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Carlos Gouveia

[FM'15] Futebol em Estado Nobre

Publicações recomendadas

 

Não é o meu canto, já não coloco aqui um save há uns bons 10 anos e, portanto, não prometo que isto corra bem, não garanto que dure mais do que um singelo mês, nem garanto que passe da primeira semana. Se deixar de ter vontade de atualizar isto, peço desculpa a quem seguirá, mas vamos todos fazer votos para que isto corra bem e que eu aprenda alguma coisa convosco.

Não vou ser muito rigoroso com a parte gráfica, as imagens vão ser diretamente postas daqui do gyazo, até porque a parte gráfica é aquela que me chateia mais. Se alguém quiser contribuir com o que quer que seja, agradeço imenso.

 

A personagem tem um ou outro traço meu, mas a personalidade, a família, entre outros, não tem nada a ver, não há cá sangue nobre nem coisa que o valha. Vou tentar seguir LLM, apesar de não saber muito bem as regras, mas vou jogar sobretudo para me divertir.

 

As ligas selecionadas são todas de Portugal e as duas primeiras de Espanha, França, Alemanha, Itália e Inglaterra.

 

Desde já um agradecimento ao Hawkeye pelo título.

 

Passando ao que realmente interessa, depois desta breve introdução para afastar os contribuintes.

 

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Futebol em Estado Nobre

O primeiro contacto

 

D. Afonso Henriques, pai de todos nós, portugueses, deixou um legado e, pelos caminhos mais virtuosos da sua linhagem, passando pelos duques de Bragança, família próxima do verdadeiro soberano de Portugal, nasci eu, na bela cidade de Chaves, Guilherme de Melo, corria o dia 9 de Março do ano da graça de 1994, e, convenhamos, sou um produto fantástico, apenas possível do resultado de algo tão sagrado e poderoso como o sangue real. Pena a minha família achar que essas conquistas já são passado e que agora somos uma família normal, não somos, somos frutos d'El Rei e devemos comportar-nos como tal. Não quero que julguem que sou especial, quero que saibam que o sou!

 

Depressa percebi que eu estava destinado a grandes feitos, grandes conquistas, grandes audácias. A escola aborrecia-me, obrigaram-me a estudar numa escola pública junto ao filho do pedreiro e à filha da padeira, não podia haver maior desonra, mas os meus pais consideram-se humildes e, como tal, sujeitaram-me a este tipo de situações, apenas o futebol me distraía desses pormenores, porque aí, aí sim, eu era melhor que os outros.

 

Nunca tive muitos amigos, nunca os quis ter, sempre soube que eu era melhor do que eles naquilo em que realmente me dedicava. Cheguei a ser chamado a fazer uns treinos nos clubes de Lisboa, mas preferiram matulões grandes ou que corressem muito, não souberam apreciar o meu toque real, a minha forma superior de jogar, fui preterido por jogadores como o Agostinha Cá ou o Samuel Monday, o Guilherme Matos ou o Edelino Ié. Sabem quem são? Claro que não sabem, ninguém sabe quem eles são hoje em dia e é isso que me prova de que eles, a esta hora, se arrependem.

 

Mas ninguém é perfeito e eu aprendi isso da forma mais dura possível, decorria o jogo frente ao Freamunde no já longínquo ano de 2011, e, de forma obviamente malvada, o Pedro Monteiro, talvez humilhado pela minha classe, decidiu pôr fim à minha carreira e, pasmem-se, nem falta foi, o árbitro considerou o lance legal, o lance que retirou a Portugal a sua maior promessa foi considerado legal. Hoje ele está no SC Braga B e eu... eu dediquei-me ao outro lado do futebol. Não vai ser um reles plebeu que irá desviar-me da minha promessa de sucesso.

 

Trabalhei nas camadas jovens da AD Flaviense e do GD Chaves, comigo eles aprenderam o que era jogar futebol, mas não gosto de depender de ninguém e o meu sangue foi feito para mandar, para decidir, para comandar e é apenas isso que quero fazer. Tenho 20 anos, contudo um vasto currículo de competências e estou certo de que 2014 é o ano certo para o futebol sénior ser completamente nobelizado.

 

Agora, a pergunta que todos querem saber, onde vou começar? Não sei, já mandei o meu currículo por esse mundo fora à espera que algum presidente tenha um laivo de sobriedade e perceba que tem aqui alguém que irá revolucionar mais o futebol do que o Mourinho ou o Guardiola juntos. Sei que por algum lado tenho de começar, que seja por cima!

 

 

Capítulos

  1. O primeiro contacto
  2. O meu primeiro trabalho
  3. De vez no mundo do futebol
  4. O clube
  5. Do outro lado das quatro linhas
  6. Dois mil e quinze
  7. Manter-nos-emos
  8. A maratona
  9. A competência é a rainha
  10. E assim foi
  11. O regresso
  12. Eu sou um profissional!
  13. Saí de casa
  14. A análise
  15. Na terra dos capões
  16. Um mês agitado
  17. Sempre a lutar
  18. Tudo dependerá deles
  19. Sangue azul
  20. Viva Portugal!
  21. Euro e Rio 2016
  22. Que fazer?
  23. A mais pequena atualização
  24. A realidade
  25. Os bombos
  26. Ano novo, vida nova
  27. Resta lutar
  28. Golos, golos e mais golos
  29. Já só falta um mês
  30. Qualquer rei perde uma batalha
  31. A ressaca
  32. Intrigas de pessoas menores
  33. Pequenas mudanças
  34. Vencer é a única opção
  35. O pontapé de saída
  36. Outubro, o fim da primeira volta
  37. Adoro emoção
  38. Comam filhoses e rabanadas
  39. Obviamente vamos passar
  40. Pedras Salgadas vs. Chaves
  41. Trabalho e depois sucesso
  42. Não é possível parar
  43. O único transmontano
  44. Atacar a subida
  45. O rei voltou!
  46. Arrumar a casa
  47. Apresentação do plantel
  48. Taça da Liga
  49. O regresso à Segunda Liga
  50. O reencontro com João Vieira
  51. Feira dos Santos
  52. Fenomenal
  53. A ver quem acerta!
  54. O primeiro mês de 2019
  55. É bom, não. É perfeito
  56. O futebol é assim
  57. NOS
  58. Recordes
  59. Aqui está a prova
  60. Prémios e competições
  61. 26 para atacar 2020
  62. Objetivo: campeonato tranquilo
  63. Devem-me o que são
  64. Espera-me sucesso
  65. A proposta
  66. Esperem por 2020
  67. O objetivo mais difícil
  68. O mês de Matheus
  69. A estreia
  70. Acreditar e jogar jogo a jogo
  71. Primeira época na primeira liga
  72. Uma proposta tentadora
  73. 18
  74. E agora?
  75. Decisão e apresentação
  76. Época europeia
  77. Mexidas e estreias
  78. Viagens europeias
  79. Agridoce
  80. Que o melhor de 2020 seja o pior de 2021
  81. O primeiro mês de 2021
  82. A caminho de algo enorme
  83. Zinedine Zidane vs. Guilherme de Melo
  84. Final da Taça da Liga
  85. A um jogo do fim
  86. Fim de época, fim de carreira

Currículo

Clubes

  • Lusitânia Lourosa: 17/11/2014 a 25/5/2015
  • Freamunde: 26/12/2015 a 1/5/2016
  • Chaves: 7/12/2016 a ...

Seleções

  • Gana: 8/3/2020 a 24/5/2020
  • Portugal Sub-23: 24/5/2020 a 19/7/2020
  • Espanha: 19/7/2020 a ...

 

Editado por Carlos Gouveia

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Como esta país está, aposto que terás de emigrar. :mrgreen:

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Sendo ele de "sangue real" é descendente do Duque de Bragança

 

Logo, só faz sentido ir treinar o Bragança ¯\_(ツ)_/¯

 

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Editado por Hawkeye

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Quero desde já agradecer a todos os que comentaram e dizer que não tenho nada contra o Pedro Monteiro, não o conheço, apenas é um jogador que jogou contra o Chaves em 2011 e que agora está no Braga B, se alguém tiver algo contra o facto de usar o nome dele que diga, que depressa se edita e se usa um jogador fictício, é só para dar mais realismo, até porque era capaz de ser engraçado vir a treiná-lo ou algo do género :mrgreen:

 

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O meu primeiro trabalho

 

Não aceito treinar abaixo do Campeonato Nacional de Seniores, algumas equipas propuseram-se, sobretudo equipas da região, Mesão Frio, Vilar de Perdizes, Vinhais, Sporting de Lamego, entre outras, aceitaram depressa os meus serviços, mas não ia sujeitar-me a jogar em campos pelados ou em relvados de sintético duvidoso como fiz quando mostrava a minha qualidade nas camadas jovens. Não, um neto de um rei tem de ter condições de trabalho. E, portanto, abdiquei da pré-época. Sobressair-me-ia em quaisquer condições, no entanto que sejam acima do limiar do absurdo.

 

Não desmotivei, os meus financiadores, a minha família direta, começaram a desesperar, a dizer que não tinham condições para manter um, parafraseando o meu pai, "mandrião em casa sem fazer nada", mas eles não sabem o filho que têm à frente. É pena eles nunca terem tido a mesma noção da realidade que eu tenho, condenou-nos ao fracasso e a uma vida de pura subsistência, e enquanto os nossos antepassados tiveram tudo, nós não temos nada, é fruto da mentalidade pequenina que paira nesta casa, à qual apenas eu escapei.

 

O verão passou, cheio de vida boa, em suma, uma vida digna do meu sangue, ao acordar ia consultar os emails, a caixa esteve vazia durante imenso tempo, quem perdiam eram eles e nem sequer me preocupei muito.

 

Até que um dia me atrasei e cheguei a casa corriam provavelmente as 7 ou 8 horas da manhã. Levei com a fúria do meu progenitor, a perguntar-me se sabia que horas eram. Honestamente não sabia muito bem, mas não devia tê-lo dito porque foi aí que ouvi aquilo que já temia há uns dias "Já chega! Vou falar com o Sr. Alcino e vais trabalhar lá na fábrica, nem que seja a limpar as casas de banho que ultimamente andam um nojo. Prefiro que trabalhes de borla do que andes nessa vida!". Esse Sr. Alcino era, e é, o patrão do meu pai, mas eu nunca me sujeitaria a limpar casas de banho. Quem é que eles pensam que eu sou? Não sabia muito bem como é que me ia escapar desta, mas escapar-me-ia decerto.

 

Não escapei! Não me dirigiu a palavra quando chegou a casa e mesmo a minha mãe não fez menção do assunto. Até que, como habitual, ia sair e ouço a voz do mesmo homem que me tinha vociferado nessa mesma manhã a dizer "amanhã quero-te às 7 horas e meia acordado, pronto para sair, veste um fato de treino velho que tenhas para aí que amanhã começas a trabalhar". Ignorei-o, já não era a primeira vez que era ameaçado, vesti-me, pus o telemóvel ao bolso, a carteira e... as chaves? "Mãaaae, viste as minhas chaves de casa?", respondeu-me uma voz masculina, "vi, podes sair, mas não voltas a entrar, as chaves ficam comigo". Isto nunca tinha acontecido e fez-me repensar os meus planos para essa noite. Peguei no telemóvel, "Estou constipado, hoje não saio" e enviei a mensagem. Mais vale prevenir e nunca tinha visto o meu pai desta forma.

 

No dia seguinte, acordei e fui, que remédio, puseram-me um balde e uma esfregona à frente e mandaram-me ir limpar o chão do escritório, "sempre é melhor do que limpar casas de banho", pensei eu, "mas isto não é trabalho para mim!". Não fui muito zeloso, não dei muita importância ao assunto, o que voltou a motivar a fúria do meu pai. No entanto, dormi em casa nessa noite, o que já não foi horrível.

 

Foi este o meu primeiro trabalho. Não será assim que chegarei a grandes feitos e não é assim que eu vou conseguir ser alguém, mas tenho de manter o mais velho da casa minimamente satisfeito senão tenho de ir para a rua pedir e começo a acreditar que ele não tinha quaisquer problemas com isso. Se permite que eu lave o chão onde passam reles ferreiros, também permitirá que eu ande a suplicar por um pedaço de pão.

Editado por Carlos Gouveia

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De vez no mundo do futebol

 

Os dias na fábrica foram longuíssimos, não era local para alguém como eu. Acordar cedo para ir fazer tarefas de empregada doméstica, eu, descendente de figuras tão ilustres, a sujeitar-me a este tipo de tarefas.

 

Não foram os melhores dias da minha vida, só me lembro de ter ficado pior quando o médico, o incompetente médico, me disse "Guilherme, não vais puder voltar a jogar futebol nem esforços com essa perna na vida", mas eu sabia que seria Sol de pouca dura. O meu único foco de interesse situava-se no futebol, em acompanhar o mercado de transferências, em ver jogos, bem, a minha vida resumiu-se a esfregona e futebol, sendo que esperava que o futebol viesse ocupar o lugar da esfregona.

 

Houve algumas transferências interessantes, surpreendentemente as três maiores foram de defesas, não foi um mercado muito agitado, sendo que em Portugal só houve duas mudanças significativas, a saída de Salvio para o Arsenal e a chegada do Mario Suárez ao Benfica, sendo que a transferência mais próxima dessas foi a chegada, por 725.000€, do Pereirinha ao Braga, onde irá encontrar o carniceiro que me destruiu a vida, espero que não lhe faça o mesmo!

 

Transferências por valor acima de 5M€ neste mercado

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Esta condição triste e degradante arrastou-se durante uns meses, não era digno, tinha de conviver diariamente com pessoas claramente abaixo de mim e isso não me agradava, até que, corria o dia 12 de Novembro, ainda de 2014 e recebo uma chamada. Estava a ouvir uma reprimenda do Sr. Alcino e, por respeito, ou por medo do meu pai que estava ao lado, não atendi. Mal sai, devolvi a chamada, um número que não conhecia, atendeu prontamente era um tal Samuel Agostinho, apresentou-se como presidente de um clube interessado na minha contratação, "outro Vilar de Perdizes, mas se calhar é melhor do que limpar o chão", já pensava eu,

 

Samuel Agostinho: "Fomos informados de que é um jovem treinador com muita ambição e que procura um lugar no mundo do futebol. Estou a falar com o senhor Guilherme Melo, certo?"

Guilherme de Melo: "Não, deve ser engano, sou um treinador, sim, mas esse não é o meu nome"

SA: "Ah, peço imensa desculpa, senhor..."

GdeM: "Guilherme de Melo, repito, de Melo"

SA: "Está a gozar comigo?"

GdeM: "De todo, apenas tenho muita estima pelo meu real nome, lamento se lhe causei algum incómodo", disse ironicamente

 

Julguei que a conversa iria acabar aqui, não me ia dar ao luxo de ter como presidente alguém que não respeita o nome real, ou seja, alguém que não me respeita. Mas o pobre homem talvez tenha percebido com quem estava a falar e continuou

 

SA: "Passando ao que realmente importa, o Quim fez 1 ponto em 5 jogos e concordamos na rescisão do contrato, devido ao nosso orçamento reduzido estamos à procura de um treinador jovem, com ambição e com vontade de aprender"

 

Estive prestes a desligar o telemóvel na cara do homem, mas um berro do Sr. Alcino, o ignóbil já deve achar-se gente!, fez-me pensar em tudo o que tinha passado nas últimas semanas e, como sou uma pessoa humilde, engoli em seco e continuei a conversa. Mas havia um pequeno problema, ir-me-ia sujeitar a trabalhar em condições degradantes e com um presidente que claramente não me respeita?

 

GdeM: "Não quero ser inoportuno, mas estaremos a falar de um ordenado na ordem de quanto?"

SA: "Bem, considerando as contingências, estamos a pensar dar-lhe cerca de mil euros brutos por mês"

 

Não queria acreditar, nunca fui muito bom com números, mas pensei um pouco e percebi que estaria a falar com um clube da Segunda Liga, para considerar mil euros brutos por mês um valor baixo, decerto estaria a falar com uma equipa profissional.

 

GdeM: "Isso parece-me manifestamente pouco. E prémios por subir à primeira?"

SA: "À primeira? Meu bom rapaz, só estamos interessados em dar-lhe um ano de contrato e olhe que a subida já é praticamente impossível"

GdeM: "E se me der dois?"

