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A dois meses dos Jogos Olímpicos de Inverno, “seria interessante” juntar “pelo menos” mais uma modalidade às duas que Portugal já apurou

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A dois meses dos Jogos Olímpicos de Inverno, “seria interessante” juntar “pelo menos” mais uma modalidade às duas que Portugal já apurou

Afonso Silva, atleta da patinagem de velocidade de Portugal

Afonso Silva, atleta da patinagem de velocidade de Portugal
FDIP

O presidente da Federação de Desportos de Inverno, Pedro Flávio, acredita que Portugal, que tem três vagas já confirmadas para os Jogos de Milão-Cortina, pode ainda apurar atletas da patinagem de velocidade e do bobsleigh para a competição, que arranca precisamente daqui a dois meses

A dois meses dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, qual é o ponto de situação da comitiva portuguesa?

Temos neste momento três vagas, duas no esqui alpino - um atleta masculino e uma atleta feminina -, e no esqui de fundo uma vaga masculina. E estamos ainda a fazer o caminho em outras duas modalidades. Na patinagem de velocidade no gelo temos três atletas na corrida, dois atletas masculinos, o Afonso Silva e o Miguel Bravo, e uma atleta feminina, que é a Jéssica Rodrigues. A Jéssica é a nossa atleta que foi campeã do mundial junior em fevereiro de 2025. Eles qualificaram-se para as Taças do Mundo absolutas e que são as competições de apuramento olímpico. Há quatro competições, eles já fizeram duas, nos Estados Unidos e Canadá, e depois há mais duas, Noruega, na próxima semana, e depois Países Baixos. O que eles têm de fazer é tentar obter os tempos mínimos de qualificação e depois ficarem qualificados dentro do intervalo de qualificação, nos primeiros 30 lugares, penso eu. Estas Taças do Mundo terminam agora no final do ano, mas o período de qualificação para todas as modalidades termina só no dia 18 de janeiro. Temos até lá para conseguir. Depois, o bobsleigh também está a fazer Taças do Mundo, pela primeira vez em muitos anos. Nós tivemos uma presença em 1988, em Calgary, com uma equipa de quatro, e voltámos no ano passado à competição com a equipa de dois, que é constituída pelo Raphaël Ribeiro e pelo Abdel Larrinaga.

Como surge essa dupla?

É uma curiosidade interessante. O Raphaël já vinha das bases do bobsleigh, como piloto de bobsleigh, é engenheiro mecânico, vive em França, mas nós precisávamos de um empurrador e numa parceria com a Federação Portuguesa de Atletismo conseguimos encontrar o Abdel, que é campeão nacional de barreiras, faz o decatlo. É um atleta que, pela condição física, pela estrutura física que tem, se adapta muito bem a esta necessidade que o bobsleigh tinha. Eles formaram uma equipa, no ano passado fizeram Taças da Europa e qualificaram-se para as Taças do Mundo. Este fim de semana vão estar em Innsbruck, vão tentar mais uma vez. Esse caminho será feito também até este período, até 18 de janeiro. Seria muito interessante se pelo menos numa destas modalidades nós conseguíssemos ter mais um atleta a juntar a estas três vagas que já temos, porque de facto isto é o culminar de um caminho que estamos a fazer neste ciclo olímpico, sempre com o objetivo de conseguir ter mais atletas, mais modalidades. E tentarmos depois irmos bem representados para conseguir o melhor resultado possível, porque é sempre esse o nosso objetivo, tentar melhorar o resultado das edições anteriores.

Pedro Flávio, presidente da Federação Desportos de Inverno de Portugal
Pedro Flávio, presidente da Federação Desportos de Inverno de Portugal

Nas restantes modalidades já não existe qualquer hipótese de qualificação? Creio que houve também uma tentativa de apuramento no curling.

No curling essa oportunidade já passou há mais tempo, porque já houve um torneio prévio para a qualificação para o torneio olímpico e nós não conseguimos chegar lá. Tivemos foi um atleta de patinagem artística, o David Gouveia, que esteve próximo no último evento onde tinha hipótese de qualificação, que foi na China, em outubro passado. Como objetivo também temos a possibilidade dos atletas das modalidades onde já temos as vagas garantidas poderem vir a qualificar-se para competições onde nas últimas edições não participámos, nomeadamente nas competições de velocidade do esqui alpino. Nós temos conseguido participar só no slalom ou no slalom gigante, mas o objetivo é também conseguir participar na velocidade e isso era excelente para o país, podermos participar no downhill e no super gigante. E no esqui de fundo também existe a possibilidade, com o José Cabeça, que é o atleta que abriu a vaga, de participar noutras distâncias que não só a prova onde normalmente nós participamos, que são os 10 km estilo clássico ou estilo livre. Há hipóteses de poder fazer as provas de sprint e de skiatlo. Vamos ver ainda neste período que temos até ao final da qualificação se é possível ou não. Mas estamos muito motivados e focados porque, de facto, os resultados que temos tido até agora são animadores e estamos confiantes de que ainda é possível conseguir essas qualificações também nas outras modalidades que falámos.

