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crazy_cock

Poesia

Publicações recomendadas

muito fraco.

 

At? est? bom. N?o ? lirico, mas a mensagem ? boa!

 

;)

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Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso,

em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos

 

 

que em verde e ouro se agitam

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

Eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma. é fermento,

bichinho alacre e sedento.

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel.

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa dos ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é Cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança.,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

para-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra som televisão

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida.

Que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre a mãos de uma criança.

 

(António Gedeão)

 

 

:prayer: :prayer: :prayer:

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HORA ABSURDA

 

 

O TEU SIL?NCIO ? uma nau com t?das as velas pandas...

Brandas, as brisas brincam nas fl?mulas, teu sorriso...

E o teu sorriso no teu sil?ncio ? as escadas e as andas

Com que me finjo mais alto e ao p? de qualquer paraiso...

 

Meu cora??o ? uma ?nfora que cai e que se parte...

O teu sil?ncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...

Minha id?ia de ti ? um cad?ver que o mar traz ? praia..., e

entanto

Tu ?s a tela irreal em que erro em c?r a minha arte...

 

Abre t?das as portas e que o vento varra a id?ia

Que temos de que um fumo perfuma de ?cio os sal?es...

Minha alma ? uma caverna enchida p'la mar? cheia,

E a minha id?ia de te sonhar uma caravana de histri?es...

 

Chove ouro ba?o, mas n?o no l?-fora...? em mim...Sou a Hora,

E a Hora ? de assombros e t?da ela escombros dela...

Na minha aten??o h? uma vi?va pobre que nunca chora...

No meu c?u interior nunca houve uma ?nica estrela...

 

Hoje o c?u ? pesado como a id?ia de nunca chegar a um p?rto...

A chuva mi?da ? vazia...A Hora sabe a ter sido...

N?o haver qualquer coisa como leitos para as naus!...Absorto

Em se alhear de si, teu olhar ? uma praga sem sentido...

 

T?das as minhas horas s?o feitas de jaspe negro,

Minhas ?nsias t?das talhadas num m?rmore que n?o h?,

N?o ? alegria nem dor esta dor com que me alegro,

E a minha bondade inversa n?o ? nem boa nem m?...

 

Os feixes dos lictores abriram-se ? beira dos caminhos...

Os pend?es das vit?rias medievais nem chegaram ?s cruzadas...

Puseram in-f?lios ?teis entre as pedras das barricadas...

E a erva cresceu nas vias f?rreas com vi?os daninhos...

 

Ah, como esta hora ? velha!... E t?das as naus partiram!

Na praia s? um cabo morto e uns restos de vela falam

De longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram

Aquela ang?stia de sonhar mais que at? para si calam...

 

O pal?cio est? em ru?nas... D?i ver no parque o abandono

Da fonte sem repuxo... Ningu?m ergue o olhar da estrada

E sente saudade de si ante aqu?le lugar-outono...

Esta paisagem ? um manuscrito com a frase mais bela cortada...

 

A doida partiu todos os candelabros glabros,

Sujou de humano o lago com cartas rasgadas, muitas...

E a minha alma ? aquela luz que n?o mais haver? nos

candelabros...

E que querem ao lago aziago minhas ?nsias, brisas fortuitas?...

 

Por que me aflijo e me enfermo?...Deitam-se nuas ao luar

T?das as ninfas... Veio o sol e j? tinham partido...

O teu sil?ncio que me embala ? a id?ia de naufragar,

E a id?ia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido...

 

J? n?o h? caudas de pav?es t?das olhos nos jardins de outrora...

As pr?prias sombras est?o mais tristes...Ainda

H? rastros de vestes de aias (parece) no ch?o, e ainda chora

Um como que eco de passos pela alam?da que eis finda...

 

Todos os ocasos fundiram-se na minha alma...

As relvas de todos os prados foram frescas sob meus p?s frios...

