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Lebohang

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Tudo que Lebohang publicou

  1. Subentendido quando se fala de um ciclista da INEOS
  2. Van der Poel é o ciclista da remontada! Van der Poel é o ciclista do amor!
  3. Save us from the slovenian octopus Paul Seixas
  4. David Silva a arriscar a expulsão, muito bem o árbitro Morten Hjulmand a controlar a situação
  5. Que o facto de haver um Decreto-Lei não é garantia de nada, especialmente com este Governo da AD apoiado pelo Chega, daí que estes últimos já estejam a falar de adiar.
  6. A Eutanásia também tem um, curiosamente também chutado para o canto pelo Governo com o apoio do Chega.
  7. E depois tens as empresas interessadas em entrar no capital da Sociedade que vai comercializar os direitos a dizer que os preços são baixos, isto num país onde os consumidores são aqueles que mais pagam para ver futebol na UE
  8. O Mourinho acabou de rasgar Banana na CI a dizer que todos se podem esconder atrás dos maus resultados exceto o Treinador. É desfrutar deste sh*tshow nos próximos 4 anos.
  9. Coimbra: Ana Abrunhosa tira confiança a jornalista da Lusa; Agência diz que acusações são "infundadas e difamatórias" Cada vez melhor a governação em Coimbra depois do acordo com o Chega
  10. Pelos vistos vai haver um debate entre o Pacheco Pereira e o André Ventura segunda-feira às 22.00 na CNN
  11. Com a Centralização, mesmo numa venda com os valores atuais (os supostos 185M), toda a gente ganhará exceto o Braga que não deverá perder muito dinheiro e os Três Grandes que deverão perder valores entre os 10 a 20M segundo o estudo do Servir o Benfica que está nas páginas iniciais do tópico. Mas isso remete para o ponto que escrevi, a Centralização só avançará sem pressões caso os Três Grandes aceitem que irão perder dinheiro a bem do futebol português.
  12. O problema que o Descartes ainda não viu/percebeu é que isto não se vai resumir a "quantos clubes vão receber mais com a Centralização" mas sim "Quanto é que os Três Grandes estarão dispostos a perder com a Centralização". A posição do Chega nasce daquilo que eu escrevi naquele post, haveria inevitavelmente uma altura onde um/dois ou todos iriam começar a fazer pressão mediática junto às entidades governativas para meterem o decreto-lei na gaveta. Cedeu o Chega porque o Chega vai para onde o vento sopra e atrevo-me a dizer que o Luís "Perceções da População" Montenegro não deverá montar uma resistência muito maior. O valor dos 350M de euros/ano não foi propriamente tirado do rabo pelo Proença, os 350M de euros/ano era o valor mínimo que garantia que nenhum clube perderia dinheiro na Centralização. E este valor já está desatualizado porque agora o Benfica recebe ligeiramente mais. É por demais evidente que devido à contração dos valores que as operadoras estão a pagar às Ligas este valor não será alcançado. E já agora o Descartes não está a ver outro problema, numa venda centralizada da Liga por 180M ou valores mais baixos não são só os Três Grandes que perdem dinheiro. O Braga que não é Grande perde dinheiro. E numa venda coletiva por 165M ou menos um Moreirense que recebe supostamente valores entre os 4 a 5M de euros da Media Capital também irá perder dinheiro.
