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Black Hawk

[PCM2014] Pedalar p'ra vencer - O Legado de Frodo Zarco

Publicações recomendadas

Posts relevantes para a história

 

Apresentação

Reacções ao regresso de Frodo

Rumores sobre o percurso do Tour de France

Apresentação da 117ª edição do Tour de France

Prólogo - Introdução ao 117º Tour de France

Etapa 1 - parte 1

Etapa 1 - parte 2

 

- Ah, era mesmo disto que eu precisava! - exclamou, inalando o fumo do cigarro que acabara de acender. O sabor amargo invadiu-lhe a boca, acalmando a urgência que surgira após várias horas de privação. Já há muito prometera à sua esposa deixar de fumar, porém o vício ainda o consumia.

 

Entre cigarradas, José Sousa olhava em volta. Um automóvel desportivo parou em frente da entrada do hotel, do qual saiu um homem de meia idade, já com falhas severas no topo da cabeça que nem os parcos fios de cabelo puxados ao lado conseguiam ocultar. Entregou a chave do seu desportivo ao valet com certo desprezo e encaminhou-se para o hotel, observando de relance o decote de duas jovens mulheres que discutiam os desenvolvimentos da vida amorosa de uma qualquer celebridade. Toda a sua postura indicava um certo pretensiosismo, como se toda a sua vida estivesse habituado a considerar-se mais importante que os demais.

 

"Pff, estas pseudocelebridades com a mania, como se fossem mais do que os outros..."

 

Entretido estava com os seus pensamentos e nem se deu conta da chegada de um homem, já na casa dos 50, também de cigarro e isqueiro na mão. Enquanto se aproximava tentou acender o cigarro, mas do isqueiro saíam apenas algumas faíscas e nenhuma chama. Não teve outro remédio do que pedir lume a José Sousa; foi dessa forma que este se apercebeu da sua presença.

 

Conversa puxa conversa, ambos descobriram ser jornalistas. Mais: ambos estavam ali pelo mesmo motivo.

 

- Ainda não sei se hei-de ficar feliz ou triste por aqui estar - dizia José Sousa.

 

- Então?

 

- Pah, por um lado estou presente na conferência de imprensa de um dos maiores nomes de sempre do desporto nacional. Por outro lado...

 

- Estás a assistir ao final de carreira de um dos maiores nomes de sempre do desporto nacional - interrompeu-o João Pedro Moura - eu compreendo-te, o homem foi um dos meus ídolos. Custa vê-lo acabar, mas tudo tem um fim.

 

- Parece que ainda o estou a ver no Tour, com o Contador e o Froome. Lembras-te?

 

- Como é que me posso esquecer? Aquela etapa no Tourmalet, no meio do nevoeiro cerrado, eles os três a atacar à vez durante toda a subida?

 

- Sim, até que o Contador quebrou, depois o Froome e o Zarco foram a par até à meta. Mas ainda melhor foi da vez em que ele atacou na descida do Col de Peyresourde com o Kwiatkowski e ninguém os viu mais até à meta em Bagnères-de-Luchon. Até me arrepiava a vê-los naquelas estradas estreitas, em ziguezague, àquela velocidade!

 

- Mas digas o que disseres, nada se compara à primeira vez em que ouvimos o Hino Nacional nos Campos Elísios. Naquele dia estava a cobrir um congresso qualquer e eles pararam para ver a cerimónia do pódio. Até os pêlos lá de baixo se me eriçaram - e João Pedro Moura riu alarvemente, sendo acompanhado por José Sousa.

 

Ficaram em silêncio alguns momentos, observando as imediações. O final do Verão anunciava-se já; soprava uma brisa fria que balançava a copa das árvores mais próximas. O riso das duas mulheres era audível à distância, aparentemente o tema da conversa passara da vida amorosa da celebridade para a sua vida sexual.

 

- Pena que não tenha sido tudo positivo - José Sousa atirou a beata do cigarro para um cesto de areia próximo - ainda hoje me custa lembrar daquele dia...

 

Um terceiro homem surgiu à porta do hotel, esbaforido.

 

- Hey, está na hora. A conferência de imprensa vai começar!

 

João Pedro Moura apagou rapidamente o cigarro, não sem antes dar uma última puxada, e lá foram os três homens em passo acelerado pelo meio da multidão que enchia o lobby do hotel, entre eles o dono do desportivo que José Sousa vira há momentos. Uma mulher de cabelo pintado de loiro, que José Sousa reconheceu das revistas cor-de-rosa, falava-lhe energicamente, dando ordens que o homem acatava como se fosse um menino a receber um ralhete da mãe. José Sousa não pôde deixar de sorrir com a cena.

 

Entraram na sala de conferências - estava cheia, sem surpresas. A imprensa nacional marcava lugar em força, mas também eram muitos os jornalistas internacionais, afinal de contas não são todos os dias que um tetra-campeão do Tour de France convoca uma conferência de imprensa para anunciar o final da carreira. Foi, aliás, por esse motivo que a conferência teria lugar ali, no hotel mais famoso de Lisboa onde estava disponível aquela gigantesca sala de conferências.

