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Carson Wentz

[NBA] Weird Boxscores

Publicações recomendadas

NBA WEIRD BOXSCORES

 

#01 - Houston Rockets @ Vancouver Grizzlies, 14/04/2001, One More for the Road - 08/05/22

#02 - Phoenix Suns @ Dallas Mavericks, 20/05/2005, Keep your Friends Close and your Enemies Closer - 16/05/22

#03 - Utah Stars @ New York Nets, 21/10/1973, The Super Sports Equinox - 20/06/22

 

Neste tópico vou publicar histórias sobre uma determinada partida da NBA, usando os números das respetivas boxscores para contar uma série de histórias da História da NBA. Estas boxscores podem ser excecionais por si só, ser parte de um qualquer recorde que foi batido ou serem peculiares por si só. Noutros casos, a boxscore pode ser apenas um veículo para contar uma história mais abrangente, onde a boxscore acaba por ser só um afterthought, algo que demonstra o culminar ou, pelo contrário, o despontar de uma qualquer narrativa ou acontecimento, com implicações mais extensas.

Não prometo qualquer tipo de regularidade nestes posts. Posso escrever dois num mês, posso passar meio ano sem escrever um, ou o primeiro post pode mesmo ser o último. Qualquer que seja o caso, espero que gostem.

Editado por Carson Wentz
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WEIRD BOXSCORES

#01 - Houston Rockets @ Vancouver Grizzlies, 14/04/2001

One More for the Road

 

14 de abril de 2001, Vancouver, British Columbia, Canadá

Shareef Abdur-Rahim havia sido a grande figura dos Grizzlies nas últimas cinco temporadas. Depois de ter vencido o prémio de melhor rookie, com médias de aproximadamente 19 pontos, 9 ressaltos, 2 assistência, 1 steal e 1 block por jogo, Abdur-Rahim continuou a ser figura de proa em Vancouver, melhorando a sua performance nos quatro anos subsequentes. Inicialmente um power forward, o ex-California Golden Bear passou a jogar mais como wing, libertando ainda mais a sua capacidade como scorer, sem no entanto perder a preponderância nas tabelas, culminando com a época de 1999-2000 quando, sendo titular em todos os oitenta e dois jogos da temporada, terminou a época com uma média de duplo-duplo, o clássico 20-10 que na altura era um benchmark extremamente importante para os bigs mais dominantes da época: Shaq, Tim Duncan, Kevin Garnett, Chris Webber e o promissor rookie Elton Brand. Abdur-Rahim, um small forward, conseguia intrometer-se nesta luta de gigantes.

Shareef, contudo, falhou aquele que viria a ser o seu último lançamento no General Motors Place (atualmente chamado de Rogers Arena, casa dos Vancouver Canucks da NHL), com Steve Francis, a conquistar o ressalto defensivo para os visitantes Houston Rockets. O point guard trouxe a bola para o outro lado da arena, debaixo de um coro de assobios, com Shandon Anderson, um journeyman que acabaria por se retirar como campeão em 2006, pelos Miami Heat, a eventualmente terminar a jogada, falhando um mid range jumper. Ressalto ofensivo para Houston, pelo mesmo Anderson que, agora debaixo do cesto, volta a falhar. Desta vez foi o ainda mais pequenino Moochie Norris que, em terra de gigantes, conquistou o ressalto ofensivo, desviando a bola para Steve Francis que rapidamente assistiu Kelvin Cato, o center dos Rockets, a jogar em vez do all-time great Hakeem Olajuwon num jogo que já pouco significava para uns Rockets já demasiado longe na tabela classificativa para poderem sonhar com a postseason, para colocar Houston a vencer por cinco pontos a pouco menos de 2 minutos do final.

Os Grizzlies rapidamente responderam, com o seu point guard, Mike Bibby, a trazer a bola para o outro lado da arena, debaixo de um coro de aplausos e cânticos de apoio, eventualmente guiando a jogada até à conclusão da mesma com sucesso, por Mahmoud Abdul-Rauf, com um long-two. Foi a décima oitava assistência de Mike Bibby no jogo, feito que havia já atingido por três vezes desde que o calendário virara para 2001, e a segunda ocasião no espaço de uma semana. Seria também a última vez durante o jogo que os Grizzlies estariam a uma posse de bola dos Rockets. Depois de uma falta de Abdur-Rahim, os Rockets concretizam os dois lances-livres, cortesia do já referido Moochie Morris, para voltarem a estar na frente por 5 pontos, 94-89. Pouco mais de um minuto e meio de basquetebol é o que resta na história do basquetebol de mais alto nível no Oeste do Canadá para o resto dos tempos, pelo menos a julgar pelas mais de duas décadas que se passaram desde então.

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RELOCATION ROULETTE - THE EARLY 2000's NBA

 

18 de março de 2016, Minneapolis, Minnesota

Depois de uma boa década adormecidos, após a entrada dos Charlotte Bobcats na liga como "recompensa" para a cidade da Carolina do Norte pelo novo pavilhão que conseguiram erguer, mesmo após perderem a equipa para New Orleans, os rumores de uma potencial expansão ou, pelo menos, realocação de franchises da NBA voltou a estar presente, ainda que de forma muito subtil, ao léxico dos decisores da NBA. Os rumores ganharam forma com uns Timberwolves embrulhados em décadas de mediocridade, mesmo com a presença do franchise player Kevin Garnett na equipa, ele que eventualmente precisaria de sair de Minnesota para vencer um título, ao serviço dos Boston Celtics. Glen Taylor, dono do franchise desde 1994, precisamente um ano antes da chegada de Garnett via draft, estaria, de acordo com rumores à altura, à procura de vender o franchise, negócio que eventualmente se iria mesmo concretizar, em julho de 2021, com a NBA a aprovar a venda dos Timberwolves à dupla Marc Lore, criador do jet.com, eventualmente adquirido pela gigante Walmart, da qual se tornou CEO da divisão online da marca; e Alex Rodriguez, antiga estrela dos New York Yankees, empresário da área do entretenimento e imobiliário e, o mais relevante de tudo, ex-noivo de Jennifer Lopez.

Em 2016, contudo, esta venda estava ainda longe de ser concretizada e, a prioridade para Taylor e para a cidade de Minnesota seria alegadamente, independentemente do sucesso na venda dos T'Wolves, manter a equipa em Minneapolis e no Target Center. Para isso mesmo, o acordo entre Glen Taylor, os Timberolves e a cidade de Minnesota que regulava o uso do Target Center como arena para os jogos caseiros da equipa foi emendado garantindo que, caso a venda se concretizasse e os futuros donos movessem a equipa para fora da cidade e do Target Center antes do final do contrato de utilização do espaço, em vigor até ao final da época 2034-2035, uma penalização teria que ser paga à cidade de Minnesota, de forma a mitigar as perdas económicas que estariam em causa. Tudo isto parecia, na superfície, uma garantia de que os Timberwolves estavam seguros em Minnesota, mas analisando a questão mais aprofundadamente, é fácil perceber que, caso os novos donos quisessem mover a equipa e a NBA estivesse de acordo, não seria esta penalização a impedir a realocação do franchise: os Minnesota Timberwolves foram vendidos por 1.5 biliões de dólares, o valor a pagar por término antecipado do contrato de utilização do Target Center é de "apenas" 50 milhões de dólares, uns míseros 3.33% do valor da eventual venda.

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Las Vegas sempre foi um destino apetecível para a NBA, como prova a Summer League, evento que foi ganhando não só visibilidade mediática, mas também importância para os próprios franchises, não só devido à possibilidade de avaliar os mais recentes prospects adquiridos durante o draft, mas também na tentativa de encontrar diamantes em bruto que pudessem eventualmente entrar na rotação das respetivas equipas. Contudo, o que colocou a Summer League no mapa, dirão os mais céticos, foi o facto de trazer olhos para a NBA numa altura "morta" da época, entre o draft e o início da época, no final de outubro, acabando mesmo por ultrapassar em mediatismo, os jogos de pré-época que as equipas realizam, muitas vezes mais pelas vantagens económicas que resultam das digressões por mercados apetecíveis (o asiático à cabeça) e com isso trazer dólares bem-vindos pela liga. Contudo, esta conversa esfriou quando a liga profissional norte-americana de hóquei no gelo (NHL) se antecipou à NBA e, em 2016, anunciou a atribuição a Las Vegas de um novo franchise, tal é o apelo do potencial lucro, aparentemente mais forte que as leis da física, da química e do bom-senso, que diriam que colocar um rinque de gelo no meio do deserto estaria no fundo da lista de potenciais boas ideias.

 

4 de dezembro de 2018, Seattle, Washington

Se em Vegas a antecipação da NHL parece ter esfriado (no pun intended) o interesse da NBA em se colocar no mercado do Nevada, a entrada, menos de três anos após Las Vegas anunciar a sua própria equipa, que viria a tornar-se num caso de sucesso imediato, não só em termos de marketing e apoio dos adeptos, mas também na vertente desportiva, com os Vegas Golden Knights a atingirem as Stanley Cup Finals na sua época inaugural, o franchise seguinte acabou por, pelo contrário, fazer da expansão da NBA um processo ainda mais apetitoso, já que, em 2018, foi a vez do trigésimo segundo e mais recente franchise da NHL ser anunciado, com Seattle a ser anunciado como casa da nova equipa da NHL, os Seattle Kraken.

Seattle e a perda dos SuperSonics é um dos maiores olhos negros na cara da NBA. O franchise com mais de quarenta anos de história, fundado em 1967, acabaria por se mudar para Oklahoma City, tornando-se nos Oklahoma City Thunder, após mais de meia-década de problemas entre a NBA, a cidade de Seattle e Howard Schulz, CEO da Starbucks que havia adquirido a equipa em 2001, devido essencialmente à questão da KeyArena, um pavilhão construído em 1962 e que havia mais recentemente sido alvo de obras de atualização em 1995, na época a arena com menor capacidade em toda a liga, com espaço para 17 072 espetadores.

Tendo liderado um grupo de dez investidores que, em 2001, adquiriu os Seattle SuperSonics (bem como as Seattle Storm, da WNBA) por 200 milhões de dólares, Howard Schulz rapidamente começou a campanha junto da cidade de Seattle para tentar garantir outros 220 milhões de dólares, mais vinte do que o franchise custou, que, segundo ele, seriam necessários para trazer a KeyArena para os standards considerados necessários para manter o franchise financeiramente estável.

Com prejuízos de cerca de um milhão e meio de dólares por ano, que seriam de mais de 3 milhões e 200 mil dólares não fosse a ginástica nos impostos a pagar com as admissões ao edifício por parte da cidade de Seattle, Schulz via o valor do franchise estagnar por completo: sendo adquirido cinco anos antes por 200 milhões de dólares, era avaliado pela Forbes no final de 2006 em apenas 234 milhões de dólares.

Poder-se-á dizer que uma apreciação de 34 milhões de dólares em cinco anos é um investimento bastante razoável. Mas a realidade é que, aquando da aquisição dos Sonics, o CEO da Starbucks tinha gastado 200 milhões o que à altura era o valor médio de um franchise na NBA. Cinco anos depois, o valor médio de uma equipa tinha escalado para, segundo a Forbes, 326 milhões de dólares, uma desvalorização relativa de quase 30%. Assim sendo, quando a proposta surgiu por parte de um grupo de Oklahoma City para adquirir os Sonics e as Storm por 350 milhões de dólares, um premium de 8% em relação ao valor médio dos franchises à época (e cobrindo também a desvalorização de 30% já referida), Schulz e companhia não hesitaram, apesar de terem dito que fizeram todos os possíveis para encontrar um comprador na área do Pacífico Noroeste, algo que se revelou impossível.

 

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Uma batalha na praça pública entre o novo grupo de investidores e a cidade foi longa, e a batalha legal nos tribunais continuou durante anos. Várias foram as propostas, mais ou menos realistas, para tentar manter os Sonics, se não na KeyArena, pelo menos na área de Seattle, culminando numa proposta que custaria à cidade de Seattle 530 milhões de dólares para construir uma nova arena em Renton], um subúrbio de Seattle. Tudo falhou e a certeza que os Sonics se iriam mudar de malas e bagagens para OKC era o segredo mais mal guardado do desporto norte-americano à época.

Mais de uma década de luta depois, com fãs a clamar pelo regresso dos Sonics à cidade, sempre com a NBA a preferir fazer de conta que o assunto não existia, a aparição dos Seattle Kraken na NHL, precisamente na KeyArena, um edifício agora com mais 15 anos em cima comparativamente com quando Schulz vendeu o clube, despoletando a mudança para Oklahoma City, mas que continua pelos vistos a ser viável para competições de uma das ligas profissionais norte-americanas. Os 17 mil lugares mantêm-se, mas um investimento de 700 milhões de dólares acabou mesmo por acontecer, mas o meu lado cínico pondera se isto não foi mais uma alfinetada na longa luta de Seattle com a NBA - se o investimento não tivesse sido para a NHL, para todos os efeitos uma liga concorrente da NBA, mas para um regresso dos Sonics, duvido muito que tal se tivesse concretizado. Ainda assim, a verdade é que o edifício está pronto, corresponde às amenidades necessárias para um espetáculo desportivo de alto nível nos anos 20 deste século e a paixão dos adeptos certamente continua, eles que, ainda que de orgulho ferido, provavelmente aceitariam de bom grado o regresso de um franchise a Seattle.

Tudo isto para contextualizar as mudanças que aconteceram na primeira década dos anos 2000, arrefecendo o apetite da NBA pela expansão, mas que, com a venda dos Timberwolves, parecem ter ressurgido. E a pandemia que começou em 2020 e deu uma machadada significativa nos lucros da liga e das diferentes equipas, requerendo a abertura de pesadas linhas de crédito para vários franchises, parece tê-lo reforçado, algo facilmente verificável pela mudança de discurso de Adam Silver relativamente ao assunto:

Citação

"I think I've always said that it's sort of the manifest destiny of the league that you expand at some point. I'd say it's caused us to maybe dust off some of the analyses on the economic and competitive impacts of expansion. We've been putting a little bit more time into it than we were pre-pandemic. But certainly not to the point that expansion is on the front burner."

