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Guest Dpitz

Núcleo da poesia e escrita

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Guest Dpitz

Acabei de escrever um poema, assim de rojo.

Como é a primeira vez que acho que escrevo um poema minimamente razoável, partilho-o :p

 

 

A Civilização

 

A toda a parte levam a guerra,

Com seus interesses mesquinhos.

Com bombas lavram a Terra,

Ceifam homens e meninos.

 

Querem os recursos naturais,

Disparam tiros de hora a hora

Há fome, miséria e tudo mais,

Os nativos saem dali para fora.

 

Vão em pequenas embarcações,

Mar adentro entre as terras,

À procura de melhores condições,

E para fugir às nefastas guerras.

 

Esperam encontrar um lugar,

Onde esteja a civilização.

Querem apenas sossegar,

Toda aquela inquietação.

 

Logo perdem as esperanças,

A civilização não dá respostas.

Entre muros e outras andanças,

Muitos lhes viram as costas.

 

Outros não são testemunhas,

Desta dramática situação.

Cravaram as suas unhas,

Nos destroços da embarcação.

 

Destroem as suas vidas,

Roubam-lhes o Sol e a Lua

Destroem as suas casas,

E não os deixam vir para a sua.

 

São milhões os que passam,

Por esta negra repressão.

E ainda assim pensam,

Que é isto a civilização.

 

 

Partilhem aí os vossos escritos, sei que há por aí poetas/escritores :tongue:

Editado por Dpitz

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Dpitz, como a quebra do verso já pede uma pausa a virgula é desnecessária em alguns casos.

 

Nalguns versos pede uma pausa mais curta mas com uma virgula é forçoso prolongar e corta um pouco a força dos versos.

 

Digo eu ;-)

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Ele pediu-me para lhe descrever a cor.

Foi assim que começou, se bem me lembro.

Eu não lhe soube responder.

Não a percepcionava, apenas sabia que existia, mas noutro nível.

Ele começou a trautear canções que pudessem transmitir um sentimento igual ao qual eu sentira com esta cor, mas era em vão.

Tentou escrever espontaneamente palavras sem nexo, em busca do nome que a descrevesse.

Eram tentativas fúteis, e ele sabia disso.

Mas mesmo assim continuava, e era isso que me irritava, a sua incapacidade em aceitar o incompreensível.

O seu desejo de controlo estava a esvaziá-lo de significados que pudessem existir.

Não que ele os quisesse, de qualquer das maneiras.

Ele sempre foi muito objectivo e absoluto.

Ele não queria alternativas, ele queria a resposta.

É aquele tipo de pessoa que se frustra rapidamente com um mapa, porque este tem demasiadas localidades.

Ele só quer uma, mais nada, não é assim tão difícil.

De repente um oceano de palavras inundou-me a mente e tive o desejo súbito de lhe dizer que os carros que tentava vender não eram cavalos com os quais pudesse contar.

Isto confundiu-o ainda mais.

Nisto, lembro-me da praia.

Lembro-me do mar, da areia, do vento e de há quanto tempo esta sensação tão familiar não me era dada a experienciar.

A água estava roxa de tanto pensar nela.

Eu conseguia sentir que ela teve saudades minhas.

Parado em frente a ele peço-lhe que me diga onde estou.

Ele molha-me com o seu sal, como que a apontar para um mapa que não estava lá.

Pertencia a um mundo não alcançável a partir desta fabulação.

A fantasia dos meus olhos deixava-se agora encantar pelo esplendor do pôr do sol.

Chorava em êxtase em memória de todos os outros momentos belos que já experienciara no passado.

Ri-se e olha para mim.

Ao fim de algum segundos de silêncio, pergunta-me pela casca da nogueira.

Sinto!

Sinto!

Sinto!

Sinto!

Tudo me percorre enquanto repito estas palavras mentalmente.

Sou eu, lembro-me.

A memória alegra-me.

Sinto o rebolar de pedras frágeis dentro do meu estômago.

O rosa do horizonte faz-se agora notar.

Choro outra vez, e cada lágrima que me vai escorrendo pelo rosto é sentida como um rio que banha uma terra infértil.

Aquele liquido trazia o elixir da vida a um corpo fragilizado e em necessidade de amor.

Quando o pão chegou já não era o mesmo, tinham-se separado.