 

Aos poucos, os jornalistas presentes foram ocupando os seus lugares. O ruído na sala era ensurdecedor. Ouvia-se um pouco de tudo, de português a inglês, espanhol a italiano, alemão, francês e até russo! A imprensa internacional não faltara à chamada, apesar de Frodo Zarco se encontrar fora dos holofotes internacionais há alguns anos.

 

Subitamente o ruído diminuiu para um ténue burburinho. Frodo Zarco entrara na sala, acompanhado pelo seu irmão Dorian Zarco e três outros homens: dois deles desconhecidos, mas um deles chamou a atenção dos jornalistas mais ligados ao ciclismo internacional. O que estaria ele ali a fazer...?

 

- Muito obrigado pela vossa presença. É um prazer ver esta adesão à minha convocatória. Há alguns anos que já não disputo as principais provas internacionais, como sabem, desde que tudo aconteceu. Apesar de ter imenso orgulho na minha carreira e nas minhas conquistas, não foi este o percurso que sonhei quando era mais jovem; foi tudo demasiado rápido, demasiado efémero.

 

Sempre sonhei em competir ao mais alto nível durante muitos anos, vencer grandes provas e bater recordes. Tive o meu tempo, consegui as minhas conquistas, mas ficou um vazio por tudo aquilo que aconteceu. Sinto que ficou algo por fazer, algo por provar. Mas o tempo é implacável, e os anos passaram. Já não tenho 20 anos. Agora é tarde para voltar atrás e fazer outras escolhas. O que está feito, feito está.

 

Os últimos anos foram estupendos. Voltei a Portugal e fui muito bem acolhido por todos, colegas e adeptos, em especial estes últimos que me acarinharam calorosamente na estrada em todas as provas. Contra todas as expectativas, reencontrei as minhas forças e voltei a vencer. Três Voltas a Portugal depois, sinto-me em plena forma, dentro daquilo que os meus 36 anos permitem. E tomei uma decisão.

 

Portanto, caros amigos, colegas e jornalistas: é com imenso orgulho que vos anuncio a minha decisão. Depois de uma carreira em que conquistei imensas provas, incluindo cinco Voltas a França, duas Voltas a Espanha e Itália e quatro Voltas a Portugal, chegou o momento de pendurar os pedais e as rodas da minha bicicleta.

 

Um certo burburinho inundou a sala em várias línguas. Alguns jornalistas anunciavam perante as câmaras, e com grande entusiasmo, as palavras de Frodo Zarco.

 

Após alguns segundos, o burburinho abrandou e Frodo Zarco voltou a falar.

 

- Sim, amigos, chegou o momento de o fazer. Mas continuo a sentir que há algo em falta. E como tal, falei com o meu irmão Dorian, que por sua vez serviu de intermediário entre mim e o Sr. Michaelangelo Ventura - referiu Zarco, olhando para o homem à sua esquerda - e dessa conversação saiu uma decisão: chegou a altura de pendurar os pedais e as rodas, sim, mas não sem antes correr novamente o Tour de France.

 

Desta vez não foi um burburinho a encher a sala, foi mesmo um clamor de espanto.

 

- Portanto eu e a Lamborghini Cycling Team chegámos a um acordo. Durante o ano 2030 correrei com o meu irmão Dorian sob as cores da Lamborghini, e se tudo correr bem poderei fazer a minha despedida do ciclismo profissional nos Campos Elísios, como sempre desejei.

 

Enquanto Frodo Zarco apertava as mãos de Michaelangelo Ventura, José Sousa anotava todos aqueles desenvolvimentos em perfeito êxtase. O regresso de Frodo Zarco ao Tour seria uma das principais notícias desportivas do ano! Mal podia esperar para o voltar a ver no seu estilo gingão em cima da bicicleta, montanha acima.

 

Um sonho tornado realidade!

Editado por Hrakkar

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Finalmente. :heart:

 

Carrega, Frodo! Rumo ao quinto Tour. 8)

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Fico feliz por o meu comentário ter surtido efeito :mrgreen: vai Frodo Zarco, melhor de todos os tempos :handclap:

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Mas qual Gamito, pah? O Frodo Zarco nunca deixou de correr. Simplesmente... ah, deixo isso para uma das próximas actualizações :badgrin:

 

Isto é suposto ser um epílogo para a história. Da outra vez era suposto ter feito a carreira dele, mas um misto de falta de tempo e motivação (que também está ligada à falta de tempo) impediram. Assim vamos fazer um Tour à grande, como noutros tempos fizemos com análises detalhadas das etapas da Volta a Portugal, de forma a concluir em grande a carreira do Frodo. O final que ele merece.

 

Estou a pensar em mais uma ou duas surpresas, mas depois se verá. Não tenho uma história definida, o rumo disto vai ser conforme me der na telha quando começar a escrever. Seja como for, é para fazer algo que valha a pena o tempo, já que posts como os do outro tópico dão trabalho, como calculam.