SA: "Com prémio por subida à primeira"

GdeM: "Sim, claro"

SA: "Se fizer isso, o senhor deve ser elevado a lenda do clube, para além do saldo negativo que temos, subir este ano e no próximo será um trabalho dos deuses"

 

As palavras "este ano e no próximo" bateram-me como se de um martelo se tratasse, estava de facto a falar com uma equipa não-amadora, mas também não-profissional, estava a falar com uma equipa do Campeonato Nacional de Seniores. Era o meu objetivo, mas depois da esperança, isto tornou-se numa desilusão, mas não ia passar nem mais um dia a varrer entradas para ferreiros.

 

GdeM: "E, até porque isto devia ter sido logo o início da nossa conversa, de que clube estamos a falar?"

SA: "Do grande..."

 

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Lusitânia Futebol Clube Lourosa

 

Fundado em 24 de Abril de 1924, é o principal clube da cidade de Lourosa, a cidade dos três C, Cidade Capital da Cortiça, que fica no concelho de Santa Maria da Feira. O seu estádio tem capacidade para cerca de 13.000 pessoas e dá pelo nome de

 

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Estádio do Lusitânia Futebol Clube Lourosa

 

Tudo isto eram detalhes que eu desconhecia até ter ido investigar, mas comprometi-me a ir ter a Lourosa na Segunda-feira próxima, dia 17 desse mês e, mentindo aos meus pais, dizendo que arranjei emprego no Porto. Sabendo que o Lusitânia, como parece que é suposto chamar-lhe, tinha perdido no dia anterior frente ao Moimenta da Beira, fui, uma mão à frente, outra atrás, em condições deploráveis para alguém de sangue azul, mas na esperança de não voltar tão cedo à minha cidade natal.

 

Cheguei à cidade e não foi difícil dar com o estádio, as condições não eram más, tinha trabalhado pior na AD Flaviense, mas nada a ver com as do GD Chaves. "Não interessa", pensei eu, "sou demasiadamente bom para falhar, mesmo aqui". Cheguei, já lá estava o senhor Agostinho, à minha espera com ar de poucos amigos. Admito que fiquei receoso, este tipo de pessoas das ligas inferiores não é muito inteligente, mas eu não podia dar-me ao luxo de voltar a Chaves "de pé descalço" e prometi a mim mesmo que iria sair dali com um contrato.

 

Depressa percebi que o problema do homem não era comigo, felizmente, mas sim com o resto da equipa técnica e com os jogadores por mais uma derrota, a segunda em casa desta época. Isto jogou em meu favor e, inteligente como sei que sou, pude alargar o leque de exigências, ainda que se tenha mostrado irredutível no salário. Não me preocupei muito e o homem estava demasiadamente desesperado para se arriscar a ficar sem treinador mais uma semana. No final da manhã, rubriquei o contrato que me dava a independência financeira daqueles dois pequenos de tiveram a sorte de me conceber que eu tanto queria.

 

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Para além disso, deu-me alguma liberdade para criar a minha equipa técnica, pedindo-me apenas para tentar aproveitar o que já pertence ao clube.

 

Relativamente ao plantel e à própria equipa técnica? Não faço ideia, mas também não é agora que o vou procurar, já passa do meio-dia e meia hora e vou almoçar que já não como nada desde o pequeno-almoço. Só sei que estou de vez no mundo do futebol e daqui só irei sair depois de atingir o estrelato.

Editado por Carlos Gouveia

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Lourosa? Eles estão numa serie equilibrada logo pode ser dificil conseguir o acesso à fase de subida no entanto com os reforços certos deverás conseguir isso com mais ou menos problemas

 

Boa sorte ;)

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Muito obrigado aos dois, com o começo dos jogos a parte da história irá para segundo plano, mas espero conseguir manter o estilo :mrgreen:

 

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O clube

 

Nunca pensei vir dizer isto, mas felizmente vivemos numa república. O sentido de cortesia desta gente não se adequa um regime tão nobre como o regime monárquico. Mal vejo a hora de ir treinar para Madrid, estou certo de que lá saberão apreciar o meu sangue, o meu talento e a pessoa que eu sou. Até porque, ainda que afastado, o rei Filipe ainda é meu primo.

 

Não é fácil engolir em seco tudo isto e aceitar esta pobreza de espírito, mas preciso mesmo dos 700 euros mensais que me vão cair na conta e, se e quando voltar a casa, voltar como o ser superior que realmente sou, talvez a viver numa casa muito melhor do que aquela espelunca com um quarto para cada um, uma sala minuscula e uma cozinha onde pouco mais cabe do que a mesinha onde os meus pais gostam de jantar. Uma tristeza, portanto.

 

Chegou a hora de conhecer a equipa técnica presente. O treinador adjunto era um tal de Martinho, nome completo, José Miguel Pereira Gonçalves Pinto, alguém vá perceber estes plebeus, mas decidi ficar com ele, já conhece os cantos à casa. Tem o lado mau de receber mais 200€ do que eu, o que pode provocar faltas de respeito, mas, como sei que sou boa pessoa, decidi dar uma oportunidade ao Martinho para evoluir na carreira. Nos juniores, um tal Hugo Costa irá manter a posição de treinador e um tal António Freitas a diretor do futebol jovem. Não quero saber dos miúdos, não vou ficar aqui muito tempo e nenhum deles tem qualidade.

 

Nas vertentes exteriores ao campo, o olheiro é um tal de José Luís Filipe e o fisioterapeuta é um Hugo Almeida. Nenhum dos cinco é grande elemento, mas basto eu. Ainda assim, pedi um olheiro extra e um preparador físico, que não vou ser eu, de certeza, a dizer a estes rapazes como alongar, comigo joga-se, fala-se e treina-se futebol, estas partes secundárias são, conforme o próprio nome indica, para pessoas secundárias. Espero, honestamente, espero que antes do próximo jogo isto esteja resolvido. Para já, isto está assim,

 

Equipa Técnica

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Ainda estava eu a perceber com quem podia contar, já o Sr. Agostinho me estava a chamar para uma reunião. "Outra?", pensei eu, mas lá fui, que ainda tenho a rédea curta e convém deixar boa impressão. Sei que a melhor impressão que vou dar vai ser nos jogos, contudo, para já, quero mostrar que sou e serei superior a estes pobres diabos.

 

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Começou logo mal, quem é que ele achava que era para me chamar Guilherme? Não andamos juntos na escola e nem sequer temos a mesma ascendência. A partir de agora, vou chamar-lhe Samuel, se não há respeito para um lado, não há respeito para o outro.

 

Continuou por insistir que eu conhecesse a história do clube e que desse uma conferência de imprensa. Eu não sou louco, até anui a ouvir a história gloriosa do Lusitânia, mas não vou perder tempo a falar para um jornaleco da região quando posso estar a trabalhar no campo. Sim, posso ouvir a história, pequenos como são fazer-me-ão perder cinco minutos do meu tempo, no máximo, mas uma entrevista? Não, isso não! As pessoas conhecer-me-ão no terreno, idolatrar-me-ão pelos meus feitos e não pelas minhas palavras. O homem achou estranho eu ter recusado aquela oportunidade de aparecer numa capa de jornal, mas para que é que eu quero aparecer numa capa de um jornal local quando sei que um dia serei capa do France Football ou do Daily Mail?

 

Saí da reunião com vontade de ir para o terreno, conhecer os jogadores e perceber quais eram os mancos que iriam ser titulares, mas depressa me apareceu o Martinho e foi assim que nos conhecemos. Trazia um relatório elaborado por ele, bem escrito, mas que servirá de pouco mais do que papel higiénico, quero lá eu saber da opinião dele. Fiquei a saber que na sua opinião, o melhor jogador da equipa era um tal Márcio, defesa direito. Não liguei muito, mas preocupei-me com o facto de só termos 20 jogadores no plantel e umas quantas lesões

 

Plantel - Relatório do Adjunto

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Não interessa muito, não será por aqui que vou decidir o que quer que seja. E perguntou-me quem seriam os capitães, esta gente não pensa muito, eu não conheço os homens, como é que vou decidir quem são os capitães? "Mantém os que já estão", assim evito confusões com jogadores descontentes por terem deixado de ser. Espero não me arrepender!

 

Cheguei ao campo, já lá estavam os vinte, até o pobre coitado do Marco Suri que só poderá jogar daqui a dois meses lá estava para me receber. Ainda nem tinha tido tempo de dizer "boa tarde", já tinha um jogador de pele escura e cara amigável a berrar "GUILHEEERME, és mesmo tu?". O amadorismo surpreendeu-me, olhei e reconheci aquela cara, era o Benvindo, tinha jogado no Chaves no ano da minha lesão. Não gostei da falta de respeito que o jogador demonstrou e ignorei-o. Comecei a minha apresentação e gostei de ver que o Baptista, o capitão, e o Lima não acharam muita piada às palavras da direção pela minha boca. "Queremos terminar num lugar respeitável", disse-lhes eu. A maioria gostou, mas aqueles dois queriam mais. Fiquei satisfeito pela ambição daqueles dois.

 

Chegou a hora do treino, 14 disponíveis e 2 condicionados. Devia ter-me informado melhor sobre isto antes de aqui me meter, mas chegará para fazer boa figura.

 

Depressa percebi que estes rapazes iam ter de jogar em 4-3-3, um avançado à frente, um médio defensivo atrás, a tática mais simples, não vou complicar muito e, como não há grande esperança de irmos à fase de promoção, vou aproveitar para os pôr a jogar à minha maneira sem esperar grandes resultados para já. O que me interessa é o bom futebol. A manutenção, essa, será naturalmente assegurada pela nossa e, sobretudo, pela minha qualidade.

 

Instruções Táticas

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Algo que me deixou satisfeito, foi, no dia seguinte, ontem, portanto, já ter lá o preparador físico. Gostei da competência. Um tal Bruno, destacara-se ao serviço do Ribeirão em 2005 como jogador, o que lhe valeu uma curta passagem por Moreira de Cónegos no ano seguinte, mas sem sucesso. Parece-me um homem pacato com quem irei trabalhar sem quaisquer problemas.

 

O olheiro chegou hoje, bem mais depressa do que o que esperava, chama-se Rúben Nathis, um angolano que prefere ser chamado de Testas. E assim ficou fechada a equipa técnica.

 

Equipa Técnica

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Não são as condições ideais, mas são as condições que temos, sei que merecia melhor, mas é para mostrar precisamente isso que aqui estou e, pela honra da minha família, irei prová-lo. Por falar na minha família, os meus antecessores mais próximos não acharam muita piada à ideia, mas ficaram satisfeitos por ter arranjado emprego.

 

Quanto à situação atual da equipa, conforme já tinha dito, está no Campeonato Nacional de Seniores, Grupo C num nada honroso 9º lugar, mas essa é a menor das minhas preocupações, para já.

 

Classificação a 19 de Novembro de 2014

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Estreio-me no próximo Sábado frente ao primeiro classificado. Se fosse em casa, asseguro-vos que ganhava, sendo assim, é preciso ser-se cauteloso.

 

Calendário

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O clube até não começou mal, o que me parece ser um sinal de que há alguma qualidade, mas tem de ser potenciada e, honestamente, quem melhor para isso do que eu?

 

E assim está apresentado o clube, da próxima vez que vos escrever sei que já terei perto do dobro do pontos. Esperem por mim no Natal!

Editado por Carlos Gouveia

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Do outro lado das quatro linhas

 

A semana correu bem e depressa chegou Sábado. Já imagino as notícias daqui a 20 anos, "Hoje, 22 de Novembro de 2034, faz 20 anos que o melhor treinador de sempre, Guilherme de Melo, se estreou no mundo do futebol". Não é difícil de imaginar algo que certamente será real. Mas, para isso, é preciso começar.

 

Sabia que não ia ser fácil, mas não abdiquei nem um milímetro dos princípios de jogo que quero para a minha equipa. Só tinha 16 jogadores disponíveis, à antiga, 11 titulares e 5 suplentes, sendo que levei o condicionado Márcio no banco só para se ir habituando ao que é ter um treinador digno desse nome do banco.

 

Salgueiros (4-2-3-1): Fonseca, Neto, A. Costa, Hélio, Steven, Joel, Fabinho, F. Costa, Nelsinho, J. Santos e Igor;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, António, Rui Jorge, Fernando Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Alan Junior.

 

Começámos muito melhor e foi com naturalidade que o golo surgiu pelos pés de Moisés, fruto de um livre direto. No entanto, a jogar com 10 enquanto António ia sendo assistido, um cruzamento do Francisco Costa, aos 20 minutos, foi bater na cabeça do Baptista e enganoiu o Marco, fazendo assim o 1-1.

 

O Salgueiros continuou a mostrar o porquê de estar em primeiro, mas aos 40 minutos, Hélio leva o segundo amarelo que nos permitiu sonhar com a vitória. No início da segunda parte, mesmo com 10, o Salgueiros alargou a vantagem depois de um mau corte de Bino que tirou o guarda-redes da jogada e isolou Igor que facilmente fez o 2-1. Estávamos atrás do jogo e a jogar com mais um. Mas nem 10 minutos depois, livre da direita e estava feito o 3-1, Léo Bonfim.

 

O jogo terminou assim, numa exibição que valeu pelos 10 minutos iniciais.

 

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Salgueiros 3 - 1 Lusitânia Lourosa

 

A minha estreia tinha ficado marcada por um jogo pobre, nada digno daquilo que eu serei no mundo do futebol e do que eu sou em Portugal. No entanto, teríamos agora duas semanas para corrigir o que de mau foi feito.

 

E as duas semanas passaram, o dia 7 de Dezembro de 2014 chegou e, com ele, vinha o jogo contra o Sousense. A minha estreia em casa e tinha a certeza que desta vez sairíamos com a vitória merecida, ainda que fosse contra o 3º classificado.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernando Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Alan Junior;

Sousense (4-5-1): N. Passarinho, Lebres, Quinzinho, Adriano, Salvador, Vítor Borges, Vítor Andrade, Marcos, Paulinho, Tiago Silva e Norinho.

 

O início do jogo foi, mais uma vez, totalmente nosso, chegámos ao quarto de hora com cerca de 66% de posse de bola e já uma oportunidade flagrante falhada pelo Alan Junior, o que mostrava que o jogo prometia. No entanto, o intervalo chegou com mais uma oportunidade falhada pelo mesmo Alan Junior e o marcador a nulos, tal como o número de remates do Sousense.

 

Na segunda parte, mais do mesmo, nós a pressionar e o Sousense encostado a defender. Mandei-os avançar, atacar, vencer o jogo.

 

Não resultou. O jogo terminou com 0 remates do outro lado, mas 0 golos também do nosso. Entristeceu-me tal injustiça, mas assim é o futebol e a minha primeira vitória tardava em chegar.

 

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Lusitânia Lourosa 0 - 0 Sousense

 

Tínhamos uma semana para preparar o jogo contra o 5º classificado. O Sporting de Espinho ia andar uns quilómetros e viria a Lourosa. E essa semana passou surpreendentemente devagar porque numa equipa semi-profissional só se treina quando o rei faz anos e eu gosto é de estar no terreno.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernando Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Alan Junior;

Espinho (4-3-3): Stephane, Bosingwa, Fábio Gonçalves, Almeida, Ricardo Correia, Miguel, João Dias, Muelson Samate, N. Fachada, C. Veloso, Capela.

 

Mantive o 11 porque, na realidade, o que falhou foi a finalização e estes são, de facto, os que me dão mais garantias. Mas, para contrariar a tendência, começámos manifestamente mal e, aos 6 minutos, já os apoiantes do Espinho gritavam golo, contudo foi apenas ilusão de ótica porque a bola bateu do lado de fora num falhanço do Fachada.

 

Acabamos por equilibrar as coisas, mandar uma bola à barra pelo suspeito do costume, o Alan Junior. O intervalo chegou, já era o Lusitânia a mandar no jogo, mas o marcador permanecia inalterado.

 

Na segunda parte, repetimos a primeira, mais bola, mais ataques, mais perigo, mais futebol, mas o resultado manteve-se igual, tudo a zeros até ao fim, onde mais um empate adiava a minha primeira vitória e começava a deixar-me fulo com os desperdícios constantes do Alan Junior.

