Enzo Dios Perez Publicado 30 Agosto 2014 (editado) Mudem o título do tópico para notícias antigas. Até pode vir a ser interessante. :mrgreen: Editado 30 Agosto 2014 por Enzo Dios Perez Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 30 Agosto 2014 Citação do jornal "Record" online Jorge Jesus: «Vitória de Setúbal vai ter mentalidade ganhadora»"O QUE interessa é que a gente subiu e o resto é treta!" A frase foi proferida por um adepto participante na sardinhada e resume na perfeição o espírito da mesma: assinalar o regresso do Vitória de Setúbal à I Liga. O local escolhido foi o mais indicado, em Tróia, numa praia à beira Sado, rio emblemático da cidade. A ementa era peixe, muito peixe. Ou não fosse Setúbal uma região piscatória.Esta foi uma iniciativa de um grupo de adeptos do clube do Bonfim, todos pertencentes à claque "8º Exército" e todos ligados, directa ou indirectamente, ao mar. Aos adeptos, juntaram-se o técnico, Jorge Jesus, e o director executivo da SAD, Jorge Pereira. Os presidentes Jorge Goes (clube) e Mariano Gonçalves (SAD) foram convidados, mas, devido a compromissos de última hora, não puderam estar presentes.O grupo juntou-se bem cedo na lota de Setúbal e, a bordo da traineira "Diana Manuela", que veio de propósito de Cascais, onde se encontra há dois meses, navegou para a outra margem. Lá chegado, foi só montar uma tenda. Seguiu-se uma "peladinha", apesar do calor, que abriu o apetite para uma longa jornada à volta da mesa, até final da tarde.Em ambiente genuíno e bem-disposto, recordaram-se os momentos marcantes da temporada que passou. No fundo, a iniciativa serviu para a claque agradecer aos dirigentes do clube, pelo apoio prestado, e a Jorge Jesus, reconhecidamente um dos principais obreiros da subida, saltou à vista a empatia entre adeptos e treinador. "Foi a peça mais importante. Se o Vitória não o fosse buscar, não sei onde iria parar. Quando chegou, o Vitória tinha 15 ou 16 pontos de atraso", salientou António Baptista, 58 anos, líder do "8º Exército".Jorge Jesus confianteJorge Jesus não ficou indiferente à iniciativa, sublinhando a forma como foi recebido em Setúbal. Destacou, também, a importância da relação com os sócios. "Estes adeptos são diferentes. Aqui, cultiva-se o amor pelo clube e pela cidade." O técnico também não vai esquecer tão cedo a subida, conseguida no último jogo, após uma época de sofrimento. "É difícil explicar a alegria que senti naquele momento. Vou recordar este momento. Na minha vida desportiva só terei a mesma satisfação quando for campeão nacional."O técnico dos sadinos espera, agora, uma temporada tranquila, traçando como objectivo um lugar "a meio da tabela classificativa". E prometeu uma equipa ambiciosa: "A equipa do V. Setúbal vai ter uma mentalidade de ganhar todos os jogos, independentemente dos adversários. O objectivo prioritário passa por alcançarmos um lugar a meio da tabela. Depois, vamos esperar para ver."Mas Jorge Jesus nem se importa de repetir as duas épocas em que esteve no Estrela da Amadora. "Nesses dois anos, andamos sempre entre os quarto e sexto lugares. Se calhar, se conseguíssemos isso, seria um campeonato acima da expectativa." O primo do treinador, João da Graça, não é tão exigente: "Só quero ganhar 13 jogos [39 pontos são suficientes para a manutenção]."Jorge Jesus acredita ter motivos para confiar numa época sem sobressaltos, sublinhando que o plantel para 2001/02 começou a ser preparado atempadamente, com o último campeonato ainda a decorrer. Explicou que as contratações dos jogadores que vieram do Brasil resultaram de observações efectuadas por um colaborador."Todas as equipas partem com confiança. Aquelas que trabalharem de forma mais organizada têm mais probabilidades de alcançarem os objectivos. Este plantel dá-me garantias. Em 26 jogadores, 12 são contratações. Manteve-se o esqueleto da equipa e quem vem tem de se encaixar na equipa. Não há outra