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Marido apareceu morto em S. Roque e a viúva apanha lapas para vender

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Já tem quase um mês, já me tinham falado nesta notícia mas como me mandaram o link hoje lembrei-me de publicar aqui :grin:

 

 

Marido apareceu morto em S. Roque e a viúva apanha lapas para vender

 

Categoria: Destaques

Criado em 29-08-2014

Escrito por João Paz

 

Na casa a que os Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada foram chamados ontem de madrugada para acudir a uma situação extrema de inundação, com o tecto a ameaçar ruir a qualquer momento, continua a viver uma família de nove pessoas em precárias condições de habitabilidade, na rua do Regato do Refugo, em Santa Cruz da Lagoa.

 

O sobrado do primeiro andar do cubículo – que nada tem de habitação minimamente condigna – range a cada passo que damos. Os tectos estão cobertos de pano para impedir, sem êxito, que os lagartos desçam pelas paredes. O pano impede também que o barro, que se vai soltando, caia directamente em cima dos móveis e da cama. O forro de madeira está pobre, está a cair e mal aguenta as telhas. O chão é irregular: Numas partes está cimentado, noutras não. É inimaginável pensar que ainda existam seres humanos a viver nestas condições.

 

A casa, pertença da Junta de Freguesia de Santa Cruz – a quem pagam renda - tem vindo a degradar-se de ano para ano ao longo dos 19 anos em que Adriana lá vive.

Esta é uma daquelas famílias que passa pela vida de drama em drama. A sua filha Susana tem 30 anos. O marido, Luís Carlos Cabral, de 31 anos, foi encontrado morto em Janeiro na estrada regional, em São Roque. Era mecânico e estava no desemprego. Ninguém, na família, conhece os resultados da autópsia. Pode ter sido homicídio, suicídio ou morte natural. As investigações sucederam-se mas as autoridades policiais ainda não terão chegado a nenhuma conclusão que seja do conhecimento da família.

 

Susana é empregada doméstica a dias, tinha um emprego mas, com a crise, deixou de ter trabalho. Chega a dar dias a 10 euros e quando não tem trabalho espera pela maré baixa para ir apanhar lapas e vender para ter, “pelo menos, algum dinheiro”.

 

A jovem tem um filho de 10 anos que vive na casa da sogra porque o quarto onde habita na casa da mãe não tem quaisquer condições. “Foi pacífica a decisão do meu filho ir viver com minha sogra porque, aqui, não consegue viver”, desabafa a jovem.

 

O quarto tem há volta de quatro metros quadrados. Dá só para uma pequena e frágil cama e um móvel. O tecto do pequeno cubículo está forrado de pano para não se ver a madeira a apodrecer e as telhas e, ao mesmo tempo, impedir a sujidade. Coabita, no local com lagartos e minhocas.

 

Aliás, toda a estrutura do tecto da casa ameaça ruir e, no ‘cubículo’ onde Susana dorme, tal como em outros locais do espaço, a parede de pedra começa a ceder e o barro está a cair.

 

Quando o repórter chegou lá à casa, Susana não estava e quando apareceu, a sua primeira observação perante o jornalista foi: “Eu até passo mal pensando que vou dormir naquele quarto. Estão a sair minhocas pela parede. E até já fui buscar sacos de lixo para tapar melhor o tecto”, desabafa.

 

Durante as chuvas torrenciais de ontem de madrugada, o sumidouro – localizado no interior da casa – (o que é inaceitável nos dias de hoje) não suportou tanta água e ela começou a entrar pela porta do quintal e a sair pela porta da rua. Nesta altura, Susana desceu do sótão onde tem a cama para ajudar a mãe no rés-de-chão e, quando voltou à sua cama, viu o tecto a ceder e uma pedra no meio do quarto. “Foi uma noite que eu nunca vou esquecer”, disse ao jornalista.

 

Quando perguntámos se entra água no espaço, a jovem fica incrédula: “Se chove no meu quarto? Mais do que na rua…”, responde.

 

Toda a estrutura de esgotos e tubos de água da habitação está em precárias condições e não funciona de forma adequada. Aquilo que chamam de casa de banho não funciona. Não podem tomar banho na banheira porque não têm duche nem o esgoto está operacional. Os banhos que tomam são numa pana de tamanho médio com água aquecida em panelas. E até o lava-louça não é utilizável. Lavam a louça e os tachos numa pana de água que, depois, despejam para o quintal. Tudo é, de facto, uma rotina que a esmagadora maioria dos leitores do ‘Correio dos Açores’ não imagina que pudesse existir nos dias de hoje.

 

Adriana e Susana não se cansam de dizer ao jornalista que a casa já foi visitada amiudamente por técnicos de acção social do governo, da câmara, da junta de Freguesia e, mais recentemente, da protecção civil.

 

A presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz esteve na casa ontem à tarde um pouco antes de lá chegarmos. Prometeu que iria arranjar uma solução mas nem ela própria sabe quando porque está dependente de um processo que está a decorrer em tribunal. A autarca, ao longo do diálogo com a família acabou por admitir que iria expor a situação à secretaria regional da Habitação a ver se encontram uma casa o mais rapidamente possível.

 

É que, para o jornalista – e obviamente para todo o cidadão comum – é incompreensível que a Região não tenha habitações disponíveis para acudir a situações como esta de uma casa que ameaça desabar a qualquer momento. E pode até ser com as próximas chuvas…

 

O que é certo é que a família daquela casa do Regato do Refugo vive com o coração nas mãos e dorme – a Adriana adormece com comprimidos – com receio de acordar no dia seguinte com mais fendas nas paredes ou mesmo com a casa em cima.

 

“Estão, certamente, à espera que aconteça uma desgraça para nos tirarem daqui”, desabafa a Susana.

 

http://www.correiodosacores.info/index.php/destaques/8662-marido-apareceu-morto-em-s-roque-e-a-viuva-apanha-lapas-para-vender

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Melhor jornal de Portugal. As capas e as notícias deles, batem as do CM aos pontos.

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Quando anunciaram um nevão gigante nas Furnas como notícia de capa com foto (de capa inteira) claramente photoshopada... :grin:

 

Não nevou nas Furnas nesse dia. Obviamente.

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E têm mais. Já fizeram capa num dia 2 de abril, com a notícia do dia anterior (dia das mentiras) que fazia capa no Açoriano Oriental. Acho que era de uma ponte que ia atravessar Água D'Alto.

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Realmente estou confuso, é suposto encontrar-se algum motivo para rir aqui, isto é humor açoriano ou é só a denúncia de uma situação inqualificável?

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