Inka Publicado 2 Outubro 2014 Está a criar duas porque vai contar o que falta da história do Frodo Zarco, falta saber o que lhe aconteceu, porque é que decidiu voltar e o que fez entretanto na sua pequena grande carreira. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 12 Outubro 2014 Devo ficar uns dias sem net fixa, só terei acesso ao fórum pelo telemóvel. O que em parte é bom pois permite depois fazer posts mais regulares, evitam-se períodos longos sem atualizações. Compartilhar este post Link para o post
Pedrovsky Publicado 15 Novembro 2014 Foi suspenso por doping? :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Inka Publicado 16 Novembro 2014 Rip em paz Frodo, rip em paz :'( Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 2 Janeiro 2016 (editado) 30 segundos! O apresentador aclarou a garganta, ajustou a gravata e acomodou-se na cadeira. Deitou um rápido vislumbre sobre a plateia, a qual ficou na penumbra à medida que as luzes se iam ofuscando. A balbúrdia de vozes deu lugar a um ténue burburinho e, mais tarde, ao silêncio total. 15 segundos! Através dos televisores era possível ver o genérico do programa, tal como os telespectadores o estariam a assistir. Uma sequência de cenas marcantes do mundo do desporto cuidadosamente seleccionadas, pontuadas com uma inspiradora música cujos acordes condiziam em pormenor com os acontecimentos do vídeo. Cinco! Quatro! Três! Dois! Um! Estamos no ar! As luzes do estúdio voltaram a surgir em todo o seu esplendor. A plateia aplaudiu em uníssono, reagindo como focas amestradas ao pedido luminoso que entretanto se acendera. As câmaras rodaram e focaram o apresentador. - Muito boa noite! O meu nome é Louis Rousseau e está a assistir a mais uma edição do nosso Duelos Intemporais - fez uma breve pausa para mais uma vaga de aplausos. - Estão animados com o programa de hoje? Não é para menos, o duelo de hoje promete pegar fogo. Mas antes de mais queremos deixar apenas uma nota sobre o programa da semana passada. Recebemos um tsunami de insultos e críticas pelo resultado do tête-à-tête entre as duas lendas em confronto: Max Verstappen e Ayrton Senna. Recordamos que este é um programa onde apenas tencionamos comparar e apresentar diferentes pontos de vista sobre quem seria melhor num hipotético confronto entre os grandes de hoje e os de outros tempos que, por não serem contemporâneos, nunca se chegaram a defrontar. >> Desta forma, o resultado da nossa simulação não passa de uma interpretação da nossa parte sobre quem levaria a melhor tendo em conta as características de cada atleta. Através da nossa simulação calculámos que Max Verstappen levaria a melhor sobre Ayrton Senna, mas isso é a nossa interpretação - cada um tem direito à sua e todas elas são válidas desde que fundamentadas. >> Passemos então ao nosso programa de hoje. Eles são duas das maiores personalidades do Tour de France neste século XXI. Um marcou uma era; o outro domina a corrida na actualidade. Já sabem de quem falamos: Frodo Zarco e Marco Nobile. As luzes apagaram-se e surgiu um vídeo a apresentar os dois ciclistas. Tal como no genérico inicial do programa, o vídeo consistia em alguns excertos de momentos marcantes das carreiras de ambos os ciclistas: estavam lá a vitória de Frodo Zarco sobre Nairo Quintana no Tourmalet em 2017, que lhe abriu as portas para a primeira conquista do Tour; o ataque devastador no Mont Blanc que deixou Leoncio Fonseca e Bernard Schalger agarrados à estrada no Tour de 2021; ou a dança de Marco Nobile no Mont Ventoux em 2028. Em simultâneo com as imagens eram audíveis os comentários excitados dos narradores que viveram aqueles momentos em directo na transmissão televisiva. - Para nos auxiliar nesta tarefa temos connosco três grandes convidados. É com muito gosto que vos apresento, à minha direita, o tricampeão do Tour: Chris Froome! Um bem cuidado e sorridente indivíduo acenou para a plateia. Parecia, em 2030, quase igual ao que fora nos seus tempos de competição, exceptuando-se claro algumas rugas de expressão mais marcadas. - E à minha esquerda dois grandes ciclistas que têm feito carreira também como comentadores: Jens Voigt e Danilo Di Luca! Num estilo completamente diferente do de Chris Froome, Jens Voigt e Danilo Di Luca reagiram exuberantemente, agradecendo os aplausos da plateia com vénias pronunciadas e exageradas. - Muito obrigado a todos por terem aceitado o nosso convite. Sobre o duelo de hoje, quando agendámos este programa, ele fazia todo o sentido. Não era expectável que Frodo Zarco e Marco Nobile alguma vez se cruzassem na estrada e, sendo apontados como os dois melhores trepadores do ciclismo no Século XXI, seria um duelo interessantíssimo. Não esperávamos que Frodo Zarco anunciasse a sua transferência para a equipa Lamborghini e a presença no próximo Tour, o que significa que irá defrontar Marco Nobile no próximo ano. - Mas continua a fazer sentido este programa - interrompeu Danilo Di Luca -, até porque Frodo Zarco não vai propriamente defrontar o Marco Nobile. - Não vai? - questionou Jens Voigt. - Não. O Frodo Zarco tem agora quê?, 36 ou 37 anos? - 36. - Terá 37 então no próximo Tour. - continuou Danilo Di Luca - Volta ao Tour com 37 anos contra o Nobile com 26. Ele vai estar no mesmo pelotão mas não vai para rivalizar com o Marco Nobile. E além da idade, ele está há muito tempo parado. - Oh Danilo, não acompanhas ciclismo? - inquiriu Froome na sua primeira intervenção. - O Frodo voltou à competição numa equipa portuguesa já há quatro anos. Aliás, venceu outra vez a Volta a Portugal este ano! - Pois. Tem corrido em Portugal e ganhou a Volta de lá. É quase o mesmo que estar parado. Eu quando falo em competir, quero dizer a sério, no Tour, no Giro, na Europa. Não em Portugal; isso é cicloturismo. Ouviram-se alguns apupos da plateia, fãs de Frodo Zarco e/ou portugueses incomodados com as palavras do italiano. O próprio Chris Froome não ficou satisfeito com a falta de elegância do colega. - Estás a menosprezar a qualidade do ciclismo em Portugal, mas olha que só nos últimos doze ou quinze anos Portugal tem tantas vitórias no Tour como a Itália nos últimos 60 ou 70 anos. Jens Voigt soltou uma sonora gargalhada com o apontamento de Chris Froome, no que foi acompanhado pelas mesmas pessoas que haviam apupado Danilo Di Luca. Sentindo o programa fugir do seu controlo, Louis Rousseau mudou rapidamente o tema da conversa. - Meus senhores, independentemente do nível a que Frodo Zarco tem corrido em Portugal e do que apresentará daqui a um ano no Tour, decidimos avançar com o programa nos moldes de sempre: no cenário hipotético de ambos estarem na mesma competição e no máximo das suas capacidades, quem seria o vencedor? Chris, queres fazer as honras? - Claro que sim, Louis. Apesar de ambos serem trepadores, há que ter em conta que as suas características são algo distintas. O Nobile é um daqueles trepadores à antiga que atacam a corrida de repente; poucos conseguem responder às suas acelerações, pelo que normalmente basta-lhe um ataque para fazer a diferença. Já o Frodo, durante a primeira fase da sua carreira foi um trepador multifacetado, que também era capaz de ataques devastadores mas que era mais versátil; no seu auge era capaz de, na mesma etapa, lançar três, quatro, cinco ataques, pequenas acelerações a testar os adversários, a cansá-los, a testar as suas respostas. - O Chris tem razão - corroborou Jens Voigt. - O Frodo Zarco muitas vezes parecia brincar com os adversários. O Nobile tenta frequentemente destruir a concorrência com um único golpe, mas o Frodo não raras vezes vencia pelo cansaço. O que não significa que não fosse capaz de ataques fortes, porque basta recordar a vitória sobre o Fabio Aru no Giro de 2016 no Zoncolan. A melhor forma de ver isto é imaginar dois pugilistas: o Nobile seria aquele que tenta acabar com o combate logo no primeiro ou segundo round com um gancho de direita em cheio; o Frodo anda ali a dançar em torno do adversário, deixa-o desferir alguns golpes, cansa-o, e depois passa ao ataque com três ou quatro sequências de murros rápidos que deixam o adversário KO. A discussão prosseguiu, cada um dos elementos acrescentando argumentos à discussão. Os 60 minutos do programa esgotaram-se rapidamente, no meio de análises a etapas e provas em que ambos participaram e que melhor definiam o estilo característico de cada um dos ciclistas. No final não havia consenso. - Em minha opinião - começou Danilo Di Luca -, venceria o Nobile. A forma como ele ataca é demasiado devastadora para alguém conseguir responder, inclusivé o melhor Frodo Zarco. - Eu, da minha parte, não me consigo decidir - indicou Jens Voigt. - Nem estou tão convencido quanto ao nível do Marco Nobile. - Como assim? - O Marco Nobile venceu os dois últimos Tour de France, sim, mas quem tem sido a sua concorrência? O Bernard Schalger já com 35 anos? É que o Frodo teve como grandes adversários o Nairo Quintana, aqui o nosso Chris Froome, o Alberto Contador, o Vincenzo Nibali, o Leoncio Fonseca ou até o Bernard Schalger quando ainda era novo. Ainda aguardo para ver o Marco Nobile frente a um adversário digno desse nome que lhe dê oposição a sério. - Já eu - e as câmaras focaram Chris Froome -, considero que o Frodo Zarco venceria. Não sei quem é melhor ou pior, mas tendo em conta as características de cada um, julgo que o português conseguiria resistir aos ataques do Nobile, tal como fez tantas vezes. Ele não era apenas capaz de atacar com força, ele tinha resistência e endurance para resistir aos ataques dos adversários. Adaptava-se bem a qualquer cenário, enquanto o Nobile, por agora, apenas teve de lidar com uma situação: ele ser melhor e ter de corresponder. Espero pelo dia que tenha de reagir a uma adversidade. - E assim, com a opinião dos nossos convidados, avançamos para a nossa simulação. Para a simulação deste programa, utilizámos como variáveis as características que descrevemos ao longo do programa. Para cada um dos ciclistas colocámos a mesma capacidade física, de forma a que o resultado final seja decidido pela forma como cada um corre. Avance o grafismo! Surgiu então nos ecrãs uma animação virtual, simulando uma subida vertiginosa com dois ciclistas lado a lado. De súbito, um deles acelerou - era o ataque devastador de Marco Nobile. Rapidamente ganhou vários metros de avanço, parecendo ir para a vitória, mas Frodo Zarco recuperou o espaço aos poucos até alcançar novamente o italiano. Ao fazê-lo, contra-atacou e isolou-se, confirmando a vitória. Um misto de aplausos e apupos soou no estúdio. - E, segundo a nossa simulação, Frodo Zarco venceria após resistir ao famoso ataque devastador de Marco Nobile e contra-atacando depois para a vitória. Este foi o nosso programa de hoje, muito obrigado aos nossos convidados e a si que assistiu a partir dos quatro cantos do mundo. Muito boa noite e até para a semana! Editado 2 Janeiro 2016 por Hrakkar Compartilhar este post Link para o post
