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Treinadores pagam pela "negligência dos dirigentes"

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Treinadores pagam pela "negligência dos dirigentes"

 

Para Manuel José, Portugal devia aplicar lei espanhola que impede um técnico de orientar mais do que um clube por época. José Pereira, líder dos treinadores, discorda.

 

A I Liga de futebol é composta por 18 clubes, onze dos quais esta época já mudaram de treinador e apenas um não saiu devido aos maus resultados - Jorge Simão trocou o Chaves pelo Sporting de Braga. Este é o recorde do século XXI à 15.ª jornada. Só para se ter uma ideia, na mesma ronda da época passada apenas seis emblemas tinham trocado de treinador.

 

Para José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), as razões estão identificadas. "Os treinadores portugueses são dos melhores do mundo. O selecionador campeão europeu é português. Entendo que há alguma negligência dos dirigentes que não têm sabido escolher ou que têm algum tipo de conveniência na escolha de treinadores que porventura nós desconhecemos. Ao escolher um treinador tenho que conhecer o seu perfil, o perfil do clube a que presido, o perfil dos adeptos que tenho, o perfil do meu plantel e depois arranjar um treinador que se enquadre nesses princípios. O que acontece muitas vezes é que a escolha não é seletiva", refere José Pereira ao DN, que iliba a classe profissional que lidera: "Há treinadores mais competentes do que outros, mas as saídas não se devem à incompetência mas sim ao mau enquadramento que lhes é proporcionado."

 

Selva, salários e empresários

 

Manuel José, um dos treinadores portugueses mais titulados de sempre e membro do Conselho Consultivo da ANTF, não iliba os dirigentes mas não deixa de visar os colegas de profissão. "É fácil despedir treinadores porque os salários são muito baixos. Ganha-se pior hoje do que há 20 anos. É fácil fazer acordos com treinadores porque estes não querem conflitos e têm medo de fechar portas e por isso aceitam acordos que lhes são prejudiciais. E depois há esta atitude terceiro-mundista dos dirigentes que à mínima coisa despedem treinadores porque é facílimo contratar outro", refere Manuel José, que vê nos agentes outro dos focos de problemas para a instabilidade dos comandos técnicos.

 

"Há um grupo alargado de empresários que controla isto tudo, entra e sai quem eles querem. E como há imensa gente desempregada e cada vez há mais treinadores de futebol, há quem não se importe de não ganhar nada em troca de uma oportunidade para poder ter sucesso como treinador. Isto tornou-se uma selva neste momento", salienta o antigo treinador de Benfica e Sporting.

 

Lei espanhola pouco consensual

 

Em Espanha existe uma lei que impede um treinador de orientar mais do que um clube por época, sendo que o emblema ao demitir o técnico tem de lhe pagar até final da época antes de inscrever o sucessor.

 

Esta é uma norma que Manuel José gostava de ver aplicada em Portugal. "Acho que evitaria esta procura quase selvagem de cada um por si arranjar trabalho", sublinha.

 

No entanto, esta não é uma visão partilhada pelo presidente da ANTF: "Estou aberto a essa discussão mas, para mim, a Espanha, para além de ser o único país a seguir essa norma, não é exemplo. Não se pode impedir as pessoas de trabalhar. O direito ao trabalho é inalienável."

 

Aqui Manuel José é "obrigado" a convergir, mesmo que parcialmente, com José Pereira: "É verdade que vedar o direito ao trabalho é inconstitucional e nisso o José Pereira tem razão, mas se essa lei fosse seguida em Portugal os dirigentes teriam de ser muito mais responsáveis, o número de despedimentos baixava e era uma forma de dar oportunidade a outros treinadores porque há o tal grupo de empresários que controla isto tudo."

 

José Pereira tem outra explicação para o aumento dos despedimentos. "Os dirigentes, ao contrário do que dizem, já começam a ter mais dinheiro, porque receberam mais uns cobres da televisão. Mas façam o que fizerem... se tivermos em Portugal os 18 melhores treinadores do Mundo haverá sempre um campeão e dois que descem à II Liga", conclui.

 

DN

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Citação do site "Maisfutebol"

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Chicotadas: o insólito em Braga e o saldo de uma Liga louca

Se no saldo global de uma época de recordes de mudanças de treinador houve mais trocas a trazerem melhores do que piores resultados, há vários casos em que isso não foi verdade. Há mesmo três clubes que mudaram mais que uma vez e pioraram sempre. Acima de todos o Sp. Braga.