Secou em teu olhar a id?ia de te julgares calma,

E eu ver isso em ti ? um p?rto sem navios...

 

Ergueram-se a um tempo todos os remos...pelo ouro das searas

Passou uma saudade de n?o serem o mar...Em frente

Ao meu trono de alheamento h? gestos com pedras raras...

Minha alma ? uma l?mpada que se apagou e ainda est? quente...

 

Ah, e o teu sil?ncio ? um perfil de p?ncaro ao sol!

T?das as princesas sentiram o seio oprimido...

Da ?ltima janela do castelo s? um girassol

Se v?, e o sonhar que h? outros p?e brumas no nosso sentido...

 

Sermos, e n?o sermos mais!... ? le?es nascidos na jaula!...

Repique de sinos para al?m, no Outro Vale... Perto?...

Arde o col?gio e uma crian?a ficou fechada na aula...

Por que n?o h? de ser o Norte e Sul?... O que est? descoberto?...

 

E eu deliro... De repente pauso no que penso...Fito-te...

E o teu sil?ncio ? uma cegueira minha...Fito-te e sonho...

H? coisas rubras e cobras no modo como medito-te,

E a tua id?ia sabe ? lembran?a de um sabor de medonho...

 

Para que n?o ter por ti despr?zo? Por que n?o perd?-lo?...

Ah, deixa que eu te ignore...O teu sil?ncio ? um leque ---

Um leque fechado, um leque que aberto seria t?o belo, t?o belo,

Mas mais belo ? n?o o abrir, para que a Hora n?o peque...

 

Gelaram t?das as m?os cruzadas s?bre todos os peitos....

Murcharam mais fl?res do que as que havia no jardim...

O meu amar-te ? uma catedral de sil?ncio eleitos,

E os meus sonhos uma escada sem princ?pio mas com fim...

 

Algu?m vai entrar pela porta...Sente-se o ar sorrir...

Tecedeiras vi?vas gozam as mortalhas de virgens que tecem...

Ah, o teu t?dio ? uma est?tua de uma mulher que h? de vir,

O perfume que os cris?ntemos teriam, se o tivessem...

 

? preciso destruir o prop?sito de t?das as pontes,

Vestir de alheamento as paisagens de t?das as terras,

Endireitar ? f?r?a a curva dos horizontes,

E gemer por ter de viver, como um ru?do brusco de serras...

 

H? t?o pouca gente que ame as paisagens que n?o existem!...

Saber que continuar? a haver o mesmo mundo amanh? --- como

 

nos desalegra!...

Que o meu ouvir o teu sil?ncio n?o seja nuvens que atristem

O teu sorriso, anjo exilado, e o teu t?dio, aur?ola negra...

 

Suave, como ter m?e e irm?s, a tarde rica desce...

N?o chove j?, e o vasto c?u ? um grande sorriso imperfeito...

A minha consci?ncia de ter consci?ncia de ti ? uma prece,

E o meu saber-te a sorrir ? uma flor murcha a meu peito...

 

Ah, se f?ssemos duas figuras num long?nquo vitral!...

Ah, se f?ssemos as duas c?res de uma bandeira de gl?ria!...

Est?tua ac?fala posta a um canto, poeirenta pia batismal,

Pend?o de vencidos tendo escrito ao centro ?ste lema --- Vit?ria!

 

O que ? que me tortura?... Se at? a tua face calma

S? me enche de t?dios e de ?pios de ?cios medonhos...

N?o sei...Eu sou um doido que estranha a sua pr?pria alma...

Eu fui amado em ef?gie num pa?s para al?m dos sonhos...

