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Serve para chamar malta ao Chega. Especialmente, aqueles que continuam no PSD, mas que apresentam algumas semelhanças ideológicas e políticas com o partido de Ventura. Ele só servirá para arregimentar gente de direita, nunca de centro-direita e centro.
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O Passos é o padrinho político do Ventura, ele vai ser chamado à ação, de certeza. E mesmo que não se posicione formalmente, todos sabemos qual é a inclinação dele. Por isso, basta aparecer, nem que seja de raspão, e está a associação feita. Acho que o Chega está pronto para jogar todas as cartas, atirar poeira para cima da candidatura de Seguro, mesmo sendo falsa, e chamar todos os apoiantes notáveis que conseguir para tentar embalar o líder do seu culto. A campanha do Seguro, quanto a mim, tem de mudar de postura. Ou seja, terá de estar preparada para ripostar a todos e quaisquer ataques. Pode não atacar de início, mas tem de estar preparada para responder e depois lançar um ataque. A estratégia da primeira volta resultou, mas não é replicável para a segunda volta.
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Estou a contar com isso, especialmente para chamar os votantes do PSD.
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Aconselho a ver, para quem não viu, o documento A duas voltas emitido pela RTP Notícias. Fala de um conceito muito importante e que pode influenciar significativamente a segunda volta, a taxa de rejeição. Em parte, esta taxa acaba por explicar o facto de o Freitas do Amaral ter perdido a 2.ª volta depois de ter vencido a primeira.
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Não estou a falar para os adeptos do Chega. Estou a falar para aquelas pessoas que estão indecisas e que precisam de conhecer a fundo um dos fenómenos políticos envolvidos nesta segunda volta.
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Para isso é que existem os outros meios de comunicação social. Achas que, com algum jeito, um diretor de campanha não conseguia um horário em prime time para o Miguel Carvalho falar sobre o livro? Nem precisava de ser no âmbito da campanha presidencial.
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Há pessoas que não sabem que o livro existe e que podem estar indecisas.
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Bruno Nunes. Para mim, aquele livro só serviu para confirmar as suspeitas que tinha sobre muita gente que gravita em torno daquele partido. Por exemplo, havia pessoas que estavam nas lonas financeiramente e que viveram daqueles subsídios atribuídos aos partidos em função dos resultados eleitorais. Mas, atenção, trata-se de um partida altamente contra a subsídiodependência.
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Para esse movimento cívico acontecer era preciso que o Seguro tivesse a presença nas redes que tem o Ventura e os seus acólitos. Por aqui, leia-se CMPT, é fácil perceber qual será a luta, mas há toda uma bolha lá fora que não se apercebe. Está na altura de se começar a falar mais sobre aquele livro do Miguel Carvalho. Por exemplo, o comentador que ontem esteve na RTP tem uma passagem por movimentos de extrema-direita de linha dura. As provas existem, têm é de ser exploradas.
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As intervenções públicas do Sousa e Castro, por exemplo, no documentário A duas voltas, e online, demonstram que ele está consciente do que o rodeia. O Sanches Osório, após o 25-abril, entrou numa toada duvidosa em termos políticos. Essa toada atingiu um ponto alto quando ele fundou o PDC (Partido da Democracia Cristã), que apresentava uma postura claramente anti-comunista. Mais tarde, teve também uma passagem pelo CDS. Parece-me que a figura dele, enquanto capitão de abril, não tem a mesma preponderância que o Vasco Lourenço, Sousa e Castro e Pezarat Correia. Aliás, ele nunca esteve muito ligado ao movimento, acaba por entrar numa fase pré-25-abril porque era militar de Estado Maior. Nessa altura havia uma disputa entre os militares de campo, como os que estavam na guerra colonial, e os militares de gabinete e ar condicionado, como aqueles que pertenciam ao Estado Maior. No entanto, era muito importante haver gente do Estado Maior no Movimento, já lá estava o Vítor Alves, porque este era um serviço que continha informações e dados essenciais para a preparação do plano operacional da operação Viragem Histórica. O Pezarat Correia é, de facto, uma figura incontornável e que ainda se encontra vivo.
