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crazy_cock

Poesia

Publicações recomendadas

Brilha de novo uma Estrela

que irradia da Amadora!

E possui tal resplendor

que um dia o seu fulgor

brilhará pelo Mundo fora!

 

Força Estrela, sempre em frente

Mostra bem a toda a gente

o valor que em ti mora

e a malta bem afinada

gritará entusiasmada: VIVA O ESTRELA DA AMADORA

 

:grin:

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Em conversa com o Meirinho, resolvi (ou resolvemos?) colocar neste tópico esta obra-prima, fora do nível de um Dantas qualquer:

 

Manifesto Anti-Dantas

 

Basta pum basta!!!

 

Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

 

Abaixo a geração!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!

 

Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!

 

O Dantas é um cigano!

 

O Dantas é meio cigano!

 

O Dantas saberá gramática, saberá sintaxe, saberá medicina, saberá fazer ceias pra cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!

 

O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!

 

O Dantas é um habilidoso!

 

O Dantas veste-se mal!

 

O Dantas usa ceroulas de malha!

 

O Dantas especula e inocula os concubinos!

 

O Dantas é Dantas!

 

O Dantas é Júlio!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!

 

E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!

 

O Dantas é um ciganão!

 

Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

 

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

 

O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!

 

O Dantas é um soneto dele-próprio!

 

O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.

 

O Dantas nu é horroroso!

 

O Dantas cheira mal da boca!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

O Dantas é o escárnio da consciência!

 

Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

 

O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

 

O Dantas é a meta da decadência mental!

 

E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!

 

E ainda há quem lhe estenda a mão!

 

E quem lhe lave a roupa!

 

E quem tenha dó do Dantas!

 

E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

 

Vocês não sabem quem é a soror Mariana do Dantas? Eu vou-lhes contar:

 

A princípio, por cartazes, entrevistas e outras preparações com as quais nada temos que ver, pensei tratar-se de soror Mariana Alcoforado a pseudo autora daquelas cartas francesas que dois ilustres senhores desta terra não descansaram enquanto não estragaram pra português, quando subiu o pano também não fui capaz de distinguir porque era noite muito escura e só depois de meio acto é que descobri que era de madrugada porque o bispo de Beja disse que tinha estado à espera do nascer do Sol!

 

A Mariana vem descendo uma escada estreitíssima mas não vem só, traz também o Chamilly que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito conhecida aqui na Brasileira do Chiado. Pouco depois o bispo de Beja é que me disse que ele trazia calções vermelhos.

 

A Mariana e o Chamilly estão sozinhos em cena, e às escuras, dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto. Depois o Chamilly, completamente satisfeito, despede-se e salta pela janela com grande mágoa da freira lacrimosa. E ainda hoje os turistas têm ocasião de observar as grades arrombadas da janela do quinto andar do Convento da Conceição de Beja na Rua do Touro, por onde se diz que fugiu o célebre capitão de cavalos em Paris e dentista em Lisboa.

 

A Mariana que é histérica começa a chorar desatinadamente nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira soror Inês.

 

Vêm descendo pla dita estreitíssima escada, várias Marianas, todas iguais e de candeias acesas, menos uma que usa óculos e bengala e ainda toda curvada prá frente o que quer dizer que é abadessa.

 

E seria até uma excelente personificação das bruxas de Goya se quando falasse não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa da Tia Felicidade da vizinha do lado. E reparando nos dois vultos interroga espaçadamente com cadência, austeridade e imensa falta de corda... Quem está aí?... E de candeias apagadas?

 

- Foi o vento, dizem as pobres inocentes varadas de terror... E a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar curvada prá frente manda tocar a sineta que é um dó d'alma o ouvi-la assim tão debilitada. Vão todas pró coro, mas eis que, de repente, batem no portão sem se anunciar nem limpar-se da poeira, sobe a escada e entra plo salão um bispo de Beja que quando era novo fez brejeirices com a menina do chocolate.

