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Fernando Valente um dos treinadores portugueses na China

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RD: Antes de se juntar ao mundo do futebol, estudou para ser padre. Pode nos falar um pouco dessa fase e daquilo que o fez seguir a carreira de treinador?

Fernando Valente: Quando miúdos, somos fácilmente influenciados e como um primo ia para o seminário eu também quis ir, ele esteve 6 meses e eu fiquei 6 anos. Viver em grupo, com regras e essencialmente aprender a partilhar e a ser solidário, foram valores importantes na minha vida, além de jogar muito futebol e Ping-Pong...

 

Aos 16 anos, contra a vontade dos meus pais ingressei nos Juvenis do Paços de Ferreira e saí no 3º ano de sénior, para ir para a tropa, Regimento de Comandos na Amadora. Aliados de Lordelo, Lousada, Baião, Marco de Canaveses e União de Paredes foram os outros clubes que representei até aos 30 anos, depois uma experiência fantástica no Futsal durante 12 anos, que influenciou fortemente as minhas ideias sobre o Jogo.

 

Ser treinado por Fernando Pereira, antigo central do Salgueiros, no Marco de Canaveses, levou-me a perceber que a importância dos pormenores no treino e no jogo é que marcam a diferença e que através duma forte dinâmica colectiva podes, mesmo sem jogadores de grande qualidade técnica, desenvolver um jogo de qualidade. Foi nesse momento que decidi ser Treinador e fui tirar o meu 1º nível de Treinador com 23 anos.

 

Quando percebi que o Futebol não me podia dar, naquela altura, independência financeira , seguiram-se várias actividades, jogar e estudar, jogar e trabalhar, treinar formação e trabalhar, treinar seniores e trabalhar...acabei por me dedicar à hotelaria, sem saber tirar um café.. Fixei-me em Paredes, onde resido e onde a minha esposa gere um Restaurante “Casa do Baixinho“, que me deu independência em relação ao Futebol.

 

Foi no União de Paredes onde estive mais tempo a exercer várias funções, jogador de Futebol e Futsal, coordenador da formação, diretor - geral e desportivo e treinador de séniores, onde subi 2 vezes à 2ª Divisão B.

 

Os últimos 7 anos ao serviço do União de Paredes, além das subidas de divisão, permitiram-me desenvolver, durante 3 anos e meio, como Director - Geral, um plano estratégico de receitas, de cariz desportivo e sócio - comercial que ainda hoje é o suporte financeiro do Clube.

 

Criamos uma estrutura orientada para serviços à comunidade, composta por uma Academia de Formação, com Escola de Futebol, com um ATL, Academia de dança , Loja do Clube e alguns Bares... deu-me muito gozo este desafio, porque provamos que com boas ideias, os Clubes podem garantir a sua sustentabilidade financeira.

 

Estas ideias despertaram o interesse da Autarquia, que aproveitando uma oportunidade de negócio, com as antigas instalações do União de Paredes, partiu para a construção duma Cidade Desportiva e que me deu a oportunidade de, juntamente com 2 jovens arquitetos do gabinete SpaceWorkers, hoje premiados internacionalmente com vários prémios, desenvolver um projeto que seria o futuro e a sustentabilidade do União de Paredes.

 

Vi nascer essa obra, todos os dias, como se fosse minha, mas infelizmente por motivos financeiros e não só, ainda não está concluída e deixou o Clube numa situação delicada.

 

Quando vi que já não havia muito a fazer voltei a recuperar a minha carreira como Treinador e atingi com 54 anos o Futebol profissional, depois de ter passado por um Sporting de Espinho em grandes dificuldades financeiras e onde, mesmo assim estivemos perto da subida à 2ª Liga.

 

RD: Sente-se um treinador diferente da maioria pela forma "romântica" como vê o futebol? Acha que isso o impediu de chegar a clubes de maior dimensão?