Inka Publicado 4 Janeiro 2016 Daqui a um ano voltamos a ter história :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 4 Janeiro 2016 Só se acontecer alguma desgraça, já estou a acabar o Tour :mrgreen: Tenho, obviamente, de apresentar o meu pedido de desculpas a todos pela forma como isto (não) aconteceu. Não é que seja grande alibi, porque podia ter continuado de onde tinha ficado, mas na altura fiquei sem net e depois queimou-se o disco rígido. Foram-se as várias bases de dados que tinha criado, as etapas, as equipas, e no meio disto foram também coisas mais sérias como trabalhos para a faculdade e pesquisas que já tinha feito para a tese de mestrado. A ideia original foi criar várias bases de dados para simular momentos marcantes da carreira do Frodo Zarco, e apresentaria essas etapas como flashbacks. A ideia era fazer a primeira vitória do Frodo Zarco num GT (no caso seria na Vuelta), a vitória que lhe valeu a primeira conquista no Tour, a sua última vitória no Tour e vitórias na Liège-Bastogne-Liège e na prova de estrada dos Mundiais. Tinha já tudo criado, inclusive as equipas eram diferentes entre as várias base de dados, mas isso foi tudo ao ar. Depois já não tive motivação para fazer tudo de novo. No início de Dezembro andei a cuscar numas pens que tinha na gaveta e descobri, no meio de fotos, imagens, textos e pdfs, uma pasta com o editor de jogo do PCM2014 e dentro dele a versão original que usei como base para isto. Decidi pegar nisso e concluir a história, acho que é mais do que correcto e justo. Tive de sacar novamente as equipas, camisolas, etapas, criar atributos, isso tudo, mas desta vez faço só uma base de dados. Em vez de fazer as etapas mais marcantes, falo delas ao longo das actualizações, seja em flashbacks do Frodo ou em conversas que tenha com elementos do pelotão. Fica mais parecido com uma história e menos com um resumo das etapas, que era a forma de apresentação da carreira do Frodo Zarco. Talvez até dê para fazer foreshadowing e tudo :tongue: Não é o ideal, mas pelo menos concluo o ciclo. Acho que vos estava a dever isso. Compartilhar este post Link para o post
riquelme21 Publicado 5 Janeiro 2016 Grande regresso! Fico à espera. :) Compartilhar este post Link para o post
Inka Publicado 5 Janeiro 2016 Fico a rezar para que o Frodo não ganhe este Tour, senão vai sempre ser recordado como "mais um dopado". Compartilhar este post Link para o post
del9y Publicado 5 Janeiro 2016 Onde está a resto? Quero ler e não encontro nada :-| Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 5 Janeiro 2016 O resto? Ainda não postei mais, só aquilo que está nas primeiras páginas. A não ser que te estejas a referir ao outro tópico com o início da carreira do Frodo Zarco, isso infelizmente deve ter sido apagado. Só os moderadores é que devem ter acesso, agora :( E deve ter sido há pouco tempo, ainda em dezembro lá andei a reler algumas coisas. Compartilhar este post Link para o post
del9y Publicado 5 Janeiro 2016 (editado) Sim, era mesmo o inicio da carreira :-| Editado 5 Janeiro 2016 por del9y Compartilhar este post Link para o post
What Publicado 5 Janeiro 2016 A não ser que te estejas a referir ao outro tópico com o início da carreira do Frodo Zarco, isso infelizmente deve ter sido apagado. Só os moderadores é que devem ter acesso, agora :( E deve ter sido há pouco tempo, ainda em dezembro lá andei a reler algumas coisas. http://www.cmportugal.com/index.php?showtopic=155819&st=0 :smilie_cmpt: Compartilhar este post Link para o post
Cannonball Publicado 7 Janeiro 2016 O resto? Ainda não postei mais, só aquilo que está nas primeiras páginas. A não ser que te estejas a referir ao outro tópico com o início da carreira do Frodo Zarco, isso infelizmente deve ter sido apagado. Só os moderadores é que devem ter acesso, agora :( E deve ter sido há pouco tempo, ainda em dezembro lá andei a reler algumas coisas. Foi mesmo há uns dias. Eu queria ler, encontrei o tópico e fiz save dele ainda em Janeiro. Ontem tentei ir lá e já não estava disponivel. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 9 Janeiro 2016 (editado) Prólogo - Introdução ao 117º Tour de France Fechou os olhos e respirou, profunda e longamente. Era um ritual comum em Frodo Zarco; permitia-lhe focar-se, ignorar todos os estímulos externos e concentrar-se apenas em si próprio, esvaziando a mente e regularizando o ritmo cardíaco. Todo o indivíduo tem o seu próprio mecanismo, uma forma de se refugiar quando a pressão e o stress se tornam arrebatadores. Há quem o encontre num quarto silencioso, isolado do mundo; outros vão encontrá-lo na meditação; alguns vão mais longe e encontram-no na alienação de drogas ou do álcool. Frodo Zarco, enquanto atleta de alta competição, há muito descobrira como emular um espaço silencioso onde poderia meditar, mesmo no centro de uma multidão ruidosa. Estava nervoso. Genuinamente nervoso. Quase como se fosse a sua primeira vez, embora essa já tenha sido há 14 anos. Recordava-se como se tivesse sido no dia anterior! As pessoas, as câmaras, a magnífica vista do Mont-Saint-Michel de onde o pelotão arrancou para a primeira etapa do 103º Tour de France, em 2016. Com o arranque, porém, a sua ansiedade dissipou-se, diluída por preocupações mais prementes: o percurso, a colocação no pelotão, as bermas, buracos, sarjetas e outros potenciais danos na estrada que pudessem causar quedas, as reacções e trajectórias dos outros ciclistas, exigindo atenção constante para conseguir antecipar qualquer circunstância inesperada. Curioso que a ansiedade, aquele frio na barriga, afecta principalmente antes da acção. A partir do momento em que Frodo Zarco arrancou para a estrada passou a focar-se em estímulos, em reacções, reagindo maquinalmente e inconscientemente ao que os seus sentidos absorviam. Naquela distante tarde de 02 Julho de 2016, após o arranque da sua etapa de estreia, Frodo Zarco não mais teve tempo para pensar, concentrando-se em evitar acidentes e manter a sua colocação no pelotão. Quando deu por isso já só faltavam 30 kms para a meta e havia começado a luta entre as equipas dos sprinters pelos primeiros lugares do pelotão. Esse receio nunca desaparece. Mesmo ele, já depois de vencer o Tour de France, continuava a senti-lo antes de cada etapa. E se cair? E se ficar mal colocado e perder tempo? E se as pernas me falharem? E se...? Mas depois quando se começa a rolar e se sente o vento na face, a sensação de velocidade e alienação do mundo, homem e máquina como um só, Deus!, sabe bem!, as dúvidas desaparecem e tudo o resto flui naturalmente. Faltariam ainda alguns segundos para o arranque. Ele e seus companheiros perfilavam-se na rampa, prontos a arrancar para a estrada. Aproveitou aqueles momentos para procurar o fio que trazia ao pescoço, fechando a mão com força sobre o pingente com dois A's esculpidos dentro de um triângulo. Sentia-se forte e determinado. Eram muitos os que estavam consigo naquele momento, a apoiá-lo. Conseguia senti-lo. O sinal sonoro soou. Iniciou a contagem decrescente. Cinq! Frodo Zarco reabriu os olhos. Quatre! Pousou as mãos sobre o guiador. Trois! Respirou fundo uma última vez. Deux Inclinou-se para a frente. Un! Sorriu. O Tour de France está na estrada. Como ele sentira a falta disto! Editado 9 Janeiro 2016 por Hrakkar Compartilhar este post Link para o post