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Exato, isto é entre democracia e não-democracia. Ponto final. Bem podem tentar vender outra cassete, mas estamos a falar de um tipo xenófobo, racista, amante de Salazar. Mais, de um tipo que crítica os subsídios, mas que tem figuras de proa do seu partido a viver deles porque se não estavam falidos. Ou seja, um anti-democrático incoerente e mitómano. Do outro lado temos um democrata, um moderado. Será assim tão difícil a escolha? Outra nota, mas alguém espera algo da IL? Um partido composto pelas reservas do PSD, de batedores de punho e de potenciais cheganos com algum pudor em assumir a sua verdadeira natureza? Ideologicamente, para mim, estão mais próximos do Chega do que do arco democrático. A única diferença para estes é que são mais bem falantes e formados.
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Tecnicamente, é fácil decidir entre um democrata e um não democrata. Muito mais fácil do que jogar batalha naval.
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Exatamente. Isto agora terá de ser resolvido nas urnas e não pode ser com votos de protesto. Há os valores de abril e da democracia e há os valores da assembleia nacional. As pessoas vão ter de escolher a sua trincheira e desconfio que vamos descobrir muitos não-democratas em três semanas. O Ventura já começou a jogar, ao colocar isto como um esquerda versus direita. Começou logo bem cedo. Ele quer ser o que o Freitas do Amaral não conseguiu. Só que em 86' tínhamos um país mais desperto, o pós-revolução estava fresco, e quando foi 1-on-1 a esquerda ganhou. Hoje em dia, acho que isto terá de ser tirado a ferros.
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O Almirante também não deixa qualquer indicação 😂
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Eu acho que se está a subestimar esta disputa. Neste momento, isto é um 1-on-1 entre democracia e fascismo. Estou a colocar esperança num dos partidos fundadores da democracia. Já que um dos outros, se esqueceu do seu papel.
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Será que não? Nunca saberemos. Mas, também sabemos que José Luís Carneiro tem mais bom-senso do que Luís Montenegro. E o bom-senso nestes tempos é fundamental, especialmente em política. Isto é democracia contra fascismo. Isto é liberdade contra censura. Isto é entre o 25-abril e os três salazares em cada esquina. E nesta lógica, um democrata sabe bem quem deverá apoiar.
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Fácil, deixou de depender da política para sobreviver. Se o PSD desaparecer, só se poderá culpar a si próprio. Foi o PSD e Passos Coelho que criaram este Frankenstein.
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Esse vai sair da toca para apoiar o seu afilhado. Um comentador do Chega a tentar colar a imagem da sua área política a Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Vale tudo para esta gente. Vão ser três semanas de guerra.
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É das poucas figuras de referência vivas desse período, ele e o Sousa e Castro.
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Um gajo ler que a "segunda volta vai ser interessante" até assusta. Confesso que vou andar QB receoso que continuem a aparecer fascistas como coelhos.
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Claramente desde essa fase.
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Falam porque dá votos. Falam porque dá jeito lembrar o líder para sustentar posições. São sempre palavras vazias. E, pior, há quem ainda acredite nessas palavras porque acha que o D. Sebastião um dia irá voltar. Uma nota interessante, há pessoas que têm subidas incríveis na vida. Passar de figura anónima da extrema-direita, de movimentos de linha dura, para paineleiro na noite eleitoral é um crescimento extraordinário.
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Claramente.
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Mas, o Montenegro alguma vez está preocupado com a democracia e o povo português? Ele quer é saber da sobrevivência política dele. E nisso, ele é muito tático e inteligente. Esse PSD morreu há muito tempo. Esses valores e ideais já não existem. A memória política dos portugueses é do estilo Nemo. Além disso, era preciso perceberem o significado deste discurso do PM.
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PSD não apoia ninguém na segunda volta (coff coff).