Fernando Valente: Eu sou um apaixonado pelo bom futebol que promove o jogo e o jogador e se isso é ser “romântico“, eu sou...mas não esquecer que por onde passei deixei uma marca e ganhei tanto ou mais como os outros, nos casos onde não ganhei tanto, não teve a ver com o facto de defender este tipo de filosofia, mas com questões estruturais que eram visíveis e que deixavam os grupos mais frágeis...

 

Eu acho que é precisamente o contrário, esta maneira de ver o futebol é que me vai levar a clubes de maior dimensão, porque o que vejo e sinto é que a falta de ideias no nosso futebol é tanta, que os clubes de maior dimensão vão precisar de quem acrescente inovação e saiba promover os seus ativos e nesse aspecto eu serei sempre uma mais valia. Não é ser presunçoso, mas os jogadores que trabalham comigo sabem bem o que sentem e o quanto evidenciam o seu potencial, porque as ideias os ajudam a crescer e acreditar naquilo que têm de melhor...um exemplo disso foram as vendas que o Desportivo das Aves fez quando lá estive, e que não voltou acontecer até hoje...

 

 

RD: No Aves e noutros clubes por onde passou ficou conhecido pelo futebol ao estilo do Barcelona que apresentava. É nesse estilo que se revê? Um futebol de posse, em que assume o jogo sem temer o adversário

Fernando Valente: O estilo Barcelona é único e irrepetível, agora o conceito que promove resolver os problemas do jogo com um futebol apoiado e em que se nota que os jogadores estão ligados e confortáveis a desenvolver vários tipos de jogo e que acima de tudo são eficazes nas suas ações, esse é sempre o meu desafio e aquilo que procuro com os meus jogadores.

 

Os contextos é que podem ser diferentes, em função dos recursos que tens disponíveis e da qualidade dos adversários, mas mesmo aqui o papel do Treinador é sempre fundamental, porque quando conseguimos entusiasmar os jogadores a sentirem e a assumirem essa vontade de querer jogar bem e essencialmente gostarem de ter a bola, iremos causar problemas a qualquer adversário , em qualquer campo e porquê ? porque a realidade do jogo é sempre composta pelos mesmos intervenientes, espaço, bola e jogadores de 2 equipas...o resto é criado pela nossa mente, construímos a nossa realidade em função das nossas experiências e das nossas crenças o que quer dizer que no futebol é possível os mais “ fracos “ ganharem aos mais “ fortes “ ... muitas vezes o que marca a diferença é a cor das camisolas e os ordenados...

 

RD: Caso tivesse chegado/chegue ao primeiro escalão do futebol profissional português será essa a filosofia que irá/iria impor?

 

Fernando Valente: Acho que não poderia ser de outra maneira, porque são ideias que têm a ver comigo, com o que sinto e com aquilo que eu acredito que me faz ganhar mais vezes. Aquilo que quero sempre é corresponder às expectativas de quem me contrata e nunca irei para lado nenhum se não sentir que as pessoas estão seguras do tipo de ideias que contrataram e que não se vão sentir enganadas, porque quando entro tenho o cuidado de partilhar e envolver toda a gente, debaixo até ao Presidente.

 

Seguro estou eu de que se não ganhar as ideias não valem muito, mas não alinho no discurso que o mais importante “é ganhar “ e o resultado é que conta, o mais importante é como ganhar mais vezes e como te preparas para ganhar, porque alguns falam como se fossem os únicos que gostam de ganhar, ou como se houvesse alguém que goste de perder...

 

 

RD: Considera que no futebol actual se dá pouca liberdade aos jogadores e se exagera na contenção, prejudicando assim o espectáculo?

Fernando Valente: Penso é que falta coragem e ideias ao nosso Futebol e que vivemos de paradigmas que só nos limitam e que nos fazem dar “ tiros nos pés...” . Sempre disse que o nível do jogador português está muito acima do nível do jogo que se pratica em Portugal e que quando os jogadores vão para o estrangeiro aparecem com grandes desempenhos.

