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Black Hawk

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  1. Não é esse o objetivo? Quão mais miseráveis as pessoas forem, menos armas terão para reivindicar direitos e lutarem por melhores condições porque ficam sem margem para arriscar perder o pouco que já tiverem. Olha, hoje é dia de greve geral e conheço ainda bastante gente que me disse "não faço greve porque não posso perder um dia de trabalho". Estão a conseguir tornar as pessoas suficientemente pobres para estas não poderem sequer fazer um dia de greve em luta pelos seus direitos.
  2. Ias sentir-te em casa em Coimbra. Houve uma altura em que eu e uma colega de trabalho contávamos quantos víamos no caminho para o trabalho para ver quem "ganhava". Muito raramente alguém chegava a zeros. Deves ser demasiado novo para saberes quem é o Deco.
  3. Capítulo 06: "A estrada para Wembley" Olá, malta! Estamos em Maio de 2027. Cumpriram-se quase duas voltas completas desta adorável bola azul em torno do rei sol desde que me tornei treinador principal do Sheffield Wednesday. Foram dois anos difíceis e stressantes. Tivemos muito trabalho para lutar contra as adversidades. Aquele plantel inicial que me foi dado em Julho de 2025 exigiu muito esforço para o transformar numa equipa de futebol funcional. Foi necessário todo um exaustivo trabalho de investigação e análise no Verão de 2026 para encontrar os reforços apropriados para tornar o plantel mais condizente com os elevados padrões dos "The Howls". Mas isto vocês já sabiam, pois eu já vos contei tudo isto. O que ainda não vos contei foi aquilo que aconteceu na privacidade de Hillsborough durante o mês de Janeiro de 2027. Da última vez que vos escrevi, estávamos inesperadamente na liderança do Championship com 27 de 46 jogos já disputados. Isto foi tão inesperado que me obrigou a mudar radicalmente a nossa estratégia a curto/médio prazo. Como talvez se recordarão, da primeira vez que vos escrevi referi que o objetivo seria colocar o Wednesday na Premier League em três temporadas. Neste plano, esta segunda temporada serviria para iniciar a construção do plantel que serviria de base para uma candidatura à subida de divisão na nossa terceira temporada - daí pouco termos investido em contratações, optando antes por jogadores a custo zero que garantissem o nível suficiente para fazermos uma temporada tranquila. No entanto, chegámos ao final de Dezembro de 2026 na liderança do Championship. Isso não poderia ser ignorado. De repente, qualquer resultado final que não a promoção à Premier League seria invariavelmente visto como uma catástrofe, pelo que tivemos de antecipar em seis meses o investimento no nosso plantel tendo em vista a promoção à divisão principal do futebol inglês. O objetivo, claro está, passou a ser a promoção direta ou, na pior das hipóteses, garantir um lugar de acesso aos playoffs que nos permitisse ir até Wembley disputar a promoção à Premier League. Em Janeiro de 2027 começámos o trabalho que, esperávamos nós, garantiria pelo menos o início da viagem pelas estradas que levariam até Wembley. Revolução no plantel A equipa estava a render bem, não sendo por acaso que ocupávamos o topo da tabela do Championship. Ainda assim não conseguia afastar a sensação de que estávamos em "overperformance", ou seja, a conseguir resultados acima do esperado. Por mais paradoxal que possa parecer, isto era um problema. Significava que mesmo a fazer mais do que era suposto conseguirmos, isso não era suficiente para nos afastarmos de adversários mais fortes como o Leeds United, o Sunderland ou o Southampton - estávamos todos separados por cinco pontos. Caso a equipa baixasse um pouco o nível para mais perto da real qualidade dos meus jogadores, poderíamos ver a promoção direta para a Premier League fugir-nos por entre os dedos. E isso nem era assim tão improvável quanto isso, pois ultrapassado o efeito surpresa, os nossos adversários já não iriam defrontar-nos com a mesma sobranceria com que talvez o tenham feito na primeira metade da temporada. A isto juntou-se outro detalhe: perdemos dois titulares para o início de 2027. O George Pratt, um de apenas dois defesas centrais em que confiava, lesionou-se com gravidade; e o Serginho, um dos meus extremos titulares, iria disputar a AFC Asian Cup pelos Emirados Árabes Unidos, competição que duraria todo o mês de Janeiro e talvez mais uma semana em Fevereiro. Assim, enquanto todo o resto do mundo preparava os festejos para a passagem de ano, eu passei o último dia de Dezembro de 2026 a analisar os relatórios dos meus observadores e a fazer contas ao nosso orçamento para decidir quais os jogadores que tentaríamos contratar no mercado de Inverno durante o mês de Janeiro. Esta foi a lista de reforços que trouxemos neste mercado de Inverno (todos excepto o Christ Makosso, que foi contratado no Verão). As posições que sentia mais carenciadas eram o centro da defesa e o meio-campo. Só tinha um bom defesa central (Christ Makosso) e um que ia desenrascado (George Pratt). Com a lesão deste último, decidi trazer dois novos defesas centrais: Daniele Ghilardi e Erik Noriega. No meio-campo tinha dois bons jogadores (Finley Barbrook e Amine Bassi). Os restantes iam desenrascando, mas nenhum deles me dava confiança para ser titular de forma regular. Assim, trouxe dois novos jogadores: o alemão Patrick Osterhage e o dinamarquês Pelle Mattsson. Dada a perda do Serginho durante pelo menos um mês, contratei o esquerdino Mohamed Belloumi para reforçar a extrema direita do nosso ataque. Por fim, trouxe também o Thimotée Pembélé. Não estava propriamente à procura de um lateral direito, mas um dos meus observadores recomendou-o vivamente dizendo que era tão bom quanto os meus jogadores, mas com potencial para ser bastante melhor. Sondei o Sunderland e pediram um valor tão irrisório, tão abaixo do seu valor de mercado, que optei por avançar pela sua contratação. Aliás, isto foi o padrão das minhas contratações. Todos eles estavam listados para transferência pelos seus clubes e foram recomendados pelos meus observadores como sendo tão bons quanto os meus atuais jogadores, mas