 

4-7-1913

 

Fernando Pessoa

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Fique sem perceber se se podem postar musicas feitas por nos mas ok... aqui vai (que seja o que deus quiser xD)

 

 

És tu... (Confissões)

 

O que escrevo agora aqui, sim é amor

Ninguém neste mundo imagina o seu valor

Só consigo pensar em ti, já não sei o que fazer

Preferia morrer, do que ver-te sofrer,

Pois és tudo para mim, és o meu viver

É graças a ti que eu vivo cada amanhecer

Com alegria, com felicidade

Mas quando estás longe apenas vivo na saudade

Saudade essa, que me faz sofrer

Só com o teu amor conseguirei renascer

A tua presença, eu quero sentir

Mas com o teu amor talvez me esteja a iludir

Quero que saibas que fazes parte de mim,

E que por ti, vou lutar até ao fim...

 

Refrão [2x]

A tua perfeição é algo que não sei explicar

Espero que um dia me possas amar

O teu olhar é algo invulgar

Pois é o único capaz de me fascinar,

Capaz de me prender e de me hipnotizar

É algo que, eu adoro observar

O brilho dos teus olhos, faz me sonhar

E toda a minha atenção consegue captar!

 

Isto é apenas, para te demonstrar

Que o meu amor por ti é impossível superar

Nada é tão lindo como teu sorriso, o teu olhar

Amo-te e só a ti quero amar,

Pois és linda, elegante, tão sensual

Tua beleza é magnífica, teu sorriso é divinal

Defeitos em ti é difícil encontrar,

Porque és uma pessoa difícil de igualar

És tudo aquilo que eu quero,

És a pura simpatia,

Desejo-te como nunca desejei ninguém,

Tu és a minha fantasia

És a perfeição impossível de alcançar

És um sonho do qual não quero acordar

És uma ilusão na qual eu tento tocar

És um pensamento impossível de apagar...

 

Refrão [2x]

A tua perfeição é algo que não sei explicar

Espero que um dia me possas amar

O teu olhar é algo invulgar

Pois é o único capaz de me fascinar,

Capaz de me prender e de me hipnotizar

É algo que, eu adoro observar

O brilho dos teus olhos, faz me sonhar

E toda a minha atenção consegue captar!

 

O teu olhar é o único capaz de me fascinar

Será que algum dia serás capaz de me amar?

Será que vale a pena viver no sofrimento?

Será que vale a pena só te ter a ti no pensamento?

Espero um dia, ter uma resposta positiva

A tua beleza é algo que me cativa

Porque és original, não és cópia de ninguém

És fora do normal, tu vais mais além

Até porque és diferente, és alguém especial

És sincera, atraente, és sobrenatural

Na minha vida, tu és essencial

Pois és tu quem faz bater o meu coração,

És a minha Deusa, és a minha paixão,

És tu quem mantém em mim a chama acesa...

És tu quem eu amo... [És tu] És a minha Princesa...

 

Refrão [2x]

A tua perfeição é algo que não sei explicar

Espero que um dia me possas amar

O teu olhar é algo invulgar

Pois é o único capaz de me fascinar,

Capaz de me prender e de me hipnotizar

É algo que, eu adoro observar

O brilho dos teus olhos, faz me sonhar

E toda a minha atenção consegue captar!

 

És a minha musa, a minha musa inspiradora

E é por ti que o meu coração chora

O teu sentimento ele implora

Pois estás dentro dele a toda a hora

Já te disse mas volto a dizer

Beleza maior que a tua é impossível conhecer

Pois não existe, nem nunca há-de existir

E isso fica provado quando te vejo sorrir,

O meu amor por ti, não consigo exprimir

Mas embora seja tímido já consegui admitir,

Que te adoro, que és a minha amada

És tu quem eu quero, serás sempre a desejada,

Porque nunca conheci ninguém como tu

Adoro-te, baby I love you!

 

---------------------------------------------------------------------------------------

Fui eu que escrevi isto (não sei se é motivo de orgulho ou se é motivo para me esconder... mas como ela gosta que se lixe xD), com um colega meu...

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E agora, Jos??

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, Jos??

e agora, voc??

voc? que ? sem nome,

que zomba dos outros,

voc? que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, Jos??

