riquelme21 Publicado 23 Fevereiro 2014 O Edgar e o Prades não passam deste ano em Portugal. Estão cá a mais. Quero acreditar que dão o salto. Compartilhar este post Link para o post
José Mourinho Publicado 24 Fevereiro 2014 Sim, o Edgar desde a Volta do ano passado que me tem enchido as medidas e mostra ter qualidade para outros vôos. E sim, nas Voltas anteriores também dava nas vistas, mas agora parece-me um ciclista muito mais completo. http://www.youtube.com/watch?v=oa8QhxqVUyc Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 24 Fevereiro 2014 Team Europcar. A Volta ao Algarve à pendura O i esteve três dias no carro da equipa e sobreviveu para contar como se vive por dentro as etapas de ciclismo Passam poucos minutos das oito e meia de quarta-feira quando a música irrompe no Jardim Manuel Bívar em Faro. Mesmo quem não está à espera, é rapidamente apresentado à Volta ao Algarve, com início marcado para as 11h00. Por muito que ainda fosse possível dormir mais uns minutos num hotel que fica logo ali, especialmente para descansar da viagem feita de madrugada, já não se consegue. O dia começou. Não há sinal dos ciclistas mas o esqueleto da cobertura está lá. Há o pódio de apresentação, a zona da partida simbólica, a tenda vip e os muitos autocarros e caravanas que anunciam o arranque. E curiosos, muito curiosos. "Eu, como entro às onze, venho ver os ciclistas", desabafa uma septuagenária de óculos e máquina digital cor-de-rosa. O momento capta a nossa atenção e também nós captamos a sua. "Olhe, desculpe. Eu também tenho um iPad mas esqueci-me da senha do facebook. Como é que faço?", questiona-nos. Vai-se embora sem o problema resolvido, mas sem estar desmotivada, disparando fotografias na direcção dos primeiros ciclistas a chegar. Com eles, a nossa boleia. Por três dias, o carro da Team Europcar, equipa francesa do World Tour, será a nossa boleia. Sentados no lugar da frente, ao lado do director Benoît Genauzeau. Sem barreiras, sem limites, como se fizéssemos parte da estrutura. Os primeiros quilómetros são o aperitivo perfeito para perceber o que nos aguarda. A ordem dos carros na caravana não é favorável e a condução, que ignora por completo o código de estrada - desde as distâncias de segurança, velocidades e sinais de trânsito - é perigosa. Através de uma frequência de rádio, o carro vai ouvindo se algum ciclista precisa de alguma coisa. De certa forma, é como uma central de táxis com um ritmo frenético e que obriga a arranques dignos de uma ambulância. Numa das vezes, termina com uma travagem brusca para evitar uma colisão frontal com um autocarro estacionado na berma. "Nunca tive um acidente mas brincamos com o perigo. Faz parte", diz-nos Benoît, o responsável da Team Europcar nesta corrida. "Não é uma tarefa fácil. Em França, grande parte dos carros que não são das equipas, são conduzidos por pilotos. É muito complicado, é preciso manter a atenção em demasiados factores, especialmente nas etapas de montanha, em que os ciclistas estão espalhados e tanto podem aparecer pela direita, pela esquerda, por trás." O carro, "como a maioria", tem mudanças automáticas. "Tem de ser assim. Estamos sempre a fazer pelo menos duas coisas ao mesmo tempo. Falar ao telefone, dar instruções, ver os mapas da etapa, reabastecer os ciclistas. É uma forma de a mão direita estar mais livre", conta-nos o ex-ciclista de 34 anos que foi campeão nacional de pista em 2004. Pelo meio, há um movimento mecanizado sempre que se aproxima um ciclista da Europcar - baixar o vidro e puxar o espelho para dentro. Prova a aquecer Os primeiros minutos abrem oportunidade para uma fuga. Benoît corre a ver os números dos dorsais e conclui em francês para Vincent Poulain, o mecânico sentado atrás de nós: "Oh, portugueses!" Connosco, muda o chip para inglês: "Estão a tentar mas nesta prova não têm hipótese. A qualidade é muito grande." Talvez por ser a primeira etapa, as chamadas são muitas e para todos os gostos. Por isso, as travagens, as razias entre espelhos e as viagens à berma multiplicam-se. Umas vezes é preciso ajustar o selim, noutras é apenas para trocar equipamento. Com Vincent Jérôme, 29 anos e na equipa desde 2006, é uma questão de discutir os contornos da etapa. É algo que se repete nos dias seguintes, sempre com ele, como se fosse o estratega. Há uma quarta pessoa no carro: Duartino Guerreiro, também convidado e trabalhador da empresa em Portugal. A experiência é nova, tal como a passagem por Conceição de Faro, onde já viveu. Por isso, num cruzamento, não resiste a baixar o vidro e cumprimentar alguns amigos, provocando