 

Agora completamente emendado revela à abadessa que sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento e que ainda há pouco vira um de cavalos a saltar pla janela. A abadessa diz que efectivamente já há tempos que vinha dando pela falta de galinhas e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos ainda não teve tempo pra descobrir a razão da humanidade estar dividida em homens e mulheres. Depois de sérios embaraços do bispo é que ela deu com o atrevimento e mandou chamar as duas freiras de há pouco com as candeias apagadas. Nesta altura esta peça policial toma uma pedaço d'interesse porque o bispo ora parece um polícia de investigação disfarçado em bispo, ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia d'investigação, e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o público já está farto de saber - que a Mariana dormiu com o Noel. O pior é que a Mariana foi à serra com as indiscrições do bispo e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando pra tudo aquilo. Esteve mesmo muito perto de se estrear com um par de murros na coroa do bispo no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência e de uma decisão refilona que excedeu todas as expectativas.

 

Ouve-se uma corneta tocar uma marcha de clarins e Mariana sentindo nas patas dos cavalos toda a alma do seu preferido foi qual pardalito engaiolado a correr até às grades da janela gritar desalmadamente plo seu Noel. Grita, assobia e rodopia e pia e rasga-se e magoa-se e cai de costas com um acidente, do que já previamente tinha avisado o público e o pano cai e o espectador também cai da paciência abaixo e desata numa destas pateadas tão enormes e tão monumentais que todos os jornais de Lisboa no dia seguinte foram unânimes naquele êxito teatral do Dantas.

 

A única consolação que os espectadores decentes tiveram foi a certeza de que aquilo não era a soror Mariana Alcoforado mas sim uma merdariana-aldantascufurado que tinha cheliques e exageros sexuais.

 

Continue o senhor Dantas a escrever assim que há-de ganhar muito com o Alcufurado e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes pró seu monumento erecto por subscrição nacional do "Século" a favor dos feridos da guerra, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr. Júlio Dantas, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas" e pasta Dantas prós dentes, e graxa Dantas prás botas e Niveína Dantas, e comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas, Dantas... E limonadas Dantas- Magnésia.

 

E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

 

E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

 

Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa? Não Mil vezes não!

 

Temos, além disto o Chianca que já fez rimas prá Aljubarrota que deixou de ser a derrota dos Castelhanos pra ser a derrota do Chianca.

 

E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no tempo da avózinha! E as infelicidades de Ramada Curto! E o talento insólito de Urbano Rodrigues! E as gaitadas do Brun! E as traduções só pra homem do ilustríssimos excelentíssimo senhor Mello Barreto! E o frei Matta Nunes Moxo! E a Inês Sifilítica do Faustino! E as imbecelidades do Sousa Costa! E mais pedantices do Dantas! E Alberto Sousa, o Dantas do desenho! E os jornalistas do Século e da Capital e do Notícias e do Paiz e do Dia e da Nação e da República e da Lucta e de todos, todos os jornais! E os actores de todos os teatros! E todos os pintores das Belas-Artes e todos os artistas de Portugal que eu não gosto. E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra! E a estupidez do Oldemiro César e o Dr. José de Figueiredo Amante do Museu e ah oh os Sousa Pinto hu hi e os burros de cacilhas e os menos do Alfredo Guisado! E (o) raquítico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Lucta a quem Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento! E todos os que são políticos e artistas! E as exposições anuais das Belas-Arte(s)! E todas as maquetas do Marquês de Pombal! E as de Camões em Paris; e os Vaz, os Estrela, os Lacerda, os Lucena, os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camacho, os Cunha, os Carneiro, os Barros, os Silva, os Gomes, os velhos, os idiotas, os arranjistas, os impotentes, os celerados, os vendidos, os imbecis, os párias, os ascetas, os Lopes, os Peixotos, os Motta, os Godinho, os Teixeira, os Câmara, os diabo que os leve, os Constantino, os Tertuliano, os Grave, os Mântua, os Bahia, os Mendonça, os Brazão, os Matos, os Alves, os Albuquerques, os Sousas e todos os Dantas que houver por aí!!!!!!!!!

 

E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...

 

E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

José de Almada Negreiros

Poeta d'Orpheu

Futurista E Tudo

 

Diseur: Mário Viegas

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Guest Fusyon.

Estive a (re)lê-lo no outro dia na FNAC.

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O Manifesto é interessante, já o li um punhado de vezes.