 

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Lusitânia Lourosa 0 - 0 Espinho

 

No fim do jogo apareceu o meu primeiro problema disciplinar. O Pedro Sá, um suplente de fraca qualidade que tem jogado porque é dos poucos pontas-de-lança que temos, insatisfeito pelas palestras, deve andar contente pelos empates e pelas derrotas, decidiu insurgir-se contra mim e a resposta foi simples, "não voltas a jogar por este clube!", não estou para aturar faltas de respeito a jogadores tão reles como estes do Lusitânia, sobretudo a um suplente.

 

Percebendo a sua situação, pediu-me para rescindir em troca de nada e, em troca de nada, lá foi ele à sua vida, que eu não estou para aturar pessoas arrogantes e mal educadas. Fosse no tempo dos meus antepassados e a cabeça dele já estava a rolar por falta de respeito!

 

Para terminar o ano, 2014 ainda nos reservava uma visita ao 2º classificado, o Sobrado. Com cada vez mais vontade de vencer, mas sabendo com quem íamos jogar, decidi dar mais liberdade aos três da frente, mas restringir um pouco as ações do meio-campo para atacar.

 

Sobrado (4-2-3-1): H. Ferreira, Lino, Tiago Dias, Vicente, Fabú, André Soares, Joca, Gomes, João Miguel, R. Maurício e Moisés;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernando Santos, Ivo Oliveira, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Lima, Fábio Zola e Alan Junior.

 

O onze pouco mudou, mas o Lima entrou para dar mais poder atacante pelo lado direito, o Ivo Oliveira entrou para ajudar a defesa e o Moisés ficou mais preso a tarefas defensivas.

 

Entramos bem, muito melhor que o Sobrado, sendo que, já perto da meia hora, Alan Junior volta a falhar um golo feito. Não vos minto se vos disser que mandamos no jogo, mas chegámos, mais uma vez, ao intervalo sem golos.

 

Na segunda parte, o Sobrado apresentou-se em 4-4-2 clássico, mas o jogo permaneceu nosso, só que golos nem vê-los. Decidi testar eu um 4-2-4, mas perdemos o controlo do jogo e o Sobrado começou a atacar. Reverti o sistema e voltei para o nosso 4-3-3 tradicional.

 

O jogo voltou a ser nosso, mais oportunidades falhadas, sendo que o Sobrado ainda ia beneficiando de um erro do Fernando Santos já a queimar o minuto 90, mas o Marco esteve perfeito e manteve o empate.

 

Não é mau empatar na casa do 2º classificado, mas desespero por uma vitória e não vejo a hora de ela aparecer. Mais um bom jogo do Márcio, mas, conforme apareceu n'O Jogo, a qualidade da finalização deixa muito a desejar, precisavam lá de um jogador como eu para os impedir de falhar.

 

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Sobrado 0 - 0 Lusitânia Lourosa

 

A minha primeira vitória estaria, então, reservada para o ano de 2015. Vai ser o meu ano, eu sei-o, mas agora tenho umas semanas para pensar, procurar reforços e fazer uma fase de permanência tranquila, porque, nas 3 jornadas que faltam, apenas vamos jogar para cumprir calendário.

 

2014 acaba connosco em penúltimo, tal como começámos, com tantas derrotas como o 5º, mas muitos mais empates. Não iriam ser estes jogos empatados que nos iriam transportar para a Segunda Liga, mas, sem vitórias, o mundo não irá apreciar a qualidade do meu futebol e é somente para isso que eu estou neste ramo.

 

Ainda não decidi o que vou mudar, se é que vou mudar, apesar dos falhanços, o Alan Junior não tem estado mal, faz bem a ligação entre o meio-campo e o ataque, mas na hora H vacila. Preciso de as meter lá dentro, mas não quero perder a qualidade do Alan Junior e o dinheiro não abunda.

 

Sei que preciso de um ponta-de-lança e de um defesa esquerdo, são as minhas prioridades para Janeiro e tentarei fazer tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que temos esses jogadores.

 

Classificação à 15ª jornada

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Por 2014 é tudo, o próximo ano será meu e sei que daqui a um ano não estarei nesta espelunca, vou ser reconhecido e subir um degrau. Para já, a todos um bom Natal!

 

 

Agora com os jogos provavelmente irei diminuir a frequência com que atualizarei isto, porque é muito mais fácil só escrever do que ir relatando o que se passa, mas continuarei, até porque pelo menos a próxima já está quase pronta :mrgreen:

 

Editado por Carlos Gouveia

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What, está lá calado, foi mesmo! :mrgreen:

 

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Dois mil e quinze

 

Voltei a casa para a época festiva. Sou tradicionalista e o Natal é para ser passado com a família o que me fez relembrar o modo demasiadamente modesto em que se vive naquela casa. Não percebo, renegamos as nossas origens de uma forma brutal. Estou certo de que el-rei D. Duarte não vive assim, porque não é assim que o sangue azul deve viver! Felizmente já saí daquela casa e aqui, na Lourosa, apesar de viver um apartamento pequeno, vivo como devo viver. E, a partir daqui, será sempre a subir.

 

Com o novo ano, vieram os prémios, aquele prémio deveria ser meu, não fosse o atual suplente da equipa B do Braga, sim, porque ele não passa de um suplente de uma equipa B. O melhor do mundo, este ano, foi, depois de um ano em que ganhou o madeirense, Lionel Messi, que assim soma a sua quinta bola de ouro, o que, honestamente, não me surpreendeu. O fraco mundial do Ronaldo aliado ao atual 11º lugar do Real Madrid faz com que a memória se esqueça dos sucessos alcançados na época transata e fê-lo não aparecer, sequer, entre os três primeiros.

 

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Contudo, é o único português no 11 do ano, onde figuram três madrilenos, dois vencedores da Liga dos Campeões e aquela que foi, possivelmente, a contratação mais sonante do ano, James Rodríguez

 

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Antes de sair, virei-me para o Samuel, sim, porque se o presidente me trata por Guilherme, eu tratá-lo-ei por Samuel, e pedi-lhe um ponta-de-lança e um defesa esquerdo, ao qual ele começou a fazer contas e a perguntar porque é que tinha despedido o Pedro Sá, recebia pouco e não estaríamos agora a braços com este problema. Não lhe respondi, não tenho de dar justificações a ninguém, não estou para admitir faltas de respeito a ninguém e a decisão é apenas e só minha.

 

Quando cheguei tinha um, apenas um, jogador novo. Bem, novo como quem diz, a cara acabada fazia prever que tinha a carreira a acabar e, enquanto eles aqueciam com o Bruno, telefonei ao presidente para tentar perceber quem era aquele sujeito.

 

SA: Não pediste um ponta-de-lança? Arranjamos um do nosso clube satélite, o Canedo. Já conta com 12 golos esta época, espero que sirva. Chama-se Álvaro.

 

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Ainda o indaguei acerca do lateral, ao que ele me respondeu que estava a tratar disso, mas que, devido às contenções de custos, "não vai ser fácil". "Não vai ser fácil"? Eu faço um pedido, ou melhor, eu dou uma ordem, porque é uma necessidade para eu trabalhar e a resposta é "não vai ser fácil"? A incompetência neste clube aborrece-me demasiado. Começo a ter a certeza de que não fico cá para cumprir contrato. Mas preciso do dinheiro agora e tenho de ir treinar estes autênticos marrecos. Quanto ao Álvaro, pareceu-me jeitosinho, claramente com demasiada idade, mas bom jogador para o escalão.

 

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Estava apenas com 19 jogadores porque o António apanhou uma virose que o vai tirar do jogo contra o Cinfães, o último classificado, e seria esse jogo que iria marcar a minha primeira vitória, eu sentia-o.

 

O Álvaro deu bons apontamentos nos quatro dias que treino connosco, vinha de um bom período no Canedo e, portanto, no dia anterior conversei com ele e expliquei-lhe que ia jogar e que contávamos com ele para golos. Temos uma defesa tão boa como a do 2º classificado e o pior ataque da liga. Ele respondeu-me que esse era o seu trabalho e que iria fazer de tudo para me agradar. Gostei, tratou-me com o respeito que não é habitual nestas bandas e mais certezas me deu de que, pelo menos contra o Cinfães, iria jogar a titular, será o meu 9, quer no campo, quer nas costas, fazendo-me abdicar um pouco do trabalho no centro do terreno do Alan Junior, mas, acredito, trazer os 3 pontos.

 

Pela primeira vez desde que aqui estou, dei-me ao luxo de não levar para o banco um disponível porque tinha 19 jogadores à minha disposição. A fava calhou ao Ricardo Gomes, um médio centro muito fraco que, dos quatro jogos que já aqui fiz, só não jogou contra o Espinho, dada a vaga de lesões que tinha abatido o plantel. Agora, com o Marco Suri disponível, não preciso de usar este rapaz para nada.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, Rui Jorge, Fernando Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Alan Junior, Fábio Zola e Álvaro;

Cinfães (4-5-1): Avelino, Eduardo, Pepe, Luís Carvalho, João Alves, Alex, Hugo Soares, Toste, Abreu, Lukinha e João Beirão.

 

Voltei a apostar no 4-3-3, apesar de andarmos a trabalhar também o 4-2-3-1 ultimamente, com o Alan Junior a extremo direito e o Benvindo no banco. Tinha sido avisado para ter cuidado com o Hugo Soares, um médio com experiência de segunda liga, formado no FC Porto, mas nós éramos melhores que eles e iríamos demonstrá-lo em campo e, assim, pedi-lhes declaradamente a vitória.

 

Como é normal, o jogo começou por ser só nosso, o Cinfães encostado às cordas, mas a baliza só estremecia com remates à malha lateral. O nosso futebol era, e é, bonito, mas os golos teimavam em não aparecer, sendo que, para não variar, o Alan Junior voltou a falhar um golo na cara do guarda-redes.

 

Mas, aos 26 minutos, um passe na esquerda feito pelo Tiago Ferreira cai nos pés do Fábio Zola que faz um passe curto para o Álvaro na zona da meia-lua, que, brilhantemente, tira o Luís Carvalho da frente e, de fora da área, com o pé esquerdo, mete-a lá dentro, fazendo assim o meu primeiro golo de bola corrida no futebol sénior. "Este é o meu homem!". Um golaço! Olhei para o Samuel, que se costuma sentar no banco connosco e vi-o notavelmente satisfeito, quer pelo golo, quer pela contratação. Mas ainda era cedo e havia muito futebol para jogar.

 

O resto da primeira parte foi um pouco morto, mas fomos para o intervalo a ganhar 1-0. A segunda parte trouxe um Cinfães mais atrevido, desta feita em 4-4-2, mas um Lusitânia a ser superior e, como já é nosso apanágio, a falhar alguns lances de golo.

 

Aos 81 minutos, um passe em profundidade do Tiago Ferreira, um passe absolutamente soberbo, devo dizer, isola o Álvaro que, na cara do guarda-redes, mostra que foi uma contratação acertada e fechava o jogo, ou assim eu o pensava.

 

Mas o jogo ainda tinha algo para nos oferecer e, ao mesmo tempo que nós adormecemos, o Cinfães acordou e tentou correr atrás do prejuízo, conseguindo um golo por Lukinha aos 88 minutos. Mas daí não passaram e 2-1 foi o placar final.

 

Finalmente tínhamos ganho e, apesar do Álvaro não trabalhar tão bem quanto o Alan Junior, parece que nos garante golos e isso, nesta equipa, é muito importante.

 

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Lusitânia Lourosa 2 - 1 Cinfães

 

Seguia-se o Coimbrões que tinha vencido o Salgueiros em casa na última jornada e beneficiado de uma derrota do Sobrado para alcançar o 2º lugar. Iam lançados e já não perdiam há 5 jornadas. Desde então sempre com vitórias.

 

O lateral esquerdo não chegou e eu comecei a perceber que não ia chegar. Mas chegou o jogo contra o Coimbrões, jogo esse onde eu fiz algumas alterações no 11, de forma a manter todos motivados.

 

Coimbrões (4-1-3-1-1): Marco, V. Campos, António Carvalho, André Chaminé, Sardinha, Rúben, Jorge Lopes, Pinheiro, Diogo Almeida, Diogo Mota e Nuno Pinto;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, Rui Jorge, Fernando Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Marco Suri, Benvindo, Alan Junior e Álvaro.

 

O início do jogo foi equilibrado, mas uma falta feita no lado esquerdo do ataque do Coimbrões permitiu a Diogo Mota cruzar para a área e encontrar a cabeça de Pinheiro que fez o primeiro golo para a equipa da casa. Alguma infelicidade no lance, sendo que não merecíamos ter sofrido este golo nesta altura.

 

Reagimos mal, mas não sofremos e aos 36 minutos, um passe do meio da rua do Bino isolou o Álvaro, mas, quando eu já esperava o golo, o Marco, o guarda-redes deles, impediu o golo e configurou assim o primeiro falhanço do Álvaro ao serviço do Lusitânia. Esperei que não estivesse a aprender com os colegas e que isto fosse apenas um erro isolado.

 

Mas o lance deu canto, que foi marcado, mas Fernando Santos não chegou à bola e esta foi enviada para longe da área. Bino recuperou a bola, deu a Benvindo que sofreu uma carga de Pinheiro e... penalti. O Álvaro assumiu a marcação, talvez para se redimir do erro anterior, correu para a bola e... não falhou. Fazendo assim o 1-1 aos 37 minutos e o seu 3º golo ao serviço do Lusitânia em apenas 2 jogos.

 

Admito que fiquei satisfeito com a atitude da equipa depois do golo e começamos a mandar no jogo. O Coimbrões não fez mais nenhum ataque nessa primeira parte e concedeu uma falta a cerca de 25 metros da baliza em situação frontal. Manuel Baptista chamado à marcação e o livre foi marcado de forma exemplar. Aos 46 minutos, estávamos a ganhar 1-2 e, com esta vantagem, fomos para o intervalo.

 

Não escondi a satisfação no balneário, mas sabia que na 2ª parte iríamos encontrar outro Coimbrões, à procura da vitória e de voltar ao 2º lugar que momentaneamente estava perdido.

 

Mas o que encontrámos no início da segunda parte foi o mesmo Lusitânia, batalhador, mas com muito futebol e, corria o 49º minuto, quando Benvindo temporiza, espera pelo envolvimento do lateral Márcio, passa em profundidade, o nosso lateral cruza para Álvaro que, na pequena área, não se deu ao luxo de falhar e bisou na partida. 4 golos em 2 jogos para este homem e o 1-3 num dos campos mais difíceis da Série C.

 

O 4-1-3-1-1 deles passou para um 4-3-3 sem extremos e desta vez seria certo que eles iam acordar. E ainda marcaram por Júlio, mas o árbitro invalidou, bem, o golo por fora-de-jogo. Na sequência da marcação desse fora-de-jogo, Álvaro recebe a bola, isola Alan Junior que corria da esquerda para o meio e o brasileiro, na cara do guarda-redes, faz aquilo que sabe fazer de melhor e falha escandalosamente o 1-4 que ditaria, provavelmente, o fim do jogo aos 56 minutos. Recuámos um bocado de forma a defender o 1-3 e o Coimbrões só de longe conseguia criar algum perigo.

 

Já sem Álvaro em campo, que saiu tocado pelo jogo agressivo do Coimbrões, e com Alan Junior de regresso à frente de ataque, uma bola enviada para o mesmo Alan Junior, que serviu Benvindo, o meu velho amigo cruzou com peso conta e medida e, no 74º minuto, Alan Junior, dentro da pequena área, cabeceia... à barra, mantendo o seu jejum de golos por mais uns jogos, algo que me levou à loucura e só não o tirei imediatamente porque tinha o Baptista a dar sinais de cansaço já com um cartão amarelo e já só me sobrava uma substituição.

