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Lip McBoatface

[FM2013] Memórias de um Indeciso

Publicações recomendadas

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Actualização – Maio/ês das decisões

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

 

Faltavam 3 jogos para o fim dum campeonato a duas velocidades: a do Celta e a do Real Madrid. As duas equipas batalharam a época toda, ombro a ombro, e agora, com 3 jogos por jogar e 3 pontos de avanço para os azuis celestes, nada estava decidido. O Real iria ter 3 jogos acessíveis em teoria, frente a equipas da metade inferior da tabela. Quanto a nós, igual excepto o 2º jogo, que seria contra o Atlético de Madrid. Os galácticos certamente iriam torcer pelos seus rivais para conseguir finalmente o título, 4 anos depois, e evitar a 3ª conquista consecutiva do Celta.

 

Quanto a nós, aconteça o que acontecer, será o 7º ano seguida em que acabamos no mínimo em 2º lugar da tabela. Não era isso que nos fazia vacilar nem um pouco, mas talvez dentro do campo a história fosse pior para o nosso lado. Temos jogado horrivelmente e veríamos agora se com o calendário 100% centrado na Liga as desculpas eram legítimas ou não. Esta equipa sabe demasiado bem o que é preciso para vencer… mas tem que o fazer.

 

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vs Levante - N.Alonso; Diabakaté,José,Beattie,Ricardo; Tarasenko,Suparman,Mulenessa; Erdas,Nhaga,Carrara

 

Quando o desespero de ter uma equipa que nos últimos dois meses não faz um crl, faz-se coisas estúpidas como um 4-2-3-1 com o Suparman a fazer de trequartista.

 

A 1ª parte foi estranha. Foi o prato do dia de ultimamente, ao tendo metido a equipa a entrar para obliterar, e em resposta tive 45 minutos de puro aborrecimento e quase zero iniciativa, concluindo com variados falhanços de Nhaga, que nos últimos meses tem tomado doses de diárias de vai-te f*der, hoje não marco. A sério, cabeceamentos para o extremo que cruzou, desarmes em vez de remates, falhanços, tudo isto na p*ta da pequena área... mas na prática, sabe-se lá como marcámos 2 golos. Afinal ter o Supar a trequartista fez a equipa jogar bem futebol.

 

Na 2ª parte diminui a intensidade do jogo, tirei logo Nhaga antes que me desse um AVC, e vi o jogo a desenrolar-se da mesma maneira: ocupar o meio-campo, ir para os cruzamentos e ter falta de eficácia (porque o que peço é o contrário). Sofremos um golo aos 70', levando um jogo controlado mais uma vez desnecessariamente a um festival de nervos porque novamente não sabem defender um resultado. Ainda houve tempinho para falharmos um penalti, porque é óbvio que ia haver um penalti falhado.

 

No fim, lá ganhámos. Admito, é importante, é bom. Mas é pedir muito que joguem bem? É que já são 3 épocas seguidas a fazê-lo… não é a roda.

 

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O Real Madrid empata 0-0 com o Córdoba. Apenas precisava de um empate, graças à vantagem no confronto directo. Arriscava-me a dizer que no próximo jogo seríamos campeões.

 

vs Atlético de Madrid - N.Alonso; Diabakaté,Torres,Beattie,Jorge; Mulenessa,Taleb,Tarasenko; Erdas,Nhaga,Petti

 

Entre nós e o troféu estava o 5º classificado. Com o 11 mais utilizado durante a época e todos a 100%, queria ver um jogo grande da nossa parte. Não ia forçar, mas esperava que os jogadores puxassem pelo troféu, como o devem fazer.

 

Na 1ª parte, entrámos bem no jogo. Tivemos sempre alguns perigos do Atlético, onde N.Alonso nos salvou, mas estávamos a jogar bem e melhor que eles. Com duas jogadas a meio da 2ª parte, a 1ª muito boa e a 2ª de sorte atrás de sorte, marcámos os 2 golos aí, chegando ao intervalo com 2-0 no marcador.

 

Na 2ª parte a situação era igual. O jogo tendia um bocadinho mais para nós e num canto aos 49’ Beattie selou o jogo com o 3-0 e praticamente garantiu o título. E o 4-0 aos 77’ de Nhaga fê-lo completamente oficial. Somos tricampeões, e com uma exibição que me deixou feliz por o sermos.

 

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vs Espanyol - N.Alonso; Doblas,Diabakaté,José,J.Martinez,Ricardo; Pablo,X.Sanroman,J.Iglesias; A.Pazos,Toni

 

Mesmo estando 4 jogadores fora por empréstimo que estariam neste 11 (Arteche a DD porque Ricardo não fez toda a formação cá, Mario David a MC, Tazon e Kwarteng a MAC), consegui não dificilmente fazer um 11 da cantera, apenas 4 deles vindos dos juniores. É obra e é um testemunho ao que fiz nesta equipa e quero que continue. Era justo acabar assim a liga.

 

Demo-nos muito bem frente ao Espanhol com a cantera e conseguimos ganhar o jogo à rasca por 1-0. Grande maneira de acabar a época. Mas ainda falta a final da Champs.

 

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Classificação – Liga BBVA

 

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Editado por Lip Zola

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Cap. 78: E mais outra hipótese de legado

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

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(clicar para ver mapa)

 

25/05/2030, Olympiastadion, Berlim

 

São demasiadas folhas, esquemas táticos na cabeça, desenhos de bonecos a mexerem com uma bola de futebol. Quando é que isto é demasiado? Quando deixa de ser especial? Será que nessa altura o Clarence deixa de se esconder atrás de mim para mandar a sua nova boquinha?

 

- Ah, afinal sabias que estava aqui, cabrãozinho.

- Que queres Clarence? Cala-te, nem quero saber. Vai ter com a Luíza e o Gonçalo ok? Preciso de me concentrar.

- Ok, ok. Eu vou juntar-me aos figurantes da tua vida incrível e narcisista. Já agora, o Gonçalo deu os primeiros passos e não estavas lá. Yey!

 

Aquele filho da p*ta consegue sempre atingir-me… Descentra-te de tudo João, os teus guerreiros precisam do teu discurso pré-jogo. Querem todos engolir a tua energia e ir vencer a terceira Champions. Até podias não ter material para o discurso, mas jogar contra o Bayern na final? Activa lá o teu discurso de underdog, está no papo.

 

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O cheiro a strudel não me vai incomodar. O barulho caseiro nas bancadas também não. Viemos cá para ganhar e quem se encontra do outro lado da barricada vai levar com a nossa fome… se é suficiente para vencer? Não sei, juro.

 

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Briasco; Diabakaté,J.Torres,Beattie,Jorge; Hadzhiev,Taleb,Tarasenko; Erdas,Nhaga,Petti

 

As cartas foram lançadas e era hora de ganhar esta final. Do outro lado encontrávamos o Bayern Munchen com factor casa e como sempre um plantelzão que já conhecíamos bem. Há 2 anos eliminaram-nos das meias-finais, o ano passado devolvemos a gracinha. Este ano o confronto era na Final e a desforra ficava decidida. O 3-5-2 deles trazia sempre algumas dificuldades mas também oportunidades, e seria a estratégia a definir, provavelmente, o resultado deste jogo.

 

O início do jogo trouxe 10 minutos de seca atacante, vários erros individuais nossos a sair para o ataque e Taleb a tentar lesionar pessoas. O feitiço virou-se contra o feiticeiro e aos 19’ Tarasenko faz uma falta e sofre lesão na mesma jogada, livre indirecto da equipa alemã e o centralão Kamil Kar cabeceia um torpedo para a nossa baliza, dando aos alemães a vantagem.

 

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Uma situação bem difícil para nós, bem cedo no jogo.

 

Íamos agora ter de ir atrás do resultado, mas estivemos bastante tempo sem conseguir fazer nada nesse tópico. Tarasenko estava lesionado e desde o início do jogo sem contribuir, saiu ainda na primeira parte para entrar o alemão Kauf, que esperava eu trazer consigo o peso da experiência e a sua recente boa forma. A equipa definitivamente melhorou ofensivamente, mas apenas com uma boa oportunidade de marcar durante a primeira parte, a acontecer na última jogada, era hora de fazer mais mudanças ao intervalo.

 

Para tal, e juntando um raspanete à freira colegial no balneário, veio mais experiência com Carrara, saíndo um Petti que esteve simplesmente asqueroso a jogar. 2 alterações tão cedo iam comprometer-me estrategicamente, mas não tinha outra alternativa. A 2ª parte começou com tudo nosso, e aos 49’, após vários ataques sem a bola ver a baliza, J.Torres quase a meteu lá dentro, mas o guardião estava atento! Sem o árbitro dar amarelos excepto à nossa equipa, a estratégia do Bayern Manchen de dar fruta continuava ainda aos 60’, para meu imenso espanto.

 

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Aos poucos e poucos, sentia a derrota cada vez mais perto.

 

Tudo bem que defrontávamos ali uma defesa de topo, mas não é desculpa. Jogávamos quase sempre ao ataque, mas em modo zombie. O pobre Nhaga não via nenhuma bola na sua direcção e do pouco que conseguíamos criar, vinham oportunidades fracas, quase desistentes desde o início. Era um autoflagelo, e eu era obrigado a ver acontecer à minha frente. O último desespero da minha parte foi meter mais um avançado lá e jogar num 4-4-2 arcaico, sem grandes perspectivas de funcionar. Aos 90’ minutos ainda pareceu haver sonho... Toni, sozinho na cara do GR, consegue mandar a rasar à barra o cabeceamento!

 

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Um choke de oportunidade que simbolizava o choke que foi todo o jogo.

 

Mas falava cedo demais. Depois de 2 minutos de compensação com ressaltos atrás de ressaltos na área do Bayern que ninguém aproveitava, alguém conseguia marcar aos 92’ no meio da área. O herói do costume, a definição de clutch, Jordi Torres levava-nos ao prolongamento!!!

 

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Esta final começava a atingir modo montanha russa.

 

No prolongamento, a minha dúvida era ajustar a tática novamente, e depois de ver o Bayern a entrar bem forte no jogo, sabia que a 1ª parte do prolongamento seria gasta à volta de ajustamentos e rezar que no meio disso eles não marcassem. A nova identidade, tendo em conta os jogadores disponíveis, foi contra-atacar. Estivemos bem a defender e principalmente a movimentar a bola, e assim Nhaga ganhou acesso à bola e a muito mais espaço. Mesmo que a recebesse agora bem longe da área, conseguia segurar e dar-nos outras oportunidades de marcar. Aos 96’ tivemos um bom exemplo, que deu a Kauf uma oportunidade incrível para marcar, mas o GR deles defendeu com muita classe!

 

Não podia ter acertado melhor. Jogámos muitíssimo bem e aos 100’, em mais uma bola parada, J.Torres cabeceia a bola e marca o 2-1, voltando a ser o nosso herói!!!

 

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Nunca subestimes a alma dum campeão.

 

E por isso mesmo os próximos 20 minutos exigiam de nós esse respeito pelo Bayern, e uma dose considerável de atenção defensiva. Novamente, teria provavelmente de responder ao alterar a equipa na disposição tática, mais uma vez. No início não foi preciso. Conseguimos continuar o nosso jogo e aos 103’, mais um canto, mais um cabeceamento de Torres e quase o 3-1, mas o jogador do Bayern que estava no 1º poste a fazer bem o seu trabalho!

 

Aos 105’ Toni fica no chão e o Bayern continua, obrigando Hadzhiev a ter de fazer uma falta aleatória que lhe valeu o cartão amarelo. Toni ficaria em jogo, mas seria mais um homem em campo com mazelas. Já no início da 2ª parte do prolongamento, era a vez de Carrara ser ceifado, felizmente continuando em campo. Mesmo assim, 0 amarelos para o Bayern. O desespero do Bayern abriu-nos mais espaço e eventualmente tínhamos nós o controlo do jogo. Toni, aos 117’ voltou a falhar uma boa oportunidade de marcar... Apesar do bom jogo que estava a fazer, a falhar nos momentos chave.

 

Aos 118’, o Bayern já estava a dominar o jogo. Corte providencial de Jorge, passe bem longo e excelente para um Nhaga bem posicionado entre os centrais, que corre com a bola até à linha final perto da baliza, atrai os centrais, saca um passezão, entre eles e o GR, para a pequena área e Hadzhiev, sem nervos, empurra a bola para a baliza aberta, dando o 3-1 e certamente a vitória na Champions!!!!!!!!

 

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Uma jogada de contra-ataque incrível. E Nhaga, em total seca de golos, contra o instinto de matador, a dar o golo.