 

Ah e claro, conto com a participação da malta. Faço isto porque gosto de escrever (e é porreiro escrever cenas como estas, totalmente fora do comum e cujo processo criativo não é tão elaborado como a escrita normal) e a malta mostrou vontade em ter mais histórias.

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Terramoto no mundo do Ciclismo

 

Regresso de Frodo Zarco provoca reações um pouco por todo o mundo

 

O ciclista português, tetracampeão do Tour, anunciou na passada quinta-feira o regresso ao ciclismo internacional, assinando um contrato válido por uma temporada com a equipa Lamborghini Cycling Team, abrindo portas à participação na edição de 2030 do Tour de France. As reações não se fizeram esperar e as redes sociais foram invadidas por mensagens de apoio de adeptos, desconhecidos... e alguns famosos.

 

Uma das primeiras reações conhecidas foi a de Michal Kwiatkowski, antigo colega de equipa e braço direito de Frodo Zarco na equipa BMC Racing Team. O polaco anunciou a sua satisfação por voltar a partilhar as estradas com "um grande amigo e um notável colega". Outros seus velhos colegas de equipa, como Leoncio Fonseca ou o já retirado Tejay Van Garderen, expressaram o seu contentamento pelo regresso do seu antigo líder às estradas francesas: "o seu verdadeiro lugar", como referiu o norte-americano.

 

Nem os seus rivais ficaram indiferentes ao regresso de Frodo Zarco. O colombiano Nairo Quintana, cuja carreira teve o seu término este ano, partilhou no MyPlace um vídeo com alguns dos melhores momentos das batalhas que ambos protagonizaram, particularmente nas edições de 2019 e 2020 onde a camisola amarela foi discutida ao segundo entre ambos. Já o austríaco Bernard Schalger, três vezes vencedor do Tour após a saída de cena de Frodo Zarco, descreveu o entusiasmo de voltar a medir forças com o seu antigo rival... e amigo. Também os britânicos Adam Yates e Chris Froome, o espanhol Alberto Contador e até Lance Armstrong, entre outros, saudaram o regresso do português.

 

Nem todas as reações foram, porém, positivas. Marco Nobile, o polémico bicampeão em título do Tour, postou uma enigmática mensagem na rede social Whistler: "será que em 2030 vão permitir que se corra em papa-reformas?". O italiano todavia não esclareceu se a mensagem seria uma indireta à idade de Frodo Zarco, de 36 anos.

Editado por Hrakkar

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Alpe d'Huez está de volta ao Tour

 

Mítica subida francesa poderá acolher final de etapa após quatro anos de ausência

 

Com a aproximação da apresentação do Tour de France, marcada para amanhã em Paris, os rumores sobre o percurso da Grand Boucle crescem, catalizados pelas redes sociais.

 

As informações mais recentes indicam que o Tour poderá brindar os ciclistas com sete chegadas em alto, entre as quais o ínfame Alpe d'Huez, passando a caravana pelos Alpes e só depois nos Pirinéus, ao contrário do que tem sido habitual nos anos mais recentes. Os rumores indicam que o primeiro dia terá um prólogo e haverá pelo menos dois contrarrelógios, não estando confirmado se algum deles será em cronoescalada.

 

Outros rumores indicam ainda que poderá haver uma surpresa para o penúltimo dia, mas não a esclarecem.

 

O Tour de France disputa-se no próximo ano, entre os dias 6 e 27 de Julho, e contará com vários portugueses, sendo de destacar o provável regresso de Frodo Zarco, ele que marcará presença na apresentação de amanhã.

 

 

Tenho usado os últimos dias para fazer algumas alterações à BD do jogo: equipas, ciclistas, etapas... em 2030 já não é suposto haver as equipas atuais, todas serão novas, novos equipamentos, e mesmo os ciclistas serão novos, excepto uns poucos que são miúdos nos dias de hoje. Isto está quase tudo feito, em breve dou mais novidades.

 

Editado por Hrakkar

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Pah, se forem masoquistas o bastante para ler tudo, podem ler por partes que eu não me chateio :mrgreen:

 

Soaram os primeiros acordes do hino do Tour. Iria começar a apresentação do Tour de France 2030, pelo que a plateia se acomodou nas cadeiras. Eram cerca de cinco mil os convidados para a cerimónia, como habitual a ter lugar no Palais des Congrès de Paris. As luzes diminuíram de intensidade progressivamente até se ficar quase no escuro e surgiu um filme a preto e branco, sincronizado com a música, mostrando imagens de glória de diversos ciclistas, os heróis do passado.

 

Enquanto passava o filme, Frodo Zarco remexeu-se no seu lugar. Pôde apurar, olhando em seu redor, que a casa estaria cheia. A escuridão não lhe permitia ver muito longe, mas ainda assim reconheceu algumas das personalidades presentes: ciclistas no ativo, ciclistas já retirados, diretores desportivos, jornalistas, reconheceu até um famoso músico inglês, embora não soubesse ao certo o que faria ele ali. Ao seu lado, o irmão Dorian deu-lhe uma cotovelada: passava naquele momento o ataque com que Frodo Zarco destroçou a concorrência no Col du Tourmalet, durante o já distante Tour de 2021.