  13. Seguimos viagem e começamos a entrar pelos túneis. Dentro de momentos vamos deixar de ver os nossos colegas de carruagem. Com as janelas bem abertas, o fumo da locomotiva irrompe pelo comboio e acrescenta mistério a uma viagem preenchida pela história. Recuamos a 1902, ano de fabrico da B-220. A carruagem rolou na Suíça durante mais de 60 anos, sobretudo em Friburgo, na zona mais próxima de França. Depois de sair dos carris, esteve 10 anos num museu até ser doada ao GECP, que deu uma nova vida de serviço aos passageiros. O rio ficou para trás e agora só vemos montanhas. Voltamos a parar por alguns minutos, em Pont de Gueydan, na localidade de Saint-Benôit, com menos de 200 habitantes. Com algum contorcionismo, o trio musical saiu do comboio e atua debaixo de umas árvores. Dezenas de passageiros deixam-se embalar pela música e dançam. Os cães brincam entre si. Todos ficam entretidos enquanto há operações na locomotiva, como repor os líquidos dos freios. Voltamos à viagem passados 10 minutos. Entramos pela carruagem AB-25, de 1892. É uma autêntica sobrevivente da era do vapor: circulou durante décadas na Provença, onde ficou encostada quando o material circulante começou a largar o carvão. Quando se pensava que poderia virar mais uma peça de museu, mudou-se para perto de Lyon em 1972, tendo prestado serviços turísticos no Chemin de Fer du Vivarais por três décadas. Classificada como monumento histórico em 1992, a AB-25 regressou a Provença em 2003 e passou mais de uma década a ser recuperada. Em 2015, voltou a circular sobre carris. O “comboio das pinhas” a atravessar o viaduto de Donne, o mais alto da linha ferroviária da Provença Com a temperatura amena que se faz sentir, nada melhor do que haver alguém a passar com umas bebidas para repormos os líquidos. Voltando a 1892, temos ainda as carruagens B-505 e B-508, que também circularam na Provença durante décadas mas chegaram a ser requisitadas pelo Exército francês na I Guerra Mundial para transportar trabalhadores de uma fábrica de pólvora. Regressaram a “casa” e sobreviveram até ao fim da II Guerra Mundial. No final da década de 40, escaparam à demolição e foram usadas na manutenção da rede ferroviária local. Voltariam a receber passageiros em 1980, quando o GECP iniciou o comboio histórico. Como não se encontraram os assentos originais, aproveitaram-se bancos de comboios já fora de circulação do metro de Paris. Passam cinco minutos do meio-dia quando chegamos a Annot. Mesmo com mais de 100, a “Portuguesa” chegou a horas e deixou-nos já a 700 metros de altitude. Com 1000 habitantes, a vila histórica cercada por rochas é conhecida por receber trepadores de toda a Europa, inclusive sobre carris. Saindo da estação, percorremos 10 minutos a pé até chegarmos ao centro histórico, onde reina a tranquilidade. Depois das 15h30, fazemos a viagem de regresso, em que os freios são constantemente testados. No caminho, fica a reflexão de uma viagem que funciona como uma prova de resistência: contra todas as adversidades, os voluntários franceses têm sabido valorizar a paisagem, o património ferroviário e atraído apaixonados pelos comboios e pela Natureza para conhecerem este tesouro à beira de Nice. Muito mais interessante do que ver, o material histórico sobre carris também pode ser homenageado e respeitado com manutenção constante, dedicação e visão turística. Todos a bordo — Prepare a sua viagem Como chegar a Nice A partir dos aeroportos de Lisboa, Porto e Funchal há ligações para Nice: de Lisboa, há 15 voos semanais pela TAP (pelo menos um por dia) e um voo por dia pela easyJet; do Porto, há um voo diário pela easyJet; a partir de junho, a easyJet vai ligar Funchal à cidade francesa com uma ligação às terças e sábados, pelo menos até março. Como chegar a Puget-Théniers Na Gare de Nice CP, apanhe o comboio em direção a Digne-les-Bains, para onde há apenas três ligações por dia por sentido. A viagem demora hora e meia e custa 11,10 euros (por trajeto). Em alternativa, compre o passe SudAzur, para todos os transportes públicos na Provença e no Mónaco de forma ilimitada: 35 euros (três dias) e 50 euros (sete dias). Em Annot, terá de encontrar local para almoçar e reservar lugar porque não há muitos restaurantes. A pizzaria Le César e o Café du Commerce são as nossas sugestões. Calendário de viagens e preços Para apanhar o “comboio das pinhas”, atente à programação para este ano: as viagens começam em maio, todos os domingos; em junho, o ritmo aumenta para todos os sábados e domingos; no mês seguinte, todos os domingos e quartas e quintas da segunda quinzena; em agosto, todas as quartas, quintas e domingos. O ritmo modera em setembro, com viagens todos os sábados e domingos. Em outubro, há partidas todos os domingos. Cada adulto paga 19 euros pela viagem de ida (Puget-Théniers até Annot) ou 24 euros de ida e volta. Cada criança paga 15 ou 19 euros. Se viajar em família (2 adultos e 2 crianças), a ida e volta fica por 65 euros. Menores de quatro anos não pagam bilhete. Viagens temáticas Se o calendário permitir, vale a pena experimentar as viagens temáticas: dança, em 17 de maio; azeitonas, a 14 de junho; música a bordo, a 20 e 21 de junho; património ferroviário, a 19 e 20 de setembro; dia das bruxas, a 31 de outubro e 1 de novembro; por último, a festa da castanha encerra a temporada, a 7 de novembro. Portuguesa na oficina Dentro da oficina do “comboio das pinhas” encontrámos outra locomotiva com um passado português. Fabricada na Alemanha como parte das indemnizações da I Guerra Mundial, a locomotiva E182 chegou a Portugal em 1923 para os comboios de bitola de 0,90 metros da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão. Depois de a linha passar para bitola métrica, em 1930, a locomotiva também circulou no Vouga, Corgo e Sabor. Na década de 80 foi encostada e depois comprada por um empresário espanhol que queria fazer um serviço turístico em Alicante. Nunca aconteceu e a locomotiva ficou guardada perto de Valência durante 35 anos. Os associados franceses conseguiram comprar a E182, que chegou a Puget-Théniers em março de 2020. Devolvê-la aos carris é a missão para cumprir até ao final da década.
