brun0 SLB Publicado 18 Dezembro 2014 ISEG, crl! Ahahah o Duque!! Já quando foi a conferencia da antena 1 e do diário económico, em que o ex secretario de estado carlos moedas foi falar, tb ocorreu algo semelhante. Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) A crise russa: Xeque-mate a Putin? O ano de 2014 começou com o mundo a questionar-se até onde é que Vladimir Putin iria avançar. O mesmo ano termina com todos a questionarem-se até onde a Rússia pode cair. Uma parede do tamanho dos Montes Urais. E várias espadas: sanções económicas, risco de recessão, fuga de capitais e preço do petróleo em queda acentuada. Entre estas espadas e a parede está Vladimir Putin, o líder do regime russo. Se, no início de 2014, o mundo se questionava até onde conseguiria ir a Rússia, depois da anexação da Crimeia, hoje a pergunta é outra: até onde pode cair um país – o maior do mundo – que está à beira do colapso? No xadrez da geopolítica internacional, um antigo campeão da modalidade, o russo Garry Kasparov, diz que não vê estratégia de fuga possível para o presidente russo. Xeque-mate? Os cidadãos russos começam a agitar-se com a forte descida do rublo nos últimos dias, sem perceber se a intervenção do banco central terá capacidade para conter o deslize da divisa. A pequena recuperação dos preços do petróleo na tarde de quarta-feira ajudou o rublo a estabilizar depois da perda de 19% no dia anterior, a maior dos últimos 16 anos. Além disso, o banco central e o Ministério das Finanças intervieram no mercado através da venda de reservas de moeda estrangeira e compra de rublos. Foi uma tentativa de estancar a hemorragia mais bem sucedida do que o aumento da taxa de juro 10,5% para 17% anunciado no dia anterior, que ficou conhecido como a “terça-feira negra”. Já há relatos de russos que tentam usar rublos para comprar carros, eletrodomésticos e mobília, protegendo-se da desvalorização da moeda através da compra de tudo aquilo que acreditam que os pode ajudar a conservar valor. As televisões russas atualizam ao minuto a cotação do rublo, procurando antecipar até quando irá agravar-se a depreciação da moeda e o encarecimento dos bens de consumo, incluindo os bens alimentares. Do dia anterior, chegam as notícias de empresas, como a Apple e a IKEA, a congelarem as vendas para o país. Encontra-se a palavra “pânico” nas manchetes de alguns jornais, como o financeiro RBK. A BBC conta que a imprensa liberal do país não tem dúvidas de quem é a culpa daquilo que está a acontecer. “O rublo vale tanto quanto a autoridade de Vladimir Putin, aos olhos do mercado. Os eleitores podem ser enganados, mas o mercado não”, pode ler-se na Novaya Gazeta. Já o Moskovskiy Komsomolets, um tablóide, diz: “este país vai finalmente pagar o preço da decisão crucial que foi a anexação da Crimeia”. “Esfumou-se o sentimento de que Putin é uma espécie de mágico que consegue controlar tudo”, escreve o jornal. Surgiram também já as piadas nas redes sociais, como a que fala do cavalheiro russo que se atirou do topo de um edifício – desesperado com a desvalorização da sua riqueza – mas que, mesmo assim, aproximou-se do chão a uma velocidade menor do que a queda do rublo. Como chegou a Rússia até aqui? A queda abrupta do petróleo não explica tudo Um dos mais mediáticos opositores de Vladimir Putin, o campeão de xadrez Garry Kasparov, deu esta quarta-feira uma entrevista à Bloomberg e garantiu que a questão não tem apenas a ver com o preço do petróleo, por muito determinante que este seja para uma economia como a russa. O preço do petróleo também se afundou nos finais de 2008, até aos 36 dólares por barril, e nunca a cotação do rublo desceu para mais de 30 rublos por dólar. Segundo Garry Kasparov, esta crise está a revelar as fragilidades de uma economia demasiado dependente dos petrodólares e de um sistema político nas mãos de um líder, Vladimir Putin, que Kasparov considera um “ditador”. “O mercado está a perceber que as reformas estruturais de que a Rússia necessita não irão acontecer enquanto Putin estiver no poder”, acredita Garry Kasparov, que é também presidente da nova-iorquina Human Rights Foundation (Fundação de Direitos Humanos). Cerca de três quartos das exportações russas deve-se ao petróleo e ao gás natural, e é com o encaixe da venda desses bens que o país financia metade da despesa pública. Os números ilustram a dependência que a economia tem do petróleo. O banco central russo prevê um crescimento de meras décimas nos próximos dois anos, mas, com a volatilidade nos preços do petróleo, estas projeções são como atirar a um alvo em movimento. A própria instituição reconhece que a economia russa pode contrair-se entre 4,5% e 4,7% no próximo ano se o preço do petróleo for de 60 dólares, em média, ao longo de 2015. Um cenário em que a taxa de inflação no país atingiria os dois dígitos, criando tempos difíceis para a população. Petróleo afunda-se para quase metade em seis meses A quebra no preço do petróleo poderá ter sido o fator com que Vladimir Putin não contava quando, na primavera, garantiu que as sanções internacionais não iriam ter um impacto