 

Frodo sorriu. Lembrava-se daquele dia como se fosse ontem. As dores, a pressão, o caos de motas, bicicletas e carros a furar por uma multidão enlouquecida... e a alegria imensa de cortar a meta bem lá no alto, de camisola amarela vestida. Sempre se deu bem no Tourmalet, como o comprovam as três vitórias lá conseguidas em etapas do Tour - em três tentativas.

 

O vídeo chegou ao clímax e abrandou; a música diminuiu de tom, o símbolo do Tour preencheu a tela e ao fundo surgiu o amarelo, a cor da camisola mais desejada. A plateia encheu a sala de aplausos e o diretor do Tour, Laurent Jalabert, subiu ao palco.

 

A bem da verdade, Frodo Zarco nem ouviu grande parte do discurso. O antigo ciclista francês disse uma série de banalidades, lugares-comuns sobre a importância do Tour e meteu-se, amigavelmente, com alguns dos convidados presentes. Para alívio de Frodo, Laurent Jalabert ignorou o português e aquele discurso inicial em breve terminou, passando para o que realmente lhe importava: a apresentação da corrida.

 

Tal como nos últimos anos, as etapas seriam apresentadas individualmente e com a presença em palco de um convidado especial. O primeiro a ser chamado foi, sem surpresa, francês: Sylvain Chavanel, antigo campeão francês de contrarrelógio, o que antecipava - e confirmava os rumores - o anúncio de um contrarrelógio no primeiro dia, faltando apenas saber se individual ou coletivo, e qual a sua extensão.

 

Etapa 1: Sedan, 6.4 km (TTT)

 

 

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Os contra-relogistas mais potentes não escondiam a frustração - esperavam um prólogo, de acordo com os rumores que circulavam. Sendo por equipas, a organização procurava premiar a vertente colectiva do ciclismo, um dos desportos onde esta é mais importante. O contra-relógio colectivo passaria pelas ruas da histórica cidade de Sedan, famosa por ter servido de cenário às decisivas batalhas entre alemães e franceses durante a Guerra Franco-Prussiana e a Segunda Guerra Mundial, possibilitando bonitas imagens ao longo do trajeto, desde a vista do Rio La Meuse ao final à sombra do imponente Château de Sedan.

 

Não haveria muito mais a acrescentar quanto ao primeiro dia da corrida: poucas diferenças se farão em tão curta distância, servindo este dia para os fãs terem a possibilidade de ver os seus ídolos na estrada em maior pormenor.

 

Sylvain Chavanel continuou em palco para a apresentação da Etapa 1. O vídeo de apresentação começou e surgiram imagens das belas colinas das Ardenas.

 

 

Etapa 2: Sedan - Charleville-Mézières, 180.9 km

 

 

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A primeira etapa em linha do Tour 2028 provocou alguns suspiros na plateia. De facto, a etapa prometia espetáculo: terreno muito acidentado, raramente oferecendo períodos de plano, colinas curtas mas de pendente bastante acentuada, estrada estreita e possibilidade de chuva, como não é incomum acontecer na região das Ardenas.

 

As reações variaram. Houve quem, desde logo, rasgasse um sorriso de orelha a orelha e estivesse em amena cavaqueira com os seus colegas e/ou diretores desportivos; outros, em especial os candidatos à vitória do Tour, franziam o cenho. Seria um daqueles dias em que não havendo nada a ganhar, muito se poderia perder. O que não faltam são registos de quedas e cortes no pelotão em etapas com este perfil.

 

Esta dualidade nas reações foi claramente visível nos irmãos Zarco: Frodo observava o percurso, apreensivo, enquanto Dorian sorria, ele que seria um dos principais candidatos a vencer aquela etapa graças à sua assinalável velocidade de ponta, aliada à ligeireza que lhe permite ultrapassar facilmente percursos acidentados.

 

 

Etapa 3: Charleville-Mézières - Châlons-en-Champagne, 193.7 km

 

 

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Ao terceiro dia, o pelotão irá finalmente afastar-se da região das Ardenas, encaminhando-se para sul em direção a Châlons-en-Champagne, outra cidade histórica onde outrora Átila, o Huno, foi derrotado. Mesmo não opondo dificuldades de maior, nem assim os candidatos ao Tour poderão descansar: ao segundo dia de etapa em linha, os ciclistas ainda procuram o seu posicionamento dentro do pelotão, gerando etapas nervosas que resultam, não raras vezes, em quedas de grande dimensão.

 

Se nada de anormal acontecer, será a primeira grande oportunidade para sprinters como Albert Wolff (Red Bull), Ulrich Glockner (Lamborghini) ou Walter Mancini (Etihad).

 

 

Era hora de Sylvain Chavanel se despedir. Saudando a plateia e expressando o desejo de assistir a um grande Tour no ano seguinte, saiu, debaixo de um unânime aplauso.