 

Até ao fim do jogo destaque para a lesão do M. Baptista já estava o Moisés pronto a entrar para o seu lugar e a bola à barra do Coimbrões na sequência de um canto, mas o resultado manteve-se inalterado e conseguimos uma vitória que de importante não tem nada, mas que foi extremamente saborosa. Não terá sido o nosso melhor jogo porque defendemos o resultado desde que fizemos o 1-3, mas fomos, sem dúvida, melhores, deixando o Coimbrões rematar 15 vezes, mas só por duas vezes à baliza

 

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Coimbrões 1 - 3 Lusitânia Lourosa

 

Faltava-me apenas um jogo da fase regular, jogo esse onde não ia poder contar com o Baptista, lesionado por pouco mais de uma semana e onde ia, curiosamente, receber a pior equipa do grupo a jogar fora de portas, o Pedras Rubras na esperança de manter a mais longa fase invencível de todas as equipas do Grupo C. Estávamos sem perder há 5 jogos e éramos a única equipa que nos podíamos orgulhar de tal feito.

 

O Baptista é uma peça importante na nossa forma de jogar e íamos jogar sem ele. Tive uma semana para tentar perceber como é que íamos fazer. Pensei em usar lá o Marco Suri, devolvendo a titularidade ao Moisés, pensei em jogar em 4-2-3-1 com o Alan Junior a voltar ao centro do terreno, mas, desta vez, nas costas do ponta-de-lança, pensei em usar um 4-4-2 com toques de 4-2-4 para jogar de forma mais ofensiva, pensei em várias possibilidades e acabei por me decidir por uma delas.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernando Santos, Bino, Marco Suri, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Álvaro;

Pedras Rubras (4-2-3-1): Humberto, M. Ruas, Nuno Costa, Gustavo Santana, Abílio, Pedro Sousa, Alex, Pedrinho, André Oliveira, João Amaral e Biscoito.

 

Naquele que seria o último jogo da fase regular, optei por dar o lugar de médio defensivo ao Marco Suri, por prescindir do Alan Junior a titular, por premiar o Benvindo pelo bom jogo frente ao Coimbrões e por dar a titularidade ao Fábio Zola.

 

A primeira parte foi maioritariamente nossa, chegou a gritar-se golo do Fábio Zola, mas o árbitro considerou que a bola não tinha passado a linha, mas foi uma parte muito morta, sem grandes ideias e com nenhuma das equipas a querer realmente vencer, o que me deixou irritado para a segunda parte.

 

Mostrei-lhes precisamente isso no intervalo e surtiu efeito. Poucos segundos tinham passado desde o apito que deu início a este período quando Fernando Santos faz um passe de 40 metros para o lado esquerdo do ataque, Fábio Zola cruzou rasteiro para Álvaro e o nosso temível ponta-de-lança, que até estava a realizar um jogo muito abaixo do normal, ludibriou os dois defesas do Pedras Rubras e na cara do guarda-redes não falhou, fazendo assim o primeiro do jogo.

 

O Pedras Rubras reagiu, mas sem criar perigo, assim como nós também pouco mais fizemos até ao fim do jogo. Trouxemos os 3 pontos que é o essencial e, na última jornada, abandonámos o penúltimo lugar do grupo.

 

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Lusitânia Lourosa 1 - 0 Pedras Rubras

 

Desta forma terminei o mês de Janeiro e a fase regular. O 7º lugar que tínha alcançado no último jogo não era importante porque na Fase de Despromoção começo com os mesmos pontos do atual 9º, mas a parte psicológica interessa e vou para a fase de despromoção com 3 vitórias consecutivas e com 6 jogos sem perder. Será para continuar de forma a conseguir uma manutenção fácil, cumprindo assim com o objetivo principal.

 

Classificação - Primeira Fase

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Classificação - Fase de Despromoção

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Começarei na casa do Cinfães, a primeira equipa que venci e que sentiu verdadeiramente aquilo que eu irei fazer no mundo do futebol: ganhar. Agora só daqui a um mês é que volto a jogar, terei um mês para os ensinar mais do que eles não sabem e duas semanas para insistir com o Samuel acerca de reforços. Se não tiver sorte, é certo que não estarei aqui na próxima época. Eu sou competente e exijo competência. Se nem o presidente o consegue fazer, tenho pena, mas este não é o lugar para mim.

 

Calendário

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Como podem ver, perdi um jogo quando eu nem 3 dias de trabalho tinha com os jogadores, a partir daí foi sempre em crescendo. É garantir que assim continuo e tenho um feeling que para o ano sou capaz de estar num clube profissional. Bem à minha medida e com ambições muito maiores do que a pequenez que reina em Lourosa. Mas, para já, esta é a minha realidade e dois mil e quinze promete. Ai se promete!

Editado por Carlos Gouveia

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Parabéns, está aqui um belo save. Arrogância à parte, o Guilherme até está a fazer um bom trabalho. :mrgreen:

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Apesar de já o ter feito no tópico apropriado, quero agradecer ao Roma pelo banner! :compinchas:

 

E obrigado Heiser pelo comentário, espero conseguir manter o estilo, mas "relatar" o dia-a-dia do FM e manter a arrogância nem sempre é fácil e admito que às vezes estou a escrever em "piloto automático" e quando dou conta já usei demasiadas vezes o plural, em vez de atribuir o mérito exclusivamente ao treinador, ainda tento reparar, mas alguns escapam :mrgreen: no entanto, o que interessa é que estou a gostar disto.

 

Já agora, eu, de post para post, tento corrigir o que ficou mais feito, por exemplo, neste foram os jogadores contratados, não me vou dar ao trabalho de corrigir isto, mas da próxima já espero que saiam melhor.

 

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Manter-nos-emos

 

Um mês para, realmente, planear a época. Estes últimos jogos já deram um pequeno sabor daquilo que somos capazes de fazer e, todos o sabemos, o mérito é exclusivamente meu. Foi eu que ensinei estes homens a jogar. Vá, meu e o do Samuel, que me trouxe o Álvaro que foi fator determinante, não é que ele seja grande jogador, mas é ele que as mete lá dentro!

 

Ainda só era dia 20 de Janeiro, quando resolvi marcar uma reunião com o presidente.

 

GdeM: Samuel, preciso de jogadores! Pedi-lhe um defesa esquerdo e ele ainda não chegou, estou com 20 homens apenas.

SA: Ó meu bom rapaz,

(não percebo a necessidade que ele tem de me tratar como se eu fosse um filho, graças a Deus não sou filho de um ser sem qualquer história!)

SA: Tens de perceber que o clube está sem dinheiro, estamos ligeiramente acima do orçamento para salários e trouxemos-te o Álvaro, ao qual tens dado bom uso, nós sabemos ver isso, mas não há dinheiro para mais. Para além disso, adaptaste bastante bem o Bino a lateral esquerdo, com o Ivo Oliveira como suplente não precisas de mais ninguém para aí.

GdeM: Eu adaptei o Bino porque o Ivo Oliveira não vale a sandes de torresmos que come depois dos jogo. E não vou usar permanentemente um jogador com 1 metro e 60 a lateral.

SA: Temo que vais! E temo que vais ter de te desenrascar com esses 20 homens. Não dispensasses o Pedro Sá!

GdeM: O Pedro Sá era pior que o Ivo, era insolente, mal educado e arrogante!

SA: O Pedro Sá tinha mais golos em 5 jogos do que o Alan Junior em mais de 15!

GdeM: Não temos um acordo com o Vitória Sport Clube? Use-o!

SA: Achas que não tentei? Eu não sou idiota!

 

A conversa azedou um pouco! Não percebo qual é o problema do homem, estou há 6 jogos sem perder, há 3 jogos a ganhar e o ignóbil ainda pensa que tem razão. Incompetente! Pensei em demitir-me no momento, mas não podia, a vergonha que seria voltar à minha terrinha sem nada, com três singelas vitórias em sete jogos. Não podia. Saí da reunião a dizer que iria eu próprio procurar jogadores e iria eu próprio mostrar-lhe que é possível ser-se competente em toda a ordem. Cambada de idiotas!

 

Não perdi tempo, eu não precisava de titulares, eu precisava de jogadores que me cobrissem uma onda de lesões e eu acho que o Samuel não percebia isso. Eu tinha um lateral direito, três centrais, um ponta-de-lança digno desse nome, um lateral esquerdo adaptado. Eu precisava de jogadores! Entao procurei, procurei e procurei.

 

"Samuel, pode dar 60€ por mês a um jogador?", liguei-lhe eu ainda nessa semana. O homem ficou muito surpreendido, ainda perguntou se estava a falar semanais ou mensais, "claro que é mensais!", respondi-lhe eu de imediato. O homem ainda barafustou, "tu vais trazer-me para aqui jogadores sem jeito? Respeita a história do Lusitânia, rapaz! Tu respeita-nos ou vais já para o olho da rua!". A falta de respeito com que o homem se dirige a mim está a aumentar cada vez mais e eu começo a ficar farto destas brincadeiras. Desliguei-lhe o telefone na cara e mandei o Filipe aparecer no dia seguinte, uma Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015.

 

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Pelo preço não podia esperar um Daniel Alves ou um Lahm, mas, é como disse, virá para jogar em caso de lesão do Márcio, de forma a não ter de desviar o António para a lateral direita como fiz no jogo contra o Salgueiros aquando da lesão do meu atual lateral.

 

Filipe - D D

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Nessa mesma Sexta-feira, o Samuel estava lá no treino. sempre com cara de poucos amigos. "Está a ver aquele além? É o Filipe, vai ficar, será o suplente do Márcio, vem por empréstimo e só temos de lhe pagar 60€ por mês. Se for preciso pago-lhos eu!". O homem ficou com cara de poucos amigos e, por entre um resmungo, lá disse que o clube cobria os custos, ao que eu respondi "acho muito bem, o Fernando [santos] renovou agora por mais um ano a receber menos porque eu lhe dei uma palavra, era o mínimo que podia fazer!". O homem ficou surpreendido, "como é que eu saberia que ele andava a renovar com os jogadores a tentar fazê-los receber menos?", estou certo de que ficou melindrado pelo problema que houve com o Pedro Sá e achou que o plantel não estava comigo. Não! O plantel está comigo e gosta de mim, olham para mim como o seu rei porque percebem quem têm à frente!

 

Creio que esta conversa desbloqueou um pouco a estupidez do Samuel e me deu livre trânsito e pude trazer mais alguns a receber estupidamente pouco, entre os quais um jovem com 19 anos cujos pais se tinham mudado para Santa Maria da Feira e que aceitou jogar por nós a troco de zero! Não é grande jogador, mas na situação que eu estou, é sempre bom ter um reserva que não ocupa espaço na folha salarial. Até ao fim do mês entraram vários jogadores, cada um foi uma chapada na cara daquele presidente, que não se dignou sequer a soltar um "ai", só perguntava quando é que aquele vinha ganhar e, sempre surpreso pelos baixos valores, anuia sempre às chegadas.

 

Por empréstimo vieram o Luís Rodrigues, um jovem guarda-redes que arranjou namorada nesta região do Entre Vouga e Douro e decidiu deixar a Alemanha, é bem possível que vá para o 2º posto da baliza, o Filipe de que já vos falei anteriormente, o Nuno Gomes, o tal lateral esquerdo que eu tanto pedia, tinha estado no banco naquela que foi a nossa melhor exibição da época e, provavelmente, quis perceber o que era ser treinado por alguém que realmente percebe do assunto, o Zé Tó, que estava a fazer boa época do Fiães e virá para não me obrigar a ter muitas mudanças no meio-campo aquando de uma lesão do Baptista e dois pontas-de-lança, o Carlitos, que, depois de se mostrar no Olímpico de Montijo, não conseguiu ganhar o lugar no Eléctrico e o Alex, que veio com o Zé Tó do Fiães com 8 golos da carteira e boas prestações. Em definitivo veio só o tal jovem de que já falei, João Neto é o seu nome, mas pouco ou nada conta nestas contas da titularidade.

 

Luís Rodrigues - GR

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Nuno Gomes - D E

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Zé Tó - MD C

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Carlitos - PL C

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Alex - PL C

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João Neto - D D

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O plantel acabou por ficar grande, mas com muitas soluções. Talvez não tão boas quanto eu desejava, mas, dentro destes todos, o Nuno Gomes é bem capaz de ganhar o lugar ao Bino e o Álvaro, apesar de não ter razões de queixa do homem, irá deixar de ter o lugar asseguradíssimo, até porque, a falhar assim, quem é que leva a ameaça do Alan Junior a sério?

 

Plantel a 1 de Fevereiro de 2015

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No restante mercado de transferências, há a destacar apenas 5 transferências internacionais e 2 nacionais.

 

Transferências Internacionais

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Transferências Nacionais

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E porque a paragem era grande, decidimos que iríamos à Póvoa do Varzim e ao Porto defrontar o Varzim e o Salgueiros, duas equipas que tinham sido as primeiras dos seus grupos no Campeonato Nacional de Seniores, sendo que o Varzim é, a par do Leiria, a equipa que mais pontuou em todo o país neste escalão, algo que lhes dá o estatuto de favoritos na Fase de Promoção e os torna num rival fantástico para os meus jogadores voltarem aos relvados e manterem o ritmo.

 

Varzim (4-2-4): Pedro Soares, Janicio, Sandro Cunha, C. Índio, Abel Pereira, Nélson Agra, A. Traoré, Hugo Seco, Rui Coentrão, Amilton e Diego Mourão;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Luís Rodrigues, Filipe, António, Fernando Santos, Nuno Gomes, Zé Tó, Tiago Ferreira, Moisés, João Neto, Alan Junior e Alex.

 

Dos recém-chegados, apenas o Carlitos, a braços com um pequeno problema físico, ficou de fora do 11 e eu tinha noção do que isto nos iria causar, um jogo cheio de problemas e talvez uma possível goleada. Mas eu tinha de conhecer estes homens.

 

Aos 6 minutos, Amilton já marcava na sequência de um canto e deixava o Varzim em vantagem. Mas não jogámos mal, o Alex ainda desperdiçou dois lances de golo e, ao terceiro, depois de um soberbo trabalho sobre o Índio, não falhou e empatou, corria a meia hora de jogo. Um bom trabalho de um homem que me parece que, sem ser mau, precisa de um companheiro no ataque.

 

Com a segunda parte veio um Varzim mais atrevido, mas também veio a lesão do Nuno Gomes que esperei não fosse grave, apesar de ser ofensivamente pior que o Bino, defensivamente é outra coisa e fiquei satisfeito com o homem. Aos 60 minutos, mais um canto, mais um golo, Pedro Santos, recebe a bola e faz o 2-1 para os da casa, numa altura em que estávamos longe de estar a jogar bem.

 

Depressa veio o terceiro, livre da esquerda, perto da zona de canto, e Rui Coentrão aproveita o cruzamento de Telmo, um golo tirado a papel químico do primeiro. Ainda ensaiei o 4-2-4, mas este jogo era sobretudo para isso, ver, experimentar e tirar lições e o 4-1 não tardou a aparecer depois de um cruzamento da direita e uma confusão na área, Amilton bisou na partida. Eles foram superiores a nós nesta segunda parte e o 5-1 final apareceu, de novo, pelos pés de Amilton, após cruzamento pela esquerda.

 

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Varzim 5 - 1 Lusitânia Lourosa

 

Tinha sido um amigável e com uma equipa que não era, literalmente, do nosso campeonato. Ainda assim, fiquei a achar que num jogo oficial, com mais concentração e com os melhores em campo, daríamos outra luta.

 

Seguia-se o Salgueiros, a possibilidade de vingança e um jogo que já íriamos encarar com mais seriedade, com mais dos habituais titulares, tirando apenas aqueles que se encontrassem fatigados, mas sem nos esquecermos que era apenas um amigável.

 

Salgueiros (4-2-3-1): Fonseca, Steven, Philipe, A. Costa, Hélio, Mário Pereira, Fabinho, Mateus Fonseca, J. Santos, F. Costa e Onyeka;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Hugo, Márcio, Rui Jorge, Fernando Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Fábio Zola, Alan Junior e Álvaro.

 

Relativamente ao primeiro jogo que fiz contra eles, saiu o Marco, o António e o Benvindo, entrou o Hugo, a quem quis dar minutos, o Márcio, lesionado na altura, e o Álvaro. Não são muitas mudanças, é certo, os jogadores são os mesmos, mas a equipa já é outra e eu estava confiante numa boa exibição.

