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Guest Dpitz

[Análise] Época 2013|2014

  

125 votos

  1. 1. Quem foi o melhor jogador da época?

    • Rui Patrício
    • Cedric Soares
      0
    • Maurício
    • Rojo
      0
    • Jefferson
      0
    • William Carvalho
    • Adrien
    • André Martins
      0
    • Carrilo
      0
    • Capel
      0
    • Montero
      0
    • Mané
      0
    • Slimani
      0
    • Shikabala
    • Eric Dier
      0
    • Heldon
      0
    • Wilson Eduardo
  2. 2. Acreditas que atingimos os objectivos esta época?

    • Na liga
    • Na Taça de Portugal
    • Na Taça da Liga
  3. 3. Ficaste agradado com o futebol apresentado pelos Leões?

    • Sim, no geral.
    • Só na primeira metade da época
    • Só na segunda metade da época
    • Não.


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Quem foi para ti o melhor jogador desta época?

Sem dúvida nenhuma, William Carvalho. Teve a maior evolução que eu me lembro de ver num jogador de futebol em 7/8 meses, passando de um jogador por quem ninguém dava nada, a um dos melhores jogadores do campeonato (para mim foi mesmo o melhor, logo seguido do Enzo e do Gaitán). É neste momento um médio super completo, com grande margem de progressão. Um todo-o-terreno, com características físicas de excelência, com boa qualidade técnica, com uma capacidade de variar o centro de jogo muito acima da média e com uma serenidade e postura em campo incrivelmente incomuns num jogador de 22 anos. Parece uma máquina, impiedosa e inquebrável. Um autêntico muro.

 

Aparte deste monstro, menção honrosa para o Montero, que fez uma 1ª metade da época extraordinária mas que desceu de rendimento na 2ª metade (sem no entanto, na minha opinião, ter alguma vez deixado de ser a melhor opção para a frente de ataque), e para o Adrien, que esta época, enquadrado num modelo de jogo que o potencia imenso, realizou a melhor temporada da sua carreira, apresentando um rendimento altíssimo em alguns períodos da temporada e um rendimento não tão bom, mas ainda assim positivo, noutros períodos. Por ordem de referência, completam o meu "top-3".

 

Onze ideal?

Rui Patrício; Cédric, Dier, Maurício e Jefferson; William, Adrien e André Martins; Mané, Carrillo e Montero.

 

Na baliza nem é preciso justificar. O Rui, embora não ao nível de outras épocas, foi sempre o titular e esteve sempre a um bom nível.

 

Na defesa, começando pela lateral direita, o Cédric desiludiu-me. Evoluiu bastante na "cavalice" e na pujança com que faz todo o corredor, mas perdeu imenso discernimento com bola. Parece outro jogador, para pior. Espero que na próxima época, regresse à sua forma original, e deixe de parte o plano físico para voltar a ser um lateral com qualidade técnica, com visão de jogo e que procura envolver-se no processo ofensivo da equipa de outra forma que não apenas despejando bolas na área.

 

Na lateral esquerda, a época do Jefferson tem claramente dois momentos. O primeiro, até à lesão, em que apresentou sempre um bom rendimento defensivo e sobretudo ofensivo, envolvendo-se bem no ataque e procurando variar bastante o seu jogo, não se limitando a cruzar. O segundo, depois da lesão, em que não se viu nada disto. Viu-se, isso sim, um Jefferson bem limitado no plano ofensivo, e horrendo no plano defensivo. Não foram poucos os jogos em que aquele corredor esquerdo foi um autêntico passador. Para nosso bem, espero voltar a ver o "1º" Jefferson na próxima época, e não o "2º".

 

No eixo defensivo, o drama, a tragédia, o horror. Deixei o Rojo de fora. Não, agora a sério. O argentino, curiosamente, foi um jogador que foi evoluindo à medida que a época foi avançando. Nos primeiros jogos, continuava a ser um buraco autêntico. Por volta de Janeiro, já tinha melhorado imenso. E nestes últimos jogos, esteve a um bom nível, sobretudo ofensivo, ao nível da saída de bola, que, como eu já referi por aqui, é algo para mim muito importante para um central no futebol actual. Existiram até um par de jogos em que ele esteve excelente. Mas, no geral, acho que o Maurício, além de ter sido uma agradável surpresa, foi um central mais regular e mais fiável que o argentino. O brasileiro, não escondo, surpreendeu-me muito. Não ao nível dos seus defeitos, que eu identifiquei ainda antes dele cá chegar (a qualidade técnica no geral, mas também a qualidade de passe e a condução de bola), mas na forma como soube trabalhar para potenciar e moldar as suas qualidades. Moderou claramente a agressividade, e esteve sempre muito bem no capítulo da marcação, do desarme e do jogo aéreo. Além disso, é claramente um central que sabe coordenar e liderar uma linha defensiva. Há que reconhecer isso, e dar-lhe mérito por tal. Finalmente, no plano ofensivo, é um jogador que conhece bem as suas limitações. Quando não tem segurança no passe, normalmente entrega sempre na solução mais simples e mais próxima.