 

Laurent Jalabert aguardou que os aplausos se calassem e anunciou com pompa o convidado seguinte: nada mais, nada menos, que o alemão Albert Wolff, vencedor de sete etapas na última edição da prova. Apesar do estereótipo sobre o humor dos alemães, Albert Wolff é conhecido pela sua veia cómica; de riso fácil e sentindo-se à vontade com a plateia, sendo também um dos ciclistas mais queridos do pelotão internacional, colocou todos a rir ao longo do tempo em que esteve em palco.

 

Etapa 4: Châlons-en-Champagne - Toul, 201 km

 

 

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Num dia não muito diferente do anterior, o pelotão entra na região de Lorraine, na zona oriental da França. O maior destaque do dia será o facto de ser a primeira etapa sem qualquer contagem de montanha. Perante este perfil, Laurent Jalabert aproveitou para brincar com Albert Wolff, questionando-o se conhecia algum sprinter capaz de vencer aquela etapa, ao que o alemão respondeu, em tom jocoso, "aposto que o vencedor irá ter de investir em direção à meta como um touro enraivecido", aludindo ao símbolo da equipa pela qual corre (Red Bull), assim colocando a plateia a rir.

 

 

 

Etapa 5: Nancy - Dijon, 211.4 km

 

 

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O Tour encaminha-se cada vez mais para sul, desta vez entrando na região da Borgonha, outrora um Ducado de grande poder dentro do Reino da França.

 

A etapa, essa, segue na linha das etapas anteriores, sendo direccionada para sprinters.

 

 

Etapa 6: Dijon - Château-Chinon, 184.5 km

 

 

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A chegada a Château-Chinon constitui a primeira grande surpresa do Tour. Dona de uma imponente fortaleza medieval que domina, do alto de uma pequena colina, a paisagem em seu redor, Chinon cresceu entre a fortaleza e as margens do Rio Vienne, orgulhosa da sua História. Foi no seu interior que Joana d'Arc convenceu o rei francês Carlos VII de ser guiada pela voz de Deus, recebendo do monarca o exército que usaria para libertar o Cerco de Orleães, acontecimento fulcral para virar a Guerra dos Cem Anos a favor da França.

 

A organização do Tour não se esqueceu, também, de evocar a detenção dos membros da Ordem dos Templários, incluindo o seu grão mestre Jacques de Molay, no castelo de Chinon. A Ordem dos Templários seria, em consequência destas detenções, destruída pela ação do rei Filipe IV.

 

Os marcos históricos e a beleza do local poderão ser inspiradores, mas o pelotão, porém, dificilmente os poderão saborear; a etapa conta com seis contagens de montanha, que embora curtas se sucedem em pouco mais de 70 kms, sendo a última coincidente com a meta, em mais um final ao estilo de Dorian Zarco e perigoso para Frodo Zarco e restantes candidatos.

 

 

Desta vez foi o tempo de Albert Wolff se despedir. O alemão cumprimentou calorosamente Laurent Jalabert e voltou para o seu lugar, todo ele sorrisos. Entretanto Jalabert já anunciava o convidado seguinte. Ao palco subiu um indivíduo de média estatura, barriga proeminente e cabelo já mais ralo; já a face, embora mais redonda, era impossível de confundir: tratava-se de Alberto Contador, tricampeão do Tour.

 

O espanhol agradeceu o convite da organização para apresentar três etapas do Tour. Não escapando ao cliché de enumerar as qualidades que fazem do Tour a maior prova velocipédica do mundo, acrescentou algo bem mais relevante: a sua tristeza por não ter tido chances de vencer mais vezes a corrida, relembrando as edições em que ficou de fora da luta devido a quedas ou lesões e o ano em que a sua equipa [Astana] foi impedida de participar. Apenas não referiu, muito convenientemente, a ocasião em que foi riscado do Tour após o ter vencido, devido a doping.

 

Etapa 7: Autun - Bourg-en-Bresse, 193.6 km

 

 

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O Tour aproxima-se cada vez mais dos Alpes; Bourg-en-Bresse fica já nas imediações das montanhas de Jura, pouco a noroeste dos Alpes. Ainda assim, a etapa pouco apresenta a esse nível, ficando-se pelo Côte des Propières a meio caminho da meta.

 

 

Etapa 8: Bourg-en-Bresse - Grenoble, 204.7 km

 

 

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E ao oitavo dia de prova, finalmente a primeira etapa de alta montanha. A chegada aos Alpes brinda o pelotão com um primeiro dia duríssimo, e embora não havendo uma chegada em alto, a dureza da etapa certamente servirá para as primeiras seleções entre os que estão no Tour para disputar a vitória, e os que não estarão aptos a fazê-lo.

 

O pelotão passará por Col de la Chartreuse de Portes, Col de l'Epine, Col de Gorgeat, Col du Granier, Col du Petit Cucheron e Col de Porte antes de iniciar a longa descida rumo a Grenoble. Segundo Alberto Contador, o Col de Porte não é particularmente duro, mas vindo na sequência de monstros como o Gorgeat, o Granier e o Petit Cucheron, poderá servir para os primeiros ataques dos candidatos. Além disso, o primeiro dia de alta montanha é sempre uma incógnita pois alguns ciclistas poderão sentir dificuldades na dura transição de terreno plano, que como vimos é a norma ao longo da primeira semana, e a altitude alpina.