 

Parece corny, mas volto a dizer: Nunca subestimes a alma dum campeão. Depois de 70 minutos de miséria, a equipa apareceu em jogo, demorou a carburar, teve a ajuda dum santo chamado Jordi Torres e junta fez um prolongamento absolutamente histórico. Fomos a um combate de jaula, sangrámos, lutámos, adaptámo-nos e saímos vencedores. Se isto não fosse futebol, Darwin estaria orgulhoso… e vencemos a Champions nº3. O Celta está na história do futebol, e nós todos também. Agora vamos soltar os pulmões e celebrar, porque hoje tornámo-nos mais fortes que nunca.

 

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Editado por Lip Zola

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Actualização – Final de Época

 

 

Uma época cheia de altos e baixos e mais mudanças no plantel que estava à espera deu pano para mangas e acabou com uma das finais mais épicas que já joguei, para acabar em grande. Começo a cheirar o início dum novo ciclo, com a regressão de vários jogadores desta equipa e a emergência de outros. De qualquer maneira, manteve-se o importante: os títulos e, não consistentemente, o bom futebol.

 

 

Objectivos da Época

 

  • Vencer a Liga BBVA - Campeões
  • Vencedor da Copa del Rey - Quartos de Final (vs Athletic)
  • Vencer a Supertaça Europeia - Vencedores
  • Vencer o Campeonato Mundial de Clubes- Vencedores
  • Top 5 de assistências, golos e % de passes com jogadores nossos- Tivemos dois na % de passes, Briasco e Taleb

 

Nada mau, mas o melhor, a Champions, nem está aqui.

 

Táctica e 11 mais utilizado

 

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A táctica prevista e a mais usada.

 

Quaaaase em cheio. E de certa maneira em cheio, e hão de perceber porquê em baixo.

 

Nos GR aconteceu o mesmo da época passada. N.Alonso foi ligeiramente melhor e ficou com a Liga, Briasco ficou com Taça e Champions. Sinceramente, podia estar no 11 qualquer um deles e é um luxo ter estes dois gajos. Briasco de facto evoluiu bastante e depois de ver que a nível de minutos joga bastante e a nível de selecção está a ser chamado, acho que será feliz por cá com Alonso.

 

A defesa foi como sempre excelente, e quando se é há 4 épocas seguidas a defesa menos batida, e cada ano se melhora, não se pode dizer nada. Do lado direito Jorge foi mais vezes titular, não por muito, mas está definitivamente adaptado à Europa. Melhorou imenso a defender, a atacar é seguro mas não o factor X que esperava, mas é muito bom o senhor. Depois Ricardo evoluiu um pouco mais mas não ficou com a titularidade. Avança lentamente, mas se tiver de o atirar às feras estou descansado, e antes não dizia isso. No lado esquerdo Diabakaté continua a ser algo inseguro defensivamente e esse foi o nosso handicap, mas é um lateral para o futuro, certamente. Depois, Doblas teve uma estreia de muitos baixos e poucos altos, e na próxima época terá de mostrar mais. No eixo central a mítica dupla Beattie-Torres não tem igual e Vitor Maia e José, este último com uma boa estreia sénior, não comprometem de todo.

 

No meio-campo houve muitas mudanças, e as lesões e o momento dos jogadores foram os culpados. Taleb, provavelmente o maior sarrafeiro do Celta do Vigo de sempre, é como sempre a nossa âncora, com Mulenessa, a 6 ou 8, a jogar sempre bem e a ser melhor a nível atacante, apesar de a idade ditar a sua fadiga em jogo. Este ano, no entanto, quem recebeu mais minutos no lugar de 8 não foi o angolano mas sim Hadzhiev, que teve uma temporada incrível, a fazer lembrar outros anos. O seu suplente, Iglesias, continua em crise de identidade em relação ao seu jogo (e estou com medo de estragá-lo como quase aconteceu a Kauf). No lugar de 10, Tarasenko ganhou a frente a Kauf como titular, esta época. Nos jogos importantes Kauf continuou sempre a ser mais seguro e isso viu-se principalmente no final da época, mas a Kauf começa a faltar um pouco o físico. Quanto a Tarasenko, desenvolveu um jogo de passe que não esperava, e aprendeu a jogar no meu sistema. A sucessão está segura.

 

Nos extremos, no lado direito Petti afinal veio para titular, aproveitando também a infeliz idade de Carrara, que o começou finalmente a apanhar. Petti teve uma grande época, com 11 golos e 10 assistência mas como Tarasenko nos jogos chave a esconder-se. Carrara, esse começa a pesar a idade e não teve ao seu nível, infelizmente. No lado esquerdo, C.Sarr não provou ser um bom herdeiro a Miki. Teve até mais jogos que Erdas, devido a lesão do último, mas mesmo assim não me convenceu. Erdas teve como Carrara a idade a fazer de fardo mas não esteve muito mal. Acho que será preciso alguém novo para aqui, e na formação não há um jogador para esta posição.

 

No ataque que dizer de Nhaga? Recorde do clube de golos marcados numa época, 28 golos, e safou-nos várias vezes, é uma máquina este homem. Depois Toni foi o 2º avançado, e para época de estreia esteve melhor que esperava, tanto que para o final estava com padrões altos para ele. Finalmente, Carmona realmente só me deu uma época produtiva. Acho que este ano até daria e mostrou flashes disso (7 golos em 12 jogos na Liga), mas estive mais que bem servido.

 

 

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A nossa evolução na Liga durante a época foi uma variação de 2º e 1º lugar, nem é preciso fazer print.

 

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Falhámos a Copa del Rey e a Supertaça Espanhola, mas juntámos mais 4 títulos ao palmarés e a primeira Supertaça Europeia. Além disso, a nossa eficácia de ganhar mesmo sem precisar de jogar muito, que era aquele patamar que queria reatingir num clube após o ter no Gamba Osaka, apareceu após anos de trabalho árduo.

 

Prémios Internacionais

 

Vencedor Superliga – SC Braga

Vencedor Taça de Portugal – SC Olhanense

Vencedor Champions – Nós

Vencedor NextGen – Barcelona/Juniores

Vencedor Liga Europa – Arsenal

Vencedor AFC Champions League – Guanghzou Evergrande

Vencedor Copa Libertadores – Boca Juniors

Vencedor Campeonato Mundial de Clubes 2029 – Nós

Vencedor Mundial U21 2030 – U21

Vencedor Euro U19 2030 – U19

Ballon D'Or 2029 - 1º Likibi 2º S.Hulme 3º S.Kouakou (tudo regen)

 

Prémios Liga BBVA e Espanha:

 

Jogador do Ano

Pichichi

Máximo Goleador Espanhol

Equipa do Ano (apenas Beattie na equipa, wtf)

Trofeo Zamora (3 anos depois, N.Alonso não vence nem está no top3)

Equipa Revelação

Jogador Espanhol do Ano

Jovem Jogador Espanhol do Ano (Toni em 2º lugar!)

 

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Treinador do Ano, pelo segundo ano consecutivo!

 

Aqui umas estatísticas interessantes da Liga BBVA

 

Jogador do Ano:

 

Beattie voltou ao título. Por acaso Jordi Torres tem sido o mais flashy dos centrais, mas este jogador é já uma lenda do Celta de Vigo, para mim. Ele até estabelecu o recorde de classificação média SS991.

 

Finanças:

 

Acho que consegui já estabelecer aqui uma conta bastante avultada e equilibrada no Celta de Vigo.

 

Chivas

 

7 jogadores ainda da minha altura por lá, conquistaram a Champions da CONCACAF e a Apertura e Clausura. Correu-lhes bem a época e é altura de os deixar de acompanhar.

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Como o infinito me disse numa futebolada: "O teu save já cheira a mofo". Bem verdade, mas arranjo sempre alguma coisa para meter-se à frente disto, mas o save continua sempre até acabar! Siga lá, modo Mundial 2030.

 

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Actualização – La Roja v3

 

 

Depois da conquista do Euro e do desaire na Taça das Confederações, chegava a Meca do futebol: o Mundial. Tínhamos a hipótese e expectativa de ganhar o troféu 8 anos depois da última conquista e jogávamos em casa, que pela falta de jogos oficiais completamente dificultou a minha preparação ao longo dos 2 anos. Não podia pedir muito pior, sinceramente, mas ia ver se o factor casa era assim tão bom como se diz. Vivi no Euro 2004 de Portugal e isso faz-me acreditar que sim, mas até que ponto isso é verdade, se ainda agora estou incerto sobre a equipa?

 

Várias perguntas para mim, e a escolha era ainda mais. Tive variados dilemas, e no fim de contas tive de compilar um 23 que me fizesse pensar “com este ganhamos o Mundial”.

 

Para quem quiser poupar tempo nas imagens, fica aqui o album:

ALBUM

 

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Guarda-Redes

Cesar Mallo | Alexis Ortega | Nestor Alonso

 

Começamos logo em não mexer no que tem sido desde o Euro. As coisas não mudaram. São os GR dos 3 melhores clubes de Espanha e têm sido consistentes. Qualquer um me dá confiança.

 

 

Lateral Direito

Vicente Quiñonero | Alejandro

 

Parece estranho que Quiñonero, o nosso extremo, esteja aqui como lateral, mas não é. Já é a 2ª época em que a idade o faz ser o DD do Real e fez aí uma boa época. Eu pessoalmente não o testei aí até agora e comigo joga muito bem a extremo, mas estes amigáveis vão servir para o testar. Isto acaba por abrir espaço na convocatória para outro jogador, já que ele será para mim também a 2ª opção como extremo. Quanto a Alejandro, tem sido o titular e é daqueles que dá mais na selecção que no clube. Talvez não o seja no Mundial mas se for, estou bem seguro. Junta a isto também a capacidade de jogar a central ou a médio interior (que é até onde joga no Milan, mesmo que as suas melhores exibições tenham aparecido a DD). Ficam de fora Ugarte, que teve uma boa época mas nunca lhe consegui abrir grande espaço na selecção, e Ricardo, que não é desta que me convence. Por mais hipótese que lhe dê ele não consegue afirmar-se.

 

 

Lateral Esquerdo

Juan Martin Fontana | Yacouba Diabakaté

 

Continua um sector curto de opções e repito, curto, mas estes dois senhores continuam a safar-nos. Fontana apesar de continuar a ser central no Newcastle conseguiu ainda estar cumpridor pela Espanha a DE e é novamente acompanhado por Diabakaté, que na selecção cumpre também, mas mesmo assim ainda tem lacunas defensivas que não o deixam ser titular.

 

 

Defesa Central

Jacobo Alonso * | Pol Muñoz | Blas | Ander Martínez

 

Novamente, parece tudo o mesmo, não é? E é verdade. São os 4 do costume e defensivamente continuam a dar garantias. Desta vez não cometo o erro de encostar Ander a um corredor e desta vez nem houve conversas para outros candidatos. A experiência destes vai ser crucial.

 

 

Médio Defensivo

Jorge Quesada | Julian Grande

 

Aqui mantém-se mais uma vez a escolha, dando novamente prioridade ao trinco do Valência, Quesada continuou com mais uma grande época e J.Grande tornou-se o nosso Podolski, porque ele não tem dado nada no clube (ao menos voltou à titularidade) mas na selecção cumpre e por vezes dá um rumo atacante que Quesada nem sempre dá. É pena porque J.Antonio teve uma época incrível no Málaga e merecia algo mais mas ele não me surpreendeu o suficiente na selecção, nas poucas oportunidades que teve.

 

 

Médio Centro (Box-to-Box)

Pelayo Benavides * | Alain Etxaburu

 

Com a infeliz lesão de Tanausu Garcia que o mete de fora, tive de trazer a outra bem honrável opção, o basco Alain Etxaburu, que no Euro 2028 esteve muito bem noutro tipo de papel, o de maestro. Juntamente com o titular no modo box to box, Pelayo Benavides, temos aqui um sector como sempre bem forte e capaz de ditar jogos.

 

 

Médio Ofensivo Centro (Maestro)

Montserrate Gonzalez | Isaac Rodriguez

 

Um dos vários sectores que não muda é este. Se há coisa encorajadora é que o veteraníssimo Isaac voltou a uma forma razoável nesta época, o que é importante para trazê-lo para este mundial. Montserrate vai ter de se transcender. Dani Soler esteve para fortemente ser o gajo da vaga extra mas volta a ficar demasiado perto novamente.

