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Um mergulho na montanha mais alta da Europa Ocidental, que fica no fundo do mar do Algarve

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Um mergulho na montanha mais alta da Europa Ocidental, que fica no fundo do mar do Algarve

O Expresso esteve cinco dias no Atlântico, a bordo do navio “Santa Maria Manuela”, o mítico ex-bacalhoeiro de quatro mastros, e acompanhou a maior expedição feita no monte submarino Gorringe, a montanha mais alta da Europa Ocidental

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Durante dois dias com o veleiro fundeado à frente de Portimão e vista para os prédios da Praia da Rocha — um alerta de mau tempo obrigara à vinda para perto da costa, num regresso feito de encontrões, pratos a tombar e alguns enjoos causados por ondas de quatro metros —, desesperou-se pela autorização do comandante para nova partida. É estranho estar tantas horas dentro de um barco e ele não ir para lado nenhum. “É estranho estar dentro de um barco e não entrar dentro de água”, contrapunha Joaquim Parrinha, um dos experientes mergulhadores ao serviço da expedição. A âncora acabou por ser levantada numa sexta-feira à noite e mais de 30 horas depois, ainda com alguns balanços a dificultarem a dormida, o “Santa Maria Manuela” (“SMM”) conseguiu chegar, de novo, ao banco de Gorringe.

Imagine uma montanha de cinco mil metros que não se vê, com encostas sem neve, mas cobertas de florestas de algas, corais, esponjas e outros animais; que não se escala, mas que se explora em mergulhos, envolta num azul forte e cristalino e só alcançável após várias horas de barco pelo oceano Atlântico. Quando lá se chega, a 120 milhas a sudoeste da ponta de Sagres (cerca de 220 km da costa), não há nada que assinale que, a poucos metros abaixo de nós, se ergue a montanha mais alta de toda a Europa Ocidental, com 200 quilómetros de comprimento, 80 de largura e elevando-se mais alto do que o Monte Branco nos Alpes Franceses ou que o Pico e a serra da Estrela se fossem colocados em cima um do outro.

Localizado na Zona Económica Exclusiva de Portugal Continental, o Gorringe é uma espécie de tesouro submarino pouco conhecido que, embora tenha sido incluído na Rede Natura 2000, e como tal identificado como um importante ecossistema cuja biodiversidade única deve ser protegida, continua à mercê de atividades de exploração pouco ou nada reguladas.

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BANCO DE GORRINGE

A 120 milhas a sudoeste da ponta de Sagres (cerca de 220 quilómetros da costa) ergue-se a montanha mais alta de toda a Europa Ocidental, com profundidades que vão até 5000 metros, 200 quilómetros de comprimento e 80 quilómetros de largura

Ajudar à sua classificação como Área Marinha Protegida, com um plano de gestão e interdições para aquela área do oceano Atlântico, é um dos objetivos concretos da expedição que, durante 21 dias, juntou cientistas e mergulhadores a bordo do veleiro “Santa Maria Manuela”. Construído em 1937 nos estaleiros da Companhia União Fabril (CUF), ao mesmo tempo que o “Creoula”, o seu navio gémeo, o inconfundível veleiro de quatro mastros, casco branco e mais de 60 metros de comprimento esteve durante anos ao serviço das campanhas portuguesas de pesca de bacalhau nos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. Agora, além de viagens particulares de lazer e treino de vela e de mar, ajuda a rea­lizar missões destinadas a salvar espécies e manter a biodiversidade ameaçada, como acontece no banco de Gorringe.

Ao leme da expedição está a Fundação Oceano Azul. Mas a bordo estão especialistas de 14 centros de investigação dedicados ao mar, do Porto ao Algarve, passando pelos Açores, Austrália e Califórnia, numa união científica pouco comum. Debaixo de água, com mergulhadores e aparelhos a serem submergidos para fotografar, filmar, captar sons de animais e recolher amostras de diferentes plantas e animais, rochas, água e areias; e à superfície, entre o convés e o deck inferior, com os investigadores a analisarem famílias, géneros e espécies, que se juntarão no final num relatório científico sobre o Gorringe e a sua riqueza biológica, com as suas florestas de algas, jardins de corais, campos de esponjas, peixes, tartarugas e grandes mamíferos marinhos, como baleias e golfinhos.