hipótese", refere o treinador, acreditando na adaptação dos reforços."Ico vai ser revelação e Jorginho recuperado"O V. Setúbal contratou 12 jogadores para a próxima temporada e, da baliza ao ataque, todos os sectores foram reforçados. O técnico explica a política de aquisições para 2001/02.Na defesa, Eliseu foi o único central que permaneceu. Para colmatar as saídas, os sadinos foram buscar Hugo Costa, Marçal e Hugo. "São jogadores fortes no espaço aéreo e nenhum mede menos de 1,80 metros. Isso tem a ver com a forma como o Vitória defende, com poucos defesas."Em relação ao meio-campo, o sector com menos alterações, Jorge Jesus destaca Ico (ex-Nacional), Jorginho (ex-Goiânia) e Robson (ex-Botafogo de Ribeirão Preto). Sobre o primeiro: "O Ico foi o jogador mais forte que vi na II Liga. Vai ser uma revelação."Quanto aos outros dois, o técnico considera serem "dois consagrados". "O Jorginho esteve na selecção de sub-20 do Brasil e foi referenciado por grandes equipas. Mas esteve perdido dois anos e só assim conseguimos contratá-lo. Acredito que vamos conseguir recuperar o Jorginho. Quanto ao Robson, sei que no Brasil jogou mais por dentro, mas é canhoto e vai ter de adaptar-se, actuando a médio-esquerdo."Finalmente, o ataque, o que mais jogadores vê entrar: oito. "Uma vez que jogamos com quatro avançados, é minha intenção ter dois para cada lugar. Privilegiamos os jogadores criativos e com capacidade de modalidade." Prospecção vai ter secretário técnicoJorge Jesus anunciou que o V. Setúbal vai ter um secretário técnico, que se encarregará da observação de jogadores. Segundo o treinador, esse responsável pela prospecção funcionará em ligação com o gabinete técnico. O perfil está traçado e o nome será divulgado nos próximos dias."O secretário técnico é um antigo jogador. É importante ter tido vivência desportiva, mas isso não chega. Tem de ser uma pessoa que saiba falar línguas e perceber de recursos financeiros e de informática. Sei onde ele está e, em Portugal, não há muitos com aquelas características", explicou o treinador.De resto, Jorge Jesus sente necessidade de se reestruturar o V. Setúbal. "Ao clube falta um reforço organizativo que permita acompanhar o prestígio do seu passado desportivo. Tem de se organizar rapidamente, com a contratação de quadros que dêem resposta a essas necessidades."Em aberto a contratação de mais um guarda-redesO V. Setúbal equaciona ainda a contratação de um ou dois guarda-redes para colmatar a saída de Brassard, embora Jorge Jesus tenha referido que tal "não é uma prioridade". Saliente-se que o clube setubalense conta com o concurso de Cândido, Marco Tábuas e Rodrigo (ex-júnior).Calendário de jogos de pré-temporadaO calendário de jogos de preparação está quase definido: a 14 de Julho, no último dia do estágio do V. Setúbal, no Algarve, frente ao Portimonense; a 17, frente ao E. Amadora, na Reboleira; a 19, frente ao Campomaiorense, em Campo Maior; a 21, frente ao Belenenses, no Restelo; a 31, frente ao Santa Clara, em local a definir. Está ainda programada a participação no Torneio da U. Leiria, jogando o V. Setúbal com o Boavista, a 28. Jesus usa calções do FC Porto e marca golo decisivoNo convívio domingo realizado, Jorge Jesus foi surpreendido pelo facto de não ser portador de calções de banho, para poder dar um mergulho na praia depois da peladinha, em que marcou o golo decisivo que deu a vitória à sua equipa. Mas há sempre uma mão amiga e o técnico setubalense usou uns calções emprestados com o emblema do FC Porto, o que motivou gracejos.Link Próximo treinador do Porto? Compartilhar este post Link para o post