 

Tornou-se moda alguns falarem que as suas equipas jogam um futebol de qualidade, saem sempre a jogar... pelo lateral que devolve ao G. redes ou ao central que coloca na frente, chama-se “ sair a jogar e depois procurar a profundidade...” aonde jogam os médios ? quanto tempo os jogadores têm a bola nos pés ? quantas vezes o avançado, ou o ponta, toca na bola ? que qualidade tem o passe para os pontas ? a bola até entra no espaço entre linhas e depois como passas a linha de quatro defesas? Porque é que o jogo termina nos corredores, com cruzamento pelo ar e não se joga dentro da área ?, porquê valorizar o jogo interior, quando toda a gente fecha o espaço interior ? e para piorar a situação anda toda a gente contra a posse de bola, porquê ? sabem porque os investidores das equipas , não vendem ninguém ? e vão desaparecer com o dinheiro e alguns Clubes vão fechar...? como posso promover os jogadores se eles mal tocam na bola ? andam no jogo só a condicionar o adversário e ainda ouço treinadores de topo em Portugal a gabarem-se que não deixaram o adversário jogar e que não houve oportunidades de golo, mas quando sofrem um golo e é preciso construir jogo ,vem ao de cima as dificuldades, porque o principal objetivo é destruir e não construir...vejam as dificuldades dos nossos Clubes quando jogam para as competições europeias, levam massacre e quando ganham a maior parte das vezes é em lances fortuitos ou numa esporádica situação de bola parada...

 

Por isso é que digo que posse de bola é posse de bola é mandar no jogo, é defender melhor, é procurar as melhores condições para “agredir “ o adversário, é desgastar o adversário, nem que seja para trás, mas é essencialmente fazer acreditar os jogadores que só quando evidenciam “vontade em ter a bola “ é que as suas vidas se transformam para melhor, porque só com bola é que o seu desempenho é valorizado...será que algum jogador dentro do campo, se vir um espaço em que se pode isolar ou isolar um companheiro não tira partido da situação...?

 

A parte mais difícil, é influenciar os jogadores para assumirem a vontade de ter bola e isso é trabalho de Treinador, por isso como dizia Vitor Frade , uma coisa é o discurso outra é o percurso...

 

RD: Como foi a experiência de orientar o seu filho Zé Valente? Tem mesmo mais aspectos negativos do que positivos ter na equipa um filho?

Fernando Valente: Infelizmente tem mais negativos, mas lidamos bem com a situação como profissionais que somos e penso que se o Desportivo das Aves, não reconhecesse o seu talento não teriam renovado mais 2 anos com ele.

 

Aproveitava a oportunidade para destacar, que infelizmente o talento em Portugal é sub-aproveitado, claro que sou suspeito ao falar desta situação, mas os Treinadores “matam “ os jogadores que acrescentam diferença ao jogo, a tendência é procurar que eles sejam parecidos com os outros e aqui também vivemos pendurados em “ mitos “ , que falta sempre a maldita “ intensidade “ a esses jogadores e que não reagem à perda e que defendem mal, esta é a pior das desculpas para a falta de coragem de alguns, esses jogadores fazem da “intensidade com bola “ a sua arma, porque desequilibram e falham poucos passes e sabem defender inteligentemente sem ser preciso arranharem-se pelo chão ou andar no ginásio a ganhar massa só para deitarem os outros a baixo...

 

Ver os vídeos do meu filho, no You Tube, enchem-me de orgulho porque a inteligência de jogo dele e cada passe dele a finalizar ou a assistir levam a magia que faz com que as pessoas vibrem com o jogo, que deve ser um espectáculo.

 

Quem é que os clubes vendem ? - os que acrescentam diferença ao jogo ou os que andam a “ malhar “ nos adversários...vejam o perfil dos jogadores da formação do Benfica e o exemplo que este Clube anda a dar quando assumiu que é preciso meter os talentos a jogar e vejam os milhões que já entraram.

 

Infelizmente ando há muitos anos a “ bater “ nesta mentalidade e a provar que mesmo sem grandes recursos, podemos ajudar os jogadores a valorizarem-se desde que os saibamos entusiasmar e acreditar no seu talento...

 

RD: Quais o jogadores que mais o marcaram enquanto treinador?