 

Est? sem mulher,

est? sem discurso,

est? sem carinho,

j? n?o pode beber,

j? n?o pode fumar,

cuspir j? n?o pode,

a noite esfriou,

o dia n?o veio,

o bonde n?o veio,

o riso n?o veio,

n?o veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, Jos??

 

E agora, Jos??

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoer?ncia,

seu ?dio – e agora?

 

Com a chave na m?o

quer abrir a porta,

n?o existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas n?o h? mais.

Jos?, e agora?

 

Se voc? gritasse,

se voc? gemesse,

se voc? tocasse

a valsa vienense,

se voc? dormisse,

se voc? cansasse,

se voc? morresse...

Mas voc? n?o morre,

voc? ? duro, Jos?!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

voc? marcha, Jos?!

Jos?, para onde?

 

praouvir.gif

 

:handclap: :handclap: :handclap:

 

E no segmento deste, que, na minha opini?o ? o questinamento mais f*dido que possa existir, sigo com Alberto Caeiro:

 

O que penso eu do mundo?

Sei l? o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.

 

Que ideia tenho eu das cousas?

Que opini?o tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a cria??o do mundo?

N?o sei. Para mim pensar nisso ? fechar os olhos

E n?o pensar. ? correr as cortinas

Da minha janela (mas ela n?o tem cortinas).

 

O mist?rio das cousas? Sei l? o que ? mist?rio!

O ?nico mist?rio ? haver quem pense no mist?rio.

Quem est? ao sol e fecha os olhos,

Come?a a n?o saber o que ? o sol

E a pensar muitas cousas cheias de calor.

Mas abre os olhos e v? o sol,

E j? n?o pode pensar em nada,

Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os fil?sofos e de todos os poetas.

A luz do sol n?o sabe o que faz

E por isso n?o erra e ? comum e boa.

 

ALBERTO CAEIRO

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rendemo-nos os dois ? loucura

de ousar querer sermos algu?m.

n?o pensamos sen?o em n?s,

cantamos os dois ? mesma voz,

escondidos de ningu?m.

 

fomos n?s que quisemos assim,

perdermo-nos, adiando o fim,

e agora somos antag?nicos

j? n?o cantamos,

ficamos af?nicos.

 

n?o adianta tentarmos mais

vai acabar

n?o vamos voltar

a ser n?s

n?o vamos voltar

a ser n?s

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Vou fazer um desenterran?o.

Ouvi agora um poema de Stone Sour.

 

Stone Sour - Omega [stone Sour]

? uma declara??o de um poema.

 

What a skeletal wreck of a man this is

Translucent flesh and feeble bones

The kind of temple where the whores and villians try to tempt the holistic tones

Running rampant with free thought to free form the free and clear

And the matters at hand are shelled out like lint at a laundromat to sift and focus on the bigger, better, NOW

We all have a little sin that needs venting, virtues for the rending and laws and systems and stems ripped from the branches of office do you know what your post entails?

Do you serve a purpose or purposely serve?

Wind down inside your adivistic allure, the value of a summer spent and a winter earned

For the rest of us there is always sunday

The day of the week that reeks of rest but all we do is catch our breath so we can wade naked into the bloody pool and place our hand on the big black book

To watch the knives zigzag between our aching fingers

A vacation is a countdown

T minus your life and counting

Time to drag your tongue across the sugar cube and hope you get a taste

WHAT THE FUCK IS ALL THIS FOR? (*background*WHAT THE HELL IS GOING ON?) SHUT UP!

I could go on and on but let's move on shall we?

Say, you're me and I'm you and they all watch the things we do and like a smack of spite they threw me down the stairs haven't felt like this in years the great magnet of malicious magnanimous refuse

Let me go and plunge me into the dead spot again

That's where you go when theres no one else around it's just you and there was never anyone to begin with now was there?

Sanctimonious pretentious dastardly bastards with their thumb on the pulse and a finger on the trigger

CLASSIFIED MY ASS THAT'S A FUCKING SECRET AND YOU KNOW IT!