 

 

Etapa 9: Grenoble - Alpe d'Huez, 169.8 km

 

 

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p><p>Nem foi necessário surgir o gráfico da etapa: logo que surgiu Eddy Merckx a fazer uma das <!--url{4}--> no vídeo introdutório de apresentação da Etapa 8, a sala irrompeu num burburinho coletivo. O Alpe d

 

Foi a primeira vez que Frodo Zarco sorriu abertamente. O Alpe d'Huez é uma daquelas chegadas com que um trepador como ele sonha.

 

Depois do burburinho inicial, outro momento de espanto: o pelotão iria escalar o Alpe d'Huez não uma, mas duas vezes nos últimos 60 kms! Atenuaram-se os sorrisos que alguns ciclistas esboçaram, enquanto Alberto Contador aproveitava para referir que com um dia tão duro quanto este, a etapa da véspera poderia não ser tão atacada e servir mais para warm up do que para atacar a fundo.

 

 

Com a surpresa do duplo Alpe d'Huez se despediu Alberto Contador. Ainda antes de sair do palco, Laurent Jalabert questionou Contador se teria algum favorito, ao que o antigo ciclista respondeu que gostaria de voltar a ver um espanhol vencer o Tour, algo que não acontece há 12 anos, desde que ele próprio venceu o Tour [em 2009]. Na impossibilidade de ser um espanhol a vencer, até porque Contador reconhece que entre os favoritos não há nenhum espanhol, ficaria satisfeito se Frodo Zarco voltasse a vestir de amarelo, fazendo uma analogia entre ambos por se terem visto impossibilitados de vencer mais vezes a prova.

 

As câmaras focaram Frodo Zarco em busca de uma reação; o português ergueu o polegar, saudando as palavras do rival de outros tempos.

 

Para o seu lugar e anunciado com grande pompa, como ciclista favorito dos franceses que é, subiu ao palco o veterano Romain Bardet. Agora com 37 anos, Bardet irá participar no Tour pela última vez e foi bastante realista nos seus objectivos, não se assumindo como candidato à classificação geral. Romain Bardet prepara-se assim para terminar uma carreira bem sucedida, tendo vencido uma Vuelta a España e chegado ao pódio do Tour de France por uma vez, mas apesar do seu espírito lutador sempre ficou um degrau abaixo do nível exigido para disputar a camisola amarela.

 

Etapa 10: Vizille - Aix-les-Bains, 136.6 km

 

 

 

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Com a saída de Alberto Contador e a entrada de Romain Bardet, a plateia quase se esqueceu da dureza da etapa anterior. Foi então, de repente, que se recordaram, ao conferir que a etapa seguinte, com chegada a Aix-les-Bains, será também ela violenta. Um pouco semelhante à Etapa 7, mas ao contrário, os ciclistas escalam Col de Porte, Col du Cucheron, Col du Granier e Col de l'Epine (inverte-se a ordem da Etapa 7) antes do Mont du Chat, numa árdua escalada de 13 km a rondar os 10% de inclinação, apenas para depois descerem rumo a Aix-les-Bains, 20 kms de descida pela outra vertente do Mont du Chat.

 

Esta última contagem de montanha apresenta cenários de grande beleza natural (em particular o Lac du Bourget, visível durante boa parte da subida) e é particularmente dura, sendo provavelmente das mais duras subidas alguma vez colocadas no Tour de France, mas apenas foi utilizada por duas vezes: em 1974, ocasião onde Poulidor e Merckx deram espetáculo; e em 2024, com vitória de um miúdo chamado Marco Nobile, então com apenas 22 anos.

 

 

Etapa 11: Embrun - Carpentras, 186.6 km

 

 

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Foram três dias de enorme dureza nas belíssimas paisagens alpinas, mas é hora de o pelotão se afastar rumo a outras dificuldades. A Etapa 10 é uma daquelas etapas onde uma fuga poderá muito bem resultar, tendo em conta que o pelotão estará desgastado das etapas dos Alpes; o final não apresenta perfil para os candidatos mexerem na corrida; mas, por outro lado, é suficientemente acidentado para os sprinters disputarem a etapa.

 

O percurso da etapa passa suficientemente perto do temível Mont Ventoux, cujo pico será visível durante boa parte do dia.

 

 

Etapa 12: Carpentras - Mont Ventoux, 38.2 km (ITT)

 

 

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A visão do Mont Ventoux na apresentação da etapa anterior foi, de facto, um prenúncio demasiado claro, pelo que não foi uma surpresa completa vê-lo na etapa seguinte. A palavra de ordem aqui é subir, subir, subir, rumo ao topo da solitária montanha que tantos pesadelos tem causado ao longo dos 125 anos de Tour de France.

 

A escalada em si ocupa os últimos 22 km do contrarrelógio, pelo que os contrarrelogistas mais puros terão ainda 16 km para tentar minimizar os estragos que os trepadores lhes irão causar na ascensão.