 

 

Extremo Direito

Edu Cordero *

 

A grande mudança nesta convocatória é esta. Só levamos um a tempo inteiro, com Quiñonero a cumprir 2 posições. Temos polivalência para fazer isto e Edu Cordero é um grande extremo que tem melhorado muito na selecção.

 

 

Extremo Esquerdo

Sergey Marchenko | Xavier Prats

 

Esta época tivemos uma prece e veio na forma dum semi bielorrusso semi espanhol chamado Marchenko. Mesmo não jogando um único jogo no Sevilha a extremo, na selecção cumpriu e dá uma atrevidice que falta a Prats, a quem a idade vai pesando.

 

 

Avançado

José Capdevilla | Oscar Ibarra | Gabriel Prieto

 

4 anos depois, continuo sempre com a mesma m*rda de dilema. Não consigo acertar nos avançados, e acabo por ter de gastar o posto extra que tive num 3º avançado. Todos estes 3 dão coisas diferentes, e Prieto teve uma época na Liga fabulosa, mas não tem a regularidade deles nem instinto matador… vou ter de continuar a testar bastante este sector.

 

 

No fim de contas, temos um bom grupo. Continuaremos a ter de testar e preciso de garantir que vamos ter uma coesão ofensiva que nunca atingimos, para vencer este Mundial. A fraqueza aqui é capaz de ser a velocidade de jogo, já que é uma equipa muito veterana. Se encontrarmos malta muito mais rápida, não sei não. Seguem-se amigáveis para esse efeito e, finalmente, o Mundial. Estejam atentos.

Editado por Lip Zola

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Que equipaça, adoro o Edu Cordero. :prayer:

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Actualização – Spain 2030 (Grupo H)

 

 

2 anos depois da nossa conquista no Euro 2028 e 12 anos (sim, 12 anos, não percebo como) da minha estreia num Mundial, como um jovem treinador dum Gana que surpreendeu, desta vez os holofotes eram diferentes. Apontavam a mim a toda a hora e à nossa selecção, caseira, a quem se exigia no mínimo a conquista do troféu que há 2 edições atrás foi nosso. Coisa pouca, né?

 

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Como me farto de dizer, é difícil testar a equipa a sério, dadas as circunstâncias de não ter jogos oficiais, e por isso mesmo o nº absurdos de amigáveis de preparação para o Mundial (5 jogos, pelo menos mais 2 que o resto), mesmo com o risco de cansar a malta, era obrigatório para mim. Começámos com a minha “alma mater” futebolística, a Indonésia, onde abrimos o ketchup, mas demorou. Depois subimos a parada com a Itália de Carrara e Briasco, e vi uma boa recuperação nossa e um ataque bem executado.

 

Logo a seguir a França de J.Torres, tiveram as duas equipas um jogo atípico e o empate adequa-se. Gostei da exibição e bastante de ver Diabakaté anular bastantes vezes o Bola de Ouro. De seguida viriam dois jogos teoricamente mais fáceis e com novas filosofias de jogo, com um 2-0 frente à Colômbia onde perdemos várias batalhas de meio-campo (nós com 3, eles com 2…). Finalmente, foi com uma goleada que fechámos estes jogos.

 

Ao longo destes jogos tivemos vários focos: a inserção de Quiñonero nos dois postos do corredor direito, o nível de Etxaburu, escolher o avançado titular, entre outras coisas, e tirámos nossas ilações para o Mundial.

 

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Acho que ninguém se importa que o ano esteja errado por 48 anos.

 

O nosso grupo era, em teoria, fácil, mas a selecção dos USA tem um grupo de jogadores com créditos firmados, a Nigéria de Akeem Isa (que treinei no Gamba Osaka) e a Suécia que era comandada por um gajo que conheço muito bem, Hellberg, médio do Barcelona. Devíamos passar em primeiro, mas o grupo dava-me a ideia de ser uma bela armadilha de underdogs.

 

 

vs USA - O jogo de estreia era frente ao adversário mais forte do grupo e ainda bem, já que convinha era apanhar o susto o mais cedo possível, se esse fosse o caso. O factor casa, esse notava-se muito bem e mesmo que aumentasse a pressão, empurrava-nos um pouco. Aliado a isso, íamos ser o último grupo a molhar a sopa no Mundial (o que não faz sentido porque somos nós os anfitriões).

 

Queria entrar a matar para tirar o nervoso, mas o início do jogo foi marcado por duas bolas no ferro, primeiro pelos USA num canto e depois por nós num livre directo, cuja recarga pós-ferro devia ter dado golo. A primeira parte foi demasiado má. Os USA que defrontávamos não era nada como a equipa que goleámos o ano passado. Passavam melhor, dominaram-nos e eram ainda mais agressivos e pressionantes que nós. Do nosso lado,quando os passámos a respeitar e jogar mais fechados, conseguimos atacar muito bem, mas depois tínhamos um GR do outro lado a fazer defesas ridículas. Nick Allen fez com que os USA não estivessem a perder ao intervalo.

 

Na 2ª parte comecei a mudar jogadores que estivessem a render zero, e havia muito candidato. Tínhamos agora o domínio do jogo, mas regredimos na qualidade das oportunidades e partimos para o festival dos cruzamentos sem pontaria. No entanto, foi mesmo assim que conseguimos o 1-0, aos 70’, graças ao cabecamento de Prats, que tinha entrado no início do 2º tempo. Pouco depois, aos 77’, noutro cabeceamento, desta vez de canto, conseguimos sentenciar injustamente a vitória por 2-0.

 

 

vs Nigéria - Depois dum mau início de Mundial, pelo menos na parte da qualidade de jogo, queria ver uma resposta. No entanto, a Nigéria se calhar teria a mesma vantagem que os USA, a velocidade de jogo. Além disso, tinha vencido 4-2 à Suécia. Mantinha mesmo assim o 11 do último jogo, como prova de confiança. Akeem Isa estava lá, a trinco.

 

A 1ª parte foi toda nossa. A Nigéria afinal não jogava num estilo rápido, pelo menos contra nós, e não conseguiu fazer nada. Da nossa parte, estávamos acampados no meio-campo, mas novamente o ataque não fluía, e desta vez porque alguns executantes simplesmente não deixavam de ser individualistas. Teve de ser novamente numa bola parada que conseguíamos o 1-0, 2ºgolo de Muñoz no Mundial... mas o nosso avançado titular, G.Prieto, tratou-se de nos dificultar a vida, ao levar o 2º amarelo, desnecessariamente, na última jogada da 1ª parte.

 

Fomos para a 2ª parte reduzidos a 10, mas mesmo assim foi exactamente a mesma narrativa. Dominámos o jogo, atacámos com zero qualidade e saímos com o 1-0. Não me importo sinceramente de ganhar os jogos assim, mal e porcamente, mas duvido que isto seja sustentável. Quando aparecer concorrência a sério, o que acontece?! Só se jogarmos como nos amigáveis é que temos hipótese… aí jogámos bem.

 

 

vs Suécia - Só era preciso empatar para garantir o primeiro posto, e portanto fiz mexidas em quase metade da equipa. Uns para ganharem ritmo de jogo entraram, outros porque não têm estado bem mantiveram-se.

 

De resto, mais uma m*rda de exibição. Passámos 80 minutos sem incluir o avançado no ataque da equipa, sofremos golo de penalti e estivemos vários minutos depois em risco de ser eliminados, marcámos o golo do empate porque Cordero depois de 500 jogadas individualistas faz uma que lhe corre bem e Benavides deve ter descoberto a cocaína porque nunca vi ninguém baixar de rendimento tão abruptamente. A sério, é desesperante ver estes “jogadores” a representar a Espanha num momento destes… mas pronto, passámos em 1º, brutal…

 

Jogos

 

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Classificação – Grupo H

 

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Para não ter de falar desta vergonha, a fase de grupos marcou o fim de alguns conhecidos nossos. O meu Gana, mesmo que irreconhecível em relação ao meu tempo, não conseguiu competir no Grupo A. A Ucrânia de Tarasenko sofreu o mesmo destino no Grupo D, no Grupo E o Japão acabou em 3º mas com só 1 ponto. O México de Fragoso, Yeh, J.Cuevas, J.Rico, etc… tinha obrigação de passar no seu Grupo F e a Algéria de Taleb também disse adeus.

 

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vs Holanda (Oitavos de Final) - A vida correu-nos mal. A Rep.Checa dizimou a Holanda, no que só pode ser explicado por a Holanda ter metido a 2ª linha sabendo que ia passar, e assim acabou em 2º lugar. Portanto, íamos ter de jogar com eles. É uma equipa extremamente forte e contra quem curiosamente nunca batalhei, o que só me faz ficar mais receoso.

 

C.Mallo; Fontana,P.Muñoz,J.Alonso,V.Quiñonero; P.Benavides,J.Quesada,M.Gonzalez; S.Marchenko,G.Prieto,E.Cordero

 

Continuava a apoiar o 11 de sempre, mesmo que Benavides e Marchenko andassem seriamente a dar cabo dos meus neurónios. E pessoalmente achava que o crucial era Benavides aparecer, antes de qualquer outro, porque ele é quem tem de ser o pêndulo da equipa… e o outro em quem confiaria e a esta altura já estava no lugar de Benavides no 11, se bem se lembram, ficou em casa lesionado.

 

Na 1ª parte estivemos muito, muito mal. Fontana foi constantemente comido na defesa e 80% dos ataques holandeses vieram por lá, forçando-me a trazer Diabakaté a jogo. A nível ofensivo nunca conseguimos um ritmo, e estar empatados a 0 ao intervalo é uma dádiva, honestamente, principalmente depois do remate deles à barra.

 

Na 2ª parte entrámos ligeiramente melhor defensivamente, mas ofensivamente nulos na mesma. Acabámos por ter de fazer uma 2ª substituição forçada por lesão, mas a ser alguém, ao menos foi o pior jogador em campo e alguém em quem desisti a partir daqui, Marchenko. Chega. Surpresa das surpresas, subimos bastante de produção e tivemos imensas oportunidades para marcar, mas o guardião deles começou a engatar.

 

Aos 77’ tivemos o resultado de tanto ataque. Prieto saca um penalti um pouco forçado e ele próprio converte-o, dando-nos o 1-0 numa altura tardia do jogo! Com o tempo a passar conseguimos manter o jogo nas nossas mãos e acabei por mexer defensivamente quando as forças nos faltaram para manter a bola no meio-campo da Holanda. Mesmo assim servia-nos o contra-ataque e aos 91’ e 93’ demos a tacada final graças a uma defesa atroz da Holanda, com o 3-0 a garantir a passagem aos Oitavos de Final. No fim de contas, um jogador estava a poluir a equipa. Se isso é problema geral, veremos no próximo jogo.

 

Segue-se o Brasil, que eliminei com o Gana em 2018, no que foi provavelmente o resultado mais surpreendente dessa edição. Para trás ficaram a Itália de Briasco e Carrara, surpreendentemente, tendo caído com a Turquia.

 

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Acho que ninguém se importa que o ano esteja errado por 48 anos.
:lol: :lol:

 

Essa fase de grupos parece que foi uma bela m*rda, não jogaram ponta. Vamos lá a ver se a lesão do Marchenko não te ganha o Mundial :lol:

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Cap. 79: Venham daí os canarinhos v2

 

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06/07/2030, Santiago Bernabeu, Madrid

 

- Aaaaah, então seu maroto, andavas a brincar com a rapariga no jacuzzi, não era? Eu sabia. És um bom exemplo para o teu filho.

- Clarence, usaste uma revista da Hola para enrolar um charro? Não andei a brincar, não. Sou fiel à Luiza, e é tudo uma história estúpida.

- Achas mesmo rapaz? Lembras-te sequer daquela noite? Entrou pela porta da casa um Bushmills cheio, saiu um vazio. Foi a garrafinha toda. Depois não te dou o meu fígado, João.

- Meu, cala-te. Não, não andei a pinar ninguém, ai de ti que comeces a alimentar esta palhaçada.

 

Realmente não me lembro dessa noite, e então? Não o era capaz de fazer. O zé não subia comigo todo f*dido, é que nem um centímetro que seja. Flácido, flácido. Vá, tira isso da cabeça, é hora de jogar os Quartos de Final. Esta gravata aperta tanto, p*ta que pariu.

 

______________________________________________________________________________________________________________________________

 

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O público era tons de vermelho e amarelo torrado, numa onda de cores e esperança e expectativa. O sorteio não foi propriamente simpático connosco, mas como disse aos jogadores, para vencer o Mundial temos de vencer quem quer que seja. Caras de concentração e pressão e ansiedade alinhavam-se, em número e forma de 11, para a fotografia.