Foram nada menos que 19 as mudanças de treinador numa Liga que ultrapassou todos os limites a esse nível. E menos de 24 horas depois de terminar tem ainda mais uma saída, a de Nuno Espírito Santo do FC Porto, ainda que essa já não entre nestas contas. Dos 18 clubes da Liga só cinco fizeram todo o campeonato com o mesmo treinador: os três «grandes» e os dois Vitórias, de Guimarães e de Setúbal. Nada menos que seis clubes tiveram três treinadores ao longo da temporada. O Maisfutebol olhou para o rendimento de todos estes técnicos e concluiu que, se no saldo global houve mais trocas a trazerem melhores do que piores resultados, há vários casos em que isso não foi verdade.

Há mesmo três clubes que mudaram mais que uma vez e pioraram sempre. Acima de todos o Sp. Braga, um verdadeiro caso de estudo nesta Liga. José Peseiro começou a época e saiu ao fim de 13 jogos de campeonato, com uma percentagem de 66.7 por cento dos pontos conquistados em relação aos pontos possíveis. Depois veio Jorge Simão e fez pior, e a seguir Abel Ferreira, e ainda fez pior.

Aliás, Peseiro termina o campeonato como o quarto treinador com melhor rendimento, dividindo os pontos conquistados pelos possíveis nos jogos que realizou. Fica a seguir a Rui Vitória, Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus.

Entre os treinadores que entraram com a Liga a decorrer e fizeram pelo menos um terço do campeonato, destaque óbvio para Daniel Ramos, que levou o Marítimo à Europa. Mas também para Nuno Manta, que conquistou 61.6 por cento dos pontos possíveis desde que assumiu o Feirense. É o quinto melhor treinador da Liga em aproveitamento de pontos, à frente até de Pedro Martins, que levou o V. Guimarães ao quarto lugar.

O Estoril, outra das equipas que mudou duas vezes, é um caso curioso. A primeira mudança foi para bem pior, quando o espanhol Pedro Carmona rendeu Fabiano Soares. Mas a chegada de Pedro Emanuel mudou tudo: é em termos percentuais, aliás, a maior subida de uma equipa após uma mudança de técnico.

Também o Arouca tem dois saldos diferentes no que diz respeito a mudanças. Mas reforçada pela situação atípica de ter somado zero pontos com Manuel Machado em cinco jogos. Portanto, piorou muito com a saída de Lito Vidigal, mas depois melhorou quando Jorge Leitão substituiu Machado. Só que, como todos vimos com o louco desfecho da última jornada, a evolução não foi grande e, sobretudo, não chegou para manter o Arouca na Liga.

O Belenenses é outra das equipa que mudou mais que uma vez e piorou sempre. Julio Velazquez, que começou a época e fez sete jogos de Liga, é ainda o técnico com melhor aproveitamento médio de pontos no Restelo, acima de Quim Machado e Domingos Paciência. E a terceira é o Nacional: de Manuel Machado para Jokanovic e depois para João de Deus piorou sempre, até descer de divisão.

A única equipa que mudou duas vezes e melhorou em ambas foi o Moreirense. Que está noutra das várias peculiariedades nos bancos que marcaram esta Liga, incluindo a de ter havido dois treinadores a orientarem as mesmas duas equipas. E ambos foram para melhor. Petit e Pepa começaram a época no Tondela e Moreirense, respetivamente. Sairam ambos e acabariam por vir a trocar. Ambos apresentam registos bem mais positivos na equipa onde terminaram a época, aliás em ambos os casos salvando-a da descida.