Hodor Publicado 30 Agosto 2014 (editado) ... Citação do jornal "Record" online CICLISMO Volta à Holanda GERAL: 1. Stefan van Dijk, Hol, 10:26.27 horas 2. Robbie McEwen, Aus, a 04 segundos 3. Ivan Quaranta, Ita, a 07 4. Tristan Hoffman, Hol, a 11 5. Giancarlo Raimondi, Ita, m.t. ... Stefan van Dijk :prayer: Fugir ao controlo Anti-Doping de carro :prayer: Editado 30 Agosto 2014 por Hodor Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 30 Agosto 2014 Ico e Fabricio no Nacional quando estavam na segunda num jogo para a Taça em Alvalade partiram aquilo tudo :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 30 Agosto 2014 Há males que vêm por bem :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 30 Agosto 2014 (editado) Citação do jornal "Record" online José Mourinho: «Lamento a forma como saí do Benfica»-- HÁ UM ano era treinador do Benfica, agora vai jogar contra o Benfica. Este jogo tem algum sentimento especial?– Tem. Não posso mentir e dizer que não tem, ou passar ao lado de sentimentos e de emoções. É um jogo diferente para mim. Desde que saí do Benfica, por respeito para com o clube e para todos aqueles que lá trabalhavam, nunca mais voltei a entrar no Estádio da Luz, nunca mais voltei a ver um jogo do Benfica ao vivo, os contactos também foram muito pequenos. Mesmo os contactos com uma massa adepta que tinha comigo uma relação invulgar. Penso que o Toni, com a sua habitual franqueza e abertura, até disse isso publicamente, que era uma relação e uma empatia invulgar para tão pouco tempo que tive de Benfica. Portanto, o encontro com esse clube e com essa massa social e com as pessoas que trabalharam comigo pouco tempo, mas o suficiente para se estabelecerem laços de afectividade e profissionais bastante fortes, vai ter alguma emoção. Acredito que quando o árbitro apitar será um jogo igual aos outros, em que vou estar única e exclusivamente concentrado, lúcido e desprovido de qualquer tipo de emoções e sentimentos, para tentar ajudar os meus jogadores a conseguirem aquilo que nós queremos, que é um bom resultado. Mas acho que, antes e após, não será decididamente um jogo normal.– Se voltasse atrás, teria feito tudo da mesma forma?– Da mesma forma acho que não. Acho que aquele foi um momento único em que as circunstâncias, e só as circunstâncias, me empurraram para uma decisão como aquela que tomei. Também, só essas mesmas circunstâncias fizeram com que a Direcção tivesse reagido da forma que o fez. Agora a frio, penso que não teria feito as coisas da mesma forma. Lamento a saída, lamento ainda mais a forma como ela se processou e lamento também, de uma forma indirecta, ter empurrado pessoas para situações complicadas. A situação que o presidente e alguns directores viveram após a minha saída, com aquela reacção emocional dos sócios, foi muito difícil e lamento-a profundamente. Mas também não vale muito a pena estar a falar do passado, o importante é que o Benfica continua o seu caminho, o seu trajecto, e à procura do sucesso e de conseguir resultados de acordo com a sua grandeza, enquanto o José Mourinho também continua a desenvolver a sua actividade profissional com a maior motivação, tentando melhorar a cada dia e chegar o mais alto possível.– Mas acha que, ainda assim, deixou uma porta aberta?– Não sei, acho que no futebol todas as portas estão ao mesmo tempo abertas e fechadas. É como digo, depende sempre do momento. Pela parte que me toca, não tenho qualquer tipo de ressentimento com ninguém. Acredito que depois da minha decisão, a Direcção tomou a posição mais lógica. Uma posição que foi impopular e que me desagradou profundamente, mas que, tenho de reconhecer, foi a posição mais lógica para quem de facto tem o poder do clube. E nessa sequência, não tenho qualquer tipo de sentimento negativo para com ninguém. Desejo o melhor às pessoas, desejo o melhor ao clube e desejo o melhor para mim mesmo, por isso dentro desta perspectiva, o jogo de sábado terá noventa minutos iguais aos outros, mas antes e depois vai ser, não direi complicado, mas “sui generis”.– Mas havia ou não Sporting por detrás da decisão em deixar o Benfica?