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"É um orgulho ter uma equipa toda portuguesa a ganhar ao primeiro da Liga sueca"

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"É um orgulho ter uma equipa toda portuguesa a ganhar ao primeiro da Liga sueca"

Sá Pinto é o novo treinador do Belenenses e tem a missão de dar continuidade ao bom trabalho realizado na última época, em que os "azuis" foram sextos.

 

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Tem sido idílico o início da era Ricardo Sá Pinto no Restelo. O Belenenses entrou na nova época a todo o gás, ultrapassou o IFK Gotemburgo na terceira pré-eliminatória da Liga Europa, e está a apenas dois jogos de chegar à fase de grupos da competição. Os primeiros resultados da equipa, que apenas conta com jogadores portugueses no plantel, não têm defraudado as expectativas mas o treinador assegura que nada está garantido. Promessas? Continuar a trabalhar diariamente com afinco, paixão e garra.

 

Que balanço faz destas primeiras semanas como treinador do Belenenses? Como tem estado a correr este novo desafio?

Fui muito bem recebido por toda a gente, pela estrutura, pelos adeptos, pelos jogadores que já estão há algum tempo no clube. Tem sido uma adaptação fácil a um clube com uma história marcante, bonita, não só a nível nacional, pelos títulos que conquistou e pela relevância que tem, mas que é também um clube ecléctico com modalidades de relevância como o atletismo, futsal, andebol. Tem um histórico muito importante nessas modalidades. Não poderia ser melhor até agora.

 

Quais são os objectivos traçados para esta época?

A nossa prioridade é estabilizar o clube na Liga e conseguir esse objectivo o mais rápido possível. Estamos em outras competições e se conseguirmos ir o mais longe possível seria um facto que nos iria satisfazer e orgulhar.

 

O Belenenses está a apenas dois jogos da fase de grupos da Liga Europa mas para tal é preciso eliminar o Altach, um adversário que não traz boas memórias ao Vitória de Guimarães. Já falou com Armando Evangelista?

Vamos começar a Liga no sábado, nesta altura estou preocupado com o Rio Ave. Sobre o Altach irei ter tempo para analisar o nosso adversário mais profundamente. Vamos tentar falar com elementos do Vitória de Guimarães, com o treinador ou elementos ligados à equipa técnica para podermos saber se eles nos poderão dar alguma informação. Mas hoje em dia temos acesso aos jogos, a informação hoje em dia é muito acessível. O nosso objectivo é começar bem o campeonato, com uma vitória.

 

Na última temporada, o clube terminou a Liga em sexto lugar e foi uma das surpresas da competição. A bitola está elevada para esta nova época?

O Belenenses conseguiu algo de extraordinário sem ter sido o objectivo definido. Foi um acontecimento único porque realmente houve trabalho conjunto dos jogadores e das equipas técnicas que passaram pelo clube. Fizeram um trabalho excelente. Cheguei com uma responsabilidade para um clube como o Belenenses. Estou preparado para estabilizar o clube na Liga. Foi esse o objectivo a que me propus quando vim para aqui. Tudo o que possamos vir a conseguir será fantástico mas essa a minha grande responsabilidade é manter o clube na I Liga e o mais rápido seria o ideal, até para podermos ter um certo conforto nos jogos que vamos fazer e não deixarmos para as últimas jornadas esse objectivo.

 

O plantel ainda não está fechado apesar de Betinho ter sido contratado ao Sporting?

Até 31 de Agosto tudo pode acontecer. Estou em sintonia com a administração e estamos atentos a tudo o que possa acontecer. Não estava à espera de perder Deyverson. Se, eventualmente, mais algum jogador for transferido teremos de colmatar essa saída. Espero que não haja mais saídas.

 

Como é treinar um plantel totalmente português?

É a nossa política. Não há xenofobismo nenhum, é uma coincidência. Ter um jogador jovem e estrangeiro? Não tenho problemas nenhuns e é bem-vindo mas que tenha qualidade para fazer a diferença. Ter por ter, não. Para isso preferimos potenciar, ter um pouco mais de paciência com um jovem jogador português que tem muito talento, que é profissional, dedicado, que tem já uma cultura táctica e adaptação e conhecimento dos adversários. Acreditamos que este é o caminho. É um orgulho para todos, para o futebol nacional e não só para o Belenenses, ter uma equipa totalmente portuguesa que ganhou ao primeiro classificado da Liga sueca, que tem nove jogadores internacionais e que venceu na última época a Taça da Suécia. Sem ser uma obrigação, é um orgulho enorme.