  14. E como se sentia quando apanhava uma baleia, quisemos saber. “Ficava contente, satisfeito. Quando era uma grande, ficávamos todos vaidosos. E aconteceu-me várias vezes”, assegura. Almerindo apanhava, em média, 35 baleias por ano. Enquanto foi baleeiro, estima que tenha apanhado umas 200. Na altura foi notícia nos jornais por isso mesmo. “Nunca me assustei”, jura. Mas soube de várias mortes relacionadas com a baleação. “Ali no Faial, certo dia, morreram dois homens. Lembro-me de outro aqui do Pico, da freguesia de São Mateus, que também morreu.” Quando era criança, Almerindo ouviu falar da morte de outros dois homens. Um deles, embrulhado na linha que prendia a baleia, outro depois de o cetáceo ter embatido na proa do bote, destruindo-o. O momento em que a baleia era arpoada “era uma coisa séria, pois caía uma bomba de água em cima”, ilustra, acrescentando que a baleia “é um animal que impõe muito respeito” e obriga a cuidados redobrados no mar. Manuel Medina era remador e esteve na caça à baleia durante 20 anos Rui Soares Da baleia, tudo era aproveitado: os dentes, os ossos e a gordura que depois era derretida. Funcionava como combustível para maquinarias diversas, nada sendo desperdiçado. Almerindo confirma que, nesta atividade, “ganhava-se bem”, mas “só se recebia ao fim de um ano ou dois”, o que obrigava os baleeiros a terem outras atividades além da baleação. Numa das mesas da sua garagem-museu repousa uma réplica do “Claudina”, o seu antigo bote baleeiro. “Para balear, são precisos sempre sete homens a bordo, cada um com a sua função”, explica. E tudo começava em terra, com o foguete lançado para o ar pelo homem que avistava as baleias no mar. “Largávamos tudo o que estávamos a fazer. Quem estava nas terras, deixava as terras, quem estava a ordenhar, deixava as vacas, quem estava a pintar, deixava as pinturas a meio, e íamos todos a correr arriar o bote para o mar”, conta o picoense. Depois de arpoar a baleia, ela puxava o bote mar afora: “a baleia ia puxando o bote enquanto arriávamos a linha para ficarmos mais distantes”. Almerindo diz que se sentia “tranquilo” e “bem-disposto” quando chegava à parte de ser puxado pelo animal. E recorda alguns sustos. “Uma vez, tranquei uma baleia e ela deu uma pancada na popa do bote, que partiu: fez um buraco e o bote começou a meter água.” Noutra ocasião, chegou a ficar uma noite inteira no mar, porque os homens demoraram a dominar a baleia, uma vez que durante a noite, em alto-mar, era perigoso interagir com ela sem qualquer tipo de luz. “Era preciso ter uma grande coragem” Almerindo só deixou a baleação quando a atividade passou a ser proibida, nos anos 1980. Depois disso, emigrou para a Califórnia, nos Estados Unidos da América. Lá trabalhou em empresas de limpeza e foi músico aos fins de semana. Tem várias fotografias na parede da sua garagem, de farda branca, com outros músicos, a tocar saxofone. “Foram belos tempos os da América, muito diferentes dos anos que vivi no Pico. A gente divertia-se muito e ganhava uns trocos”, diz o açoriano, sobre uma vida que contrastava com a pobreza que vivia na ilha. Manuel Jorge nasceu numa família de baleeiros Rui Soares Manuel Jorge, de 69 anos, também vem de uma família de baleeiros. O avô e o pai eram baleeiros em São Mateus. “Cresci com a caça à baleia, morávamos todos perto. Eu ajudava a varar os botes para terra e tudo o que era preciso fazer ou que eu pudesse fazer, fazia”, conta. A primeira história que lhe vem à memória é a do tio que “andou preso na boca de uma baleia durante uns dez minutos”. Manuel Jorge não assistiu à cena, mas garante que foi “impressionante” e deixou ferimentos no seu familiar, ainda que sem gravidade. Recorda-se também do dia em que apanhou “três baleias” em sociedade com outro