 

Mais uma vez entrámos a ganhar. Um erro de Fonseca, permitiu a Fábio Zola meter a bola lá dentro e dar-nos a vantagem. Mas desta vez o Salgueiros estava mesmo a defrontar uma equipa diferente e não conseguiu reagir tão depressa como em Novembro, contudo na sequência de um canto aos 32 minutos, Mário Pereira aproveitou uma defesa incompleta e empatou o jogo. Muitas semelhanças com o jogo anterior, ainda que desta vez um Lusitânia mais coeso.

 

Estávamos obstinados a não deixar o jogo ir para 3-1 e até a virar o jogo, ficando 1-1 ao intervalo. Na segunda parte, as substituições tornaram o jogo num jogo morno, com Álvaro a reclamar penalty aos 75 minutos e com a lesão do Zé Tó aos 81, que nos fez voltar ao 4-2-4.

 

Já no fim do 87º minuto, um livre na esquerda, Benvindo, entrado aos 51 minutos, manda a bola a área e, no coração, Ricardo Gomes, entrado aos 75, cabeceia certeiro e faz o 1-2. Fiquei feliz pelo golo e queria mesmo a vitória, era uma questão de realização pessoal e tranquei as portas, o 4-2-4 passou a 4-1-3-2 e a vitória não escapou. Não era um jogo importante, mas a satisfação que retirei da vitória não tem preço. Estes provaram a minha qualidade, agora que já pude trabalhar a sério com este plantel.

 

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Salgueiros 1 - 2 Lusitânia Lourosa

 

Deste último jogo só tínhamos a retirar de negativo a lesão do Zé Tó, que o iria retirar do jogo contra o Cinfães. Entretanto, o Chaves, ao qual me ofereci no início da carreira, decidiu despedir o Carlos Pinto. Típico! Só se apercebem dos erros quando já nada há a fazer. Foi para lá o treinador do Oriental, João Barbosa. Tenho pena daquele clube, comigo estavam a lutar pela subida, assim estão a 2 pontos da linha de água.

 

O jogo em Cinfães chegou depressa e foi altura de apostar no meu 11, só que desta vez com mais dores de cabeça a escolher o banco.

 

Cinfães (4-5-1): Avelino, Eduardo, Fabeta, Diogo Vila, Luis Carvalho, Alex, Toste, Hugo Soares, Ari Santos, Lukinha e João Beirão;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Álvaro.

 

Estreia do Nuno Gomes em jogos oficiais com a mítica amarela e preta, Luís Rodrigues e Alex a estrearem-se no banco e estava lançada a equipa que iria defrontar o Cinfães, a primeira equipa à qual ganhei, mas que tinha vencido o Lusitânia por 2-0 em casa, ainda antes de eu revolucionar isto, mas expliquei-lhes que só a vitória interessava e o início do jogo foi monopolizado por nós, contudo sem grandes hipóteses de golo.

 

Falta à entrada da área para ser marcada por Moisés. O luso-venezuelano bateu o livre, que bateu na barreira e voltou para si, protegeu a bola e sofreu falta de João Beirão que lhe dava direito a repetição do livre. Com as medidas já tiradas, um momento de inspiração pura permitiu a Moisés abrir o ativo aos 34 minutos de jogo, pondo alguma justiça no marcado que durou até ao intervalo.

 

Conforme o último jogo que tivemos, o Cinfães transformou o seu 4-5-1 num 4-4-2 clássico na segunda parte, algo que só surtiu efeitos aos 67 minutos, fruto de uma desatenção na minha defesa, mas que só deu em canto e do canto nada resultou. O jogo continuava nosso e na sequência de uma falta na direita marcada por Benvindo, apareceu o 0-2, Fernando Santos aproveitou o desarme incompleto de Ari Santos para fazer o 0-2 com que o jogo terminou, naquele que foi o primeiro jogo oficial em que o Álvaro não fez o gosto ao pé desde que chegou a Lourosa.

 

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Cinfães 0 - 2 Lusitânia Lourosa

 

Voltámos a vencer o Cinfães num jogo muito bem conseguido e começavam a aparecer os primeiros elogios que eu saberia que chegariam. All hail the king!

 

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Não deixava de ser necessário concentração para defrontar o Espinho, mas é bom saber que o meu talento começa a ser apreciado, o que decerto facilitará a minha saída desta espelunca sem nível para acolher um descendente de seres tão nobres como el-rei D. Afonso Henriques, D. João I e com sangue partilhado com monarcas de hoje, como Felipe VI de España ou Elizabeth II.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Álvaro;

Espinho (4-3-3): Renato, Bosingwa, Fábio Gonçalves, Almeida, Pedro Pereira, Miguel, João Dias, Danilo, N. Fachada, C. Veloso e Capela.

 

O jogo mal tinha começado, já um livre da direita por Veloso permitia a Fábio Gonçalves, de cabeça, inaugurar o marcador e pôr-nos a perder, algo que me enervou, dada a displicência da equipa no lance. Ainda marcámos aos 16 minutos por Fábio Zola, mas o árbitro considerou fora-de-jogo. A primeira parte foi um deserto e fomos a perder para o intervalo.

 

A minha fúria foi bem notada no balneário e passámos para 4-2-4. Aos 54 minutos, cruzamento da esquerda de Benvindo, Nuno Gomes amorteceu e Fernando Santos repôs a igualdade. 1-1, menos mal, mas eu queria mais e mandei-os continuar, eu queria os 3 pontos, estávamos a jogar em casa e não ia admitir menos do que isso.

 

O jogo continuou exclusivamente nosso, mas um erro combinado do Fernando Santos e do Márcio isolou Jonathan, o ponta-de-lança adversário, que, aos 79 minutos, na cara do Marco não falhou e fez o golo para o Espinho. Mandei-os atacar, mas foram fracos e acabaram assim com a série invencível de 7 jogos.

 

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Lusitânia Lourosa 1 - 2 Espinho

 

Foi suficientemente cáustico no balneário. Não gostei, detestei, não me honraram e desonraram-se a eles próprios. Perder em casa é inadmissível contra qualquer equipa do Grupo e voltamos ao 6º lugar, quando poderíamos estar em 2º. Em Março não podemos permitir que isto aconteça e Março será um mês longo com 5 jogos

 

Classificação

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Continuo fulo com esta derrota, principalmente porque foi devida a um erro. Fomos sempre melhores e não o aproveitamos. Manter-nos-emos, esse é o objetivo, mas eu queria competitividade, queria que todos percebessem que comigo, até o singelo Penafiel, atual último classificado na Primeira Liga, poderia estar a lutar pelo 4º lugar. E não falo no 3º, porque os três grandes ainda são fortes para eu conseguir ensinar um monte de pernetas a jogar em estado nobre, queria futebol. O próximo mês vai ser diferente, ai se vai!

Editado por Carlos Gouveia

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A maratona

 

Nunca fora grande excitação ser aniversariante, os meus pais não entendiam o conceito de um nobre fazer anos, para eles era como qualquer pessoa normal fazer anos e, assim, apesar de Março ser o meu mês, nunca me deslumbrou muito. Mas este Março teve algo de diferente. Teve 5 jogos, de dia 1 a dia 28 iríamos a Pedras Rubras e a Moimenta da Beira e receberíamos o Gondomar, o Sousense e, aqueles a quem eu tirei a hipótese de estarem a lutar pela subida, o Coimbrões. O meu objetivo pessoal era 10 pontos nestes 5 jogos. Sou suficientemente bom para o conseguir, a mínha dúvida permanece naqueles que tentam pôr em prática as minhas ideias. Não os sinto inteligentes o suficiente para o perceberem! Mas não houve muito tempo para pensar em assuntos menores, Março chegou depressa e, com ele, a visita a Pedras Rubras. Era, claramente e como sempre, para ganhar e era a pensar nisso que íamos entrar em campo.

 

Pedras Rubras (4-2-3-1): Humberto, M. Ruas, Nuno Costa, Gustavo Santana, Abílio, Pedro sousa, Alex, Pedrinho, André Oliveira, Tiga e Biscoito;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernardo Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Marco Suri, Alan Junior, Fábio Zola e Álvaro.

 

Vindo de duas vitórias consecutivas, o Pedras Rubras procurava neste jogo uma vitória que pudesse dar alguma folga na luta pela manutenção e aos dois minutos Marco adiou o 1-0 que parecia quase certo. Ainda voltaram a ter uma oportunidade de golo dois minutos depois, mas não concretizada e foi o tónico que acordou os meus jogadores para o domínio da posse de bola.

 

Mas defensivamente, os meus 11 estiveram sempre muito desconcentrados, o que ainda piorou com a lesão de Bino, titular devido a um toque que Nuno Gomes sofrerá num treino, que me obrigou a usar o Baptista a lateral esquerdo, o Suri a médio defensivo, obrigando o Moisés a entrar aos 39 minutos de jogo, logo a seguir ao golo do Pedras Rubras, depois de um erro imperdoável de António que falhou a interseção a uma bola fácil. Estávamos atrás no resultado e com um adaptado, já amarelado, em campo.

 

Ao intervalo relembrei-os dos nossos objetivos e pareceram todos muito cientes disso mesmo, mas aos 50 minutos, o jogo ridiculamente agressivo do Pedras Rubras voltou a lesionar-nos um lateral, desta feita o Márcio, que também não tinha suplente direto no banco. Nunca fomos dominados, mas nunca criámos reais oportunidades de golo e, em contra-ataque, Biscoito fez o 2-0 que nos punha fora do jogo. Resultado da descoordenação defensiva que reinou todo o jogo! Ofensivamente não estivemos melhores, tendo tido o primeiro remate enquadrado aos 92 minutos para defesa de Humberto.

 

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Pedras Rubras 2 - 0 Lusitânia Lourosa

 

A imprensa considerou que o Pedras Rubras tinha tido sorte, eu considero que estes 14 homens que tiveram a oportunidade de jogar foram asquerosos e eu não vou tolerar nunca 2 derrotas consecutivas sem tomar uma atitude! Seguia-se o Gondomar, no nosso estádio e algo ia ter de mudar. Começando pelo 11!

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, João Pedro, Fernardo Santos, N. Gomes, Zé Tó, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Carlitos;

Gondomar SC (4-3-3): L. Pinto, Nando, Gil Dias, Hélder Sousa, Tiago Gil, Tiago Gomes, Nuno Pereira, Júlio Santos, J. Betancourt, Guo Yi e Djibril.

 

6 mudanças relativamente ao 11 anterior, apenas uma forçada, a do M. Baptista e uma estreia absoluta com esta camisola: Carlitos que nem nos amigáveis tinha jogado por lesão. E não foi preciso passar um minuto para começar uma jogada de toques curtinhos pela direita, Zé Tó, Moisés, Márcio, Benvindo, Carlitos e... GOLO! Nunca antes tinha tocado na bola pelo Lusitânia e já estava a marcar! 1-0 ainda o árbitro tinha o apito da boca para iniciar o jogo.

 

O Gondomar pouco atacou, mas defensivamente esta equipa não está forte e Djibril aproveitou uma falha de marcação do Fernando Santos para empatar o jogo aos 20 minutos. Ainda se pediu fora-de-jogo, mas, honestamente, não me pareceu. Sabíamos que estávamos a jogar contra os primeiros do grupo, ainda que ser primeiro na fase de manutenção fosse exatamente igual a ser quinto, mas eu sei o que valho e mandei-os atacar. Não íamos ficar com um ponto e foi o Benvindo que me deu a alegria do 2-1 aos 31 minutos, depois de receber a bola de Carlitos, em mais uma bonita jogada de toques curtos, uma troca no assistente e no marcador relativamente ao primeiro golo.

 

Fomos para o intervalo a vencer 2-1 e estaria a mentir se dissesse que não estava satisfeito. O Gondomar respondeu à segunda parte em 3-4-3, um sistema que nunca tínhamos defrontado. A avalanche ofensiva do Gondomar era notória e mandei os meus jogadores recuar um pouco as linhas, estancando o jogo adversário. Resultou em 20 minutos de jogo desinteressante onde as melhores oportundidades foram nossas.

 

Mas o Gondomar não se deu por vencido e a partir dos 75 minutos começou a pressionar na ânsia de obter o ponto, no entanto não conseguiam mais do que rematar de fora da área, numa altura em já defendíamos com 10 homens atrás da linha da bola, ficando Carlitos só na frente. É verdade que há sempre alguma desconfiança e eu desconfio sempre dos meus defesas, mas também é verdade que o 2-2 nunca foi um perigo real e o jogo terminou mesmo connosco a garantir os 3 pontos frente ao ainda 1º classificado do grupo. Uma vitória importante, não pelo aspeto pontual, mas pelo aspeto anímico.

 

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Lusitânia Lourosa 2 - 1 Gondomar SC

 

Esta vitória não nos dava conforto pontual, mas isso ninguém tinha, nem sequer o próprio Gondomar, que estava em 1º a apenas 3 pontos de nós, o 6º que, no final do campeonato terá de lutar pela manutenção num play-off. Ainda havia 10 jornadas pela frente e até o Cinfães, último a 10 pontos do Gondomar, tinha todas as possibilidades de garantir essa tão desejada manutenção.

 

Nessa semana, o Marco Suri, que até vinha tendo minutos, começou a mandar "papaias" de que queria jogar e que eu não estava a meter os melhores. Não tínha mais nenhum médio centro suficientemente bom para servir de alternativa quer ao Tiago Ferreira, quer ao Moisés, então, para o acalmar, engoli um bocado o orgulho e disse-lhe que no fim da época o deixaria sair. Não tenciono cá estar, nunca será meu problema e assim não tenho um jogador insatisfeito no plantel.

 

Seguia-se o Sousense e, com ele, um dilema que procurei solucionar com o meu adjunto.

 

GdeM: Ó Martinho, que 11 usarias?

Martinho: Guilherme, eu não concordei com aquilo que fizeste no outro jogo, para mim era fácil, o Marco mantém a baliza, o António recupera a titularidade ao lado do Fernando Santos, retomava o Ivo a lateral esquerdo porque ele nunca fez nada para deixar de ser titular e depois daí para a frente usava o tradicional, com o Alan Junior, o Fábio, o Baptista, o Tiago e o Moisés a servirem o Álvaro.

 

Com esta intervenção o Martinho conseguiu assegurar que nem sequer o considere para uma futura equipa técnica. Primeiro achou mal termos ganho, depois ainda acha que devemos usar a nódoa que é o Ivo Oliveira na esquerda. Os cinco anos de casa deste Ivo estão a afetar os neurónios a esta gente e ignorei completamente o conselho do Martinho.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, João Pedro, Fernardo Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Fábio Zola e Carlitos;

Sousense (4-3-2-1): N. Passarinho, Lebres, Quinzinho, Jorge Humberto, Salvador, Vítor Andrade, Paulinho, Marcos, Flávio Igor, Tiago Silva e Norinho.

 

Bino, Baptista e Fábio Zola foram as únicas diferenças relativamente ao jogo anterior. O Bino porque o Nuno Gomes anda com alguns problemas físicos, o Baptista porque é, de facto, o nosso melhor médio e o Fábio porque o Alan Junior não consegue fazer duas boas exibições seguidas. As minhas maiores dúvidas tinham sido o João Pedro e o Carlitos, mas, fruto das suas boas exibições frente ao Gondomar, decidi mantê-los no 11 inicial.

 

Era fulcral vencer este jogo para ficar a 5 pontos do 7º lugar que dava a despromoção direta, mas o Sousense também sabia que uma derrota seria algo perigoso para eles e começou um pouco forte.

 

Essa força depressa se desvaneceu quando numa jogada de envolvimento pela direita entre o Márcio e o Benvindo, que bem que se entendem estes dois!, o cruzamento surgiu pelos pés do meu velho conhecido e Carlitos no coração da área introduziu a bola dentro da baliza com a cabeça depois desta jogada fenomenal.

 

O 1-0 durou pouco tempo, ainda os nossos adeptos festejavam quando Moisés bate um canto do lado direito do nosso ataque, Benvindo assiste João Pedro que remata para uma grande intervenção de Norinho em cima da linha, mas Carlitos, com faro de golo, vai à recarga e bisa no encontro, fazendo assim o 2-0 ainda antes do quarto de hora.