 

 

A plateia ficou em suspense, aguardando o anúncio da despedida de Romain Bardet. Previsivelmente, o Palais des Congrès de Paris quase foi abaixo com aplausos ao veterano trepador. Para ocupar o seu lugar subiu ao palco outro veterano que, curiosamente, também ele se irá despedir do ciclismo internacional no ano seguinte: Michal Kwiatkowski, antigo colega de equipa de Frodo Zarco, algo que o polaco não tardou a referir, evocando os bons tempos que passaram na equipa BMC Racing Team.

 

Etapa 13: Rodez - Super Lioran, 231.5 km

 

 

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Inesperadamente, o Tour vira para norte rumo ao Maciço Central, localizado na região centro-sul da França. Com nove contagens de montanha, incluindo uma de 1ª Categoria no Pas de Peyrol e a chegada na estância de sky de Super Lioran, a etapa promete muitos nervos, um pouco como a Etapa 1: subidas curtas e duras, estradas algo estreitas e o desgaste acumulado dos Alpes e do Mont Ventoux a contribuir para um dia que se revelará uma bela incógnita.

 

 

Etapa 14: Limoges - Bordeaux, 222 km

 

 

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Se na etapa anterior as reações foram de surpresa pela viragem a norte, com esta os presente não esconderam o espanto. O Tour chega à região Oeste da França, aproximando-se do Atlântico e afastando-se ainda mais dos Pirinéus!

 

A etapa em si nenhum perigo revela aos candidatos à vitória do Tour, podendo servir tanto para uma disputa ao sprint, como para uma chegada de um grupo de fugitivos. Convém, porém, realçar que o pelotão se aproxima de uma região onde os riscos de bordures são significativos, pelo que convém as equipas manterem a concentração durante toda a etapa, sob pena de verem fugir o Tour num dia aparentemente inócuo.

 

 

Etapa 15: Bordeaux - Bayonne, 184 km

 

 

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"Ah!"

 

Foi esta a reação geral, como se de um ser único se tratasse. Afinal o Tour voltou a seguir o caminho dos Pirinéus, com uma etapa disputada quase toda ela ao longo da costa da Gasconha, seguindo a mesma linha da Etapa 13.

 

 

Michal Kwiatkowski voltou ao seu lugar, sorrindo para Frodo Zarco ao passar perto do local onde o português se encontrava com o irmão. São bons amigos e durante muitos anos partilharam o mesmo quarto em estágios e provas, não sendo portando de admirar o companheirismo que demonstram.

 

No palco já se encontrava o austríaco Bernard Schalger, ciclista da Red Bull, vencedor do Tour em 2022 (o primeiro depois das quatro vitórias consecutivas de Frodo Zarco), 2024 e 2025. Bom trepador e ainda melhor contrarrelogista, não poderia ter subido ao palco em melhor altura.

 

Etapa 16: Pau, 44.3 km (ITT)

 

 

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Nesta fase já ninguém sabia muito bem o que esperar da última semana do Tour. Apenas dois contrarrelógios foram anunciados, um Prólogo e uma Cronoescalada, e apenas na Etapa 15 surge o primeiro contrarrelógio individual plano de longa distância. Haverá mais? Será o último? Parece estranho ser o único de todo o Tour, mas por outro lado já entrámos na terceira semana do Tour e pouco sentido fará haver dois em menos de uma semana...

 

Quanto ao contrarrelógio em si, será disputado na cidade de Pau, cuja presença no Tour é frequente, e o percurso será totalmente plano. A beleza da cidade, no sopé dos Pirinéus, permitirá a chegada de magníficas imagens aos telespetadores de todo o mundo. Tanto a partida como a chegada se farão na reta da meta do Circuit de Pau-Ville, um circuito cujo traçado percorre as ruas da cidade onde anualmente se disputa o Grande Prémio de Pau.

 

 

Etapa 17: Narbonne - Ax 3 Domaines, 205.2 km

 

 

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Grau de Maury, Col de Roque-Jalère, Col de Jau, Col de Garavel, Port de Pailhères e Ax 3 Domaines.

 

Nem seria necessário dizer muito mais: chegámos aos Pirinéus. Toda a etapa é dura com o constante sobe e desce, mas a sequência de Port de Pailhères e Ax 3 Domaines promete muito espetáculo.

 

 

Etapa 18: Ax-les-Thermes - Le Mourtis, 156 km

 

 

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O segundo dia nos Pirinéus não diminui de intensidade e brinda o pelotão com mais uma chegada em alto; desta vez à estância de sky do Le Mourtis, localizada no Col de Menté, 11 km a aproximadamente 7% de inclinação. Até lá chegar, todavia, o pelotão já encarou monstros como o Port de Lers (a primeira 1ª Categoria do dia), o Col de la Core (a segunda 1ª Categoria do dia) ou o Col du Portet d'Aspet imediatamente antes da subida final.