bote. “Primeiro lançava-se um arpão para que ela ficasse presa. Aquilo é um monstro ao lado de uma canoa”, diz o antigo remador. Manuel Jorge tem ideia de umas “quatro mortes” na caça à baleia nos Açores. Não se sabe ao certo quantos homens morreram, mas sabe que foram várias as vítimas da baleação. “Gostava daquela sensação de trazer uma baleia para terra. E os dentes eram nossos, ficavam para quem a caçava. De resto, tudo era vendido e aproveitado: o óleo, a carne para os animais… e ainda eram feitas farinhas, tudo tinha um propósito”, diz. O remador lembra-se perfeitamente “do cheiro forte a óleo e da farinha que se fazia, era um cheiro forte a peixe que durava dias”. Este antigo baleeiro diz que não tem saudades da baleação e recorda “a dificuldade que era ter uma embarcação relativamente pequena ao lado de um monstro daqueles. Apanhá-lo era muito difícil, muito difícil mesmo — era preciso ter uma grande coragem”. Alexandra Teles fundou com o marido a primeira empresa de observação de cetáceos dos Açores Rui Soares Recorda-se que, numa das missões, “uma baleia veio por baixo, depois de ter sido trancada, e de repente partiu o bote”. A tripulação foi ajudada pela lancha que se encontrava por perto. Manuel Jorge afirma que sempre que apanhavam uma baleia “era uma vitória e uma alegria muito grande e nessa altura nem pensava muito no perigo”. Na maioria das vezes, confessa, não tinham muito tempo quando ouviam o barulho do foguete a anunciar que tinha sido avistada uma baleia. Apenas punha “bolo de milho e um pouco de queijo” numa cesta e seguiam para o mar, sem saber quando voltariam. Manuel Jorge sublinha “o enorme respeito” que havia pela baleia: “é um monstro que está lá no mar. Uma baleia grande é o equivalente a 50 bidões de azeite: é um monstro, pois tem 20 metros de comprimento. Não tínhamos medo, mas sim respeito”, esclarece. Quando era atingida, “formava-se um mar de sangue em torno do bote”, o que atraía muitos tubarões. Mas isso não os demovia de voltar a caçar. Depois de deixar a baleação, Manuel Jorge foi trabalhar como funcionário público na Câmara da Madalena. Ossos das baleias eram frequentemente transformados em objetos de arte Rui Soares Continuamos na costa sul do Pico, onde encontramos Manuel Medina. Tem 96 anos e era remador. A memória já lhe vai falhando, mas ainda se lembra dos tempos em que foi baleeiro. “Estive na caça à baleia durante 20 anos”, começa por revelar. “Fui para o Canadá, onde estive uma dúzia de anos para ganhar dinheiro para fazer este palácio”, conta, entre risos. A baleação aconteceu antes de emigrar. “Não havia mais nada para ganhar dinheiro, por isso tínhamos de ir para a caça à baleia”, explica. “Matei dezenas de baleias e foi o meu avô, que também era baleeiro, que me ensinou”, diz. “A parte mais difícil era caçar”, acredita. Diz que “revirou” pelo menos três vezes nos botes em que seguiu, devido à força das baleias. “Era preciso saber nadar”, sublinha. Manuel afirma que não assistiu a nenhuma fatalidade, mas sabe que, enquanto baleou, “pelo menos cinco pessoas morreram” na caça à baleia. Garante que “metia o medo para trás das costas”, mas admite que este “era real”. “O bote baleeiro faz virar cabeças em todo o mundo” Manuel Silva, 77 anos, não guarda nada do tempo em que foi baleeiro, à exceção de duas fotografias na parede da sua cozinha, na Calheta de Nesquim, onde se vê em plena caça, em alto-mar. Foi marinheiro de um bote baleeiro e mestre de três lanchas que davam apoio à baleação. “Comecei na baleação por necessidade. Saí da tropa, não tinha emprego, o meu pai tinha um barco para ir ao mar e a baleia era um complemento para conseguirmos amealhar qualquer coisa”, começa por contar. “Estávamos nas terras e depois corríamos para apanhar a embarcação. Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que apanhámos uma baleia, ela ficou presa”, diz. “A gente não tinha medo de apanhá-la, nem tínhamos medo de morrer. Fiquei satisfeito quando apanhei uma baleia, a primeira”, partilha. Bote baleeiro utilizado na baleação exposto no Museu das Lajes do Pico Rui Soares Tem saudades desse tempo? Manuel é perentório na resposta: “Não, não tenho saudades nenhumas do mar. Era muito duro, havia muito mau tempo. Eu não gostava daquela vida. Íamos à baleia porque não havia mão de obra. Se fosse uma vida boa, não faltava gente para ir à baleia. Na altura, não havia emprego, era uma necessidade.” “Numa das vezes em que fui à baleia, um senhor mais velho do que eu caiu ao mar e ficou à deriva uns 10 minutos. Depois, um bote de São Mateus veio salvá-lo. Partiu um bocado do bote… era uma baleia grande, mas não me tocou, só no bote”, recorda. O antigo baleeiro diz que chegou a “apanhar três baleias num único dia”, mas às vezes “demoravam um dia inteiro para matar uma”, até porque “quando está na altura de morrer, a baleia é muito perigosa, pois não sabe o que faz”. Para Manuel Silva, este era “um trabalho que tinha que ser feito com respeito e certeza”. Sublinha que é preciso não esquecer que “o bote é apenas a meia baleia”. O antigo baleeiro da ilha do Pico pode não ter saudades do que já lá foi, mas recorda com nostalgia as conquistas que alcançou após o período da baleação: “ganhei 24 corridas de botes baleeiros”, relembra satisfeito. A cultura do bote baleeiro Os botes baleeiros ganharam uma nova vida, e um novo uso, depois da proibição da caça à baleia no final dos anos 80. Filipe Fernandes, 39 anos, é um apaixonado pelo bote baleeiro do Pico. Atualmente trabalha na Casas dos Botes, nas Lajes do Pico, e ajuda a manter viva esta cultura. É oficial de bote baleeiro e faz parte do Clube Náutico das Lajes do Pico. “O bote baleeiro é um produto incrível e toda a gente que faz vela e anda nele tem uma reação de espanto e fica fascinada”, acredita o picoense. “Já tive oportunidade de levar um bote à Volvo Ocean Race, em 2017, e já levei um bote a Itália onde estavam pessoas da mais alta nata da vela, que quando viram o bote pararam. O bote baleeiro faz virar cabeças em todo o mundo e isso mostra-me que não é só uma questão cultural nossa”, acredita. Almerindo Lemos segura um dos instrumentos que utilizava na caça à baleia Rui Soares “É uma embarcação de tamanho médio, e tem um navegar muito doce, muito suave. É muito estreito e leve, com uma área vélica colossal. Uma embarcação muito reativa, que mais faz lembrar barcos de competição menores, muito ativos e vibrantes. Tem um ADN de desempenho muito grande, servia para chegar rápido para apanhar baleias. A prioridade do bote era a velocidade e andar nele é muito excitante”, assegura. O município das Lajes do Pico apostou na recuperação dos botes baleeiros existentes no concelho há cerca de 15 anos. Atualmente, realizam-se várias regatas na ilha do Pico exclusivamente com botes baleeiros. “O que acontece aqui no Pico é único e difícil de replicar noutros sítios. Em terra estão sempre dezenas de pessoas a vibrar com as regatas. Cheguei a ir a eventos internacionais de vela, em Lagos, com catamarãs com os melhores velejadores do mundo e também reparei que a quantidade de pessoas a assistir era inferior a uma regata de botes baleeiros no Pico. Quando lhes mostrei fotos das regatas do Pico, os remadores ficaram incrédulos, porque nas regatas deles não era nada assim”, conta Filipe Fernandes. ”Não é um barco aborrecido, é de uma elegância brutal”, afiança. Manuel Costa Júnior é o atual diretor do Museu dos Baleeiros nas Lajes do Pico Rui Soares Da caça à observação de cetáceos No Museu dos Baleeiros, no centro das Lajes, existe