 

De resto, o Dier para mim é indiscutível no eixo. Foram do inglês as melhores exibições de um central do Sporting esta época. Defensivamente, apesar de ainda pecar em alguns pormenores, como o timing de salto em alguns lances ou a falta de agilidade (aspecto essencial para vir a ser o central de top mundial que tem potencial para ser), está, no mínimo, ao nível dos outros dois centrais. Forte no jogo aéreo, na marcação, no posicionamento, na serenidade e na postura superior que apresenta em campo. É raro tomar uma má decisão. Impressionante capacidade e timing de desarme. E depois, no plano ofensivo, tem um grande à vontade com a bola, tem qualidade de passe, quer curto, quer mais longo (é frequente vê-lo meter um passe vertical a 15/20 metros quando sai com a bola a partir da defesa) e tem uma boa condução de bola, que lhe permite desequilibrar a partir da defesa, furando a organização adversária e criando a superioridade numérica, soltando depois a bola, sempre da melhor forma. Na próxima época, espero que a dupla no eixo seja claramente Dier +1, porque o inglês só precisa de uma oportunidade séria e forte para agarrar o lugar e para evoluir paulatinamente para um jogador que, a médio-prazo, nos pode trazer um camião de barras de ouro vindo de Inglaterra.

 

Ora, passando para a posição "6", aqui também não há grande coisa a dizer. Já falei do William em cima, que foi dono e senhor do lugar, e que, se o conseguirmos segurar para a próxima época, voltará a sê-lo, com toda a certeza.

 

Ao lado dele, como um 8 de equilíbrios e de gestão do ritmo do jogo, também já falei um pouco do Adrien. Gostei bastante do seu rendimento esta época, e ficou desde o início bem claro que o sucesso da equipa também passaria bastante pelo nível de rendimento que o Adrien apresentaria. Tal como já referi em cima, esse nível foi, na maioria dos jogos, muito satisfatório, e a equipa foi carburando, até porque o Adrien é, no actual modelo de jogo, uma peça importante, pela forma como é a primeira referência para tentar organizar toda a nossa manobra ofensiva. Derivado também do modelo, pecou um pouco naquilo que ofereceu à equipa individualmente, sobretudo no aspecto ofensivo, e não me parece, num modelo de jogo mais complexo, ser a opção ideal para o meio-campo, mas esta época esteve a um excelente nível.

 

Ao lado do Adrien, nos últimos jogos, mas durante a maioria da época actuando como um 8 mais ofensivo/10/2º avançado/o que quiserem chamar àquela posição, esteve, na grande maioria das vezes, o André Martins. Foi uma época muito ingrata para ele. No primeiro terço da época, demonstrou um bom nível exibicional, em muito influenciado também pelo nível estratosférico que o Montero apresentava na altura em todos os momentos do jogo, e que facilitava também o trabalho ofensivo do André. Durante esse período, foi frequente vê-lo a dar bom seguimento à esmagadora maioria dos lances. Também fez um enorme trabalho defensivo um pouco durante toda a época, apresentando um nível altíssimo em termos de ocupação de espaços e de controlo do seu raio de acção.

 

No segundo terço da época, baixou de rendimento, muito devido ao abrandamento do Montero e à perda progressiva de qualidade de jogo da equipa, que foi lentamente privilegiando cada vez mais um futebol mais directo, mais vertical, mais precipitado e menos elaborado, o que prejudicou imenso o André, que não encaixa bem nesse estilo de futebol. Voltou a subir imenso de rendimento nos últimos jogos quando finalmente o Jardim percebeu o erro que cometeu e o recuou, colocando-o finalmente a jogar como interior direito. Aí, na sua melhor posição, com mais espaço para pensar o jogo e com mais bola, fruto de vir procurar pegar no jogo fora do bloco adversário, e de frente para a baliza adversária, o André foi talvez o melhor jogador do Sporting nos últimos 5 jogos.