significativo na economia russa. Na verdade, ainda há poucas semanas Putin se referiu a essas sanções como um “estímulo”, num discurso em horário nobre em que atribuiu a crise aos “especuladores estrangeiros” e lançou uma amnistia fiscal e criminal plena aos russos que repatriassem o seu património para o país nesta altura. Foi também nesse discurso que Putin lembrou que “Hitler, com as suas ideias de ódio à humanidade, ia destruir a Rússia e atirar-nos de volta para trás dos Montes Urais”. “Todos devem lembrar-se de como essa história terminou“, atirou o presidente russo. Nos últimos dias, pouco mudou além de o preço do petróleo ter furado alguns níveis psicologicamente relevantes. Foi o suficiente para instalar o medo nos mercados, que pareciam estar à espera de um momento de catarse, sobretudo desde que o discurso subiu de tom nos meios financeiros: há menos de duas semanas, o presidente do segundo maior banco da Rússia, o VTB, afirmou que equivaleria a uma “declaração de guerra” se a comunidade internacional banisse os bancos russos do SWIFT, uma plataforma global de pagamentos entre bancos e empresas, usada diariamente por mais de 10 mil instituições financeiras. “A Rússia está a viver uma crise cambial total”, diz Alexander Moseley, um gestor de carteiras da Schroders, em nota enviada ao Observador. O especialista diz que “é difícil vislumbrar o que levará à resolução dos fatores subjacentes de instabilidade, sendo certo que um levantamento das sanções ou o final da guerra com a Ucrânia seriam fatores claramente positivos, como seria uma estabilização dos preços do petróleo”. Ainda que tenha sido acordado em setembro um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia, o confronto está longe de estar resolvido e o gestor de investimentos da Schroders diz que este continuará a ser um problema nos próximos tempos. "À medida que a Rússia se transformou num pária a nível internacional devido à atuação na Ucrânia, não se espera que seja oferecida ajuda internacional”, diz Christian Schulz, economista do Berenberg Bank. E mesmo que essa ajuda chegue, será a troco de mais cedências por parte do presidente russo. E, aí, “Putin não parece disposto a ceder”, diz o economista, a partir de Londres. Nem mesmo depois de o banco central ter tido que subir a taxa de juro – pela terceira vez no espaço de semanas – para 17%, numa tentativa de conter a inflação e a hemorragia de capitais mas que arrisca estrangular o crédito à economia. O Banco da Rússia já dissipou um quinto das respetivas reservas a tentar conter a queda do rublo nos últimos meses, sem obter sucesso duradouro até ao momento. A enorme subida da taxa de juro anunciada na terça-feira não deu ao Kremlin mais do que um par de horas de alívio. Os próximos dias dirão se a situação irá estabilizar ou se Vladimir Putin e o seu regime terão de equacionar medidas mais duras. Um exemplo, que seria histórico e aumentaria ainda mais as comparações com a crise de 1998: controlos de capitais. Putin está sob uma pressão cada vez maior da comunidade internacional. Se os comentários por parte dos responsáveis europeus têm sido poucos e vagos, o secretário da Defesa dos EUA, John Kerry, já disse que cabe a Putin tornar a situação do país menos difícil. “As sanções poderiam ser levantadas numa questão de semanas ou, mesmo, dias, tudo depende das escolhas que o Presidente Putin fizer”, afirmou o responsável norte-americano. O mundo já terá aprendido a não subestimar a resiliência de Vladimir Putin, mas a sua liderança enfrenta agora o desafio de uma instabilidade financeira e social a que poucos resistiram. “Putin navegou a onda dos preços elevados do petróleo nos anos depois de ter assumido o poder, mas não há dúvidas de que a economia em dificuldades está a começar a ter um impacto adverso na sua política. De tal modo que a sustentabilidade do seu regime pode estar em risco”, afirma Nicholas Spiro, um estratego de mercados ouvido pela Reuters. “A solução é fácil, mas distante”, defende Christian Schulz, economista do Berenberg. Recordando que a investida ucraniana de Vladimir Putin, que lidera um regime dono de armas nucleares, dá muita popularidade ao presidente russo, o economista diz que “a Rússia podia recuar na Ucrânia, de modo a que as sanções impostas pelo Ocidente fossem parcialmente levantadas. Isso poderia devolver alguma confiança mínima aos investidores e estabilizar o rublo”. Contudo, “infelizmente, dificilmente Putin aceitará uma solução para a Ucrânia tendo em conta as notícias recorrentes de atividades por parte dos separistas pró-Russos na zona de Donetsk”, lamenta. @Observador.pt Queda no rublo reaviva memórias da crise de 1998 O rublo já perdeu mais de 50% do valor face ao dólar desde o início do ano e já há quem compare esta crise com a de 1998. Serão assim tão parecidas? “When you hear talk of devaluation, spit in the eye of whoever is talking about it”. A frase é do presidente do Banco Central da Rússia em 1998, Sergei Dubinin, em resposta aos oligarcas russos com interesse no gás e no petróleo que pediam uma desvalorização do rublo para contrapor à queda pronunciada nos preços do petróleo e do gás (barril de petróleo estava a custar 11 dólares) e numa tradução bem mais simpática que a sua versão literal dizia qualquer coisa como “não lhes deem ouvidos”. A forte desvalorização do rublo no último ano – já caiu mais de 50% face ao dólar –, em especial a queda dos últimos dias, está a ressuscitar as memórias da crise de 1998 que levou a Rússia a entrar em incumprimento na sua dívida. Uma queda abrupta nos preços do petróleo, a desvalorização expressiva do rublo, fragilidades na economia em geral, são alguns dos pontos em comum. 