um bote baleeiro, em tempos usado na caça à baleia. O espaço guarda a memória de outros tempos. Nele se guardam fotografias da época, objetos feitos com osso, dentes de baleia e utensílios usados na baleação. Manuel Costa Júnior é diretor do Museu dos Baleeiros há 26 anos. O historiador explica que a entrada dos açorianos na indústria baleeira “ocorreu muito antes de a atividade se tornar costeira nas ilhas, conectando-se diretamente ao sonho americano e à sobrevivência económica”. Cada bote baleeiro levava sete homens a bordo que durante várias horas andavam em alto mar na caça à baleia. O último cachalote foi capturado nos Açores em 1987 Direção Regional Da Cultura/Museu Do Pico Segundo Costa Júnior, a participação açoriana na baleação mundial começou como um ato de desespero e coragem no século XIX, impulsionada pela fome e pelo colapso da produção vinícola. Os jovens das ilhas aproveitavam a escala dos navios americanos para fugir clandestinamente. “Os açorianos entraram duas vezes para a baleação. Uma vez quando, por via da falta de terra, da fome, da miséria e da pobreza, grupos de jovens aproveitavam a presença dos navios e, pela calada da noite, faziam a imigração de salto: o salto para a América, de forma clandestina, através da baleação.” Para alcançar o porto de New Bedford, nos EUA, os jovens ficavam presos aos navios por safras que duravam anos. “O preço de chegarem era: enquanto o navio estivesse no mar, eles tinham de estar. Se a viagem levasse três anos, seriam três anos no mar”, relata o diretor. “Uma baleia grande é o equivalente a 50 bidões de azeite: é um monstro, com 20 metros de comprimento. Não tínhamos medo, mas sim respeito”, diz Manuel Jorge A excelência dos marinheiros açorianos não passou despercebida. Costa Júnior recorda que até Herman Melville, autor de “Moby Dick”, imortalizou a bravura destes homens na sua obra. Foi essa experiência acumulada nos navios americanos que permitiu, mais tarde, a sedentarização da baleação nos Açores, utilizando técnicas e equipamentos importados. “O know-how é americano, os equipamentos e a utensilagem adquirem uma dimensão especial porque muda de figurino: deixa de ser uma atividade itinerante pelos mares do mundo para ser uma atividade local e regional”, explica. Direção Regional Da Cultura/Museu Do Pico Para o historiador, a baleação nunca foi uma pesca comum. Descreve-a como um confronto místico e perigoso na “arena do mar”, característica que justifica que essa atividade se tenha tornado património musealizado e respeitado. “Isto não é como quem apanha com um anzol um peixe. É um confronto no grande mar aberto. Um confronto corpo a corpo entre o homem e o animal envolto nesse mistério, nesse magnetismo, nessa imagética simultaneamente mágica, mítica, épica e mística.” Para o historiador, “os baleeiros não são criminosos, não são matadores, não são mercenários que vão para o oceano com o desejo e a pulsão destrutiva e destruidora de saciar a sua gula por esse confronto”. Costa Júnior considera que “esse confronto é um confronto leal, que pode parecer desleal, à luz de uma ecologia contemporânea muitas vezes espúria e pouco lúcida. Mas é um embate entre homens que passam fome, homens que têm famílias numerosas, que não têm pão para pôr na mesa, que precisam de trazer pão para as famílias, para os filhos e para os agregados familiares que são numerosos, numa ilha pobre”. Direção Regional Da Cultura/Museu Do Pico E embora o perigo seja inerente a qualquer atividade marítima, Costa Júnior destaca que a caça ao cachalote possuía uma “heroicidade” única que a distingue de qualquer outra faina, consolidando-se como o pilar cultural que o Museu do Pico preserva até hoje. Da baleação fica a memória, musealizada, e humanizada entre os últimos