Inka Publicado 11 Janeiro 2016 Apanhaste isto num seguimento de dias um bocado mau, mas vamos lá ver o Frodo a perder o Tour :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 16 Janeiro 2016 (editado) Etapa 1: Sedan, 6.4 km (TTT) A cidade de Sedan despertou para um cenário inusitado. Milhares de pessoas coloriam as ruas antigas e históricas da pequena cidade do nordeste da França, outrora ponto estratégico relevante e, por conseguinte, epicentro de alguns momentos marcantes da História. Não era, porém, o valor histórico da cidade ou o proclamado "maior castelo da era medieval", o praticamente inexpugnável Castelo de Sedan, a atrair aqueles visitantes - se bem que poderiam estar ali para testemunhar um momento que ficaria para a História: o regresso do Tour de France, um dos mais aguardados dos últimos anos. Esse era o responsável por aquela explosão de vida. A etapa em si não oferecia grandes dificuldades. Seriam apenas 6.4 km, percorridos num contra-relógio colectivo que dificilmente provocaria grandes diferenças (ou pelo menos diferenças irrecuperáveis). O percurso [em spoiler acima] levaria cada equipa a percorrer as principais artérias do centro de Sedan, atravessando várias vezes o mítico Meuse, o rio que banha a cidade e que vai desaguar no Mar do Norte, nos Países Baixos, após percorrer 950 km, e terminaria nas imediações do Castelo de Sedan. Um cenário de indiscutível beleza capaz de providenciar belos momentos televisivos, especialmente através dos drones responsáveis pela captação de imagens aéreas; os ciclistas, porém, nem teriam tempo para o apreciar. O percurso é curto e, por isso, efectuado em máxima rotação, praticamente ao ritmo de sprint. Perto das 14 horas locais, os espectadores começaram a aglomerar-se ao longo do circuito citadino aguardando a saída das equipas para a estrada. Ouviam-se várias línguas distintas entre aficionados: o francês era dominante, claro, mas aqui e além ouviam-se diálogos em alemão, holandês, inglês e até em português, o que se explica facilmente por Sedan ficar já na região das Ardenas, perto de Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha. Cada equipa sairia à vez, uma a uma de forma a que só houvesse uma equipa na estrada em simultâneo, finalizando com a italiana Fly Emirates, uma vez que é a equipa do bicampeão em título Marco Nobile. A primeira equipa a sair, essa, já se perfilava na rampa, os seus nove elementos prontos a arrancar e dar as primeiras pedaladas da 117ª edição do Tour de France, bem no horário previsto. Desta vez sem qualquer atraso, ao contrário do arranque em 2027 em que os últimos ciclistas foram obrigados, devido a um atraso logístico, a percorrer o prólogo já noite cerrada. Amex Credit Solutions 211 Hajnrich.Zawadziki 212 Camo Carmim 213 Duarte Folliero 214 Marcelo Fortunato 215 Mauro Longo 216 Jackson Green 217 Abel Spinoza 218 Michel Thebes 219 Bartolomeo Velo A norte-americana Amex Credit Solutions é uma das novas caras do pelotão internacional. A equipa em si já existe desde 2017, mas o seu patrocinador principal (e fundador da equipa) Lavazza não renovou o contrato, deixando o conjunto italiano à beira da extinção. Foi in extremis que surgiram os fundos necessários para a equipa se manter na estrada em 2030, através do patrocínio da empresa norte-americana American Express. O polaco Hajnrich Zawadziki reúne em si quase todas as esperanças desta improvisada equipa A indefinição em torno do seu futuro teve, ainda assim, efeitos negativos na equipa, a qual perderia os seus principais elementos, incluindo o sprinter Walter Mancini para a Etihad Airways-Cannondale e o suíço Oliver Caisse para a Martini-Selle Italia. Em virtude disto, o polaco Hajnrich Zawadziki, antigo braço-direito de Oliver Caisse, herdou a liderança da equipa, embora as suas perspectivas vão pouco além da um possível top10 na classificação Geral Individual. A restante equipa é jovem e lutadora mas poucas armas apresenta além de um enorme espírito de sacrifício, o que lhes pode valer, quem sabe, uma vitória de etapa em alguma fuga. Airbus 201 Iosef Robledo Arreola 202 Thomas Bayer 203 Tristan Beland 204 Franck Camus 205 Jean-François Chenard 206 Thierry Desilets 207 Burnell Guertin 208 Frank Krause 209 Stephane Rheaume A Airbus é uma das quatro equipas convidadas pela organizadora Amaury Sport Organisation (ASO). Fruto de um projecto ambicioso liderado pelo antigo vencedor do Giro de Itália, o francês Pierre Rolland, a Airbus surge como um dos outsiders desta edição do Tour de France. Formada por vários jovens ciclistas de qualidade, a sua direcção prevê a chegada à categoria Top Tour, a primeira divisão do ciclismo mundial, em três anos. O convite para participar nesta edição do Tour reflecte, aliás, a seriedade do projecto; só esta temporada, esta equipa francesa já soma onze vitórias, incluindo a classificação Geral Individual no Tour de Romandie. Jovem e promissora, a equipa Airbus promete altos vôos no ciclismo mundial A equipa centra a sua atenção no basco Iosef Robledo Arreola, vencedor do Tour de Romandie. Apesar dos seus 22 anos, o jovem basco já brilha na alta roda do ciclismo europeu, tendo começado a espalhar magia na Spanair - Euskadi com apenas 19 anos. Chega agora ao Tour de France como um dos grandes candidatos a conquistar a camisola branca da Classificação da Juventude. À atenção dos adeptos da modalidade, também, a presença do alemão Frank Krause, também de 22 anos, actual campeão do mundo de sub23, o qual faz da velocidade de ponta o seu maior trunfo, obtendo diversas vitórias ao sprint; ele é, aliás, o maior contribuidor para as onze vitórias obtidas pela equipa ao longo da temporada. Bricoman 191 Peverell Lafontaine 192 Bernard Bourdette 193 Ludovic Casgrain 194 Renard Dudek 195 Mathis Mertens 196 Rusell Migneault 197 Louis Peeters 198 Gilles Rousseau 199 Nathan Vermeulen Outra das equipas convidadas pela ASO, a Bricoman apresenta uma lista de ciclistas onde salta à vista, claramente, o nome de Peverell Lafontaine, uma das principais esperanças francesas para o futuro. De temperamento instável, é um dos (poucos) ciclistas do pelotão que não hesita antes de atacar, fazendo disso a sua principal arma - conseguindo várias vitórias graças a essa ambição de vencer... e vários fracassos também. A belga Bricoman é uma equipa equilibrada onde qualquer um pode obter um resultado de relevo De resto, a Bricoman é uma boa equipa, composta por ciclistas de qualidade. É certo que talvez nenhum, à excepção de Peverell Lafontaine, se irá bater com os grandes nomes do Tour, mas todos eles são bons ciclistas nos mais variados terrenos, pelo que será de se esperar muita visibilidade desta equipa ao longo dos 21 dias de competição. Polaroid 181 Tomas Charvat 182 Alessandro Cattaneo 183 Duilio Costa 184 Marco Esposito 185 Luka Johansen 186 Robert Linfield 187 Edgar Millar 188 Caio Ricci 189 Mochihiro Tsuchida E com a Polaroid saem para a estrada os primeiros grandes nomes do Tour de France. A equipa Polaroid é já uma das referências do pelotão, reunindo ciclistas capazes de brilhar nos mais diversos terrenos. Embora o líder no papel seja o checo Tomas Charvat, a esperança da equipa é o norte-americano Edgar Millar. Trepador a fazer lembrar Andy Schleck, será previsivelmente nele que a Polaroid depositará as suas fichas no que à classificação Geral Individual diz respeito. A equipa Polaroid perfilada para a fotografia: "Say cheeese!" Ainda assim, e como referido, esta equipa reúne um conjunto capaz de sobressair nos mais diversos estilos. Assim, o já citado Tomas Charvat é um nome a ter em conta para as chegadas ao sprint; o norte-americano Robert Linfield poderá, também ele, brilhar na alta montanha, seja no apoio a Edgar Millar ou em nome próprio; e a jovem promessa dinamarquesa Luka Johansen, especialista na pequena montanha, em especial em finais que exijam poder de explosão. Ikea 171 Par Lündstrom 172 Osman Aguilar 173 Gaspare Allegro 174 Caldera Alonzo 175 Rolf Chapuisat 176 Mehdi Ekstrom 177 Patrick Hakansson 178 Ladislav Hlavacek 179 Ben Lansell A Ikea é uma daquelas equipas a prazo, que surgem não porque exista um grande projecto a suportá-la mas porque se reúne em redor de um determinado ciclista: no caso Par Lündstrom, antigo campeão do mundo e vencedor da Amstel Gold Race, Liège - Bastogne - Liège, Giro di Lombardia, Clasica de San Sebastian, Paris - Nice, Volta ao Algarve, Tour de Pologne... e a lista continua. Sendo um autêntico caso de sucesso e símbolo nacional sueco, um conjunto de investidores suecos liderado pela multinacional Ikea formou uma equipa capaz de suportar Par Lündstrom nas principais competições do ciclismo. O campeão sueco de contra-relógio Par Lündstrom reunido pela "sua" equipa Mas nem só de Par Lündstrom se faz a Ikea. O espanhol Caldera Alonzo é outro dos bons valores da formação sueca, sendo também ele vencedor de algumas clássicas importantes, e o sprinter Ben Lansell é um antigo campeão de pista que enveredou pelo ciclismo de estrada há pouco tempo, tendo já conseguido vitórias ao sprint no Giro de Italia e na Vuelta a España. Embora o seu foco seja em Par Lündstrom, a Ikea apresenta mais argumentos para a discussão do Tour de France. E quem sabe, se a Astana resistiu à queda de Alexandre Vinokourov talvez a Ikea se torne também ela um projecto sólido do ciclismo mundial após a saída de cena de Par Lündstrom... Target - AT&T 161 Kelly Enriquez 162 Liberato Di Luca 163 David Henderson 164 Donald Martin 165 Alvaro Mejia 166 Bertjan Notenboom 167 Jessie Sanchez 168 Bodnar Szalyk 169 Axel Tesselaar Depois de Amex e Polaroid, a Target - AT&T surge como a terceira equipa norte-americana a sair para a estrada. Patrocinada pelos gigantes das lojas a retalho Target e pela multinacional das telecomunicações AT&T, é normalmente apontada como a principal formação norte-americana, epíteto conseguido por ser fortíssima em clássicas. Em competições como o Tour de France, porém, a equipa não apresenta argumentos para discutir a corrida, ficando relegada para a disputa de etapas ou classificações secundárias. Kelly Enriquez a liderar o conjunto norte-americano, exibindo a camisola criada em exclusivo para esta edição do Tour de France O norte-americano de ascendência mexicana Kelly Enriquez é o seu ciclista mais badalado. Vencedor em título da Liège - Bastogne - Liège, apresenta forte capacidade de aceleração em rampas curtas e de pendente elevada, fazendo dele um ciclista a temer em