 

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Mallo; Diabakaté,P.Muñoz,J.Alonso,V.Quiñonero; P.Benavides,J.Quesada,M.Gonzalez; X.Prats,G.Prieto,E.Cordero

 

Com apenas duas mudanças no 11, no sector esquerdo do ataque e defesa, estava desejoso de ter a Espanha da 2ª parte frente à Holanda. No entanto, encontrava uma equipa mais forte e a nível defensivo mais organizada que a laranja mecânica e com um ataque igualmente feroz. Não ia ser um jogo fácil, pelas minhas previsões.

 

O Brasil de Jorge, que não jogava a titular por qualquer razão, jogava num esquema muito parecido com o meu 3-5-2 do Celta, mas ainda mais defensivo, e acima de tudo fechando ainda mais espaços entre linhas. A selecção conseguia um vigor atacante pela criatividade e loucura de corrida dos seus médios, e no contra-ataque tinha uma arma forte. Provavelmente teríamos de ser nós a assumir a batalha do meio-campo, que ia ser bem difícil. E o apito soou.

 

Por alguma razão, o Brasil entrou completamente adormecido, tão adormecido que aos 28 segundos, sim, segundos, X.Prats tira a bola com toda a facilidade perto da grande área, avança nas calmas e marca o 1-0! Mesmo estando nós a definitivamente controlar o jogo, aos 15’ o Brasil de livre directo esteve bem perto de marcar, mas a barra negou.

 

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Eu não me posso queixar.

 

Depois do golo não tivemos assim grandes momentos. As oportunidades que levávamos à baliza iam sem gana no momento do remate, e sem o Brasil lutar contra o resultado, ia um 1-0 passivo para o balneário. Na 2ª parte a situação inverteu-se e as duas equipas começaram bem espevitadas, tendo G.Prieto ameaçado logo no primeiro minuto de cabeça o 2-0, mas ficou ligeiramente por cima, mas rapidamente me enganei e voltou ao mesmo morto-vivismo, obrigando-me a começar a fazer alterações no meio-campo.

 

É triste, mas por mais que mudasse, e mesmo que tivéssemos sempre o controlo do jogo, nunca consegui dar emoção ao jogo e acabou felizmente para nós e infelizmente para o futebol, com uma vitória por 1-0, que nos levava à meia final, frente à França de J.Torres (que se lesionou), que se iria querer desforrar da sua eliminação no Euro. Ia ser uma guerra. Para trás ficou Portugal, que foi dizimada por 5-0 pela surpresa desta edição, a Turquia. Íamos também de voltar a mexer no extremo esquerdo, já que Prats se lesionou e só fica apto para uma possível Final.

 

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Editado por Lip McBoatface

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Cap. 80: Peut-être un faux pas, peut-être un fait accompli

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

10/07/2030, Camp Nou, Barcelona

 

Às vezes uma pessoa perde-se. No momento, nas suas decisões, no contexto presente. E para recuperar, é uma chatice, é impossível, é complicado. Define-se uma pessoa por vários traços, mas a resposta ao revés presente é um dos grandes. Onde é que me perdi? Perdi-me, certo? É que parece que me perdi. E será que vale a pena encontrar-me de novo? Será que isso é tempo perdido.

 

Bem vindo ao meu templo, o cérebro. Aquela caixa rosa na nossa cabeça que nos faz por exemplo ler esta frase com intenções mais perversas. Preciso tanto desta caixa como a abomino por me impedir o meu verdadeiro potencial. E eu luto, como luto, contra ela, mas a batalha é ganha invariavelmente pelo suspeito do costume.

 

Mas estes pensamentos fogem com o aproximar da partida de futebol e tomam forma de X’s e O’s, de homenzinhos a correrem dum lado para o outro, empenhadas em ganhar dinheiro, fama, títulos e c*na. Não era excepção a tal a selecção Espanhola e a selecção francesa. Numa meia-final do Mundial, esperem a verdadeira guerra entre eternos rivais da História do homem moderno mas retrógrado.

 

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Depois da eliminação no Euro 2028 nos Quartos de Final, a França tinha hipótese de se vingar contra mim e a selecção. Têm juntamente com a Inglaterra um dos plantéis mais fortes do Mundo e, mesmo sem Jordi Torres apto para jogar, tem soluções para todo o lado. No amigável antes do Mundial mostrámos estar bem defensivamente, dentro do possível, mas a nível atacantes inofensivos. As coisas teriam que mudar alguma coisa desta vez.

 

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Mallo; Diabakaté,P.Muñoz,J.Alonso,V.Quiñonero; P.Benavides,J.Quesada,M.Gonzalez; J.Capdevilla,G.Prieto,E.Cordero

 

Com Prats lesionado, teria de entrar para o lado esquerdo Capdevilla, que felizmente já mostrou ser cumpridor naquele corredor, mas somos capazes de perder na defesa. Diabakaté será novamente titular, já que no amigável ele realmente fez um excelente trabalho no Ballon d’Or, Likibi.

 

A bola começou a rolar, e parecia que a moeda ao ar vinha com mais pegado a si que a típica escolha bola ou campo, porque entrámos no jogo e apoderámo-nos do meio campo francês, sem os deixar sair de lá. O truque estava na qualidade do futebol jogado, que já sentia falta, e na capacidade que estávamos a mostrar em parar a transição ofensiva dos franciús.

 

O começo foi tão que aos 10’, numa jogada que começou colectiva e acabou em rasgo individual, Cordero sacou o movimente que faz milhões de vezes para ganhar espaço no início da área para rematar e assim o fez, muito bem colocado e rasteira, empurrando-a para golo. 1-0!

 

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Um começo tão promissor que convenceu o o gajo de 32 anos a fazer um mortal.

 

Um golo bem cedo é excelente, mas também nos exige continuar a procurar o golo, porque marcando o empate, a França entra para um resultado empatada com muito mais momento que nós. A equipa francesa passou a tomar conta do nosso meio campo e apesar de não estarmos mal na reacção, aos 22’, de livre indirecto, vemos Dufour a saltar completamente sozinho na entrada da pequena área a cabecear para o golo do empate. Não percebi como foi possível uma marcação defensiva tão má feita.

 

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Onde estava a defesa com a cabeça?

 

Estaca 0. A equipa reagiu primeiro a atacar um bocado precipitada, mas valeu a experiência do grupo para rapidamente serem mais incisivos e, numa triangulação sublime na entrada da área, soltar Capdevilla para o 2-1, aos 26’!!! Seria agora a nossa vez de responder melhor defensivamente. A nossa resposta defensiva foi melhor desta vez, e acabei por pedir à equipa para fechar um pouco mais para ajudar a ganhar a vital batalha no meio-campo. Pelo meio disto houve oportunidades um pouco ocas dos dois lados, e exceptuando um remate de Cordero após uma boa jogada nossa e um remate de Dufour noutra bola parada, esta felizmente a ir fora, estávamos a gerir bem o jogo. Veio o intervalo e com isso a hipótese de falar com os jogadores.

 

A 2ª parte por alguma razão começou com um jogo bastante partido, sem nenhuma das equipas a aproveitar. Era um estilo de jogo que não me ajudava de todo a escolher e gerir os jogadores, já que provavelmente teria em breve de tirar dois deles que levaram pancada na primeira parte e ficaram afectados fisicamente. Com o tempo deu para perceber que a urgência da França causava esta fragmentação de jogo e nós aprendemos a aproveitá-la, passando a ser bastante perigosos no ataque. A machadada veio ao minuto 62, em que a equipa para muito, muito bem um contra-ataque, Cordero faz a linha, larga para M.Gonzalez bem posicionado à entrada da área e este, tendo a sorte dum desvio crucial do seu remate, marca o 3-1 para nós!!!

 

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E agora, íamos continuar a exibição de gala?

 

Porque ainda faltavam 30 minutos, mais que tempo para surpresas indesejadas. A equipa continuou felizmente a exibição de gala. Numa jogada parecida (parar contra-ataque, Cordero a trabalhar na linha e a esperar por uma movimentação de M.Gonzalez), Gonzalez recebeu a bola no sítio certo e voltou a fuzilar, desta vez sem desvio, e marcámos o 4-1 aos 65’!!! Podia agora mexer um pouco mais no jogo sem imensos receios. Comecei por tirar o próprio Cordero, que esteve a jogar quase sempre tocado. Subia Quiñonero, que estava defensivamente atroz, e entrava Alejandro para dar consistência defensiva.

 

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Era agora continuar o nosso esforço na transição defensiva.

 

De seguida trocava de avançados, por razões de fadiga, e também de trincos. E ainda houve tempo para um 5-1 de Quiñonero, mas estavámos já a bater em mortos… mas fazer da França mortos é incrível e provavelmente a melhor imagem para provavelmente o nosso melhor jogo da selecção desde que assumi o comando. A França iria reduzir ainda para 5-2, mas o jogaço estava feito. Foi um grande jogo e mostrou o que acontece quando vários jogadores que estavam muito mal têm um jogo à sua medida. Já sentia falta disso, e vamos precisar desta Espanha se é para vencer a Inglaterra de Beattie, que deixou para trás a surpresa turca.

 

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Editado por Lip McBoatface

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Cap. 81: Duelo de titãs

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

14/07/2030, Camp Nou, Barcelona

 

TROVÃO, atrás de TROVÃO, e mais um TROVÃO e outro TROVÃO!

 

Olha a chuva, olha os raios, olha as nuvens, olha o embate. O tempo de Julho chuvoso dizia que estavam reunidas todas as circunstâncias mitológicas possíveis para o Duelo de titãs. Passo após passo, tudo era contado na cabeça, tudo no tempo perfeito, tudo consonante, ai de quem se atreva a ser dissonante. As notas soam briosas e rápidas, querem despachar o o momento frio da pressão e acabar a azáfama da sinfonia Allegro com brio no Andante mais simples, aquele que nos diz que está completo o trabalho, que as nuvens se afastam e dão lugar ao sol resplandescente, pronto para injectar alegria e vitamina na vida.

 

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Pelo Camp Nou ecoava gritos, excitação, nervos beeeem grandes. Espanha chegara à final, na sua casa, com os seus compatriotas nas bancadas dos estádios e no sofá da sala de estar. Agora, um adversário anglo-saxão erguia-se entre equipa e troféu. É o último adversário. É a última oportunidade.

 

A selecção de Inglaterra já tinha sofrido connosco num palco bem mais irrelevante, na meia-final da Taça das Confederações. Isto era completamente diferente. Beattie, Hulme, I.Tooth, Molloy, Chappel, Bunyard. Estrelas atrás de estrelas e acima de tudo, carrascos atrás de carrascos. Mesmo que se discuta a diferença na qualidade das equipas defrontadas entre nós os dois, eles chegaram cá, a dizimar com goleada atrás de goleada.

 

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Mallo; Fontana,P.Muñoz,J.Alonso,V.Quiñonero; P.Benavides,J.Quesada,M.Gonzalez; J.Capdevilla,G.Prieto,E.Cordero

 

Desta vez, equipa que ganha não mexe… excepto no lado esquerdo. Prats está longe de recuperar a tempo, Diabakaté ganhou a minha confiança mas nesta final a experiência de Fontana conta muito. Mas os nervos são desta vez maiores e estão lá. Qualquer erro dá o knock out. E que difícil é mentalizar os jogadores. Convidei Clarence para me ajudar em algo que todos acharam irreal ao início, mas eles alinharam. Virei Zen Master. Umas velas de incenso ali, uma chaminé não marijuanada no balneário, tudo de pernas cruzadas, olhos fechados, olhos no prémio.

 

- Pessoal, este é o Clarence. – ele acenou arrogante e toda a gente no balneário começou murmurar. “Ele está a falar a brincar com a nossa cara?!” – Pessoal, confiem em mim! O Clarence é um filho da p*ta. Conheço-o praticamente desde sempre e sempre foi um filho da p*ta… vá, quase sempre. Ele menospreza, larga escárnio e desprazer. Constantemente ele diz-me que não sou capaz. Diz as piores coisas sobre mim, tenta-me fazer aceitar que devia ter levado outra vida, que não estou em contacto com o que me torna autêntico. Sou um vendido, diz ele. A família sofre comigo, diz ele. Sou escravo do líquido escocês, diz ele. Mas eu ouço, opino para mim e sigo em frente. Aceito as poucas verdades que ele diz, rejeito as mentiras e sigo em frente. Aceito a vida que tenho, aceito o meu novo papel no Mundo. Estou aqui para vos fazer melhor, estou aqui para vencer. Perder é inaceitável!

