a sua participação (ou impediam-na) nos torneios que organizavam. Era um tempo de "guerras" mais ou menos explícitas entre essas estruturas, sendo a mais visível entre a ILTF (hoje ITF) que pretendia dominar o circuito tenístico internacional e a WCT (World Championship Tennis) que detinha sob contrato alguns dos mais importantes jogadores do circuito e que lhes impunha regras de participação que restringiam imenso a notoriedade dos torneios organizados pela ILTF. Daí ter acontecido em vários momentos nesse período situações em que os tenistas sob contrato da WCT estiveram banidos de alguns torneios, sendo o caso mais gravoso, a proibição dos tenistas WCT participarem em torneios não organizados pela própria WCT entre Janeiro e Julho de 1972. Dessa "guerra" e do sentimento dos próprios tenistas que se sentiam prejudicados surgiu, então a ATP que resultou na emancipação dos tenistas e promoveu, aí sim, a completa liberdade para que os tenistas actuassem onde pretendiam actuar e não onde a sua entidade patronal lhes ordenava. Este intróito foi necessário porque o US Open de 1971 foi um dos torneios em que alguns tenistas de topo estiveram impedidos de participar por esses motivos administrativos. Foi o caso de Rod Laver, Ken Rosewall, Roy Emerson, Cliff Drysdale, Andres Gimeno, Fred Stolle e Tony Roche, o que, como se compreende, fragilizou imenso o torneio. Passemos então à 1ª semana do US Open de 71: Na altura não havia um ranking mundial consolidado. Havia vários rankings produzidos por órgãos de comunicação social, pelas estruturas organizativas dos torneios e, até, por indivíduos conceituados e considerados no meio tenístico. Assim, ficava ao livre arbítrio dos organizadores de cada torneio a identificação dos Cabeças de Série. Além disso, neste US Open foram apenas designados 8 jogadores com esse estatuto, a saber: John Newcombe Stan Smith Arthur Ashe Tom Okker Marty Riessen Cliff Richey Clark Graebner Ilie Nastase A existência de 5 norte-americanos neste grupo não foi, decerto, inocente. Tais decisões permitiram que as contingências do sorteio resultassem em algo impensável nos nossos dias: o encontro logo na 1ª ronda entre o campeão de Wimbledon (John Newcombe) e o campeão de Roland Garros (Jan Kodes). Daí resultou a 1ª grande surpresa do torneio (que, dada a valia do adversário nem foi assim tão grande) que foi a eliminação logo na 1ª ronda do 1º CS em 4 sets. Durante a 1ª semana do torneio, houve mais dois dos CS que também fizeram as malas. Ambos na 3ª ronda. O norte-americano Cliff Richey, que perdeu com o seu compatriota Jim Osbourne em 4 sets e o romeno Ilie Nastase que foi derrotado pelo australiano Bob Carmichael em 3 sets. Os grandes dominadores do torneio nesta 1ª semana, com percursos imaculados sem terem cedido qualquer set, foram o norte-americano Arthur Ashe, o sul-africano Raymond Moore e o jugoslavo Nikola Pilic. Os encontros dos oitavos de final, com que se iniciaria a 2ª semana do torneio eram os seguintes: Jan Kodes (CZE) vs Robert Lutz (USA) Bob Carmichael (AUS) vs Frank Froehling (USA) Arthur Ashe (USA) [3] vs John Alexander (AUS) Jim Osbourne (USA) vs Manuel Orantes (ESP) Raymond Moore (RSA) vs Clark Graebner (USA) [7] Roger Taylor (GBR) vs Tom Okker (NED) [4] Nikola Pilic (YUG) vs Marty Riessen (USA) [5] Milan Holecek (CZE) vs Stan Smith (USA) [2] Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 19 Setembro 2011 HÁ 40 ANOS - US OPEN - 2ª Semana A segunda semana deste US Open só começou verdadeiramente a aquecer nas meias finais. Até lá foi uma pasmaceira, com os favoritos a seguirem em frente com resultados que não deixavam margens para dúvidas. Na 4ª ronda o tenista mais afortunado foi o Stan Smith. Não necessitou de estar muito tempo em court porque