Fernando Valente: Interessante seria saber quantos é que eu marquei, porque esse é o grande objetivo da minha vida, influenciar positivamente os que me rodeiam.

 

Todos deixaram marca no meu coração e essa é a maior das minhas vitórias, mas o mais curioso e mais gratificante foi ter conseguido criar relações muito fortes com os mais velhos das minhas equipas, onde a partilha, a cumplicidade e depois a amizade e a minha admiração por eles se tornou para toda a vida. Destacar alguns só como referências, Carlos Pinto (actual treinador do Sta Clara )personalidade difícil na altura, marcou 23 golos como médio e foi da 3ª Divisão U. Paredes, para o Salgueiros da 1ª Liga, também no U. Paredes, Luis Machado actualmente no Feirense 1ª Liga, foi campeão comigo com 16 anos e deveria ter tido outro percurso, mas alguns não perceberam o talento dele e só agora aparece, os irmãos Vasco e Romeu Rocha (actualmente os 2 no Paços de Ferreira )vivemos grandes vitórias no U. Paredes.

 

No Sporting Espinho, grupo fantástico num quadro de grandes dificuldades, quase subíamos de divisão, em que alguns jogadores foram para campeonatos profissionais, Fábio Vieira (Vitória Guimarães) Miguel Vieira (Aves e agora Paços Ferreira) Mike da Fonte (MLS –USA ) e o mais querido de todos o brasileiro Valença (36 anos, primo de Liedson ) que juntamente com o massagista Pedro Silva tornaram essa época na mais divertida de toda a minha carreira.

 

Seguiu-se o Desportivo das Aves, grandes profissionais com quem aprendi, partilhei e quase subíamos à 1ª Liga, Quim, Jorge Ribeiro, João Paulo, Luís Manuel, Pedro Pereira todos jogadores que jogaram ao mais alto nível na 1ª Liga, mas tenho que destacar pelo carácter e grande profissionalismo o Tito - da Póvoa de Varzim que devia ter chegado à 1ª Liga e finalmente o jogador com quem mais desfrutei pela magia que dava ao jogo, o Fábio Martins, vendido ao Braga e actualmente dispensado ao Chaves, representa tudo aquilo que eu adoro no Jogo, virtuosismo, magia, diversão e também compromisso, carácter, competência e “intensidade “ aquela com bola...

 

Passagem curta pelo Sta. Clara, também grande grupo, destaque para o capitão Accioli e o Pacheco que se destacou com grandes desempenhos, profissionalismo e competência do João Dias, a irreverência do Rafael Batatinha que desafiei a trabalhar para chegar à 1ª Liga e a melhor das revelações, o Clemente, que grande pessoa, açoreano de gema, goleador nato e uma personalidade marcante pela humildade, frontalidade e acima de tudo pelas divertidas histórias que viveu no futebol...

 

 

RD: Que treinadores o inspiraram ou que ainda inspiram no mundo do futebol?

Fernando Valente: Fernando Pereira (antigo central do Salgueiros) que já referi, mesmo sem jogadores de grande qualidade podemos construir equipas dinâmicas e ganhadoras , o Carlos Queiroz porque marcou o futebol português com a geração de ouro e que produziu com o Nelo Vingada uma cassete “ Aprender Futebol “ que me fez perceber a lógica de construção do Jogo, abordando a simplificação da estrutura complexa do jogo.

 

Em Portugal , Luís Castro grande personalidade que com os jovens do Porto foi campeão da 2ª Liga a demonstrar como se deve enfrentar os problemas do jogo com grande competência em todos os momentos do Jogo. Jorge Jesus e o Paulo Fonseca são dos poucos que acrescentam criatividade tática e diferença ao jogo das suas equipas, vive-se essencialmente do controlo do adversário e da forte organização castradora do potencial dos jogadores.

 

Sampaoli e Lillo no Sevilha, futebol corajoso e de ataque. Maurizio Sarri no Napoles , a arte de defender e atacar com criatividade tática do treinador.

 

Angel Cappa uma inspiração ouvir ou ler as suas reflexões, sobre o jogo...