risos dentro do carro. Mais tarde, volta a ser motivo de risos mas por causa de um esquecimento. Numa fase mais calma da etapa, o carro encosta para se satisfazerem necessidades fisiológicas. Sem reparar, Benoît Genauzeau arranca durante vinte metros até perceber que Duartino tinha ficado para trás. Nada de problemático: uma corrida e tudo como dantes. A zona de reabastecimento apeado chega por essa altura e o carro também encosta para uma pequena troca de palavras com Valentin Gaudin, um assistente desportivo de 23 anos que tentou a sua sorte no desporto até aos 19 e é irmão de Damian (ciclista profissional que trocou a Europcar pela Ag2r esta temporada). "Então, foi muito chata à espera?", perguntam-lhe. "Não, há ali um snack-bar mesmo bom", responde, enquanto pisca o olho, provocando a risada geral. A prova no início da temporada é também uma oportunidade para voyeurismo. À medida que os carros das várias equipas vão passando, comentam-se bicicletas, rodas, materiais e outros pormenores nas escolhas dos rivais. E rivalidades entre franceses, há? "Dentro da corrida sim, porque os objectivos são iguais. Nós temos um bom sprinter, eles também. Mas fora da corrida não há nada", garante-nos Benoît Genauzeau. Com Thomas Voeckler, a grande figura da equipa, à procura da melhor forma depois de partir a clavícula na Austrália em Janeiro, Bryan Coquard é a grande esperança para a conquista de uma etapa no Algarve. Com 21 anos, Coquard é uma esperança para o futuro e chegou à equipa na época passada, um ano depois de ter conquistado uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres em ciclismo de pista. E a chegada a Albufeira, é favorável para ele? O director responde-nos depois de uma primeira passagem pela meta: "A subida no início do último quilómetro é vantajosa, mas depois acaba em descida. Vamos ver..." Finalmente, a etapa acaba mas a rádio da volta não anuncia logo o vencedor e faz aumentar a expectativa. "A primeira etapa foi ganha por um ciclista da Lampre", ouve-se então, em português e francês. Aí, Benoît não esconde a desilusão na voz enquanto desabafa num sotaque claramente francês "Modolo... Mo-do-lo", referindo-se ao italiano que é colega de Rui Costa. Balanço Os comentários à etapa ficam marcados para a manhã seguinte, já em Lagoa, quando perguntamos sobre o quarto lugar de Coquard. "Ele estava bem colocado, mas um ciclista da Lampre, que lançou o sprint, bloqueou-o quando saiu da dianteira. Acontece...", explica- -nos, para logo a seguir nos dizer quais foram os tópicos da reunião de poucos minutos na pequena caravana que transporta os ciclistas. "Nada de muito complexo. Disse-lhes que podem integrar uma fuga se se sentirem em condições e que têm de ter em atenção os últimos trinta quilómetros em que a etapa fica um pouco mais difícil e técnica." Os minutos que antecedem o início da etapa trazem muitos curiosos até à zona da Europcar. Um casal de alemães comenta as bicicletas dispostas junto a uns arbustos e aproveita para trocar algumas palavras com Björn Thurau, o alemão e único estrangeiro da Europcar no Algarve. De facto, a equipa francesa tem apenas cinco estrangeiros no plantel de 27. "E 70% dos corredores passou pela Vendée U [equipa que serve de formação para a agora Europcar]", explica com orgulho um director desportivo que também lá esteve e aparece agora na equipa profissional com o objectivo de ajudar a fazer a transição e aposta nos mais jovens. Outra curiosidade é o facto de apenas dois dos oito ciclistas presentes no Algarve não terem passado pelas mãos de Genauzeau na Vendée U - Björn Thurau e Maxime Mederel. A característica de união é muito valorizada pelo director desportivo, que realça ainda que cinco deles moram na mesma região, espalhados por oitenta quilómetros: "É bom porque assim podem treinar juntos facilmente." Bem dito, bem feito Os oito ciclistas tinham liberdade para integrar uma fuga e Alexandre Pichot (31 anos, na equipa desde 2006) não precisou de muitos quilómetros até formar uma tríade francesa com Florian Senechal (Cofidis) e Arnaud Demare (Française des Jeux). Rapidamente, ganharam uma vantagem superior a três minutos e o carro da Europcar teve autorização para dar um salto até ao grupo de fugitivos. "Estavas cheio de vontade disto, não era?" atirou Benoît Genauzeau, provocando sorrisos em Pichot, que assumia a preferência de estar num grupo com mais ciclistas. Pela janela do carro, mostrou-se preocupado em saber como eram os próximos quilómetros, que iriam incluir uma passagem invulgar, mas elogiada, pelo Autódromo Internacional do