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Mudanças de treinador, trabalho específico focado na aceleração, a calma de sempre: os segredos da metamorfose ganhadora de João Almeida

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Mudanças de treinador, trabalho específico focado na aceleração, a calma de sempre: os segredos da metamorfose ganhadora de João Almeida

Ao ganhar a Volta à Suíça, o caldense tornou-se o terceiro corredor da história a conquistar três das sete maiores corridas de uma semana na mesma temporada. Em 2025, só Pogačar tem mais vitórias na elite do ciclismo do que o português, cuja evolução recente é explicada, à Tribuna Expresso, por João Correia, empresário de Almeida há quase uma década

O João Almeida de 2025 mistura o melhor do João Almeida do passado com ingredientes novos, refrescantes, explosivos. Veja-se o triunfo na penúltima etapa da Volta à Suíça: houve resistência, houve recuperação, houve aquela pedalada em recuperação, firme, sempre no retrovisor dos adversários. Até que... bang, olá ao novo João Almeida.

Nos metros finais da chegada, uma aceleração, um sprint vigoroso, uma arrancada para ganhar a tirada e, mais importante do que isso, os segundos de bonificação, os segundos tão importantes que, nas temporadas recentes, tantas vezes lhe fizeram falta. Sim, é possível erguer os braços isolado, após ataques a 50 quilómetros, tal como o caldense da Emirates fez na etapa 4 na Suíça, mas uma boa ponta final é um precioso atalho para a glória.

As mudanças de velocidade do cidadão mais conhecido de A-dos-Francos são um dos pontos mais importantes na metamorfose ganhadora do João Almeida de 2025. Para essa transformação também contribuem uma certa natureza implacável, de dominar o cenário, de vencer tiradas mesmo quando não era preciso para triunfar na geral, como vimos na conclusão do País Basco. Ou dando provas de enorme auto-confiança para dar a volta a desvantagens de mais de três minutos na Volta à Suíça.

O resultado desta receita é um dos melhores ciclistas de 2025. Ganhou a Volta ao País Basco, a Volta à Romândia e a Volta à Suíça, três das sete principais corridas de uma semana (estas três, mais a Paris-Nice, Tirreno-Adriático, Volta à Catalunha e Dauphinè) do calendário. Em toda a história, só Bradley Wiggins, em 2012, e Sean Kelly, em 1986 e 1984, foram capazes de conquistar três destas competições na mesma época.

João Correia é o empresário de João Almeida e, com quase uma década de trabalho com o caldense, é voz autorizada para falar sobre o crescimento do português. O agente, à Tribuna Expresso, aponta para mudanças na estrutura técnica que rodeia o homem da Emirates.

Ajustes na preparação

Desde logo, a Emirates, equipa do português, mudou de treinador, passando a estar orientada pelo conceituado espanhol Javier Sola. Além disso, Almeida voltou a trabalhar com Amândio Santos, professor da Universidade de Coimbra que já ajudara João na preparação quando o corredor era júnior e sub-23.

Com esta ajuda profissional, o português "começou a fazer trabalho mais específico para ter mais atenção à capacidade de explosão", partilha João Correia, o que motivou "algumas mudanças na maneira de treinar". Com uma renovada facilidade para alterar o ritmo, o número de vitórias disparou. Até esta época, Almeida somava sete no World Tour. Só esta temporada, já vão nove triunfos na categoria máxima do ciclismo, valor que, entre a elite, só é superado pelas 11 vezes que Tadej Pogačar levantou os braços na meta.

Assim, a preparação de João Almeida está "um pouco acima" do realizado em 2024, quando foi quarto no Tour de France, diz João Correia. Mantém-se o "poder de recuperação excecional" do caldense, que o leva a ter um corpo plenamente adaptado a corridas por etapa, em que os esforços se sucedem, mas o que já era um rendimento muito regular melhorou.

"Ele está sempre nos 10 primeiros nas corridas por etapas. Podia-se não notar muito nele, mas estava sempre lá, olhava-se e ficava em quarto, em quinto, em segundo. Este ano as coisas estão a correr melhor, estão a cair para o lado dele. Em vez de ser segundo ou terceiro, termina em primeiro. O respeito que tem dentro do pelotão é o respeito de um líder", indica o empresário, que revela que, no contra-relógio final da Volta à Suíça, o português teve um desempenho de 6,6 watts por quilo durante meia-hora, o que é "brilhante a nível mundial".