grupos pequenos; porém, e embora passe bem a média montanha, a alta montanha já representa um desafio onde não é habitual obter resultados. Aí, a Target procurará sobretudo a contribuição do húngaro Bodnar Szalyk, antigo vencedor da Volta a Portugal. De realçar ainda a presença do holandês Bertjan Notenboom, sprinter de 23 anos que promete grandes resultados no futuro. Michelin - Würth 151 Laurent Dufour 152 Storm Carlsen 153 Ganelon Lacasse 154 Clovis Lemelin 155 Masakazu Nakanishi 156 Arnou Pinneau 157 Guillermo Tebaldi 158 Christophe Vernadeau 159 Carsten de Keijzer Pára tudo! A saída da Michelin - Würth significa que está na estrada um dos candidatos à vitória do Tour: o ídolo dos franceses, Laurent Dufour. Depois de vencer a camisola da classificação da Juventude em três edições consecutivas, a Vuelta em duas ocasiões e dois pódios nas duas últimas edições do Tour, o agora já trintão Laurent Dufour alimenta genuínas esperanças de chegar, finalmente, à maillot jaune, e assim dar aos franceses a primeira vitória no Tour dos últimos 45 anos! - o último vencedor francês foi Bernard Hinault, no já distante ano de 1985. O Tour deste ano é talhado para trepadores - e Laurent Dufour é um trepador puro - e Bernard Schalger já não caminha para novo, pelo que se abrem portas para o sucesso deste simpático indivíduo, originário da região alpina de Provença. O único problema - e que problema! - no horizonte de Laurent Dufour chama-se Marco Nobile. Laurent Dufour, chefe-de-fila da Michelin, carrega aos ombros as esperanças de toda uma nação A Michelin é uma das equipas com maior orçamento, tendo recebido uma importante injecção de capital com a entrada da Würth. A apoiar Laurent Dufour estarão uma série de trepadores de qualidade como Ganelon Lacasse, Carsten de Keijzer, Clovis Lemelin e Masakazu Nakanishi; todos homens capazes de obter resultados e ocupar posições de relevo na classificação Geral Individual, mas que irão devotar o seu Tour ao líder da sua equipa. Foi debaixo de um impressionante rugido da multidão que a equipa Michelin percorreu os 6 km da Etapa 1. Se assim foi no nordeste da França imaginem quando a caravana passar nos Alpes, região de onde Laurent Dufour é originário e principal embaixador. Repsol 141 Leoncio Fonseca 142 Salvador Cardona 143 Pedro Fernandes 144 Jacob Horn 145 David Kuster 146 Miguel Martins 147 Castro Naranco 148 Joel Pantoja 149 Leon Schulze Ainda os fãs exultavam com a passagem de Laurent Dufour e já aparecia outro dos ilustres do Tour de France: o galego Leoncio Fonseca. Trepador de eleição, tetra campeão da Vuelta e cinco vezes presença no pódio do Tour, Leoncio Fonseca mantém a ilusão de um dia vencer o Tour. É o que lhe falta; já ganhou corridas um pouco por todo o lado e para todos os gostos, mas é no Tour que se fazem as lendas e, aí, não conseguiu melhor do que o 2º lugar. Esteve perto em 2023, quando Frodo Zarco caiu com a camisola amarela vestida e abandonou a prova para não mais voltar até este ano, mas Bernard Schalger roubou-lhe a vitória no contra-relógio final, num dia tão chuvoso que as câmaras televisivas só conseguiam captar as luzes colocadas no selim dos ciclistas [de acordo com as regras definidas para a competição em condições atmosféricas adversas]. Desde esse dia que Leoncio Fonseca trabalhou imenso para melhorar no contra-relógio, mas a chance de vencer o Tour de France não se voltou a proporcionar como naquele ano. Leoncio Fonseca é o principal ciclista espanhol da actualidade mas ainda não conseguiu vencer o Tour Destaque ainda a presença de dois portugueses na formação Repsol: Miguel Martins e Pedro Fernandes. E se este último é basicamente um gregário, Miguel Martins é um especialista no esforço individual e dos melhores roladores do pelotão, pelo que dará certamente um contributo fulcral neste contra-relógio. Astana Pro Team 131 Natalino Romani 132 Alexander Ermakov 133 Onorio Iannone 134 Alexandre Louineaux 135 Tigran Mordvinov 136 Merlin Paquet 137 Ansovino Potenza 138 Igor Soosaar 139 Piotr Zhirov Encheram-se páginas de jornais, escreveram-se linhas e linhas de texto em fóruns, blogs, redes sociais e demais plataformas virtuais. O assunto gerou polémica, dúvidas e quase o fim da equipa, mas em final de Novembro de 2029 lá surgiu a confirmação oficial: Alexander Ermakov, Tigran Mordvinov e Piotr Zhirov foram ilibados das suspeitas de doping. A Astana viu a sua integração no Top Tour ser confirmada e, assim, a sua própria existência renovada... pelo menos por mais um ano. Os anos passam mas as polémicas continuam a ensombrar a formação cazaque Embora por motivos diferentes, a indefinição em torno da Astana teve os mesmos efeitos que aquela que assolou a Amex. Diversos ciclistas abandonaram o já tradicional azul-celeste da Astana, deixando uma das faces mais reconhecíveis do pelotão internacional numa posição complicada. Além de Natalino Romani, um pequeno italiano que transpira Paolo Bettini por todos os poros, a restante formação cazaque apenas poderá aspirar a alguma vitória fortuita numa etapa em que os principais favoritos pretendam assobiar para o lado. Uma triste e pálida imagem da poderosa Astana de outros tempos. Martini - Selle Italia 121 Oliver Caisse 122 Davide Baresi 123 Giacobbe Beneventi 124 Georg Eichelberger 125 Serhiy Konovalov 126 Giovanni Milanesi 127 Aimon Patry 128 Orlando Pirozzi 129 Oscar Valotti Esta é uma equipa que se apresenta de cara lavada. Nascida das cinzas da antiga Lampre, a Martini devotou-se durante vários anos a provas de um dia, liderada pelo agora já retirado bicampeão mundial Rui Costa. No entanto, a chegada de Oliver Caisse (como já referido vindo da antiga Lavazza, agora chamada Amex) transfigurou por completa os italianos que, agora, se dedicam principalmente às provas por etapas. Se os bidões estiverem repletos da bebida que os patrocina não conseguirão manter-se tão alinhados por muito tempo O próprio Oliver Caisse, suíço de 28 anos, é um dos candidatos a disputar os primeiros lugares do Tour de France, na sequência do 5º lugar conseguido na última edição. Trepador de créditos firmados, faz da regularidade o seu principal trunfo, sendo um daqueles ciclistas que parece funcionar com um relógio interno (o que tem piada pois é suíço), cronometrando o seu esforço e encontrando com facilidade o seu melhor ritmo. Um autêntico Ivan Basso. Nem só de Oliver Caisse se faz a Martini - Selle Italia, mas a equipa irá, certamente, apostar tudo o que tem no prodígio suíço. Ainda assim, Giacobbe Beneventi é outro nome a ter em conta. Amstel 111 Ernest Krieger 112 Achmed Gijsbertsen 113 Heimen Gubbels 114 Aiden Kellway 115 Ynte Kleinsman 116 Keenan Klos 117 Peter Vestergaard 118 Marcel de Raaf 119 Hong van der Lans O levantamento da proibição da publicidade a bebidas alcoólicas na União Europeia permitiu o investimento de diversas marcas. Já vimos a Martini e, agora, temos outro exemplo na cervejeira holandesa Amstel. Centrada principalmente nas provas das regiões dos Países Baixos, a Amstel reúne um lote muito valioso de roladores, especialistas no pavé e em clássicas de um dia. Assim, não se vislumbra qualquer perspectiva, ou sequer interesse, de ver um homem da Amstel a lutar pela classificação Geral Individual do Tour; por outro lado, são vários os ciclistas com valor para conquistar etapas. A Amstel com o campeão alemão de contra-relógio em destaque A principal figura desta equipa holandesa é o alemão Ernest Krieger, campeão alemão em título de contra-relógio individual e principal referência na especialidade, um autêntico herdeiro de Tony Martin. Também nessa especialidade, o holandês Hong van der Lans apresenta cartas, e para terrenos mais acidentados são Heimen Gubbels e Marcel de Raaf os principais trunfos na manga da Amstel. Até no sprint apresentam um bom nome: Keenan Klos, antigo campeão mundial de júniores e medalha de bronze nos mundiais de sub23 em 2028. Uma equipa cheia de qualidade com armas para todos os terrenos, a Amstel é uma das equipas mais queridas do pelotão por ter aquela mentalidade ofensiva que os adeptos tanto gostam. E com ela contamos para animar todas as etapas. Ing Banking 101 Arman van der Kroft 102 Lucas Hoffman 103 Sahin Kuyper 104 Karlo Marsman 105 Faustin Masson 106 Erik Pederson 107 Vladimir Sokolov 108 Dinh Sprenkels 109 Herjan van Drongelen A outra equipa holandesa saiu logo de seguida. A Ing Banking segue a mesma lógica da Amstel e centra a sua atenção na disputa de clássicas e provas de curta duração, pelo que será expectável vê-los na disputa de etapas no Tour. O leão da Ing Banking ruge-lhes no peito, embora não seja visível nesta fotografia Porém, ao contrário da Amstel não é em provas acidentadas ou no contra-relógio que a Ing Banking mais aposta; é no sprint, onde conta com dois dos melhores especialistas da actualidade. Arman van der Kroft e Lucas Hoffman, ambos holandeses, já somam entre si mais de 70 vitórias ao longo da carreira, das quais oito foram no Tour de France. Uma dupla de respeito no que às chegadas ao sprint diz respeito. Pirelli 91 Trofim Ponomaryov 92 Amilcare Bellucci 93 Siro Boni 94 Jeppe Christiansen 95 Giuseppe Fasanella 96 Amanzio Ferlazzo 97 Pertti Hentunen 98 Sandro Paciello 99 Dario Rosson Afastemo-nos agora um pouco do Tour de France. Corria o ano de 2019 quando Bernie Ecclestone, patrão da Formula 1, tomou uma decisão que geraria uma das rivalidades mais marcantes da década de 20 do século XXI: terminou com o regime de monopólio da Pirelli e permitiu que outras marcas de pneus entrassem na Formula 1. A Michelin aproveitou e tornou-se