com potencial para serem melhores do que eles. Além disso, tive o cuidado de apenas avançar por jogadores que os meus observadores referiram serem profissionais, jogadores de equipa ou determinados - alguns deles com pelo menos uma destas características, outros com algumas, no caso do Patrick Osterhage com todas elas. E se dúvidas houvesse quanto ao sucesso deste mercado de Inverno, a reação dos meus próprios jogadores à chegada dos novos reforços descansou-me de imediato. O meu guarda-redes Pierce Charles e o meu defesa central Dominic Iorfa, ambos ainda resistentes do plantel da primeira temporada, deram voz à satisfação do plantel com o reforço da qualidade da equipa com as novas entradas. Curiosamente, nenhum deles se manifestou quanto à que considero a contratação mais crítica e audaz deste mercado de Inverno. O meu observador deve ter aproveitado a tarefa de prospecção que lhe dei para passar umas férias no Perú, pois mandou-me relatórios de mais de dez jogadores peruanos. Um deles foi Erick Noriega, que por acaso até jogava no Brasil. O Noriega é médio defensivo de raiz, mas quando olhei para as características do jogador vi nele o defesa central que precisava: jogo aéreo, velocidade e desarme quanto baste para o Championship (todos em 14). Peca um pouco na agressividade, mas isso é algo em que poderemos trabalhar para ele melhorar. O que ele tem de bom é a capacidade de passe, o que é uma melhoria considerável em relação a todos os meus defesas centrais que têm em comum bons atributos defensivos, mas são frágeis com a bola nos pés; o Noriega vem dar aquilo que nenhum deles é capaz de dar quando temos a posse de bola. Agora é apenas esperar que se habitue a jogar no centro da defesa e, se evoluir um pouco com rodagem regular no futebol europeu, pode ser que venha a ser um bom defesa central até para o nível da Premier League quando lá chegarmos. De uma forma global, o padrão nestes reforços foi o facto de já serem bons jogadores, mais ou menos ao nível dos meus titulares, mas com potencial para evoluirem um pouco mais além com utilização regular - pelo menos foi essa a garantia dos meus observadores. Ah, claro, trouxe ainda dois jovens, o Stephen Chirishungu e o Kitt Bunting, ambos com elevada avaliação dos observadores quanto aos seus potenciais de evolução. Pelo preço que me pediram, valeram a pena o risco e para já vão jogar na minha equipa de reservas. E agora perguntam vocês "mas oh Black Hawk, onde raio foste buscar os 25 milhões de euros que gastaste com esses reforços todos?". É uma excelente pergunta e a resposta está aqui. Fizemos 26 milhões de euros em vendas (são os valores sublinhados a azul). De todos eles, apenas fiquei com pena da saída do Thierry Correia. Ele é português tal como eu e sei, por conhecer o jogador desde que apareceu como promessa das camadas jovens do Sporting, que tem potencial para ser muito bom, mas ele não estava a render. Cometia demasiados erros defensivos, não estava a dar a preponderância esperada no ataque, foi inconsistente nestes meses que cá esteve e com a entrada do Thimotée Pembélé iria perder espaço, pelo que mais valia deixá-lo sair - e acabou por render um bom lucro já que veio a custo zero no último Verão. De resto, o Svante Ingelsson e o Fanis Bakoulas eram médios habitualmente suplentes que com regularidade sentiam-se nervosos antes dos jogos; e os outros três ainda eram restos do nosso plantel original da primeira temporada que pouco ou nada jogaram este época. Acabámos por fazer lucro, o que ainda permitiu investir para melhorar um pouco as nossas condições de treino e da Academia... ... que estavam numas miseráveis 2,5 estrelas e passaram agora para 3 estrelas de condições. Ainda estão distantes do nível expectável para um clube com a história e a reputação do Sheffield Wednesday, mas lá chegaremos. Passo a passo. As nossas condições financeiras estão seguras. Estamos abaixo do limite do orçamento salarial, sobraram 11,755 milhões de euros do orçamento para transferências e estamos a cumprir totalmente as exigências da FA no que respeita às regulações financeiras - mal seria se não estivéssemos, fizemos 14 milhões de euros de lucro nos dois mercados de transferências desta temporada! Com o plantel reforçado, e com maior profundidade tanto em opções como em qualidade, avançámos então para a segunda metade da temporada com a confiança de que tínhamos mais e melhores armas para atacar a subida à Premier League. A consolidação Os reforços não entraram diretos na equipa, como poderão imaginar. Dado o volume de jogos, foram sendo utilizados aos poucos, ora um, ora outro, à medida que foi sendo necessário rodar os meus jogadores para gerir a condição física ou por indisponibilidade de alguém. Alguns deles viriam a terminar a temporada como titulares, casos do Thimotée Pembélé, Erick Noriega e Patrick Osterhage, mas nos primeiros dois meses eles foram mais vezes suplentes utilizados do que titulares. Ainda assim, o acréscimo de qualidade que trouxeram foi desde logo evidente nos resultados obtidos em Janeiro e Fevereiro. Não há muito a dizer, fomos quase brilhantes nestes dois meses. Falhámos apenas em três jogos que tiveram algo em comum: em todos eles sofremos o golo do empate no tempo de compensação da partida. O pressing final dos nossos adversários foi algo que inicialmente tivemos imensa dificuldade em gerir em alguns jogos e isso custou-nos seis pontos nesta fase. Um desses empates foi especialmente doloroso: foi no "Steel City Derby". Dominámos esse jogo de alto a baixo, poderíamos ter construído uma goleada, mas acabámos por sofrer o empate literalmente no último lance do jogo quando a minha defesa achou boa ideia ir contra as minhas ordens (que eram para defender mais atrás) e subiu linhas, permitindo ao Sheffield United lançar um contra-ataque que resultou no empate. Em compensação, tivemos este fantástico resultado. O Southampton vinha numa fase incrível de resultados e veio a Hillsborough disputar os três pontos que, se os tivessem conseguido, lhes teria permitido ascender a lugares de promoção direta. A primeira parte do jogo foi terrível para nós. O Southampton entrou com ímpeto