baleeiros. A caça à baleia foi oficialmente proibida em 1984, mas a última captura ocorreu no Pico em 1987. Direção Regional Da Cultura/Museu Do Pico Em 1989 surge o Espaço Talassa, a primeira empresa de observação de cetáceos dos Açores. Alexandra Teles conta que foi “numa visita ao Pico que surgiu a intenção de criar este espaço de whale watching. Vim mostrar o Pico ao meu marido, Serge Viallelle. Quando vamos ao museu, em conversa com o funcionário do museu, que acabaria por ser o nosso primeiro vigia, surgiu esta ideia: até então, não existia whale watching, fomos os primeiros”. A proprietária do Espaço Talassa diz que “não foi fácil implementar o whale watching aqui. Toda a gente ainda tinha muito na memória a caça”. Mas, ultrapassados os obstáculos, lá se conseguiram afirmar e contaram com a ajuda de antigos baleeiros para lançar o negócio. “Quem nos ajudou a criar esta empresa foram os verdadeiros baleeiros, o Gil e o nosso vigia. O nosso primeiro programa era o Homem, o mar e a terra. Se não houver respeito por essas três coisas, não vale a pena ir para o mar”, resume a empresária. Direção Regional Da Cultura/Museu Do Pico Alexandra Teles garante que não havia fricções com os baleeiros: “As fricções não eram diretamente connosco, a nossa perspetiva foi sempre a de utilizar o local, o que temos de bom, de forma responsável.” Refuta que tenha havido “guerra”, mas admite que “as pessoas têm resistência a tudo o que é novo e, portanto, as mudanças custam”. Sobre o futuro da observação de cetáceos, Alexandra afirma que a guerra no Médio Oriente vem lançar incerteza sobre o turismo nos Açores. “Não sabemos, com a guerra, como ficará esta atividade. Pode afetar-nos muito, e ao turismo nos Açores. Vamos ver o que acontece, com o preço das coisas vai subir. As pessoas vão ter dificuldade em viajar... é uma bola de neve”, prevê. Direção Regional Da Cultura/Museu Do Pico Atualmente, a empresa tem quatro embarcações para observação de cetáceos, operando duas delas por dia, em época alta. Sobre a atividade, Alexandra Teles diz que a prioridade continua a ser a mesma: “a nossa principal preocupação em relação à atividade é fazê-la com qualidade para que os clientes queiram vir. Para fazer mais barcos e dar má qualidade de serviço, acho um erro”, considera. Para a empresária, o “melhor fiscal que pode existir é o cliente”, sublinhando: “é preciso mostrar responsabilidade, dentro de uma atividade que tem de ter o máximo respeito pelo animal. Quando não o têm, já se estão a prejudicar a si próprios. O animal é a nossa estrela. Às vezes as pessoas só pensam nos números, e os números não são tudo”, alerta. Nenhum dos baleeiros entrevistados nesta reportagem fez observação de cetáceos, finda a caça à baleia. Fica a memória do que já foi e do que não volta a ser numa ilha fortemente marcada pela baleação, capítulo que ninguém esquece e que vive na memória dos últimos baleeiros do arquipélago.
  15. Rumo ao 6º treinador em 7 épocas
  16. Perderam 2-1. Algo de estranho aconteceu no jogo de pares, as manas Jorge estavam a dominar por 61 41 e subitamente levaram 5 jogos mais um 3-10 no último set, cheira-me que uma delas provavelmente lesionou-se EDIT: É que por acaso vi o jogo até aos 61 21 e as manas estavam a fazer da dupla sueca autênticas cadetes.
  17. Chega admite adiamento da venda centralizada dos direitos televisivos Ainda há uns meses tinha feito um post sobre isto no tópico da UCL, apenas falhei no autor da proposta (Governo e não Chega)
  18. Os croquetes e gins na tribuna na final da Taça da Liga, Taça de Portugal e Gala Cosme Damião finalmente a terem retorno
  19. Treinador já no grelhador segundo o Record
  20. Sim mas sem a mesma qualidade na comida.
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