Pedro, olhando para as últimas Olimpíadas, ou seja os últimos períodos de quatro anos, são períodos de crescimento do desporto de inverno em Portugal e, nesse sentido, quais têm sido as grandes diferenças na preparação dos atletas?

A Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDIP) tem feito um esforço muito grande para dar as melhores condições possíveis aos seus atletas, mas tem havido também aqui uma excelente relação com a tutela. Nós tivemos neste ano um programa que nós chamámos de Programa de Apoio à Participação nos Jogos Olímpicos de Inverno, que é um modelo um bocadinho diferente do plano de preparação olímpica de verão. A tendência será, no futuro, que estes programas se aproximem, o de verão e o inverno, que sejam semelhantes. Tem havido este foco e este apoio quer da federação junto dos seus atletas, quer depois do COP na possibilidade que têm dado aos atletas de fazerem este caminho até aos Jogos Olímpicos com a participação em outros eventos olímpicos, como os Festivais Olímpicos da Juventude Europeia ou os Jogos Olímpicos da Juventude. O caso da Jéssica Rodrigues é um excelente exemplo, ela participou em 2024 nos Jogos Olímpicos da Juventude em Gangwon, na Coreia do Sul, em conjunto com mais de três atletas. Nós tivemos quatro atletas de patinagem de velocidade a participar nesses Jogos Olímpicos da Juventude, que foi a cota máxima de participação que os países tinham. Portugal foi um dos doze países a conseguir qualificar quatro atletas para esses Jogos na patinagem de velocidade. Nesses Jogos da Juventude, a Jéssica Rodrigues conseguiu um primeiro diploma olímpico, ficou em 6.º lugar na prova de mass start, que foi também um indicador já muito favorável de que ela estava a fazer um caminho que eventualmente poderia levá-la a esta qualificação olímpica. Os atletas percebem aí a importância que esta questão do olimpismo tem no seu percurso desportivo e motiva-os também a trabalharem com um objetivo muito forte de chegar aos Jogos Olímpicos de Inverno.

É um trabalho a longo prazo?

Estamos a pensar já para o próximo ciclo olímpico, juntamente com o Comité Olímpico, uma questão nova que nunca tivemos no inverno, que são as Esperanças Olímpicas. Nós temos atletas que vão entrar nas Esperanças Olímpicas a pensar já em 2030. Porque este trabalho não termina, estamos a pensar em 2026, mas já estamos a trabalhar com atletas mais jovens, que estão a fazer o caminho para o próximo ciclo olímpico e para chegar aos Jogos dos Alpes Franceses, em 2030. Queremos chegar lá com modalidades onde já estamos, mas também com modalidades novas. Alguns destes atletas tiveram também apoio de bolsas da Solidaridade Olímpica, com apoio do Comité Olímpico Internacional, com apoio do Comité Olímpico de Portugal. E isso é muito importante porque os atletas têm de ter condições financeiras para poderem treinar, porque infelizmente as nossas condições de treino não são boas, nós vivemos num país onde não existem as melhores condições possíveis para esta prática, principalmente num nível mais elevado. Mesmo em 2022, em Pequim, o nosso atleta de esqui alpino, o Ricardo Brancal, que foi um atleta que veio das camadas jovens da FDIP e que fez o seu caminho em Portugal, a dois anos dos Jogos, esteve praticamente a treinar e a viver fora do país para conseguir estar nas melhores condições possíveis, porque essa é a nossa realidade. Nós vamos tentar contornar isto quando conseguirmos construir o pavilhão, nas modalidades de gelo, mas nas modalidades de neve isso nunca vai ser possível, porque as nossas condições são as que existem e aí não há forma de contornar esta questão. Mas queria dar-lhe também uma informação, que acho que é importante.

Patinadores de velocidade Jessica Rodrigues e Afonso Silva em competição
Patinadores de velocidade Jessica Rodrigues e Afonso Silva em competição

Força.