o Milan Holecek desistiu quando ainda decorria o 2º set. Jan Kodes, Frank Froehling, Clark Graebner e Marty Riessen carimbaram a sua passagem aos quartos de final com 3 sets sem resposta. Alguma emoção houve apenas nos jogos em que Arthur Ashe, Jim Osbourne e Tom Okker venceram, pois cederam um set para os seus adversários. Os quartos de final ainda foram mais claros. Os 4 principais favoritos passaram às meias finais sem perder um único set. Jan Kodes (25 anos), Arthur Ashe (28), Tom Okker (27) e Stan Smith (24) apuraram-se com grande facilidade. Eram, na prática, os 4 primeiros Cabeças de Série, com a excepção do Jan Kodes. Mas como este tinha sido o responsável pelo afastamento do John Newcombe, tinha-lhe ocupado o lugar. Como eu referi, nas meias finais as coisas aqueceram. E de que maneira. Ambos os jogos necessitaram de 5 sets para se resolver. Jan Kodes protagonizou mais uma surpresa e, indubitavelmente, mais uma grande desilusão para o público nova-iorquino. Derrotou Arthur Ashe, um verdadeiro herói local e activo defensor dos direitos humanos. Uma figura extremamente relevante (não é por acaso que o principal palco do ténis norte-americano tem o seu nome) que tinha ganho o torneio em 1968 e que todos esperavam poder repetir a façanha. Mas Jan Kodes não lho permitiu, vencendo o encontro em dramáticos 7-6, 3-6, 4-6, 6-3 e 6-4. As esperanças americanas depositaram-se, então, em Stan Smith. O último resistente que passou à final apesar do enorme susto provocado pelo holandês Tom Okker. Com um jogo tão ou mais dramático que a outra meia final que culminou com os seguintes parciais: 7-6, 6-3, 3-6, 2-6 e 6-3. O checo Jan Kodes tinha ganho apenas 3 torneios na carreira até chegar a este jogo, enquanto que Stan Smith já tinha levantado o troféu de vencedor em 7 ocasiões. Mas havia o pormenor de 2 dos 3 torneios ganhos por Kodes serem torneios do Grand Slam (Roland Garros de 1970 e 71), enquanto que Stan Smith procurava conquistar o seu 1º galardão máximo do ténis mundial. Para felicidade dos norte-americanos o encontro pendeu para o lado de Smith. Ganhou a final em 4 sets com os parciais de 3-6, 6-3, 6-2 e 7-6. Foi o 8º dos 36 torneios que viria a conquistar na carreira. O 1º Grand Slam dos dois que ganhou. O outro foi Wimbledon no ano seguinte. Nunca mais pisou o palco da final no US Open. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 26 Setembro 2011 HÁ 40 ANOS - LOS ANGELES 1971 LOS ANGELES Passado o US Open o circuito internacional de ténis mudou-se para a Califórnia. O primeiro dos 3 torneios aí disputados ocorreu em Los Angeles e teve um vencedor inesperado. Foi Richard "Pancho" Gonzalez, que conquistou aqui o 2º dos 3 torneios que ganhou na Era Open. Não parece muito impressionante, mas a questão é que quando o Ténis entrou na Era Open, Gonzalez era já um senhor de 40 anos. Neste torneio ele já tinha 43 e ainda ganhou o seu último torneio em 1972. Pancho Gonzalez é uma das lendas do Ténis. Desde o final da década de 40 que era um dos tenistas mundiais de topo. Foram mais de 20 anos ao mais alto nível. Foi ele um dos principais impulsionadores da transformação do Ténis no desporto que é hoje. Ele foi profissional num tempo em que o Ténis era amador. Daí que tenha no currículo apenas 2 títulos do Grand Slam: o US Open de 1948 e 49. Durante toda a década de 50 "Ténis Profissional" e "Pancho Gonzalez" eram sinónimos. E só ele arrastava multidões para assistir aos torneios que os promotores organizavam. Voltando ao torneio de Los Angeles de 1971, impressiona o facto de ele ter derrotado na final um jogador 24 anos mais novo: o jovem Jimmy Connors de 19 anos, que disputava a sua 2ª final da carreira. Nas meias finais Gonzalez tinha derrotado Cliff Richey (24 anos) enquanto