 

 

A apresentação do Tour de France 2028 estava prestes a explodir e ninguém o adivinhava ainda. Bernard Schalger é um indivíduo reservado e pouco interagiu com a plateia, mas o seu substituto, e provavelmente o último convidado a subir ao palco, é precisamente o seu oposto. Sim, exacto, subiu ao palco o bicampeão em título do Tour, o italiano Marco Nobile!

 

Do alto dos seus 1.68 metros, o bad boy surpreendeu logo pelo vestuário: ao contrário da maioria dos presentes, que envergavam fato de gala azul escuro (conforme ditava a moda de 2030), Nobile apareceu com um fato vermelho-vivo. Subindo os degraus com passo gingão, quase como que dançando, dirigiu-se até ao microfone e, antes de dizer uma palavra que fosse, apontou para a plateia (da mesma forma como Usain Bolt festejava as vitórias) e só então desferiu, num inglês carregado de sotaque italiano: "wazap, bitches?"

 

Assim é Marco Nobile: um indivíduo sem papas na língua, incapaz de seguir o protocolo e com muita vontade (ou necessidade?) de ser o centro das atenções.

 

O espectáculo continuou. Até já tratava Laurent Jalabert por Jaja! O francês olhava em volta, fulminando com o olhar quem teve a infeliz ideia de colocar o italiano em palco. A organização não tardou a fazer baixar a luz e o vídeo de apresentação da Etapa 18 surgiu sem qualquer anúncio.

 

Etapa 19: Saint-Gaudens - Luz-Saint-Sauveur, 213.2 km

 

 

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Frodo Zarco remexeu-se no seu lugar e sorriu. Já referimos que Frodo Zarco se dá bem no Tourmalet: três vitórias em três etapas disputadas nessa mítica subida no Tour. Uma das curvas foi até batizada em seu nome: Curva Zarco.

 

E eis que os 17.2 km da vertente oriental do Tourmalet voltam a marcar presença no caminho do português, antecedidos por Col du Portillon, Col de Peyresourde, Col de Val Louron-Azet e Hourquette d'Ancizan, fazendo deste o dia mais duro do Tour - até agora.

 

Quem parecia alheio a isso era Marco Nobile. Questionado se se sentia preparado para enfrentar toda aquela montanha, o italiano foi peremptório: "nem que soltem touros ou vão de Lamborghini, ali [na montanha] mando eu", respondeu, referindo-se às equipas Red Bull e Lamborghini, de Bernard Schalger e Frodo Zarco, respetivamente.

 

 

Etapa 20: Saint-Girons - Col du Tourmalet, 192 km

 

 

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Se há pouco Frodo sorriu, agora um sorriso rasgou-lhe a face. Os organizadores do Tour deixaram para o penúltimo dia do Tour de France uma chegada em alto ao próprio Col du Tourmalet.

 

Uma opinião já surgira, e era praticamente unânime: este será o Tour de France mais duro dos últimos anos.

 

 

 

Etapa 21: Versailles - Paris Champs Elysées, 120.3 km

 

 

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[Nota: A imagem tem menos kms do que a distância real porque não consegui meter mais do que uma volta ao circuito final nos Champs Elysées]

 

Após quatro dias duríssimos nos Pirinéus, o pelotão apanha o comboio para começar a etapa seguinte em Versailles, quase na outra ponta da França, para a merecida etapa de consagração. Seja quem for que chega a Paris com a camisola amarela será, por certo, um justo vencedor.

 

 

 

Foi com alívio que Laurent Jalabert se despediu de Marco Nobile, fazendo o discurso de encerramento da cerimónia. A noite, essa, estaria ainda longe de terminar, havendo uma festa, sessões de fotografias, autógrafos e confraternização entre os convidados, mas para o que nos interessa, a apresentação do Tour, terminou aqui.

 

Que o Tour de France 2028 seja uma grande festa de ciclismo.

Editado por Hrakkar

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Podes já meter todas as etapas para se ler a história seguida :mrgreen:

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Duvido que alguém chegue em perfeitas condições aos Campos Elísios :lol:

 

Isto não é um Tour... É um Survivor Tour :lol: :prayer:

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Era interessante que mais algumas pessoas fizessem assim historias como tu, nao so no pcm mas em outros jogos.

 

Esse tour... Uiiiii`

Vamos Zarco

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Não acho que seja assim tão duro... só tem o Mont Ventoux em cronoescalada, Alpe d'Huez e Col du Tourmalet, estes duas vezes cada um :mrgreen:

 

Por acaso há chegadas que devem ser engraçadas, como aquela do Mont du Chat que nunca vi na realidade, ou o Super Lioran. A etapa do Alpe d'Huez é cópia da do Tour de 2013, aquela em que o Nairo Quintana violou o Froome.

 

O Nobile é o novo Riccó e o Wolff é o Kittel. 8-)

 

O Wolff, pelas stats, faz-me lembrar o Erik Zabel, mas um pouco mais forte ainda no sprint. Até é alemão e tudo.

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Em princípio, etapa a etapa. Ou é à grande, ou não é!

 

Pah, se cair olha, caiu. Seria um final de história tão válido como qualquer outro. Não muito glorioso, mas seria um final.

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