e criou várias ocasiões flagrantes de golo. Só por milagre (sendo que o milagreiro foi o nosso guarda-redes Pierce Charles) resistimos até ao intervalo sem sofrer golos. A segunda parte foi completamente diferente e tudo começou com o primeiro golo do Erick Noriega pelo Wednesday logo nos minutos iniciais. O ímpeto do Southampton quebrou, nós fomos para cima deles e construímos uma goleada que talvez não merecessemos, mas que foi fulcral. É que o Southampton quebrou depois de perderem em Hillsborough e caíram na tabela, de tal forma que em finais de Fevereiro, inícios de Março... Aumentámos dramaticamente a nossa vantagem sobre eles (e sobre o Sunderland) para 12 pontos, isto numa altura em que apenas havia mais 9 jogos para disputar. A promoção direta estava quase garantida e apenas o Leeds United nos ameaçava - e ameaçava o título do Championship, não a promoção direta, pois essa nessa altura já só uma catástrofe poderia impedir. Por outro lado, talvez tenham notado os jogos para a FA Cup por entre os compromissos do Championship. A Direção tinha como objetivo atingir a 4ª Eliminatória da competição e facilmente atingimos esse objetivo com uma vitória tranquila sobre o Northampton, da League One. A partir daí, o que viesse era lucro. O sorteio colocou-nos no caminho de dois adversários da Premier League: primeiro o Ipswich Town... ... e depois o Birmingham... ... e o que é certo é que os eliminámos a ambos, o que mostra o crescimento da nossa equipa que, por esta altura, consegue já disputar eliminatórias contra adversários de um escalão superior. Nenhum dos jogos foi propriamente fácil, não exercemos um domínio avassalador sobre eles, mas fomos ligeiramente superiores e merecemos o apuramento para os Quartos-de-Final da FA Cup. E ficávamos a apenas uma eliminatória de conquistar o direito de irmos a Wembley disputar o acesso à final da FA Cup! Um último esforço À entrada de Março estávamos então com 12 pontos de vantagem sobre Southampton e Sunderland. Estavam ainda em disputa 27 pontos, pelo que nada estava garantido - e todos sabem como por vezes os deuses do futebol (cof cof o motor de jogo cof cof) adoram destruir uma equipa com várias derrotas consecutivas sem qualquer razão aparente. Por isso o melhor era não entrar em gestões: cada jogo foi encarado como uma final, procurando somar todos os pontos possíveis para fechar as contas da promoção à Premier League antes de qualquer potencial catástrofe que o motor de jog... errr os deuses do futebol, os deuses do futebol!... nos atirassem ao caminho. Não vou negar que a equipa sentiu a pressão. Quase todas as semanas tive de acalmar os jogadores antes dos jogos pois estes estavam nervosos, temendo que um mau resultado pudesse deitar por terra a promoção à Premier League. O medo era palpável no balneário! Não me admirou por isso que a equipa tenha somado vitórias bem mais tangenciais do que vinha fazendo até aqui. Falhámos mais golos, o que atribuo à pressão a que os jogadores estavam sujeitos, foi mais difícil chegar à vantagem nestes jogos e, claro, uma vez conseguida essa vantagem recuámos no terreno mais vezes e mais cedo para a segurar. Apanhámos alguns sustos, mas as vitórias continuaram a cair para nós e fomo-nos aproximando do grande objetivo que tínhamos na nossa mente. Pelo meio disputámos ainda os Quartos-de-Final da FA Cup. Estavam ainda em prova várias equipas da Premier League, mas por sorte saiu-nos ao caminho o West Brom, que são do nosso escalão. Este foi, de resto, um excelente exemplo daquilo que foram os nossos jogos nesta fase da temporada. Desperdiçámos vários golos que nos permitiriam gerir tranquilamente o jogo até final, o que nos obrigou nos últimos minutos a sofrer o intenso assédio do adversário que procurava o empate. Descemos linhas, demos a bola ao adversário e privilegiámos a ocupação dos espaços em frente à nossa baliza ao invés de pressionar alto e gerir o jogo em posse. O West Brom acabou por não ameaçar a nossa vitória, mas o jogo terminou com a possibilidade sempre presente de um golo inesperado que forçasse o prolongamento. E, com esta vitória, carimbámos o passaporte para as meias-finais da FA Cup, a disputar em Wembley! Mas deixemos isso para depois, pois nessa fase a nossa prioridade era o Championship e havia uma promoção e um título para disputar. As vitórias sobre Hull City, Derby County e Leicester - todas elas sem sofrer golos! - deixaram-nos numa posição em que até poderíamos garantir a promoção na recepção ao Swansea. Era improvável, pois tal só aconteceria com uma improvável combinação de resultados em que nós vencessemos, o Sunderland não vencesse o seu jogo e o Southampton perdesse. Nós fizemos a nossa parte vencendo o Swansea tranquilamente por 3-1 - eles apenas marcaram já no tempo de compensação quando já estava 3-0 a nosso favor. Mas querem saber o que aconteceu? A improvável combinação de resultados que nos garantia a promoção logo ali, em inícios de Abril, ainda a um mês de terminar o Championship, aconteceu mesmo! A promoção à Premier League estava confirmada. Vinte e sete anos depois, o Sheffield Wednesday garantia o regresso à Premier League! Os festejos foram efusivos em Sheffield, como poderão imaginar. Dei até aos meus jogadores um dia de folga para poderem recuperar das celebrações que se prolongaram durante toda essa noite - e para recuperarem da ressaca com que todos eles decerto estariam a sofrer no dia seguinte. Depois da festa, voltámos ao trabalho porque ainda havia um título para decidir. Defrontámos o Watford quatro dias depois, um jogo que tínhamos em atraso e que vencemos com naturalidade, o que nos deixou a apenas uma vitória de garantir o título de campeão do Championship. A festa ficou marcada para o dia 10 de Abril de 2027. Recebíamos o Charlton em Hillsborough e uma vitória valia o título. Teria sido bonito conquistá-lo com uma vitória perante os nossos adeptos, num Hillsborough cheio de adeptos a criarem um ambiente festivo, numa comunhão entre adeptos e equipa. Mas os deuses do futebol trocaram-nos as voltas. O Leeds United jogou na véspera no terreno do Leicester... ... e empatou! Ficaram matematicamente