 

Nesta posição jogou também em alguns jogos o Mané. Não tendo estado mal, foi inferior ao André nesta zona do terreno, sobretudo em termos defensivos. Ofensivamente, embora tenha acrescentado outra verticalidade e velocidade à posição, demonstrou muita precipitação no ataque à baliza adversária, tomando várias más decisões apenas por querer chegar o mais rapidamente possível às imediações da baliza.

 

Ora, passando para as alas, residiu aqui o maior problema do Sporting esta temporada. Nenhum dos extremos conseguiu ter uma série de jogos consistente, pelo menos apresentando um rendimento minimamente suficiente para jogar no Sporting. Os mais utilizados acabaram por ser o Capel e o Carrillo, dois jogadores que, cada qual por razões bem diferentes, parecem claramente ter chegado ao fim do seu ciclo em Alvalade. O espanhol pura e simplesmente regrediu esta época, e cada vez menos tem qualidade para ser sequer útil ao Sporting. Em pelo menos dois terços dos jogos, foi praticamente menos um em campo. Emperra a circulação de bola, trava o ritmo de jogo, acelera-o quando não deve, toma más decisões atrás de más decisões, raramente defende (e quando o faz, fá-lo mal), é muito pouco objectivo e pouco inteligente, revelando-se péssimo na leitura de jogo.

 

Já o peruano teve, mais uma vez, uma temporada extremamente irregular. É a sua imagem de marca, de resto. Tal como em temporadas passadas, também nesta vimos o Carrillo desequilibrar jogos e fazer exibições muito boas, apenas para no jogo seguinte praticamente passar ao lado do jogo (pelo menos ofensivamente). O próprio treinador chegou a ser irregular na forma como apostou nele, colocando-o no banco a seguir a jogos de qualidade, e colocando-o no 11 logo depois de exibições fracas do peruano. Ainda assim, foi o "menos mau" deste sector. No entanto, a sua estadia em Alvalade parece ter chegado ao fim, pois a sua relação com a massa adepta já está imensamente deteriorada. A sua saída seria o melhor cenário para todas as partes.

 

Esta foi também a temporada de estreia do Mané. E para temporada de estreia, esteve a um bom nível. Apesar de ainda ser bastante imaturo e precipitado no seu jogo, fez alguns jogos de boa qualidade e mostrou pormenores de muita qualidade. Claramente, uma aposta para manter na próxima época. Além dele, tivemos também o Wilson, que até começou relativamente bem a época, com alguns golos, mas que foi sol de pouca dura. Ao fim de 7/8 jogos, as suas várias limitações vieram ao de cima, e penso que será mais um jogador que terá de ter guia de marcha.

 

Finalmente, em Janeiro chegou o Heldon, vindo do Marítimo. Teve poucas oportunidades para se mostrar, mas ainda deu para se estrear a marcar com a nossa camisola. No entanto, parece também ter algumas limitações para ser uma mais-valia a este nível. Ainda em Janeiro, depois de uma grande novela no último dia do mercado, chegou também o mago egípcio Shikabala. Apenas jogou 15 minutos no último jogo do campeonato, mas foi o suficiente para demonstrar aquilo que já lhe era conhecido: uma grande qualidade técnica e muita capacidade de desequilíbrio. Será um "joker" para a próxima época, e estou ansioso para ver o que poderá fazer tendo a pré-época com a equipa e estando com os mesmos índices físicos dos companheiros.

 

Para terminar esta análise à equipa, o avançado. Aqui, temos que dividir esta posição em dois momentos diferentes. O primeiro com o Montero, na 1ª metade do campeonato. O colombiano entrou a matar no campeonato e desatou a marcar golos como se não houvesse amanhã. Além disso, a sua capacidade de se envolver e contribuir bastante para o processo ofensivo da equipa, fez do Sporting uma equipa muito forte no primeiro terço do campeonato. Após este período, desceu um pouco de rendimento, e sobretudo deixou de marcar. Apesar disso, continuou a dar imenso à equipa no momento ofensivo, sendo o nosso melhor jogador em alguns jogos e sendo também o único jogador que nos dava a criatividade que precisávamos em alguns jogos e que é talvez a maior lacuna deste plantel actualmente.

 

Ora, como os golos continuaram a não aparecer e como o Slimani já vinha resolvendo alguns jogos com golos importantes, no final das partidas, que deram pontos, o Jardim decidiu dar uma oportunidade ao argelino no 11. Foi o segundo momento desta posição na época. A qualidade ofensiva da equipa ressentiu-se imediatamente, porque o Slimani é um avançado bem diferente do Montero. É um homem de área, que se movimenta bem no último terço do terreno, mas que é bastante limitado fora dessa zona. Com ele em campo, a equipa deixou de procurar praticar um futebol apoiado, e passou a apostar em lançamentos mais longos, num futebol mais vertical e sobretudo, começou a abusar dos cruzamentos, à procura do jogo aéreo do argelino, que é de facto bem acima da média nesse capítulo.