 

O maior de todos Pep Guardiola, que será para mim o Treinador mais marcante da história do Futebol, não só pelo que ganhou, mas pela marca e pelo jogo que as suas equipas desenvolvem e que reforçam tudo aquilo em que acredito : quando as ideias valorizam o jogo e o jogador e conseguimos que os jogadores as sintam e se entusiasmem, o sucesso pode acontecer em qualquer contexto...

 

RD: Agora na China ao serviço do Shandong Luneng, como tem corrido essa experiência? Foi fácil a adaptação a um país bastante diferente do nosso? Fale-nos um pouco do projecto do clube se possível.

Fernando Valente: Primeiro dizer que estava já envolvido num novo projecto na 2ª Liga, quando o convite apareceu por parte do Luis Castro e que me deixou muito honrado, porque muitos Treinadores mais chegados ao Luis poderiam ter sido escolhidos e quando um colega de profissão te convida, pelo que conhece das tuas ideias e pelo jogo que as tuas equipas desenvolvem, quer dizer que o teu trabalho não passa despercebido e que demonstra qualidade reconhecida e por isso ficarei sempre grato ao Luís Castro por esta oportunidade.

 

O Shandong Luneng é um Clube que pertence à maior eléctica da China, disputa a 1ª Liga Chinesa e tem uma das melhores Academias da China, uma estrutura com 31 campos de futebol, 2 hoteis, uma escola com 300 miúdos, um hospital, um ginásio...por isso estou muito bem instalado e com óptimas condições de trabalho.

 

As barreiras são muitas para os estrangeiros, comunicação, alimentação, cultura, vistos...mas para mim tudo é desafio e como estou inserido num grupo de 9 portugueses, conseguimos ir ultrapassando as dificuldades e ao mesmo tempo influenciando através do treino a mentalidade dos Treinadores e dos jogadores chineses.

 

A nível desportivo é que as coisas são mais complicadas, porque a China é muito grande e não conseguem, devido às distâncias, organizar provas com calendário semanal, o que implica levar 6 ou 8 equipas para um complexo com 10 campos e disputarem um torneio entre elas, onde fazes 2 jogos em 2 dias seguidos, descansas um dia, tornas a fazer mais 2 jogos em 2 dias...isto é uma violência para os miúdos que depois do 3º jogo já começam com caibras aos 50 minutos...por isso não tens um processo normal de competição, ou seja , jogo – treino – jogo, tens largos períodos de treinos sem competição e curtos períodos de competição sem recuperação.

 

O Shandong Luneng, liderou durante muitos anos a formação na China, mas com os fortes investimentos actuais em treinadores estrangeiros, começou a ser ultrapassado e depois de várias experiências fracassadas, com outros treinadores estrangeiros, foi à procura de novas metodologias, tendo optado pelo que se fazia no F.C. Porto . Luís Castro escolheu a equipa mas infelizmente, por motivos pessoais, não nos acompanhou, tendo sido substituído pelo Prof. Paulo Noga, que também estava na estrutura do F.C.Porto.

 

Neste momento ainda estamos a organizar a casa, mas em 5 titulos que a Federação da China atribui à formação , já conseguimos ganhar 2 o que já é uma marca interessante em tão pouco tempo.

 

RD: Como vê a forte aposta dos clubes chineses? Acredita que vão conseguir criar um campeonato competitivo e formar jogadores de qualidade em breve?

Fernando Valente: A vontade do 1º ministro chinês, que gosta muito de futebol, iniciou uma forte aposta na promoção da modalidade, isentando de impostos os clubes ou empresas que investissem no Futebol, por isso neste momento o investimento é forte na publicidade, contratando grandes jogadores mundiais, mas o retorno ainda é limitado porque a população ainda não sente a modalidade, devido também ao facto de a formação dos clubes ser à porta fechada em escolas e academias e a população não segue as competições.