– Não! É como eu digo, aquilo que me empurrou para aquela situação não tinha nada a ver com o Sporting, mas, sim, com uma questão real e complicada. Sentia a necessidade de saber que era querido e que poderia continuar a seguir a minha filosofia, que iria dar sequência ao meu trabalho, mas não houve Sporting nenhum prova disso mesmo é que desde esse momento eles já tiveram três treinadores: Fernando Mendes, Manuel Fernandes e Lazlo Bölöni.– Foi escrito, na altura, que Luís Duque saiu porque não teria tido força para impor José Mourinho. Acredita que indirectamente pode ter contribuído para essa demissão?– Não sei, mas espero que não. A única coisa que sei, e porque me disse muito claramente o dr. Luís Duque, é que eu era um treinador com quem ele gostaria de trabalhar e que ele gostaria de ver no Sporting. Disse-me isso muito frontalmente, mas espero que não tenha tido nenhuma influência na sua tomada de posição. De facto, foram palavras que me dirigiu e que me deixaram, no mínimo, orgulhoso. Mas nada mais do que isso.Opção Leiria– Tem valido a pena a aposta em Leiria?– Tem. Eu acho que é sempre importante estar a trabalhar, porque trabalhar significa evolução, significa colocar em prática aquilo que se pensa e se estuda. Penso que é importante para a minha evolução como treinador estar a trabalhar e Leiria foi uma boa opção para mim, um desafio. Acho que uma etapa a seguir a ter treinado o Benfica, é uma etapa importante, embora em realidades diferentes, as quais exigem uma adaptação da minha parte, porque estou a jogar para outros objectivos. Essa adaptação foi conseguida porque encontrei um grupo de jogadores que me tem ajudado e pela motivação que encontrei. Quando existe empatia entre o líder do grupo, que sou eu, e os liderados, os jogadores, penso que é muito mais fácil e isso nota-se na alegria no trabalho.– Esta equipa é mais jovem que no passado, essa é uma aposta assumida por si?– Eu penso que é importante, porque uma SAD que se pretende em crescimento e onde a massa social e adepta não é numerosa, é importante que se encontrem os meios financeiros para proporcionar essa evolução e esse crescimento. A União de Leiria, não obstante ter conseguido quatro manutenções consecutivas, a verdade é que raramente conseguiu potenciar os seus activos e precisava, na minha opinião e na opinião da SAD, de baixar claramente a média de idades dos jogadores, de trazer para o plantel, não aqueles jogadores que toda a gente conhecia, que no fundo não constituiriam novidade, mas sim, apostar na inovação, na média de idades baixa, no fundo, em jogadores que possam ser activos importantes no futuro. – E tem sido complicado aplicar essa nova filosofia?– Quando entreguei o meu projecto à SAD, explicitei o modelo de jogo que queria utilizar e penso que em equipas do nosso nível, para os jogadores poderem chegar a um clube melhor, ou poderem chegar a uma selecção nacional, ainda que B, ou sub-21, tem que se ter uma filosofia ofensiva. Durante alguns anos trabalhei para clubes grandes, como adjunto, e sabia perfeitamente quais eram as prioridades que estavam inerentes às nossas observações, na pesquisa de jogadores. Procurávamos sempre jogadores que estivessem imbuídos de uma determinada filosofia. Seria impensável contratar um jogador para o Barcelona, para o FC Porto, Benfica ou Sporting, que jogasse numa equipa com um filosofia muito defensiva. É muito mais fácil contratar um lateral direito ofensivo, que um lateral de uma equipa que defende com dez. Portanto, para podermos ser vendedores, era importante modificarmos um pouco a nossa forma de jogar e penso que isso foi conseguido. A nossa equipa joga como os grandes, por isso se alguém pensar num jogador do Leiria, tanto ao nível de clube como de selecção, saberá à partida que ele está adaptado a uma filosofia de clube grande.