 

Numa equipa com uma média de idades baixa, é importante ter duas vozes de comando experientes como Tonel e Carlos Martins, jogadores com que jogou no Sporting?

São jogadores maduros, inteligentes que têm ajudado muito a equipa. São duas extensões minhas dentro do campo. Percebem quando temos de atacar, guardar a bola. Ambos não têm a frescura, a rapidez de um jovem de vinte anos mas têm o conhecimento do jogo, a inteligência, isso é fundamental. Espero que continuem motivados.

 

O Belenenses tem tido dificuldades, nos últimos anos, para levar mais adeptos às partidas em casa. Daquilo que lhe compete, o que irá fazer para levar mais pessoas ao Estádio do Restelo?

Tento fazer um trabalho sério diariamente, digno e competente. Passo muito isso aos jogadores, tentar ter um futebol positivo dentro da grande competitividade que existe, deste equilíbrio que existe entre a grande maioria das equipas. Tentar jogar um futebol que satisfaça a exigência dos adeptos e sócios do Belenenses. Sabemos que, por vezes, a realidade não é aquilo que é possível, iremos ter confrontos em que os adversários serão mais poderosos, mais fortes e teremos de nos adaptar à realidade do jogo. Quando conseguirmos, iremos preparar a equipa e praticar um futebol em posse, curto, apoiado, com boa circulação da bola, em progressão, boa chegada à área adversária, criar situações de golo e finalizá-las. Isso é o ideal, passando por todos os sectores, e aquilo que gostava que acontecesse maioritariamente. Quando tivermos de fazer um futebol mais directo, quando nos pressionam e não deixam sair a jogar, temos de fazer um jogo mais inteligente e adaptarmo-nos às circunstâncias, teremos de fazê-lo. Treino a equipa em função daquilo que conheço do adversário, da estratégia que tenho para determinada partida, preparar a equipa para aquilo que poderá acontecer nas diferentes formas e adaptarmo-nos às exigências.

 

Já começa a ter uma equipa à sua imagem?

Não é fácil construir uma equipa num mês mas tenho a felicidade de ter jogadores envolvidos, comprometidos, excelentes profissionais, inteligentes e com uma relevante cultura táctica. É sempre mais fácil trabalhar com jogadores que já têm um patamar adquirido naquilo que se refere à percepção do jogo. Eles têm interpretado muito bem as minhas ideias, estou muito satisfeito com a evolução, claro que vamos ter encontros em que vamos estar melhores do que outros, nunca se sabe o que vai acontecer. É importante que a equipa nunca se desequilibre, acredite que pode empatar ou ganhar mesmo que esteja numa situação adversa, em inferioridade numérica ou em desvantagem. Tento preparar a equipa para todas as circunstâncias do jogo.

 

O que se pode esperar da sua equipa para esta temporada que se avizinha?

Uma equipa séria, organizada, com alma, atitude e ambiciosa. É isso que exijo à minha equipa. A perfeição não existe em lado nenhum, não iremos ganhar todos os jogos como gostávamos de vencer, sabemos que nem mesmo o Barcelona, com todos os títulos que já venceu, é perfeito. Esteve a vencer o Sevilha por 4-1 e deixou-se empatar. A equipa tem de estar preparada para o que jogo vai dando. Esses valores que enumerei são fundamentais para que o resultado do jogo final nos seja mais favorável.

 

Quem é o Ricardo Sá Pinto enquanto treinador?