NBA Commissioner Adam Silver, 21 de dezembro de 2020

 

Uma coisa é certa, contudo, na lista de potenciais mercados a explorar pela NBA, um regresso ao Canadá parece bem no fundo da lista. Os Toronto Raptors e o sucesso que conseguiram culminando com a vitória nas NBA Finals em 2019, agregaram a paixão e o apoio da cidade de Toronto, mas não só, de todo o Canadá, algo bem exemplificado pelo motto usado desde então: "We The North". Os Raptors são agora a equipa de uma nação, e a história de um país na NBA que começou com os Toronto Huskies na época inaugural da liga, na longínqua década de 40 do século XX, e foi interrompida durante meio século até à expansão que eventualmente traria para a frente da cultura basquetebolística os Toronto Raptors de Vince Carter e T-Mac, fez dos Vancouver Grizzlies o parente esquecido desde história que continua a ser escrita.

 

THE LOST YEARS - WHEN THE GRIZZLIES WERE JUST DEFENSELESS CUBS

 

20 de junho de 2019, Barclays Center, Brooklyn, New York

 

O impressionante turn-around que os Grizzlies fizeram e que ainda está em andamento tem as suas raízes no Draft de 2019. Com o fenómeno atlético de Duke Zion Williamson a ser o número 1 consensual, da mesma forma que LeBron James o tinha sido em 2003, restava aos Grizzlies a escolha entre o melhor dos restantes. Todos pareciam estar de acordo que Ja Morant seria a melhor escolha, não só pelas qualidades que o point guard de Murray State exibia, mas também pelo vazio deixado pela aparentemente inevitável saída de Mike Conley, o líder e maestro da equipa de Tennessee durante a última dúzia de épocas, algo que se viria a confirmar menos de um mês depois, com Conley a ser trocado para os Utah Jazz.

Morant tinha um considerável peso às costas, o de substituir a produção em campo e a liderança de Mike Conley, um dos ícones da história do franchise mas, mais que isso, trazer de volta à luta pelos playoffs uns Grizzlies que, depois de sete anos de presenças consecutivas nos playoffs, vinham de dois anos sem aparecer na postseason, perdendo pelo caminho Marc Gasol, Zach Randolph, Tony Allen e, em breve, Mike Conley, pilares de uma equipa que ficou conhecida como os Grit 'n Grind Grizzlies, um grupo que, numa era de superequipas, remavam contra a corrente, ancorados em espírito de sacrifício, profundidade do plantel e excelente defesa, mas que ultimamente não atingiu o tão desejado título para Memphis. Definir a esperança que os adeptos de Memphis tinham nesta nova equipa, bem como os paralelos que pareciam ter com os tão adorados, embora ultimamente fúteis, anos dos Grit 'n Grind é feito de forma exímia no excerto abaixo:

Citação

"Ten seasons ago, the Memphis Grizzlies made the playoffs for the first time in what came to be known as the Grit ‘n Grind era. They were an eight seed matched up with the mighty San Antonio Spurs who were 60-22 on the year. Memphis went on to not only snap an 0-12 playoff record with the first win in franchise history but did the improbable and won that first round series and took the Oklahoma City Thunder to 7 games in round 2.


Ten years later, the Grizz Next Gen era began it’s quest in the NBA Postseason. Although they did not advance past the first round, they did manage to win their first three* postseason games. The success on paper looks slightly different for the two teams, but the similarities between the 10-11 and 20-21 teams are very interesting (...) The similarities after a decade in each era’s first playoff run are kind of nuts. For starters, both teams featured 3 non 2-way rookies on their rosters. Greivis Vasquez, Xavier Henry and Ish Smith played alongside the Core Four, while this season featured Desmond Bane, Xavier Tillman and Jontay Porter.


In 2010-11, the future franchise cornerstones were a point guard and a big were under 25. Go figure, in 2020-21 the cornerstones are a point guard and a big fall in the same category. Each team’s most experienced player was a bruising rebounder in the front court — Zach Randolph and Jonas Valanciunas. Both teams had a starting wing player who relished in being a defensive menace, also known as Trick-or-Treat the OG and Trick-or-Treat 2.0. When it came to their playoff debuts as a team, both teams were the 8 seed, and both featured four players to average over 10 points per game. Each team had two starters with previous playoff experience — Tony Allen and Zach Randolph; Jonas Valanciunas and Kyle Anderson."

JLew23 - Grizzly Bear Blues (SB Nation), 14 de junho de 2021

 

Em 2021-2022 estes Grizzlies seriam ainda melhores, conseguindo terminar no segundo posto da conferência Oeste, apenas atrás de uns historicamente brilhantes Phoenix Suns, garantindo pela primeira vez na história de duas décadas e meia do franchise, o fator casa não apenas em uma, mas em duas eliminatórias dos playoffs, frente a Minnesota na primeira ronda, seguindo-se contra uns Warriors de Curry, Thompson e Draymond Green em busca por recuperar a sua dinastia adormecida.

Contudo, a história esquecida dos Grizzlies acontece décadas antes de Morant e companhia atingirem a segunda seed da NBA e parecerem legítimos candidatos a uma run prolongada nos playoffs de 2022; acontece anos antes dos Grit n' Grind Grizzlies serem uma força na NBA, atingindo no seu pico as Western Conference Finals em 2013, com um anti-climático sweep aos pés dos eventuais campeões do Oeste San Antonio Spurs; a história esquecida dos Grizzlies acontece para lá da fronteira americo-canadiana e explica no fundo as origens destes Memphis Grizzlies, começando pelo ponto nuclear - o nome da equipa, já que grizzly bears não são encontrados no Tennessee (da mesma maneira que Jazz não é o fenómeno cultural mais associado a Utah e que lagos não são a caraterística definitiva da região de Los Angeles).

Uma visita ao site oficial dos Memphis Grizzlies, na sua secção sobre a história do franchise, dedica aos Vancouver Grizzlies um total de vinte palavras aos primeiros seis anos do franchise: "The franchise was established in 1995 as the Vancouver Grizzlies and played six seasons in Vancouver, British Columbia before relocating". Contudo, a história dos Vancouver Grizzlies é bem mais complexa, cheia de limitações que fizeram das dificuldades do franchise nas suas temporadas iniciais não um falhanço por parte da sua liderança, mas basicamente uma inevitabilidade.

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A entrada dos Vancouver Grizzlies (e dos Toronto Raptors) na NBA traria sempre consigo um punhado de jogadores inconsequentes para as restantes equipas que, apenas por puro génio de quem à frente dos destinos das novas equipas canadianas ou por puro milagre dos deuses da sorte resultaria em equipas competitivas. Tal coisa é expectável após um draft de expansão onde as restantes equipas podem proteger oito jogadores dos seus plantéis, basicamente bloqueando os seus melhores jogadores de serem repescados para os novos franchises. Onde as regras de entrada na liga, estabelecidas para a expansão de 1995, foram verdadeiramente maquiavélicas não se prende com a construção inicial do roster, mas antes com as consequências que as primeiras penosas épocas iriam trazer, sem qualquer dos benefícios que as equipas que usualmente terminam com os piores recordes lhes têm atribuídos, em nome do suposto equilíbrio desportivo. A saber:

  • No draft de 1995, as novas equipas teriam as picks número seis e sete, e não uma das primeiras seleções, de forma a não prejudicar as equipas que vinham da época de 1994-1995 com os piores recordes;
  • Durante as primeiras três temporadas na NBA, as novas equipas não poderiam utilizar o salary cap na sua titularidade. Isto fez com que, na sua temporada inaugural, por exemplo, os Vancouver Grizzlies competissem com um plantel formado por jogadores que, de forma coletiva, custariam pouco menos de 18.5 milhões de dólares contra o cap. Nessa época, os salários dos Knicks passaram dos 43 milhões de dólares, Orlando e Phoenix gastaram 36.5 e apenas três outras equipas, para além destas recém-chegadas à liga, terminassem a época com mais de um milhão de dólares em cap space;
  • Finalmente, provavelmente a machadada final em qualquer ilusão de competitividade na primeira meia-década dos Grizzlies na liga, mesmo que uma das equipas de expansão tivesse o pior recorde da liga, não poderiam, nas suas primeiras três temporadas, receber a primeira pick no draft através da lottery. Trocando por miúdos, o principal ícone da contra-cultura e evolução cultural do basquetebol norte-americano na viragem do século Allen Iverson no draft de 1997, ou, ano seguinte, aquele que é por muitos considerado o melhor power forward de todos os tempos Tim Duncan, não poderiam nunca ser escolhidos pelas equipas canadianas. Os Raptors resistiram a estes handicaps, com esforço, mas com a sorte ou o engenho para eventualmente serem também eles uma importante marca cultural no boom de expansão da NBA no pós-Jordan, ao juntarem os primos Vince Carter e Tracy McGrady no Air Canada Center. Os Grizzlies, esquecidos no Pacífico Noroeste, com jogos a terminarem regularmente bem para lá da meia-noite em mercados fulcrais como Nova Iorque, Chicago ou Philadelphia, não conseguiram resistir a este nascimento anémico.

 

YOU CAN'T FALL DOWN IF YOU DON'T GO UP - THE 1999 NBA DRAFT AS THE DEFINITIVE DEATH SENTENCE TO THE VANCOUVER GRIZZLIES

 

30 de junho de 1999, MCI Center, Washington, D.C.

O Draft de 1999 prometia ser a primeira grande oportunidade para os Vancouver Grizzlies finalmente começarem a tentar construir as suas fundações. Depois de três épocas barrados de terem a primeira escolha do draft, apesar de terem sido a pior equipa na NBA em duas das três primeiras épocas, 1999 poderia marcar o ponto de viragem necessário para o franchise. Vindos de uma campanha desastrosa em termos financeiros, motivada pelo lockout que reduziu a temporada regular da NBA a apenas 50 jogos e com ela cortou em pelo menos um terço as receitas totais do franchise, factor que espremia ainda mais a já anémica viabilidade financeira da NBA em Vancouver (apesar de a assistência por jogo até ter aumentado, muito fruto de um indivíduo a ser referido brevemente), os Grizzlies dentro de campo conseguiram a proeza de obter ainda piores resultados.

Com um recorde abominável de 8 vitórias em 50 jogos, resultante numa percentagem de vitórias de apenas 16%, os Vancouver Grizzlies fizeram história a época de 1998-1999, ao terem o pior recorde de sempre na NBA até então. Certo, não é bom ser historicamente mau, mas pelo menos desta vez tinham a consolação de poderem vencer a draft lottery e receber no Oeste do Canadá a primeira escolha no draft desse Verão! Obviamente que nada se revelaria fácil para Vancouver e os Chicago Bulls, com as terceiras melhores hipóteses de vencerem a draft lottery e ficarem com o prémio principal, acabaram mesmo por ultrapassar Vancouver e relegar os Grizzlies para a segunda escolha do draft.

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Contudo, para os Vancouver Grizzlies, este era apenas mais um obstáculo que teriam que ultrapassar. A realidade é que, no draft anterior, em 1998, tinham também tido a segunda pick. E se Shareef Abur-Rahim era a principal figura e scorer da equipa, tendo jogado todos os jogos das duas épocas anteriores e continuando a evoluir a sua produção ofensiva, indo de 18.7 pontos por jogo na sua época de rookie para uns redondos 23 pontos por jogo em 1998-1999, quarta melhor marca da liga, apenas atrás de Allen Iverson, Shaquille O’Neal e Karl Malone, o rookie Mike Bibby, point guard de Arizona que ajudar os Wildcats a vencerem o NCAA Championship em 1997, parecia destinado a altos voos, sendo nomeado para a All-Rookie Team, com médias de 13.2 pontos (em 43% de eficácia), 6.5 ressaltos e 1.6 roubos de bola por jogo, uma peça importante para juntar a Abdur-Rahim.

Olhando para o draft de 1999, os Chicago Bulls selecionaram com a primeira pick o power forward de Duke, Elton Brand. Este draft, embora não tenha produzido nenhuma superestrela, produziu vários jogadores com carreiras longas na liga e que foram capazes de ser peças nucleares em equipas que acabaram por conquistar anéis: Lamar Odom foi escolhido pelos Clippers na 4ª pick, ele que iria ajudar a outra equipa de LA a vencer títulos consecutivos em 2009 e 2010; com a 7ª pick os Wizards selecionaram Rip Hamilton, eventualmente trocado para Detroit onde se tornou num dos membros que, a par com Chauncey Billups Rasheed Wallace ou Ben Gordon, levaram os Pistons a serem campeões; Shawn Marion foi escolhido por Phoenix com a 9ª pick, ajudando Mike D’Antoni a revolucionar a NBA com os 7 Seconds or Less Suns, antes de se mudar para o Texas e vencer em Dallas um anel; o controverso Ron Artest, campeão com os Lakers, foi também ele para Chicago, juntamente com Brand, com a 16ª pick; e finalmente, o único hall of famer desta classe, o argentino Manu Ginobili, a 27ª pick… da segunda ronda, múltiplas vezes campeão nos San Antonio Spurs, dominadores da primeira década e meia do novo século na NBA.

Os Grizzlies, contudo, viraram-se noutra direção em 1999 e, apesar do relativo sucesso demonstrado por Mike Bibby, decidiram que Steve Francis, o point guard de Maryland, seria a mais adequada escolha para Vancouver, na tentativa de criar um par dinâmico com Bibby no backcourt. Esta escolha, no meio da panóplia de obstáculos injustos, más decisões e má sorte, foi na minha opinião, a machadada final em qualquer hipótese de sucesso que os Grizzlies poderiam ter num futuro próximo, com Steve Francis, um rookie sem qualquer minuto na NBA, a pôr completamente em causa a legitimidade e viabilidade do franchise canadiano.

 

Vancouver acabou mesmo por escolher Steve Francis com a segunda pick, conseguindo simultaneamente transtornar Bibby a 2ª pick do draft anterior que, apesar de alegadas reservas em ter sido escolhido por Vancouver no draft de 1998, vinha de uma promissora campanha enquanto rookie e ver a reputação do franchise ser virtualmente demolida, com a reação de Francis em direto nacional na televisão a ter uma reação visceral de desapontamento ao ouvir o seu nome ser anunciado para os Grizzlies. Francis e o seu agente haviam já informado os Grizzlies que Vancouver estava longe de estar entre os destinos favoritos do point guard e rumores surgiram, na altura e posteriormente, de que Francis até se tinha auto-sabotado nos pre-draft workouts com a equipa do Canadá, com os seus jumpshots ao aro a ecoarem alto no ginásio vazio.

