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A camisola alternativa para atingir o dono do Newcastle “onde lhe dói”

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Adeptos vs clube. A camisola alternativa para atingir o dono do Newcastle “onde lhe dói”

O Newcastle United fez uma camisola nova para esta época e vários grupos de adeptos não gostaram. Por isso juntaram-se, criaram outra versão e, duas horas depois de ser colocada à venda, esgotou.

 

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Uma época acaba e muitas outras coisas começam. É transferências, rumores, jogadores a irem, mais a virem, patrocínios, treinadores, é um fartote. No meio deste turbilhão, há sempre algo que acontece todos os anos, sem falta: os clubes a redesenharem os seus equipamentos. A pré-temporada também é tempo para se apresentarem novas camisolas e o Newcastle United, claro, desvendou a sua. Tem riscas verticais, pretas e brancas, como de costume, mas resolveu misturar o que é habitual com o que é anormal — incluiu tons de azul, para coincidirem com a cor do logótipo do patrocinador da camisola. Aqui estalou o problema, já que muitos adeptos não gostaram nada e resolveram fazer algo quanto a isso.

 

Inventaram uma nova camisola e pronto. Pensaram-na para respeitar as raízes. Também é listada, a vertical, o preto e o branco presentes e o azul ausente. Só não tem o símbolo do clube, já que o trocou pelo escudo vermelho, decorado com três castelos, que serve de símbolo a Newcastle Upon Tyne, cidade que do Norte de Inglaterra. Do outro lado do peito está um corvo, pousado na palavra “United”, e assim está descrito o símbolo do grupo de apoiantes do clube que inventou esta camisola. Resultado: na terça-feira, duas horas após ser colocada à venda no site oficial, os 500 exemplares da camisola esgotaram.

 

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Cada história tem um princípio, meio e fim e, se esta vai a metade, há que contar como foi o início. Neste caso, foi de revolta. A ideia apareceu quando o Newcastle United Supporters Trust, o AshleyOut.Com, o Mike Ashley Out Campaign, o Gallowgate Shots, o True Faith e o THE MAG se juntaram e tiveram esta ideia. São vários grupos de adeptos e há uma palavra comum em alguns — Ashley, de Mike Ashley. Este nome é do homem que, em 2007, gastou euros suficientes para se tornar dono do clube. Os anos passaram e o nariz dos adeptos foi-se torcendo com o proprietário do Newcastle. O tal que, por coincidência, fez fortuna com uma empresa, a Sports Direct, que há muito lucra com a venda de réplicas de camisolas de futebol.

 

A gota de água que agitou o mar de desgosto entre os adeptos e Ashley caiu quando o clube apresentou a camisola oficial para esta época. Os tons de azul foram incluídos para coincidirem com a cor do logótipo do patrocinador, a Wonga, empresa de prestação de crédito — o problema é que horas antes de o Newcastle desvendar o equipamento ao público, a empresa largou o azul e redesenhou o logótipo. O moral da história, portanto, conta que o clube jogará em 2015/2016 com a imagem desatualizada de uma empresa na camisola. E a versão desenhada pela The Magpie Brand não tem qualquer logótipo estampado de um patrocinador. “Acreditamos que este é um bom produto, esperamos que muitos a comprem e que ajudem a atingir Mike Ashley onde lhe dói, no bolso”, escreveu o grupo, em comunicado.

 

E deverá doer, já que também no preço há diferenças — a versão mais barata da camisola oficial do clube custa 68,56€, enquanto a versão dos adeptos está a ser vendida por 40€. O grupo de adeptos garante que não criou a camisola para fazer lucro, justificando que quis, apenas, dar aos pais uma “hipótese viável” de comprarem aos filhos uma camisola que “não fizesse publicidade a uma empresa que empresta dinheiro”. A versão alternativa da camisola, aliás, é fabricada pela Adidas, a gigante marca desportiva alemã que até já se pronunciou sobre esta guerra. E para dizer que, quanto a ela, está tudo bem. “O grupo comprou as camisolas de forma independente e têm o direito de nelas estamparem os seus símbolos”, explicou a marca, num comunicado citado pelo Chronicle, jornal inglês.

 

A guerra não vai parar por aqui. O grupo de adeptos já anunciou que contactou com os fornecedores para, “nas próximas duas semanas”, contar com “uma nova fornada de camisolas, em número consideravelmente maior”. O The Magpie Brand revelou também que está a ponderar incluir a opção de pré-encomenda no site oficial. “Com a fantástica procura da camisola, sentimo-nos apoiados na nossa crença de que existe uma vontade gigante em torno de um movimento de protesto contra a atual direção do nosso amado clube”, diz o grupo. Agora é espera para ver qual a camisola que se verá mais ao longo da época no St. James Park, estádio do clube.

 

Observador

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