Government is another way to say better, than, you!

It's like ice but no pick a murder charge that won't stick its like a whole other world where you can smell the food

But you can't touch the silverware

*laughs* What luck!

Facism you can vote for

*snorts* Isn't that sweet

And were all gonna die someday 'cause that's the american way and I've drunk too much and said too little when you're gaffer taped in the middle say a prayer save face get yourself together and (*sung in the background* SEE WHAT'S HAPPENING!) SHUT UP! (*background* FUCK YOU!) FUCK YOU!

I'm sorry I could go on and on but its time to move on so

Remember, your a wreck an accident

Forget the freak your just nature

Keep the gun oiled and the temple clean

Shit, snort and blaspheme let the heads cool and the engine run because in the end everything we do, is just everything we've done.

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José Régio - Soneto de amor

 

Não me peças palavras, nem baladas,

Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,

Deixa cair as pálpebras pesadas,

E entre os seios me apertes sem receio.

 

Na tua boca sob a minha, ao meio,

Nossas línguas se busquem, desvairadas...

E que os meus flancos nus vibrem no enleio

Das tuas pernas ágeis e delgadas.

 

E em duas bocas uma língua..., - unidos,

Nós trocaremos beijos e gemidos,

Sentindo o nosso sangue misturar-se.

 

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!

Enterra-os bem nos meus; não digas nada...

Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

 

______________________________________

Alguém sabe-me explicar o que se passa neste Soneto?

Trata-se do amor como diz no título mas quê?! está a falar para uma mulher...

Poesia nunca fui muito com isso.

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Aparentemente desaparecido pelo meio de tanta página, recupero com isto:

 

Apontamento

 

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.

Caiu pela escada excessivamente abaixo.

Caiu das mãos da criada descuidada.

Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

 

Asneira? Impossível? Sei lá!

Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

 

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.

Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.

E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

 

Não se zanguem com ela.

São tolerantes com ela.

O que era eu um vaso vazio?

 

Olham os cacos absurdamente conscientes,

Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

 

Olham e sorriem.

Sorriem tolerantes à criada involuntária.

 

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.

Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?

Um caco.

E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

 

Fernando Pessoa

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Poema pouco original do medo

 

O medo vai ter tudo

pernas

ambulâncias

e o luxo blindado

de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja

mãozinhas cautelosas

enredos quase inocentes

ouvidos não só nas paredes

mas também no chão

no teto

no murmúrio dos esgotos

e talvez até (cautela!)

ouvidos nos teus ouvidos

 

O medo vai ter tudo

fantasmas na ópera

sessões contínuas de espiritismo

milagres

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências várias

congressos muitos

ótimos empregos

poemas originais

e poemas como este

projetos altamente porcos

heróis

(o medo vai ter heróis!)

costureiras reais e irreais

operários

(assim assim)

escriturários

(muitos)

intelectuais

(o que se sabe)

a tua voz talvez

talvez a minha

com a certeza a deles

 

Vai ter capitais

países

suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos

beijos

namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados

 

Ah o medo vai ter tudo

tudo

(Penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente

o que o medo quer)

 

O medo vai ter tudo

quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos todos de chegar

quase todos

a ratos

 

Alexandre O'Neill

 

(Afinal, já tinha posto este - vai o do Manuel Alegre:)

 

Variações sobre

O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO

de Alexandre O'Neill

 

Os ratos invadiram a cidade

povoaram as casas os ratos roeram

o coração das gentes.

Cada homem traz um rato na alma.

Na rua os ratos roeram a vida.

É proibido não ser rato.

 

Canto na toca. E sou um homem.

Os ratos não tiveram tempo de roer-me

os ratos não podem roer um homem

que grita não aos ratos.

Encho a toca de sol.

(Cá fora os ratos roeram o sol).

Encho a toca de luar.

(Cá fora os ratos roeram a lua).