a fornecedora das equipas associadas à Ferrari; a Pirelli continuou a equipar as equipas associadas à Mercedes. Ao longo dos anos, Michelin e Pirelli envolveram-se numa autêntica guerra - a qual ficou conhecida por Tyre Wars -, onde as duas marcas não só procuravam obter desenvolvimentos que conferissem vantagem às "suas" equipas, como se viram envolvidas em escândalos de espionagem e sabotagem, como se de um filme se tratasse. Quando, em 2026, a Michelin entrou no ciclismo, substituindo a Cofidis no patrocínio da formação de Laurent Dufour, e começou a obter resultados de destaque, a Pirelli entendeu ser insustentável permitir que a sua grande rival triunfasse e investiu ela própria na modalidade. Desde então que a Michelin e a Pirelli travam intensas batalhas nas estradas, não raras vezes parecendo competir entre elas em vez de lutar pelas vitórias, como na célebre ocasião em que Trofim Ponomaryov (Pirelli) e Laurent Dufour (Michelin) se viram isolados na última etapa do Critérium du Dauphiné, sendo que bastaria colaborarem para que Ponomaryov vencesse a corrida e Dufour a etapa (uma vez que já estava afastado da luta pela vitória); no entanto, Dufour recebeu indicações expressas para não colaborar com Ponomaryov e acabaram alcançados: Ponomaryov perdeu a corrida e Dufour a etapa. Uma rivalidade como há muito não se via no ciclismo. Grande plano do bonito equipamento da Pirelli, o qual não esconde a veia nacionalista italiana Tal como a Michelin, a Pirelli é das equipas com maior orçamento no ciclismo mundial. Assim, a formação italiana apresenta uma equipa de luxo, com homens como Trofim Ponomaryov e Amilcare Bellucci para a Geral Individual - o russo é um dos melhores contra-relogistas da actualidade e defende-se bem na montanha, enquanto o italiano é um trepador puro que sofre na luta contra o relógio; o absoluto inverso um do outro -, Siro Boni para os sprints e o prodígio dinamarquês de 21 anos Jeppe Christiansen para os finais pouco duros para os trepadores, mas demasiado inclinados para os sprinters. Editado 17 Janeiro 2016 por Hrakkar Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 16 Janeiro 2016 (editado) continuação do post anterior, isto teve de ficar dividido em duas partes porque excedi o excesso de imagens, culpa das 198 bandeirinhas que meti nos spoilers; mas ficou engraçado :mrgreen: Lamborghini - Monster 81 Frodo Zarco 82 Eduardo Carraro 83 Nolan De Clercq 84 Cesare Donati 85 Ulrich Glockner 86 Roger Lopes 87 Isacco Mazzi 88 Marcel Neustadt 89 Dorian Zarco Súbita agitação na plateia. De ambos os lados da estrada as bandeiras portuguesas surgem erguidas bem ao alto; milhares de pessoas tentam ter um vislumbre de uma lenda, algo que possam contar aos netos. Era a Lamborghini - Monster quem se preparava para sair. Frodo Zarco estava na estrada. A lenda, um dos ciclistas mais queridos do pelotão internacional pela sua postura, pelo profissionalismo e fair play, pela atitude ofensiva, sem receios de enfrentar o mundo e meter a cara ao vento. Lá está ele, sete anos depois, de volta ao Tour de France. Não sei porquê mas a Lamborghini é a única equipa em que os ciclistas não vão todos alinhados; porque será? Todos se centram em Frodo Zarco, naturalmente, mas a equipa não se resume a ele. O italiano Isacco Mazzi vem de um pódio no Giro d'Italia e, com os seus 25 anos, é um dos valores seguros do pelotão internacional; Dorian Zarco, irmão mais novo de Frodo, tem apenas 27 anos mas já conquistou grandes corridas internacionais, como a La Flèche Wallone e o Giro di Lombardia, ele que é considerado o sucessor de Peter Sagan - embora, convenhamos, não tenha a mesma qualidade; Cesare Donati, outro bom valor italiano capaz de ajudar os seus líderes na montanha; mas principalmente Ulrich Glockner, sprinter alemão que procura quebrar a hegemonia de Albert Wolff (Red Bull). A Lamborghini - Monster é, assim, uma equipa que terá boas perspectivas de se tornar protagonista neste Tour, seja na alta montanha, seja nas chegadas ao sprint. Iberdrola 71 Alfonso Perez Torres 72 Cipriano Bianchi 73 Benitez Burgos 74 Hugo Jimenez Velasquez 75 Michal Kwiatkowski 76 Rangel Lovato 77 Tomas Tovar 78 Leandro Valverde Barreto 79 Aitor Vargas Uma das mais poderosas equipas do pelotão, a Iberdrola apresenta uma formação capaz de lutar pela vitória em todas as etapas e por todas as classificações. O seu líder, o jovem Alfonso Perez Torres, é a estrela emergente do ciclismo espanhol, rivalizando já com Leoncio Fonseca pelo estatuto de cabeça-de-cartaz, e apresenta argumentos tanto na montanha como no contra-relógio. Ele é, aliás, o actual campeão espanhol de contra-relógio. Um jovem e ambicioso Alfonso Perez Torres no comando da Iberdrola O líder na estrada poderá ser o jovem Alfonso Perez Torres, mas o real líder da equipa é o veterano e carismático Michal Kwiatkowski. Agora já com 40 anos, o polaco prepara-se para terminar uma longa e notável carreira, e se é verdade que já não tem as pernas de outrora que lhe renderam títulos mundiais - de estrada e de contra-relógio -, a sua experiência será fulcral para guiar o miúdo Alfonso. Kwiatkowski que foi durante muitos anos colega de equipa de Frodo Zarco na já extinta BMC Racing Team, tendo sido parceiros em três das cinco vitórias de Frodo Zarco no Tour. Finalmente, Hugo Jimenez Velasquez e Cipriano Bianchi são outros nomes a ter em conta, embora seja previsível que se devotem no apoio ao líder Alfonso Perez Torres. Telefonica Pro Cycling Team 61 Jorg Rooijmans 62 Santiago Caldera 63 Luis Cardoso 64 Diogo Carvalho 65 Angel Maldonado 66 Vitor Pereiro 67 Carlos Salinas 68 Menqui Paez Saucedo 69 Guilherme Sousa Até agora apenas um vencedor do Tour de France havia entrado na competição - Frodo Zarco. Mas a saída da Telefonica colocou outro campeão na estrada: Jorg Rooijmans, vencedor do Tour de France em 2027, uma edição marcada pela ausência de Bernard Schalger e pelos três contra-relógios que impulsionaram o holandês para o triunfo final. Rooijmans é um autêntico monstro do asfalto. Potente, fortíssimo a rolar, vence com regularidade no contra-relógio e é uma autêntica carraça na alta montanha, colocando frequentemente um ritmo elevado que compense a sua incapacidade em mudar de velocidade. Até o Paris-Roubaix já consta no palmarés deste senhor! Jorg Rooijmans, campeão holandês de contra-relógio, lidera a sucessora da antiga Movistar Claro que um ciclista destes será sempre o líder da sua equipa, seja ela qual for. Assim, a Telefonica, cujo patrocínio sucedeu ao da Movistar (mantendo-se tudo na mesma família, já que a Movistar pertence à Telefonica), procurará providenciar condições para a vitória de Jorg Rooijmans. O que não será fácil, já que esta edição do Tour apresenta poucos kms de contra-relógio. Ainda assim, o holandês será um dos nomes a ter em conta para a luta pela maillot jaune. Para o ajudar, a Telefonica reúne uma equipa de luxo, incluindo trepadores de qualidade como o espanhol Menqui Paez Saucedo e os portugueses Guilherme Sousa e Diogo Carvalho - este último antigo vencedor da Volta a Portugal. Etihad Airways - Cannondale 51 Walter Mancini 52 Norberto Baggio 53 Massimiliano Cerci 54 Leonardo Di Fonte 55 Sante Lo Duca 56 Artemio Manfrim 57 Samuel Materazzi 58 Basso Toscano 59 Amerigo Zolla A Etihad Airways surgiu no ciclismo apenas esta temporada, tornando-se a principal patrocinadora do que resta da antiga Liquigas - Cannondale. O investimento da companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos surge como resposta à equipa Fly Emirates de Marco Nobile, um pouco como a Pirelli nasceu para se bater com a Michelin. Assim, Etihad Airways e Emirates Airlines competem na estrada da mesma forma que o fazem no sector da aviação. Três das vinte e duas equipas deste Tour são patrocinadas por empresas do sector da aviação - que original! Seja qual for o motivo, certo é que foi um balão de oxigénio para a Cannondale, permitindo que a equipa não só sobrevivesse como, além disso, pudesse investir no mercado. Walter Mancini foi apenas um dos nomes resgatados à antiga Lavazza (entretanto transformada na Amex Credit Solutions); Sante Lo Duca veio com ele, e juntamente com Amerigo Zolla constituem as duas maiores esperanças desta Etihad para a alta montanha. O líder, porém, é Walter Mancini, e a equipa foi composta para o ajudar a vencer sprints, especialidade em que é provavelmente a maior ameaça a Albert Wolff. Citroën Motors 41 Harrison Connor 42 Laurent Ailleboust 43 Francis Audet 44 Marc Demers 45 Philippe Duhamel 46 Mercer Latourelle 47 Stephane Norbert 48 Erik Padilla 49 Aleron Senneville Não há mesmo muito a dizer da Citroën Motors. É uma equipa sólida, estável, mas a quem faltam nomes para lutar por grandes conquistas. O seu líder, Harrison Connor, é um potente contra-relogista e especialista no pavé, mas que dificilmente se contará na luta pelos primeiros lugares. Laurent Ailleboust talvez se possa intrometer entre os principais trepadores em algumas etapas mas ninguém acredita que o faça com regularidade. Tempo de tirar uma fotografia, não é todos os dias que se vêem nove Citroëns equilibrados em duas rodas! O resto da equipa parece talhada para ajudar aquele que parece ser a principal aposta: Erik Padilla. O espanhol é um dos melhores sprinters da actualidade, e certamente o melhor de nacionalidade espanhola. Team Sky Pro Cycling Team 31 Guillaume Verkooijnen 32 Estrada Baeza 33 Alvio Fanucci 34 Tom Hafkamp 35 Henry Hodgson 36 Andrea Mazzi 37 Eligio Preciado 38 Simon Yates 39 Adam Yates Com a Team Sky na estrada entra em competição