17 de agosto de 1998: o Governo russo anuncia um conjunto de medidas para impedir a escalada da crise, estando entre elas: a desvalorização do rublo aumentando os limites entre os quais a moeda podia flutuar, o incumprimento do pagamento de dívida de curto prazo, Bilhetes do Tesouro, assim como de dívida pública a mais longo prazo em rublos e uma moratória de 90 dias nos pagamentos dos bancos comerciais a credores externos. Este é o dia frequentemente apontado pelos economistas como o ponto de não retorno no caso da crise russa de 1998. Mas o que levou a esta situação? A Rússia vinha de um período de abertura iniciado na Perestroika e em 1997, pela primeira vez desde a formação da Federação Russa e (consequente fim da União Soviética), viu a sua economia crescer. Boa parte das razões para as melhorias esteve no profundo processo de reformas económicas e na capacidade da Rússia de adiar o pagamento de dívida pública, de quase 60 mil milhões de dólares, que herdada ainda da antiga União Soviética. Moscovo foi aceite no Clube de Paris como país credor e beneficiou dessa credibilidade com um aumento da confiança dos investidores e do aumento no rating do país. As limitações começaram a diminuir, os bancos russos começaram a pedir mais dinheiro emprestado no estrangeiro e os investidores estrangeiros investiram mais em dívida pública russa. Alguns dados económicos suportavam este otimismo: as contas externas estavam a melhorar em direção à sustentabilidade, as relações com o Ocidente melhoravam (o que significava também mais apoio financeiro do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional), a inflação reduzia-se para níveis comportáveis, de 131% de 1995 para 11% em 1997, a economia ia crescer 0,8% em 1997, o barril do petróleo estava nos 23 dólares por barril, um valor elevado para a altura (o petróleo era um principais produtos exportados pela Rússia) e a taxa de câmbio do rublo face ao dólar estava limitada a uma margem estreita ente os cinco e seis rublos por dólar. No entanto, apesar das melhorias, muitos problemas permaneciam ainda. Por exemplo, em média, os salários reais pagos na economia russa eram, na verdade, menos de metade daquilo que era pago em 1991, seis anos antes, e só 40% dos trabalhadores recebiam por completo o seu salário e a horas. O investimento estrangeiro era muito baixo e o défice orçamental continuava elevado. As receitas fiscais eram muito baixas, muito por culpa de um sistema que repartia as receitas entre o Governo federal e os governos regionais, o que criou incentivos para que as regiões ajudassem as empresas a esconder parte dos lucros para receber em troca uma transferência direta para o governo regional. Com estes problemas, a Rússia era, ainda assim, admitida no Clube de Paris (onde as maiores potências discutem o perdão de dívida de países subdesenvolvidos). A entrada dava-lhe grande credibilidade, mas os pressupostos da sua adesão eram questionáveis: a Rússia era credora de países como Cuba, Vietname ou Mongólia, por dívidas à antiga União Soviética. O aumento do endividamento dos bancos russos, graças a esta credibilidade extra, foi considerável: em 1994 representava apenas 7% do total dos seus ativos, em 1997 passou a ser de 17%. Mais importante, ainda, o Governo russo já esperava um aumento considerável na amortização de dívida pública nos anos imediatamente seguintes, quando venciam empréstimos do FMI. Para aguentar a fatura com a dívida, o Governo estava a contar com um crescimento económico na ordem de 2% em 1998. O resultado final foi bem diferente. Em 1998, a economia russa sofreu uma recessão de 4,9%. O problema foi que, alguns meses antes, no verão de 1997, um conjunto de países (em especial a Tailândia, a Indonésia e a Coreia do Sul) no sudeste asiático sofreram uma crise em muito semelhante ao que viria a acontecer na Rússia. Em resposta a um ataque especulativo ao rublo, o banco central da Rússia perdeu, em novembro desse ano, quase seis mil milhões de dólares a tentar defender a moeda. Ao mesmo tempo, os investidores estrangeiros em dívida de curto prazo russa começaram a defender-se da possibilidade de uma desvalorização do rublo (como aconteceu antes nas economias asiáticas) comprando contratos forward com o banco central da Rússia que lhes permitiam trocar rublos por moeda estrangeira, no futuro, a um preço pré-definido, independentemente das condições que estivessem a ser praticadas no mercado. A este cocktail explosivo juntou-se um valor substancial de potenciais perdas