 

No entanto -

não gosto do Almada. Era um gajo falso. Era fascista, apoiava a ditadura. A mesma que atrasava o país, sendo ele um gajo que, aparentemente, se achava todo prá frente.

 

Como pessoa vale pouco, como artista é genial.

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Sob O Trópico De Câncer

 

I

 

Sai, Câncer

Desaparece, parte, sai do mundo

Volta à galáxia onde fermentam

Os íncubos da vida, de que és

A forma inversa. Vai, foge do mundo

Monstruosa tarântula, hediondo

Caranguejo incolor, fétida anêmona

Carnívora! Sai, Câncer.

Furbo anão de unhas sujas e roídas

Monstrengo sub-reptício, glabro homúnculo

Que empestas as brancas madrugadasCom teu suave mau cheiro de necrose

Enquanto largas sob as portas

Teus sebentos volantes genocidas

Sai, get out, va-t-en, henaus

Tu e tua capa de matéria plástica

Tu e tuas galochas

Tu e tua gravata carcomida

E torna, abjeto, ao Trópico

Cujo nome roubaste. Deixa os homens em sossego

Odioso mascate; fecha o zíper

De tua gorda pasta que amontoa

Caranguejos, baratas, sapos, lesmas

Movendo-se em seu visgo, em meio a amostras

De óleo, graxas, corantes, germicidas,

Sai, Câncer

Fecha a tenaz e diz adeus à Terra

Em saudação fascista; galga, aranha,

Contra o teu próprio fio

E vai morrer de tua própria síntese

Na poeira atômica que se acumula na cúpula do mundo.

Adeus

Grumo louco, multiplicador incalculável, tu

De quem nenhum Cérebro Eletrônico poderá jamais seguir a matemática.

Parte, poneta ahuera, andate via

Glauco espectro, gosmento camelô

Da morte anterior à eternidade.

Não és mais forte do que o homem — rua!

Grasso e gomalinado camelô, que prescreves

A dívida humana sem aviso prévio, ignóbil

Meirinho, Câncer, vil tristeza...

Amada, fecha a porta, corta os fios,

Não preste nunca ouvidos ao que o mercador contar!

 

II

 

Cordis sinistra

— Ora pro nobis

Tabis dorsalis

— Ora pro nobis

Marasmus phthisis

— Ora pro nobis

Delirium tremens

— Ora pro nobis

Fluxus cruentum

— Ora pro nobis

Apoplexia parva

— Ora pro nobis

Lues venérea

— Ora pro nobis

Entesia tetanus

— Ora pro nobis

Saltus viti

— Ora pro nobis

Astralis sideratus

— Ora pro nobis

Morbus attonitus

— Ora pro nobis

Mama universalis

— Ora pro nobis

Cholera morbus

— Ora pro nobis

Vomitus cruentus

— Ora pro nobis

Empresma carditis

— Ora pro nobis

Fellis suffusio

— Ora pro nobis

Phallorrhoea virulenta

— Ora pro nobis

Gutta serena

— Ora pro nobis

Angina canina

— Ora pro nobis

Lepra leontina

— Ora pro nobis

Lupus vorax

— Ora pro nobis

Tônus trismus

— Ora pro nobis

Angina pectoria

— Ora pro nobis

Et libera nobis omnia Câncer

 

— Amém.

 

III

 

Há 1 célula em mim que quer respirar e não pode

 

Há 2 células em mim que querem respirar e não podem

 

Há 4 células em mim que querem respirar e não podem

 

Há 16 células em mim que querem respirar e não podem

 

Há 256 células em mim que quer respirar e não podem

 

Há 65.536 células em mim que querem respirar e não podem

 

Há 4.294.967.296 células em mim que quer respirar e não podem

 

Há 18.446.744.073.709.551.616 células em mim que querem respirar e não podem

 

Há 340.282.366.920.938.463.374.607.431.768.211.456 células em mim que querem respirar e não podem.

 

IV

 

— Minha senhora, lamento muito, mas é meu dever informá-la de que seu marido é portador de um tumor maligno no fígado...

— Meu caro senhor, tenho que comunicar-lhe que sua esposa terá que operar-se de uma neoplastia do útero...