 

27 de agosto de 1999, Las Vegas, Nevada

Posteriormente à noite do draft, os longos dias e semanas neste processo de negociação entre Francis, o seu agente e os Vancouver Grizzlies continuaram e parecia até estarem a evoluir rumo a uma resolução favorável. No entanto, tudo acabou por dar para o torto, com um alegado desacato com fãs no aeroporto a ser a gota de água que fez transbordar o copo. O seu agente tinha passado todo o verão a trabalhar os telefones e, numa noite de final de agosto, quando Steve Francis, que acabaria por não fazer qualquer jogo pelos Grizzlies, estava em Las Vegas a acompanhar o seu agente, então a promover um combate, recebeu a notícia de que acabara de ser trocado, menos de dois meses depois daquela fatídica noite do draft, naquela que foi, à época, a troca que mais jogadores envolvera na história da NBA, com Vancouver a enviar Francis para os Houston Rockets, numa troca que envolveu ainda os Orlando Magic e outros dez jogadores, bem como três picks de primeira ronda nos drafts de 2001, 2002 e 2003.

  • Vancouver recebeu: Antoine Carr, Michael Dickerson, Othella Harrington, Brent Price, 1st round pick de Houston em 2003;
  • Houston recebeu: Steve Francis, Tony Massenburg, Don MacLean, 1st round pick de Orlando em 2001;
  • Orlando recebeu: Lee Mayberry, Makhtar N’Diaye, Rodrick Rhodes, Michael Smith

Os Vancouver Grizzlies, a pior equipa da história da NBA, dona da segunda pick no draft de 1999, viu esta equipa, esfomeada por ajuda, ser reforçado pelos seguintes jogadores:

  • Antoine Carr – um superveterano power forward, foi para Vancouver para realizar a sua décima sétima e eventual última temporada na NBA. Apesar de se costumar dizer que um cão velho não aprende novos truques, a presença de Shareef Abdur-Rahim obrigou Carr a mudar-se para small forward. A mudança, tal como Carr, acabou por ser inconsequente, com o veterano a completar a época com um total de 67 pontos;
  • Michael Dickerson – um shooting guard sophomore que, tal como Bibby, tinha sido parte da All-Rookie Team de 1998. Apesar da boa época de estreia em Vancouver, com 18 pontos por jogo a lançar na casa dos 40% de três pontos (ainda que com apenas 3.5 tentativas por jogo), acabaria por quatro épocas depois estar fora da liga, depois de fazer parte dos primeiros dois anos dos Grizzlies, já em Memphis, acumulando um grande total de 211 minutos nesse referido par de épocas;
  • Othella Harrington – outro power forward que, tal como Antoine Carr, acabou por ter que se adaptar ligeiramente a uma troca de posição, devido a Abdur-Rahim, indo por seu turno para a posição de center. Chegado em agosto de 1999 ao Canadá, duraria menos de ano e meio a norte da fronteira, antes de ser enviado para os New York Knicks;
  • Brent Pierce – point guard que seria backup de Mike Bibby em Vancouver durante duas temporadas. Acumulou 3.3 pontos e 1.6 assistências por jogo, nas míseras 47 partidas que disputou nos seus dois anos com os Grizzlies.

No rescaldo da sua ida para Houston, Steve Francis colocou ainda mais sal na ferida, algo que lhe valeria receções demoníacas de cada vez que ele e os seus Houston Rockets se deslocassem para jogar em Vancouver, ao dizer que a sua troca para Houston se devia à divina providência e aos planos que, segundo Francis, Deus tinha reservados para ele:

Citação

“He didn't want to put me in Vancouver and worry about the team being sold...That's why I know I'm God's son.”

Steve Francis, Point Guard dos Houston Rockets, agosto de 1999

 

THERE’S NO GRIZZLIES IN TENNESSEE – THE LAST HOPELESS YEAR OF THE NBA IN VANCOUVER

 

25 de janeiro de 2001, Vancouver, British Columbia, Canadá

Os problemas financeiros dos Grizzlies eram conhecidos desde basicamente o seu início. O lockout que reduziu a época de 1998-1999 a apenas 50 jogos obviamente não ajudou, mas foi o desastre do verão de 1999 que definitivamente fez com que os adeptos e a própria cidade de Vancouver desistissem dos Grizzlies. Com uma capacidade de 18 442 lugares, o General Motors Place nunca tinha ficado abaixo dos 87% de ocupação, com uma média de 90% de ocupação no conjunto dos primeiros quatro anos do franchise. Com a recusa pública de Francis em jogar no Canadá e a resultante troca, os Grizzlies viram o número médio de espetadores cair em queda livre, para os 75% de ocupação, uma perda de 15% na ocupação quando comparada com a época do lockout.

Não demorou muito para que o destino destes Grizzlies fosse selado. John McCaw Jr., o então dono dos Vancouver Grizzlies, bem como dos Vancouver Canucks (da NHL), que dividiam entre si as datas no General Motors Place, tentou vender a equipa a Dennis Washington, um empresário de St. Louis, por um total de 148 milhões de dólares, valor que poderia ascender a uns redondos 200 milhões, caso a pretendida realocação do franchise para St. Louis fosse concluída. David Stern, o Comissioner da NBA opôs-se veementemente a esta venda, precisamente devido à proposta deslocação para St. Louis, com o negócio a eventualmente cair. Em janeiro de 2001, contudo, a venda acabaria mesmo por se concretizar, com o nativo de Chicago Michael Haisley a adquirir a equipa, prometendo manter os Grizzlies em Vancouver. Menos de dois meses depois, Haisley rompeu a promessa e o destino dos Grizzlies fora selado, com o futuro do franchise a passar por Memphis a partir da temporada de 2001-2002.

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Citação

“The reality is (Heisley) had every intention of bankrupting the fan base, alienating people, not marketing the team, presenting the argument that basketball didn’t work in Vancouver, which was hogwash. We were not, by any stretch of imagination, losing millions and millions. We had a better fan base than most NBA teams.”

Arthur Griffiths, fundador e primeiro dono dos Vancouver Grizzlies, 19 de fevereiro de 2011

 

Os Grizzlies eram agora uma equipa moribunda, a contar os dias para o recomeço em Memphis, tinham uma pior e meia para completar em Vancouver, na ressaca da pior época da história, com um verão onde o franchise a cidade haviam sido humilhados por Steve Francis na praça pública e após uma promessa de compromisso com a cidade e o a equipa que durou meros dois meses.

Como seria de esperar, com toda a turbulência a rodear o franchise, a prestação em campo não melhorou assim tanto. É verdade que os Grizzlies passaram de pior recorde da história para um par de ainda francamente maus, mas pelas menos respeitáveis épocas, vencendo 22 e 23 jogos em 1999-2000 e 2000-2001, respetivamente, mas ficando sempre a mais de vinte jogos dos playoffs.

Vancouver desligou-se da equipa, os novos donos só queriam que os meses passassem o mais rápido possível e, em abril de 2001, tudo culimou naquele que seria o último jogo dos Grizzlies em Vancouver. Quis o destino (ou a cruel ironia de quem organiza os calendários da NBA) que a última partida caseira dos Grizzlies fosse precisamente contra Steve Francis e os Rockets, dando pelo menos aos poucos adeptos restantes do franchise no Canadá uma última hipótese de catarse, destilando ódio contra o point guard que, apesar de odiado em Vancouver, acabou por, no final de contas, estar correto relativamente às dúvidas que havia expresso relativamente aquele que poderia ter sido o seu futuro nos Grizzlies.

 

14 de abril de 2001, Vancouver, British Columbia, Canadá

Pouco mais de minuto e meio restava na história da NBA em Vancouver. Os Grizzlies tinham acabado de ver os Rockets recolocar a vantagem em cinco pontos e nunca mais o jogo estaria a uma posse de bola de distância. A vida do franchise terminou conforme tinha decorrido nesta ponta final de meia dúzia de anos em Vancouver, com uma promissora exibição de Mike Bibby a acabar numa inevitável derrota. Do outro lado, também Steve Francis havia brilhado, orgulhoso de espetar por uma última vez a faca no peito dos corações dos adeptos de Vancouver.

Num jogo ao qual provavelmente ninguém fora dos fãs de Vancouver ou Houston prestou atenção, sem qualquer implicação para os playoffs que se aproximavam, Bibby e Francis lutaram entre si pelo próprio orgulho e, numa última prenda envenenada para os adeptos, tiveram um par de prestações históricas para as suas próprias carreiras.

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Steve Francis guardou para o seu último jogo em Vancouver o seu season high em assistências, com um total de treze, exatamente o dobro da sua média de época, suficiente para ser top-15 na NBA. Mas foi Mike Bibby quem verdadeiramente brilhou neste aspeto, com as suas dezoito assistências, um career high que atingiu três vezes no espaço de três meses dessa época, para nunca mais repetir nos restantes doze anos da sua carreira. 18 assistências essas que eram um franchise record para os Grizzlies e que, ainda hoje, são a segunda melhor marca de sempre, apenas ultrapassada pelas 19 assistências que Jason Williams conseguiu obter, em 2002, frente aos Golden State Warriors. Mais ainda, Mike Bibby mantém ainda quatro dos cinco jogos com mais assistências na história dos Grizzlies, tanto em Vancouver como em Memphis, isto num franchise tão marcado por dois point guards de excelência como Mike Conley ou Ja Morant.

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Meio ano depois estes Grizzlies estrear-se-iam em Memphis. Na realidade, não eram estes Grizzlies. A cidade (o país até) era outra, os uniformes eram diferentes e mais que isso, os dois jogadores de sucesso nos anos de purgatório em Vancouver não mais estavam com os Grizzlies. Shareef Abdur-Rahim, a entrar no seu prime com 25 anos, vindo de quatro temporadas consecutivas com médias de mais de 20 pontos por jogo, foi trocado para Atlanta, enquanto que Mike Bibby, estrela do derradeiro jogo caseiro dos Grizzlies em Vancouver, fora enviado para Sacramento e os Kings, também eles um franchise anedoticamente disfuncional, marcando, em pouco mais de seis meses, o definitivo corte com tudo o que era sinónimo com a equipa de Vancouver que até hoje está adormecida, esquecida na história. Apenas o nome ficou, porque como todos sabem, Tennessee é um estado famoso pelos seus grizzly bears.

Editado por Carson Wentz
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Devo ter outro pronto algures no fim-de-semana, início da próxima semana, dedicado em especial ao nosso querido @andriy pereplyotkin (aceito apostas sobre qual o jogo dos Suns em questão).

O problema é depois, não só em termos de tempo, mas de ideias também.

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Citação de Carson Wentz, há 52 minutos:

Devo ter outro pronto algures no fim-de-semana, início da próxima semana, dedicado em especial ao nosso querido @andriy pereplyotkin (aceito apostas sobre qual o jogo dos Suns em questão).

O ptoblema é depois, não só em termos de tempo, mas de ideias também.

Fala da vitória dos Raptors sobre os Bulls em 95 96
1º ano dos Raptors na NBA e ganham logo aos melhores Bulls de sempre

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Citação de Carson Wentz, há 21 horas:

Devo ter outro pronto algures no fim-de-semana, início da próxima semana, dedicado em especial ao nosso querido @andriy pereplyotkin (aceito apostas sobre qual o jogo dos Suns em questão).

O problema é depois, não só em termos de tempo, mas de ideias também.

Suspeito do Suns - Nuggets de 1990.

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Citação de andriy pereplyotkin, há 6 minutos:

Suspeito do Suns - Nuggets de 1990.

Fui ver que jogo era... Cinco jogadores acima dos vinte pontos nos Suns, minha nossa! Tenho que investigar se é recorde. Mas não, não é esse. O Kevin Johnson tem um capítulo que lhe é dedicado though.

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Citação de Carson Wentz, há 2 minutos:

Fui ver que jogo era... Cinco jogadores acima dos vinte pontos nos Suns, minha nossa! Tenho que investigar se é recorde. Mas não, não é esse. O Kevin Johnson tem um capítulo que lhe é dedicado though.

Ahhh, achei que podia ser porque tem um recorde associado, julgo: mais pontos marcados por uma equipa numa parte. Ao intervalo os Suns tinham 107 pontos.

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E tanta coisa e nao falaste no Bryant Reeves

 

Como pode um franchise ter sucesso quando ele era suposto ser um dos ''Franchise Players''

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WEIRD BOXSCORES

#02 - Phoenix Suns @ Dallas Mavericks, 20/05/2005

Keep your Friends Close and your Enemies Closer

 

20 de maio de 2005, American Airlines Center, Dallas, Texas

Quando comecei este artigo, o jogo a analisar era outro completamente diferente (envolvendo também o franchise de Phoenix) mas, quando tinha basicamente dois terços do mesmo escrito, percebi que a história me estava a levar por um caminho inesperado, mais que suficiente para um artigo por si só. Talvez revisite o jogo em que pensei originalmente para uma boxscore futura, sem compromissos!

Vamos hoje analisar os percursos e a forma como dois contenders do Oeste, que travaram duras e constantes batalhas entre si, em meados dos anos 2000, montaram os seus plantéis, recorrendo muito frequentemente a negócios entre eles, numa espécie de aliança contra a hegemónica força dos San Antonio Spurs, que ambos tentavam destronar do seu lugar no topo da conferência Oeste.

 

TRADE DEADLINE DEALS - BETTING ON THE YOUTH IN 1980's PHOENIX

 

15 de fevereiro de 1987, Chicago Stadium, Chicago, Illinois

Trocas de jogadores entre diferentes equipas sempre aconteceram e como tal, sempre existiu uma trade deadline, já que não faria qualquer sentido e seria contra qualquer semelhança com verdade desportiva se, por exemplo, o melhor jogador de uma equipa que não se tenha apurado para os playoffs se transferisse para um dos contenders a tempo de jogar as NBA Finals. Mas nem sempre a trade deadline foi o espetáculo que é hoje em dia, acompanhado ao segundo pelos fãs de cada equipa, como se de um qualquer importante jogo 7 se tratasse.