 

As caras ficam mais sérias à minha volta. Já tenho os ouvidos de todos na sala. A música passa pelo ar fumado do espaço circundante. É a sinfonia 5 de Beethoven. O que ele passou quando perdeu a audição, quando se apercebeu que o seu corpo estava fora do seu controlo, quando se apercebeu que não controla o inevitável. Eu sinto o mesmo, Ludwig. Cada dia traz mais peso nos ombros e algo se perde nos confins do meu ser. E dói.

 

Continuei após longa pausa.

 

- Todos vocês têm um Clarence dentro de vocês. Um monstro dos países baixos, pronto para vos diminuir com cada dúvida que têm, cada hesitação que transpiram, cada ânsia que vos eretrai. Ele alimenta-se disso e de tão mais. Hoje não o vão ouvir. Hoje o vosso companheiro não é o vosso detractor. Ele é a pessoa real ao vosso lado, sentada nesta sala, a perguntar ainda a si própria que crl estou a fazer. Somos todos um, por hoje. Hoje existe uníssono, notas tocada uma a uma, no tempo e timbre perfeito. Não hesitem, não se deixem controlar. Hoje os inimigos são os bretões. Hoje a bandeira é aquele troféu lindo, que nos dá orgasmos. Uma final só interessa se for para ganhar. Elevem-se e terão o vosso nome marcado na história. Sejam um. Pessoal, é hora de ir buscar o orgasmo!

 

E naquele momento, entre moléculas de violinos e gás, saiu uma equipa e não um grupo de jogadores. Agora era ver se tudo o que tínhamos feito foi por nada. A Final do Mundial começou. O apito soa, a bola rola.

 

Era para ter de ser assim desde o início do jogo. Assim como? Como homenzinhos, sem medo de atacar numa final, sem medo de ir dizimar. Sem medo das consequências. Sem m*rda. Modo guerreiro. Entrámos com tudo, a equipa no início assumiu esta mentalidade. Ninguém entrou muito forte no jogo, infelizmente, mas ao menos foram só em 9 minutos de jogo. A Espanha ganhou alguma confiança, começou a construir jogo de forma decente e bastou isso para nos dar o canto aos 10’ em que Muñoz, mais alto que todos, cabeceia para dentro da baliza! 1-0 e a Inglaterra sentia o aperto bem cedo.

 

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O 1-0 não chega. Teríamos de ver qual seria a resposta, mas retrancar não era opção.

 

A selecção até respondeu bem. Não deixou a Inglaterra tomar conta do jogo e continuou o máximo possível estacionada na frente. Prieto até teve uma boa oportunidade pelos 15’ mas não conseguiu ameaçar a baliza como deve ser. A Inglaterra foi ao pouco ganhando jardas em campo, mas sem atacar com grande perigo.

 

A estratégia por agora estava a funcionar. Capdevilla, o extremo esquerdo, tem estado na fase defensiva em cima do extremo direito deles e o motor da equipa, Hulme. O que ganhámos em termos defensivos compensava o que perdíamos no capítulo defensivo. Além disso, estávamos por causa disso a forçar o jogo pelo nosso lado direito do campo. Era provavelmente uma das melhores hipóteses que tínhamos para vencer, eliminar o jogador deles por onde passa todo o ataque. Com o double team de Capdevilla e Fontana, via-se constantemente Hulme a ter de vir demasiado atrás.

 

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Ou a equipa da Inglaterra desesperada a querer meter a bola nele, forçados a atacar com o resto da equipa.

 

Infelizmente, a nova estratégia da Inglaterra foi dar pau a todos, e a primeira vítima foi o nosso criativo, M.Gonzalez. Teve de sair, entrando I.Rodriguez, aos 29’. E até ao intervalo, ninguém conseguiu ser relevante. Prefiro que tenhamos algum domínio no jogo, mas como não vi a equipa a jogar mal, fiquei com esperanças de podermos voltar a esse ritmo para a 2ª parte.

 

Mas não. No crl da primeira jogada do 2º tempo, Bunyard arrasta Fontana e Muñoz para o flanco direito, Capdevilla não acompanha Hulme e fica demasiado fácil ele marcar logo na primeira intervenção boa que arranja. 1-1. Muñoz não devia ter ido atrás, Capdevilla devia ter vindo atrás, ou então I.Rodriguez substituir na cobertura, o que faz mais sentido, mas que ficou a ver jogar. Era o meu medo em meter um jogador tão velho para este jogo, e confirmou-se.

 

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E agora tínhamos nós de fazer alguma coisa de jeito. Era evitável esta situação.

 

20 minutos depois e era a minha desgraça, por mais alterações minuciosas que fizesse. O meio campo era todo da Inglaterra. E de repente desaprendemos a atacar, como se não bastasse. Com o meio-campo passivo a 100% (grande culpa a da lesão de Gonzalez) e com I.Rodriguez sem contribuir de todo, tive de trazer outro para ao menos tentar segurar o meio-campo, e assim foi, aos 72’. Além disso, troquei os jogadores no meio campo de papéis, a ver se a coisa espevitava.

 

E resultou. A equipa da Inglaterra não saía mais pelo meio campo, chegávamos até a conseguir fazer bem a pressão alta e tentámos aproveitar os erros. O maior foi aos 85’, que Cordero, também alvo cedo da sarrafeirice e desde aí a não produzir muito, lentamente a ganhar espaço e a cruzar para Benavides, agora o criador e muito bem, que cabeceia mas a bola vai à barra!!!

 

Mas acabou o tempo regulamentar empatado e tínhamos de ir a prolongamento. Já cansa tantas vezes termos de ir a prolongamento decidir o jogo, quando é desaproveitado tanto nos 90 minutos de jogo.

 

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Tinha agora só mais uma substituição, para uma equipa toda fatigada.

 

Queria esperar mas no fim acabei de tirar um jogador que estava a fazer um jogão defensivamente, Capdevilla, para refrescar essa função e talvez, em função do cansaço dos restantes, tivesse disponibilidade para explorar o flanco esquerdo. Era ele Prats, mesmo ainda por recuperar. Sinceramente, não foi uma boa aposta. Não melhorámos, aliás, a Inglaterra continuou a ser mais perigosa, e ofensivamente estávamos a precisar de fogo.

 

Mas foi já na 2ª parte do prolongamento, mesmo a começar, que recuperamos no meio campo a bola, lançamos para Cordero, este cruza desesperado e fatigado e um central da Inglaterra faz um cabeceamento ridículo para o lado, onde estava Prats, sozinho, que cabeceia em mergulho para o 2-1!!!!!!! O estádio caía a nossos pés, num pandemónio de gritaria. Camp Nou era um microcosmo de adrenalina.

 

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A partir do herói improvável, demos um grande passo em direcção a uma vitória.

 

Mas o sufoco deveria estar para vir, e com o cansaço visível dos jogadores exigia-se uma postura mais conservativa, pelo menos até vermos onde a situação daria. Mas não durou. 6 minutos depois, 111’ de jogo, o contra-ataque da Inglaterra, connosco sem pernas para seguir, bastou para acontecer o empate.

 

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Tanta coisa para nada.

 

E com um jogo partido e nada a acontecer, ficou tudo para os penaltis, para grande desespero meu e de todos no estádio. Andámos a deixar acontecer golos completamente evitáveis, e o karma ditava que o Mundial não vinha para nós hoje. Apesar disso, tinha que se acreditar…

 

Começava Prieto na marca da grande penalidade… arranca e…. petardo para GOLOOOOO!!!! 1-0

 

Seguia-se Hulme, a estrela da companhia… escolhe o lado e… DEFENDE MALLO!!!!!! 1-0

 

Próximo pela Espanha: Cordero. Lança e… GOOOLLOOO!!!! Por pouco… 2-0

 

Depois veio Bunyard. Bola no ponto, balanço e… DEFENDE MALLO!!!! Que remate horrível e 2-0 para nós!

 

3º na calha, o veterano I.Rodriguez. De pé direito e… GOLOOOOOO!!! Outra vez perto de defender o GR mas está 3-0!!!

 

Sem possível margem para erro vinha Gavin Warren. O Camp Nou inteiro fazia pressão… golo. 3-1.

 

 

E agora “bastava” marcar para garantir a vitória. Prats, pelo 2-1 e por este golo final, podia tornar-se a lenda deste Mundial… arranca, hesitante e…………..

 

NO POSTE!!!!!

 

Como é possível ter este azar?! O FM quer que eu morra de AVC?!

 

 

A pressão passava para Chappell. De pé direito dirige-se à bola e…………

 

Golo. Aliás, golaço.

 

 

Será que és tu, Julian Grande? O teu nome diz tudo. Desperdiçar esta vantagem era inédito e mau de mais, mas já não sei em que pensar…. Aí vai ele……………….

 

NO POSTE!!!!!!

 

Opá, não tenho palavras para isto…

 

 

E o que dizer? Sinceramente, isto merecia pelo menos uma morte súbita. Se ganharmos com eles a falharem este penalti, só festejo se for defesa de Mallo. Vai lá I.Tooh. É….

 

DEFESA DE MALLO!!!!

 

Mallo defende, a bola ainda bate no poste e como os dois últimos penaltis nossos ressalta para fora!!! E o Mundial é da Espanha! Mallo, és o nosso herói.

 

 

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Guest Lotterer.

Pelas estatisticas foste inferior a Inglaterra de qualquer maneira poderias nem ter ido a penaltis. E agora vais tentar ganhar a CAN?

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Resumindo - eles dão pau, tu borraste-te todo para ir a penaltis e, com uma caga do crl, conquistas o caneco. :mrgreen:

 

Mais a sério - nem todos os jogos são perfeitos. A partir do momento em que te f*dem o criativo, o meio campo fica sem capacidade de "resposta" para tal, e é normal que uma selecção como a inglesa aproveite essa brecha para dominar. Mas, mais do que no ataque, temos de dar o mérito à tua defesa - não é fácil aguentar a carga dos ingleses!

 

Por último - disseste que sofreste um contra-ataque que permitiu o empate "final" à Inglaterra aos 111. Disseste também que os teus jogadores não tinham pernas para seguir os atletas ingleses. Não sabias mandar um berro à Sá Pinto lá para dentro - "É COM O CORAÇÃO, crl???". Assim não sofrias e evitavas ir a penalties :mrgreen:

 

P.S.: De reparar que no post todo escrevi "penaltis" e "penalties". Ainda hoje não sei como se escreve. Vou passar a seguir com o "pontapé da marca de grande penalidade".

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Pelas estatisticas foste inferior a Inglaterra de qualquer maneira poderias nem ter ido a penaltis. E agora vais tentar ganhar a CAN?

 

Fui inferior mas a nível de verdadeiras oportunidades, fora no prolongamento onde esse nº inflacionou, estivemos igual. CAN? Nada disso.

 

Resumindo - eles dão pau, tu borraste-te todo para ir a penaltis e, com uma caga do crl, conquistas o caneco. :mrgreen:

 

Mais a sério - nem todos os jogos são perfeitos. A partir do momento em que te f*dem o criativo, o meio campo fica sem capacidade de "resposta" para tal, e é normal que uma selecção como a inglesa aproveite essa brecha para dominar. Mas, mais do que no ataque, temos de dar o mérito à tua defesa - não é fácil aguentar a carga dos ingleses!

 

Por último - disseste que sofreste um contra-ataque que permitiu o empate "final" à Inglaterra aos 111. Disseste também que os teus jogadores não tinham pernas para seguir os atletas ingleses. Não sabias mandar um berro à Sá Pinto lá para dentro - "É COM O CORAÇÃO, crl???". Assim não sofrias e evitavas ir a penalties :mrgreen:

 

P.S.: De reparar que no post todo escrevi "penaltis" e "penalties". Ainda hoje não sei como se escreve. Vou passar a seguir com o "pontapé da marca de grande penalidade".

 

Opá estava quase a fazer ovos com omeletes ali a meio do jogo. Acho que defensivamente a equipa só não esteve bem porque cometeu erros, e a Inglaterra aproveitou-os. Daí a frustração, porque planeei bem o jogo.

 

Acredita que gritei várias coisas para mudar o rumo dos acontecimentos, mas eles são surdos :mrgreen:

 

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Seleccionador Inglês elogia Rodrigues: ”He’s just too good”

Espanha vence o Mundial 8 anos depois graças ao treinador português

 

15/07/2030

 

A Espanha roubou a hipótese de uma revalidação do título à Inglaterra, numa fina repleta de emoções que culminaram na decisão por grandes penalidades. Aí, foi Cesar Mallo o herói. Durante o torneio, foi Rodrigues o maestro da orquestra espanhola.