ANÁLISE ÀS «CHICOTADAS» DA LIGA 2015/16

SP. BRAGA

José Peseiro: 13 jogos, 66.7 por cento

Jorge Simão: 16 jogos, 45.8 por cento

Abel Ferreira: 5 jogos, 40 por cento

Saldo: -20.9 por cento de Peseiro para Simão; -5.8 de Simão para Abel

MARÍTIMO

PC Gusmão: 5 jogos, 20 por cento

Daniel Ramos: 29 jogos, 54.02 por cento

Saldo: +34.2 por cento

RIO AVE

Capucho: 10 jogos, 36.67 por cento

Luís Castro: 24 jogos, 52.77 por cento

Saldo: +16,1 por cento

FEIRENSE

José Mota: 14 jogos, 26.19

Nuno Manta: 20 jogos, 61.6 por cento

Saldo: +35.41

BOAVISTA

Erwin Sanchez: 7 jogos, 38.10

Miguel Leal: 27 jogos, 43.2

Saldo: +5.1 por cento

ESTORIL

Fabiano Soares: 13 jogos, 38.46 por cento

Pedro Carmona: 11 jogos, 15.15 por cento

Pedro Emanuel: 10 jogos, 60 por cento

Saldo: -23,31 de Fabiano para Carmona; +44,85 de Carmona para Pedro Emanuel

D. CHAVES

Jorge Simão: 13 jogos, 48.72

Ricardo Soares: 20 jogos, 31.6

*Carlos Pires orientou a equipa na derrota em casa do FC Porto na transição entre treinadores

Saldo: -17,12 por cento

PAÇOS FERREIRA

Carlos Pinto: 11 jogos, 30.30 por cento

Vasco Seabra: 23 jogos, 37.68 por cento

Saldo: +7.38 por cento

BELENENSES

Julio Velazquez: 7 jogos, 42.86 por cento

Quim Machado: 22 jogos, 34.84

Domingos Paciência: 5 jogos, 26.66 por cento

Saldo: -8.02 de Velazquez para Quim Machado; -8.18 de Machado para Domingos

MOREIRENSE

Pepa: 10 jogos, 26.66

Augusto Inácio: 15 jogos, 28.88

Petit: 8 jogos, 50 por cento

*preparador físico Leandro Mendes orientou a equipa na derrota na Luz à 11ª jornada, na transição entre Pepa e Inácio

Saldo: +2.22 de Petit para Inácio; +21.12 de Inácio para Petit

TONDELA

Petit: 16 jogos, 20.83 por cento

Pepa: 18 jogos, 40.74 por cento

Saldo: +19.91

AROUCA

Lito Vidigal: 21 jogos, 42.85 por cento

Manuel Machado: 5 jogos, 0 por cento

Jorge Leitão: 8 jogos, 20.83 por cento

Saldo: -42.85 de Lito para Machado; +20.83 por cento de Machado para Leitão

NACIONAL

Manuel Machado: 15 jogos, 24.44 por cento

Jokanovic: 11 jogos, 18.18 por cento

João de Deus: 8 jogos, 16.66

Saldo: -6.26 de Machado para Jokanovic; -1.52 de Jokanovic para João de Deus

APROVEITAMENTO DE PONTOS POR TREINADOR

Rui Vitória (Benfica), 80.39 por cento

Nuno Espírito Santo (FC Porto), 74.5 por cento

Jorge Jesus (Sporting), 68.62 por cento

José Peseiro (Sp. Braga), 66.7 por cento

Nuno Manta (Feirense), 61.6 por cento

Pedro Martins (V. Guimarães), 60.78 por cento

Pedro Emanuel (Estoril), 60 po cento

Daniel Ramos (Marítimo), 54.02 por cento

Luís Castro: (Rio Ave), 52.77 por cento

Petit (Moreirense), 50 por cento*

Jorge Simão (D. Chaves), 48.72 por cento*

Jorge Simão (Sp. Braga): 45.8 por cento*

Miguel Leal (Boavista), 43.2 por cento

Julio Velazquez (Belenenses), 42.86 por cento

Lito Vidigal (Arouca), 42.85 por cento

Pepa (Tondela), 40.74 por cento*

Abel Ferreira (Sp. Braga): 40 por cento

Fabiano Soares (Estoril), 38.46 por cento

Erwin Sanchez (Boavista), 38.10 por cento

Vasco Seabra (Paços Ferreira), 37.68 por cento

José Couceiro (V. Setúbal), 37.25 por cento

Capucho (Rio Ave), 36.67 por cento

Quim Machado (Belenenses), 34.84 por cento

Ricardo Soares (D. Chaves), 31.6 por cento

Carlos Pinto (Paços Ferreira), 30.30 por cento

Augusto Inácio (Moreirense), 28.88 por cento

Domingos Paciência (Belenenses), 26.66 por cento

Pepa (Moreirense), 26.66 por cento*

José Mota (Feirense), 26.19 por cento

Manuel Machado (Nacional), 24.44 por cento*

Petit (Tondela), 20.83 por cento*

Jorge Leitão (Arouca), 20.83 por cento

PC Gusmão (Marítimo), 20 por cento

Jokanovic (Nacional), 18.18 por cento

João de Deus (Nacional), 16.66 por centto

Pedro Carmona (Estoril), 15.15 por cento

Manel Machado (Arouca), 0 por cento*

A negro os treinadores que orientaram a mesma equipa ao longo de toda a Liga

*treinadores que orientaram mais do que uma equipa na Liga esta época

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Não tinha a noção que o Machado fez o pleno no Arouca