 

Os atletas que saem da formação não estão preparados para entrar nas 1ªs equipas, por isso os chineses pagam aos clubes na Europa para os receber e os ajudar a completar a sua formação a troco de grandes quantias, que é o que se passa em Portugal com alguns Clubes, só que eles não jogam e evoluem pouco...agora sentimos que há muito talento, mas que tem que ser potenciado e isso como em Portugal não está ao alcance de todos, é preciso coloca-los a jogar e dar-lhes tempo.

 

RD: Entre todos os clubes que passou, qual deles mais o marcou?

Fernando Valente: União de Paredes, porque estive mais tempo e deixei uma marca estrutural e desportiva e porque o jogo produzido fazia a diferença e deu-me títulos.

 

Sporting Espinho, as dificuldades encontradas criaram laços afectivos difíceis de esquecer.

 

Desportivo das Aves, entrada no futebol profissional, num Clube único, pelas pessoas que encontrei e pelas condições que dão aos seus profissionais. 1º ano disputa do Play-off com o Paços de Ferreira, foi o momento alto, mas apesar da venda de jogadores efectuadas, no 2º ano, vieram as dificuldades financeiras que todos conhecem e que levou à venda de grande parte das ações da Sad. Inteligentemente encontraram os melhores parceiros, renovaram-se e estão em vias de se transformar num Clube de 1ª Liga, mas com estabilidade para ter um grande futuro...

 

 

 

RD: O que faltou para ter chegado à Primeira Liga? Acredita que a sua carreira teria sido diferente se tivesse subido de divisão com o Aves?

Fernando Valente: Eu não gosto de me lamentar por não ter conseguido isto ou aquilo, eu gosto é de agradecer por ter tido a oportunidade de divulgar as minhas ideias através do jogo dos meus jogadores e se não cheguei, ainda á 1ª Liga, é porque não era o momento e não fui merecedor dessa oportunidade.

 

Mas uma coisa é certa, apesar de ter aparecido tarde como alguns me questionam, procurei sempre e acho que consegui, assumir um dircurso e uma posição de inconformismo em relação ao jogo que se pratica em Portugal, e assumi sempre uma posição de defesa da classe e do respeito que tem haver pelos treinadores, porque são eles os grandes obreiros da transformação de alguns clubes , para melhor, em Portugal. Mas também assumi que dentro da classe dos treinadores, a partilha é limitada e ainda olhamos de lado para alguns colegas porque eles pensam diferente da maioria, além de sentir que “ os fantasmas “ ainda fazem tremer muitos, que não perceberam que a competitividade e a inovação tem de fazer parte de qualquer actividade e quem não estiver preparado fica para trás...

 

O jogo e o treino evoluíram muito, mas penso que devem caminhar para a promoção de uma cultura de jogo que faça escola em Portugal e que não seja só baseada , no sangue suor e lágrimas, onde parece que tudo é conseguido na base do sofrimento, quando penso que o jogo deve transmitir alegria, prazer, diversão e entusiasme quem assiste...

 

RD: Ainda ambiciona treinar no escalão mais alto do futebol nacional?

Fernando Valente: Porque não ? eu acho que a 1ª Liga precisa de ideias novas, que promovam o jogo e o jogador e se algum dia isso acontecer estarei preparado. Hoje as coisas funcionam por “ modas “, todos querem descobrir treinadores “ Jovens e ambiciosos e já ouvi dizer também inconformados...” eu sou jovem e ambicioso tenho é 57 anos e inconformado fui sempre...muitos jovens treinadores são colocados na 1ª e 2º Liga e acho bem porque é sinal que em algum momento evidenciaram resultados, mas também sabemos que os grupos de influência funcionam por interesses e quando não resulta, dizem que precisam dum Treinador experiente, que acaba também despedido porque geriu a crise mas a médio prazo aquelas ideias não servem porque estão ultrapassadas...então agora vem a nova versão “ damos a oportunidade ao adjunto da casa “ se os resultados aparecerem ,” lançamos mais um treinador...” se não resultar mudamos por um que dê garantias...só que as garantias saem muito caras e a pagar o que se paga em Portugal é sempre muito fácil despedir...