Algarve, e com a melhor abordagem para uma etapa de 196 quilómetros e com dificuldades de montanha no fim. Era apenas uma contagem de terceira categoria mas complicada. E Jimmy Engoulvent, último classificado no Tour em 2012 e um ciclista mais preparado para prólogos e sprints, é o primeiro a descolar. Perante a atenção fixada dos comissários da prova, Benoît Genauzeau faz os possíveis para ajudar o veterano (34 anos) a regressar à cauda do pelotão. Atrás do carro, o dorsal 83 aproveita o ritmo do automóvel e a forma como lhe cobre o vento. Passados uns minutos, missão cumprida. Ainda assim, o mais difícil continua para vir. A fuga já acabou e o ritmo na frente aumenta. Grandes nomes como Mark Cavendish e Alessandro Petacchi começam a ficar para trás e, mais cedo ou mais tarde, são os ciclistas da Europcar a passar por dificuldades. É neste momento que a condução de Benoît é mais exigente, tentando manter a segurança e ajudá-los ao mesmo tempo. "Uma coca--cola e um bidon", repete insistentemente para o mecânico, caso seja possível a entrega. Estratégia para dificuldades? "Não, é apenas uma forma de estarmos preparados para algum pedido e, claro, dar um empurrão enquanto as duas mãos estão agarradas ao bidon. São apenas alguns segundos, é proibido, mas pode ser uma ajuda valiosa", admite. Além disso, apenas a empatia pelo sofrimento dos ciclistas: "Precisas de alguma coisa?" e "Vamos lá, coragem" são as frases que solta pela janela enquanto é obrigado a passar pelo grupo que se atrasa, acelerando até chegar ao seguinte. A condução termina a 400 metros da meta, já depois da vitória de Michal Kwiatkowski. O melhor da Europcar é Thurau, no 20.o lugar. Contra-relógio São 13,3 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres e a preparação é demorada. Será Benoît Genauzeau um director que abusa dos "allez" durante a prova? "Não se pode dizer assim, acho que depende dos ciclistas. Há uns mais jovens a quem temos de dar mais indicações e puxar por eles, outros nem tanto." Thomas Voeckler é o primeiro a sair para a estrada e durante o aquecimento sofre várias emboscadas de fãs que procuram um autógrafo ou uma fotografia. O francês reage em silêncio, tal como aquele que Benoît aplica durante todo o contra-relógio. Pelos vistos, Voeckler, até pelo objectivo único de recuperar a forma, é daqueles a quem não é preciso dizer nada. Assim que cruza a meta, o carro segue a alta velocidade de regresso a Vila do Bispo. Afinal, era preciso acompanhar Bryan Coquard. "Vamos chegar mesmo à justa, mas há ali uma fase em que dá uma volta e depois apanhamo-lo à saída", conta o director de uma equipa que tem três carros para acompanhar quatro ciclistas que saem num intervalo de 22 minutos. A postura com Coquard é diferente. "Só mais um bocado, só mais um bocado, só mais um bocado. Isso, agora mantém-te assim. Estás a ir bem. Allez! Allez! Allez", disparava Benoît, ao mesmo tempo que motivava - e alertava os espectadores junto de rotundas e cruzamentos - através da buzina. "Vais ter uma curva à esquerda daqui a um quilómetro. Dá tudo até aí [...] Isso, agora aproveita para soltar um pouco os músculos na viragem, relaxar as costas...", continuava. A curva, aquela que sempre avisava os seus ciclistas, excepto com Voeckler, foi a que traiu Björn Thurau. A estrada estava suja e com alguns buracos e furou a roda traseira depois de uma derrapagem mais perigosa. "Uuuuuui", soltou Benoît com medo da queda, antes de um pequeno período de dúvida até confirmar que a roda estava mesmo furada. Nessa altura, sai o mecânico, a abrir, do carro com uma roda mas, por mais rápido que fosse, não conseguia já evitar o estrago que o furo teria no tempo do corredor mais bem colocado da Europcar na geral. Os resultados não são emocionantes e Jimmy Engoulvent, depois das dificuldades da véspera, consegue o melhor tempo da equipa - 21.o a 43 segundos de Michal Kwiatkowski, que acabaria por consagrar-se ontem vencedor da Volta ao Algarve. Ainda assim, não há grandes comentários sobre classificações em etapas ou objectivos para o geral. Foi algo que Benoît Genauzeau nos disse logo na primeira conversa, ainda em Faro. "Não estamos preocupados com a classificação geral. Mas hoje [1.a etapa] e na quinta etapa vamos ter o Bryan Coquard a disputar os sprints", previu. E não se enganou: depois do quarto lugar em Albufeira, foi terceiro em Vilamoura ontem. Já sem o i à pendura. Jornal I Compartilhar este post Link para o post
José Mourinho Publicado 25 Fevereiro 2014 http://www.youtube.com/watch?v=RMyMr1KTr8w Compartilhar este post Link para o post