impossibilitados de nos alcançar, pelo que o título foi celebrado 24 horas antes de entrarmos em campo. Estava feito! O Sheffield Wednesday era campeão do Championship 68 anos depois da última conquista desta competição! Se me perguntarem se esperava este feito quando a temporada começou? Não! Não o esperava de todo! No Verão de 2026 sabia que tinha à minha disposição uma boa equipa e, tal como vos escrevi na altura, acreditava que poderíamos intrometer-nos na luta pelo acesso aos playoffs. Agora, promoção direta? Isso não me passava pela cabeça, e muito menos vencer o próprio Championship! Mas aqui estamos, com uma cidade em festa e os adeptos ansiosos por voltar a defrontar as maiores equipas inglesas nessa exigente competição que é a Premier League. Mas antes ainda havia uma ida a Wembley. Todos os caminhos vão dar a Wembley O Sheffield Wednesday já venceu a FA Cup e a League Cup no passado. Ir a Wembley não é nada de novo para os "The Howls" - ainda em 2023 lá fomos, na altura disputar a final do playoff de promoção ao Championship. Agora, ir a Wembley disputar o acesso à final da FA Cup era algo que não acontecia desde 1993, altura em que o Wednesday defrontou e venceu o seu maior rival Sheffield United. Por isso imaginam a loucura que foi a corrida aos bilhetes para marcar presença neste momento marcante da história recente do nosso Wednesday! O adversário que nos saiu em sorte foi o Newcastle United. Um adversário com bolsos fundos e uma equipa milionária - para terem uma noção, só o Bruno Guimarães e o Tonali recebem mais do que toda a minha equipa junta! Fomos a Wembley na máxima força. Tinha toda a equipa disponível. Chegámos aqui de forma algo inesperada, tendo eliminado dois adversários da Premier League. Poderia ter ido com mil cuidados. O Newcastle é um adversário muito mais forte do que nós. Toda a lógica ditava que fôssemos defender, tentar segurar o nulo no marcador o máximo de tempo que pudéssemos e tentar surpreender num contra-ataque ou num pontapé de canto ou algo assim. Em vez disso, fomos jogar como jogámos a época toda: disputar todos os lances, tentar ter a bola e dominar o adversário. Estávamos de volta a uma meia-final da FA Cup 34 anos depois da nossa última presença nesta fase da prova; iríamos a jogo sem medo, mostrar o nosso orgulho e a valentia das nossas gentes. O que acontecesse, aconteceria. Este foi o onze inicial apresentado pelo Newcastle. É uma equipa de luxo, pelo menos comparada com a nossa modesta formação. Todos os onze jogadores deles entravam diretos para o nosso onze inicial, mas o contrário não aconteceria. Enfim, é o que é. Essa desproporção fez logo diferença nos minutos iniciais quando o Newcastle entrou a vencer com um golaço do Bruno Guimarães num remate de longe. A bola bateu no poste direito na nossa baliza antes de entrar, não dando qualquer hipótese de defesa ao nosso guarda-redes Pierce Charles. Criámos pelo menos duas boas ocasiões de golo para empatar o jogo antes de apanharmos um susto com um golo do Woltemade, mas felizmente o golo foi anulado por fora-de-jogo. Infelizmente, porém, o mesmo Woltemade marcaria a meio da primeira parte e desta vez contou. A perder por dois golos, fomos para cima do Newcastle e em cima do intervalo reduzimos para 1-2 graças a uma boa finalização do nosso ponta-de-lança Francis Okoronkwo, que concluiu um excelente lance coletivo do nosso ataque. E, ao intervalo... ... perdíamos 1-2 num jogo em que o todo-poderoso Newcastle apenas tinha feito dois remates - ambos resultando em golos. Era injusto? Oh!, se era!, mas o que conta é o resultado e eles marcaram mais do que nós. Na segunda parte continuámos por cima até que, ao quarto remate do Newcastle no jogo, o Tonali marcou - e acertaram, foi em mais um remate de longe. Ainda devolvemos a esperança aos adeptos do Wednesday que enchiam a sua curva de Wembley quando o Serginho reduziu para 2-3 na reta final do jogo, mas no lance seguinte o Woltemade decidiu mandar um tomahawk a 30 metros da baliza que só parou no fundo das redes, garantindo a vitória do Newcastle. Feitas as contas: fizemos mais remates, criámos mais ocasiões de golo, mas perdemos. Voltámos a Sheffield com uma derrota, mas orgulhosos tanto da nossa campanha na FA Cup, como da nossa prestação nesta meia-final. E, acima de tudo, com a certeza de que afinal já conseguimos defrontar adversários mais fortes sem sermos dominados em campo, o que é um excelente indicador para a próxima temporada. Afinal de contas, isto de os nossos adversários marcarem três golos de remates de longe num só jogo não vai acontecer todos os dias, pelo que a jogar assim temos confiança que os resultados hão de aparecer. Cai o pano sobre o Championship A derrota em Wembley marcou basicamente o final da temporada para nós. Com a promoção à Premier League assegurada e o título de campeão do Championship no bolso, restou-nos cumprir calendário para podermos ir de férias. E que merecidas seriam! Aproveitei esta fase final para dar oportunidade a jogadores habitualmente menos utilizados e alguma rodagem aos reforços do mercado de Inverno que não se assumiram no onze inicial até aqui, mas mesmo assim continuámos a vencer. A temporada viria mesmo a terminar com uma impressionante vitória sobre o Leeds United no conhecido "Yorkshire Derby". Depois de perdermos em casa há meio ano, fomos a Elland Road goleá-los num jogo que se tivesse acontecido ao contrário teria sido coisa para me deixar furioso. Eles fizeram mais do que o suficiente para não perderem, se calhar até para ganhar, mas nós marcámos três vezes nas quatro vezes que atacámos a baliza. Bem, calha a todos, contra o Newcastle perdemos assim, desta vez fomos nós os felizardos. Os adeptos do Leeds também não terão levado muito a peito esta derrota, pois mesmo perdendo confirmaram a promoção à Premier League graças ao empate do Sunderland na última jornada. Os azarados de serviço acabaram mesmo por ser o Sunderland. Se tivessem vencido na última jornada teriam ascendido ao segundo lugar e subido à Premier League; tendo empatado, tiveram de ir aos playoffs onde perderam na final contra os Wolves. Da nossa parte, não há muito a dizer