É alguém que procura ser coerente nas decisões que toma. Não é fácil gerir um grupo. E cada vez é menos a partir do momento em que os jogadores se tornaram mais activos e cada vez menos jogadores de futebol, tiverem um papel de serem eles a sustentarem a longevidade e vitalidade de um clube. Existe uma exigência e responsabilidade acrescidas. Os jogadores estão preparados para serem mais profissionais, mais equilibrados e dedicados. Tento ser justo e coerente naquilo que é a minha forma de liderar, em igualdade para todos. Sabendo que tenho de comunicar de forma diferente para várias personalidades. Há comportamentos e regras que têm de ser cumpridos por todos. Sou um treinador ambicioso, acredito que enquanto o árbitro não apitar pela última vez e mesmo que esteja a perder, posso sempre ganhar ou empatar. Sou muito positivo, dedico-me muito a esta profissão, gosto de me envolver, estudar, aprender, de me questionar para ser melhor. A liderança tem que ver com a coerência.

 

Vai dar oportunidades a todos os jogadores do plantel tendo em conta as várias competições em que a equipa está inserida?

Tenho quase a certeza que todos vão jogar, uns mais do que outros também se mudarmos tudo a toda a hora não será benéfico nem para a equipa, nem para o jogo praticado. Não treino uma ideia de jogo diferente a cada mês, treino sempre a mesma ideia, o que pode mudar são as dinâmicas e o esquema a utilizar. As ideias e os comportamentos serão sempre os mesmos. Não ando confuso, nem andarei aos ziguezagues. Irei sempre estar em linha recta com as minhas convicções.

 

Qual é a relação que mantém com o líder da SAD, Rui Pedro Soares, e com o presidente do clube, Patrick Morais de Carvalho?

Tenho uma óptima relação com ambos. Conheci há pouco tempo o presidente Patrick, falámos na viagem a Gotemburgo quando fomos defrontar o IFK. Temos uma relação saudável e de compromisso com o clube. É importante que tenhamos uma boa relação e mais activa até para perceber como está a formação e poder continuar a valorizar os jovens. Conheço Rui Pedro Soares há muitos anos. Respeito-o e admiro-o pessoalmente e profissionalmente.

 

Foi propalado o interesse no Belenenses na sua contratação assim que Lito Vidigal saiu, ainda na época transacta. Confirma essa possibilidade?

Fui contactado oficialmente para vir para o Belenenses apenas depois da saída de Jorge Simão.

 

Em termos de condições de trabalho. Os seus antecessores queixam-se, amiúde, de poucas alternativas para o trabalho do dia-a-dia. Tem tido os mesmos problemas?

Ter um centro de estágios é o ideal e o sonho de qualquer presidente, treinador ou adepto. Se tivermos a oportunidade de construir um local de treinos devemos lutar por ela mas terão de nos ajudar, apoios terão de existir porque financeiramente temos grandes limitações, dívidas para pagar. É preciso estabilizar o clube financeiramente. Era óptimo termos o centro de estágio, se o caminho fosse esse era o ideal. As condições de trabalho que tenho são boas, as ideais para aquilo que necessito nesta altura, temos o estádio para treinar mas não temos um segundo campo que era importante até para deixar descansar o relvado do campo principal. Teremos de ter algumas precauções.

 

Até por isso, chegar à fase de grupos da Liga Europa seria uma espécie de “jackpot” do Euromilhões.

Claro. Gostamos de sonhar e vamos continuar a fazê-lo. Não temos problemas em assumir responsabilidades mas temos de ser realistas. Dificilmente me vendem um sonho ou algo que não seja credível. Sabemos que a nossa realidade, o nosso objectivo é a manutenção na Liga.

 

Quais são as suas referências, quais foram os treinadores que mais o marcaram?

A minha mais-valia enquanto treinador é ter tido a oportunidade de perceber as coisas que foram muito importantes que me foram transmitidas por alguns treinadores. Bebi muito de todos os treinadores que tive, todos foram importantes, não gosto de ser injusto com ninguém. Todos eles tiveram um papel importante. Todos os dias que tenho a felicidade de vir treinar, primeiro como jogador e agora enquanto treinador, são uma felicidade tremenda e extraordinária. É aqui que me sinto bem. É o que digo aos jogadores, às vezes eles entram um bocadinho mais cansados e digo: se ainda não pararam para pensar o que é a vida, esta é a vossa grande oportunidade. Têm a felicidade que mais de 90% das pessoas não têm, fazer aquilo que têm paixão e às vezes não valorizam isso. Vir para o treino é ir trabalhar naquilo que se gosta.