 

O Slimani até correspondeu nos primeiros jogos, mas assim que a bola deixou de entrar, a queda em termos de qualidade ofensiva foi notória. A equipa habituou-se muito rapidamente a um estilo mais directo e mais prático, e depois não conseguiu mudar o chip para regressar ao futebol mais apoiado e mais elaborado. O recuo do André Martins para o meio-campo, jogando como interior, atenuou este facto e deu à equipa de novo mais soluções para um futebol mais paciente e cerebral, mas mesmo assim, os resultados começaram a tremer, e em alguns jogos tivemos alguma sorte por termos conseguido os três pontos.

 

Na próxima época, caso nenhum dos dois seja transferido, espero que, com um bom descanso nas férias, o Montero volte fresco e agarre o seu lugar na frente de ataque, pois a diferença entre ele e o Slimani ainda é grande, e o Sporting joga incomparavelmente melhor com o colombiano na frente.

 

Melhor contratação?

 

Fredy Montero. Fomos aos Estados Unidos arranjar um avançado acima da média, de muita qualidade. Que é bastante completo, e que além de jogar, ainda faz jogar a equipa. Com ele na frente de ataque, todos os companheiros que o rodeiam podem subir de produção, assim eles o queiram. Sem dúvida, um dos melhores avançados do campeonato, e a única contratação de verdadeira qualidade que fizemos esta época. Era óptimo que a bitola em termos de contratações futuras fosse estabelecida por ele.

 

Pior contratação?

Aqui estou claramente dividido entre dois jogadores que, cada um à sua maneira, até se demonstraram extremamente úteis e prestáveis. Um no que toca aos grelhados, às festas e, no geral, à gastronomia e ao lazer, e o outro no plano da imagem e das redes sociais. Este último destacou-se por ter uma extraordinária apetência para figurar em praticamente todas as fotos de grupo que foram sendo colocadas ao longo da época nas mais variadas redes sociais.

 

É difícil, mas diria Gérson Magrão. Por uma razão bastante simples: chegou, efectivamente, a calçar as chuteiras e a fazer alguns jogos oficiais pela equipa A. Já o Welder, felizmente para nós, apenas serviu de acompanhante e de "mobília" para os estágios da equipa. Nem tudo foi mau para ele. Ficou a conhecer Portugal, que é, de facto, um país lindíssimo.

 

Jogador que mais te surpreendeu?

Maurício. Confesso que, mais do que o nível que apresentou, nunca pensei que pudesse apresentar a regularidade exibicional e a capacidade evolutiva que apresentou. Surpreendeu toda a gente, e revelou-se um central bastante útil.

 

Não refiro o William porque já o mencionei em cima e porque, embora obviamente nunca tivesse sequer sonhado que ele podia chegar onde chegou, já acreditava +/- no início da época que ele ficasse no plantel principal e que pudesse eventualmente, com o passar dos jogos, roubar o lugar ao Rinaudo. Mas reitero: nem em sonhos se previa que ele atingisse o patamar que atingiu.

 

Jogador que mais te desiludiu?

Cédric. Para alguns fez uma excelente época e merecia ir ao Mundial. Para mim, estagnou como jogador. Laterais que baseiam o seu jogo na cavalice há aos pontapés. O Cédric tinha tudo para ser bem diferente desses laterais, e para ser um lateral de excelência. Está a caminhar para se tornar mais um desses. Viram-se uns fogachos de qualidade durante toda a época, mas nada mais que isso. Espero que na próxima época o "velho" Cédric regresse, que bem precisamos.

 

Onde achas que devemos reforçar-nos para a próxima época?

Idealmente, sem saídas dos principais jogadores:

 

- Um defesa central jovem e com boa margem de progressão, para ir evoluindo como 4º central ou para lutar pela titularidade com o Maurício, caso o Rojo saia (Marcin Kaminski).

- Um lateral-esquerdo com qualidade para discutir o lugar com o Jefferson (Carles Planas).

- Um médio-defensivo jovem e com bastante potencial, para servir de alternativa ao William e para posteriormente o substituir, quando ele sair (Simeon Slavchev).