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Despedimento de treinadores volta à normalidade na I Liga

 

Até ao momento, cinco técnicos da principal divisão do futebol português viram a porta de saída ser-lhes aberta. O número é metade do verificado há uma época, por esta altura.

 

É um regresso à normalidade ou, pelo menos, ao que tem sido o padrão existente no principal campeonato nacional de futebol nos últimos anos. O número de “chicotadas psicológicas” registadas até ao momento em emblemas da I Liga é de “apenas” cinco, exactamente medade das registadas há um ano por esta altura.

 

Miguel Leal, no Boavista, logo em Setembro, e depois Ricardo Soares (Desportivo das Aves), Pedro Emanuel (Estoril), Vasco Seabra (Paços de Ferreira) e Manuel Machado (Moreirense), todos no mês de Outubro. São estes os treinadores que, até ao momento, foram dispensados na I Liga.

 

O valor contrasta com o número registado na temporada transacta, quando, até ao dia 17 de Dezembro, tinham sido dez os treinadores despedidos por clubes do principal campeonato nacional.

 

Na opinião de José Pereira, presidente da Associação Portuguesa de Treinadores de Futebol, o pico registado há um ano explica-se com a existência de “dinheiro fresco”, oriundo da renovação dos contratos de transmissão televisiva, efectuada meses antes. “Quando houve melhorias nos prémios televisivos apostaram tudo”, acrescentou.

 

No entanto, para este responsável, a redução do número de treinadores despedidos esta temporada não significa uma alteração radical do paradigma reinante.

 

“Os dirigentes [dos clubes] não mudaram. A sensibilidade deles para estes assuntos continua a ser a mesma”, começou por afirmar José Pereira, ainda que admita que já há quem vá entendendo que mundando ou não de treinador “só uma equipa será campeã e duas irão descer de divisão”.

 

Reflexo ou não desta crescente tomada de consciência por parte dos dirigentes desportivos, a verdade é que o número de técnicos dispensados até ao momento na I Liga, aproxima-se bastante dos valores que têm sido habituais nos últimos anos.

 

Excepção feita à época anterior, em que se registou a tal dezena de “chicotadas psicológicas”, na temporada de 2015-16 foram seis os treinadores dispensados até ao dia 15 de Dezembro, em 2014-15 apenas dois e em 2013-14 quatro.

 

II Liga é um “cemitério”

 

O cenário na I Liga não se compara, contudo, com o que se pode contemplar no segundo escalão do futebol português. Apesar das receitas serem substancialmente inferiores às auferidas pelos emblemas que competem no principal campeonato nacional, o número de “chicotadas” é bem maior

 

“Muitos dirigentes parecem aqueles náufragos que, quando estão a morrer afogados, também se agarram à água. No fundo [o despedimento do treinador] é uma forma de justificar para o exterior que tentaram tudo”, analisa José Pereira.

 

E os números são, de facto, impressionantes, mantendo-se mais ou menos constantes nas últimas épocas. Só esta temporada, já se registaram nove saídas nos 20 emblemas que competem na II Liga. Muito perto do valor registado há um ano por esta altura, quando dez treinadores tinham visto a porta da rua abrir-se num lote então composto por 22 equipas.

 

Mais avassalador ainda é o número de mudanças do comando técnico no final da temporada 2016-17: 24. Isto significa que na II Liga da época passada, apenas sete emblemas (Benfica B, Académica, Portimonense, Penafiel, Sp. Covilhã, V. Guimarães B e Gil Vicente) mantiveram os seus treinadores do início ao fim da temporada.

 

E se recuarmos até 2015-16 é fácil constatar que se está perante um padrão, pois foram oito as “chicotadas psicológicas” registadas até meados do mês de Dezembro que foram subindo ao longo da época até atingirem as 20 quando a temporada terminou.

 

Público

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