No veleiro, com 17 tripulantes e 44 pessoas ‘hóspedes’, a vida passa-se a dois tempos. Depois do pequeno-almoço, invariavelmente marcado para as 7 da manhã e com o sol ainda a erguer-se no horizonte, mergulhadores e responsáveis pelas operações sobem ao convés. Para a primeira equipa, é tempo de finalizar a preparação das garrafas de oxigénio, verificar pressões e misturas, enfiar os grossos fatos de mergulho, ajeitar os computadores que levam no pulso e que indicam quando têm de subir e quando têm de parar para fazer as descompressões. Consigo seguem também as molduras em forma de quadrado que marcam a pequena área que vão fotografar, filmar e raspar, e os sacos para trazerem as amostras para cima. Na água, à espera de levar os mergulhadores até aos pontos marcados de mergulho em cada dia, já estão a “Maria” e a “Manuela”, os dois semirrígidos que asseguram as saídas e entradas no veleiro.

Entre o fundo do mar e o convés

Durante uma hora, é debaixo de água que tudo se passa. A configuração do Gorringe, com o seu extenso planalto e dois picos mais altos, o Gettysburg e o Ormonde, a ficarem entre 30 a 60 metros de profundidade permitem que, em pleno oceano se façam mergulhos com garrafa. E a limpidez e transparência das águas num local tão remoto — passam-se dias praticamente sem se ver nada no horizonte a toda a volta — permitem o resto. A 40 metros de profundidade e ao contrário do que acontece na maioria dos mergulhos mais próximos da costa, as águas mantêm a claridade e uma visibilidade que se estende de cima para baixo e para os lados de uma forma rara. Ainda por cima, a uns confortáveis 22º graus à superfície.

E é por isso que entre os estreantes de mergulho naquele local, mas não só, não há um único que não regresse ao “SMM” com o sorriso rasgado de orelha a orelha. Podíamos sugerir que os efeitos narcóticos da inalação de azoto debaixo de água, que em casos extremos dão origem ao que se chama ‘bebedeira das profundidades’, teriam alguma coisa a ver com o contentamento que aparentam logo após o mergulho. Mas muito virá mesmo do cenário que relatam ao chegar ao convés. “Nunca vi nada assim. A visibilidade é incrível. Estou mareado de ver tanto peixe”, descrevia Piero, chileno a residir em Portugal, e chamado à última da hora, quando já partia de férias na sua caravana, para substituir um colega que ficou com uma otite. “Era uma oportunidade única”, diz.

Num outro mergulho sobre o pico de Ormonde, um não menos sorridente David Figueras, do Instituto de Investigação de Ciências do Mar da Universidade dos Açores (Okeanus), anunciava: “Hoje vou fazer feliz o Márcio”, enquanto segurava na mão um saco com amostras de coral negro e gorgónias roxas, fruto da “jardinagem” que andou a fazer a quase 70 metros de profundidade.

A profundidade e as fortes correntes são dois dos desafios que os oito mergulhadores e os quatro coordenadores da operação enfrentam. José Tourais, 70 anos, um dos decanos do mergulho em Portugal, é o primeiro a entrar em ação, lançando a poita com o cabo que vai marcar o local de cada avaliação. Com 12 a 15 mil mergulhos no currículo, não se cansa de voltar ao Gorringe, onde já esteve uma dúzia de vezes. “É um mergulho muito atrativo, por ser no mar oceânico, por causa da limpidez das águas e ainda com a pimenta da corrente.” Tranquilamente, dá instruções aos mergulhadores e regista os dados da descida e da subida. No final do dia, é possível encontrá-lo na popa do “SMM”, sentado num banco, a fumar um cachimbo, com ares de Chanquete, o pescador da série “Verão Azul”.