— É, infelizmente a biopsia revela um osteo-sarcoma no menino. É impossível prever...

— É a dura realidade, meu amigo. Sua mãe...

— Seu pai ainda é um homem forte, vai agüentar bem a intervenção...

— Sua avó está muito velhinha, mas nós faremos o possível...

— Veja você... E é cancerologista...

— Coitado, não tinha onde cair morto. E logo câncer...

— Há muito operário que morre de câncer. Mas câncer de pobre não tem vez...

— Era nosso melhor piloto. Mas o câncer de intestino não perdoa...

— Qual o que, meu caro, não se assuste prematuramente. Câncer não dá em deputado...

— Parece que o General está com câncer...

— Tão boa atriz... E depois, tão linda...

— Que coisa! O Governador parecia tão bem disposto...

— Se for câncer, o Presidente não termina o mandato...

— Não me diga? O Rei...

— Mentira... O Papa?...

— E atenção para a última notícia. Estamos ligados com a Interplat 666...

 

— DEUS ESTÁ COM CÂNCER.

 

Vinicius de Moraes

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Venham mais cinco

 

Música

 

Venham mais cinco

Duma assentada

Que eu pago já

Do branco ou tinto

Se o velho estica

Eu fico por cá

 

Se tem má pinta

Dá-lhe um apito

E põe-no a andar

De espada à cinta

Já crê que é rei

Dàquém e Dàlém Mar

 

Não me obriguem

A vir para a rua

Gritar

Que é já tempo

D'embalar a trouxa

E zarpar

 

A gente ajuda

Havemos de ser mais

Eu bem sei

Mas há quem queira

Deitar abaixo

O que eu levantei

 

A bucha é dura

Mais dura é a razão

Que a sustem

Só nesta rusga

Não há lugar

Pr'ós filhos da mãe

 

 

Não me obriguem

A vir para a rua

Gritar

Que é já tempo

D'embalar a trouxa

E zarpar

 

 

Bem me diziam

Bem me avisavam

Como era a lei

Na minha terra

Quem trepa

No coqueiro

É o rei

 

José (Zeca) Afonso

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Aqueles Silêncios!

 

 

Lembras-te daqueles silêncios maravilhosamente envolventes?

Eram nossos.

As palavras todos nós podemos roubar aos outros.

São simples meios ao alcance de todos.

Os silêncios são exclusivos daqueles que amamos.

São palavras de amar de verdade sem dizer.

Era neles que eu me senti uno.

A ti e ao Mundo.

Lembras-te?

Talvez já não… mas eu não os esqueci.

 

"Projecto de Sentimentos e Letras" by me

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Escrevo para me libertar!

 

Escrevo para me libertar.

As amarras da vida são tantas

que o ser dividido se quer exorcizar

da luta constante…

na luta constante…

A busca do ideal imaginado

que ao longo do caminho procuramos,

só para alcançar a Verdade,

na nossa única sensação de dignidade.

Procuramos nos outros e em nós

as razões da Vida,

as razões deste movimento de emoções.

Olhares interrogativos do passado e do presente,

procuram sempre o futuro do nosso querer, ser e estar.

Os nossos sonhos e ambições…

Dos outros as realidades e ilusões…

Tudo o que se diz e não se faz, queremos então concretizar.

Procurar…encontrar… …

Mas muitos não o procuram, poucos o encontram…

O ser dividido subsiste no final

tem a imagem de alguém que o espelho reflecte,

a visão do impossível que acontece

num sono profundo e glacial.

 

"Projecto Sentimentos e Letras" by me

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Moça linda bem tratada

 

Moça linda bem tratada,

Três séculos de família,

Burra como uma porta:

Um amor.

 

Grã-fino do despudor,

Esporte, ignorância e sexo,

Burro como uma porta:

Um coió.

 

Mulher gordaça, filó,

De ouro por todos os poros

Burra como uma porta:

Paciência...

 

Plutocrata sem consciência,

Nada porta, terremoto

Que a porta de pobre arromba:

Uma bomba.

 

Mário de Andrade

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Isto era suposto ser um tópico de poesia 'a sério'...

 

Mas quê....? Poesia nossa??

 

Não me vais dizer que aquilo não é poesia....ou é por ter asneiras?