– Jogadores como o Nuno Valente e Costinha, a um nível, ou o Freddy e o Silas, a outro nível, podem almejar representar uma selecção nacional– Esses jogadores que falou são de facto alguns dos nomes, mas mesmo a um nível inferior, o Laranjeiro foi internacional sub-18 já esta época, o Pedro Regueira já foi chamado aos treinos dos sub-20. Isso são sinais motivadores, que eu agradeço às equipas técnicas da Federação, que nos motivam a continuar a desenvolver o trabalho baseado nesta filosofia que nós temos.Espanha no horizonte– No seu horizonte está um regresso ao estrangeiro, depois de ter tido convites de Espanha? – Tive realmente dois convites de Espanha, mas que não pude aceitar.– Real Sociedade e At. Madrid?– Sim. Mas não pude aceitar. Seguramente daqui por um ano e meio já estarei em condições de o fazer. É uma experiência que quero voltar a repetir. Na minha carreira de treinador não persigo sonhos, o meu sonho é o de ter sempre equipa para treinar e fazer aquilo que gosto, com o maior prazer e motivação, mas voltar ao estrangeiro é uma coisa que me atrai profundamente.– Espanha está na primeira linha?– Está. Foi uma experiência fantástica, é um país que, apesar de perto, está longe ao nível da qualidade de vida, embora em termos de trabalho tivesse vindo encontrar um futebol português diferente para melhor. Um ano e meio depois de ter regressado, continuo a notar evoluções, até nas prioridades das pessoas, o que tem a ver com o facto do Europeu se disputar cá. Agora as pessoas já se preocupam com condições de trabalho, com condições para o público, com a qualidade do futebol, inclusive da parte dos jornalistas, que antigamente analisavam em função do resultado, enquanto actualmente o fazem pelo ponto de vista da qualidade do jogo. – Trabalhou com dois grandes treinadores. Revê-se em algum deles?– De facto, tenho uma grande admiração pelos dois, mas acho que sou totalmente diferente deles, quer ao nível da personalidade quer ao nível da metodologia do trabalho.– Mantém contacto com eles?– Mantenho. Estou a elaborar um documento, ou, porque não dizer, um livro, que um dia talvez me decida publicar e que tem a ver com a evolução dos meus conceitos de treino, a evolução da minha metodologia de treino, ao longo dos anos e após as diferentes influências que fui sofrendo. É um documento engraçado e que é uma resposta complexa a tudo isso."Relação com Mozer é espectacular"– Cortou-se o cordão umbilical que parecia existir com o Mozer?– Não se cortou para sempre, longe disso. O Carlos foi a minha primeira opção, a nossa relação é espectacular. Ele era um complemento importante para mim. Conseguíamos ser muito parecidos, a nossa personalidade era semelhante, tanto éramos capazes de estar na nossa solidão de gabinete, a rir à gargalhada e com uma boa disposição tremenda, como cinco minutos mais tarde, estarmos a gritar com os jogadores e a exigir-lhes o máximo de concentração e empenho no treino.– Admite voltar a trabalhar com ele?– Claro que admito, embora deva dizer de uma forma clara, que estou satisfeito com as pessoas que trabalham comigo, que fiz uma boa escolha, depois da relutância do Mozer em vir para Leiria."Em Torres Novas o Benfica é que vai jogar em casa"-- As condições de trabalho aqui em Leiria não são reconhecidamente as melhores...– Muito difícil. Esta semana que passou, tive quase para comprar um megafone. Não consigo treinar como o faço habitualmente, com informação consecutiva para os jogadores. É difícil, pois de um lado está uma máquina a destruir a bancada, do outro, estão a destruir as árvores circundantes. É impossível trabalhar assim.-- E agora vai jogar em campo neutro frente ao Benfica...– Jogar fora é ainda pior do que treinar nestas circunstâncias. Vamos ser a única equipa do campeonato com três jogos consecutivos fora. Ninguém se irá lembrar disso daqui por um mês, ou dois. Nesse momento, as pessoas vão olhar para a classificação e vão ver onde está quem e quantos pontos tem quem. Estou a visualizar antecipadamente que, em Torres Novas, irão estar nove mil e quinhentos vermelhos e quinhentos com umas bandeiras azuis e brancas. Portanto, dizer que jogamos em casa com o Benfica é perfeitamente ridículo, eles é que vão jogar em casa contra nós."Não nutro respeito por Manuel José"– Encontrou algum estigma Manuel José?