O talismã continuou intacto de coração de cada, o que tornou a mágoa nos primeiros dias quase impossível de conter.

A relva estava tão verde que me pediram para sentir o coração do pinheiro.

Sinto-me a atravessar planetas a bordo de baleias em universos nunca antes explorados, o que é estranho pois tudo me parece familiar.

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Um bom tópico.

 

Pode interessar a alguns: http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/premios/Paginas/PremiosLiterarios.aspx

 

Este link costuma ser actualizado com relativa frequência com prémios de escritos em português, maioritariamente municipais, mas de quando em vez surgem coisas ibéricas e/ou de maior dimensão - lembro-me que tomei conhecimento do do Casino do Estoril (que oferecia uma batelada de dinheiro) por aí, por exemplo.

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Não quero ser uma personalidade que se agarra a um cadáver.

 

Olhando para trás via a sombra de todos os objectos que tinha sido,

Verbos passados que já não tinham mais uso.

Os conceitos tornavam-se relativos ao olhar para eles.

Pensando em vão sobre ondas,

Olhavam-me de lado,

Tirando a existência do ser.

Treze notas cantou o rouxinol antes de ser pássaro.

Oh triste melancolia que é feita de ti!

Loucos dias em que mirámos o corpo da vida.

 

Belo como nunca, sorri para nós e dança aquilo que nos parece ser o êxtase da alma.

Nuvens belas de cartão serpenteiam os céus dourados numa demanda de respostas inalcançáveis a olho nu.

Presos a uma existência decidimos contemplar aquilo que nos resta na louca lavagem da criação.

Antes de tudo, éramos nós,

sem eles,

sem tu,

só nós!

Um eu plural!

Pertencia então na mesma capacidade da quantidade, inexistente.

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Onde andas tu?

 

Na represa de homens soltos ao vento,

Mas preso numa maré de lamas densas.

 

Porque não caminhas tu dai para fora?

 

Mais que andar,

Escuto.

 

Não só de ouvir vive o sapo,

De que serve ser um gato se só me ouvem a miar?

 

Não sei quanto a ti,

Mas eu não misturo grão com feijão.

Olho no seu rebento o potencial de ser pássaro.

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Lambendo as feridas do universo,

lá estávamos nós outra vez.

Percorríamos as praias da juventude para percebermos, por fim,

que a sua essência estava percorrida num milhão de significados que não estavam no momento.

Ao passar para a próxima, surge o desejo de olhar para trás.

Tu impedes-me.

Sorris e afundas-te dentro da areia que usámos para construir o castelo.

No último grão de areia encontro a peça que faltava no prédio da minha infância.

Foram precisos os camaradas do silêncio no seu mais alto altruísmo para me mostrarem que ainda não estava construído.

No laranja do horizonte encontrava o destino do meu barco e sonhava com o momento em que estivesse debaixo do sol,

no esplendor da sua luz.

Antes, costumava escutar o som da sua voz,

o que se tornou impossível de concretizar depois da perda dos conceitos.

Onde nunca me falaram foi na cascata dos pássaros caídos,

onde as asas se perdem e se tornam num peso necessário de perda de liberdade.

A falta de aviso era fulcral antes do rio do esquecimento.

Era tudo aos nossos olhos, belo,

mas tornou-se feio e vulgar.

Recriminei-me por isso mais tarde enquanto escutava as ondas que me traziam ventos de quartos já desabitados.

Nas gavetas encontrava contemplações já sem uso mas intactas de sentimento.

Voltei a vesti-las e o instante tornou-se automático.

O adeus do antes e depois que se tornava agora olhou-me de frente, e nele vi todas as caras do que já fui numa só representação.

Antes que me virasse,

as sombras dissiparam-se.

Não podia guardar mesmo que quisesse,

a lembrança era uma só.

Pomares de nostalgias amargas tornavam-se agora doces pinheiros de essência violeta.

Luz bela a que nos iluminou.

Antes que finalmente chegasse,

o condutor disse-me que não estava ali.

Era o poder da gasolina imaginária que nos movia.

Acabou com o discurso da tangível esperança de ser a lagarta que virou borboleta.

Pergunto-lhe se quer asas,

mas ele responde-me que já as tem.

Antes que caísse no rio outra vez,

digo-lhe que o amo.