Com a crescente expansão e profissionalização da NBA, com o aumento do seu impacto e interesse junto das populações não só nos Estados Unidos, mas também no estrangeiro, a trade deadline acabou por finalmente estabelecida em modos aproximados aos que conhecemos hoje, com a décima sexta quinta-feira de cada temporada a servir como deadline para trades, e com as respetivas movimentações de jogadores a merecerem uma catalogação exaustiva por parte dos media e da própria NBA, a partir de 1987.

Contudo, tal alteração pareceu não ter resultado num grande frenesim entre os decisores à frente de cada equipa, já que na primeira instância deste modelo de trade deadline, uma única troca aconteceu, bastante inconsequente diga-se, com Ben Poquette, um veterano power forward, na sua décima época da liga, que por apenas uma vez na sua carreira passou a barreira dos dois dígitos em termos de pontos por jogo, a sair de Cleveland para ingressar nos Chicago Bulls, onde faria aqueles que se revelariam os últimos 21 jogos da sua carreira, a troco de uma pick de segunda ronda em 1989. Esta acabou por ser a 43ª pick, com o forward Chucky Brown de NC State a ser escolhido pelos Cavs, ele que teve uma longa carreira como journeyman na NBA, passando por doze equipas diferentes ao longo de treze temporadas, tendo inclusivamente conquistado um anel ao serviço dos Houston Rockets em 1995.

Se na época inaugural da trade deadline neste formato mais “oficial” foi bastante tímida, não demorou muito até que se tornasse uma data a circular no calendário dos fãs, já que, logo na temporada seguinte, uma das mais significativas trocas da história deste dia teve lugar, uma que é presença assídua nas diferentes compilações e tops de trocas mais desequilibradas e relevantes da história da NBA.

Três trocas foram feitas nessa quinta-feira de 1988, envolvendo um total de equipas, nove jogadores e cinco draft picks. Os Cleveland Cavaliers, aparentemente satisfeitos com a troca realizada no ano anterior, com um veterano em final de carreira a render-lhes uma pick de segunda ronda, decidiram voltar a girar a roleta das transações. Desta feita, porém, foram eles a pagar em demasia por um power forward veterano e, para mal dos fãs de Cleveland, o preço foi bem mais elevado do que uma simples pick de segunda ronda.

 

25 de fevereiro de 1988, Arizona Veterans Memorial Coliseum, Phoenix, Arizona

Selecionado pelos Phoenix Suns, vindo de Clemson, na ponta final da primeira ronda do draft de 1981, Larry Nance integrou uma equipa em clara ascensão, que vinha de quatro presenças consecutivas nos playoffs, e sempre com melhores e melhores fases regulares, entre 1977-1978 e 1980-1981, que, liderados pelo Hall of Famer Paul Westphal, foram evoluindo de um recorde de 49 vitórias em 1977-1978 até alcançarem as 57 vitórias em 1980-1981. Assim sendo, não é de admirar que, enquanto rookie, tenha sido difícil para Larry Nance desempenhar um papel importante num dos contenders do Oeste, acabando a época com médias de uns meros 6.6 pontos e 3.2 ressaltos em menos de 15 minutos por jogo.

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Ainda assim, não demorou muito até que Larry Nance deixasse a sua marca, explodindo na sua época de sophomore, passando a ser o mais valioso jogador dos Suns (liderando a equipa em win shares) e continuando a evoluir de forma consistente nos cinco anos seguintes, com os seus pontos por jogo em constante crescimento, com o número de ressaltos sempre a rondar os 8.5 por jogo e lançando sempre, exceção feita a 1987-1988, acima dos 55% de eficácia.

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Apesar desta evolução individual, a equipa de Phoenix continuava a ter problemas em atingir o tão desejado título. Nas primeiras quatro épocas, as cinquenta vitórias que eram quase um hábito no pré-Larry Nance apenas por uma vez foram atingidas, em 1982-1983 e, no ano seguinte, mesmo com um medíocre recorde de 41-41, os Suns atingiram as Finais do Oeste. Parecia então que a evolução individual de Larry Nance não se refletia na prestação da equipa e, com Nance a entrar no seu auge, após essa época em que foram às finais do Oeste, Phoenix entraria numa fase negra, ficando-se pelas 36 vitórias em duas das três épocas seguintes e umas míseras 32 vitórias em 1985-1986.

Com Nance agora a entrar na época com 28 anos, indo completar 29 anos em fevereiro, os Suns pareciam prontos em entrar num rebuild. E assim foi, Phoenix chegando à trade deadline com um recorde de 17-35, 4 jogos atrás da última posição de playoff, ocupada pelos Spurs, e a uns gigantes 9.5 jogos da sétima seed Seattle, Phoenix decidiu por um verdadeiro reset, com Nance a sair da equipa.

 

25 de fevereiro de 1988, Richfield Coliseum, Richfield Township, Ohio

Cleveland encontrava-se, em fevereiro de 1988, numa posição diametralmente diferente da de Phoenix mas não menos frustrante. Com uma única aparição nos playoffs nas últimas nove temporadas, os Cavaliers chegavam à trade deadline com sérias possibilidades de regressarem à postseason pela primeira vez desde 1985 e, mais que isso, procuravam por, apenas pela segunda vez na sua história, repetir o feito de 1976 e conquistar uma série nos playoffs.

À época, os Cavaliers encontravam-se bem dentro de uma posição de playoff com um recorde de 28-26, com oito jogos à maior em relação aos New York Knicks, primeira equipa para lá dos lugares de playoff no Este.

Liderados por Mark Price, um point guard sophomore, escolhido na época anterior com a primeira pick da segunda ronda, vindo de Georgia Tech, pelos Dallas Mavericks e imediatamente enviado para Cleveland, os Cavaliers que contavam também com Brad Daugherty e Ron Harper, todos abaixo dos 25 anos de idade. Neste esforço para tentarem regressar à postseason e tentar aproximar a equipa de Cleveland de Boston, Detroit e Atlanta, os então melhores colocados no Este, a estrutura dos Cavaliers sentiu que, de forma a ajudar a guiar estes jovens na sua evolução, fazia todo o sentido tentar adquirir um veterano com talento. Larry Nance parecia assim a adição ideal – tinha experiência de postseason; encaixava na estrutura de Cleveland enquanto power forward, fazendo uma dupla potencialmente temível com o center Brad Daugherty; e, talvez mais importante, não era ainda um trintão, que estaria já a ver a sua produção definhar quando as restantes peças de Cleveland atingissem o seu auge.

Com Phoenix na disposição de se desfazer de Nance pelo preço correto, restava então encontrar um pacote que satisfizesse os Suns sem, no entanto, mexer muito com as peças que os Cavaliers viram como centrais para o seu futuro. Assim, no último dia onde trades eram possíveis na época de 1987-1988, um negócio acabou por surgir, com o rookie Kevin Johnson a ser o odd man out em Cleveland.

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Kevin Johnson, um point guard de Cal, escolhido com a sétima pick no draft 1987, não tinha espaço de afirmação em Cleveland, com Mark Price a ser o jogador mais valioso dos Cavaliers. Titular em apenas 3 jogos em Cleveland e com apenas 20 minutos por partida, o point guard foi a peça nuclear que convenceu os Suns a aceitarem ver-se livres de Larry Nance e tentar um reset. A troca envolveria também várias draft picks, uma das que acabou em Phoenix, a pick de primeira ronda em 1998, adquirida previamente pelos Cavs a Detroir, a transformar-se em Dan Majerle, um wing que se revelou também uma peça importantíssima para os Suns na ponta final dos anos oitenta, especialmente pelas suas capacidades defensivas. Eis os detalhes finais do negócio:

  • Cleveland recebeu: Larry Nance, Mike Sanders, 1st round pick de Phoenix em 1988 (via Detroit);
  • Phoenix recebeu: Kevin Johnson, Mark West, Tyrone Corbin, 1st round pick de Cleveland em 1988, 2nd round pick de Cleveland em 1988, 2nd round pick de Cleveland em 1989 (via LA Lakers).

 

25 de fevereiro de 1988, Arizona Veterans Memorial Coliseum, Phoenix, Arizona

A tecnologia nos anos 80 não era o que é hoje. Os faxes eram indispensáveis em qualquer escritório e o uso generalizado de telemóveis era uma ideia ainda bastante futurística - os beepers já existiam, ainda assim, por isso era pelo menos mais fácil de saber se uma chamada importante acabara de chegar. Com tudo isso, embora não fossem as relativas dificuldades em comunicar de forma imediata, pelo menos quando comparadas com as dos dias de hoje, a impedir que uma troca desta magnitude se concretizasse, o facto de os Cavaliers se encontrarem em Phoenix para disputar um jogo contra os Suns nessa mesma noite certamente não foi prejudicial para o negócio ir em frente.

Talvez um sinal do que aí estivesse para vir, os Suns acabariam por vencer mesmo esse jogo, onde tanto Larry Nance como Kevin Johnson não jogaram. Brad Daugherty, outra das peças fulcrais de Cleveland para o futuro, que seria suposto formar um frontcourt temível com Larry Nance, falharia também esse jogo por lesão, um problema recorrente na sua carreira e que acabaria por se revelar fatal para a longevidade do center, que acabaria ultimamente por se retirar da NBA em 1994, com apenas 28 anos, devido a problemas crónicos nas costas.

Os Cavaliers acabaram por conseguir aquilo que queriam, regressando aos playoffs no final da temporada, apenas pela segunda vez na última década, e por lá se mantiveram durante por seis dos sete anos em que Nance esteve em Cleveland, até se retirar após a temporada de 1993-1994. Tal como Phoenix, Cleveland rapidamente percebeu que, apesar de Nance ajudar bastante a elevar o floor da equipa, praticamente garantindo a sua presença nos playoffs (apenas em três dos treze anos da sua carreira Nance não esteve presente nos playoffs), as suas equipas acabavam por ficar sempre aquém do tão desejado título: em seis épocas e meia em Phoenix atingira 4 vezes a postseason com apenas uma ida às finais do Oeste (perdendo em seis jogos para os Lakers) e uma só outra vitória numa série dos playoffs; em seis épocas e meia em Cleveland atingira 6 vezes a postseason com apenas uma ida às finais do Este (perdendo em seis jogos para os Bulls)  e uma só outra vitória numa série dos playoffs.

Os Suns, por outro lado, arrancariam, na época seguinte, para uma série de treze presenças consecutivas na postseason, onze delas com Kevin Johnson na equipa (que apenas no seu ano de rookie, onde a troca aconteceu, falhou os playoffs), e se é verdade que acabaram por nunca alcançar o tão desejado título, a verdade é que registaram um período bem mais positivo, vencendo quinze séries de playoff ao longo da carreira de Johnson e representando o Oeste nas NBA Finals de 1993, perdendo para os Bulls de Michael Jordan, naquele que seria o primeiro three-peat do melhor jogador de todos os tempos, no sexto jogo da série, com aquele que foi o lançamento da carreira de John Paxson.

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TWO SIDES OF THE BARRICADE - LEGENDARY CAREERS WERE MADE BETWEEN DALLAS AND PHOENIX

 

26 de junho de 1996, Continental Airlines Arena, East Rutherford, New Jersey

Se no final dos anos oitenta os Suns, ao desfazerem-se de Larry Nance, um perennial All-Star no seu prime, e apostarem numa mudança de direção, ancorada no jovem point guard Kevin Johnson, também a meio da primeira década do novo milénio a equipa de Phoenix agitou as águas, trazendo novamente um point guard que tornaria os Suns num contender durante o resto da década, mas desta vez não um jovem acabado de sair do college, mas antes um jogador já na casa dos trinta, já com oito épocas de NBA no seu resumo e que iria marcar uma mudança no paradigma da NBA que resultaria naquilo que observamos ainda hoje como um dos grandes pilares da NBA moderna – a exploração transição ofensiva em velocidade, aperfeiçoada posteriormente por Steve Kerr e os Golden State Warriors para incorporar e evoluir ainda mais a preponderância do lançamento de três pontos.

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Steve Nash iria definir a sua lendária carreira em Phoenix, mas não raras vezes os seus anos iniciais na NBA (quase uma década) são bastante esquecidos. Estreando-se na NBA mais perto dos 23 do que dos 22 anos, Steve Nash foi verdadeiramente um late bloomer, sendo que apenas em 2000, na sua quinta época na NBA, temporada onde completaria já 27 anos, se assumiu como titular a tempo inteiro durante uma época completa. É difícil imaginar, nos dias de hoje, um jogador com esta trajetória naqueles que são, muitas vezes, os anos mais produtivos da carreira de um atleta, acabar por construir uma carreira digna de entrar no Hall of Fame. Como termo de comparação, com a idade com que Nash finalmente começou aquela que seria a sua primeira época como titular indiscutível, Giannis Antetokounmpo estava a celebrar o seu primeiro título, ele que, aquando do seu draft, foi rotulado como estando ainda longe de ser sequer um jogador utilizável, fazendo lembrar a mítica frase de Fran Fraschilla sobre Bruno Caboclo, em 2014, que dizia que o brasileiro estava “(…) two years away from being two years away” e que era também o sentimento que muitos fãs e media-members tinham expressado, um ano antes, relativamente a Giannis.

A carreira de Steve Nash começou no college, em Santa Clara, uma modesta equipa da West Coast Conference, da Divison I da NCAA. Os Broncos tinham apenas uma presença na March Madness nos anos 70 e 80, mas com Steve Nash ao leme conseguiram vencer a WCC pela segunda vez na história do programa, apurar-se para o torneio de final de época em três das quatro épocas em que o point guard esteve na equipa, avançando para a segunda ronda em duas delas, imitando um o feito alcançado pela última vez no final dos anos 60.

Como senior, Nash entrou no NBA draft de 1996 e, embora a modesta 15ª posição em que acabou por ser escolhido posse parecer basicamente uma heresia, estamos a falar daquele que é considerado, a par de 2003, o melhor draft de sempre na NBA, com guards como Allen Iverson, Kobe Bryant e Ray Allen a serem escolhidos à frente de Nash. A equipa que escolheu Nash? Eh… This is awkward! Foram precisamente os Phoenix Suns, onde Nash permaneceu apenas duas épocas, sendo umas meras onze vezes titular, com médias de 10.5 minutos, 3.1 pontos e 2.2 assistências por jogo e 21.9 minutos, 9.1 pontos e 3.4 assistências por jogo, em 1996-1997 e 1997-1998, respetivamente.