Encho a toca de amor.

(Cá fora os ratos roeram o amor).

 

Na toca que já foi dos ratos cantam

os homens que não chiam. E cantando

a toca enche-se de sol.

(O pouco sol que os ratos não roeram).

 

Manuel Alegre

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Separados pelo tempo

Desunidos por uma ranhura

Nem por um simples momento

Podem viver uma aventura

 

Assim espalha o vento

A semente do amor

Sem olhar para onde atira

A semente que causa dor

 

Olhando para dentro

Tento esquecer a tristeza

Que me causa esta injustiça

Provocada com tanta frieza

 

Escrevi agora.

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Por trás dos olhos frios,

 

Ninguém sabe como é ser,

o homem mau,

o homem triste,

Por trás dos olhos negros.

 

Ninguém quer saber como é ser,

odiado

estar destinado

fadado a contar apenas mentiras.

 

Mas nos meus sonhos não sou eu,

Como para minha consciência pareço ser

Eu tenho horas, de pura solidão

Meu amor é a vingança

De que nunca estou livre.

 

Ninguém quer saber como é

Sentir esses sentimentos

Como eu sinto

E a culpa é tua.

 

Ninguém se engana com ninguém

Na tua raiva

Nada da minha dor é como mostrar

A desgraça que sou.

 

 

Mas nos meus sonhos não sou eu,

Como para minha consciência pareço ser

Eu tenho horas, de pura solidão

Meu amor é a vingança

De que nunca estou livre.

 

 

Adaptação de uma letra dos The Who

 

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"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recondito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

 

De quem é este poema ? Dizem que é do Fernando Pessoa, se sim, de que poema dele é ?

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É de Fernando Pessoa.

 

Então podes-me dizer de que poema ?

 

Cumprimentos Alex

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Não quero ser Fernando Pessoa

Nem David-Mourão Ferreira

Quero apenas passar as tardes no café, a gozar a vida boa

Com o prazer de a viver à minha maneira

Sou um mero aprendiz ao pé de Camões

Génio que morreu com poucos tostões

Quem me dera ter metade dessa genialidade

Mais que um ídolo, um herói de verdade

Qual o meu favorito?

Eu próprio!

Este meu ego, é o meu maior ópio.

______________________________________________

 

Não rimes.

Ou rima, se quiseres,

mas não violentes

a palavra.

 

Espera antes

a sua vinda.

 

Música e rima

são acessórios dispensáveis:

O poema é outra coisa.

 

Deixa, pois

que as palavras acordem

na matriz

e caiam maduras.

Áridas ou frias,

secas e imperturbáveis,

orvalhadas, humildes

estropiadas até,

que sejam precisas,

prenhas de significado.

Espera as palavras.

Elas viajam misteriosas,

desconhecidas ainda,

elas germinam

em ti.

 

Caem. Juntam-se.

Doloridas, feias

sob o visto placentário,

deselegantes por vezes,

elas procuram-se

e organizam-se.

 

Juntas transcendem-se,

há algo de íntimo,

coeso e secreto

nelas.

 

O poema está aí.

____________________________________________

 

E se de repente rompesse das ondas

uma deusa verde

com algas nos seios,

olhos de espuma,

graça de peixe,

e uma estrela-do-mar

nos cabelos de sol

molhados de música?...

 

Ah! não me espantava.

 

O que me espanta

é este mar sujo, negro, vil,

sem imaginação de ninfas...

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De quem é este poema ? Dizem que é do Fernando Pessoa, se sim, de que poema dele é ?

 

Não é, penso que alguém da Casa FP disse que não era

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Cabelos ao vento

Sobrevoam tua face

Tão belo momento

Talvez nunca o ultrapasse

 

Na memória fica

A resposta tão breve

No entanto, tão rica

 

Tanto fez por nós

Essa passagem pelo leste

Naquele momento a sós

Em que o "sim" por fim me deste

 

Fiz há uns dias :)

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