relativamente aos números finais: 110 pontos, melhor ataque com mais de 100 golos apontados, e melhor defesa. Sem surpresas, ganhei o prémio de treinador do ano do Championship. Não sou muito de dar valor a prémios individuais, mas sabe sempre bem ser reconhecido pelo nosso trabalho. Estatísticas individuais Com uma temporada repleta de sucessos coletivos, não será de estranhar que a maioria dos meus jogadores também tenham estado em grande plano no capítulo individual. Estes foram os dez jogadores de campo mais utilizados ao longo da temporada. A maioria mostrou qualidade. Talvez o lateral esquerdo Jamal Lewis e o médio defensivo Finley Barbrook tenham sido os menos impressionantes, mas de resto fiquei satisfeito com todos eles. Há três destaques individuais que tenho de dar. O primeiro vai para o extremo esquerdo, o japonês Yuki Soma. Foi o nosso melhor jogador. Fez 32 contribuições diretas para golo, isto sem contar com as indiretas, e muitas delas em momentos-chave em que realmente estávamos a precisar. O segundo vai para o extremo direito Akinkunmi Amoo. O nigeriano começou a temporada a suplente e pouco esperava dele, mas o que é certo é que aproveitou bem a ausência do Serginho (que, como se recordarão, esteve ausente um mês para disputar a AFC Asian Cup) para se assumir e nunca mais perdeu a titularidade. O terceiro vai para o ponta-de-lança Francis Okoronkwo. E este é difícil de explicar. O Okoronkwo começou a temporada como suplente do Marcus Forss, marcou inicialmente alguns golos a sair do banco de suplentes, mas quando era titular raramente marcava. Durante o mês de Janeiro marcou dois golos num jogo em que foi titular. Mantive-o para o jogo seguinte e marcou de novo dois golos. Nunca mais perdeu o estatuto de titular e ainda foi a tempo de terminar a temporada com 26 golos. Agora, o que é engraçado... ... é como raio ele marcou 26 golos no Championship com estes atributos. A performance do Francis Okoronkwo é o exemplo perfeito de como os números não são absolutos. Ele não é rápido, não é forte no jogo aéreo, não é agressivo e nem sequer tem boa capacidade de remate. Na verdade, não tem nenhum atributo em que se destaque. Mas marcou 26 golos. Como? Não sei. Mas eles contaram. A única conclusão a que posso chegar é que um jogador é bem mais do que a soma dos seus atributos. Estes são os jogadores de campo que tendo iniciado a temporada em Hillsborough, não tiveram estatuto de titular. Como dá para perceber, a maioria não apresentou grande performance, daí que tenha sentido necessidade de reforçar a equipa no mercado de Inverno. As duas excepções são o Serginho e o Marcus Forss. O Serginho não foi propriamente suplente ao longo do ano. Na primeira metade da temporada foi titularíssimo na direita do nosso ataque e apenas perdeu a titularidade pelo motivo que já expliquei, porque a sua qualidade é inegável e os números, neste caso, não mentem. O ponta-de-lança Marcus Forss acabou por perder a titularidade na frente do ataque para o Francis Okoronkwo, mas ainda marcou 13 golos, o que é a melhor temporada da sua carreira. O que lhe falta em qualidade compensa em esforço e sacrifício, mas é provável que não chegue para a Premier League - e por isso talvez venha a ser vendido no Verão. E estes são os reforços do mercado de Inverno de que vos falei no início. O Erick Noriega, o Patrick Osterhage e o Mohamed Belloumi integraram-se muito bem e têm estatísticas consideráveis para o tempo que estiveram connosco. O Thimotée Pembélé também acabou a temporada a titular, mas foi um pouco mais modesto, enquanto do Daniele Ghilardi e do Pelle Mattsson gostei do que vi mesmo que os números não impressionem. De uma forma geral, acho que todos eles mostraram qualidade e mal posso esperar para os ver em ação com uma pré-temporada na equipa e já adaptados aos colegas e à nossa forma de jogar. Isso acontecerá na próxima temporada com o regresso do Sheffield Wednesday à Premier League 27 anos depois da última presença dos "The Howls". Estou ansioso para testar a nossa qualidade perante algumas das melhores equipas do mundo. Iremos dar boa conta de nós? Conseguiremos garantir a manutenção de forma tranquila ou vamos passar um ano inteiro em sofrimento? Será esse o tema para os próximos capítulos. "Hi Ho Sheffield Wednesday!"
  4. Pode perfeitamente terminar no top8 caso amanhã não aconteça uma catástrofe.
  5. Mais um anito ou dois e talvez já dê para fazer bingo.
  6. Cala-te antes que também venha o Gelson Martins.
  7. Pois eu vejo ciclismo desde os anos 90 e até há bem pouco tempo ninguém queria saber disso para nada. Ou achas que "os adeptos terem de andar a rebobinar transmissões" é por coincidência? O Contador quando destruía a concorrência no Tour, a notícia era a sua vitória e o tempo ganho à concorrência, que raio importava se tinha demorado mais 30 ou menos 30 segundos do que o Pantani dez anos antes dele?
  8. Ver o Van Dijk ser comido de cebolada aí pelo Bernardo faz-me lembrar que houve um período em que corria o mito que ninguém driblava o Van Dijk há mais de um ano. Na altura até via uns jogos da Premier League, via o Van Dijk a ser comido de vez em quando como qualquer defesa de vez em quando o é, mas de alguma forma a estatística de não ser driblado continuava a crescer. Ah, bons tempos 🤣
  9. Talvez o treinador. 👀
  10. Um dia hei de perceber a recente relevância dada aos "tempos de subida" e aos recordes de subida. Como se houvesse duas etapas iguais em dureza e distância mesmo que a meta esteja no mesmo local. Até cronómetros metem na transmissão televisiva como se aquilo fosse algum dado relevante para o desenrolar da corrida.
  11. O homem a certa altura disse (e espero não ter percebido mal) que a altura das substituições quase no minuto 90 não foi problema porque quem entrou ainda teve meia hora para mudar o jogo. O desgraçado a jogar contra uma equipa da Segunda Liga e a ideia dele era mexer na equipa a pensar no prolongamento em vez de querer resolver a questão no tempo regulamentar. Por amor de Deus, é este idiota que tem gente aqui a defendê-lo? É por esta colina que estão dispostos a morrer, como se costuma dizer? Seven Hells...