– Não sou uma pessoa desconfiada, não sou uma pessoa que entre com um pé atrás. Entro de cabeça limpa e com frontalidade. Quando cheguei, disse aos jogadores que as manifestações que eles tiveram, o ano passado, de apoio ao seu treinador que estava de saída foram manifestações que me encheram de alegria, porque acho que jogadores apoiarem um treinador que está de saída, demonstra carácter, demonstra afecto pela pessoa que sai. Ao mesmo tempo, para mim, significa que esse carácter pode estar presente comigo como líder e que esse mesmo afecto pode existir comigo enquanto treinador. A equipa está comigo, eles querem o melhor para mim, como eu quero o melhor para eles. Os jogadores perceberam que eu era uma pessoa aberta e frontal e que não ia haver qualquer problema.– Era capaz de apertar a mão a Manuel José?– Penso que não. Não sou capaz de lhe desejar mal, desejo que tudo lhe corra pelo melhor, não só no Egipto como também quando regressar a Portugal, onde espero que consiga a melhor carreira para si e de acordo com as coisas boas que tem feito ao longo da sua vida desportiva. Mas apertar a mão significa ou amizade ou respeito e eu não nutro por ele nem amizade nem respeito, depois das coisas que foram ditas.A galinha e as tonturas– O que, afinal, contribuiu realmente para as vertigens do Costinha na Póvoa de Varzim?– Eu acho que o místico está sempre presente no futebol, pela mentalidade das pessoas, está sempre presente. A realidade é que na véspera do jogo com o Boavista no Bessa, houve problemas alimentares no hotel e um ou outro jogador alinhou de forma muito limitada, sob o ponto de vista físico, devido a problemas gástricos. Quinze dias mais tarde, voltámos a ter o caso Costinha, que para mim só pode ter a ver com problemas similares.– Mas ficaram na mesma unidade hoteleira?– Ficámos no mesmo hotel e não voltaremos a ficar. Portanto, para mim tudo tem uma explicação e uma razão de ser, sendo a última, a do entrar no campo do misticismo. Eu tive pena de não ter ido agarrar a galinha, porque se tenho ido ficaria no banco tranquilamente sem tonturas, de certeza absoluta."Todos os meus contratos têm cláusula de rescisão"– No seus contrato há alguma cláusula de rescisão?– Todos os contratos que tenho feito contemplam uma cláusula desse tipo.– E essa cláusula é alta em termos financeiros?– (...) É sempre em proporção com o vencimento.– Ganha menos do que ganhava no Benfica?– Sim, ganho menos."Este campeonato vai ser a quatro"– Este é um campeonato com quatro candidatos?– Acho que sim. De resto, disse isso antes da época começar e agora tenho cada vez mais essa noção. Vai haver decididamente um fosso entre os quatro e os outros. Do primeiro lugar até ao quarto, todos eles têm muitos pontos fortes, são equipas de grande potencial e que podem aspirar a tudo."Lamento o que sucedeu com Vale e Azevedo"– Como vê a prisão preventiva de Vale e Azevedo?– Lamento. Lamento por ele, lamento pelo Benfica, mas fundamentalmente lamento pela sua família, particularmente pelos seus filhos. Vejo a coisa mais pelo ponto de vista humano. O Benfica vai ultrapassar a situação. Acredito que ele, enquanto pessoa, também o irá fazer, agora a família sofrerá de uma maneira eterna.Link Desconhecia por completo isto. Boa entrevista do Mourinho, sobretudo a parte "Opção Leiria". Editado 30 Agosto 2014 por Lebohang Compartilhar este post Link para o post