mais um antigo vencedor do Tour de France. Adam Yates tem já 37 anos (fará 38 pouco depois do Tour) mas ainda conserva intactas algumas das qualidades que o levaram a vencer o Tour em 2024 e a ser o campeão do mundo em título de estrada e de contra-relógio em simultâneo. Ainda assim, muito se tem especulado sobre as suas reais condições físicas, principalmente na sequência das lesões de que tem padecido ao longo desta temporada. A Team Sky caminha a passos largos para ser a mais antiga equipa do pelotão Na expectativa quanto às suas reais capacidades encontra-se Eligio Preciado. O colombiano é também ele um contra-relogista bastante competente e um trepador ainda melhor, pelo que alimenta legítimas esperanças em se tornar o líder da formação britânica e lutar ele próprio por um lugar no top10. Por outro lado, Henry Hodgson é outro dos nomes a ter em conta na sucessão a Adam Yates. Convém ainda realçar o sprinter Guillaume Verkooijnen, que além de ser veloz como poucos é ainda um excelente rolador, características que lhe valeram a vitória no Paris - Roubaix já este ano. Relativamente a este ciclismo mais haverá a dizer já de seguida. Ethias - Beobank 21 Faizel Gijsman 22 Dennis Adler 23 Vítor Barros 24 Steve Derksen 25 Rijk Kram 26 Jacob Muijsers 27 Wilfried Nelissen 28 Nico Pelzer 29 Wilko Scheeren A belga Ethias - Beobank é outra equipa na linha das holandesas Amstel e Ing Banking. Apresenta um conjunto de ciclistas capazes de fazer estragos em etapas ao estilo das clássicas das Ardenas ou ao sprint, mas que dificilmente se intrometerá nas lutas da classificação Geral Individual. São laranjas mas são belgas; chamem-lhes "laranjas mecânicas" e vão ver o que vos acontece... A equipa conta com um ciclista português, o sprinter Vítor Barros, o qual deverá trabalhar em prol do líder Faizel Gijsman. Este belga de 33 anos é um especialista no pavé mas é mais leve do que o habitual, fazendo dele um finalizador temível em provas como o Ronde van Vlaanderen (Tour of Flanders), prova do qual é, aliás, o campeão em título. Faizel Gijsman e Guillaume Verkooijnen (Team Sky) cultivam entre si uma feroz rivalidade que extravasa em muito os limites do aceitável. Como começou ninguém sabe, embora seja provável que venha dos tempos em que ambos ainda eram jovens ciclistas em categorias inferiores. Esta temporada cada um levou um dos seus objectivos para casa: Guillaume Verkooijnen venceu o Paris - Roubaix e Faizel Gijsman o Ronde van Vlaanderen, e em ambos os casos foram 2ºs classificados na outra prova. Uma rivalidade que dificilmente terá paralelo neste Tour de France mas, pelo bem do pelotão, todos esperam que não se cheguem a cruzar na estrada. Red Bull - Samsung 11 Bernard Schalger 12 Andreas Andresen 13 Marko Baer 14 Jan Lang 15 Tobias Lemann 16 Malte Lindstrom 17 Mike Lowe 18 Thomas Pfeffer 19 Albert Wolff E chegamos ao momento das decisões. A Red Bull - Samsung entra em competição e, assim, temos Bernard Schalger e Albert Wolff na estrada. Bernard Schalger dispensa grandes apresentações. Vencedor de três edições do Tour (2023, 2025 e 2026) e pódio em outras quatro (incluindo dois 2ºs lugares nas duas últimas edições), o austríaco de 36 anos é ainda uma das principais figuras do pelotão internacional. Forte no contra-relógio e resistente na alta montanha, tem sido o principal adversário da emergente super-estrela Marco Nobile. A Red Bull - Samsung liderada pelo seu eterno capitão Bernard Schalger Albert Wolff, alemão, é o melhor sprinter da actualidade. Dono de uma velocidade de ponta sem paralelo, venceu sete (!!!) etapas no Tour de France em 2029, somando já dezassete vitórias no Tour e mais de trinta se contarmos com Giro e Vuelta. E ainda não tem 30 anos. Qualidade é o que não falta a esta equipa. Mike Lowe e Thomas Pfeffer são dois dos melhores sprinters do mundo mas estarão aqui apenas para lançar Albert Wolff. Jan Lang e Tobias Lemann são também eles dois trepadores credenciados, mas que serão certamente gregários de Bernard Schalger. Haja luxo... Fly Emirates - BlackBerry 1 Marco Nobile 2 Aris Bianchi 3 Bibiano Di Santis 4 Ariosto Greco 5 Bernd Krueger 6 Ottaviano Monet 7 Felice Nalbone 8 Landolfo Robino 9 Joseph Stanfield Ele está na estrada. Ouvem-se gritos, as mulheres não resistem à carinha de anjo de Marco Nobile. Ele nem se digna a lhes devotar o mínimo olhar. A Fly Emirates - BlackBerry é a equipa a bater. Construída em torno do seu líder, a formação de base italiana reúne diversos trepadores de qualidade prontos a apoiar Marco Nobile em qualquer momento. Não que tenha sido necessário nos últimos anos, mas eles lá estão para qualquer eventualidade. Marco Nobile costuma fazer jus ao slogan da Emirates Airlines Marco Nobile é um trepador puro que leva já duas vitórias consecutivas no Tour de France com apenas 26 anos. Estreou-se no Tour aos 21 anos e foi 3º; com 22 e 23 anos foi 2º; com 24 e 25 venceu o Tour. Que mais há a dizer sobre este tipo? Ah!, também já venceu o Giro. E a Vuelta. Enfim... Todos os restantes, excepção feita ao sprinter Aris Bianchi, são trepadores, destacando-se Ariosto Greco, Joseph Stanfield e Bernd Krueger. E, assim, saíram todos os ciclistas para a estrada. Faltava apenas fazer as contas finais. A vitória da Iberdrola não foi grande surpresa - afinal, trata-se de uma equipa fortíssima. Isto significa que Michal Kwiatkowski será o primeiro camisola amarela do Tour de France, um prémio bonito naquele que será o seu último ano enquanto ciclista profissional. A grande surpresa acaba por residir nas diferenças geradas em apenas 6,4 kms de percurso. A Amex ficou já a distantes 2'22''! Mas no que toca aos principais favoritos à vitória: Marco Nobile, Bernard Schalger, Jorg Rooijmans, Oliver Caisse, Laurent Dufour, Leoncio Fonseca e, porque não, Frodo Zarco, esses ficaram separados por pouco tempo. O Tour está aberto e em aberto. Vamos a ele! Editado 17 Janeiro 2016 por Hrakkar Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 18 Janeiro 2016 (editado) Como adenda à actualização da Etapa 01, acrescento uma imagem da backstory que criei para suporte da história. Referi ao longo do post que diversos ciclistas ganharam um Tour aqui, fizeram pódios ali, mas essa informação está algo dispersa e provavelmente só faz sentido para mim, já que calculo que ninguém fará um esquema com esses dados :mrgreen: À esquerda os pódios das várias edições do Tour; à direita os resultados do Frodo Zarco nas principais corridas e as equipas em que corria A história continua onde terminaram as actualizações no tópico do início da carreira do Frodo Zarco. Na altura parei de actualizar quando o Frodo Zarco fez 10º no Critérium du Dauphiné, mas ainda joguei um pouco mais do que isso. Chegou a vencer o Tour of Austria e foi 6º na Vuelta, vencendo uma etapa numa fuga (um pouco ao estilo da vitória na Senhora da Graça na sua primeira Volta a Portugal). Como sempre, no PCM a Vuelta é uma corrida atípica pois ninguém prepara o seu pico de forma para aquilo, geralmente chegam todos já fatigados ou em má forma. O Frodo foi lá no pico de forma e isso permitiu sacar uma excelente prestação. De 2016 em diante é tudo inventado para efeitos de background a este tópico. Com 23 anos explodiu e sacou um Giro e um 2º lugar na Vuelta, não tendo ido ao Tour porque a Team NetApp - Endura Racing (entretanto renomeada Bora–Argon 18) não foi convidada. No final da temporada, o Frodo Zarco mudou-se para a BMC Racing Team onde fez uma dupla imbatível com Tejay Van Garderen, somando cinco vitórias consecutivas no Tour de France. O seu maior rival ao longo dos seus tempos áureos foi o Nairo Quintana, com o qual terá protagonizado diversas batalhas épicas nas paredes alpinas e pirenaicas (ao estilo Contador/Schleck em 2010), estabelecendo uma superioridade significativa em relação à concorrência, de tal forma que os outros apenas conseguiam disputar o último lugar do pódio, o qual foi sendo conquistado por vários ciclistas diferentes. O Chris Froome "desaparece" de cena após vencer o Tour em 2016 devido a problemas de saúde. É sabido que o britânico sofreu de bilharzíase; apesar de ter ultrapassado a doença, não conseguiu manter o seu elevado rendimento durante muito tempo e, aparte um ressurgimento em 2018, a sua carreira foi seriamente afectada e acabou por abandonar o ciclismo profissional bastante cedo. A última vitória do Frodo Zarco, em 2021, foi também o ano em que apareceram dois jovens, Leoncio Fonseca e Bernard Schalger, que se tornaram dois dos maiores nomes do ciclismo mundial ao longo da década de 20. Aproveitaram a ausência do Nairo Quintana (não pensei em nenhum motivo em especial, talvez uma lesão ou simplesmente optou por outros objectivos) e acompanharam Frodo Zarco no pódio nos Champs-Élysées. Pelo meio de tudo isto, o Frodo Zarco venceu ainda a Vuelta por duas ocasiões. Em 2022, o Frodo Zarco decidiu fazer história e tornar-se o primeiro ciclista a vencer as três grandes voltas - Giro d'Italia, Tour de France e Vuelta a España - no mesmo ano. Venceu o Giro d'Italia mas depois, como se pode ver na imagem, já não participou no Tour nem na Vuelta. O motivo para isso ficará explícito numa das próximas actualizações. O Nairo Quintana aproveitou a ausência do Frodo Zarco e obteve finalmente, aos 32 anos, uma já merecida vitória no Tour de France. A partir do ano seguinte os resultados do colombiano foram-se deteriorando progressivamente, com as pernas a ressentirem-se dos muitos anos sempre a correr ao mais alto nível. O Frodo voltou ao Tour no ano seguinte, mas abandonou a corrida quando era o líder