 

Não tardou até perceber o porquê do Sousense estar com sérias dificuldades para se manter. Moisés bate um livre da direita e Fábio Zola vai mais alto que todos e, com 1 metro e 75, faz o 3-0 que, claramente, enfureceu os visitantes que, nem um minuto depois, atacaram o Moisés de uma forma que faria o Pedro Monteiro ficar orgulhoso! A ironia é algo que realmente existe e eu tinha o Moisés lesionado depois da birra do Marco Suri.

 

Mas se há algo que eu não perdoo, é faltas de respeito. Mandei o Baptista subir um bocado no terreno e entrou o Zé Tó para médio defensivo. A cara do Marco Suri deu-me mais gozo do que os três golos marcados até então. E fomos para o intervalo a ganhar 3-0, com o Marco Suri a perceber com quem estava a lidar.

 

Na segunda parte, o Sousense acordou e aos 55 minutos, de livre direto, Jorge Humberto reduziu para 3-1. Decidi conservar o resultado e fechar as portas, entreguei a posse ao Sousense que nunca soube muito bem o que fazer com ela. Na segunda parte não fomos claramente superiores como na primeira, mas fomos superiores o suficiente para merceremos os 3 pontos que trouxemos sem grandes sobressaltos numa muito boa exibição de Carlitos.

 

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Lusitânia Lourosa 3 - 1 Sousense

 

As duas vitórias consecutivas deixavam-nos a 5 pontos da despromoção direta, mas a apenas 2 do playoff, onde estava o Moimenta da Beira, equipa que íamos defrontar a seguir. Ficar a 5 pontos do 6º lugar era, sem dúvida, uma almofada que nos proporcionava muito conforto. Dada a lesão do Moisés, lá engoli duas toneladas de orgulho e pus o Marco Suri em campo.

 

Moimenta da Beira (4-5-1): V. Degré, N. Inserra, João Paulo, Luís Correia, Daniel Oliveira, Binala, Pedro, Ruizinho, Ivo Xina, S. Baio e Filipe Sorrilha;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Marco Suri, Benvindo, Fábio Zola e Carlitos.

 

Sei que voltei a um onze mais habitual, o regresso do António deveu-se exclusivamente à fraca condição física do João Pedro, o Nuno Gomes voltou a titular, ele que só consegue jogar de 15 em 15 dias, mas mantive o Carlitos, que vem de uma série de jogos a marcar e merece o lugar.

 

Sem ter posse de bola, o Moimenta da Beira entrou no jogo muito mais pressionante e com as melhores oportunidades. Contudo, aos 33 minutos, num lance em que resultou a lesão do Marco Suri, Fábio Zola falhou na cara do guarda-redes aquela que foi a melhor oportunidade de todo o jogo.

 

A primeira parte não teve muito mais para contar, mas o início da segunda trouxe consigo um penalty feito por Luís Correia sobre Carlitos, após a marcação de um canto. Corria o 52º minuto, quando Fábio Zola tentou redimir-se do erro anterior e, na cara de Degré, falhou. Um penalty pessimamente marcado, com Degré a defender sem sequer se mexer.

 

O problema em que o Fábio nos estava a meter começou a assustar-me. Dois falhanços imperdoáveis que, passando a redundância, eu não perdoei e tirei-o do campo pelo nosso mestre dos falhanços, Alan Junior.

 

E foi este mesmo Alan Junior que deu a bola na direita em Benvindo, que, parecendo conhecer o Carlitos há séculos, previu o seu movimento na perfeição e deixou a bola redondinha para o emprestado pelo Eléctrico marcar o seu 4º golo em apenas 3 jogos. Um feito para um jogador que foi despachado por uma equipa que tem a manutenção muito mais longe de ser uma certeza do que nós.

 

Já tínhamos baixado um pouco as linhas, quando um lance ensaiado, depois de um livre indireto, deixou Filipe Sorrilha na cara do Marco, que, de cabeça, repôs a igualdade, aos 86 minutos. Mandei-os subir, eu queria os três pontos e a almofada de que vos falei.

 

Não tardamos a responder, resposta essa que originou um canto. Baptista na marcação, bola alta e o nosso central goleador, Fernando Santos, oportunista, salvou os três pontos aos 89 minutos. O Moimenta da Beira ainda tentou repôr a igualdade, mas os três minutos de compensação dados pelo árbitro foram insuficientes para nos retirar a merecida vitória.

 

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Moimenta da Beira 1 - 2 Lusitânia Lourosa

 

Com esta vitória, tínhamos 9 pontos em Março, estávamos a um empate do objetivo que eu tinha fixado inicialmente: 10 pontos. Mas, assim sendo, o objetivo tinha de ser revisto: 12 pontos porque contra o Coimbrões só a vitória interessava.

 

Esta semana trouxe-nos uma polémica nacional, depois da internacionalização do central Maicon do FC Porto, Fernando Santos, o selecionador, tinha voltado a descaracterizar a raça lusitana ao convocar Matheus, o avançado do Dnipro, para o encontro frente à Sérvia, algo que me desagradou puramente e estou certo que terá desagradado aos meus antepassados. É absurdo termos três brasileiros na convocatória. Quando eu for selecionador, nem um! Tenho muito orgulho na história dos meus pais para a desrespeitar assim.

 

Mas nem isso nos moveu da preparação do jogo frente ao Coimbrões. Regressava a casa para defrontar aquela equipa que, provavelmente, nos odeia, visto que fomos nós os seus carrascos na luta pela promoção. Fruto do contrato de empréstimo, o Nuno Gomes não podia jogar, o que abriu espaço ao Bino, mantendo a frequência de um jogo a cada 15 dias. Curiosamente, mesmo que elegível, não iria jogar porque a condição física não era a melhor. As lesões do Marco Suri e do João Pedro, que nunca mais jogará comigo, dado que vai parar até, pelo menos, Junho, deram lugar ao Moisés e mantiveram o lugar do António.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Márcio, António, Fernardo Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Carlitos;

Sousense (4-2-3-1): Marco, Russo, António Carvalho, Makukula, Sardinha, V. Campos, Rúben, Jorge Lopes, Pinheiro, Diogo Mota e Júlio.

 

O início do jogo foi manifestamente horrível e só aos 30 minutos algo aconteceu de relevante, com uma grande defesa do nosso Marco a impedir o golo do Coimbrões.

 

Até que aos 40 minutos, D. Afonso Henriques, pai de todos nós e meu antecessor direto, ou a Rainha Santa Isabel, também minha ascendente, promoveu um autêntico milagre. Márcio recupera a bola e dá em Benvindo, o guineense dá em Carlitos que, à entrada da área, enviar a bola ligeiramente para a esquerda onde aparecia Alan Junior. Foi aí que as forças divinas intervieram, Alan Junior puxou o pé atrás, rematou colocado e... GOLAÇO! Depois de jogos e jogos a falhar escandalosamente, o jogador emprestado pelo Braga fez-me este golo digno de um treinador como eu.

 

Mas o que parecia bom presságio, transformou-se na lesão do Bino segundos antes do intervalo, obrigando-me a jogar com um adaptado do lado esquerdo. Na segunda parte, o 4-2-3-1 do Sousense passou a um 4-3-3 com 3 pontas-de-lança. Mas foi à hora de jogo que apareceu o primeiro ataque da segunda parte e, desta feita, foi a vez do outro Marco brilhar, a fazer uma grande defesa a remate de Benvindo.

 

Dez minutos volvidos e foi a vez do Coimbrões ameaçar o empate, livre da esquerda e remate violentíssimo ao poste. Na sequência dessa jogada, nada aconteceu. Mas a verdade é que tivemos problemas em segurar aqueles três homens no centro do terreno e foi isso que me fez colocar um terceiro central, o que se traduziu na total inoperância do ataque da equipa adversária e provou que, realmente, eu sou um treinador digno de estar uns degraus mais acima. Tal como comprova a classificação.

 

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Lusitânia Lourosa 1 - 0 Coimbrões

 

Este foi o nosso mês de Março, a verdadeira maratona, sobretudo para uma equipa semi-profissional, 5 jogos, 12 pontos, fica a doer a derrota frente ao Pedras Rubras logo no início do mês, mas são acidentes de percurso e serviu para a equipa perceber que comigo não há brincadeiras. Estamos agora precisamente a meio da fase de manutenção e, como vos falei da classificação, aqui fica ela.

 

Classificação no fim de Março

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É motivo de orgulho? Apanhei uma equipa em cacos, feita de jogadores que não sabiam como tratar uma bola e... fiz o meu trabalho, portanto não, não é motivo de orgulho. Eu sou melhor do que isto e prová-lo-ei nos campeonatos profissionais. Para já resta-me continuar a mostrar ao mundo que o poder do sangue real é verdadeiro. Resta-me mostrar ao mundo que eu, Guilherme de Melo, sou aquele que vai revolucionar o futebol e irá trazer conquistas e conquistas para a sua pátria, Portugal. Não a pátria de índios como o Pepe, o Maicon ou o Matheus!

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Reparei que no update oficial da SI o Bernardo Silva está no Benfica, não é preocupante, mas se alguém estiver a pensar começar um save e quiser isto corrigido, fica já a saber. Ides perceber como reparei :mrgreen:

 

 

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A competência é a rainha

 

Começou Abril e estava com 14 jogos oficiais depois, 8 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Se considerar que não estive com estes sujeitos deste o início da pré-época, ficam plenamente justificados os 15 pontos que já concedera. Eu sou bom, eu sei que o sou. Como se não bastasse, sou humilde o suficiente para ir melhorando e estávamos, no início do quarto mês do ano, com uma sequência de 4 vitórias consecutivas.

 

Seguia-se, então, o Cinfães, que, estando em último com apenas 15 pontos, estava há 5 jogos sem perder, o que tornava o jogo em algo mais complicado do que aquilo que uma análise demasiadamente rápida faria prever. Nessa semana, dias antes do jogo, recebi uma visita do azar, com a lesão de um jogadores mais fulcrais na nossa forma de jogar. O Márcio tinha fraturado as costelas e não ia jogar mais esta época. Uma imensa dor de cabeça que eu tinha de resolver em apenas dois dias.

 

Mais uma vez, mostrei que penso muito à frente dos outros ao trazer jogadores de qualidade duvidosa, mas que poderiam jogar em caso de lesão de um dos titulares, porque, relembro, o Márcio era o nosso único lateral direito. O suplente natural e direto era o Filipe, mas ainda havia o João Neto, puxar o António para o lado direito da defesa ou adaptar um qualquer jogador àquela posição. Não tenho qualquer problema em afirmar que se não fosse a importância do Baptista a segurar o meio-campo, usá-lo-ia com essas funções, mas dada essa importância inegável, parti para a solução mais óbvia.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Carlitos;

Cinfães (4-5-1): Avelino, Eduardo, Fabeta, Diogo Vila, Luís Carvalho, Alex, Hugo Soares, Abreu, Ari Santos, Lukinha e João Beirão.

 

Era a terceira vez que defrontava o Cinfães, quarta para os meus homens, e já os conhecia tão bem quanto eles a nós, só que eu tinha 9 pontos em 3 jogos e o António Pereira tinha 0. Não é difícil perceber quem é o melhor treinador. Mas o Cinfães entrou muito, mas muito melhor. Os meus jogadores não fizeram um remate na primeira parte e eles aproveitaram isso aos 40 minutos, com um livre da direita a permitir uma grande defesa do Marco que não conseguiu desviar a recarga. Eduardo desbloqueou assim o ativo e deixou-me numa posição humilhante e muito enervado.

 

Fui suficientemente cáustico no intervalo e passei a equipa para um 4-2-4. Não podíamos sair daquele jogo com 0 pontos. Na segunda parte... voltaram a não jogar nada, a deixar o Cinfães fazer o que queria, mas algo aprecia ter mudado aos 82 minutos quando Fábio Zola sofreu um penalty. Álvaro, entrado ao intervalo, tinha aqui uma oportunidade de regressar aos golos no seu regresso às quatro linhas. Não falhou! O empate apareceu tarde, no primeiro remate enquadrado, mas sempre é melhor que nada.

 

Não os mandei desistir, só a vitória interessava e o 4-2-4 manteve-se. Não voltou a haver um único momento de interesse no jogo até aos 90 minutos. 3 minutos de desconto dados e a 5 segundos do fim, os meus homens iniciaram um ataque que foi travado pelo Cinfães para lançamento. Já passava da hora e levantei-me para me dirigir aos balneários, mas o árbitro deixou marcar o lançamento e desse lançamento resultou uma falta em posição quase frontal, a um metro da linha da grande área. Todos queriam marcar, mas quem se impôs foi Alan Junior. Partiu para a bola, confiante e... Avelino defendeu, mas na recarga, já para lá de um minuto depois da hora, Benvindo não desperdiçou e, no meio dos protestos de fora-de-jogo, não falhou o golo que nos deu a vitória. Vitória essa totalmente imerecida, depois de uma exibição manifestamente fraca. Os três pontos vieram, mas a minha insatisfação ficou, algo que fiz questão de demonstrar no balneário. De destacar o bom jogo do Filipe que me fez ganhar total confiança nele para substituir o Márcio até ao fim da época.

 

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Lusitânia Lourosa 2 - 1 Cinfães

 

Esta vitória mantinha-me o primeiro lugar, mas nem isso me deixou satisfeito. Eu gosto de futebol e aquilo que aqueles sujeitos fizeram não foi, nem de perto, futebol.

 

Chegou a altura para votar no melhor jogador português em Portugal do ano. Os favoritos são Nani e Cédric, mas eu votei em consciência e não fui com a bandwagon, o Bernardo Silva estava a elevar o futebol do Benfica para outro patamar e mereceu o meu voto.

 

Chegava agora o jogo contra o Pedras Rubras e, com ele, alguns problemas. O Nuno Gomes não aguenta dois jogos seguidos, mas o Bino estava lesionado e o Filipe acusara a falta de ritmo, depois de fazer 90 minutos. Não foi fácil escolher o 11 certo, mas levei os 11 que eu julgava mais capazes. Os mesmos 11 que tinha levado contra o Cinfães e tinham feio aquela amostra de futebol, com excepção do Carlitos que, nos últimos dois jogos, tinha sido uma sombra do que fizera dos três anteriores.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Álvaro;

Pedras Rubras (4-2-3-1): Humberto, M. Ruas, Nuno Costa, Gustavo Santana, Abílio, Alex, Pedro Sousa, PEdrinho, Chinha, Dioguinho e Biscoito.

 

Tínhamos perdido contra eles no último jogo que fizeramos e espera que os meus jogadores se redimissem duas vezes. Se redimissem da pobre exibição que fizeram frente ao Cinfães e se redimissem da derrota que tinham sofrido em Pedras Rubras. E eles perceberam isso e começaram o jogo muito melhor.

 

Alan Junior deu para Álvaro no meio que rematou cheio de força, mas acertou na barra. O que se passou a seguir foi um momento caricato, Humberto no chão depois de tentar defender o tiro de Álvaro e a bola bate-lhe caprichosamente nas costas. Foi assim que fizemos o primeiro aos 9 minutos de jogo, conta como autogolo, mas foi, sem dúvida, um grande remate do Álvaro.

 

Não desarmámos a tenda e continuámos a atacar, mas foi o Pedras Rubras que teve perto de marcar pela via de um contra-ataque. Mas o Pedras Rubras soube que devia ter ficado em casa quando, logo a seguir à sua oportunidade de golo, Moisés dá em profundidade para Nuno Gomes na esquerda, este cruza e, no sítio certo, Gustavo Santana introduziu a bola na própria baliza. Pouco passava da meia hora de jogo e já estávamos a ganhar por duas bolas a zero, sendo que nenhuma foi por nós lá metida.

 

O intervalo chegou com os dois golos sem resposta e na segunda parte houve mais do mesmo, só que sem o Pedras Rubras a nos auxiliar na hercúlea tarefa de introduzir a bola dentro da baliza. Aproveitei o controlo do jogo para fazer apenas substituições de forma a salvaguardar a forma física dos meus jogadores, mas ainda assim, já queimava o minuto 90, o Pedras Rubras reduziu por intermédio de Mesquita, a resposta a um grande cruzamento de Pedrinho da direita, que deixou Ivo Oliveira, entrado para o lugar de Nuno Gomes, muito mal na fotografia.