Oblivion Publicado 30 Agosto 2014 Citação do jornal "Record" online Open de Itália: Primeiro título para Roger FedererVITÓRIA NA FINAL SOBRE O FRANCÊS JULIEN BOUTTERO suíço Roger Federer ganhou o seu primeiro título no circuito profissional do ténis masculino, ao vencer na final do torneio de Milão, em Itália, o francês Julien Boutter por 6-4, 6-7 (7-9) e 6-4. Federer, de 19 anos, era o sétimo cabeça-de-série do torneio, no qual afastara nas meias-finais o russo Yevgeny Kafelnikov, segundo pré-designado. Depois de ter sido considerado um dos melhores juniores do Mundo, Federer, que perdera as três finais que disputara anteriormente, necessitou de 2 horas e 17 minutos para se impor ao tenista francês. Boutter, de 26 anos, disputou a sua primeira final no circuito masculino, depois de ter afastado nas meias-finais o britânico Greg Rusedski. Depois de um "set" para cada jogador, o encontro decidiu-se logo no primeiro jogo da derradeira partida, quando Federer quebrou o serviço a Boutter. Com essa vantagem, Federer manteve depois o seu nível de jogo para garantir o triunfo. Compartilhar este post Link para o post
Hououin Kyouma Publicado 30 Agosto 2014 Citação do jornal "Record" online Sporting na corrida por Andrea PirloLEÕES CONTINUAM NO MERCADO À PROCURA DE UM NÚMERO 10O SPORTING está na corrida pela aquisição de Andrea Pirlo, internacional italiano sub-21 do Inter de Milão mas cedido por empréstimo à Reggina. O jovem médio-ofensivo, uma das maiores promessas do futebol italiano, tem o passe avaliado em cerca de dois milhões de contos e é cobiçado também por três clubes da Premier League inglesa e da Serie A italiana, de acordo com a “Gazzetta Dello Sport”. Chelsea, Liverpool, West Ham, Milan e Bolonha, com disponibilidade financeira claramente superior, estão interessados na aquisição a título definitivo do atleta. Aos leões restará apenas esperar que o Inter prefira voltar a ceder Pirlo por empréstimo. Se é certo que o director técnico interista Gabriele Oriali já disse ao jogador que conta com ele para a próxima época, também é verdade que no ano passado lhe foi transmitido o mesmo e acabou emprestado. Por isso é que Pirlo, a realizar um excelente campeonato (26 jogos e seis golos), equaciona transferir-se para outro clube. O Sporting, desde a tomada de posse do novo Conselho de Administração da SAD, procura declaradamente um número 10 no mercado europeu. Esteve para chegar nas horas que precederam o fecho das inscrições na reabertura do mercado de Janeiro, mas acabou por não surgir. Na altura, o Sporting contratou apenas o avançado croata Robert Spéhar. Desde aí que vêm sendo observados jogadores dessa posição – considerada a maior lacuna do plantel às ordens de Augusto Inácio – pela Europa. Andrea Pirlo é apenas uma das hipóteses para o lugar, no âmbito de uma lista de nomes mais abrangente. QUEM É QUEM Nome: Andrea Pirlo Data de Nascimento: 19/05/79 (20 anos) Posição: Médio de ataque Características: tecnicista, dotado de excelente visão de jogo, é um especialista na marcação de livres directos. Clubes: Brescia, Inter e Reggina (por empréstimo) Jogos na I Divisão: 90; Golos: 12 Alguém conhece? Compartilhar este post Link para o post
Resende93 Publicado 30 Agosto 2014 De Inglaterra podem chegar três reforços para o Sporting. O Correio da Manhã noticia esta segunda-feira que "Roman Pavlyuchenko, Gareth Bale (Tottenham) e Zoran Tosic (Manchester United) estão a caminho" de Alvalade, onde chegarão por empréstimo. O jornal diário diz que falta apenas "limar alguns detalhes" para que os negócios fiquem concluídos. O Sporting paga "25 por cento do vencimento" de Pavlyuchenko, internacional russo, de 28 anos. Para contar com Bale, lateral-esquerdo galês, de 20 anos, os leões "colocaram Miguel Veloso à mercê dos londrinos, que têm, desde ontem, opção de compra sobre o médio". Zoran Tosic, médio esquerdo sérvio, de 22 anos, há muito que está referenciado pelo clube leonino. http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Sporting/interior.aspx?content_id=422838 Também vi outra vez essa notícia que postaram inicialmente e também pensava que era recente que era recente. :blink: Compartilhar este post Link para o post