que Jimmy Connors tinha causado sensação ao bater o recente campeão do US Open Stan Smith (24 anos) LOS ANGELES FINAL: Richard Pancho Gonzalez (USA) d. Jimmy Connors (USA) 3-6 6-3 6-3 MEIAS-FINAIS Jimmy Connors (USA) d. Stan Smith (USA) 3-6 6-3 7-6 Richard Pancho Gonzalez (USA) d. Cliff Richey (USA) 7-5 6-2 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 4 Outubro 2011 HÁ 40 ANOS - SACRAMENTO 1971 SACRAMENTO Em 1971 Sacramento testemunhou o primeiro título do norte-americano Bob Lutz (24 anos), que viria a totalizar 9 ao longo da carreira. Disputou a final com o veterano peruano Alejandro Olmedo (35 anos), ganhando em 3 sets sem resposta. Lutz ficou na história do ténis mais pela sua qualidade como jogador de pares. Fazendo geralmente dupla com Stan Smith, conquistou 43 torneios nesta variante incluíndo 5 Grand Slams (4 US Open e 1 Australian Open). Ganhou o seu 1º US Open em 1968 e o último em 1980. Lutz apenas cedeu um set em todo o torneio, tendo esse feito sido alcançado pelo britânico Roger Taylor (29 anos) na meia final. Quanto a Olmedo que teve os seus melhores anos no período pré-Open Era, chegou à sua primeira final do período pós-1968 ao derrotar o francês Pierre Barthes (30 anos) na meia-final. Olmedo só conseguiu disputar mais uma final, que também perdeu, no ano seguinte em Bristol. As maiores desilusões do torneio aconteceram por parte de Stan Smith, que foi desqualificado no encontro da 1ª ronda frente a Robert Kreiss, e de Jan Kodes que foi derrotado por Lutz nos quartos de final por concludentes 6-2 e 6-1. SACRAMENTO FINAL: Robert Lutz (USA) d. Alejandro Olmedo (PER) 6-3 6-4 6-3 MEIAS-FINAIS Alejandro Olmedo (PER) d. Pierre Barthes (FRA) 7-6 6-2 2-6 6-3 Robert Lutz (USA) d. Roger Taylor (GBR) 6-3 6-7 6-2 7-5 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 24 Outubro 2011 POST de 10/11 OUTUBRO HÁ 40 ANOS - BERKELEY 1971 BERKELEY No regresso aos torneios das principais figuras do ténis mundial foi Rod Laver (33 anos) quem saiu vitorioso. Esta última etapa californiana trouxe de volta os grandes duelos. A final foi mais um clássico entre Laver e Ken Rosewall (36 anos). E nas meias finais Laver teve que derrotar Tom Okker (27 anos) e Rosewall bateu Arthur Ashe (28 anos). O torneio foi mais fácil para Rosewall, que não perdeu nenhum set até à final do que para Laver que só na 2ª ronda, contra Alejandro Olmedo, não perdeu um set. Mas na final à melhor de 5 sets, Laver foi mais forte e ganhou por 3-0. BERKELEY FINAL: Rod Laver (AUS) d. Ken Rosewall (AUS) 6-4 6-4 7-6 MEIAS-FINAIS Rod Laver (AUS) d. Tom Okker (NED) 4-6 7-5 6-4 Ken Rosewall (AUS) d. Arthur Ashe (USA) 7-5 6-4 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 26 Outubro 2011 POST de 17/18 OUTUBRO HÁ 40 ANOS - VANCOUVER 1971 VANCOUVER Depois da final na semana passada em Berkeley, Ken Rosewall (36 anos) conquistou em Vancouver o seu 11º título da era Open. Teve a vida facilitada porque o seu grande rival, Rod Laver (33 anos) ficou pelas meias finais perdendo com o holandês Tom Okker (27 anos). Rosewall apanhou um pequeno susto na 2ª ronda do torneio ao perder um set para o seu compatriota Fred Stolle. Mas tirando esse precalço, todo o torneio foi uma limpeza. Na meia final derrotou outro velho conhecido: Roy Emerson (34 anos) a quem ganhou com facilidade. O acesso à final por parte de Tom Okker foi mais complicado. Como seria de esperar dada a valia do seu oponente. Okker acabou por vencer em 3 sets, vingando-se da meia final de Berkeley em que o resultado tinha sido favorável a Laver. VANCOUVER FINAL: Ken Rosewall (AUS) d. Tom Okker (NED) 6-2 6-2 6-4 MEIAS-FINAIS Tom Okker (NED) d. Rod Laver (AUS) 5-7 6-4 6-3 Ken Rosewall (AUS) d. Roy Emerson (AUS) 6-4 6-1 Compartilhar este post Link para o post