 

24 de junho de 1998, Reunion Arena, Dallas, Texas

Nash nunca conquistou espaço muito também pela presença de um outro point guard de excelência no plantel de Phoenix, um tal de Jason Kidd, que havia sido adquirido menos de meio anos depois de Nash chegar ao Arizona e tapando por completo a evolução do rookie Nash. Kidd tinha chegado precisamente vindo de Dallas e, continuando a tendência do final dos anos 90, em que Mavericks e Suns pareciam unidos por um qualquer cordão umbilical, os Suns decidiram trocá-lo para os vizinhos do Oeste.

Esta troca, concretizada na offseason de 1998, viu Steve Nash viajar para Dallas por troca com o rookie Pat Garrity (jogador envolvido na troca que enviou Dirk Nowitzki de Milwaukee para Dallas) que passou apenas uma inconsequente época em Phoenix antes de ser enviado para Orlando onde fez nove épocas; Marti Müürsepp, um estónio que, após a troca, não fez mais nenhum jogo na NBA; Bubba Wells, que teve um destino similar ao do estónio; e, finalmente, o principal pagamento que Phoenix recebeu com a saída de Nash, uma pick de 1ª ronda em 1999 que os Suns utilizaram para eventualmente escolher o forward Shawn Marion, o duas vezes All-NBA e quatro vezes All-Star que passou oito épocas e meia em Phoenix e que, após a reunião com Nash e com a adição de um excitante Amar’e Stoudemire, tornou os Suns num gigante oponente para Lakers e Spurs (particularmente estes últimos, pelo menos de forma mais consistente), os grandes dominadores do Oeste nos anos 2000.

Em Dallas, Nash encontrou uma equipa que tinha acabado de acrescentar também o eventual futuro Hall of Famer Dirk Nowitzki, melhor talento europeu de sempre a jogar na NBA, com uma troca com Milwaukee no dia draft, ao também ex-Phoenix Michael Finley (ele que havia sido ainda outra parte da troca que enviou Kidd para Phoenix), para formar um trio que poderia catapultar os Mavericks de Don Nelson rumo a uma presença nos playoffs que já não conseguiam há uma década.

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O sucesso não apareceu do dia para a noite. Nash continuou a sua produção bastante modesta no seu primeiro ano em Dallas. Eclipsando a média de 30 minutos por jogo, o point guard manteve uma produção certamente abaixo daquilo que os responsáveis dos Mavericks estariam à espera, com apenas 7.9 pontos e 5.5 assistências por jogo. Nowitzki também mostrou as normais dificuldades para um rookie, especialmente um vindo do basquetebol europeu, com médias de pontos por jogo bastante semelhantes aos de Nash (8.2) e uns miseráveis 20% de eficácia em lançamentos de três pontos, em vinte minutos por jogo. O facto da temporada ter sido encurtado devido ao lockout que reduziu a temporada dos normal 82 jogos para apenas 50 certamente não terá ajudado à normal integração tanto de Nash como de Dirk na equipa, resultando naquele que foi o sétimo pior total de vitórias na NBA, em igualdade com os Boston Celtics. Não que isso interessasse muito, já que, com a troca para trazer Nash para o Texas, a pick dos Mavericks era devida a Phoenix (que os Suns usaram em Shawn Marion) e, portanto, o draft não seria a forma ideal para os Mavericks melhorarem a sua equipa, pelo menos não com recurso a picks na primeira ronda.

Em 1999-2000, algumas mudanças começaram a surgir nos Mavericks. Nash continuou, naquela que era já a sua quarta época na NBA, na qual completava já 26 anos de idade, a produzir de forma bastante medíocre, mantendo uma média bastante pobre para aquele que seria eventualmente um Hall of Famer, de apenas 8.6 pontos e 4.9 assistências em 27 minutos e meio por jogo, mas Dirk Nowitzki demonstrava a evolução rumo à superstar que haveria de se tornar, com médias de 17.5 pontos, 6.5 ressaltos e 2.5 assistências, melhorando a sua eficácia de lançamento, em particular de trás da linha de três pontos, dos inaceitáveis 20% para uns bastante respeitáveis 38%, mais do que duplicando também o volume ao qual os tentou. Finley manteve o seu estatuto como o jogador mais produtivo da equipa e, apesar de algumas mudanças, já no decorrer da época, não terem tido os resultados desejados, em particular a adição de um Dennis Rodman, já com 38 anos, que em apenas 12 jogos com o franchise foi excluído duas vezes e recebeu uma suspensão de um outro jogo antes de ser colocado em waivers pelos Mavericks,

Dallas acabou por ascender para um respeitável recorde de 40-42, a um jogo dos .500 algo que, ainda que não fizesse os Mavericks regressarem aos playoffs, naquele que era a décima temporada consecutiva sem presenças na postseason, mostrava a evolução que estava a ocorrer no franchise.
Contudo, nenhuma mudança seria tão significativa como aquele que ocorreu em janeiro de 2000, não na quadra, mas no front office dos Mavericks, com o controverso milionário Mark Cuban a adquirir o franchise de Dallas.

 

4 de janeiro de 2000, Reunion Arena, Dallas, Texas

Cuban, natural de Pittsburgh na Pensilvânia que acumulou uma boa parte da sua fortuna durante o boom do dot.com, adquiriu em janeiro de 2000 a maioria dos Dallas Mavericks, por 285 milhões de dólares e rapidamente deixou a sua marca não só nos Mavericks mas na NBA como um todo, quebrando o papel tradicionalmente mais passivo que era costumário os donos dos diferentes franchises da NBA ocuparem e acumulando uma série de multas e controvérsias ao longo dos seus anos como dono dos Mavs. A verdade é que, se nos dez anos anteriores à aquisição dos Dallas Mavericks por parte de Mark Cuban, o franchise tinha falhado os playoffs em dez épocas consecutivas, nos dez anos posteriores a esta aquisição a equipa apurou-se sempre para os playoffs, vencendo sempre cinquenta ou mais jogos por época, feito apenas igualado pelos San Antonio Spurs durante este período.

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O entusiasmo em torno de Cuban parece ter tido um efeito bastante positivo em Steve Nash, que explodiu, na sua quinta temporada, para o nível que nos iria habituar nesta nova fase da sua carreira: acumulou médias de 15.6 pontos e 7.3 assistências por jogo, lançando na casa dos 40% de três pontos, o que, juntando a Michael Finley e Dirk Nowitzki, ambos com mais de vinte pontos por jogo, e à adição de Juan Howard, um dos membros dos Fab Five da Universidade de Michigan, a meio da temporada, vindo de Washington, catapultou os Mavericks para as cinquenta e três vitórias em 2000-2001 e consequente presença nos playoffs pela primeira vez desde o final dos anos 80.

A temporada seguinte foi ainda mais sólida para os Dallas Mavericks, terminando a fase regular com 57 vitórias e, com isso, a quarta seed no Oeste, tendo o melhor ataque e a segunda melhor defesa da NBA na fase regular, com Steve Nash e Dirk Nowitzki a serem selecionados como All-Stars pela primeira vez nas suas carreiras. 2002-2003 marcou a primeira vez na história do franchise em que os Mavericks atingiram as 60 vitórias, bem como a primeira presença nas Finais da Conferência Oeste, na qual perderam em seis jogos para os seus grandes rivais texanos, os inevitáveis, nos anos 2000, San Antonio Spurs.

2003-2004 marcou uma ligeira regressão para os Mavericks, Michael Finley, já na casa dos 30 anos, teve o seu menor total de pontos por jogo desde a sua época de sophomore, Nash voltou a ficar aquém dos quinze pontos por jogo e até Dirk viu a sua percentagem de conversão de lançamentos de três pontos cair para os 34% de eficácia, a sua terceira pior marca nos vinte e um anos da sua carreira na NBA, apenas ultrapassando o seu ano de rookie e o seu último ano enquanto profissional. Tudo isto resultou numa eliminação na primeira ronda dos playoffs, às mãos dos Sacramento Kings, em cinco jogos apenas e, mais que isso, numa importante decisão de Mark Cuban relativamente a Steve Nash, cujo contrato com os Mavericks chegaria ao final nesse verão.

 

1 de julho de 2004, America West Arena, Phoenix, Arizona

As ondas de choque da eliminação na primeira ronda dos playoffs às mãos dos Sacramento Kings levaram a drásticas mudanças no franchise. Don Nelson, o segundo treinador com mais vitórias na NBA acabaria por dar o seu lugar a Avery Johnson em março de 2005, mantendo a posição de General Manager até ao final dessa época, após a qual nomeou o seu filho Donnie Nelson como sucessor. Posteriormente Don Nelson revelou que, apesar de ter apreciado tremendamente o seu tempo em Dallas e a reviravolta de sucesso que conseguiu dar ao franchise, uma decisão em específico tinha-lhe retirado o interesse em continuar à frente dos destinos do franchise. Uma decisão que, apesar de ser ele o GM da equipa na altura, tinha sido da responsabilidade de Mark Cuban. Essa decisão mudaria o panorama dos Mavs, da Conferência Oeste e da NBA em geral – em julho de 2004, o free agent Steve Nash regressaria a Phoenix com um contrato de 65 milhões de dólares ao longo de seis épocas.

Cuban e os Mavericks, que haviam oferecido anteriormente max contracts tanto a Dirk Nowitzki como a Michael Finley, decidiram que, apesar de se manterem bastante interessados em ter Steve Nash na equipa a longo prazo, não seria do seu interesse igualar a proposta que o point guard tinha em cima da mesa por parte dos Suns e, segundo fontes, a proposta de Dallas era quase 20 milhões de dólares inferior à que Nash recebera de Phoenix.

Citação

"I never dreamed we'd lose Nash, or any other player of his magnitude, (...) It's not like a trade where you get something back. There is no adjustment here. We lost a big part of our team and we don't have anything to fill it. It's a setback."

Dallas Mavericks’ Coach & GM Don Nelson – Associated Press, 1 de julho de 2004

 

Cuban iria, década e meia mais tarde, revelar que a decisão de não renovar a ligação com Steve Nash constituía o maior arrependimento que tinha nos seus vinte anos como dono do franchise de Dallas:

Citação

“That’s my biggest mistake ever. Not even close, my biggest mistake ever. He [Steve Nash] had been injured the year before and his minutes were declining, and our doctor was like, ‘He may have some issues.’ And coach [Don Nelson] was like, ‘He may have some issues.’ So we made him what we thought was a great offer, but then Phoenix came in and just beat that offer… Nash hated me for a long time because of it… We’re good now.”

Dallas Mavericks’ Owner Mark Cuban – The Rematch, 31 de outubro de 2020

 

Para Phoenix era um regresso ao passado, um franchise de onde Nash saíra depois de duas épocas desapontantes, tapado por Jason Kidd. Agora um all-star e um dos point guards de excelência na NBA, Steve Nash tinha a oportunidade de, pela primeira vez na sua carreira, ser o líder incontestado de uma equipa pela primeira vez na sua carreira.

Mas a equipa que o esperava no Arizona, agora com 30 anos e 8 épocas de NBA no resumo, nada tinha a ver com aquela que deixara e tanto Jason Kidd como o point guard que se lhe seguiria não mais estavam na equipa.

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Nas seis épocas que se passaram entre a saída e o posterior regresso de Steve Nash aos Suns a equipa de Phoenix teve um percurso basicamente oposto ao dos Dallas Mavericks com o seu novo base. Se em Dallas os Mavericks só na terceira época com Nash conseguiram pela primeira vez o apuramento para os playoffs, em Phoenix, foram as três primeiras épocas no pós-Nash a serem mais bem-sucedidas.

Na época reduzida a cinquenta jogos devido ao lockout os Suns foram competentes sem serem brilhantes, vencendo 27 jogos, mas caindo na primeira ronda dos playoffs. As duas épocas seguintes viram a equipa melhorar e eclipsar a sempre relevante barreira das cinquenta vitórias em ambas. Kidd teve médias de duplo-duplo em duas dessas três temporadas (sendo que na outra conseguiu umas bem respeitáveis 9.8 assistências por jogo), Shawn Marion veio reforçar a equipa para a temporada de 1999-2000, florescendo como estrela na sua época de sophomore em 2000-01, com médias de 17,3 pontos e 10,7 ressaltos por jogo, e a presença ou adição dos veteranos Penny Hardaway, Clifford Robinson e Vinny del Negro viriam dar teoricamente mais profundidade a esta equipa. Pareceu resultar na fase regular, mas nos playoffs a história seria outra, com vitória em apenas uma série nessas três temporadas.

Em 2001-2002, sentindo que o potencial da equipa era limitado (a trade absolutamente nada teve a ver com as alegações de violência doméstica contra Jason Kidd, nas quais eventualmente o point guard se iria pronunciar culpado), Phoenix decidiu trocar Jason Kidd para os New Jersey Nets, numa tentativa de reconstruir o seu plantel essencialmente à volta de Shawn Marion. De regresso, os Suns receberam um outro suposto franchise point guard, Stephon Marbury, três anos mais novo que Kidd, melhor scorer, mas que era visto em New Jersey como não sendo capaz de liderar uma equipa de playoffs.

Marbury, com Marion e, posteriormente o rookie Amar’e Stoudemire e o sophomore Joe Johnson voltaram a levar Phoenix até aos playoffs, apenas um ano apenas de ausência, mas os Suns voltaram a esbarrar num dos dois monstros do Oeste na primeira ronda, desta feita os San Antonio Spurs, em quatro jogos.

No ano seguinte, contudo, os Suns regrediram imenso, terminando com 29 vitórias e fora dos playoffs, numa época em que o rebuild não recomeçou, mas antes um retool teve lugar, com Marbury a ser trocado para os New York Knicks. Kidd primeiro, Marbury depois, conseguiram, em diferentes ocasiões, levar Phoenix aos playoffs, mas nos seis anos sem Nash, os Suns apenas uma vez venceram uma série de playoff. A solução foi então regressar a uma cara conhecida, com o filho pródigo Steve Nash a regressar à casa onde se tinha estreado. Mas este Steve Nash nada tinha a ver com aquele que abandonara Phoenix, no final da década passada.