  12. Respondendo a ambos: a minha expectativa inicial era essa, a de fazer melhor e tentar pelo menos os playoffs. A realidade... eh, mais uns minutos e já posto 🤭 "Sacked in the morning!" Olá, malta! Saudades minhas? Imagino... se não rasgaram esta carta logo que a receberam e estão de facto a ler isto, não sei se vos deva agradecer, dar-vos os parabéns ou lamentar as vossas más escolhas de vida... mas já que aqui estamos, deixem-me contar-vos como correu esta aventura na segunda temporada aos comandos dos "The Howls". Eu sei, imagino que estejam curiosos quanto ao título desta missiva. Lá chegaremos. A única coisa que vos posso dizer para já é que... lembram-se de na última vez que vos escrevi ter dito que tinha esperanças em intrometer-me na luta pelo acesso aos playoffs? Ah, esqueçam lá isso dos playoffs pois isto não está a correr nada como tinha antecipado. Mas comecemos pelo princípio. Arranque de temporada e Taça da Liga Depois de um Verão em que operámos uma revolução no nosso plantel e de uma pré-temporada bem sucedida que incluiu vitórias sobre Santa Clara e PEC Zwolle (equipas da divisão de topo de Portugal e Holanda), os adeptos estavam entusiasmados e ansiosos para que começassem os jogos a sério. O primeiro mês de competição incluiu jogos para o Championship intercalados com as primeiras eliminatórias da Taça da Liga aka EFL Cup. Esta era o primeiro grande objetivo da temporada - não que fosse objetivo irmos até à final, mas a Direção exigia que fôssemos pelo menos até à 3ª Eliminatória. Isto exigiu alguma ginástica na gestão dos jogadores, pois foram muitos os jogos disputados em pouco tempo, mas de alguma forma demos um jeito e não correu nada mal. A equipa fez valer as expectativas dos adeptos do Wednesday com duas vitórias consecutivas sobre o Derby County. Em ambos os jogos fomos superiores, mas acabámos por ter de sofrer para garantir as vitórias: primeiro para o Championship com um golo em cima do minuto 90; depois necessitando de resolver a 1ª Eliminatória da Taça da Liga no desempate por grandes penalidades quando, em boa verdade, fizemos mais do que o suficiente para vencer no tempo regulamentar. O empate (injusto) contra o Watford não nos tirou a motivação e prosseguimos o nosso caminho somando mais três vitórias, entre as quais esta beleza perante o Leicester City. Foi um jogo equilibrado, mas em que chegámos à vantagem durante a primeira parte quando estávamos por cima do jogo. Na segunda parte retraímo-nos um pouco e demos a iniciativa ao Leicester; quando o ímpeto deles começou a esmorecer, matámo-los no contra-ataque para resolver a eliminatória. Este jogo foi notável por dois motivos: foi o primeiro indício de que demos um salto qualitativo, já que o Leicester era um dos candidatos à promoção e no ano passado passámos mal quando jogámos contra eles; e porque garantiu a passagem à 3ª Eliminatória da Taça da Liga, que era o objetivo apontado pela Direção para esta competição. Cumprido o objetivo, o que viesse a seguir era lucro. Infelizmente, não fomos muito mais longe. O sorteio colocou-nos no caminho o Middlesbrough, equipa que este ano está na Premier League e que se reforçou, estando bem mais forte do que na época passada... ... e que sem surpresas nos eliminou da Taça da Liga. Nem sequer fomos propriamente inferiores, basta olhar para as estatísticas para perceber isso, mas uma sucessão de erros individuais permitiu-lhes marcar três golos enquanto, por outro lado, fomos desperdiçando alguns bons lances que fomos criando ao longo do jogo. Como talvez se recordem, há um ano também tivemos um bom arranque até perdermos copiosamente contra o Liverpool na Taça da Liga, eliminação que nos levou a uma série de maus resultados. No entanto, desta vez a primeira derrota da temporada não nos afetou por aí além, pois três dias depois goleámos o Norwich no regresso ao Championship. E, com isto, chegámos a um dos jogos mais esperados do ano. O "Steel City Derby". Na época passada, a imprensa de Sheffield fez a festa antes dos dois "Steel City Derby", promovendo uma narrativa que levou muitos a pensar que o treinador que perdesse poderia ser despedido. Desta vez, porém, nem foi necessária a intervenção da imprensa. Os próprios adeptos dos "The Blades" fizeram o papel da imprensa e protestaram nos dias que antecederam o jogo, insatisfeitos com o arranque de temporada que estavam a protagonizar. Pode parecer parvo colocar pressão sobre a equipa nas vésperas de um derby contra o maior rival, mas há que entender a posição dos adeptos. Ora olhem para aqui... Isto era a classificação do Championship no dia em que o "Steel City Derby" iria ser disputado. Vêem o Sheffield United? Pois, eu também não, nem os adeptos deles os vêem, daí que o Sheffield United fosse para o "Steel City Derby" debaixo de imensa pressão sabendo que uma derrota contra nós os deixaria ainda mais distantes da primeira metade da tabela. Tenha sido pela pressão dos adeptos ou por qualquer outro motivo, a verdade é que eles entraram a ganhar no jogo: estavam decorridos 9 minutos de jogo quando Tyrese Campbell abriu o ativo em Hillsborough. Foi um golo que meteu algum gelo na euforia dos nossos adeptos, mas felizmente a equipa reagiu rapidamente. O nosso extremo Serginho marcou aos 14 minutos e aos 18 minutos aconteceu isto: Uma excelente abertura do médio Svante Ingelsson para o nosso lateral direito Yan Valery, este bateu o lateral adversário e foi à linha de fundo cruzar. O guarda-redes adversário hesitou e não saiu à bola, permitindo ao Marcus Forss cabecear dentro da pequena área para nos dar a reviravolta no marcador. Ora, por que motivo este golo merece tanto destaque? A resposta é simples: porque foi marcado pelo nosso ponta-de-lança Marcus Forss. Já vos falei dele da última vez que vos escrevi. O rapaz veio a custo zero do Middlesbrough depois de ter estado um ano emprestado ao Bolton, da League One, onde em 17 presenças não marcou qualquer golo. Este jogo contra o Sheffield United foi a sua nona presença nesta temporada e também ainda não tinha marcado qualquer golo. Na verdade, o último golo dele tinha sido apontado a 25 de Fevereiro de 2025, numa vitória do Middlesbrough sobre o Stoke City por 