 

Num jogo que se provou bastante frustrante para o treinador Espanhol e que o deixou em conferência de imprensa rouco, o treinador não se conseguiu coibir de criticar a exibição da equipa mesmo após conquistar o título mais importante do desporto-rei, avisando que a equipa “quase perdeu um título por culpa própria” e continuou mandando-se ao seleccionador inglês, avisando que “com aquela tática estiveram sempre em desvantagem”.

 

Quanto ao seu futuro, o recém vitorioso afirmou para “me deixarem em paz, vou de férias, logo se vê.”. Com a conquista de todas as competições possíveis na Europa e Mundo, e com um currículo completo no futebol espanhol, ficamos na dúvida. Será que Rodrigues continua para criar a nova geração do Celta de Vigo, ou vai procurar lugares como Inglaterra ou Alemanha?

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Cap. 82: O anúncio

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

 

Lembrar Cap 4:Uma paixão redescoberta!

 

A luz não é sempre a mesma, mas há sempre de reflectir a necessidade de acordar, de desejar um dia bom à abelha trabalhadora que sou eu, que vós sois todos.

 

- f*dasse, que pensamentos tão poéticos, vais escrever um livro?

 

Sempre a mesma coisa com este gajo.

 

- Olha lá, agora até quando acordo me chateias?

- Tem de ser, João. Hoje é um dia lendário, lembras-te? Ou o Chivas Regal, Jameson, o que queiras chamar, não te deixa?

- Não é razão para me chateares a cabeça a esta hora.

- São 9 horas.

- Estou atrasado!

 

Tinha pensado em sacar da garagem o velho barco de remos, mas agora não há tempo.

 

- Como se fosses alguma vez fazer isso.

- Cala-te

- Mister, estás a falar com quem?
– Suparman, és o meu salvador.

- Com ele
– ui, desapareceu o Clarence –
opá, esquece. Vamos lá.

 

A sala de imprensa de Balaídos abarrotava. Era a selva. Centenas de câmeras e gravadores, dezenas de blocos de notas dançavam pela sala , competindo pelo melhor lugar para ver e ouvir um bêbado dizer adeus ao seu sustento sem ainda o saberem, mas suspeitarem o suficiente. Era o fim de uma lenda, diriam eles na página da frente. Regurgitariam bondades e louvores sem sequer limpar o sémen que pelo chão se iria acumulando. É ele a “epítome da excelência, aquele homem”, como se sozinho tivesse alcançado troféu atrás de troféu, como se o resto do pessoal que se esvaiu quase em sangue por mim tivesse observado do seu sofá as glórias dum português “chanfrado”, “violento com os jogadores”, “instável”, “alvo de chacota”, como antes se referiam a mim, até à próxima conquista os relembrar que era Deus na terra. Podia-me alongar, mas para quê? Quem se atreve a ler a barbaridades aqui lançadas?

 

- João, está tudo pronto.

- Ok. Suparman, fica por aqui.

 

Na mesma mesa, ou pódio, da sala juntavam-se a mim Supar, o presidente, Gontzal e o presidente da Federação Espanhola. Estava tudo pronto para me ouvir.

 

- Adeus.

 

Um minuto passou, a confusão instalava-se. Dentro de mim o minuto foi mínimo. Pensava em tudo o que antecedera este momento, triste nostalgia.

 

- Muito obrigado a toda a gente que fez de mim o treinador e pessoa que fui, vocês sabem quem são. Não me arrependo de nada.

 

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Neste caso reparem que por causa dos problemas no PC que me obrigaram a migrar o save para outro PC, tudo o que fiz antes do Celta não aparece no Hall Of Fame por alguma razão. Acredito que estaria no mínimo em 3º atrás do Fergie e Mourinho.

 

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Levantei-me e despedi-me dos membros do pódio. Não me interessa dar comida ao público. Irei celebrar em privado, perante o ódio de quem não faz parte da minha vida, mas conhece-me melhor que eu próprio. Voltava agora para Luíza a seguir… e claro, para o mesmo de sempre.

 

- Então João, que m*rda foi aquela? De repente não te apetece vangloriar?

- Cala-te

- Não me ca…

- CALA-TE CLARENCE! CHEGA! Sais de casa hoje! Anos a fio a ser amigo, a sustentar-te, para andares a constantemente deitar-me abaixo. Sai, já!

- João, estás a cometer um erro.

- Sai, agora.

 

Luíza descia a escadas com passos curiosos.

 

- João, com quem estás a falar? Não está aqui ninguém.

- Quem é que achas? O Clarence.

- Hã? O do Vietname?... Ok… vou fazer alguma coisa para jantar.

 

Porque é que ela se estava a rir?

 

- Provavelmente acha que estás a bater mal.

- Ainda estás aqui? Vai-te embora Clarence.

- Eu estou sempre aqui João… Sempre.

 

Luíza interrompia novamente a conversa, novamente com o olhar de estranheza e indefinição.

 

- João, o Suparman está a telefonar, diz que é urgente.

- Ok.

 

Atendia o telefone e sentia que algo estava mal. Sentia-o.

 

- João, houve um acidente na estrada bastante feio hoje à tarde, ninguém sobreviveu… Um dos carros era o de Gontzal.

- Não… não…

- João, ele não sobreviveu.
Editado por Lip McBoatface

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Cap. 83: No primeiro dia, ele morreu

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

Whiskey de manhã, whiskey de noite. Whiskey de manhã, whiskey de noite. Cabeça num caco. Se lá fora se ouvem gritos de crianças na exustão do seu esforço físico e excitação, se ressoam bolas na parede, cá dentro o que ouço são as goladas do líquido laranja, uma a uma, que falham no objectivo claro. Porque não me acalmas o coração desta dor, porque não me distrais da realidade?

 

- Acorda crl, é hora de ir ao funeral do basco!

- Tá caladinho Clarence, ou rebento-te os miolos.

- Espero que consigas perceber a incoerência de tal acção...

- Não vou.

- Como assim, “não vou”?

 

Ouviste-me bem, não vou. O meu cérebro diz para me dirigir ao estádio... vou buscar as minhas coisas. Ia buscar ontem, antes do churrasco típico, mas por razões óbvias foi cancelado... Passo pelo gabinete de Gontzal. Eras um homem, um professor. Tantas palavras trocadas entre nós, para agora seres privado de vida, de espírito, de funcionamento. Por que razão iria ter com o teu corpo defunto, sabendo que lá já não resta nada dum homem que admiro mas que agora não quer ser encontrado? Digam-me que há uma maneira.

 

Que as pessoas me odeiem por tal acto desumano. Vai prestar a tua homenagem, dizem eles. Sê um homem, dizem eles. Algum respeito, dizem eles. Mas não me dão uma solução… e tenho de ir para uma sala com o teu resto, e chorar desalmado? De que serve, que mudança me traz, que diferença te faz. Não te irei trazer de volta. O significado mantém-se escondido e recusa-se a alguma vez mostrar.

 

Vou voltar ao meu Whiskey e ao holandês, se me desculpam. Fiquem com o vosso funeralzinho, ganhem raiva. Eu estarei a tentar falar com ele, porque quero ouvir mais palavra. Recuso-me a dizer adeus. Isso quer dizer que tudo isto é real.

 

Mas haverei de chorar, porque sou fraco e não me aguento. Haverei de pensar sobre a morte e ter medo, porque a resposta não aparece. A minha vida é inconsequente, é pequena.

 

 

"Deus chamou à luz dia, e às trevas chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.” Génesis 1:5

Editado por Lip Zola

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Cap. 84: No segundo dia, Ele reflectiu

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

Gontzal, diz-me que há uma maneira. Não pode ser. Nada se destrói, tudo se transforma. Quem és agora? Que és agora? Por onde andas agora? Tem de haver uma maneira. É tudo demasiado… inconclusivo.

 

O que acontece depois de… isso? O que sucede ao espírito? E o que é o espírito? Será que se mantém inteiro, permitindo fugir para outro ser vivo, outro universo? Ou vamos mesmo lá para o firmamento do Céu e deus janta connosco, conta-nos a novidade do seu dia, obrigando a ouvir-nos falar das pestes que nós sempre fomos para ele. Sempre nos achámos especiais. Somos nem sequer uma migalha nanoscópica no que chamamos Universo e no entanto temos de ser alvo da atenção.

 

É irónico, não é? Lutei por uma vida diferente dos restantes, por ser especial, por viver ao máximo e chamar a todos os outros de idiotas, só para depois sucumbir à lei da normalidade e tentar ser imortal para todos os livros do passado. Continuei sempre indefinido, sempre indeciso…

 

Ironicamente, continua parado. Por entre brisa, ondas, azáfama, continua-se sem novidade, sem… movimento. Estas pessoas seguem, como rebanho conformado, as ordens da tripulação chamada sociedade, e pelo meio não nos conseguimos meter. Não nos conseguimos romper das cordas que seguram o mesmo de sempre.

 

- Ok, e isso quer dizer o quê, João?

- O sentido de estar cá, para mim, é este.

- Já o foi, queres tu dizer.

- Sim, Clarence, já o foi. Agora deixa-me dar uma passa.

 

Era esse o meu sentido. Tentar ser diferente, tentar ser estranho, e no entanto as rédeas de certos aspectos da educação e da vivência ao longo dos anos moldaram-me nesta plasticina que ironicamente se sente rígida como barro. Como se foge disto?

 

- É um dilema do car*lhinho, sem dúvida. E agora, que bosta vais meter no teu bloco de notas?

- Pronto, tomá lá o cenas de volta, fuma à vontade. Deixa-me sozinho por uns momentos.

 

Aparece um dilema. Como te percebo, escritor defunto, quando levas a vida de solidão e depressão. Tudo serve para buscar a tua Musa, que navega em rios mais sombrios do que toda a História quer fazer pensar. Quando a tua vida é entre a sociedade corrompida, lobotomizada, onde está agora a tua inspiração? Eu percebo. São agora os problemas do chamado quotidiano que ocupam tempo de antena, e agora as questões existenciais são apenas breves espaços para onde o álcool e o ópio te levam.

 

E por isto tentas ter tudo, escritor. A vida de comunhão e o elixir da actividade. Mal sabes tu como te tornaste disfuncional, uma besta sem travão, até ao dia em que o travão encrava e lá vais tu, navegando o mesmo rio da Musa, rumo ao portão do inferno onde passarás eternidades. Parece que as escolhas são limitadas… mas há mais? És tu o iluminado que me diz ser aquele com a mente iluminada? Ilumina-me, por favor.

 

- João, é assim tão assustador para ti esse vazio cinzento da Morte? Só porque desconheces, assumes que é pior. És igual a todos os tapadinhos religiosos e racistas que andam por aí.

- Porque haverá de ser melhor a ausência de consciência, Clarence?

- Quem te diz que isso é o que acontece? Se ninguém sabe nada sobre a questão do espírito, daquele interior que temos e que apareceu e que o cérebro é apenas motor e armazenamento… quem te diz que se o desligares, a sua liberdade não te levará a prados mais verdes?

- Não sei Clarence, só quero o Gontzal de volta. Só quero pensar sobre o fim da vida e não acabar a chorar, com medo e ansiedade.

- Abstrai-te. Se isso não é para ti suficiente, tens uma boa solução.

- Que é?

- Aventura-te, como antes. Parte ao descobrimento. Se as tuas viagens sempre te deram clarividência sobre o ser, parte na viagem mais esclarecedora de todas e descobre os novos horizontes do teu ser.

- Como?

- Abre a porta que te dá ânsia em abrir e espreita. Põe fim à tua vida.

 

 

“Ao firmamento Deus chamou céu. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o segundo dia.” Génesis 1:8

Editado por Lip Zola

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Cap. 85: No terceiro dia, Ele viajou

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

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(clicar para ver mapa)

 

Pela janela do carro, observava Lamego. Alto, montanhoso, religioso, militar, por entre uvas e escadas naturais de vinhas banhadas por Douro, a viagem, talvez a última começou por aqui. Com a companhia holandesa de sempre, decidira visitar quem fazia falta no coração.

 

- Olha quem é, o senhor famoso! Como estás, carago? Ainda não morreste numa valeta, ainda bem.

- Sr.Aurélio, nem com a botija de oxigénio deixa de ser uma besta.

 

A idade pesava, e como pesava, na face e no corpo do camionista, agora reservado ao lar que o acolhia e o preparava lenta, lentamente para o leito da além vida. Foste tu que me deste os primeiros passos para o novo eu. O eu que eu esqueci, o eu que modificou, o eu que se esqueceu. Como era possível na altura ter tanta esperança, tantos sonhos, tantas perguntas? Adeus Sr.Aurélio.