Com os mergulhadores de regresso ao “SMM”, é a vez de os biólogos que lá ficaram entrarem em ação. Márcio Coelho, do CCMAR, da Universidade do Algarve, é o especialista em corais a bordo e é a ele que são entregues as amostras destes animais. Já Ester Serrão, também da Universidade do Algarve e coordenadora da avaliação da biodiversidade, recebe laminárias e saccorhizas que se encontram no Gorringe e que formam as enormes florestas de algas largas e acastanhadas. “Adoro isto”, diz com indisfarçável alegria a incansável investigadora que nas horas livres se dedica a fazer um algário, colocando diferentes espécies que vão sendo trazidas em folhas de papel, secando-as diária e pacientemente.

Mais ao lado, sentados cada um na sua cadeira e debruçados sobre tabuleiros com água, Marisa Batista, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas — o ICNF é outro dos promotores da expedição, a par com o Oceanário de Lisboa e a Marinha Portuguesa —, e Marco Frade, biólogo no Aquário Vasco da Gama, retiram com a ajuda de uma pinça minúsculos seres alojados nas bases das algas ou colados aos sacos que os mergulhadores trazem e que só os seus olhos detetam, acompanhando-os de nomes irrepetíveis por um leigo. Na linguagem comum, encontram-se lesmas, lapas, búzios, camarões e caranguejos. Há os que seguem em tubinhos para baixo para serem vistos ao estereomicroscópio por Ana Hilário, especialista em mar profundo e investigadora no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, e Duarte Frade, do CCMAR e responsável pela inventariação da biodiversidade. São horas e horas que os dois passam colados à lupa binocular que amplia aqueles seres minúsculos em algo visível e mais identificável. “Vai ficar maravilhosa vista à lupa”, antecipa alguém olhando para uma lesma de uns três milímetros. “Aqui em cima, no convés, separam-se os grandes grupos, como os moluscos, crustáceos, equinodermos. E, lá em baixo, fazemos uma triagem mais fina”, descreve Duarte.

A ausência dos tubarões

O objetivo é sempre o mesmo. Avaliar as espécies encontradas naquele habitat, registar e posteriormente enviar para especialistas nos diferentes grupos de animais e plantas para avaliações mais aprofundadas. Serão feitos estudos na área da biologia, ecologia e genética, consolidando o conhecimento científico em torno deste enorme monte marinho, formado da convergência da placa tectónica ibérica com a africana e onde se localizam os epicentros de muitos sismos, como terá sido o caso do de 1755.

Outros animais que já estão mortos são colocados por Marco dentro de frasquinhos que traz consigo no bolso — trouxe 400 — ou dentro de um bidon azul, onde guarda as espécies maiores e que vão para o museu do Aquário Vasco da Gama: “Tenho aqui uma santolinha, um caranguejo eremita, uma esponja, um ouriço-do-mar de maior profundidade.” Ao seu lado, Gabriela Rodrigues, do CIBIO, da Universidade do Porto, com a ajuda de uma bomba semelhante a um Black & Decker, filtra a água trazida do fundo do mar para extrair o ADN e perceber depois que espécies por ali passam.

É também no deck de baixo, no salão que fora das horas de refeição se transforma em escritório e laboratório flutuante, que se visionam nos computadores as imagens recolhidas por câmaras e video landers, as estruturas trazidas desde a Califórnia pela equipa do Moss Landing Marine Laboratories e que descem, levando isco de sardinha. Duas câmaras GoPro acopladas em cada um permitem recolher imagens dos peixes que se aproximam para comer ou que tendem a fugir do homem. Nos ecrãs dos computadores, passam cardumes de lírios enormes, peixes-porco, tremelgas (raias elétricas) e moreias, com uma nitidez impressionante. Mas para frustração dos investigadores, nos primeiros dias de expedição apenas um tubarão-azul tinha sido avistado por uma outra câmara de vídeo com isco que é operada a partir de um dos dois catamarãs que também integram a expedição.