 

Revê-se nalgum jogador? Características enquanto jogador?

Poderei rever partes, há uns que têm uma coisa e não têm outra. Portanto, uma das características que tinha, e que se realçava mais, era a minha vontade de jogar o jogo, ganhar. Entrega, revejo isso em quase todos os jogadores. Gostava que todos os meus jogadores, no final de cada partida, dissessem que deram o máximo, fiz o que pude, dentro daquilo que trabalhamos e preparamos para o jogo. Gostava de ver isso em todos eles, mais do que jogadas extraordinárias, isso vai acontecer naturalmente. Dar o que podem e não podem, em todos os jogos darem a alma ao jogo, é isso que pretendo. Racionalidade, inteligência, equilíbrio, alma, organização e cultura táctica. A alma engloba isso tudo, no jogo a dimensão mais importante é a táctica e tudo anda em redor dela. Nos exercícios, na forma de trabalhar. Não me interessa que um jogador diga que correu muito, é correr bem, aquilo que foi treinado e trabalhado. Quem se treinar como joga, vai jogar como se treina. Isto é fundamental, não podemos fazer coisas diferentes no treino e depois querer que sejam melhores no jogo, se não tivermos o mesmo comportamento ou a mesma forma de abordar ou trabalhar. A repetição dos comportamentos vai dar origem ao melhoramento da ideia de jogo. Estou mais do que preparado e tenho demonstrado isso. Sou treinador principal há seis anos. O sucesso, infelizmente, não iremos ter sempre. Não serei sempre feliz aos olhos de toda a gente, nunca terei unanimidade. Há uns que vão gostar e outros que não. Não fujo das minhas convicções.

 

Quando é que se deu o “click”. O momento em que parou e pensou: vou ser treinador?

Na parte final da minha carreira de jogador já pensava naquilo que poderia fazer depois de deixar de jogar. Tive imensas lesões e sempre gostei do jogo e de jogar o jogo. Não me via a fazer outra coisa, depois tive de me adaptar à realidade de acabar como interveniente directo no campo e perceber qual era a minha paixão dentro desta modalidade, de que forma é que poderia contribuir ou estar presente neste jogo. Formei-me, tirei a licenciatura e os cursos de treinador. Passei por experiências dentro de diversos cargos, nomeadamente no Sporting, e depois percebi que eventualmente poderia ser por aqui. Entretanto, Pedro Caixinha convidou-me para ser treinador adjunto, para colaborar com ele e foi a partir daí que percebi que iria fazer um caminho. Não obrigatoriamente como primeiro treinador, mas gostava de treinar e tinha, por parte dele, autonomia para treinar, dirigir, operacionalizar. Gostei daquilo que me faltava perceber em termos de liderança e percebi que era algo que gostava de fazer e envolvi-me. Continuei a fazer o meu percurso, depois fui treinar os sub-19 (juniores), onde fui campeão nacional, juntamente com o Abel. Comecei o meu caminho, é a minha segunda paixão. Tenho uma felicidade muito grande em termos profissionais: “I have the chance to live twice”. Tenho a felicidade de poder fazer duas vezes aquilo que gosto. Uma como jogador, que era a minha grande paixão, e agora uma segunda grande paixão que é treinar. E nem todos têm essa felicidade, sou um homem realizado.

 

Pedro Caixinha concedeu-lhe a primeira oportunidade.

Teve um papel fundamental na minha afirmação como treinador de futebol. É alguém muito dedicado, competente e organizado e que me ajudou muito neste meu início de trajecto.

 

Fez parte da geração de ouro do futebol nacional. As lesões travaram uma carreira que poderia ter sido ainda melhor?