 

8 de maio de 2005, America West Arena, Phoenix, Arizona

Em 2004-2005 Steve Nash regressou a casa. Do roster de Phoenix que enfrentou no seu retorno, nenhum jogador restava da sua anterior passagem, seis anos antes, e apenas os veteranos Bo Outlaw, Walter McCarthy e Jim Jackson jogavam sequer na NBA aquando do último jogo de Nash na sua primeira passagem pelos Suns.

Contudo, a grande mudança que Nash encontrou no seu regresso aos Suns não foi nos seus companheiros dentro de campo, mas antes em que estava logo fora do mesmo: Mike D’Antoni, Mr. Pringle, o obreiro dos Seven Seconds or Less Suns, que tinha em Nash, já habituado a comandar uma run and gun offense após a sua experiência com o chamado Nellie Ball em Dallas, o maestro perfeito para levar esta filosofia ofensiva ao seu expoente máximo.

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Não podia ter resultado melhor. Nash venceu o prémio de MVP em 2004-2005 com médias de 15.5 pontos e 11.5 assistências por jogo (liderado a liga) com uma eficácia superior a 50% de lançamentos de campo e de mais de 43% detrás da linha de três pontos. D’Antoni venceu também o prémio de treinador do ano na NBA após igualar os Suns de 1992-1993 com 62 vitórias e 20 derrotas, a melhor marca da história do franchise que apenas seria ultrapassada este ano, rumo ao primeiro lugar na fase regular não só na conferência Oeste, mas em toda a NBA, superando os San Antonio Spurs e os Miami Heat, ambos com 59 vitórias. Phoenix tinha quatro dos seus cinco starters com mais de 15 pontos por jogo e só não tinha todos os cinco porque Quentin Richardson terminou a época a um décimo de ponto por jogo apenas dessa marca. Para além do já referido MVP Steve Nash, Phoenix contava ainda com o All-NBA Shawn Marion no seu prime, um também All-NBA Amar’e Stoudemire que, na sua terceira época, teve uma média de 26 pontos por jogo, suficiente para ser o terceiro melhor marcador em toda a NBA nessa época, e ainda Joe Johnson, que marcou triplos a uns ridículos 47.3% de eficácia.

 

BROTHERS AT ARMS - THE 2005 WESTERN CONFERENCE SEMI-FINALS

 

20 de maio de 2005, American Airlines Center, Dallas, Texas

O verdadeiro teste, contudo, estaria nos playoffs, onde Phoenix procurava uma presença nas Finais da Conferência, ou mesmo nas NBA Finals, algo que lhes escapava também desde essa mesma época de 1992-1993 e, quem sabe, o primeiro título na história do franchise, tentando quebrar a hegemonia de Lakers e Spurs, dominadores da conferência Oeste na última década.

Phoenix não teve problemas em bater os Memphis Grizzlies na primeira ronda, com um sweep de 4-0, antes de marcar presença com os Dallas Mavericks, num tira-teimas certamente emocional para vários membros de ambas as equipas, mas especialmente para Steve Nash, ele que se sentira desvalorizado com a proposta de Dallas na offseason anterior, manifestamente mais baixa do que a que recebera de Phoenix, e para Mark Cuban, que tinha apostado “contra” Nash, só para ver o point guard a sair de Dallas para imediatamente vencer o MVP e levar Phoenix ao topo do Oeste.

Enquanto top seed os Suns tinham vantagem caseira ao longo dos playoffs e, consequentemente, abriam esta série com dois jogos caseiros. O primeiro jogo continuou a senda dominadora de Phoenix, tanto na fase regular como na anterior série contra Memphis, com os Suns, ajudados pelos 40 pontos e 16 ressaltos de Amar’e, bem como duplos-duplos também conseguidos por Shawn Marion e Steve Nash, a vencerem os Mavericks por uns confortáveis 25 pontos, 127-102. No segundo jogo, contudo, os Mavericks responderam desde o primeiro minuto e foram capazes de gerir a vantagem de dois dígitos que abriram no primeiro período até ao final do jogo, vencendo por apenas dois pontos, com Steve Nash a empatar o jogo a 106 a menos de meio minuto do final, apenas para ver Dirk Nowitzki congelar o jogo com um midrange jumpshot para dar a vitória a Dallas 108-106 e empatar a série.

Agora em Dallas, os Suns pagaram na mesma moeda e venceram facilmente o jogo 3, por 119-102, mesmo sem contarem com Joe Johsnon. Amar’e e Nash continuaram a semear terror com os seus pick and rolls, com o forward a amealhar 37 pontos, muito graças às 17 assistências de Steve Nash, complementadas com 27 pontos. O quarto jogo foi para Dallas, mesmo apesar dos 48 pontos que Nash marcou, transformando a série efetivamente num best of three.

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 No regresso da série a Phoenix, para o jogo cinco, os Mavericks pareciam bem encaminhados para tomar a liderança da série pela primeira vez. A perder por um à entrada do quarto período, Phoenix arrancou para uma run de 9-0 e nunca mais Dallas conseguiu chegar perto. Restavam então dois jogos de vitória obrigatória para os Mavericks, se queriam manter vivas as aspirações de avançarem até às finais da conferência.

Dallas arrancou melhor, chegando ao intervalo a vencer por nove pontos. Phoenix melhorou na segunda parte e, sobretudo, no quarto período, passando para a frente do jogo com um triplo de Steve Nash a exatamente um minuto do final da partida. Juwan Howard voltou a colocar os Mavs na frente e, depois de uma posse de bola que terminou num lançamento falhado de Shawn Marion, Dallas aumentou a vantagem para três pontos através de Dirk, na linha de lance livre.

Steve Nash mais uma vez chamou a si a responsabilidade e arrancou em penetração até ao cesto, tirou partido do mismatch com Dirk Nowitzki e ultrapassou o seu ex-companheiro de equipa para, com um layup, voltar a colocar os Suns a apenas um ponto. Falta rápida dos Suns, Jerry Stackhouse não tremeu da linha de lance livre e mais uma vez Phoenix estava a três de distância, com onze segundos e meio no relógio. Como não há duas sem três, foi mais uma vez Steve Nash a carregar a equipa de Phoenix, principalmente tendo em conta que este estava a ser, sem qualquer sombra de dúvida, o pior jogo de Amar’e Stoudemire na série, que acabou com o forward a cometer a sexta falta com um minuto e quarenta segundos no cronómetro, e, com os Suns a não usarem o desconto de tempo que lhes restava, rapidamente progrediu no campo e lançou novo triplo que caiu, levando o jogo a prolongamento, com 111-111 no final dos quatro períodos.

 

No overtime foi Marion e não Nash quem mais brilhou para Phoenix, com onze pontos contra os também bem relevantes sete do point guard. Marion que, relembre-se, foi o principal pagamento pela ida de Nash para Dallas, seis épocas antes. Com Dirk Nowitzki a acusar a pressão e o facto de, ao longo da série, ser a única verdadeiramente consistente arma ofensiva de Dallas, ao contrário de Phoenix que, maioritariamente via Amar’e Stoudemire, mas também com boas prestações de Shawn Marion e, quando disponível, Joe Johnson, conseguiu suplementar as prestações do MVP Nash, com os Suns a conseguirem anulá-lo, limitando-o a um ponto apenas em cinco lançamentos de campo, a vitória no jogo e na série caiu com normalidade para os Suns.

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THE AFTERMATH - KIDD, MARION, MAVERICKS WIN NBA CHAMPIONSHIP IN 2011

 

12 de junho de 2011, American Airlines Arena, Miami, Flórida

Este seria, contudo, o momento mais alto de Nash e dos Seven Seconds or Less Suns. Phoenix acabaria por perder sem grande resistência para os inevitáveis San Antonio Spurs, nas Finais do Oeste, em cinco jogos e, se é verdade que a época seguinte voltou a ser bem-sucedida na fase regular, com Steve Nash a vencer pelo segundo ano consecutivo o prémio de MVP da NBA, igualando Magic Johnson, que venceu o prémio nas épocas de 1988-1989 e 1989-1990, como únicos point guards na histórica a serem MVP’s em épocas consecutivas; e os Suns a apurarem-se novamente para os playoffs, embora desta vez apenas com a terceira seed, atrás de San Antonio e Dallas, quem mais.

Os playoffs começariam também de uma forma positiva para os Suns, eliminando os sempre perigosos LA Lakers de Kobe Bryant, em sete jogos, com Leandro Barbosa saindo do banco a ser o inesperado joker no decisivo jogo 7, e despachando depois, também em sete jogos a outra equipa de LA, os Clippers, para marcar um reencontro com Dallas, nas finais do Oeste. Desta vez o resultado seria o mesmo, não com os Suns a eliminarem novamente Dallas, mas antes no facto de a turma de Phoenix se ficar novamente pelas Finais da Conferência, perdendo para os Mavericks (que eventualmente seriam derrotados por Dwyane Wade e os Heat nas NBA Finals), em seis jogos.

Phoenix, com este core (menos Shawn Marion), voltaria eventualmente a atingir por uma outra ocasião as Finais do Oeste, em 2009-2010, esbarrando novamente nuns aparentemente intransponíveis San Antonio Spurs. Nesse verão, Stoudemire sairia para os Knicks e os Suns começariam uma longa travessia no deserto de uma década sem regressarem à postseason.

Estas duas equipas, Phoenix e Dallas, que pareciam até então tão equiparadas e relacionadas entre si, com jogadores a representarem, desde o final dos anos 90, os diversos lados da barricada, tiveram finais diametralmente opostos. Na época seguinte, quando Phoenix, já sem Marion, Mike D’Antoni e Stoudemire, com Nash ccomo último memento dos anos em que revolucionaram o basquetebol e foram verdadeiros contenders no Oeste, regrediu para um recorde de 40-42, precisamente o mesmo que haviam alcançado na época anterior ao regresso de Steve Nash, viu Dallas a conquistar o tão desejado título frente aos Miami Heat, a superequipa de LeBron, Wade e Bosh, com um par de velhos conhecidos do franchise de Arizona a serem  instrumentais em darem a Dirk Nowitzki o apoio necessário para levantar o troféu Larry O’Brien: Jason Kidd como point guard e Shawn Marion como excelente defensor e arma letal de três pontos, verdadeiramente uma faca espetada e posteriormente torcida nas costas dos adeptos dos Suns.

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No final, dos seis principais envolvidos nesta matrioska de negociações entre Suns e Mavericks, os únicos dois a não vencerem um anel foram precisamente aqueles que por último representaram Phoenix (ou no caso de Amar’e, não representando Dallas de todo).

A noite de ontem, com o sétimo jogo das Semi-Finais de Oeste entre Mavericks e Suns, a primeira vez que ambas as equipas se encontraram na postseason desde estas confrontos em épocas consecutivas em 2005 e 2006, com Jason Kidd, um destes seis, novamente envolvido, certamente nada fez para acalmar os adeptos de Phoenix relativamente a estes fantasmas do passado.

Editado por Carson Wentz
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O próximo está no forno, sai algures esta semana.

Envolve quatro desportos, cinco ligas, equipas que mudaram de nome, equipas que mudaram de cidade, equipas que mudaram de liga e até equipas que já não existem, num dos jogos provavelmente mais inconsequentes que me podia lembrar para escrever sobre. Pensavam que estes artigos não interessavam a ninguém? Ainda não viram nada.

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WEIRD BOXSCORES

#03 - Utah Stars @ New York Nets, 21/10/1973

The Super Sports Equinox

 

THEY EVEN TOOK OUR SPORTS! - EFFECTS OF THE PANDEMIC IN SPORTS

 

30 de julho de 2020, ESPN Wide World of Sports Complex, Bay Lake, Florida

A pandemia de SARS-CoV-2 afetou (e continua a afetar) de forma drástica o dia-a-dia da população global de forma sem precedentes e nem aquele que costuma ser o escape de eleição para os problemas da “vida real” ficou imune, com o mundo desportivo a ver-se a braços com um problema sem soluções perfeitas e com um calendário próprio, que não se compadecia com as rígidas estruturas temporais do desporto norte-americano. A 11 de março de 2020, a NBA foi a primeira liga profissional a interromper a competição devido à pandemia e, de certa forma, foi para muita gente o clique principal para ajudar a perceber que o problema com que nos deparávamos era realmente sério, depois de décadas de avisos a soar a histórias do Pedro e o lobo, com a gripe A, a gripe das aves, o Ébola, entre muitas outras que, de uma forma irónica, nos dessensibilizaram e nos fizeram assumir uma postura manifestamente relaxada perante uma potencial ameaça pandémica.

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A interrupção da NBA foi a primeira mas, infelizmente, não a única alteração ao habitual funcionamento das competições desportivas à escala global e, de entre a vasta panóplia de consequências, complicações e adaptações às quais a pandemia obrigou, uma mera curiosidade histórica e estatística que, na realidade, tem um impacto basicamente nulo no esquema global das competições, também ocorreu e é nela que nos vamos focar neste artigo: com a alteração dos calendários competitivos de forma a retomar, de forma mais segura e sustentável possível, o funcionamento das diferentes ligas, uma obscura tradição desportiva norte-americana estava prestes a ser alterada.

 

10 de setembro de 2020, Arrowhead Stadium, Kansas City Missouri

Das três maiores ligas desportivas norte-americanas, a NFL (National Football League) foi a única a não ter alterações de maior ao seu funcionamento devido à pandemia de COVID-19, pelo menos no que à sua calendarização diz respeito. Com a liga a estar normalmente em pausa entre o início de fevereiro e o início de setembro, a NFL evitou a primeira vaga da pandemia e as ondas de choque que esta causou.