dos bancos russos que estavam escondidos fora dos seus balanços, que eram essencialmente estes contratos forward com investidores estrangeiros que chegavam aos seis mil milhões de dólares apenas na primeira metade de 1998, e, por fim, no final de 1997 os preços do petróleo e gás começaram a cair. Investidores começam a tremer A incerteza começou a deixar os investidores receosos que o Governo russo não fosse capaz de honrar os seus compromissos. O Governo ainda tentou promover um ambiente mais favorável ao investimento com uma reforma do sistema fiscal, mas partes cruciais dos novos códigos fiscais, que iriam dar uma muito necessária receita ao Estado, caíram no Parlamento. A situação começou então a piorar. O Governo russo pediu ajuda financeira ao FMI, mas não conseguiu chegar a acordo com o fundo. O Presidente da Rússia, Boris Yeltsin, decidiu demitir o Governo em março, nomeando para primeiro-ministro Sergei Kiriyenko, de apenas 35 anos. A desconfiança em torno do inexperiente primeiro-ministro levou a que a Duma demorasse um mês a confirmá-lo e isso só aconteceu depois de Boris Yeltsin ameaçar dissolver o Parlamento. Foi então que uma série de mal-entendidos provocou ainda mais problemas. Quando, em maio, o governador do banco central da Rússia alertou o Governo do risco de uma crise de dívida nos três anos seguintes, os jornalistas presentes na reunião entenderam o alerta como uma manifestação de intenções do banco central em direção a uma desvalorização do rublo. Seguiu-se o primeiro-ministro a dizer, em entrevista, que o Governo estava “bastante pobre”. O que o jovem primeiro-ministro se esqueceu foi de falar sobre os planos que o Governo tinha para reduzir a despesa e aumentar a receita. Seguiu-se, então, um episódio caricato, que prejudicou ainda mais a visão dos investidores na Rússia, quando um dos mais altos responsáveis por assuntos económicos internacionais dos Estados Unidos lhe viu negado um encontro com o primeiro-ministro. Tratava-se de Larry Summers, que na altura ocupava o cargo de secretário de Estado Adjunto do Tesouro. Um assessor inexperiente achou que o título de Larry Summers não era digno de um encontro com o primeiro-ministro russo. A queda A 18 de maio, as taxas de juro da dívida russa já atingiam 47%. O banco central da Rússia aumentava a taxa a que emprestava aos bancos de 30% para 50% e, em apenas dois dias, já tinha gasto mais de mil milhões a tentar defender a taxa de câmbio do rublo. Uma semana depois, os juros já ultrapassavam os 50% e a Rússia não conseguiu o financiamento todo de que necessitava num leilão de dívida no mercado. Foi nesta altura que, com os preços de petróleo a cair para 11 dólares (menos de metade do que se verificava no ano anterior), os oligarcas russos começaram a pedir uma desvalorização do rublo para valorizar as suas exportações de petróleo e gás e o governador do banco central pediu, de forma pouco simpática, para que se ignorassem esses pedidos. A taxa de juro a que emprestava aos bancos subiu de 50% para 150%. O plano para evitar a derrocada veio tarde e não funcionou. Boris Yeltsin fazia aparições na televisão russa à noite para convocar a elite russa para reuniões no Kremlin onde lhes pedia que investissem no país. O banco central perdia mais cinco mil milhões a tentar defender o câmbio do rublo e, mesmo com a ajuda do FMI, o valor elevado dos empréstimos que tinham de ser pagos em setembro precipitaram a queda. A 13 de agosto de 1998, a bolsa russa, o mercado de obrigações e cambial colapsaram devido aos receios de uma desvalorização do rublo e de um default da dívida. Os juros sobre a dívida pública russa atingiram 200%, a bolsa teve de fechar 35 minutos depois de abrir e as ações perderam mais de 75% do seu valor desde o início do ano. A 17 de agosto de 1998, o Governo avançou com a desvalorização do rublo, o incumprimento do pagamento de dívida de curto prazo e com uma moratória de 90 dias nos pagamentos dos bancos comerciais a credores externos. A 2 de setembro de 1998, o banco central decidiu remover os limites à variação da taxa de conversão do rublo para o dólar, o que levou a uma forte depreciação do rublo: em apenas três semanas, o rublo perdeu dois terços do valor em relação à divisa norte-americana. Por fim, a inflação subiu para 27,6% em 1998 e, mais tarde, para 85,7% em 1999. O brutal aumento nos preços, em especial no que dizia respeito aos alimentos, desencadearam manifestações e protestos em várias cidades. No final de 1998, a economia, em vez de crescer os 2% necessários para pagar a dívida, acabou por sofrer uma recessão de 4,9%. @Observador.pt Putin falou, o rublo caiu. Outra vez. O discurso era aguardado pelos mercados, pois era a primeira vez que Putin falava desde a forte depreciação do rublo. Mas a mensagem não convenceu. A mensagem era suposto ser de confiança, para estabilizar os mercados, mas o discurso na conferência anual de Vladimir Putin não está a ser bem acolhido pelos mercados e o rublo volta a desvalorizar. O rublo está a cair 2,03%, sendo agora necessários 62,02 rublos para comprar um dólar. Nos últimos