 

Ainda receei o empate, já os adeptos lourosenses assobiavam o árbitro pelo apito final, mas o Marco fez uma grande intervenção para canto. Desse mesmo canto nada resultou e o árbitro fez a vontade aos adeptos e terminou o jogo. Um jogo onde o Pedras Rubras marcou 3 golos e o Lusitânia venceu por 2-1.

 

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Lusitânia Lourosa 2 - 1 Pedras Rubras

 

Esta vitória deixava-nos em 1º lugar a 5 pontos do 2º, a 8 do 6º e a 10 do 7º, algo que me mostrava a minha qualidade, apesar dos jogos menos conseguidos em Abril. Estávamos numa série de vitórias de 6 jogos e com a manutenção quase, quase assegurada, ainda com 5 jogos pela frente.

 

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Contudo, Abril não acabaria sem uma deslocação complicada, ao terreno da única equipa que me venceu em casa. Íamos a Espinho iniciar uma ronda de 5 jogos finais, 4 dos quais fora de casa, onde os meus jogadores se sentiam muito mais à vontade. Para mim tudo é Portugal, tudo é meu, mas o sentimento dos homens que eu comando não deverá ser o mesmo e eu dava graças por já ter demonstrado todo o meu valor nos jogos anteiores. Não fossem estes bonecos quebrar só por jogar num estádio diferente.

 

Espinho (4-3-3): Renato, Bosingwa, Fábio Gonçalves, A. Veiga, Almeida, I. Castro, João Dias, Danilo, N. Fachada, C. Veloso e Tiago Lapa;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Álvaro.

 

Repeti o 11, desta vez com o Bino no banco, em vez do Ivo Oliveira, recuperado da lesão, mas ainda não a 100%. O Espinho precisava da vitória, o seu 7º lugar naquele momento mostrava isso, mas tentei fazer com que os meus homens percebessem que não ia ser contra nós que eles iam dar a volta.

 

E eles entenderam isso muito bem, com uma pressão mais forte, até que à meia hora de jogo, Álvaro dá nas costas da defesa em Alan Junior que, cara-a-cara com Renato mostrou que estava muito mais confiante do que outrora e não vacilou, fazendo assim o primeiro. Um bom contra-ataque que apanhou o Espinho desprevenido. Até o Alan Junior já marca comigo!

 

Estava a primeira parte a dar as últimas quando Moisés bateu um livre para dentro da área a uns 40 metros de distância e Benvindo, de primeira, fez o 0-2 com que fomos para o intervalo.

 

Na segunda parte, apareceu outro Espinho, mais determinado e com vontade de virar o jogo. No entanto, salvo num remate a que Marco deu uma boa resposta, nunca se mostraram capazes disso mesmo e esteve mais perto o terceiro da minha equipa do que o primeiro da equipa de Espinho, que não conseguiu alterar o resultado até ao fim do jogo, dando-me assim a primeira vitória frente ao Espinho.

 

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Espinho 0 - 2 Lusitânia Lourosa

 

Com esta vitória termino o mês de Abril, um mês só com vitórias que, analisando bem, é o que realmente interessa. Um bom mês, que nos consolidou como primeiros classificados desta fase de manutenção e mostrou que estou aqui claramente a mais e que a minha qualidade é demasiadamente boa para isto.

 

Classificação no fim de Abril

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A 4 jornadas do fim, é fácil de ver que a despromoção direta já é um cenário matematicamente impossível. Quanto aos playoffs, assumindo que perco os jogos todos, o Moimenta da Beira só fará 12 pontos se o Pedras Rubras, no máximo, fizer 9, já que ainda se defrontam. Se no jogo entre eles empatarem, só é possível ao Moimenta da Beira fazer 10 pontos, o que não chega para os 35 que já tenho agora. Assim sendo, é matematicamente impossível a despromoção. A 4 jornadas do fim, assegurei o objetivo que muitos julgavam impossível para um jovem de 20, agora 21, anos. Nunca tive de dúvidas de que estava talhado para altos feitos, para o sucesso, e esta é a prova, sou do sangue d'O Conquistador e sou igualmente competente a esse meu avô. Estou tão talhado para liderar quanto ele e, quem sabe, se o mundo fosse justo, eu seria agora o Rei de Portugal! E a competência seria a rainha.

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E assim foi

 

Hoje escrever-vos-ei de forma circular, na medida em que, os de vós que foreis minimamente inteligentes, percebereis que o início está fortemente relacionado com o fim. Não estou, de todo, a tentar retirar o interesse a quem quer aprender mais sobre futebol e sobre a vida de um ser superior, mas era uma decisão que já estava tomada e não vos estou a dar novidade nenhuma.

 

Dia 1 de Maio foi o dia do trabalhador, mas não parámos, tínhamos jogo daí a dois dias e era um dia ótimo para todos poderem treinar, já que alguns têm uma ocupação para além do futebol. Como é que o pobre do Marco, o nosso guarda-redes, viveria com 220€ por mês se não tivesse uma ocupação extra? Simples, não viveria! Cheguei à hora habitual, já lá estava o Benvindo, que, vendo-me, apressou-se a cumprimentar-me antes de ir para o balneário.

 

Benvindo: Guilh...Mister, o presidente chamou-o!

 

Impressionante como ainda não estava plenamente habituado e ainda tinha a tentação de se dirigir a mim como Guilherme, vários anos depois de ele ter estado no Chaves. É bom rapaz, até o considero um dos nossos melhores elementos, como se pode ver pela quantidade de minutos que lhe dou, mas, fora do campo, é como os outros, a inteligência e o nível não abundam neste plantel.

 

Mas, bem, o Samuel chamara-me e seria meu dever ir ter com o pobre homem que hoje até ia dedicar todo o seu tempo ao clube, algo que me agradou. Entendo que ele não possa estar aqui todos os dias, a toda a hora, mas fiquei feliz por saber que ele tem algum interesse nisto. Nada que me demovesse da minha convicção.

 

SA: Parabéns, Guilherme!

GdeM: É o meu trabalho, a manutenção está agora garantida e podemos jogar mais livremente.

SA: Calma que ainda podes ir ao play-off, tens 12 pontos em disputa e o Moimenta da Beira está a 11.

 

A estupidez destas pessoas tira-me o alento. Mas sem me dar tempo de dizer algo, já estava o homem a pegar num jornal e a abrí-lo numa página em específico. Apontou para um quadradinho bastante pequeno.

 

Citação do jornal "Record" online

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Treinador do Lusitânia Lourosa vence prémio de Abril

 

Guilherme de Melo (Lusitânia Lourosa) venceu o prémio para o Treinador do Mês do Campeonato Nacional.

 

O painel de júris tomou a sua decisão depois de o treinador do Lusitânia Lourosa conduzir a sua equipa à vitória nos três jogos da liga deste mês (2-1 vs. Cinfães, 2-1 vs. Pedras Rubras e 2-0 vs. Espinho).

 

Bruno Saraiva, do Louletano, ficou logo atrás de De Melo, ocupando o segundo lugar, com Tiago Raposo, da Naval, a fechar o top três.

 

Então era por isto que ele me estava a congratular, honestamente teria ficado muito mais satisfeito se ele percebesse que já temos a manutenção assegurada e me tivesse congratulado por isso. Não que eu precise que me digam que eu sou bom, mas mostrava algum sinal de inteligência por parte de um homem que manda neste clube. Tentei explicar-lhe o porquê da manutenção já estar assegurada e ele não percebeu à primeira, voltei a explicar e ele simulou que entendeu e mudou o assunto.

 

SA: Guilherme, quanto ao teu contrato, tu para o ano passarias a receber 1.250€ brutos, não queres abdicar de parte do aumento? As contas do clube estão cada vez mais negativas e tememos o que pode vir aí.

GdeM: Não se preocupe. Não tenciono ficar cá para o ano, poderá contratar um qualquer que receba menos do que eu. Se bem que é certo que valerá menos do que eu.

SA: Estás a brincar? Tu tens contrato para cumprir, ouviste? Não te vamos deixar sair assim.

GdeM: Eu tenho contrato para cumprir? E vós não tendes? E não pense que estou a usar o plural majestático, o Samuel não tem nível para tal.

SA: Nós temos! E, se for preciso, cumprí-lo-emos. Estava apenas a fazer-te um pedido. Não temos grande capacidade para te dar mais 250€ por mês. Por ano, são mais 3.000€. Temos jogadores, muitos até, a ganhar menos que isso. Mas se for preciso fazemos o esforço.

GdeM: Não é preciso fazerem esforço nenhum. Já lhe comuniquei a minha intenção e sairei.

SA: Essa pressa toda é fruto da juventude. Garante a manutenção primeiro e depois falamos do assunto.

 

A idiotice destas pessoas deixa-me fora de mim. Gritei-lhe que já a tinha conseguido e virei costas. Talvez assim ele me deixe ir à minha vida porque aqui não fico mais um ano. Não sou nenhum idiota!

 

Dirigi-me para o campo, já estavam a começar a trabalhar com o Martinho e com o Bruno. Nesta altura já estávamos a ultimar os preparativos para o jogo que se seguia. Íamos a Gondomar jogar com o atual 4º classificado.

 

Gondomar SC (4-3-3): L. Pinto, Nando, Hélder Sousa, Gil Dias, Afonso, Tiago Gomes, Pinto, Júlio Santos, Victor Hugo, J. Betancourt e Djibril;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, António, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Álvaro.

 

Pela primeira vez deste que estou aqui, repeti os 18, mandando o Lima e o Alex, que também tinham sido convocados, para a bancada. O jogo começou e já Álvaro desperdiçava uma oportunidade na cara do guarda-redes, algo que me deixou profundamente enervado com o meu avançado e acabei por mandar o Carlitos aquecer.

 

Talvez ameaçado pelo colega, o Álvaro redimiu-se depois de um grande passe do António para o Benvindo e do cruzamento deste meu velho conhecido, encostando, já dentro da pequena área no 19º minuto, e fazendo o primeiro do encontro. Uma excelente assistência e uma boa finalização.

 

O Gondomar reagiu a partir daí e foi realmente mais forte que a minha equipa no que restou na primeira parte. Essa superioridade traduziu-se num golo por intermédio de Djibril, que aproveitou um erro de António para colocar a bola longe do alcance do Marco.

 

Isto deixou-me insatsfeito no intervalo que já se aproximava. E fiz questão de o demonstrar. A segunda parte foi triste, o fim da época que se aproxima e os já 28 jogos mais os da Taça de Portugal que estas equipas levam nas pernas começam a pesar, mas eu estava perfeitamente relaxado e exigi mais. Não me deram mais e pôs o já sobre-aquecido Carlitos em campo, procurando mexer com o jogo em 4-2-4 corriam os 66 minutos.

 

Seria sobranceria minha se eu dissesse que o que se passou 20 minutos depois foi obra minha. Não houve grande futebol no entretanto, até que aos 86 minutos, a bola cai na direita em Filipe, um belo achado, tenho-vos a dizer, que deu no meio para Baptista. O nosso capitão, deixou perto da meia-lua no Tiago Ferreira que, num golpe de mestre, colocou a bola lá dentro.

 

Mas nem tempo tive para festejar. Pontapé de saída, lance pela esquerda do Gondomar, cruzamento e António decidiu relembrar-me a razão de o ter tirado do 11 há uns tempos atrás. Um penalty perfeitamente escusado, que permitiu ao Djibril repôr a igualdade em 2-2, acabar com a nossa maré de vitórias e possivelmente retirar, de vez, a titularidade ao António.

 

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Gondomar SC 2 - 2 Lusitânia Lourosa

 

Retirei uma semana de salários ao António. Aquele tipo de exibições não pode passar impune e aposto que aquilo que o Major, ou outro qualquer, lhe pagou chega perfeitamente para cobrir a semana que não vai receber. Ele ainda tentou vir falar comigo, de forma irada, ao qual reagi com superioridade e não respondi.

 

Ainda no rescaldo deste incidente, apareceu-me um jornalista de um jornaleco qualquer de Lourosa, apresentou-se como um tal João Simões e apenas teve 5 perguntas para mim.

 

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Como resultado desta entrevista, saiu uma pequena peça jornalística, assinada por esse João Simões, mas de forma bastante redutora para aquilo que foi efetivamente dito.

 

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Quezílias à parte, foi nesta semana que saiu o resultado da votação que fizera no mês anterior. Ganhou aquele que eu achava que merecia ganhar.

 

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Falando daquilo que realmente interessa, nesta semana, quem andou felicíssimo foi o Rui Jorge, percebeu que ia ser titular, face à birra do António e à lesão do João Pedro. De quarta opção para titular. E só perderá a titularidade se for horrível ou se o António se retratar. E se for horrível, quem irá para lá o Luís Cardoso, um júnior de 16 anos. Íamos defrontar o Moimenta da Beira que necessitava de uma vitória para fugir ao play-off e para não se arriscar a ser diretamente despromovido. Mas eu queria despedir-me do meu estádio com uma vitória e ia lutar pela vitória.

 

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, Rui Jorge, Fernardo Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Álvaro;

Moimenta da Beira (4-5-1): V. Degré, Patrício, João Paulo, N. Cunha, Peixoto, Pedro, Binaia, Ivo Xina, Vitinho, S. Baio e Filipe Sorrilha.

 

O Nuno Gomes voltava ao habitual, não aguentava dois jogos seguidos e quem aproveitava a sua falta de disponibilidade física era o Bino, que ia somando minutos. O início do jogo foi muito morno e ficou marcado pela lesao do Moisés aos 20 minutos.

 

Aos 28, um canto da direita inaugurou o ativo. Benvindo assistiu na perfeição Fernando Santos que cabeceou sem hipóteses para o Degré. Relembro que o Fernando Santos já não marcava desde o jogo contra o... Moimenta da Beira. Com o golo, acordou o Moimenta da Beira e um erro do Baptista permitiu a Filipe sorrilha repor a igualdade em resposta a um livre do lado direito. O intervalo chegou e o placar marcava 1-1, o que não me agradava.

 

Conforme já vos disse, o Nuno Gomes é o meu melhor lateral esquerdo, mas o Bino é melhor ofensivamente e no início da primeira parte quis demonstrar precisamente isso. O pontapé de saída pertenceu a minha equipa, bola na esquerda no Bino, que avançou sem muita velocidade, tabelou com o Alan Junior que se deslocava para o centro, cruzou ao segundo poste e Benvindo, menos de 30 segundos depois do apito inicial, desfez a igualdade e fez o 2-1.

 

Mas Filipe Sorrilha estava endiabrado e respondeu a um canto da direita aos 58 minutos com um golo. 2-2, o que motivou a minha passagem para 4-2-4, retirando o Baptista que estava a jogar muito abaixo do limite do aceitável. Ainda se festejava no banco do Moimenta da Beira e Filipe Sorrilha já mostrava que estava aqui para vencer. O hat-trick gritou-se, mas numa defesa de outro mundo, Marco impediu-o de se tornar numa realidade.

 

Não conseguíamos impor o nosso jogo e tudo ficou mais complicado com a lesão do Fernando Santos, terceira lesão grave contra o Moimenta da Beira em dois jogos, o que mostra o tipo de futebol que estes sujeitos praticam, e consequente estreia do Luís Cardoso, que estava no banco. Mas a equipa quis vingar a lesão do colega e procurou atacar. Pelo lado direito, lado preferido dos nossos ataques, bola na área, Àlvaro domina e um touro, de nome Patrício, abalroa o meu ponta-de-lança. Penalty para o próprio Álvaro e o nosso ponta-de-lança faz o oitavo golo em apenas 11 jogos.

 

Com uma dupla de centrais manifestamente fraca e com apenas 10 minutos para os 90, sem substituições para fazer, mandei-os recuar, mas aos 90 voltámos a conceder um golo. Amian com um cruzamento venenoso nas costas da defesa e Binaia, na cara do guarda-redes, não falhou. O lance é possivelmente irregular, mas não podíamos ter permitido isto.

 

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Lusitânia Lourosa 3 - 3 Moimenta da Beira

 

Nos últimos dois jogos cedemos o empate aos 90 e isto deixava-me tão satisfeito a mim quanto aos adeptos.

 

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Como consequência desta jornada, o Moreirense garantiu o regresso à Segunda Liga.

 

Comecei a preparação do próximo jogo, mas a imprensa decidiu repescar o assunto António, talvez como forma de fazer pressão, já que ainda não se sabia o estado do Fernando Santos, que, vos digo já, jogou contra o Coimbrões, e lançou uma peça jornalística de baixa qualidade.