3-1 - isto tinha sido há mais de ano e meio! Quis o destino que o primeiro golo dele pelos "The Howls", e que lhe permitiu quebrar um jejum de mais de ano e meio sem marcar, fosse precisamente no "Steel City Derby" e a confirmar a reviravolta no marcador! O ambiente em Hillsborough estava como um vulcão prestes a explodir e mais intenso ficou quando o nosso outro extremo, o Yuki Soma, aumentou a vantagem para 3-1 pouco antes do intervalo. "Sacked in the morning! You're getting sacked in the morning!" Os nossos adeptos não tardaram a começar o funeral de Steven Schumacher. Faz parte da rivalidade, acho eu, mas enquanto treinador que já esteve quase a ser despedido do Wednesday, como se recordarão, não posso dizer que tenha ficado agradado com esses cânticos. Afinal de contas, o Steven Schumacher é um colega de profissão. A segunda parte não trouxe nada de novo. Nós baixámos linhas, descemos a intensidade do jogo, gerimos o resultado e a única coisa de relevo a acontecer foi mesmo a expulsão do Yan Valery por ter visto o segundo cartão amarelo perto do final do jogo. "Sacked in the mooooooorning! You're getting sacked in the morning!" Foi a terceira vez que defrontámos o Sheffield United desde que assumi os comandos do Wednesday e até ao momento ainda não perdemos qualquer "Steel City Derby" - temos duas vitórias e um empate. A parte irónica disto tudo é que, apesar dos protestos dos adeptos do Sheffield United e dos cânticos dos nossos adeptos, o Steven Schumacher não foi despedido e à data em que vos escrevo, 29 de Dezembro de 2026, ainda é o treinador deles. Saímos do "Steel City Derby" com a confiança em alta e isso sem dúvidas ajudou a prosseguir o nosso caminho com diversas vitórias, pontuadas aqui e além com algumas ocasionais perdas de pontos. Duas dessas perdas ocorreram contra Leicester e Wolves. Ambos são candidatos à subida, em especial o Wolves que, embora estando algo abaixo das expectativas, têm uma equipa de nível da Premier League. Seja como for, recuperámos desses dois tropeções com quatro vitórias consecutivas até que... perdemos com o Xrexham e empatámos surpreendentemente em casa com o QPR. Foram esses dois percalços os responsáveis por... ... cairmos para o 2º lugar da tabela, pois chegámos a certo ponto a estar na liderança do Championship! Ainda assim, em inícios de Novembro, quando as competições pararam para compromissos das seleções nacionais, éramos 2ºs classificados, posição que vale promoção direta à Premier League, dispondo de 4 pontos sobre o Sunderland e incríveis 7 sobre a primeira equipa fora dos lugares de acesso aos playoffs, o Southampton. O cenário era bom, mas não havia tempo a perder com contas. O importante era continuar a batalhar, somar máximo de pontos possíveis em cada jogo e no final se fariam as contas. O Yorkshire Derby Não posso deixar de confessar que estes dois jogos consecutivos sem vencer me assustaram. Já vi este filme muitas vezes: uma equipa com resultados acima do esperado que de repente começa a perder pontos em jogos consecutivos sem qualquer razão aparente... todos sabem do que estou a falar. No entanto... Voltámos à competição depois da pausa para compromissos das seleções nacionais com mais uma excelente série de resultados, confirmando que a equipa tem estaleca para reagir às adversidades. E por falar em reagir às adversidades... Este foi talvez o momento mais importante de toda esta série de resultados. Fomos a The Hawthorns defrontar o West Brom, um adversário já de si complicado, mais ainda jogando no seu terreno, e isso confirmou-se quando aos 10 minutos já perdíamos 0-2. Reagimos como esperava. Fomos para cima deles e criámos algumas ocasiões de golo até que, por fim, uma delas nos permitiu reduzir pouco antes do intervalo. No entanto, literalmente na jogada seguinte sofremos o 1-3, resultado com que fomos para o intervalo. Não sou o tipo de pessoa de ralhar com os meus jogadores. Prefiro uma postura mais construtiva, tentar corrigir o que está mal e motivá-los a darem o seu melhor... mas neste dia estava furioso - talvez pela frustração de termos sofrido o 1-3 logo depois de termos marcado um golo. Ralhei com a equipa. Coloquei em causa o orgulho dos jogadores. Fosse por isso ou por mero acaso, a equipa voltou dos balneários em fogo! Nos primeiros 15 minutos da segunda parte marcámos três golos e virámos o jogo de 1-3 para 4-3 a nosso favor, muito à custo do nosso extremo japonês Yuki Soma - marcou dois golos e assistiu Serginho para o outro. Até final ainda aumentámos para 5-3, e ainda bem que o fizemos pois o West Brom foi a tempo de marcar um quarto golo neste que foi um jogo de loucos e um grande espectáculo de futebol. E mais importante, a minha equipa mostrou capacidade de reação às adversidades, algo essencial para ter sucesso. Afinal de contas, nem sempre vamos conseguir estar na frente do marcador do início ao fim dos nossos jogos. Às vezes é preciso correr atrás do prejuízo, como nos aconteceu no último jogo da primeira volta perante o Leeds United. Este era um jogo importante para nós. O Leeds United tem andado praticamente a par connosco desde o início da temporada na disputa pela primeira posição do Championship e este jogo poderia dar-nos uma liderança tranquila na tabela. Além disso, o Leeds United é um dos nossos rivais. O jogo entre nós é conhecido como Yorkshire Derby - afinal de contas, nós e eles somos as maiores equipas das duas maiores cidades de Yorkshire. Infelizmente para nós, o Leeds United é poderoso. Eles desceram da Premier League no ano passado, mantiveram a equipa toda e são basicamente uma equipa de nível Premier League a jogar no Championship - a diferença de qualidade individual entre a nossa equipa e a deles é assustadora. Durante 60 minutos, eles fizeram o que quiseram connosco. Só mesmo na última meia hora conseguimos ir para cima deles e nessa altura fizemos o suficiente para pelo menos empatar, mas falhámos alguns golos inacreditáveis. Nas estatísticas apenas aparece uma grande ocasião de golo, porém eu, que vi o jogo, posso garantir-vos que foram pelo menos três. Ainda marcámos um golo no último lance da partida quando um remate do Yuki Soma foi defletido por um defesa e entrou na