E assim foi!

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Perdi a lógica na tentativa de ser.

Procurei perder o meu reflexo

E a sombra pelo caminho.

Andei em terrenos lamacentos

Com a esperança de alcançar a cura.

Mas não percebi que na perda

Estava o conceito também.

E com ele estava a musa liberdade

Presa por um cordel.

Antes que pudesse dar a volta,

A imagem gravou-se

E soltou-se de mim para o mundo.

 

Travado na consciência,

Escuto o silêncio a bater na janela

Com os seus ramos sombrios e misteriosos.

Na escuridão ouvia-o a sussurrar

E lágrimas douradas caíram-me,

Jorradas do céu.

Quando deixei de o ouvir,

Sorri na intervalo de palavras.

O vazio apoderava-se de mim

Mostrando-me o tudo à sua frente.

 

Ontem eram as fases peludas que me preocupavam,

Hoje é o afogar da constante da estrela que se esqueceu do que era.

Cinzento o que antes era verde e amarelo.

E percorrida na sua ânsia,

A alegria era mais uma técnica do ser.

O abrir e fechar de múltiplas dimensões

Que se conjugavam nesta como uma porta escancarada por onde só conseguimos ver a silhueta do que está por trás.

 

Na leitura e ação, estavam sentados o mesmo irmão e irmã de sempre.

Ruivos de paixão que esperavam pela sua vez para jogar ténis no campo da alma.

A rocha fazia-se ouvir cada vez mais intensamente, deixando surdos aqueles que não ouviam.

Era na montanha que estavam as respostas,

Mudava de cor todos os dias,

E muitos pássaros contornavam-na na sua rota.

Mas era ela quem decidia

O que ser,

E o que ver.

Loucura não era a sua predileção,

Pois essa era apenas uma de muitas facetas.

Comunicações de planetas distantes que tinham necessidade de serem ouvidos.

 

Parou naquele momento a necessidade tóxica.

Trouxeram-nos sumo de galáxias distantes,

Irreconhecíveis ao nosso paladar

Mas transcendentes como só uma nota de éter poderia ser.

 

O olho de certa forma mudou o seu vestido,

Já o encarava com mais pernas.

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Palavras rectas de mentes sadias

A louca tristeza dos corpos deformados

Que nos torna em condições de nós próprios

Jazia ali parte da alma

À espera de ser reencarnada

Ou vinte coisas que pensas antes de fazeres-te igual

Súplicas pertencentes ao passado dos corpos

Tormentas insistentes no seu prazer pela dor

O deslize da forma no pensamento

Diversas portas abertas

Algumas delas portões

Difícil escolha na existência de um guião não linear

______________________________________________

 

A cor que corre atrás nem sempre é branca

Respiro fundo quando me disserem que o cabrito está ileso

Bode de todos nós

Plateia de mares escondidos

Teatro das cores e dores

Um sem número de ilusões que se percorrem na sua busca

E no pensamento um café

Café e balas de borracha que enfeitavam o pensamento como ornamentos numa árvore de natal

Estranha tara essa que perdurava desde o meio-dia

Sem nunca respirar fui até ao centro e pedi um pijama para dormir melhor

Tudo esgotado

Entre bolas de cristal e Berlim encontrei uma que chamava por mim

Estava num campo encarnado enquanto vacas pastavam

Sem nunca perceber olhava para trás e via-me a mim mesmo num espelho

Um pedaço de vidro reluzente que nos fazia crer na forma

Tal era a forma que o pente não chegou e fomos todos ao mercado

Fatias, tesouras, serpentes de papel,

Tudo se encontrava lá com um esforço mínimo

Foi lá que encontrei o meu coronel

Sem graduação passeava pela costa dos paraísos celestes e mirava o castelo de sonhos despedaçados

Ruim sonho de um poeta que se diz sonhador

Lá estivera e lá crera na sua linguagem

Quintas de males menores cultivados pela meia noite para deixar recriar as emoções do dia anterior

Um cadeira de escritório encontrava-se abandonada por lá

Tinha Sampson escrita atrás

Todos nós vimos

Para lá do cemitério chegava o barco

Velejava na nossa direção vindo da fúria

Jogos de estratégia esquecida

Onde se foi criou-se

E foi assim então

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