O mesmo não pode, contudo, ser dito sobre os três grandes desportos no continente norte-americano. Assumo que, na sua grande maioria, os fãs da NBA, que normalmente frequentam esta secção do fórum, estão bastante familiarizados com a suspensão da temporada 2019/20 e com toda a polémica instalada em torno das declarações e ações de Rudy Gobert, poste francês dos Utah Jazz. A NHL, liga de hóquei no gelo, viu a sua temporada interrompida e, posteriormente recomeçada, em moldes similares aos da NBA: ambas as ligas foram interrompidas em meados de março de 2020 (a NBA um dia antes da NHL) e ambas acabariam por retomar a sua atividade, em pleno verão, época do ano em que ambas as ligas estariam no seu processo de offseason, facto que acabou por trazer consequências não só na temporada em causa, mas também na temporada seguinte.

A NBA retomou a atividade a 30 de julho de 2020, na famosa bolha de Orlando, com vinte e duas equipas (nove da conferência Este e treze da conferência Oeste) a realizarem mais oito jogos de seeding, trazendo estas vinte e duas equipas para um total entre 71 e 75 jogos realizados, com a percentagem de vitórias a definir os apurados e o emparelhamento para os playoffs, que seriam disputados de seguida, também em Orlando.

A NHL, por seu lado, adoptou um formato que, sendo similar na sua visão mais alargada, trazia algumas diferenças significativas.

Não iriam ser realizados mais jogos da fase regular, com a percentagem de vitórias nos jogos realizados até 12 de março de 2020, data de interrupção da atividade da liga, a ser o fator determinante para o escalonamento das diferentes equipas de playoff. Mais ainda, as equipas teriam uma série de jogos amigáveis para voltar a ambientar os seus atletas ao necessário ritmo competitivo após a sua inclusão nas bolhas; E finalmente, falando de bolhas, a NHL optou por um modelo ligeiramente diferente do da NBA, tendo não uma mas duas bolhas, ambas no Canadá (Toronto e Edmonton), com cada arena a acolher os jogos de uma das conferências e com Edmonton a acolher também as meias-finais e Final dos playoffs.

A liga norte-americana de baseball não viu a sua temporada ser interrompida, como aconteceu com a NBA ou a NHL, mas acabou por ser também afetada de forma severa com a redução de jogos. A temporada regular na MLB começa normalmente no mês de março, precisamente o período onde a disseminação global do vírus se efetivou. Assim sendo, a fase regular da MLB que normalmente se disputa nuns quase inconcebíveis 162 jogos, foi reduzida para consideravelmente menos de metade, 60 jogos, que, apesar de permitirem terminar a temporada dentro dos timings normais, apenas se começaram a disputar apenas no final de julho.

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Assim, com o baseball em normal funcionamento para a ponta final da sua temporada, com a NHL e a NBA a verem a sua atividade estendida para o final do Verão/início do Outono e com a NFL a oficialmente inaugurar a sua temporada a 10 de setembro, existiu um período de quase três semanas onde todas as maiores ligas do desporto norte-americano estavam em ação, algo que, mesmo não parecendo ser um espaço temporal assim tão alargado, é consideravelmente diferente daquilo que era habitual antes da pandemia.

 

WHAT ARE THE ODDS? - THE SUPER SPORTS EQUINOX

 

31 de outubro de 2021, Fiserv Forum, Milwaukee, Wisconsin

Os desportos norte-americanos têm uma série de curiosidades estatísticas mais ou menos obscuras que lhes estão associadas. No futebol americano os scorigami são seguidos de forma entusiástica; Na NHL são registados hat-tricks como no futebol, mas existe um hat-trick em particular que define com perfeição aquilo que é o espírito do hóquei no gelo: o chamado Gordie Howe hat-trick que consiste num golo, uma assistência e uma luta no mesmo jogo (chamado assim apesar de Gordie Howe apenas o ter completado um par de vezes nas 26 épocas da sua carreira); No baseball, o mítico perfect game é um dos pilares da excelência no desporto, mas existem curiosidades estatísticas ainda mais interessantes, como o quase místico natural cycle alcançado por apenas 15 vezes nos quase 150 anos da liga e que não acontece desde 2006; Neste aspeto o basquetebol acaba por ser o parente pobre: triplos-duplos são demasiado comuns, principalmente no ambiente atual da NBA e o mais próximo que podemos considerar talvez seja o mítico 5x5 – algo que aconteceu três vezes desde 2015 mas que não me lembro de ser motivo de grande destaque à época.


Existe, contudo, uma curiosidade estatística muito mais rara que qualquer uma destas curiosidades associadas a cada um destes desportos, uma que ocorreu por apenas três vezes na história do desporto norte-americano pré-pandemia: o Super Sports Equinox. Mas, antes de avançarmos para a versão “em esteroides” deste fenómeno, vejamos primeiro o que é um Sports Equinox.

 

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O Sports Equinox é um dia em que pelo menos um jogo profissional de cada um dos quatro maiores desportos norte-americanos ocorre. A última vez que tal aconteceu foi a 31 de outubro de 2021 com, entre outros, um brilhante jogo dos Jazz em Milwaukee, vencendo os campeões em título Milwaukee Bucks por 107-95. Para além desta partida, ocorreram ainda mais quatro jogos na NBA, outros cinco jogos da NHL, os habituais catorze jogos de domingo da NFL e ainda o 5º e penúltimo jogo da World Series no baseball entre Houston Astros e Atlanta Braves, com a equipa da Georgia a vencer o troféu dois dias depois.

Futebol americano e baseball que são os dois principais desportos que definem a existência ou não de um Sports Equinox. Tanto a NBA como a NHL vêm a sua fase regular ocorrer em períodos similares, começando em outubro (mais próximo do início do mês para o hóquei, normalmente já quase em novembro para o basketball) e, assim sendo, basicamente todos os dias vêm ocorrer uma série de jogos destas duas ligas. O mesmo, contudo, não pode ser dito sobre as outras duas ligas.

Começando pelo futebol americano e a NFL, o que esta liga traz de raridade para a questão do Sports Equinox não se prende tanto com o período do ano em que os seus jogos ocorrem (com a fase regular bem no seu miolo aquando do início da NBA e NHL), mas antes com os dias da semana em que os jogos da NFL se disputam. Domingo é rei para o futebol americano e, salvo raríssimas exceções, normalmente reservadas para a ponta final da época, o dia de Ação de Graças e, posteriormente, os playoffs, apenas dois jogos por semana ocorrem fora do habitual domingo: um à quinta-feira que abre a jornada e outro à segunda-feira para a fechar. Assim sendo, mais de metade dos dias em que um Sports Equinox poderia ocorrer (terça-feira, quarta-feira, sexta-feira e sábado) são desde logo postos de parte.

Mas embora a NFL seja um entrave nesta questão, o verdadeiro problema está no baseball e na MLB que, no final de outubro, se encontram já numa fase bem avançada da postseason, a grande maioria das vezes (ao contrário do que aconteceu em 2021) já na sua grande final para definir o campeão, a chamada World Series. Assim, com apenas duas equipas em competição e com alguns dias onde não se disputam jogos, para que um Sports Equinox ocorra é preciso primeiro que seja uma quinta-feira, domingo ou segunda-feira onde ocorra um jogo das World Series, durante o período de dez a quinze dias nos quais a época da NBA se encontra no seu arranque.

É, na verdade, algo que, sendo de registar, acabar por ocorrer regularmente, neste ano que passou, muito devido a alterações que a pandemia trouxe nos calendários competitivos e que, ainda que de forma menos pronunciada, se fizeram sentir também na época 2021/22, ocorreu por duas vezes, não só no já referido dia de Halloween, mas também dez dias antes, a 21 de outubro. Antes da pandemia, contudo, esta curiosidade estatística ocorrera menos de vinte vezes na história do desporto americano. Mas há algo que ultrapassa de forma clara a raridade e significância estatística do Sports Equinox, pelo menos para a cidade ou estado em causa: o Super Sports Equinox: quando equipas da mesma cidade (ou estado) estão envolvidas em jogos de todos os quatro diferentes desportos no mesmo dia!

Existe um variado conjunto de fatores que faz com que o Super Sports Equinox seja uma raridade tão grande, mas talvez o mais restritivo de todos se prenda com o facto de, na época do ano em que este pode ocorrer, altura em que se joga a World Series de baseball, apenas duas equipas se mantenham em competição, com um jogo apenas a ocorrer. Assim, das trinta equipas que participam na MLB, no final de outubro apenas duas ainda continuam no ativo, dividindo logo em quinze a probabilidade de uma cidade ter a sua equipa ainda em competição.

Para além disso, a verdade é que nem todas as cidades têm representação em todos os desportos. Existem atualmente quarenta e nove cidades/regiões que acolhem pelo menos uma equipa desportiva de uma destas ligas, mas isto não significa, como é óbvio, que todas estas cidades possam fazer parte de um Super Sports Equinox. Ora vejamos:

  • Comecemos pelo fator mais abrangente – a NFL é a única das quatro principais ligas norte-americanas que é composta exclusivamente por equipas dos Estados Unidos. Eliminamos assim desde logo todas as cidades canadianas desta lista, com Toronto à cabeça, representada nos três restantes desportos. Para além disso, sete das trinta duas equipas da NHL (incluindo Toronto) estão sediadas no Canadá, o que faz com que, desde logo, 7 das 49 possíveis cidades estejam fora da equação;
  • Das 42 cidades que restam, há 11 que são anfitriãs de apenas uma equipa profissional destas quatro ligas, trazendo o total de cidades elegíveis para já para 31. Neste capítulo, o basketball lidera, mas apenas porque já excluímos o hóquei no gelo, com seis equipas canadianas a serem as únicas da sua cidade, juntando-se ainda, a sul da fronteira, os Columbus Blue Jackets, New Jersey Devils e San Jose Sharks, para um total de nove cidades exclusivas da NHL. No basket há seis cidades onde a única equipa nas ligas profissionais joga na NBA (Oklahoma City, Orlando, Portland, Sacramento, San Antonio e Utah) e tanto o football como o baseball contribuem com apenas uma equipa cada (Jacksonville Jaguars e San Diego Padres, respetivamente);

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  • Existe ainda um total de nove cidades que são sede de equipas em dois desportos: Indianapolis e New Orleans têm equipas na NBA e NFL; Buffalo e Las Vegas na NHL e NFL; Anaheim e St. Louis estão presentes na NHL e MLB; e, finalmente são três as cidades que têm uma equipa na MLB e outra na NFL – Baltimore, Cincinnati e Kansas City. Assim sendo, vemos o total de cidades possivelmente presentes num Super Sports Equinox descer para 22 apenas;
  • Das restantes vinte e duas cidades, todas estão representadas no futebol americano, sendo a falta de um dos outros três desportos o fator responsável por tirar estas equipas da lista. Neste aspeto em particular, o baseball é o desporto que menos contribui, com apenas duas cidades a terem equipas em todas as ligas menos na MLB, Carolina/Charlotte e Tennessee (que tendo designações de cidades diferentes, Memphis Grizzlies, Nashville Predators e Tennessee Titans, acabam todas por representar o mesmo estado). A NBA falha a presença em três cidades: Pittsburgh, Tampa Bay e, desde 2008 com a mudança dos Sonics para Oklahoma City, Seattle. Finalmente, são cinco as cidades cuja falta de representação na NHL as tira da lista de potenciais participantes no Super Sports Equinox. São elas Atlanta (que chegaram a ter os Atlanta Flames entre 1972 e 1980, até estes se moverem para Calgary e, depois disso, os Atlanta Trashers entre 1999 e 2011), Cleveland, Houston, Milwaukee (os Green Bay Packers representam o estado do Wisconsin na NFL) e San Francisco/Oakland, que curiosamente, com Giants e A’s tem dois representantes na MLB;
  • Está assim encontrado o grupo final de doze cidades/regiões cuja presença num Super Sports Equinox é possível. Dentre estas, dão-se até ao luxo de ter mais do que uma equipa em alguns desportos, sem grande surpresa as grandes metrópoles norte-americanas: New York (com duas equipas em cada um dos desportos); Los Angeles (que com Clippers e Lakers na NBA, e recentemente Rams e Chargers na NFL, depois de uma década sem representação no futebol americano) e Chicago (que tem no baseball tanto os Chicago Cubs como os Chicago White Sox);

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Ao longo da história do desporto norte-americano, foram três as vezes que tal Super Sports Equinox aconteceu e todos eles têm uma história única e bastante peculiar.

 

WHEN MORE IS LESS - THREE HEART-BREAKING WINS FOR LOS ANGELES

 

28 de outubro de 2018, Dodger Stadium, Los Angeles, Califórnia

A minha relação com a matemática faz-me lembrar em muito a do meu pai com o mar. Ambos temos fascínio e admiração por ambos, mas apesar disso ambos temos as nossas limitações: para o meu pai estas passam por boiar na água e pouco mais, sem nunca se atrever a tentar algo que possa ser classificado como nadar; para mim a relação com a matemática esbarra com a barreira psicológica em que as equações passam a ser de segundo grau. Visto de fora pode ser encarado como medo, eu prefiro chamar-lhe respeito. Ainda assim, este “medo” da matemática não é infundado, lembro-me perfeitamente de, quando catraio a dar os primeiros passos no mundo da adição, de questionar o porquê de a minha professora dizer que a matemática era uma lei imutável e que 1+1 é sempre 2, quando eu sabia perfeitamente que um homem e uma mulher adicionados podia perfeitamente resultar numa casa com 12 pessoas (para mais questões ver a minha família materna).

Os fãs de Los Angeles provavelmente tiveram uma relação similar com a matemática ao seu nível mais elementar no fatídico domingo, 28 de outubro de 2018 já que, apesar das suas equipas terem na generalidade um saldo positivo de três vitórias e uma derrota, a verdade é que seria difícil descortinar, no dia que se seguiu, uma opinião globalmente positiva sobre os resultados desportivos das equipas de Los Angeles.

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No Staples Center os Clippers que, pouco mais de um ano antes tinham visto sair Chris Paul, começavam agora verdadeiramente no passado a espinha dorsal da equipa que ficara, na primeira metade da década conhecida como Lob City , com Blake Griffin e DeAndre Jordan, os dois outros pilares desta era em que, pela primeira vez na história, os Clippers eram a equipa de cartaz em Los Angeles. Neste que era o sétimo jogo da temporada, os Clippers não tiveram qualquer problema em vencer os Wizards por 136-104, num jogo marcado por nove jogadores a atingirem pelo menos a dezena de pontos.