Falando ainda nas vagas, nós pela primeira vez temos uma possibilidade muito concreta de qualificarmos um atleta para os Jogos Paralímpicos de Inverno. Nós nunca tivemos um atleta de desporto adaptado de inverno a participar em Jogos Paralímpicos e essa possibilidade existe com o Diogo Carmona, um atleta de snowboard que está a fazer esse caminho. Na semana passada participou numa competição onde obteve pontos para essa qualificação. Isso para nós era muito importante, porque a FDIP também tem vindo a fazer um trabalho de divulgação das modalidades de inverno no âmbito adaptado. Não temos ainda muitos atletas, mas temos projetos com crianças e jovens muito focados também no desenvolvimento do desporto adaptado. Isso para nós seria importante e seria uma forma, junto com o Comité Paralímpicos de Portugal, de mostrarmos que os desportos de inverno também são inclusivos e mostrarmos a outros jovens portadores de deficiência que há essa possibilidade de praticarem desportos de inverno e de conseguirem, como o Diogo, vir a chegar aos Jogos Paralímpicos de inverno.

Antes, o desporto de inverno português dependia muito de luso-descendentes. Hoje a base de recrutamento já é muito feita em território nacional? E que trabalho tem feito a federação para trazer mais jovens para estes desportos?

O caso do Ricardo Brancal é um caso muito interessante, o próprio José Cabeça, do esqui de fundo, também é um atleta nascido em Évora, que vinha de outra base de desporto, ele era triatleta antes de fazer desportos de inverno. Viveu no Dubai, mas a sua base de treino é muito na Noruega, porque o seu treinador é norueguês, mas o José Cabeça também é um exemplo de um atleta nascido e criado em Portugal, que também está a chegar à alta roda do desporto de inverno. Os resultados dele estão a crescer muito e isso é revelador que ele está a fazer um trabalho também de excelência. Mas falando das bases, a Federação de Desportos de Inverno de Portugal tem desde há muito tempo criado projetos muito específicos para o desenvolvimento desportivo e das suas bases, quer no esqui e no snowboard, quer depois nos desportos de gelo, que neste momento, e por não terem ainda a sua pista de dimensões olímpicas que pretendemos construir na zona da Grande Lisboa, no Seixal, tem essa base de trabalho muito focada na Serra da Estrela, numa pista de gelo que se chama Serra da Estrela Ice Arena, construída em 2021. É aí que a federação tem as suas academias de patinagem artística, de hóquei no gelo, onde faz também atividades de curling, mas também é um local onde recebe crianças e jovens de todo o país, através de projetos muito específicos para a introdução às modalidades. Essa é a nossa forma mais básica de introduzir as modalidades aos portugueses: trazer escolas de todo o país para praticar as nossas modalidades de inverno, através de projetos como o Ice for All ou o Curling at School. Nós vamos às escolas com curling, com umas pistas sintéticas, introduzimos a modalidade, depois as escolas desenvolvem os seus próprios torneios e depois trazemos as equipas vencedoras ao gelo e fazemos um torneio final com essas equipas no gelo. As nossas academias de patinagem artística semanalmente, em parceria com os nossos clubes, fazem atividades de treino e temos hoje já um conjunto de atletas de patinagem artística que fizeram os testes de níveis e que hoje participam nos campeonatos nacionais que são feitos também no Serra da Estrela Ice Arena.

O hóquei no gelo tem sido outra das apostas.

No hóquei no gelo temos também desenvolvido essas academias na Serra da Estrela Ice Arena e fazemos um campeonato nacional de hóquei 3x3, que é uma modalidade que é feita em pistas de dimensões mais pequenas e que se adapta às dimensões da nossa pista. É uma modalidade que está em crescimento a nível internacional, a própria federação internacional está a dar muito destaque a organizar competições internacionais de alto nível nesta modalidade 3x3 e esta modalidade vai continuar sempre a ser praticada na Serra da Estrela, nesta pista 3x3. Depois, quando tivermos a pista de dimensões olímpicas, é aí que nós vamos criar o nosso centro e a nossa base de treino para podermos desenvolver estas modalidades nas melhores condições possíveis, iguais àquelas que os atletas têm quando viajam para outros países, porque na realidade quando temos de treinar a mais alto nível, é isso que fazemos, levamos as nossas equipas para fora do país, no caso do hóquei no gelo muito para Espanha, há uma relação muito próxima com a federação espanhola. Nós criámos no ano passado uma parceria para uma liga ibérica de hóquei no gelo, onde joga uma equipa portuguesa que é o Hóquei Clube do Porto, junto com mais seis equipas espanholas e uma equipa andorrana. Quando criámos a liga, era apenas Portugal e Espanha, na época 25-26 está também a jogar uma equipa de Andorra. Criando estas sinergias com os outros países, nós aprendemos com países que estão mais desenvolvidos nestas modalidades, como Espanha, e damos um nível competitivo aos nossos atletas que de outra forma seria mais difícil. Portanto, no hóquei no gelo fazemos os nossos campeonatos 3x3 em Portugal com os grupos a jogarem na Serra da Estrela, e depois as equipas que têm um nível mais elevado, como é o HC Porto, estão a jogar esta Liga Ibérica, com uma regularidade que lhes dá um nível competitivo bastante elevado, porque jogam com equipas que têm muita experiência.