da prova, algo que já referi na actualização anterior. Também não voltou a participar no Tour de France e esteve dois anos parado. Haveria de voltar a correr numa equipa portuguesa, a TAP Air Portugal, mas participando apenas em provas do calendário nacional. Logo no ano do regresso foi 3º na Volta a Portugal e venceu as três edições seguintes. A explicação para tudo isto ficará para uma das próximas actualizações. Ao longo deste período o Tour continuou a disputar-se, claro. O Bernard Schalger tornou-se o dominador da prova, tendo vencido por três vezes. O Leoncio Fonseca, como referi no último post, subiu várias vezes ao pódio mas nunca no lugar mais alto, tendo sempre perdido para contra-relogistas: para o próprio Bernard Schalger, para o Jorg Rooijmans e até para o Adam Yates, estes dois aproveitando quedas do Bernard Schalger que, vindo do ciclismo de pista, aparenta ter uma apetência especial para as quedas. De notar que o Adam Yates, em todos estes anos, apenas aparece uma vez e logo como vencedor. Há uma explicação para isso... Finalmente, em 2025 aparece um miúdo italiano com uma postura arrogante mas com uma personalidade bastante vincada. Na sua estreia com apenas 20 anos foi logo 3º e foi subindo na hierarquia até se tornar o alvo a abater por todos. O resto já todos sabem, já o referi: o Frodo ambicionava disputar um último Tour de France por sentir que não se tinha despedido convenientemente da sua prova favorita e a equipa Lamborghini, onde já corria o seu irmão Dorian Zarco, abriu-lhe as portas à concretização desse desejo. E é isto. O próximo capítulo deve ser postado lá para quarta-feira, o jogo em si já está disputado até à 19ª etapa. Faltam as duas últimas etapas, a do Tourmalet e a chegada a Paris, e não as farei até a história neste tópico as alcançar. Quero manter o final imprevisível até para mim para não influenciar a história. Editado 18 Janeiro 2016 por Hrakkar Compartilhar este post Link para o post
Inka Publicado 18 Janeiro 2016 Não querendo pedir muito, consegues meter as stats do Nobile e do Frodo? Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 21 Janeiro 2016 Etapa 2: Sedan - Charleville-Mézières, 180.9 km O espectáculo do dia anterior não esmoreceu. Bem pelo contrário, a animação no centro de Sedan era quase palpável. A Rue Thiers, sob a atenta supervisão do Château de Sedan, pulsava de vida; as mil e uma cores de várias bandeiras distintas, orgulhosamente erguidas pelos fãs de diversas nacionalidades, contribuíam com um colorido especial para a azáfama de gente à procura de autógrafos dos seus ídolos; caravanas vendiam sandes, doçaria regional, baguetes ou cachorros, e os patrocinadores das equipas e da corrida não perdiam a oportunidade para publicitar os seus produtos, distribuindo brindes, merchandising, flyers, vouchers de desconto e até oferecendo free trials. Assim, para onde se olhasse viam-se pessoas sorridentes, ora testando um vôo virtual na banca da Airbus, ora tirando uma fotografia panorâmica no último modelo das câmaras Polaroid; alguns empunhavam latas de refrescantes bebidas grátis da Monster e da Red Bull e outros colecionavam cartões de telemóvel gratuitos da Telefónica ou da AT&T. Nas bancas da Amstel e da Martini a animação era outra, como se compreenderá... A ponte sobre o La Meuse é um dos símbolos de Sedan; será atravessada pelo pelotão logo no primeiro km da etapa Para os ciclistas a azáfama era outra. Alheios à animação que os rodeava, distribuíam a sua atenção entre a assinatura do livro de presenças, o aquecimento dos músculos em bicicletas estáticas (normalmente ficando isolados do mundo ouvindo música ou palavras de encorajamento previamente gravadas através de auscultadores), o estudo da etapa em mapas exibidos em tablets. Alguns, poucos, interagiam com o público, distribuindo risos, beijos e autógrafos, mas a maioria, mesmo assinando fotografias, chapéus ou camisolas a pedido, faziam-no distraidamente. E tinham bons motivos para isso. A Etapa 2 era temida. Sendo a primeira etapa em linha e, por isso, a primeira em pelotão compacto, só por isso já seria um dia nervoso; não raras vezes, as primeiras etapas do Tour são assoladas por quedas graves, resultado de um pelotão numeroso (com 198 ciclistas, é anualmente o maior pelotão de qualquer prova de ciclismo mundial) onde os ciclistas ainda procuram a sua posição ideal. Mais lá para a frente já existe uma outra dinâmica, com os ciclistas a saberem instintivamente como funciona o pelotão e como este irá reagir às adversidades, porém nas primeiras etapas tudo será uma novidade. Para complicar ainda mais a vida aos ciclistas, esta seria uma etapa complicada. Disputada num trajecto de 180,9 km, a caravana do Tour seria levada a percorrer as estreitas e acidentadas estradas do Parc Naturel Régional des Ardennes, a norte de Sedan e Charleville-Mézières. Aliás, o percurso quase parecia ter sido criado para gozar com os ciclistas, pois apesar de Sedan e Charleville-Mézières distarem entre si apenas cerca de 20 km, estes teriam de percorrer um longo trajecto na fronteira entre França e Bélgica antes de voltarem para sul direitos à meta. Como dizia, o percurso é complicado, muito raramente se percorrendo mais do que um par de kms realmente planos. O constante sobe e desce segue a lógica das Clássicas das Ardenas, o que não será de estranhar quando as próprias Liège - Bastogne - Liège e La Flèche Wallone passam a poucos kms das estradas que os ciclistas percorrerão hoje. Um dia física e psicologicamente duro, exigindo constante concentração tanto ao (mal tratado) asfalto como ao posicionamento do pelotão; uma má colocação no início de uma subida (e serão vários os Murs que os ciclistas enfrentariam; subidas curtas mas que mais parecem paredes) e bastaria um corte ou uma queda para se perder tempo. O final em Charleville-Mézières passaria pelo imponente Place Ducale O céu, que amanhecera azul e dominado por um sol radioso, foi escurecendo à medida que se aproximava a hora da partida e quando o pelotão finalmente arrancou estava já num depressivo tom de cinza. Alguns ciclistas franziam o sobrolho, adivinhando o que lá viria; nos carros de apoio, os directores-desportivos actualizavam as informações das condições atmosféricas. Não eram promissoras. Seja como for, o Tour estava na estrada. As multidões que ladeavam ambos os lados da estrada acenavam e incentivavam os seus ciclistas favoritos. Estes, estando ainda com as pernas na máxima força e desejosos de mostrar serviço, não esperaram sequer pela saída de Sedan para atacar a corrida! Os ataques surgiram logo nos primeiros metros ainda dentro de Sedan Tão cedo quanto à saída de Sedan já estava formado o trio de fugitivos que animaria o dia Os portugueses, talvez incentivados pela forte presença lusa entre o público, foram dos mais activos nos primeiros kms: Luis Cardoso (Telefonica) e Miguel Martins (Repsol) contaram-se entre os mais interventivos nas primeiras tentativas de fuga, juntamente com outros como Andrea Mazzi (Team Sky), Thomas Bayer (Airbus), Duarte Folliero (Amex) ou Simon Yates (Team Sky), mas acabou por ser outro o português a protagonizar a fuga do dia: o campeão nacional de estrada Guilherme Sousa (Telefonica), que juntamente com Duarte Folliero e Simon Yates se destacaram do pelotão. Conseguir estar na fuga desta etapa não era apenas uma questão de visibilidade ou, quem sabe, poder vencer a etapa. Havia várias contagens de montanha ao longo do dia - cinco de 3ª categorias e mais duas de 4ª categoria -, o que aliado à quase total ausência de montanha nos dias seguintes permitiria ao líder da Classificação da Montanha passear a Polka Dot Jersey, seu símbolo de liderança, até pelo menos à Etapa 06. A Lamborghini - Monster tentou colocar um homem na fuga, mas falhou o momento decisivo. Cesare Donati, primeiro, e Marcel Neustadt, depois, procuraram integrar as primeiras movimentações, mas quando Simon Yates lançou o esticão que formou a fuga decisiva não havia nenhum homem da Lamborghini colocado para responder. Frodo Zarco, Dorian Zarco e Ulrich Glockner sempre bem colocados, atentos a qualquer incidência de corrida... ... tal como Marco Nobile, aqui rodeado por Par Lündstrom (dorsal 171 à esquerda) e pelo campeão espanhol Alfonso Perez Torres, líder da Iberdrola (dorsal 71 à direita) Panorâmica do alongado pelotão com a Iberdrola na frente, rodeando o seu maillot jaune Michal Kwiatkowski Dentro da tranquilidade que uma etapa em constante sobe-e-desce, em estradas estreitas e com a ameaça da chuva sempre pendente, permite, os grandes nomes seguiam relativamente tranquilos, bem rodeados pelos seus colegas de equipa e sempre colocados no primeiro terço do pelotão. Michal Kwiatkowski exibia orgulhosamente a sua camisola amarela; não era a primeira vez que a envergava mas fazê-lo no seu último Tour de France foi uma dádiva justa para um dos Senhores do pelotão - assim mesmo, com maiúscula. A etapa não tinha características passíveis de causar diferenças na geral, sendo expectável que nos últimos kms se formasse um grupo de pequenas dimensões, sim, mas ainda assim numeroso o suficiente para que se disputasse ao sprint. O final não era duro, a última subida contabilizada como montanha surgia a pouco mais de 10 kms do final, e a maior dificuldade na aproximação à meta seria uma pequena e íngreme colina com poucas centenas de metros antes da descida rumo à Capital Mundial das Marionetas, Charleville-Mézières. Natalino Romani (na imagem acima) e Par Lündstrom (na imagem abaixo)... ... são dois dos homens mais apostados para a vitória