No mesmo Staples Center, exatamente seis horas antes do começo do jogo dos Clippers, o piso do pavilhão estava ligeiramente mais escorregadio, já que era o gelo a superfície de jogo (continuo maravilhado pela logística de, no espaço de seis horas, realizar um jogo de hóquei no gelo, fazer sair os espetadores do mesmo e fazer entrar aqueles que vêm para ver um jogo de basket e trocar o layout do pavilhão a tempo de um jogo e basket se realizar) entre os LA Kings e os New York Rangers. Os Kings viviam à época uma situação bastante semelhante à dos Clippers já que, após um período alto no início da década (com mais sucesso ainda que os Clippers, já que venceram mesmo títulos em 2012 e 2014), se encontravam agora num período de rebuilding ou retooling e que iria durar até à atualidade, já que esta época de 2021-22 foi a primeira em que regressaram aos playoffs em cinco anos. Nessa tarde de outubro, contudo, um pequeno brilho dos velhos Kings surgiu, com uma vitória por 4-3 frente aos Rangers, com três dos quatro golos apontados por jogadores que haviam sido campeões por duas vezes em LA e o outro conseguido por Ilya Kovalchuk, outrora uma super-estrela na qual o front office dos Kings apostou (em hindsight sem grande sucesso) para tentar revitalizar os Kings e estender a sua janela de contenção.

Na NFL os Rams encontravam-se numa posição oposta, de início de ciclo ao invés de fim como os Clippers ou Kings. Regressados a Los Angeles depois de um período de vinte e uma épocas em St. Louis, os Rams haviam regressado a LA em 2016 e, logo no seu segundo ano na Califórnia, regressaram aos playoffs depois de um longo interregno de doze épocas. Liderados por Sean McVay, os Rams chegavam a este Sports Equinox ainda invictos na época e assim continuaram, vencendo os Green Bay Packers por 29-27 para alcançarem um recorde de 8-0 que, no final do ano, os iria levar até ao Super Bowl.

Finalmente, o baseball… Se Clippers, Kings e Rams estavam em pleno momento de mudança de maré, os Dodgers por seu turno continuavam a sua senda de contention, algo normal num desporto em que, mais ainda que nos restantes, devido à ausência de um salary cap, o poderio financeiro que um mercado como o de Los Angeles potencia acaba por ser determinante para a valia da equipa e do seu plantel. Assim, em outubro de 2018, os Dodgers viam-se presentes naquela que era a sua segunda World Series consecutiva. Depois de terem sido derrotados pelos Houston Astros em sete jogos na época anterior (derrota extremamente controversa devido ao escândalo que envolveu a equipa de Houston e um dos maiores escândalos desportivos em mais de duas décadas nos Estados Unidos – o único comparável será, novamente relacionado com baseball e o uso de PED’s de forma generalizada no final dos anos 90), os Dodgers viam-se agora frente a frente com os Boston Red Sox. As World Series de baseball realizam-se, tal como acontece na NBA ou na NHL, à melhor de 7 jogos, embora com um formato ligeiramente distinto: a equipa com melhor recorde abre a série com dois jogos caseiros, disputando depois três jogos consecutivos fora de casa antes de fechar a série, se necessário com os jogos 6 e 7 novamente no seu estádio. Em 2018, os Red Sox tiveram o melhor registo e, com isso, aproveitaram os dois jogos iniciais em Boston para se adiantarem por 2-0 nas World Series. Na Califórnia o jogo 3 foi absolutamente épico (ou estupidamente aborrecido, dependendo da opinião que cada um tem do desporto que é o baseball) e, tendo começado às 17:10, hora local, terminou já no dia seguinte, meia hora depois da meia-noite, com os Dodgers a finalmente vencerem por 3-2. Menos de 16 horas depois as equipas encontraram-se para o jogo 4 que pendeu para Boston.

Assim, no fatídico domingo 28 de outubro, os Dodgers precisavam de uma vitória para se manterem vivos e impedir os Red Sox de vencerem as World Series. Se os jogos dos restantes desportos pareciam um bom prenúncio para a equipa de Los Angeles, rapidamente se percebeu que a tendência não continuaria, com os Dodgers a perderem 5-1 e a saírem derrotados pelo segundo ano consecutivo. Los Angeles acabaria mesmo por atingir o tão desejado título em 2020 mas, naquela noite de 2018, três vitórias não foram, nem de perto nem de longe, suficientes para minimizar a devastadora única derrota do dia.

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WHEN LESS IS MORE - DIAMONDBACKS WIN THE 2001 WORLD SERIES

 

4 de novembro de 2001, Bank One Ballpark, Phoenix, Arizona

Como já explicado anteriormente, o Super Sports Equinox é uma curiosidade estatística extremamente improvável de ocorrer, mas o que as equipas de Arizona alcançaram a 4 de novembro de 2001 é ainda mais histórico por três motivos. Primeiro porque as outras duas únicas ocasiões na história em que um Super Sports Equinox ocorreu envolveram cidades que têm mais que uma equipa a participar em cada liga (no caso de Los Angeles no basquetebol e futebol americano e, no caso de Nova Iorque, de que falaremos mais à frente, em todos os quatro desportos). Assim sendo, mais do que quatro equipas participantes, Arizona precisava que todas as suas equipas fossem a jogo para que um Super Sports Equinox ocorresse. O segundo motivo tem a ver com o facto de todas as quatro equipas terem feito os seus jogos em casa. E finalmente, o terceiro e último motivo que faz deste dia em novembro de 2001 ainda mais especial, principalmente para os fãs de equipas do Arizona, é que foi o único Super Sports Equinox a resultar num título para a cidade em causa, com os Arizona Diamondbacks a venceram a sua primeira (e única) World Series, naquela que era apenas a quarta época do franchise.

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Com Randy Johnson e Curt Schilling, pitchers dos Diamondbacks a dividirem as honras de World Series MVP’s (um facto também ele inédito, já que foi apenas a segunda vez na história onde o troféu não foi atribuído a um só jogador, feito que repetiu o que acontecera com os LA Dodgers em 1981), os Diamondbacks levaram a melhor no decisivo jogo 7 frente aos todos-poderosos New York Yankees, tri-campeões em títulos e quatro vezes campeões nas últimas cinco temporadas.

Nos restantes jogos envolvendo equipas do Arizona, os resultados foram diferentes em todos os três desportos, com derrotas para os Suns no basquetebol (103-100 frente aos Rockets, graças a um buzzer-beater de Moochie Norris), os Coyotes no hóquei no gelo (mais uma derrota no cair do pano, com os Carolina Hurricanes a precisarem de OT para vencerem por 1-0) e, finalmente, no futebol americano (com os Cardinals, no jogo com menos história do dia, a capitularem frente aos Philadelphia Eagles por 21-7).

Se uma derrota apenas estragou por completo a celebração de Los Angeles em 2018, dezassete anos antes, uma vitória apenas foi o suficiente para trazer para o Arizona aquele que é, até este dia, o único título de um dos quatro principais desportos norte-americanos para o deserto.

 

DR. J SAVES THE DAY - NETS SAVE NEW YORK FROM WORST DAY IN SPORTS HISTORY

 

21 de outubro de 1973, Nassau Veterans Memorial Coliseum, Uniondale, New York

Para analisar o terceiro e último Super Sports Equinox (último neste artigo, cronologicamente foi a primeira ocasião em que este aconteceu) precisamos de recuar quase meio-século, até ao dia 21 de outubro de 1973.

Se atualmente temos doze cidades com representação nos quatro maiores desportos norte-americanos, o mesmo não podia ser dito em 1973. As ligas profissionais norte-americanas, embora já não propriamente em completa revolução época a época como havia acontecido no pós-guerra, não tinham ainda a dimensão que têm hoje, nem em termos mediáticos nem relativamente ao número de equipas presentes em cada liga. No futebol americano eram 26 as equipas presentes e não as atuais 30; no baseball, o desporto cuja origem remonta ao século XVIII, ao contrário dos restantes, era ainda apesar disso menos expansivo do que atualmente, com 24 equipas ao invés das atuais 30; na NHL o número de equipas era apenas metade do que temos atualmente, 16 contra 32; e, finalmente, no basquetebol, mesmo somando os participantes das duas ligas que à altura competiam entre si, a NBA e a ABA, apenas atingimos as 27 equipas, menos três do que as que temos hoje em dia.

Assim, não é de admirar que o já bastante difícil nos dias de hoje Super Sports Equinox, fosse ainda mais improvável a meio da década de 70: cidades/estados que atualmente têm condições para completar o Super Sports Equinox não o tinham na altura, trazendo o atual número de doze cidades possíveis para apenas seis: Boston, Chicago, Detroit, New York, Philadelphia ou Los Angeles. Assim, torna-se ainda mais impensável o facto de o primeiro dos três Super Sports Equinox ter sido aquele que mais equipas envolveu, com seis equipas de New York a entrarem em ação no mesmo dia.

Começando pela NFL, ambas as equipas da cidade, os Giants e os Jets, estiveram em ação, ambas perdendo os seus jogos do dia. Os Giants que haviam começado a época com uma vitória frente aos Houston Oilers e um empate frente aos seus rivais Philadelphia Eagles, entrarem numa série de sete derrotas consecutivas, uma deles a fazer parte deste Super Sports Equinox, numa embaraçosa exibição frente aos Dallas Cowboys na qual perderam por 45-28, numa época onde terminaram em último na NFC East com um péssimo registo de 2-11-1. Os Jets não conseguiram muito melhor e, se a 21 de outubro de 1973 uma vitória os traria de volta a um registo de .500, tal não aconteceu, ao perderem por 26-14 contra os Pittsburgh Steelers, naquele que era o sexto jogo de uma série de seis jogos fora para começar a temporada. Apesar de terem sete dos seus últimos oito jogos em casa para terminar a época, os NY Jets nunca conseguiram recuperar, terminando a temporada em igualdade com os Baltimore Colts no fundo da AFC East com um recorde de 4-10.

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No hóquei no gelo foram também duas as equipas de New York a entrar em ação. Em casa, os New York Rangers defrontaram os Montreal Canadiens, com a equipa canadiana a levar a melhor por 3-2. Ainda assim, no cômputo geral da época, os Rangers acabaram por levar a melhor frente aos Habs, já que iriam eventualmente sair vencedores nos playoffs na série que as equipas disputaram, antes de eventualmente caírem frente aos Broad Street Bullies de Philadelphia. Já os New York Islanders deslocaram-se nessa tarde de outubro a Chicago para defrontarem os Blackhawks, numa época em que os Islanders venceriam apenas 19 dos 78 jogos que disputaram. O jogo em Chicago não foi um desses dezanove, mas pelo menos não resultou em derrota, com Blackhawks e Islanders a empatarem a partida, facto que, ainda assim, manteve as equipas de New York sem qualquer vitória conquistada neste Super Sports Equinox, o primeiro da história. Contudo, o pior ainda estava para vir.

Nas World Series de 1973, depois de estarem à frente 3 jogos contra 2, os New York Mets tinham visto, na véspera, os Oakland Athletics vencerem e forçarem jogo 7, novamente no Oakland Coliseum. No terceiro inning os A’s marcaram três runs, abrindo o jogo por completo, eventualmente resultando em mais uma derrota para as equipas de New York, esta claramente a mais marcante, fazendo com que os Mets perdessem a hipótese de reconquistarem uma World Series, quatro anos após o terem feito naquela que havia sido a sua primeira presença na postseason (curiosamente, o franchise fundado em 1962 chegou sempre às World Series nas três primeiras vezes em que conseguiu o apuramento para os playoffs, vencendo mesmo duas delas e, desde então, nunca mais reconquistarem o título, numa seca que já dura há mais de trinta e cinco anos).

Restava apenas o basketball para fazer com que aquele que, ainda assim, é o pior dia da história desportiva de uma cidade não se tornasse ainda mais negro. Mas não foram os Knicks, um dos franchises com mais história na NBA a fazê-lo. A NBA não esteve sequer envolvida neste Super Sports Equinox. A tarefa de salvar a honra da Big Apple nesta tarde de Outono esteve entregue aos New York Nets da ABA e àquele que foi a figura de proa desta liga, Julius Erving.

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Não deixa de ser irónico que a equipa a salvar New York de um dia sem vitórias em seis jogos pertencia a uma liga que já não existe, frente a um adversário que já não existe, e iria passar grande parte das décadas seguintes em New Jersey, antes de regressar a New York, mas, ainda assim, sem o nome da cidade de onde originaram, preferindo a designação Brooklyn Nets.

A ABA durou dez temporadas, entre 1967 e 1976 e, apesar de, no final de contas, ter capitulado, com alguns dos seus franchises mais icónicos, entre os quais se incluem os Nets, a serem absorvidos pela NBA. Apesar disso, o legado deixado pela ABA é sentido ainda hoje, com a liga a focar-se no aspeto mais espetacular do basket, com os afundanços a serem popularizados precisamente por Julius Erving, o tão famoso Dr. J, e com a introdução do lançamento de três pontos que agora, quase meio século depois, é um dos principais fatores de diferenciação na NBA.

Em 1973-74, os Nets iriam ultimamente acabar por vencer o seu primeiro título de campeões da ABA, fazendo-o precisamente ao vencerem por 4-1 nas Finals a equipa que fora também sua adversária neste Super Sports Equinox, os Utah Stars, feito que repetiriam em 1975-76, o último ano de existência da liga, antes de serem posteriormente anexados pela NBA e não voltarem a conquistar qualquer anel até aos dias de hoje.

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Nessa tarde de outubro, como tão regularmente acontecera com estes Nets, foi Dr. J a grande estrela, marcando 33 pontos em 22 lançamentos, conquistando 11 ressaltos e acertando o único triplo da equipa de New York no jogo. Ainda assim, dos restantes dez jogadores, apenas três deles não tiveram, seja depois ou antes (no caso de Bill Melchionni) na NBA, mas nunca nenhum deles vestiu a camisola dos Nets fora da ABA, algo que se passou também com Julius Erving, a grande figura não só dos Nets mas de toda a ABA e que, nos dias de hoje, é associado primeiramente aos Philadelphia 76’ers, franchise no qual a sua camisola número 6 foi retirada.

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