A dois meses dos Jogos Olímpicos de Inverno, “seria interessante” juntar “pelo menos” mais uma modalidade às duas que Portugal já apurou
FDI-Portugal

Olhando já para ciclos olímpicos que aí vêm, em que modalidades Portugal terá mais condições para crescer nos próximos anos?

Doa atletas que temos já a fazer esse caminho, jovens atletas, eu diria que o snowboard é uma das modalidades onde vamos ter resultados muito interessantes no futuro, porque temos uma atleta muito jovem, que tem 13 anos, vai fazer 14 anos agora, a Adele Vankerschaver, que vai entrar no próximo ciclo olímpico e que tem tido resultados internacionais excelentes. Terminou a época passada no número 1 do ranking mundial da Federação Internacional de Snowboard para as atletas da sua idade, que nos dá uma perspetiva de evolução muito grande. Também na patinagem artística temos jovens atletas que estão a fazer esse caminho e que no futuro podem juntar-se aos nossos atletas de esqui alpino, de esqui de fundo e da patinagem de velocidade e do bobsleigh e também estas modalidades ganharem aqui a possibilidade para em 2030 estarem nos Jogos Olímpicos. Mas a patinagem de velocidade é uma modalidade que está a crescer muito no nosso país, muito porque há aqui uma relação muito próxima com a patinagem de rodas, que é da Federação de Patinagem de Portugal. As modalidades tem algumas similaridades e os atletas fazem uma adaptação com alguma facilidade, foi o caso dos atletas que temos agora, foram atletas que começaram muito jovens na patinagem de rodas e que continuam a fazer o seu caminho desportivo na patinagem de rodas. Embora os atletas que tenhamos agora na patinagem sejam atletas de long track, que se praticam em pistas de 400 metros e não é essa pista que nós pretendemos construir em Portugal - estamos a falar de uma infraestrutura muito grande, que não existe sequer em Espanha, não existe em França. O papel e o caminho na patinagem de velocidade a ser desenvolvida em Portugal passará pelo short track, que é uma patinagem de velocidade que se pratica em pista olímpica de 60x30, que é a mesma pista da patinagem artística e do hóquei no gelo. É lógico que é preciso fazer um trabalho de introdução à modalidade e de desenvolvimento, muitos destes atletas nossos do long track já fizeram nos estágios fora do país e já fizeram umas primeiras introduções ao short track para perceber como seria a sua adaptação, mas esta é uma modalidade que poderá no futuro, face ao número de atletas e ao desenvolvimento da patinagem de velocidade que já temos, vir a ter um crescendo.

O curling tem muitos interessados em praticar?

No caso do curling tivemos também já alguns resultados interessantes, muito pela ligação que temos com a comunidade portuguesa no Canadá, porque o curling é uma modalidade muito forte lá e há centenas de portugueses a jogar lá. Há uns anos tivemos um 3.º lugar na divisão C do Europeu, que nos permitiu subir à divisão B. Estamos neste momento a tentar identificar os jogadores juniores, que também é importante para nós, para termos aqui equipas que depois possam evoluir e crescer na modalidade, mas temos também vindo a fazer esse trabalho em Portugal e essa é uma modalidade que em Portugal também pode crescer e ter uma evolução interessante. Nós temos organizado alguns torneios entre clubes e associações na Serra da Estrela e há muita gente interessada em estar nesta modalidade, é uma modalidade que os portugueses gostam, que gostam de ver na televisão. Temos muitas pessoas que nos contactam para perguntar onde é que podem experimentar, porque têm essa curiosidade e podem experimentar na Serra da Estrela, para já, mas com a futura pista do Seixal vai ser possível praticar aí e vamos poder também receber eventos, competições e treinos internacionais de curling em Portugal.

Olhando para uma atleta como a Jéssica Rodrigues, campeã mundial junior, são estes os exemplos que provam que está a ser feito um bom trabalho e que Portugal poderá, se calhar não agora, mas talvez daqui a um, dois ciclos olímpicos, almejar ter resultados com mais importância no desporto de inverno?