Podia ter dado mais. As lesões vieram na pior altura. Tinha 27 anos, estava no auge da minha carreira, vinha da Real Sociedad, sentia-me fortíssimo a todos os níveis, confiante, experiente, tacticamente a perceber o jogo. Estava na plenitude das minhas faculdades, potente, rápido, técnico. As lesões limitaram a minha forma de jogar, retiraram-me mobilidade, força, explosão e tive de readaptar a minha forma de actuar. A alma estava lá mas já não poderia ser tão vertical, como era, ou incisivo, rápido no um para um, forte, desequilibrador como era e como achava que poderia ser. Recordo-me de grandes duelos que tive em Espanha com o Roberto Carlos, que era na altura o melhor lateral-esquerdo do mundo, e receber rasgados elogios dele. Em grandes jogos, como jogava pelo lado direito do ataque, poder ultrapassá-lo em lances de um contra um. Sentia-me muito, muito bem e foi pena. Comecei a saber jogar de outra forma, com mais inteligência, mais cerebral, posicional, saber procurar os espaços, saber como é que poderia ajudar a equipa. A alma estava lá, a entrega também. Conseguia ter rendimento mas era diferente.

 

Um jogador depois de uma lesão, mormente nos joelhos, recupera totalmente todas as suas faculdades?

Pode recuperar e eu recuperei a primeira vez mas não recupero é de três operações. Foram três seguidas, a segunda e a terceira já me “mataram” e passava horas a fazer fisioterapia e reforço muscular. Chega a uma altura em que já deixa de ser um desporto saudável. Aos 34 anos, mentalmente e fisicamente, sentia-me fortíssimo para jogar até aos 40, sentia-me muito bem. O que não tinha era saúde num joelho (direito) que me desse estabilidade para as minhas rotações, para os saltos, arranques. A potência que perdi e a estabilidade, isso é que me limitou. É como, se calhar, chegar aos 60, 70, 80 ou 90 anos e estar muito bem em termos mentais mas o corpo não responder em termos motores. Passou-se um pouco isso comigo. Foi um motivo de grande tristeza porque adoro este jogo, não desfazendo a minha família, a minha mulher, as minhas filhas, que são igualmente os amores da minha vida, assim como os meus pais e a minha irmã, o futebol é o amor da minha vida. A minha família é a minha família, não é comparável mas dentro da minha profissão vai morrer comigo.

 

Os treinadores portugueses estão ao nível dos melhores?

Têm muito valor e o nosso campeonato se calhar vai ser competitivo porque estudamos muito bem os adversários, preparamos bem os jogos, trabalhamos muito, dedicamo-nos muito e temos paixão. O treinador português é dedicado, trabalhador e competente. Tive o prazer de conhecer muitos, que não têm o mérito que merecem e estão a treinar em escalões inferiores. A vida é feita destas oportunidades e irá acontecer em todas as profissões.

 

Teve experiências fora de Portugal, nomeadamente na Grécia, um país que tem sido sobressalto com constantes crises políticas e económicas. Sentia essa tensão diária durante o período em que viveu no país?

Saí da Grécia por opção própria, razões pessoais. Eventualmente, se estivéssemos muito atentos, poderíamos sentir alguns sinais. Atenas é uma cidade com muito turismo. O centro da cidade tinha muita vida, muita alegria, as pessoas não se deixavam entrar numa onda depressiva, vivem com esperança. Os gregos são muito parecidos connosco, gostam de viver, são bem-dispostos, gostam de conviver, o tempo é fantástico, têm, para mim, o melhor mar da Europa, é extraordinário. Têm personalidade, paixão pelo jogo. Gostei de viver na Grécia e não descarto a hipótese de voltar. Trataram-me lindamente.

 

Como será defrontar o Sporting?

O normal, como sempre. Sou profissional.

 

É melhor treinador agora do que quando assumiu os primeiros desafios na carreira?

Cada ano que vai passar e cada clube que iremos trabalhar, vamos ser sempre melhores treinadores. Acho que é algo normal. Em todos os projectos estamos preparados? A repetição das experiências, das adversidades que vamos passando ou dos grandes momentos que vamos vivendo, das decisões que vamos tomando, tudo isso nos vai dando feedback, positivo ou negativo, e depois vai ajudar-nos a tomar melhores decisões. Estive sempre preparado para cada fase do projecto. Sempre, porque se não for assim não entro num projecto, como estou preparado para este. Vivemos dos resultados, o treinador vive disso. É algo injusto, por vezes, conheço muito bons treinadores, que sabem trabalhar, organizar as suas equipas, comunicar mas depois existem mil e uma variáveis, financeiras, de trabalho, lesões de jogadores importantes, tudo isto vai ditar o sucesso ou insucesso.

 

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