 

Quando me contactam peço sempre que ouçam outros treinadores, porque só confrontando ideias e perfis é que se deve decidir o caminho que devemos seguir... mais importante que a idade são as ideias e essas não têm idade, ou são boas ou são más e por aquilo que as equipas jogam em Portugal a juventude anda a precisar de se reciclar, porque as novas tecnologias ajudam mas ainda ninguém conseguiu avaliar o poder das emoções e o grau de felicidade que os jogadores demonstram quando jogam com confiança e estão felizes com as ideias que os treinadores lhes apresentam.

 

Os jogadores sabem o que querem e não é um qualquer que os convence e os influencia e penso que hoje é isso que marca a diferença...liderar e gerir emoções é hoje o grande desafio dos treinadores...

 

RD: Estamos perto do fim, tem alguma história caricata vivida no mundo futebol que nos possa contar?

Fernando Valente: Em Espinho foram muitas, mas a mais conhecida e caricata aconteceu quando o massagista Pedro Silva entrou em campo, para assistir um jogador que estava no chão, pegou no spray vazio e sobre o local da dor começou a simular o som do spray : zzzzzzzzz....diz o árbitro : ó sr. massagista o spray está vazio ! eu sei sr.árbitro, eu sei, mas já esteve cheio...levanta-te pá, que já estás bom...tempos de crise.

 

RD: Costuma seguir o nosso blogue e as nossas páginas nas redes sociais?

Fernando Valente: Sim e devo agradecer o trabalho que fazem , porque já assumi muitas vezes publicamente, que o acesso ao conhecimento através de quem como vocês publica constantemente informação desportiva, é uma mais valia, para quem quer andar actualizado. Por outro lado dar a oportunidade através do vosso espaço e dos vossos leitores de podermos divulgar as nossas ideias é realmente prestar um grande serviço ao Futebol e a todos os que procuram contribuir para a promoção da modalidade.

 

Obrigado pela oportunidade e espero ter correspondido às vossas espectativas e dizer que estarei sempre disponível para colaborar e responder a alguma questão que os vossos leitores queiram colocar, porque entendo que só partilhando e discutindo é que participamos na evolução deste Jogo fantástico que nos apaixona a todos...Bem hajam.

 

http://rematedigital.blogs.sapo.pt/fernando-valente-um-dos-treinadores-919895

 

 

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e o Pacheco que se destacou com grandes desempenhos

 

Deve ter confundido com outro jogador qualquer. :lol:

 

Não gostei nada dele quando cá esteve. Queria fazer coisas muito giras com um conjunto de mecos, não soube adaptar-se à equipa, por isso não deixa saudade nenhuma, nem imagem de ser um bom treinador.

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RD: Estamos perto do fim, tem alguma história caricata vivida no mundo futebol que nos possa contar?

 

Fernando Valente: Em Espinho foram muitas, mas a mais conhecida e caricata aconteceu quando o massagista Pedro Silva entrou em campo, para assistir um jogador que estava no chão, pegou no spray vazio e sobre o local da dor começou a simular o som do spray : zzzzzzzzz....diz o árbitro : ó sr. massagista o spray está vazio ! eu sei sr.árbitro, eu sei, mas já esteve cheio...levanta-te pá, que já estás bom...tempos de crise.

 

Quem conhece o massagista sabe que isto é só uma pequena amostra da grande personagem que o Pedro Silva é ahahah

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Já tinha lido noutro lado. Gosto sempre de o ler.

Sim, ele tem uma visao do futebol que se assemelha bastante à tua, como também se vê nos seus treinadores de eleição.

 

Nao sabia que ele tinha treinado o Espinho, como é que correu aquilo?

Editado por Tiquinho.

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Sim, ele tem uma visao do futebol que se assemelha bastante à tua, como também se vê nos seus treinadores de eleição.

 

Nao sabia que ele tinha treinado o Espinho, como é que correu aquilo?

 

15 ou 16 vitórias em 30 jogos, salvo erro. Ficámos em 4o na Zona Centro do CNS. Nem bem, nem mal. Tínhamos plantel para lutar pela subida nesse ano (2012/2013).

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