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Os BRUV (baited remote underwater video), trazidos por investigadores da Universidade de Western Australia, e um ROV (remotely operated vehicle) da Universidade do Algarve permitem filmar estes habitats a profundidades menos exploradas — entre 40 e 200 metros — e a sua fauna, incluindo tartarugas, espadartes e tubarões. Ao oceano, são também lançados hidrofones para registar o som de golfinhos e baleias. E há ainda quem rastreie as aves que passam. No total, são 26 cientistas em três embarcações a documentar a riqueza do Gorringe e as ameaças que já deixam sinais.

A escassez de grandes predadores, como tubarões, e de espécies com interesse comercial, é um desses sinais, destacados por Emanuel Gonçalves, responsável científico da expedição e administrador da Fundação Oceano Azul. “Estas espécies são o maior indicador que temos do estado de saúde destes sistemas marinhos. Se estão saudáveis e pristinos, deviam ter essa componente dos grandes predadores presentes. Por isso estávamos à espera de, estando num sítio isolado como este e que é de confluência para alimentação e reprodução de um número significativo de espécies, encontrar mais tubarões e mais variedade de peixes. Não está a acontecer e pode ser sinal já de um excesso de exploração. Alguns destes animais vivem muitos anos e têm baixa taxa de reprodução, pelo que são pouco resilientes aos impactos causados pelo homem. Basta 10, 15 ou 20 anos de exploração e esse efeito cumulativo é suficiente para transformar todo o ecossistema.” No dia em que o “Santa Maria Manuela” chegou ao Gorringe foi avistado um barco de pesca com o sistema de posicionamento desligado.

Por outro lado, destaca o especialista em Ecologia Marinha, já se encontraram ali uma enorme quantidade de espécies: “Esta enorme montanha tem uma característica muito importante de ligação entre as faunas e floras do continente europeu, da costa africana e dos arquipélagos, de águas quentes e frias. E são estes valores naturais muito importantes que temos de proteger.” Apesar de gozar já de um estatuto especial de conservação, faltam os planos de gestão e a definição de medidas que permitam a proteção efetiva do Gorringe, como já foi feito em Portugal para o Recife do Algarve — Pedra do Valado, ao largo e Albufeira, Lagoa e Silves, ou nas Ilhas Selvagens. Ambas as zonas foram declaradas áreas marinhas de proteção e estão sujeitas a várias restrições, aceites por todos.

Se houvesse um G20 dos mares, Portugal sentava-se à mesa

Só que o atraso é grande. A meta a que Portugal se comprometeu internacionalmente é a de chegar a 2030 com 30% dos oceanos protegidos. O valor está atualmente nos 3%. Os interesses em jogo dificultam os processos. E a falta de informação também: “Um dos grandes desafios da conservação marinha é precisamente o desconhecimento e a invisibilidade, que faz com que não se lhe dê muita atenção. Muitas vezes até existe do ponto de vista científico, mas não passa para a sociedade. Quantas pessoas sabem que temos aqui a maior montanha da Europa Ocidental e uma zona extremamente importante do ponto de vista da conservação?”, interroga Emanuel Gonçalves.

A proteção, acredita o investigador, beneficiava todos — sem peixe não há pesca, pelo que é preciso ter áreas protegidas que permitam aos ecossistemas recuperar e garantir a sustentabilidade de todas as atividades que vivem do mar. Enquanto “gigante oceânico”, Portugal não seria exceção. “Olhamos para nós como um pequeno país aqui na extremidade da Europa. Mas nós não somos isso, somos uma das principais nações oceânicas do planeta e temos no nosso território a maior bio­diversidade da Europa. Se soubermos utilizar de forma sustentável esses valores naturais, teremos certamente uma economia também muito mais saudável, entre a atividades tradicionais, mas também outras atividades económicas já hoje importantes e que dependem de um oceano saudável, como a bioeconomia e biotecnologia. Se houvesse um G20 dos ocea­nos, Portugal estava sentado à mesa”, sublinha.