No ranking individual da UCI, entidade máxima do ciclismo internacional, João Almeida é sexto. Já na hierarquia do Pro Cycling Stats, página que é uma bíblia de referência da modalidade, consultada por equipas, jornalistas e adeptos, João Almeida surge como o segundo melhor corredor de 2025, só atrás do esloveno que já sabemos quem é. Usem-se os critérios que se usarem para atribuir pontuações, é indiscutível estarmos perante um dos craques do ano nas bicicletas.

Mais capacidade para se intrometer "no meio da batatada"

Quem torce por João Almeida já se habituou a, por vezes, sofrer com a colocação do caldense no pelotão. O ciclismo atual é extremamente competitivo e agressivo, há verdadeiros sprints para conseguir o melhor posicionamento antes dos pontos decisivos das tiradas, "cada curva antes da subida é uma batalha enorme e aí o João tem mais dificuldade porque não gosta de se meter no meio da batatada, gosta de estar mais tranquilo e isso, por vezes, prejudica-o", resume João Correia, também ele um ex-corredor.

João Almeida está a mostrar uma nova capacidade para acelerar e ganhar em sprints de grupos reduzidos

Não obstante, também nesse parâmetro há uma melhoria clara. Há um Almeida mais líder, mais autoritário, pedalando mais tempo na frente, a "começar a impor-se mais e a usar mais a equipa nos momentos corretos", atira Correia.

Antes do trio de vitórias em corridas de uma semana, já era evidente a nova versão de João. Na Volta ao Algarve, superou Jonas Vingegaard, bicampeão do Tour, na chegada a Foia, voltando a bater o dinamarquês na quarta etapa do Paris-Nice. Mesmo quando não arrecadou a geral individual, Almeida manteve a sua enorme regularidade, sendo segundo na Volta à Comunidade Valenciana e no Algarve, além de sexto no Paris-Nice.

As renovadas qualidades de João Almeida não tiram brilho à singularidade do português. As Almeidadas prosseguem vivas, continua a ser possível ver o caldense ficar para trás e, subitamente, recuperar, qual formiguinha incansável.

"É o único ciclista que conheço que, estando a ficar para trás numa subida, não morre psicologicamente. Sabe o ritmo dele, sabe o que tem de fazer para ter o melhor desempenho. Consegue regressar ao grupo, atacar e ir-se embora", descreve João Correia, que trabalha com vários nomes de elite dentro do pelotão internacional.

Mudanças de treinador, trabalho específico focado na aceleração, a calma de sempre: os segredos da metamorfose ganhadora de João Almeida

Também a essência psicológica do homem que saltou para a ribalta ao andar de rosa no Giro de 2020 não mudou. Há um ciclista mais letal, sim, mas a pessoa continua "muito calma", "na dele", "tranquilo", descreve João Correia sobre alguém que "adora a parte de preparação", aspeto fundamental numa vida que exige disciplina monacal, cheia de sofrimento e de solitários estágios em altitude, preparando-se em montanhas. Longe dos olhares indiscretos.

Parte do segredo está nessa tranquilidade, indiferente a grandes mudanças no estado de ânimo. "Quando ganha está bem, quando perde está bem, não tem picos de euforia na vitória nem se vai abaixo na derrota. Foca-se muito no processo e gosta muito dos treinos, de treinar em altitude, e depois a corrida é quase o resultado disso", remata o seu empresário.

Sem se deixar ir abaixo pelos 3,12 minutos que perdeu na primeira etapa na Suíça, João selou o triunfo com mais de um minuto de avanço. Na Volta à Suíça, como na Romândia, teve de carimbar a subida ao lugar mais alto do pódio na tirada final. Não vacilou. Na Volta à Suíça, como no País Basco, não se contentou com triunfar na geral, ganhando três etapas no caso helvético e duas no espanhol.

O melhor ciclista português da atualidade e o seu novo leque de aptidões irão, agora, para a maior corrida de todas. A 5 de julho, em Lille, começa a 112.ª edição do Tour de France. Almeida irá como colega do insaciável Pogačar, mas uma temporada assim convida ao otimismo face à prestação do quarto classificado de 2024.

 

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"cada curva antes da subida é uma batalha enorme e aí o João tem mais dificuldade porque não gosta de se meter no meio da batatada, gosta de estar mais tranquilo e isso, por vezes, prejudica-o",

antes da subida é uma coisa, durante a subida andar a bater p*nhetaas mal colocado é outra.

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