na etapa de hoje Neste contexto, a Iberdrola teria praticamente a liderança da corrida segura, bastando-lhes controlar homens como Natalino Romani, Par Lündstrom, Kelly Enriquez ou Dorian Zarco, talvez os principais nomes no que à vitória na etapa diria respeito. Voltando à etapa propriamente dita, o trio de fugitivos chegou a deter uma vantagem superior a sete minutos, beneficiando da plácida perseguição da Iberdrola. Assim, ninguém se surpreendeu que os pontos dos prémios de montanha e do sprint intermédio fossem entre eles divididos. O campeão nacional Guilherme Sousa ainda procurou lutar pela camisola da montanha, mas encontrou em Simon Yates um adversário demasiado forte, apesar dos seus 37 anos. O ciclista britânico da Team Sky levou com ele quase todos os prémios em disputa, garantindo a presença no pódio ao final do dia. Simon Yates demonstrou demasiada classe, garantindo a liderança na Classificação da Montanha... ... e liderou ele próprio o sprint intermédio... ... que venceria, para desespero do nosso Guilherme Sousa Eventualmente, as principais equipas decidiram que era tempo de terminar com a letargia instalada no pelotão e iniciaram as movimentações típicas de quem se prepara para discutir a etapa. A Iberdrola viu, então, outras equipas surgirem na cabeça do pelotão e a desvantagem para os fugitivos foi desaparecendo a um ritmo alarmante para estes. A ilusão esfumou-se entre os da frente: se a 100 kms da meta tinham sete minutos de avanço, volvidos apenas 30 kms já a diferença se reduzira a três minutos. Restava-lhes batalhar para assegurar mais alguns pontos nas contagens de montanha restantes e aceitar o facto de irem ser absorvidos antes da meta e, provavelmente, terminar inclusive perdendo tempo para os principais ciclistas. Não que isso fosse um drama para qualquer um deles, nenhum alimenta qualquer esperança no que à classificação Geral Individual diz respeito. À Iberdrola juntaram-se na frente do pelotão elementos de Fly Emirates, Etihad Airways, Ikea, Lamborghini, Red Bull e Astana Após a absorção da fuga, não tardaram a surgir novas iniciativas... ... que resultaram num quinteto de respeito A própria equipa Iberdrola continuava a contribuir com a maior parte do ritmo na frente do pelotão, batalhando para manter todos os grandes nomes debaixo de olho. Ainda assim, e porque é praticamente impossível controlar um pelotão com tanta qualidade quando todos ainda se encontram nas suas máximas forças, rapidamente surgiram novos ataques. Logo que os três fugitivos se tornaram visíveis para o pelotão, o robusto Harrison Connor (Citroën) lançou um potente ataque numa descida mais sinuosa, sendo seguido por dois dos bons valores do pelotão no que às etapas estilo-Ardenas diz respeito: Heimen Gubbels (Amstel) e Sante Lo Duca (Etihad). Estes três iam lançados e rapidamente cobriram o espaço entre o pelotão e os fugitivos do dia; Simon Yates não aguentou o ritmo deste novo trio e rapidamente se deixou ficar para trás, iniciando já a recuperação para a etapa do dia seguinte; Guilherme Sousa e Duarte Folliero resistiram alguns kms mas, também eles, viram o seu sonho terminar. O pelotão continuou debaixo de fogo e novos ataques foram surgindo, resultando na chegada de Salvador Cardona (Repsol) e Jeppe Christiansen (Pirelli) à frente da corrida. A qualidade do agora quinteto de fugitivos tornava-se um problema difícil de gerir pelo pelotão, uma vez que se tratavam de alguns dos melhores especialistas neste tipo de terreno - uma segunda linha logo a seguir aos grandes favoritos já referidos. Como se não bastasse a situação de corrida... começou a chover!, um aguaceiro que ensopou os ciclistas e deixou-os a correr como se estivessem numa pista de gelo. A Red Bull assumiu a liderança da corrida, impondo um ritmo tal que começaram a surgir cortes no pelotão O sprinter Walter Mancini foi uma das primeiras vítimas... ... logo seguido dos campeões belga e alemão, Guillaume Verkooijnen e Albert Wolff... ... e o próprio Ulrich Glockner (dorsal 85) Foi já na última subida categorizada que a fuga iniciada por Harrison Connor foi anulada pelo comboio da Red Bull Um a um, os principais sprinters foram perdendo o contacto com o pelotão, confirmando as expectativas em se assistir a um final disputado não num sprint em massa, mas bem ao estilo de uma clássica. O ritmo da Red Bull serviu para controlar a vantagem da fuga e aos poucos reduzi-la, e em simultâneo evitar novos ataques. A corrida parecia encaminhar-se para uma chegada ao sprint entre homens rápidos mas mais leves do que os sprinters puros. Era uma situação que agradava à Lamborghini - Monster. Frodo Zarco procurava nesta etapa manter-se o melhor colocado possível, sabendo que não era aqui que se discutiria o Tour mas que facilmente se poderia perder numa qualquer curva mal abordada, especialmente com a estrada encharcada. O seu irmão, Dorian Zarco, esse sim alimentava genuínas esperanças numa vitória de etapa, sendo um bom sprinter em finais deste género, uma espécie de Peter Sagan cruzado com Alejandro Valverde. Faltavam 10 kms e as montanhas já eram. Vinha aí um sprint e... oh!, que foi isto? Uma mancha amarela e azul passou a voar pelo pelotão Já sem Simon Yates na frente da corrida, Eligio Preciado procurou também ele a sua sorte... ... mas foi o campeão espanhol, Alfonso Perez Torres, quem alcançou Par Lündstrom Um dos favoritos à partida para a vitória de etapa surgiu, enfim, na corrida. O sueco Par Lündstrom lançou-se bravamente pela descida, indiferente aos evidentes riscos que estava a tomar. Foi um ataque inesperado: a montanha terminara, faltava apenas uma pequena colina antes da meta, e a Red Bull acabara de alcançar os fugitivos. Talvez por isso, Par Lündstrom, sentindo o relaxamento do pelotão, tomou a iniciativa de atacar de longe como ele e os adeptos tanto gostam. A verdade é que rapidamente galgou vários metros perante a indecisão do pelotão. Eligio Preciado da Team Sky, vendo o sucesso do sueco, procurou ele próprio emular a iniciativa, mas foi o contra-ataque do jovem prodígio Alfonso Perez Torres a ter sucesso, levando-o a formar com Par Lündstrom uma dupla de luxo. A própria Lamborghini pegou na corrida na esperança de providenciar as condições ideias para Dorian Zarco, perseguindo o duo de fugitivos pelas sinuosas estradas na aproximação a Charleville-Mézières. Não foi fácil, afinal na frente lutavam dois dos melhores valores do pelotão mundial; mas também beneficiando da parca colaboração entre os fugitivos, o pelotão acabou por alcançá-los. Estava tudo feito para o sprint final... não fosse um último e inesperado ataque. Ninguém falava nele, passou a toda a etapa escondido, quase parecia adormecido. E, no entanto, é mesmo assim que ele corre. Controlando, observando, meditando e, subitamente, lançando o ataque decisivo que destrói a concorrência. Chegaria para a vitória? Súbito ataque de Marco Nobile num terreno onde não é habitual vê-lo brilhar... ... mas que lhe permitiu obter a primeira vitória nesta edição do Tour de France Ficou tudo chocado. Marco Nobile lançou-se vindo do nada, galgando metros atrás de metros enquanto uma desesperada Lamborghini procurava fechar o espaço. Esse espaço acabaria por ser fechado, sim, mas já em cima da meta, dando à super-estrela italiana tempo para cruzar a meta calmamente, de braços na cintura como se questionasse "mas tinham dúvidas?", enquanto atrás Dorian Zarco vencia mesmo o sprint no grupo dos favoritos. Frodo Zarco e seus companheiros não conseguiam esconder a frustração. Marco Nobile não ganhara tempo na estrada e a etapa não era bonificada, pelo que não se perdeu tempo para o italiano; no entanto, este negara a dobradinha aos irmãos Zarco. O mais frustrante de tudo é que o próprio Marco Nobile agiu com tal despreocupação que terminou a etapa quase parado, festejando a vitória, quando poderia facilmente ter ganho já aqui alguns segundos. Passava a ideia de estar tranquilo quanto à vitória no Tour de France, de tal forma que até se poderia dar ao luxo de perder tempo a festejar vitórias de etapa. A presença dos irmãos Zarco nos 2º e 3ºs lugares é uma surpresa bem-vinda, em especial a de Frodo Zarco que, assim, demonstra ainda estar com pernas para pequenas surpresas. O top10 quase poderia ser o de uma qualquer Clássica das Ardenas, exibindo especialistas como Kelly Enriquez, Henry Hodgson, Faizel Gijsman, Eligio Preciado, Alfonso Perez Torres e Par Lündstrom (estes dois apesar de terem atacado alguns momentos antes). A ausência de Natalino Romani na discussão da etapa acaba por ser a desilusão do dia. A Iberdrola segura também a liderança da corrida mas a camisola amarela muda de dono: Alfonso Perez Torres assalta a liderança após Michal Kwiatkowski ter chegado com o tempo do vencedor mas mais recuado no grupo. É a primeira vez que o miúdo veste a maillot jaune - algo que se espera tornar habitual no futuro. Para finalizar, destaque-se a perda de Adam Yates. O campeão mundial de estrada e antigo vencedor do Tour perdeu tempo e provavelmente ficou já afastado da luta pela vitória final, tendo caído algures durante a etapa. Lá está o que se costuma dizer: não é nestas etapas que se ganha o Tour, mas é nelas que eles se podem perder... ________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Inka, posto quando tiver tempo para entrar no jogo :wink: PS: As imagens têm pouca animação porque fui obrigado a reduzir a qualidade para o jogo ser mais fluído. Nas próximas etapas já estarão melhores, consegui encontrar algum equilíbrio. Compartilhar este post Link para o post