seis meses (desde o final de junho) o rublo perdeu mais de 45% do seu valor face ao dólar. Para além de o Presidente russo não ter anunciado novas medidas e de culpar em grande maioria fatores externos, como a queda do petróleo e as sanções económicas impostas pela União Europeia e Estados Unidos na sequência da crise ucraniana, Putin disse também que o banco central da Rússia não deve desperdiçar reservas no mercado para tentar estabilizar o valor do rublo. A mensagem passada aos russos foi para se prepararem para uma recessão e para uma maior desvalorização do rublo, que admite que possa ser ainda maior caso o preço do petróleo continue a descer. A Rússia já gastou mais de 87 mil milhões de dólares das suas reservas de moedas estrangeiras para tentar estabilizar o rublo. Isto representa cerca de 17% de um total de quase 500 mil milhões de dólares de reservas do país. O plano para já é aguentar. As medidas tomadas pelo banco central e pelo Governo, diz Putin, são adequadas apesar de admitir que podiam ter sido tomadas há mais tempo. O fim da crise, diz, chegará, no máximo, em dois anos. E caso isso não aconteça? “Poderemos ter de mudar os nossos planos, cortar algumas coisas”. Na madrugada de terça-feira o banco central reuniu-se de emergência para decretar um aumento das taxas de juro a que empresta aos bancos comerciais dos 10,5% para os 17%. @Observador.pt Crónica semanal RAP: Carta a José Sócrates O facto de um amigo lhe ter disponibilizado um apartamento de 225 metros quadrados em Paris fez com que o Ministério Público lhe disponibilizasse um apartamento de 9 metros quadrados em Évora. Obrigam-no a aceitar aquilo que o acusam de ter aceitado Caro eng. José Sócrates, Espero que esta o encontre bem. Li com atenção as suas cartas e foi apenas por falta de tempo que não respondi mais depressa. Lembro-me de, no fim do liceu, ter mantido alguma correspondência com antigos colegas mas, por uma razão ou por outra, a troca de cartas foi-se tornando cada vez mais rara, até que parou completamente. Não gostaria de cometer esse erro outra vez. Parece-me importante manter o contacto com as pessoas do nosso passado, como antigos colegas e antigos primeiros-ministros. Tenho pensado bastante nas observações que vai fazendo. Esta última carta sensibilizou-me especialmente, na medida em que criticava a cobardia dos políticos, a cumplicidade dos jornalistas, o cinismo dos professores de Direito e o desprezo das pessoas decentes. Como creio que sabe, não pertenço a nenhuma das categorias citadas, e por isso fui deixado de fora do seu olhar crítico, pelo que lhe agradeço. As críticas que faz ao funcionamento da justiça parecem-me muito pertinentes. Portugal precisava que um homem como o sr. estivesse, digamos, sete anos à frente do Governo, talvez quatro dos quais com maioria absoluta, para fazer uma reforma séria do sistema judicial. É uma pena não termos essa possibilidade. Na minha opinião, os primeiros-ministros deviam ser presos antes, e não depois dos mandatos. Estagiavam durante dois meses numa cadeia, três num hospital e um semestre numa escola. O contacto directo com a realidade dá-nos perspectivas novas, mais informadas, e acirra o ímpeto reformista. Julgo que é possível estabelecer um paralelo entre o processo de Josef K., a personagem de Kafka, e o de José Sócrates, ou Josef S. - sendo que a sua história é mais complexa: tanto Josef K. como Josef S. se vêem confrontados com decisões judiciais autoritárias e, em certos aspectos, até grotescas, mas Josef K. nunca teve amigos como Alberto Martins e Alberto Costa a tutelar a justiça, nem governou o seu país. Era apenas vítima. Ser simultaneamente vítima e carrasco deve ser mais perturbador. Ao contrário do que muitas vezes se diz, Joseph-Ignace Guillotin, o inventor da guilhotina, não foi guilhotinado. Essa ironia foi reservada para si, que é agora acusado por um sistema que ajudou a conceber e conservar. Compreendo quase todas as suas queixas. Na verdade, a ironia que identifiquei acima não é a única do seu caso. Ao que parece, o facto de um amigo lhe ter disponibilizado um apartamento de 225 metros quadrados em Paris fez com que o Ministério Público lhe disponibilizasse um apartamento de 9 metros quadrados em Évora. Obrigam-no a aceitar aquilo que o acusam de ter aceitado. É duro. E irónico. Uma pessoa tolera tudo, menos figuras de estilo. Considero, no entanto, que algumas das suas análises são menos acertadas. Por exemplo, quando diz, sobre a intenção da prisão preventiva: "(...) já não és um cidadão face às instituições; és um 'recluso' que enfrenta as 'autoridades': a tua palavra já não vale o mesmo que a nossa." Aqui para nós, se lhe roubaram o valor da palavra não terão levado grande tesouro, uma vez que a sua palavra já não valia o mesmo que a nossa desde aquela promessa dos 150 mil empregos. Espero que não leve a mal esta franqueza. Estou certo de que voltaremos a falar. Cumprimentos, Ricardo @Visão.sapo.pt PS: Uma questão, além da requisição civil do governo de Guterres relativamente à TAP, esta situação só ocorreu mais uma vez, também em relação à mesma empresa, com o Mário Soares, certo? Editado 18 Dezembro 2014 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 18 Dezembro 2014 BREAKING NEWS: Governo avança com requisição civil para travar greve da TAP Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Confirmado? A SIC, na abertura do Jornal da Tarde, disse: "O Governo deve avançar com a requisição civil". PS: Confirmaram agora mesmo, requisição civil para o caso da greve na TAP. PPS: Vou buscar umas pipocas, o caso da requisição civil e a audição do Álvaro Sobrinho vão tornar esta tarde de quinta-feira mais agradável. Editado 18 Dezembro 2014 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 18 Dezembro 2014 Sim, vi no Diário Económico. Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Vai começar agora o briefing do Conselho de Ministros. Editado 18 Dezembro 2014 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 18 Dezembro 2014 Porque é que a requisição civil há-de ter muito mais história? Já era previsivel, e sinceramente acho que era a única coisa a fazer, quando uma greve pode prejudicar 180 mil pessoas, a maior parte delas emigrantes que vêm reunir com a familia na altura mais importante do ano. Fazia-me muito menos comichão se tivessem feito isso logo nos primeiros dias de 2015, e se calhar o impacto continuava a ser forte :) Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 Isto é uma questão muito complexa e as discussões irão cair, irremediavelmente, num vazio em termos de razão. Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 18 Dezembro 2014 PS: Uma questão, além da requisição civil do governo de Guterres relativamente à TAP, esta situação só ocorreu mais uma vez, também em relação à mesma empresa, com o Mário Soares, certo? António Guterres, creio. Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 Não foi isso que perguntei, Peplin, pareceu-me ler, no Facebook, que, além do Guterres, também o Mário Soares utilizou esta ferramenta com a TAP. Mas, não consigo localizar essa informação. Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 18 Dezembro 2014 Esquece, li o teu post de fugida, não li a parte do António Guterres. ;) De qualquer forma, creio que só o António Guterres recorreu à requisição civil. Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 1988É decretada a requisição civil dos trabalhadores da Carris O Governo decreta a requisição civil dos trabalhadores da Carris em greve. @FMSoares.pt A requisição acima refere-se a um governo de Cavaco Silva, atual Presidente da República. E, com uma ajuda do perfil de facebook do Camilo Lourenço, Mário Soares, enquanto primeiro-ministro, também impôs uma requisição civil à TAP: - Diário da República, 1.ª série (n.º 173) de 28 de Julho de 1977: Portaria número 475-A/77 Compartilhar este post Link para o post
antifa Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Agora na TAP é os trabalhadores fazerem greve de zelo e no fundo vai dar ao mesmo. Já agora, isto inclui os sindicatos dos controladores aéreos? Estou curioso para ver se o governo se atreve a fazer o que os Espanhois fizeram em 2010 quando enviaram militares para os aeroportos.... Esta conversa do governo de utilizar o Natal como argumento é que mete nojo. Como se não tivessem eles próprios forçado esta situação exactamente nesta altura do ano para prevenir uma acção dos sindicatos... Editado 18 Dezembro 2014 por antifa Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 18 Dezembro 2014 A requisição acima refere-se a um governo de Cavaco Silva, atual Presidente da República. E, com uma ajuda do perfil de facebook do Camilo Lourenço, Mário Soares, enquanto primeiro-ministro, também impôs uma requisição civil à TAP: - Diário da República, 1.ª série (n.º 173) de 28 de Julho de 1977: Portaria número 475-A/77 Complementando: http://observador.pt/2014/12/18/tap-justificacoes-das-requisicoes-civis-de-1977-e-1997/# Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 18 Dezembro 2014 Agora na TAP é os trabalhadores fazerem greve de zelo e no fundo vai dar ao mesmo. Já agora, isto inclui os sindicatos dos controladores aéreos? Estou curioso para ver se o governo se atreve a fazer o que os Espanhois fizeram em 2010 quando enviaram militares para os aeroportos.... Esta conversa do governo de utilizar o Natal como argumento é que mete nojo. Como se não tivessem eles próprios forçado esta situação exactamente nesta altura do ano para prevenir uma acção dos sindicatos... Os controladores aéreos não trabalham na TAP, creio eu. Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Vou deixar a notícia completa: TAP: As justificações das requisições civis de 1977 e 1997 Duas requisições civis marcaram os últimos quase 40 anos da TAP. Em 1977, os trabalhadores foram requisitados 15 dias, em 1997, um mês - o de agosto. A requisição civil decretada pelo Governo esta quinta-feira, perante a greve da TAP entre o Natal e Ano Novo, é a terceira da história da transportadora aérea. Em 1977, a requisição foi de 15 dias e, em 1997, de um mês. Nos dois períodos, os trabalhadores da TAP ficaram sujeitos a penalizações segundo os estatutos disciplinares dos funcionários públicos em vigor nessa altura. O diploma de 1997 dizia que todos os trabalhadores, incluindo os que estão no estrangeiro, estavam convocados para esta requisição civil, enquanto em julho de 1977, o Governo – liderado por Mário Soares – considerou que uma greve da TAP degradava “a sua imagem como companhia internacional, na fase de franca recuperação económica em que se encontra”. Se o argumento na década de 70 foi a recuperação económica, em 1997, o verão – em pleno mês de agosto – e os emigrantes pesaram na decisão do Governo. Na resolução do Conselho de Ministros de então lê-se que a TAP representava “uma das principais modalidades utilizadas pelos emigrantes portugueses que aproveitam a época estival para estreitar os laços de solidariedade que unem as comunidades portuguesa”. Estes foram os argumentos de então e as medidas que resultaram daí foi a requisição civil mas com algumas diferenças nos dois casos. A portaria 643-A/97, que convocou a requisição civil de 1997 e é assinada por António Sousa Franco, então ministro das Finanças, e impunha esta medida por um mês – “prorrogável automaticamente por períodos iguais sucessivos” – e fazia com que os trabalhadores realizassem as “funções que lhes estão habitualmente cometidas no âmbito da estrutura e dos quadros da TAP” e delegando “a competência para a prática de atos de gestão decorrentes da requisição” ao conselho de administração da TAP. O Conselho de Ministros considerou em 1997 que esta greve poderia ter “prejuízos irreparáveis”. Já a portaria n.º 475-A_77, assinada por Mário Soares, então primeiro-ministro, estabeleceu o período de requisição de 15 dias e enuncia que “a requisição terá por objeto a prestação obrigatória das tarefas profissionais que estão habitualmente cometidas aos trabalhadores agora requisitados”, obrigando os trabalhadores a “apresentarem-se nos seus locais de trabalho”. Neste caso, a gestão da requisição foi partilhada entre o ministro dos Transportes e Comunicações, então Rui Vilar, e pelo conselho de gerência da TAP. Esta portaria define ainda que estes dois órgãos deviam tomar as medidas adequadas “ao pleno exercício da sua capacidade disciplinar”. Em ambos os casos, quem não cumprisse a requisição estava obrigado às penalizações dos funcionários do Estado. Em 1997 essa lei chamava-se Estatuto Disciplinar dos Funcionários e Agentes da Administração Central, Regional e Local e em 1977 Estatuto Disciplinar dos Funcionários Civis do Estado. @Observador.pt PS: Vai começar a audição de Álvaro Sobrinho (ex-Presidente do BESA) na Comissão Parlamentar relativa ao BES/GES Editado 18 Dezembro 2014 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Foster Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Quem é a cutie ao lado da deputada que está a interrogar o Álvaro Sobrinho? SicN Editado 18 Dezembro 2014 por Foster Compartilhar este post Link para o post
FMplayerslayer Publicado 18 Dezembro 2014 Porque é que a requisição civil há-de ter muito mais história? Já era previsivel, e sinceramente acho que era a única coisa a fazer, quando uma greve pode prejudicar 180 mil pessoas, a maior parte delas emigrantes que vêm reunir com a familia na altura mais importante do ano. Fazia-me muito menos comichão se tivessem feito isso logo nos primeiros dias de 2015, e se calhar o impacto continuava a ser forte :) Muito bem o Governo a defender o interesse do coitadinho do imigrante que vem comer o bacalhau com as batatas, o engraçado é que quando privatizar 100% da Tap ao Chop Soey ou ao Chau Ming e eles acabarem com todas as rotas que dão prejuízo ou pouco dinheiro os imigrantes que vão se f*der na mesma só que de forma permanente. Compartilhar este post Link para o post
Foster Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Ainda não vi se meteram atrás mas: https://www.facebook.com/pages/Nanook-Lda/205911719421635 2 minutos de gravações das reuniões de Ricardo Salgado e sus muchachos. edit: E tem que ver com os submarinos, a coincidência :lol: Editado 18 Dezembro 2014 por Foster Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 18 Dezembro 2014 (editado) Ainda não vi se meteram atrás mas:https://www.facebook.com/pages/Nanook-Lda/2059117194216352 minutos de gravações das reuniões de Ricardo Salgado e sus muchachos.edit: E tem que ver com os submarinos, a coincidência :lol: A TVI foi, digamos, avisada, através de duas missivas assinadas por quatro membros da família Espírito Santo, para não divulgar tais gravações. Editado 18 Dezembro 2014 por Vaart Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 18 Dezembro 2014 Quanto à privatização da TAP, e por mais baboseiras que o António Costa ande para aí a dizer, há três soluções: 1 - Privatiza-se e logo se vê; 2 - Mantém-se pública e a TAP so sobrevive se descobrir um poço de petróleo debaixo da sede da companhia; 3 - Saímos da UE e o Estado recapitaliza a companhia. E porquê? A UE impede ajudas estatais a companhias aéreas fora situações muito excepcionais, que são apoios ao desenvolvimento de pequenos aeroportos (em Portugal, a TAP só os poderia receber