baliza, mas foi anulado por fora-de-jogo. Eu vi e revi várias vezes as repetições e, embora duvidoso, aceito que tenha sido assinalado. Assim, terminámos a primeira volta do Championship na segunda posição, atrás precisamente do Leeds United, mas ainda havia mais quatro jogos a disputar até final do ano de 2026, pelo que decidi escrever-vos apenas após esses jogos. Do jogo contra o Leeds já vos falei, pelo que seguimos com as duas vitórias sobre Bolton e Cardiff que foram a melhor resposta possível à desilusão contra os "The Whites". A sobrecarga de jogos nesta fase da temporada foi atroz e acabámos por sofrer algumas lesões também. Por exemplo, perdi o Serginho durante uma mão cheia de jogos e o meu defesa central George Pratt teve uma lesão que o vai afastar dois meses de competição (Dezembro e Janeiro). Assim, contra o Stoke e os Wolves tive de usar alguns elementos menos utilizados, o que não justifica as perdas de pontos, mas ajuda a explicá-las. Ainda assim... Terminámos 2026 na liderança do Championship, posição que recuperámos graças a uma pequena quebra do Leeds United depois da vitória deles em Hillsborough. Afinal de contas, o calendário não foi duro apenas para nós; foi-o também para eles, obviamente. Mas isto está longe de estar fechado. Se olharem com atenção, temos apenas 2 pontos sobre o Leeds, 3 sobre o Sunderland e 4 sobre o Southampton. Ainda há muito jogo para disputar e estas margens são demasiado curtas para estarmos seguros quanto a uma promoção direta à Premier League. A única coisa de que poderemos estar seguros é que, mesmo no pior dos cenários, pelo menos os playoffs parecem estar garantidos. Pelo menos quero acreditar que não vamos desperdiçar a nossa vantagem de 12 pontos sobre os Wolves, que são a primeira equipa fora dos lugares de acesso aos playoffs... Mal seria! Estatísticas individuais Muito do nosso sucesso nesta primeira metade da temporada tem um nome: Yuki Soma. O nosso extremo-esquerdo japonês Yuki soma (eheh) 10 golos e 8 assistências, muitos deles surgindo em alturas em que realmente precisávamos deles. Tem feito basicamente aquilo que o Joel Ndala fazia na época passada - ainda bem que encontrámos um digno sucessor dele! De resto, os meus centrais Christ Makosso e George Pratt têm estado muito bem, tanto a defender como a marcar golos quando vão à área contrária. Estou também muito satisfeito com os contributos do lateral direito Yan Valery (5 assistências!) e do médio Amine Basi (as estatísticas podem não ser impressionantes, mas o homem joga imenso!), bem como do extremo-direito Akinkunmi Amoo que, embora habitual suplente, tem entrado bem quando é chamado a entrar nas partidas. De desilusões tenho de citar o Thierry Correia, que não tem tido qualquer consistência nas suas exibições e acabou por perder a titularidade para o Yan Valery. Não queria chamar desilusão ao nosso ponta-de-lança Marcus Forss, até porque o rapaz esteve um ano e meio sem marcar antes de chegar a Hillsborough. Tem 6 golos e é capaz de ir a caminho da sua melhor temporada na carreira (o seu recorde de golos num só ano é de 10 golos), mas depois o seu habitual suplente Francis Okoronkwo tem mais do dobro dos golos dele... Também verdade seja dita, o Marcus Forss não é um goleador muito prolífico, mas o gajo sabe lutar! Por vezes não é ele a meter a bola lá dentro, mas deixa a sua marca em cada disputa de bola, abrindo espaços para os colegas e desgastando os defesas adversários pouco a pouco. Talvez não seja por acaso que depois o Okoronkwo entre a meio da segunda parte e consiga marcar alguns golos - os defesas já estão desgastados de tanto combaterem com o Marcus Forss. Aliás, o Okoronkwo raramente marca quando é titular - é quando entra durante a segunda parte, apanhando os defesas cansados de lutar contra o Marcus Forss, que tem marcado mais golos. É uma estratégia secreta da nossa equipa; não digam a ninguém! O que se segue A primeira metade da temporada foi uma guerra de atrito. Disputámos 30 jogos em quatro meses e meio (Championship e Taça da Liga), o que na maioria dos campeonatos é quase uma temporada inteira, mas no inferno do Championship é apenas meia época. Aliás, se repararem com atenção notam que alguns dos meus suplentes até têm mais jogos do que os titulares - toda a gente teve oportunidade de jogar tal foi a intensidade competitiva nesta fase. Temos alguns jogadores lesionados e outros que não estão a render o que esperava deles, em especial no meio-campo onde parece-me que as minhas segundas linhas estão bastante abaixo do nível dos titulares. Vou perder o Serginho em Janeiro para a AFC Asian Cup (ele é um dos principais jogadores da seleção dos Emirados Árabes Unidos) e o George Pratt ainda está lesionado. É possível que exista uma pequena revolução no plantel durante o mercado de Inverno. Mas isso deixarei para a próxima vez que vos escrever. Entretanto, acabámos o ano 2026. Foi um ano em cheio: primeiro com a confirmação da manutenção no Championship em Maio (apesar de termos começado com 18 pontos negativos); e agora com uma candidatura surpresa à promoção direta à Premier League. Vai ser difícil. Até aqui fomos surpreendendo os nossos adversários, mas daqui em diante já todos estarão atentos quando nos defrontarem. A nossa equipa não está ao nível de alguns dos nossos adversários, em especial aqueles que desceram a época passada da Premier League como o Leeds ou o Sunderland. Nem quero imaginar, se por algum milagre conseguirmos mesmo subir à Premier League, o desastre que seria ver alguns destes jogadores a defrontarem os Brunos Fernandes e os Haalands desta vida! Mas é nessa luta que estamos e é por isso que vamos lutar - ou seja, pelo direito de na próxima época sermos o saco de pancada das maiores equipas do mundo. Que Deus nos ajude. "Hi Ho Sheffield Wednesday"
  13. E quantos golos marcou no Ajax?
  14. O Luis Guilherme acabou de fazer 20 anos. Não sei se já se deram conta disso... por exemplo, com a idade dele, o Francisco Conceição tinha 3 golos na carreira e andava a jogar no Ajax B. Por vezes parece que estão a falar de um gajo de 30 anos e não se dão conta que ele chegou cá ainda com 19 anos.
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