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A arte de pensar... ...

 

 

Lili Caneças, simplesmente não pensa.

Rute Marques pensa que é Grace Kelly.

Paulo Pires pensa que é o Diogo Infante.

Diogo Infante pensa que é Paulo Pires.

Pedro Abrunhosa pensa que é António Variações.

E António Variações já não pensa mais.

 

 

Manuel Luís Goucha pensa que é a Teresa Guilherme.

Teresa Guilherme pensa que é a Manuela Moura Guedes.

Manuela Moura Guedes não pensa, quem pensa é o Moniz.

 

 

Luís de Matos pensa que é David Copperfield.

Edite Estrela pensa que é Hillary Clinton.

E Ana Malhoa, simplesmente pensa que pensa

 

 

Júlia Pinheiro pensa que é Barbara Walters.

Herman José pensa que tem graça.

João Baião pensa que vai ser mãe.

João Pinto pensa que é intelectual.

Belmiro de Azevedo, com todo o dinheiro que tem,

pode pensar o que quiser.

 

 

Ronaldinho pensa que é o número 1.

Fernanda Serrano pensa que é actriz.

Paulo Portas pensa que é Deus.

E Mourinho tem a certeza!

 

 

O teu chefe pensa que estás a trabalhar.

O meu também...

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It doesn't interest me what you do for a living.

I want to know what you ache for

and if you dare to dream of meeting your heart's longing.

 

It doesn't interest me how old you are.

I want to know if you will risk looking like a fool

for love

for your dream

for the adventure of being alive.

 

It doesn't interest me what planets are squaring your moon...

I want to know if you have touched the centre of your own sorrow

if you have been opened by life's betrayals

or have become shrivelled and closed

from fear of further pain.

 

I want to know if you can sit with pain

mine or your own

without moving to hide it

or fade it

or fix it.

 

I want to know if you can be with joy

mine or your own

if you can dance with wildness

and let the ecstasy fill you to the tips of your fingers and toes

without cautioning us to

be careful

be realistic

remember the limitations of being human.

 

It doesn't interest me if the story you are telling me

is true.

I want to know if you can

disappoint another

to be true to yourself.

If you can bear the accusation of betrayal

and not betray your own soul.

If you can be faithless

and therefore trustworthy.

 

I want to know if you can see Beauty

even when it is not pretty

every day.

And if you can source your own life

from its presence.

 

I want to know if you can live with failure

yours and mine

and still stand at the edge of the lake

and shout to the silver of the full moon,

"Yes."

 

It doesn't interest me

to know where you live or how much money you have.

I want to know if you can get up

after the night of grief and despair

weary and bruised to the bone

and do what needs to be done

to feed the children.

 

It doesn't interest me who you know

or how you came to be here.

I want to know if you will stand

in the centre of the fire

with me

and not shrink back.

 

It doesn't interest me where or what or with whom

you have studied.

I want to know what sustains you

from the inside

when all else falls away.

 

I want to know if you can be alone

with yourself

and if you truly like the company you keep

in the empty moments.

 

 

by

Oriah Mountain Dreame

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No Dia Mundial da Poesia.

 

Há palavras que nos beijam

 

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.

 

Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.

 

De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.

 

(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado)

 

Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte.

 

Alexandre O'Neill

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Um dos meus hobbys é fazer poesia mentalmente, mas raramente escrevo. Deixo aqui uma excepção...

 

A Companheira.

 

Eterna companheira dos vivos

A morte espreita a cada esquina

Mas quem o sabia antes de embarcar

Com o passo airoso de uma menina?

 

Docemente cavalgamos

Inconscientes do destino

No entanto, embarcamos

Este é o nosso caminho

Com cactos, roseiras e rosmaninho.

 

Triste fado o daquele

Que de antemão sabia

Ao entrar na enferma barca

Batida por uma matraca

Que a morte seria a sua companhia.

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Arrojos

 

Se a minha amada um longo olhar me desse

Dos seus olhos que ferem como espadas,

Eu domaria o mar que se enfurece

E escalaria as nuvens rendilhadas.

 

Se ela deixasse, ext?tico e suspenso

Tomar-lhe as m?os "mignonnes" e aquec?-las,

Eu com um sopro enorme, um sopro imenso

Apagaria o lume das estrelas.