 

Ser jovem, que bonito.

 

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Pela janela do monocarril, observava Osaka. Ainda o tecnoJapão dos anos 10, ainda os olhos em bico, ainda o verde e o vidro, entrelaçados numa dança que ninguém conhecia o seu fim. Com a companhia holandesa de sempre, decidira visitar quem fazia falta no coração.

 

- Olá Goiko… já sabes sobre o Gontzal, certo?

- Infelizmente João, infelizmente…

 

A idade pesava já um bocadinho na face do meu antigo adjunto, do meu mentor junto com Gontzal. Um no céu, outro em Osaka, o lugar que lhe apresentei e nunca mais se esqueceu de voltar, desta vez para sempre. Foste tu que me deste os primeiros passos para o megalómano eu, o treinador invencível. Mas será que o devias ter feito? O eu que desistiu de viver a vida, passando a viver o legado. E como o legado pesa, mesmo que o tenha atingido. O eu que pensou que tudo junto era possível. O melhor de dois mundos. Como era possível na altura ser tão aluado, ser tão fácil?

 

Eu bem tentei, de novo. Tocar nas ruas de Osaka, como toquei nas ruas da Europa. Sentir o vibrar das cordas soltar a minha dor. Sentir o calor das pessoas, independentemente das suas acções. Sentir a hipocrisia do mundo, para sempre a calar o som das minhas notas. Eu bem tentei, de novo, fazer magia e surpreender a mente inocente, feliz e iluminada da infância. Como era possível na altura tudo ser tão palpável, tão majestoso, tão artístico? Nunca terei isto de volta. Adeus Goiko.

 

Ser sedento, que armadilha.

 

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Pela janela do avião observava Medan. O eixo do contraste, girando de mundo pobre para mundo rico, transmitindo força pura de poluição e destruição, no meio de modernidades do costume. Com a companhia holandesa de sempre, decidira visitar quem fazia falta no coração.

 

- Bem vindo a casa, João.

- Supar, Carlitos, não acredito que fizeram isto!

 

A minha antiga casa de Medan onde criei Supar, renovada, igualzinha a quando a deixei, para viver nela durante a minha reforma. O barco de remos, um novo, para velejar pelo rio, rumo à vida rotineira. Mas a companhia holandesa de sempre gosmava de imediato.

 

- Meu, tu sabes muito bem que não vais usar isto. Eu diria até que não o mereces, pela maneira como falas desta cidade suja.

 

A idade ainda não pesava assim tanto ao jovem veterano Suparman, que passava as férias com o seu pai Carlos. Foste tu que me deste os primeiros passos para o responsável eu. O eu que me deu força para atingir qualquer coisa, o eu para descobrir uma nova vertente da vida, o eu que ajuda os outros. Como era possível na altura ser capaz, ser modelo? Adeus Supar.

 

Ser aprendiz, que estimulante.

 

______________________________________________________________________________________________________________________________

 

Pela janela dos meus olhos observava o estádio “Gelora “O Indeciso” Rodrigues”. Aspecto de circo, ainda com o exército Ronggo Sukowati em peso. Fazia-me chorar de felicidade e de orgulho. Com a companhia holandesa de sempre, decidira visitar quem fazia falta no coração.

 

- Vês Clarence? As pessoas dão-me valor, ao contrário de ti.

- Eu dou-te valor. Ao teu antigo eu. A este eu. Àquele que celebrava a vida, que não mergulhava no álcool, na tristeza, na fome desmedida do sucesso. Àquele que não tornou o futebol a sua p*ta.

 

Foi para isto que fizeste tudo? Para chegares a um momento em que a vida já de pouco tem sentido, nem adrenalina. Para andares com um holandês às costas a rebaixar-te. Para te questionares sobre se alguém se interessa pelo teu ego, se alguém se dispõe a amar-te? Foste tu que me deste os primeiros passos para o desfeito eu. O eu que chora. O eu que pausa a vida para o dia seguinte. O eu mais indeciso do que alguma vez o fora. Como era possível ter tanta felicidade, como posso voltar atrás e reviver tudo?

 

Quero sentir ao chegar, a vontade de partir, para outro lugar. Adeus Indonésia.

 

Ser ingénuo, que benesse.

 

______________________________________________________________________________________________________________________________

 

Pela janela do jipe observava Accra. Cidade de ouro, cidade de pretos, panteão de África. Tanta injustiça na terra lavrada, tanta felicidade no sorriso das pessoas. Com a companhia holandesa de sempre, decidira visitar quem fazia falta no coração.

 

- João… o que fazes aqui?!

- Tenho saudades tuas. Já o esqueci, o que fizeste. Deixaste-me despedaçado, mas só preciso de algo para reparar a minha dor.

- O quê?

- O que achas?

 

Beijei-te, Grace, porque o quero. A idade, essa passou-te ao lado. Continuas a ser a verdadeira africana, continuas igual, mesmo depois destes anos. E eu sempre pensei em ti. Aquilo que me foi negado, até agora. Aquilo que persegui, mais que os títulos e a fama. Fiz isso para ter a tua atenção. Fiz isso para seres minha, mais uma noite. Só preciso de mais uma noite. Foste tu que me deste os primeiros passo para o romântico eu. O eu que se abre, o eu que sonha contigo, o eu mais belo. Como era possível sentir-me tão forte, tão sortudo? Adeus Grace.

 

Ser apaixonado, que saudades.

 

 

“A terra fez brotar a vegetação: (…) Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o terceiro dia.” Génesis 1:12, 1:13

Editado por Lip McBoatface

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Cap. 86: No quarto dia, Ele foi perseguido

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

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(clicar para ver mapa)

 

Lembrar:

A morte espera-me.

Corrida contra o tempo.

 

 

Em corrida frenética eu fujo. Salto a salto, escapo do medo, mas ele repete, feito frase infindável, a cada arrastão de consciência. O que faço de volta a este país de m*rda? Ajudem-me.

 

Cada passo sabe a dor, euforia arrepiante por entre 3 homens de vulto negro. Um com o pulmão aberto, buraco de bala de canhão. Um com olho à belenenses, negro como o seu vulto. Outro com o taco à vista, a milímetros de desferir o seu golpe fatal na minha nuca. São vozes no meu ouvido, zumbidos incalculáveis no teor do seu conteúdo. E no entanto, eu corro. É tudo confuso, não há tempo para pensar. Continua a debitar porcaria pelo teu cérebro, ele será papa à mão do revólver que o primeiro segura.

 

É um tiro, é mais um tiro. Morrem todos à minha frente, em câmara lenta, jorrar sangue um após o outro. Eles não conseguem fugir. E sempre que me afasto, tiro os olhos e volto a olhar, eles estão lá outra vez. E já é a quinta vez que volto a este lugar. O que faço de volta a este país de m*rda? Ajudem-me, porque é que ninguém me ajuda? Eles estão a chegar. Deixem-me fugir, rogo, imploro. Deixem-me em paz. Em corrida frenética eu fujo porcaria pelo teu cérebro, eles riem-se todos um a um a imagem é tão real isto não é mentira. Teor do seu conteúdo, não há tempo para pensar o que faço de volta a este país de m*rda

 

São risos atrás de risos e eles sabem que não posso escapar. Aceita o inevitável João. Hoje não tens dizer no destino. Hoje, A TUA MORTE É CERTA време за работа!!!

.

- Acorda otário.

 

Foi tudo um sonho, Clarence?

 

- Sim, foi. Estavas a sonhar com quê? Ah, não me digas, a Bulgária. Bons tempos.

 

Foi tudo um sonho?

 

- Foi, disco riscado. Está tudo em ordem, estamos só aqui a morrer de frio neste pico Tibetano… porque tu bates mal da cabeça.

 

É verdade, está frio aqui. Como é que nós estamos aqui vestidos como se fosse verão? Como chegámos aqui? Porque é que a minha cabeça só tem perguntas, e não respostas. Acima de tudo, porque é que o Clarence está sentado ali? A montanha acaba aqui, não percebo, ele não está sentado em lado nenhum. p*ta que pariu, o que se passa aqui?!

 

- Calma jovem.

- Pera, eu falei alto?

- Não, só desta vez João. Eu pensava que já te tinhas apercebido…

- De quê?

- Que eu so tu, somos os dois o mesmo. Vá, tu és real, eu sou fabrico da tua imaginação, esse tipo de coisas. Não te lembras do Fight Club? É tipo isso.

 

Ele esqueceu-se da regra nº1 do Fight Club.

 

- Ups… desculpa lá. Não queres parar de desconversar e perceber a total avalanche que é o teu cérebro, João? É estranho não é? Eu sou tão real para nós. E no fundo tu já sabias, mas sempre quiseste negar. Sempre que a nossa cabecinha vinha questionar, era meter a questão para o lado. Sabia bem… mas acho que é hora de atinares. O que queres realmente fazer João? Nesta paisagem tão preponente, não tens melhor lugar que este para te decidires. É que a conformidade não é propriamente como se deve viver a vida… principalmente para quem imagina o que tu imaginas.

 

Bem… então sento-me aqui, em escarpas íngremes, adornadas de chapéus de branca neve, pico após pico, que o vento é especialmente barulhento, pela intensidade, pela falta de mais para fazer vibração sonora, talvez seja altura de parar de me iludir. Talvez seja egoísta, mas sinto-me um pouco mais calmo agora que aqui me sento sozinho, verdadeiramente sozinho, após dias de trabalho árduo para chegar a um topo qualquer que aos poucos me lembro de chegar. Não há barulho de sociedade, queixas de uns, risos de outros. Havia só eu e tu Clarence, a dupla imbatível entre um drogado e um bêbado.

 

Eu nem sei, talvez seja mau que assim o seja, porque penso muito e os meus pensamentos são barulhos de todo o lado, convergindo num gritante, forte suspiro de tristeza, de loucura. E eu não aguento ouvir isto tudo, senão o Clarence não era real. Tu saíste-me uma peça, um escape para os meus devaneios só para me atacar com os factos da vida que me tornaram obcecado e esmagado. Belo mecanismo de defesa.

 

Sempre adorámos todo este tempo de antena à volta do meu cérebro… É pena Clarence, eras o amigo mais real que tinha. Com todos os outros actores secundários da minha vida sempre duvidei das suas verdadeiras intenções, mas decidi ignorar, para o bem da minha cabeça. Contigo, não. Contigo sabia que a bestialidade vinha toda do nosso coração negro e pedrado, o coração que sempre quis enterrado. És reflexo da perfeição, da excelência. Quanto a mim, sou o espelho da inevitável conclusão: não funciono… pelo menos nesta realidade.

 

Já nem consigo escrever como deve ser… nem quando se faz luz, as trevas me dão descanso. Desisto.

 

 

“Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. (…) Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quarto dia.” Génesis 1:14, 1:19

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Cap. 87: No quinto dia, Ele foi descoberto

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

Água no bule, ervas no bule. A mistura começava, num processo de transferência que culminava num chá quentinho da tarde, com vista para os pássaros no quintal. A vida pode não me ser feliz, mas certamente é tranquila. O Gonçalo está tranquilo a dormir, finalmente. Demorei um bom tempo para aquele menino ir dormir. Mas o João, onde está? Já não o vejo há vários dias, e nem se dignou a dizer nada. Reformou-se para ficar mais perto da família e desaparece… enfim.

 

O papel que encontrei deixa-me nervosa. São os dígitos dum número que tinha medo de saber a quem pertenciam… mas é melhor que não saber e moer o juízo ad eternum. Vá Luíza, liga.

 

- Então João, tudo bem? Já vem com atraso a chamada. – a voz masculina acalmava-me, admito.

- Boa tarde, daqui fala a esposa do João, ele tinha este nº perdido num fato. Posso perguntar quem fala?

- Claro, claro. Dr. Bautxe do departamento de psicologia do Celta.

 

Um psicólogo?! Aquele homem nem tem a coragem de falar dos nossos problemas comigo?

 

- Por acaso não teve contacto com o João recentemente? Ele desapareceu há uns dias. Pode ser mais uma viagem mas estou preocupada.

- Não… aiai. Luíza, certo? Preciso que venha ter comigo. É importante.

 

E é assim que saio a correr de casa. Olhar denso, cabeça às rodas, modo alerta… porque me fazes isto João? Porque me fazes passar por estas coisas?

 

- Obrigado por vir tão depressa, Luíza.