Sobre a expedição, que pelo número de parceiros envolvidos, equipas, processos e meios será a maior jamais realizada ao Gorringe, Emanuel Gonçalves acredita que será um passo importante para a fixação como Área Marinha de Proteção e definição de um plano de proteção para esta área. Assim haja vontade dos decisores políticos.

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Todos os dias, a “Manuela” e a “Maria”, os dois Zodiacs (barcos semirrígidos) a bordo do “Santa Maria Manuela” eram descidos para o mar para levar e trazer mergulhadores, visitas ao veleiro ou elementos da tripulação que tivessem de ir até aos dois catamarãs que apoiaram a expedição ao banco de Gorringe

No “Santa Maria Manuela” e após já vários dias no mar, longe da família, só vista pelo telemóvel à noite, o moral permanecia elevado. E não eram só algas, corais, peixes e locais de mergulho que faziam os pontos altos do dia. Uma das primeiras coisas que ouvimos antes mesmo de subir para o veleiro foi que as refeições eram a “melhor” coisa a bordo. Os responsáveis: Fauro Anuar, nascido em Moçambique, e o seu ajudante cabo-verdiano, Edson Lopes, que todos os dias preparavam pequeno-almoço, almoço e jantar para 60 pessoas, sem atrasos, sem comidas queimadas ou cruas, sem sal a mais nem a menos.

No dia em que entram no salão Terra Nova, os aplausos foram prolongados. Não é fácil cozinhar numa cozinha “bem equipada”, mas exígua, mantendo caldos e sopas dentro dos tachos mesmo quando a embarcação balança sem parar. O facto de ter sido sempre chefe em mar e nunca em terra ajudará a cozinhar e a gerir um stock que tem de ser preparado para 21 dias sem voltar a encher a despensa e as câmaras de fresco e de congelação. “Foram 60 quilos de cebola, 80 de batata, 50 ou 60 quilos de entrecosto, 70 de vazia, quase 100 litros de azeite, bacalhau, tamboril, pescada, polvo”, vai desfiando Fauro Anuar. Tudo consumido em mais de 3.700 refeições servidas ao longo da expedição.

Não menos importante era o estado das máquinas de café. A avaria de uma delas, que fazia cappuccinos e chocolate quente, desmotivou. Mas a chegada de uma outra voltou a animar as hostes, ainda que com apelos ao consumo moderado. A menos de um terço da expedição, a contagem de cápsulas de café já superava as 700, anunciava-se num dos briefings diários.

No balanço final, feito no último sábado já com a equipa em terra, os primeiros resultados de três semanas de trabalho científico reforçavam a importância da proteção deste “oásis do património marinho”, com habitats prioritários para a conservação, como florestas marinhas e recifes rochosos, a identificação de 40 espécies que ainda não tinham sido registadas para aquela área e a presença de outras ameaçadas e raras. O golfinho-roaz, a tartaruga-comum, baleias-de-bico e crustáceos como o cavaco foram alguns dos animais avistados nos mais de 200 mergulhos feitos e nas muitas imagens de vídeo subaquáticas recolhidas em 70 locais de observação e que importa agora preservar. Já os tubarões, continuaram ausentes até ao fim — apenas dois tubarões-azuis apareceram nas câmaras —, deixando um sinal de preocupação entre os investigadores e um apelo para a urgência de medidas de proteção para esta enorme montanha debaixo do mar.

O Expresso esteve a bordo do “Santa Maria Manuela” entre 12 e 16 de setembro (a expedição decorreu entre os dias 7 e 28) e viajou a convite da Fundação Oceano Azul

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