se abrisse rotas em Beja, em Porto Santo, ou nos Açores), ou apoios à implementação de novas rotas, para atrair turistas. Como a TAP só aposta na Portela, que é o aeroporto nacional melhor servido de rotas e como a maioria das rotas abertas servem para usar Lisboa como escala entre a Europa e o Brasil, recebe poucos apoios. Sendo a TAP pública, tendo uma situação financeira difícil, não consegue crédito. Logo, só se pode financiar através do seu accionista, o Estado, que, pelas leis da UE não pode meter lá dinheiro. Sucede que a TAP precisa de dinheiro fresco como o Sporting precisa de centrais. E porquê? Porque a frota está a ficar envelhecida e é cada vez menos eficiente, em termos de consumos e manutenção. Porque a frota é diminuta, com perdas de eficiência associadas. Porque a frota da PGA é ainda mais velha e ainda mais envelhecida. E porque o mercado da aviação é cada vez mais competitivo. Se não entrar dinheiro, mais ano, menos ano, a TAP estoura. As companhias rivais estão a começar a explorar o filão brasileiro. A Iberia, a Air Europa e a Air France estão a abrir rotas para destinos brasileiros que não Rio e São Paulo, a preços competitivos. Depois, vem tudo o resto. As avarias, as greves, os voos com falta de pessoal e, por consequência sem serviço a bordo, os aviões antigos, os atrasos e cancelamentos do verão, etc. mancham a imagem da companhia. Soube recentemente que um dos principais agentes de viagens no Brasil deixou de vender voos TAP para a Europa, apostando as fichas na Air Europa. E assim, a TAP precisa de limpar a imagem, precisa de se renovar. E sem dinheiro, não se consegue fazer isso. Se a privatização é uma solução perfeita e milagrosa? Não, não é. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que não vem gente despedida. Mas é a solução menos má. E antes uma razoável, que uma péssima. Compartilhar este post Link para o post
Sylvester Publicado 18 Dezembro 2014 Requisição civil já anunciada? Já foram sequer anunciados os serviços mínimos? Não se pode apenas avançar para uma requisição civil depois dos trabalhadores se recusarem a cumprir os serviços mínimos? Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 18 Dezembro 2014 Quanto à privatização da TAP, e por mais baboseiras que o António Costa ande para aí a dizer, há três soluções: 1 - Privatiza-se e logo se vê; 2 - Mantém-se pública e a TAP so sobrevive se descobrir um poço de petróleo debaixo da sede da companhia; 3 - Saímos da UE e o Estado recapitaliza a companhia. E porquê? A UE impede ajudas estatais a companhias aéreas fora situações muito excepcionais, que são apoios ao desenvolvimento de pequenos aeroportos (em Portugal, a TAP só os poderia receber se abrisse rotas em Beja, em Porto Santo, ou nos Açores), ou apoios à implementação de novas rotas, para atrair turistas. Como a TAP só aposta na Portela, que é o aeroporto nacional melhor servido de rotas e como a maioria das rotas abertas servem para usar Lisboa como escala entre a Europa e o Brasil, recebe poucos apoios. Sendo a TAP pública, tendo uma situação financeira difícil, não consegue crédito. Logo, só se pode financiar através do seu accionista, o Estado, que, pelas leis da UE não pode meter lá dinheiro. Sucede que a TAP precisa de dinheiro fresco como o Sporting precisa de centrais. E porquê? Porque a frota está a ficar envelhecida e é cada vez menos eficiente, em termos de consumos e manutenção. Porque a frota é diminuta, com perdas de eficiência associadas. Porque a frota da PGA é ainda mais velha e ainda mais envelhecida. E porque o mercado da aviação é cada vez mais competitivo. Se não entrar dinheiro, mais ano, menos ano, a TAP estoura. As companhias rivais estão a começar a explorar o filão brasileiro. A Iberia, a Air Europa e a Air France estão a abrir rotas para destinos brasileiros que não Rio e São Paulo, a preços competitivos. Depois, vem tudo o resto. As avarias, as greves, os voos com falta de pessoal e, por consequência sem serviço a bordo, os aviões antigos, os atrasos e cancelamentos do verão, etc. mancham a imagem da companhia. Soube recentemente que um dos principais agentes de viagens no Brasil deixou de vender voos TAP para a Europa, apostando as fichas na Air Europa. E assim, a TAP precisa de limpar a imagem, precisa de se renovar. E sem dinheiro, não se consegue fazer isso. Se a privatização é uma solução perfeita e milagrosa? Não, não é. Não sejamos ingénuos ao ponto de pensar que não vem gente despedida. Mas é a solução menos má. E antes uma razoável, que uma péssima. Cheguei a ler, não há muito tempo, que a Comissão Europeia até poderia autorizar a ajuda pública à TAP, colocaria era várias condições para o permitir (despedimentos e o encerramento de rotas da empresa que não são rentáveis, por exemplo). Para isso, por muito que me custe (e custa-me, sou 100 % a favor de uma TAP pública), não teremos grande remédio senão privatizar. Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 18 Dezembro 2014 Tens razão. E da última vez que isso foi feito, na Alitalia, não adiantou a ponta de um corno. Compartilhar este post Link para o post