 

Se aquela que amo mais que a luz do dia,

Me aniquilasse os males taciturnos,

O brilho dos meus olhos venceria

O clar?o dos rel?mpagos nocturnos.

 

Se ela quisesse amar, no azul do espa?o,

Casando as suas penas com as minhas,

Eu desfaria o Sol como desfa?o

As bolas de sab?o das criancinhas.

 

Se a Laura dos meus loucos desvarios

Fosse menos soberba e menos fria,

Eu pararia o curso aos grandes rios

E a terra sob os p?s abalaria.

 

Se aquela por quem j? n?o tenho risos

Me concedesse apenas dois abra?os,

Eu subiria aos r?seos para?sos

E a Lua afogaria nos meus bra?os.

 

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos

E os lamentos das c?taras estranhas,

Eu ergueria os vales mais profundos

E abateria as s?lidas montanhas.

 

E se aquela vis?o da fantasia

Me estreitasse ao peito alvo como arminho,

Eu nunca, nunca mais me sentaria

?s mesas espelhentas do Martinho.

 

Ces?rio Verde

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Vou p?r aqui:

 

Ela tinha uma amiga

 

Ela tinha uma amiga chamada Maria

Que era quem me atendia quando eu telefonava

Ela tinha uma amiga chamada Maria

A quem ela dizia para dizer que n?o estava

E quando eu insistia, e n?o desligava

Era sempre a Maria

Que me mentia e me consolava

E perguntava o que ? que eu lhe queria

 

Ela tinha uma amiga chamada Maria

Que nunca sabia por onde ela andava

Ela tinha uma amiga chamada Maria

De quem se servia quando me enganava

E quando eu l? ia, e n?o a encontrava

Era sempre a Maria

Que me dizia que ela n?o tardava

Que me jurava que ela voltaria

 

Quando eu ia busc?-la, e a gente sa??a

Era sempre a Maria que nos animava

Quando eu a convidava, e ela n?oo queria

Era com a Maria que eu sempre dan?ava

E quando eu inventava uma melodia

Era sempre a Maria

Que me aplaudia, e ela n?oo ligava

E eu ficava a cantar para a Maria

 

No cinema, no escuro, quando eu a beijava

Ela empalidecia, a Maria corava

Ela n?o me ligava e adormecia

E era com a Maria

Que eu conversava

E que eu ficava quase at? ser dia

 

Ela tinha uma amiga chamada Maria

A quem ela dizia para dizer que n?o estava

At? que outro dia ela me telefonou

E eu disse: Maria...

E eu disse: Maria!

E eu disse: Maria, vai dizer que eu n?o estou!

 

Excelente letra, de uma excelente m?sica. Uma maneira divertida de contar uma hist?ria engra?ada.

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Nops num sei que fazer

andome a perder

por ruas e vielas

criadas por mim

numa cidade sagrada

revirada

sem mentalidade

atrasada

retranqueira

onde tudo ? aberto

a mais simples das ideias

onde n?o h? leis

simplesmente s?o compridas

anarquia, n?o

harmonia

"vendu todos nu mesmo sentidu"

ou seja todos os lados

onde todos s?o livres

de respeitar os outros...

Baah

sociedade perfeita,

um sonho impossivel

sociedade desfeita

uma realidade credivel!

 

 

S?o mais 24 que passam

trespassam

e n?o deixam saudades

dia pa esquecer

o meu cerebro

esta a verter

ideias

matreiras

fuleiras

pioneiras

e nenhuma delas

sai do papel

falta de ac??o

excesso de educa??o

burocracia burocratica

tema sem tematica

nada disto faz sentido

para o teu ouvido

o cerebro que comanda

e interpreta a mensagem

tresanda

a pessimismo

liricismo

e comunismo?

minha forma de viver?

talvez

possa ser

o que fa?o parecer

numa imagem

que todos projetam de mim

sem margem

para me manobrar

tem de parar

mas perdi o controle

eu sou o que os outros acham da minha pessoa

ou outra coisa?

 

 

S? agora vi, e est?o mesmo muito bons. Lirica de rua!

 

;)

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