- Tendo em conta o que me disse ao telemóvel e a sua voz não tive grande opção! O que se passa?

- Bem Luíza, eu não posso, devido à confidencialidade entre cliente que tenho com o mister, falar consigo sobre o tratamento do João… mas estou numa situação em que é possível falar consigo, porque temo o pior.

- Espere aí, que tratamento?

 

- O João há coisa de um ano chegou cá e pediu uma consulta. Ele vinha falar apenas sobre estar a sentir que alguma falta de motivação lhe faltava para conseguir treinar. Obviamente que navegámos para eu perceber o problema por detrás disso e se havia algo mais… a motivação era algo normal a meu ver, observando a carreira dele, mas ao falar com ele descobri muitos padrões erráticos no comportamento. As utopias, as mudanças de humor que saem como espasmos, algumas visões dele sobre o que é a vida, as viagens dele, o alcoolismo… mas acima de tudo o Clarence.

 

- Já ouvi esse nome algures, acho que é um amigo dele de outras paragens.

- Luíza, o Clarence está bem presente na vida do João. Uma vez convenci o João a trazê-lo à consulta, porque estava curioso de quem era o homem que atormentava tanto o João. E ele veio… só que ele não é real.

- Não é… o quê?

- Ele não existe. O João passou uma hora a falar para o vazio, da maneira mais natural possível. E eu, bem, aos poucos tenho tentado abri-lo para essa possibilidade, para se aperceber que ele sofre de insanidade. Um homem com esta patologia não deve ser deixado sozinho, Luíza. A personalidade que ele criou, o Clarence, é muito perigoso para ele próprio. Eu não sei o que ele anda a fazer, mas não me admirava que ele se estivesse a preparar para fazer algo de drástico se tem desaparecido por tanto tempo.

- Desculpe, mas isto não faz sentido nenhum. Ele é uma pessoa… diferente, eu sei muito bem… mas insanidade?

- Tem de acreditar em mim, tem de encontrá-lo. Faz a mínima ideia de onde ele poderá estar? Um sítio que lhe tenha falado com bastante carinho, de maneira poética… onde ele gosta sempre de ir.

 

Talvez… mas ele não pode fazer isso. Ele não iria fazer de mim uma víuva. Tenho de ir para casa, o Gonçalo deve precisar de mim.

 

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(clicar para ver mapa)

 

 

Eu ouço-te, mar. O azul, o relevo das ondas, que erodem registos por séculos e milénios, nada te pára. A persistência está lá. O trabalho feito todos os dias. Não há queixas, não há greves, estás lá, pronto para fazer parte do mundo, sem te importares com o bom e o mau da tua existência… Porque não consigo ser essa máquina? Também quero ser como tu, mecânica mas por vezes lá surpreendes tudo e todos. Inofensivo e aterrador. Porque não consegui voltar a sentir a felicidade dos outros tempos, se os sítios são os mesmos? Porque é tudo tão insonso para mim neste momento?

 

Por entre todos os animais do mar, do ar, eu sinto-me só. E inútil. E consequência dum cérebro que entrou em curto-circuito. Preciso de mais uma paragem pelo caminho, antes de acabar o meu turno. Só te peço isso Clarence. Depois vamos, prometo.

 

Quanto a ti, mar, nunca pensamos se te vemos pela última vez. Pensamos que o céu é azul e o azul chega. És mais um dos meus confidentes, dos meus amigos verdadeiros. Conto-te tudo, boca calada. Uma troca tão simples, para outros tão complicada. Haverá no além-vida alguma coisa do estilo?

 

 

“Disse também Deus: “Encham-se as águas de seres vivos, e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento do céu”(…) Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o quinto dia.” Génesis 1:20, 1:23

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Cap. 88: No sexto dia, Ele disse-lhe adeus

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

São passos pequenos, matreiros, um a um, sem um ruído fazer. Pelas escadas se sobe a caminhada importante, na noite bem adensada. Nem um somzinho se escutava, na casa, perante sonos profundos, uns mais perturbados que outros. São passos pequenos, com propósito. Não acordemos a tua mãe, Gonçalo, que ele precisa de dormir. Eu envergonho-me agora perante ela, pois ela merece alguma paz, mesmo numa forma cobarde.

 

Com cuidado se abre a porta, com um sorriso eu vejo a tua cara que resplandesce essa noite negra, escura de facto. Só te preciso de acordar um bocadinho, como se fosse tudo um sonho. Já tens quase 4 anos, já consegues não chorar. Eu preciso de dizer que te amo mais que tudo, que vou sentir a tua falta. Estes lençóis por agora dão-te o conforto necessário, a ingenuidade para ser criança, a segurança para poderes dormir sem um pingo de preocupação.

 

Eu teria tanto para te ensinar. Como olhar para este mundo, tão cheio de obstáculos. Como procurar a felicidade. Como confiar, como conviver. Como não ter medo de nada. E aí serias perfeito a meus olhos. E depois podias-me rejeitar, tal apêndice que sou, nas tuas idades da mudança fisiológica. Seguir o teu caminho, ignorares tudo o que te disse. Criares a tua própria identidade, assustares todos com o aleatório dos teus actos ou o grito de atenção que eles carregassem por entre acções mal calculadas. E depois finalmente serias homem para amar, homem para criar, para inventar. E serias tu, sem tirar nem pôr. E eu continuaria a achar-te perfeito.

 

Mas que homem, pai, consigo ser, sendo louco?

 

Que me resta senão o futuro de degradação? Ver-me a definhar entre pensamentos e ilusões de controlo. Fazer refém todos os meus próximos, da minha doença, dos cuidados que precisarei. Que ensinamentos te podia dar, se eu não me lembrar deles? Que luz posso trazer à tua vida, se ela só vier do brilho duma garrafa vazia e olhos diluídos? Que segurança te darei se nem eu a garanto por mim… Tu não mereces, ela não me merece. Eu sou produto de números da sorte, equivocados por erro técnico. Uma pura miragem do que fui e nunca voltarei a ser. Um homem cego por luxo e negligente desde o início.

 

Só espero que não te passe nada sem ser a carta que te deixo. Quando fores grande hás-de ler, e talvez com muita sorte poderás perdoar-me por te ter deixado à mercê dos lobos e de uma mulher em luto. Porque no fim de tudo, eu não te mereço. Sou mero barco agora, na travessia rumo a Hades, e ele dir-me-á o destino traçado em breve.

 

Sê forte, filho.

 

“E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia.” Génesis 1:31

Editado por Lip Zola

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Cap. 89: No sétimo dia, Ele descansou

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

- Acho que merecemos isto, Clarence.

- Concordo finalmente contigo, João.

 

Um recipiente de whisky à vida, um charro bem enrolado. As últimas refeições são para se ter, quando se adivinha o final.

 

O pôr do sol já aconteceu, lusco fusco também. A noite é nova, a lua é cheia. O vento é inexistente, mas o frio era tanto, mas tanto, no topo desta montanha infernosa. Mas agora o meu corpo padece de sensações extra corpo, para um último transcender antes do grande evento. Quem diria que chegava aqui? Todas aquelas peripécias do início… Alturas em que os dias passavam rápido, em que não chorava. Mas agora irei escapar-me destas correntes que se formaram no crânio. Estraguei-te pela última vez, cérebro. Que vais sentir mais falta, meu companheiro europeu?

 

- Dos rabos. Tinhas tanto rabo incrível que andava atrás de ti ultimamente. Elas cheiram o sucesso, e cheira-lhes tão bem.

 

Meu, isso é muito poético. Sabes, também vou sentir falta das hormonas. Meu deus, como elas fazem coisas estranhas e boas ao corpo, ao estado do ser. Sentir faltas daqueles aromas da Ásia, da liberdade. Vou sentir falta da adrenalina. Mas tudo isso passou tão depressa, e eu nem me lembro da transição. Será que nunca devia ter saído da Indonésia? Nunca fui o mesmo desde aí. Mas agora a sério, vou sentir falta de ter a cabeça em condições. Não sei como começou, mas sei que vai acabar?

 

- E fizeste paz com tudo?

 

Nem por isso, mas devia? Sou uma memória do que fui, sou defeituoso. Deixa-me ir defeituoso. Deixa-me separar alma do corpo, de tecido biodegradável que alimenta a terra de fenómeno inexplicável.

 

- Não é a Luíza que está ali a gritar?

 

Não sei Clarence, não é problema meu. Ela tem de aceitar, tal como eu aceitei o meu destino. Não dá para te remover. Não dá para separar o bom do mau, e nós precisamos um do outro e precisamos de ficar longe um do outro. Tu trazes caos, dúvida e tempo perdido.

 

Limita-te a observar esta paisagem, a última que verás. O ar não terá saudades, viajando e preenchendo o vazio. As pedras continuarão cá para fazer o seu trabalho. O mundo deverá continuar a girar, caso a coisa funciona como pensamos, caso o universo não seja na realidade criação tua. Estas pessoas que vivem, estão para viver ou morreram não são figurantes na tua vida, estão ao mesmo nível. Elas sofrem, têm foco principal. Elas vêem pelos olhos e não vêem a cara sem ser por espelho. Elas enchem o raio de visão com a sua cara e parecem ser espectador de fora e dentro de tanta, mas tanta coisa. Mas ninguém saberá explicar-me estas coisas. E já tudo existiu antes de chegares, com explosões cósmicas que deram início, sem sabermos o que lá estava antes disso, sem saber o que cria a criação. Onde há ponto de início, e como é possível sem haver ponto de início antes. É tão estranho, e nós levamos por certo tanta indefinição, porque os nossos corpos que nos transportam nesta viagem são frágeis e não dá para assimilar tudo.

 

Há pessoas que saberão usar as palavras certas para explicar tudo e trazem tranquilidade. De repente estas respostas parecem ser apenas pormenores dum caso maior. E nós aceitamos e seguimos em frente com as nossas vidas, todos os dias, com um amanhã garantido e um ontem esquecido. Peças de porcelana num universo de elefantes tresloucados. Tão nobre que é que encontremos significado em tal, quando somos de facto a presa mais abaixo da cadeia de eventos. Há pessoas que não aguentam esse peso e quebram. A elas resta-me dizer adeus e desejar melhor para a próxima. Eu junto-me a eles porque a fractura é demasiado grande para a porcelana não partir. E levo comigo a fractura.

 

Dirigindo-me ao limite do que é pousável eu sorrio. É o tempo de brilharmos Clarence. És o meu fardo para carregar, daqui até até às rochas que ansiosamente nos esperam lá em baixo… a partir de agora, o teu rasto de desastre desvanece. A partir de agora, liberto todos do teu complô. A partir de agora, o universo conta com menos uma porcelana fracturada.

 

- Continuas Indeciso, João?

- Não, caro inimigo.

 

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"No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou." Génesis 2:2

Editado por Lip McBoatface

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Tenho vindo a acompanhar por alto o save e posso dizer que é dos melhores que por aqui passa em alguns anos. Saudades da velha guarda do EMEM. :heart:

 

Parabéns pela criatividade. :handclap:

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Tenho vindo a acompanhar por alto o save e posso dizer que é dos melhores que por aqui passa em alguns anos. Saudades da velha guarda do EMEM. :heart:

 

Parabéns pela criatividade. :handclap:

 

Obrigado Mesut :)

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Cap. 90: O Salto

 

 

Sugestão - Ler ao som de:

 

Lembrar: Quem és tu?

 

Afinal o que é inspiração? Uma musa que nos dá todas as palavras que sabemos nas combinações mais bonitas que podemos criar? Apenas uma fachada para neuroquímica de um ser que não tem noção das suas capacidades. É uma coisa tão fugaz. Tão incontrolável e tão alcançável. É uma cereja no topo do bolo da criatividade, uma droga que dá o extra kick. Quando o corpo sente um vazio, é perigoso, nunca queremos sentir isso.

 

Inspiração é só mais uma das cerejas da vida. Aceita-as e abraça-as porque são horizontes novos num mundo que achamos já conhecer com uma mão nas costas. Mas o mundo pode ser tanto, se abrires os olhos e sujeitares-te à surpresa. Passamos a vida a descobrir limitações, que nos esquecemos das capacidades que temos que nos fazem já milagres da natureza, combinação de milhões de anos de mutações genéticas e probabilidades impossíveis que chegaram ao que somos hoje. O mundo não está descoberto por ti. Abre a mente e vê ela ser coberta por novos conceitos e frames de vida. Junto eles darão um filme que segue uma dimensão de tempo.

 

Dá significado à inspiração. Usa-a e abusa-a. E aproveita esse momento para seres um pouco mais.

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