 

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Não me parecia que fosse possível o contagio, eles percebem que eu sei mais do assunto do que eles e sabem que só por minha causa estão mais relaxados e é graças a mim que não vão estar nas distritais para o ano, mas o Xavi veio pedir tempo de jogo na mesma. Disse-lhe o mesmo que dissera ao Marco Suri, "não vais jogar, para o ano sais", o que o calou e livrou-me de um novo problema.

 

Sábado cheguei a casa, menos de 24 horas antes do jogo contra o Coimbrões, sentei-me no meu sofá e assisti a um jogo da primeira liga. No final do jogo, esta notícia invadia as televisões e a internet.

 

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Não tenho qualquer amor particular pelo Benfica, nem por qualquer equipa, sendo honesto, sinto algum carinho pelo Vitória SC por motivos óbvios e do GD Chaves por ser o clube da minha terra, mas eu gosto do futebol pelo futebol e não tenho qualquer sentimento forte por qualquer clube em particular. Como resultado dos festejos, rebentou um escândalo acerca de agressões potenciais, com um adepto a ser agredido ao festejar o título encarnado após o jogo frente ao Vitória sem motivo aparente. É como está este país, fosse o D. Duarte a reinar e isto estava muito melhor. No dia seguinte, só o Lusitânia me interessava e fui para o jogo de cabeça limpa.

 

Coimbrões (4-5-1): Marco, Russo, António Carvalho, Makukula, Sardinha, V. Campos, Wang Chengkuài, Pinheiro, Rúben, Diogo Mota e Júlio;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, Rui Jorge, Fernardo Santos, Bino, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Álvaro.

 

Mas se eu estava com a cabeça limpa, os meus jogadores não e aos 3 minutos concederam um penalty absurdo ao Coimbrões. O penalty pareceu forçado, mas não deixou de ser um erro do Tiago Ferreira que nos fez entrar a perder, com Pinheiro a não vacilar.

 

Nem um berro lá para dentro fez com que a minha equipa acordasse e, já perto do intervalo, Júlio aproveita um espaço nas costas do Fernando Santos e fez o 2-0. Fui furiosíssimo para o intervalo. Passei para 4-2-4 e mandei-os ganhar algum orgulho próprio. Mas orgulho de quê? Eles não são ninguém!

 

Entraram tremidos na segunda parte, até que aos 62 minutos, Filipe cruzou para Carlitos, entrado ao intervalo, que amorteceu para Benvindo que fez o 2-1. Uma redução que durou pouco porque, depois de um canto, Diogo Mota fez, aos 64 minutos, o 3-1.

 

A discussão pontual estava terminada. Só dava mesmo Coimbrões e o 4-1 esteve tão próximo que não chegou a aparecer e o jogo terminou mesmo 3-1. Ao fim de 9 jogos voltávamos a perder e, desta vez, com uma exibição desastrosa.

 

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Coimbrões 3 - 1 Lusitânia Lourosa

 

Faltava-me apenas um jogo aqui. Mas seria o jogo que iria decidir o primeiro classificado. Íamos à foz do Sousa defrontar o Sousense, equipa que estava com 37 pontos, tal como eu! Não era um objetivo, ficar em primeiro, mas era uma questão de orgulho. E estou certo que no currículo ficará melhor um primeiro lugar do que um segundo. E então preparei a equipa.

 

Sousense (4-1-3-1-1): N. Passarinho, Lebres, Jorge Humberto, Quinzino, Salvador, V. Coelho, Vítor Borges, Vítor Andrade, Paulinho, Flávio Igor e Norinho;

Lusitânia Lourosa (4-3-3): Marco, Filipe, Rui Jorge, Fernardo Santos, N. Gomes, M. Baptista, Tiago Ferreira, Moisés, Benvindo, Alan Junior e Álvaro.

 

A primeira parte foi horrível. Não houve oportunidades e o intervalo chegou para gáudio de todos os adeptos, que esperavam que eu pusesse os meus 11 homens a jogar futebol. Disse-lhes que não estava satisfeito e acredito que do outro lado tenha sido dito a mesma coisa.

 

Mas o jogo pobre continuou na segunda parte e aos 60 minutos ainda não havia um único lance de perigo em todo o jogo. Mas foi a partir daqui que o jogo se mexeu um pouco. Primeiro Passarinho a fazer uma grande defesa a remate de Álvaro e depois Marco não se quis deixar para trás e parou de forma igualmente espetacular um remate de Jorge Humberto.

 

Mas a defesa deu canto e, na resposta ao canto, o mesmo Jorge Humberto enviou-nos para o segundo lugar. Reagi imediatamente e mandei o Carlitos para campo, altura para usar o 4-2-4. Mas a equipa não queria jogar, o que reforçou a minha ideia de sair e depressa o Sousense fez o 2-0 por Norinho. O 3-0 não se fez tardar por Ângelo. E foi com este resultado que eu me despedi desta espécie de clube. Espero nunca mais ter de treinar tão fraca qualidade.

 

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Coimbrões 3 - 1 Lusitânia Lourosa

 

Acabava assim a época. Um final medonho que me fez reforçar a minha convicção. Terminámos em segundo, a três pontos do primeiro, lugar que deixámos fugir na última jornada. É triste, mas é isto que acontece quando se trabalha numa estrutura amadora.

 

Classificação Final

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Esperei um dia, o presidente não estava connosco porque tinha "assuntos familiares" a tratar e foi só na Segunda-feira que fui falar com ele

 

GdeM: Este foi o meu último jogo como treinador do Lusitânia.

SA: Bem, tens um ano de contrato, portanto deves-nos...

GdeM: Devo? Não devo rigorosamente nada! Já sei que para o ano vou ter o orçamento para salários reduzidíssimo e não vou conseguir receber a horas aquilo que é meu.

SA: Este ano sempre recebeste!

GdeM: Ainda espero o mês de Maio e hoje já é dia 25!

SA: Oh rapaz, tu não percebes nada de gestão, deixa os adultos tratar dos assuntos sérios.

GdeM: Está a insinuar que treinar o Lusitânia não é um assunto sério? Os sócios e adeptos vão certamente gostar disto.

SA: Não foi nada disso que eu disse!

GdeM: O João Simões lá saberá o que dizer no jornal!

SA: Vais a correr para a imprensa, garoto?! Vais fazer como o António?

GdeM: Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para poder estar para o ano a treinar um clube digno de mim, digno do meu sangue!

SA: Miúdo, podes sair, estou farto da tua insolência, és arrogante, ridículo e essa mania que tens sangue real só te fica mal! Sai, para o ano, na melhor das hipóteses, estarás a lutar pela manutenção também no Campeonato Nacional de Séniores. Nunca serás nada, nunca serás ninguém e estimo que nunca chegues a profissional.

 

Saí! Não eram as palavras de um plebeu reles que me iam demover. E eu sabia, claramente, quem eu era e quem eu ia ser.

 

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E assim foi a minha estada no meu primeiro clube. Não me orgulho de nada, não fiz mais do que a minha obrigação, apesar daquele fim, que foi mais culpa dos treinadores do que culpa minha. Agora vou regressar a casa, os meus pais já não me vêem desde o Natal e já começam a dizer que têm saudades. Aquela casa precisa de mim, deve estar uma espelunca. E, assim que acabar esta peça, fecharei a porta e entregarei as chaves ao senhorio. Nunca mais cá voltarei.

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Esperar para ver onde é que vais parar a seguir. E se o Samuel tem razão :mrgreen:

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Guilherme demite-se e aparecem os comentários :mrgreen:

 

 

Agora a sério, fizeste mais do que a obrigação, a manutenção foi conseguida com grande sucesso, e agora é ver para onde ele irá; que tenha mais modéstia para ter sorte no futuro

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O regresso

 

Ainda sem viatura própria, mas já com trocos no bolso, despedi-me de Lourosa com vista a regressar a Chaves. Mas não havia forma de ir direto e tive de primeiro me colocar no Porto para só aí apanhar o autocarro para a minha terra Natal. Cruzes, como eu odeio andar de autocarro! A verdade é que depressa me pus na segunda maior cidade do país e tinha ainda umas horas até poder ir para casa.

 

Estando no centro da cidade invicta, perto dos Aliados, decidi fazer tempo numa das quentes esplanadas que à minha vista se apresentavam. "Um café, se faz favor!", claro que não faz favor nenhum, é o trabalho dela, mas, bem, sempre fui ensinado a ser cortês e uma pessoa de bem tem de manter a postura, como eu faço sempre.

 

Olhei para o lado e estava uma zona cheia de jornais, com grande destaque para o jornal desportivo na região que tinha uma capa predominantemente azul. A notícia que fazia manchete era a seguinte:

 

Citação do jornal "O Jogo" online

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Lopetegui despedido

 

É oficial, o Porto está sem treinador, Julen Lopetegui foi despedido esta noite, depois de mais um ano em que o Porto deixou muito a desejar, apesar de ter vencido a Taça da Liga.

 

O clube não perdoou o 3º lugar na Primeira Liga, mesmo após o largo investimento que foi feito em jogadores. A direção nunca terá perdoado a compra de Adrián Lopez por 11M€, vendido meio ano depois por apenas 1M€, naquela que terá sido uma contratação com forte influência do ex-treinador azul-e-branco.

 

Unai Emery está prestes a assinar, o atual treinador do Sevilla, vencedor da Liga Europa em 2014 e tendo conseguido um 4º lugar na Liga BBVA esta época é o nome mais forte, seguido pelo ex-internacional holandês, Phillip Cocu, atual campeão holandês ao serviço do PSV, pelo ex-treinador do Porto, André Villas Boas, que está a uma jornada do fim em segundo lugar com os mesmos pontos do 1º, CSKA Moscovo, perdendo no confronto direto, e, ainda que de forma mais residual, pelo ex-selecionador croata, Slaven Bilic, que se pode sagrar campeão turco pelo Besiktas ainda esta semana.

 

Não me admirava a saída do Lopetegui. Dera um salto ridiculamente grande ao passar de uma seleção jovem da Espanha para um clube que procura vencer títulos. Nem eu acho que seria capaz de ser bem sucedido, quanto mais um espanhol qualquer que pouco ou nada conhece do futebol português? Acabaram, dias mais tarde, por anunciar o Phillip Cocu.

 

Folheei o jornal e à frente estava um pequeno resumo da época portuguesa, juntamente com a classificação da Primeira Liga

 

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Os minutos passaram e a minha hora de apanhar o autocarro chegou. Cheguei, por fim, a casa, horas mais tarde, e encontrei a minha família, feliz por me ver, e, sobretudo o meu pai, apesar de todos os conflitos que vamos tendo, um fervoroso adepto de futebol, ansiosos por saber como tinha sido a minha primeira experiência. Contei-lhes tudo aquilo que puderam ler ao longo destes últimos meses. Ficaram um pouco chocados com a "falta de educação que tiveste com o presidente", disseram-me que o homem teria idade para ser meu ascendente e isso deixou-me perplexo. Eu, felizmente, não tenho ascendentes como aquele sujeito!

 

Mas pouco interessava. Estava realmente de férias e era hora de procurar equipas profissionais que quisessem elevar o seu jogo a um nível tal que só eu era capaz de conseguir. O telemóvel tocou algumas vezes. Várias equipas amadoras, algumas inclusivamente recém-despromovidas do Campeonato Nacional de Seniores, tentaram a sua sorte, e apenas duas equipas desse mesmo campeonato tentaram o meu contacto nos dias que se seguiram: o Vizela e o Fabril Barreiro. Convites que recusei porque entendo que está na hora de subir!

 

O meu pai não achou muita piada a estas recusas, "Guilherme, estamos felizes por ti, mas não podemos sustentar-te a ti e ao teu irmão mais um ano! Não tarda ele vai para a universidade, tu já és maior, aceita esses trabalhos, a vida não é sempre como nós queremos. E tu és jovem, tens muito para correr!". Não lhe ia dar ouvidos, ele não passava de um mero treinador de bancada, não percebia nada do mundo real do futebol e eu só voltaria a treinar numa equipa do Campeonato Nacional de Seniores se realmente me dessem umas condições inigualáveis.

 

Os dias passaram e os campeonatos acabaram. A Taça de Portugal, que fora uma surpresa todo o ano, com o Portimonense a eliminar o Sporting CP e o Sp. Braga no seu caminho para a final e o Arouca a ultrapassar o Estoril, grande surpresa da época e carrasco do campeão Benfica na competição, e o FC Porto, decidiu-se neste confronto improvável onde Pintassilgo resolveu aos 89 minutos, dando o primeiro troféu a nível nacional a esta equipa do distrito de Aveiro, com uma vitória por 2-1, frente a um Portimonense que acabou por falhar a subida ao principal escalão do futebol português.

 

Na Inglaterra, o Manchester City sagrara-se bicampeão. Na França, houve espaço para uma surpresa e o Lille levantou o troféu. Na Alemanha, tinha sido, de novo, um espanhol a vencer a Bundesliga, Guardiola voltava a repetir o feito do ano anterior. O tetra era festejado pela Juventus em Itália. O CSKA não tinha vacilado na última jornada e tinha vencido o campeonato russo com os mesmos pontos do Zenit. Na Espanha, o sprint final do Real Madrid, que tinha chegado a Janeiro de forma bastante má, não tinha sido suficiente e, apesar do 2º lugar, o campeão foi o Barcelona. Na Suiça, o Grasshoppers tinha voltado a ser campeão, 12 anos depois. Na Ucrânia, a equipa da capital impedira o hexa do Shakhtar. Na Bélgica, o Anderlecht festejava. E na Turquia, o Besiktas tinha mesmo sido campeão.

 

Nas competições europeias, a campanha do Dnipro até à final da Liga Europa não teve um final feliz, tendo perdido por 3-0 frente a um Tottenham e, na maior competição do mundo, Sakho falhara o penalty que deu a vitória ao Bayern frente ao Liverpool, depois de 120 minutos onde o 1-1 teimava em não desaparecer. Guardiola ganhava assim a Liga dos Campeões e fazia o pleno, com a vitória frente ao Hamburgo SV na final da DFB-Pokal.

 

Mais tarde, começaram os campeonatos de Sub-20 e sub-21 e as minhas preocupações centraram-se nestas equipas. Sou um ávido adepto da seleção e tento acompanhar o máximo que posso. Mas o Mundial Sub-20 foi, a meu ver, uma desilusão. Apesar de termos passado no grupo do Uruguai, do México e de Marrocos, tombamos logo a seguir perante a Sérvia nos oitavos-de-final. Quanto ao Europeu Sub-21, o Bernardo Silva venceu a Bola de Ouro da competição por ter ajudado a seleção a vencer a Rússia e a Itália na fase de grupos, consentindo a derrota frente à Áustria quando tudo já estava decidido, a França nas meias-finais por 3-2 e, na final, a Inglaterra foi derrotada em penalties, fazendo assim a nossa seleção levar o troféu.

 

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Com o fim destes campeonatos, estávamos em Julho, as pré-épocas a começar e eu sem equipas. Com o início do mês, apareceu o Alverca e o Campomaiorense. Ainda pensei em aceitar e pegar num histórico, fazendo, de novo, história com eles. Mas eu sou um treinador profissional e tenho de tomar as minhas decisões com base no presente e no futuro, portanto recusei. Recusei igualmente o Lusitânia Açores, o Maia, o Lousada, o Leça, o Caldas, o Mineiro Aljustrelense, entre outros.

 

Isto começou a preocupar os meus pais, que me viam em casa em finais de Julho sem nada para fazer. As equipas já tinham os seus treinadores e eu em casa, à espera de algo ao meu nível.

 

Ansiosos pelo meu regresso ao mundo do futebol, resolveram falar comigo, tentar incentivar-me a aceitar o próximo que aparecesse. "Calma, pai, com tantas propostas do CNS, decerto que aparecerá uma da Segunda Liga. Eu sou bom e eles sabem que eu sou bom! É só esperar.". Desconfio que eles tenham percebido, é por isso que nunca saíram da cepa-torta. É preciso pensar, pensar em grande e é isso que eu estou a fazer. Estarei errado? Não! Eu nunca estou errado.

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