A Jéssica assumiu este papel de grande destaque porque o resultado é único, é um resultado de excelência e um resultado que deu, à atleta e à federação, uma visibilidade importante. Foi um resultado foi muito importante para os desportos de inverno, como exemplo de que é possível. Na patinagem de velocidade estamos a iniciar talvez a sexta época desportiva de desenvolvimento da modalidade, fizemos um esforço muito grande para levar atletas a treinar fora do país, muitas vezes, também com o apoio da Federação Internacional de Patinagem, da ISU. Esses atletas têm conseguido resultados de qualificação para Taças do Mundo, para Campeonatos do Mundo, para os Jogos Olímpicos da Juventude e quem sabe até para os Jogos Olímpicos, mas isto é de facto revelador que é um caminho que está a ser feito com estratégia, porque nos Campeonatos do Mundo onde a Jéssica conseguiu o título mundial, na mesma final a Francisca Henriques ficou em 4.º lugar e o Afonso Silva na final masculina ficou em 6.º. Isto é revelador que um país como Portugal, que não tem as melhores condições para a prática desta modalidade, pode bater-se com os melhores do mundo e fazer este caminho de crescimento e de destaque internacional. No nosso caso, a patinagem de velocidade foi destacada internacionalmente, mesmo nos congressos da federação internacional, como um caso e um exemplo de sucesso, porque tem havido um crescimento extraordinário numa modalidade onde Portugal tinha tido no passado já uma participação olímpica com o Fausto Marreiros, em Nagano 98. É isso que nós queremos passar para as outras modalidades, é isso que nós estamos a tentar com as outras modalidades para que os desportos de inverno possam em Portugal ganhar um lugar de destaque.

A dupla portuguesa no bobsleigh: Raphaël Ribeiro e Abdel Larrinaga
A dupla portuguesa no bobsleigh: Raphaël Ribeiro e Abdel Larrinaga
GIRTS KEHRIS

O número de federados tem acompanhado o crescimento dos desportos de inverno em Portugal?

A federação durante alguns anos teve um número de atletas que variava pouco. Inicialmente era só federação de esqui. Só a partir de 2010 para a frente é que começou a ter um crescimento um pouco mais significativo. Depois vieram os desportos de gelo e esses desportos trouxeram um número maior de atletas à federação e que tem vindo, nos últimos dois ou três anos, a crescer significativamente. Agora temos também mais clubes, porque temos os clubes da patinagem de velocidade e artística, do hóquei no gelo, de curling. Neste momento temos clubes que vão do Algarve à ilha da Madeira, até a clubes que estão localizados fora do país, na Suiça e Canadá. Temos à volta de 50 clubes federados e terminámos a época passada com mais ou menos 1800 atletas. Não tenho dúvidas que aumentará exponencialmente o número de atletas quando o pavilhão de desportos de inverno for inaugurado, porque os clubes locais da região de Lisboa vão poder virar-se para estas modalidades.

O crescimento das infra-estruturas será sempre meio caminho andado para chegarem os resultados. Como está o projeto do pavilhão de desportos de inverno no Seixal, o objetivo de estar pronto em finais de 2027 mantém-se?

Estamos a trabalhar para que seja possível. O primeiro passo já está dado, a assinatura definitiva do contrato de cedência do terreno, isso já aconteceu em outubro passado, já temos a escritura feita. Neste momento o terreno está disponível. Estamos a finalizar os projetos para submeter ao municipio e às entidades, nomeadamente o IPDJ, porque é uma infra-estrutura que precisa de ser licenciada, para depois podermos avançar para a construção. O que estamos a tentar fazer é arranjar uma forma que permita que esta construção não se prolongue por muito tempo, porque a infra-estrutura faz-nos muita falta, precisamos dela o mais rápido possível e quanto mais depressa ela estiver terminada mais depressa os nossos atletas estarão lá a treinar, mais depressa os clubes poderão fazer as suas academias e a preparar novos atletas e mais depressa nos poderemos candidatar a realizar alguns eventos e estágios internacionais.

Daqui a dois meses quantos atletas portugueses gostaria de ver na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina?

Os três atletas já temos garantidos. Se conseguirmos pelo menos mais um seria excelente, porque seria importante para nós conseguirmos estar com mais uma modalidade. Mas se não conseguirmos, pelo menos que nas duas modalidades em que vamos estar consigamos participar em mais competições e que seja possível melhorar os resultados que temos conseguido até aqui. Ainda não estamos a sonhar com medalhas, mas estamos a sonhar com a possibilidade de irmos melhorando os nossos resultados e continuar a fazer esse caminho. E que os portugueses se identifiquem com estes atletas e com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em prol dos desportos de inverno.

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