- Um extremo de qualidade, com ainda com margem de progressão, que seja um upgrade claro para a posição e que pegue de estaca no 11 (Jakub Kosecki).

- Um avançado com qualidade, que venha acrescentar poder de fogo e qualidade à frente de ataque (aqui não vou sugerir nomes para já, porque ando algo indeciso).

 

Isto para mim seria o ideal. Mas tenho que referir que fico muito agradado com os últimos nomes a serem apontados ao clube: Oriol Rosell, Dorin Rotariu e, claro, Simeon Slavchev. Espero que sejam rumores com fundamento, e que todos eles venham a vestir a nossa camisola.

 

Melhor jogo da época?

Vitória por 4-0 frente ao Setúbal, em Alvalade, para o campeonato. A primeira parte foi razoável, mas a segunda parte, depois do 2-0, foi de grande qualidade, com boas combinações ofensivas e com um futebol de qualidade. Pena que muito raramente voltámos a ver isso esta época.

 

Pior jogo da época?

Derrota por 2-0 frente ao Benfica, na Luz, para o campeonato. Foi o jogo em que as várias debilidades da equipa foram expostas. A dependência do William, a ausência de um sistema alternativo que não fosse baseado no futebol directo e rudimentar, a incapacidade de conseguir construir jogo pelo corredor central, a dependências total das alas para conseguir chegar à baliza adversária, a falta de qualidade na saída de bola dos centrais ou a falta de criatividade dos nossos jogadores, no geral.

 

Foi uma derrota inteiramente justa.

 

Ponto mais alto da época?

A qualificação directa para a fase de grupos da Champions. Apesar de, a dada altura, se ter tornado um objectivo previsível e que chegaria mais jogo menos jogo, é o regresso à maior competição europeia de clubes, e a entrada de uma verba significativa nos cofres do clube, que bem o precisa. Foi uma das poucas alegrias na 2ª metade da época.

 

Ponto mais baixo da época?

A segunda metade da temporada. Um futebol muito pobre, sem qualidade, com falta de ideias e a basear-se apenas na capacidade de finalização de um jogador, que até conseguiu resolver alguns jogos, mas que não é, de todo, um craque, e que acabou por prejudicar a equipa nos jogos em que não o conseguiu fazer, pois a sua presença em campo incentivava ainda mais a precipitação e a irracionalidade no nosso futebol. Valeu pela vitória em Alvalade frente ao Porto, onde até jogámos razoavelmente, e pela qualificação directa para a fase de grupos da Champions. De resto, péssimo.

 

Treinador:

O Jardim surpreendeu-me durante metade da época, e correspondeu àquilo que já contava dele noutra metade da época. Teve grande mérito na forma como montou e organizou a equipa, que rapidamente apresentou um rendimento bastante razoável em todos os momentos do jogo. Defensivamente, a coesão entre linhas, a capacidade de fechar muito bem a zona central e a pressão bem organizada (em alguns jogos) fizeram do Sporting uma equipa forte e relativamente consistente durante grande parte do campeonato.

 

Ofensivamente, a equipa entrou a todo o gás na Liga, impulsionada por um fantástico Montero e por nuances tácticas que infelizmente foram sol de pouca dura, como as movimentações para espaços interiores dos extremos e o aparecimento constante na área para finalizar dos mesmos. Mas ao fim de 10/12 jogos, com o abrandamento do Fredy, a equipa ressentiu-se, as várias debilidades do nosso processo ofensivo ficaram expostas, e passámos o resto do campeonato a apresentar um nível ofensivo mediano, no máximo. Aqui o Jardim foi prático, ao colocar o Slimani no 11 e ao adoptar um estilo de futebol mais directo, mais rápido, mais precipitado e menos elaborado. No entanto, este estilo de futebol não leva a equipa a criar várias oportunidades de golo de forma constante, e assim que o Slimani também perdeu um pouco a sua veia goleadora, passou a ser sofrível ver o Sporting a atacar. Felizmente, isso só se começou a reflectir nos resultados quando já tínhamos praticamente garantido o 2º lugar, caso contrário poderíamos ter passado bem pior.

 

No geral, embora lhe atribua mérito e reconheça que fez um bom trabalho, não fico preocupado com a sua mais que provável saída.

 

Conclusão:

No geral, época muito satisfatória, embora com períodos de alguma oscilação exibicional que poderiam ter sido perfeitamente evitáveis. O caminho tem de ser construir a partir das bases que lançámos esta época, e estou confiante que o conseguiremos fazer, com um treinador novo (quase de certeza) e com um plantel de maior qualidade e profundidade.

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