Guest Dpitz Publicado 30 Agosto 2014 http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Sporting/interior.aspx?content_id=422838 Também vi outra vez essa notícia que postaram inicialmente e também pensava que era recente que era recente. :blink: lembro me perfeitamente dessa noticia :lol: Compartilhar este post Link para o post
Almeno Publicado 31 Agosto 2014 Por acaso gostava muito do Acosta. Compartilhar este post Link para o post
RonneR Publicado 31 Agosto 2014 Citação do jornal "Record" online Brasileiros colocam Robinho na luzRobinho pode reforçar o Benfica já em Janeiro, segundo noticia a imprensa brasileira. O jogador do Santos está na mira dos encarnados e, de acordo com os jornais paulistas, deverá ser observado amanhã por dois empresários ligados ao clube da Luz no jogo com o São Paulo, relativo ao Brasileirão.Colocado perante o eventual interesse em Robinho, o responsável pelo futebol benfiquista, José Veiga, afirmou que os encarnados não têm nesta altura meios financeiros para poderem adquirir o internacional brasileiro."O Benfica não tem disponibilidade para contratar um jogador como Robinho", frisou a Record, que desmentiu mesmo quaisquer contactos nesse sentido.O responsável do clube português adoptou, no entanto, um discurso diferente quando confrontado com um possível empréstimo do Chelsea, clube que está interessado no atleta e que, num cenário obviamente especulativo, talvez pudesse cedê-lo temporariamente aos encarnados como fez com Alcides. "Não sei nada sobre isso, mas se existir alguém que pretenda comprá-lo e emprestá-lo, nós agradecemos."Certo é que o Santos pouco ou nada poderá fazer para ficar com Robinho durante muito mais tempo. "Infelizmente, não vamos conseguir segurar o Robinho", admite Mario Mello, responsável pelo departamento jurídico do clube santista. "Quando chegar a hora ele vai sair. É só aparecer uma boa proposta", acrescenta.O dirigente brasileiro compara a situação de Robinho, que juntamente com Diego, agora no FC Porto, foi um dos grandes responsáveis pela conquista do Brasileirão em 2002, à de outros ídolos que recentemente deixaram o Brasil para jogar na Europa."É exactamente o mesmo caso do Kaká e do Luís Fabiano. Negócio é negócio." De resto, o Santos já fez o possível para tentar segurar o jogador. Prolongou o contrato por mais um ano, até 2008, e aumentou substancialmente o salário.ConcorrênciaNesta altura, não faltam concorrentes à aquisição de Robinho. Entre eles, o PSV Eindhoven. Segundo a imprensa brasileira, o técnico do clube holandês, Gus Hiddink, esteve recentemente na Vila Belmiro, onde assistiu ao empate entre o Santos e o Corinthians.Os responsáveis do PSV terão mesmo feito uma proposta no valor de sensivelmente 10 milhões de euros (dois milhões de contos), oferta considerada demasiado baixa pela Direcção do clube brasileiro que nem sequer quis discutir o assunto. Compartilhar este post Link para o post
Augusto Publicado 31 Agosto 2014 daqui a 11 dias vai acontecer um atentado em nova york, é a tua missão impedir tudo contamos contigo LOL dos gajos mais engraçados nas websssssss Compartilhar este post Link para o post
Kratosthegod Publicado 31 Agosto 2014 “TV Mais” com “DOT” Cinco meses depois, o DOT volta a Portugal, por mais tempo e com mais prémios A partir da edição do dia 8 de Setembro, e durante 17 semanas, quem comprar a “TV Mais” vai receber um “redondinho da sorte”, ficando assim habilitado, ao colocar o “DOT” no lado esquerdo do ecrã durante alguns programas da SIC – á hora de fecho desta edição a grelha final ainda estava por decidir -, ao sorteio de vários prémios. Um Fiat Punto, um vale de combustível de 50.000$00, uma viagem a Paris para duas pessoas, com estadia e direito a duas entradas na Disneyland Paris, uma Scooter Gilera e um Nintendo 64 são os prémios oferecidos de segunda a sexta-feira na estação de Carnaxide. Ao fim-de-semana, para além da Scooter e do Nintendo, é ainda oferecida uma viagem ao Caribe para duas pessoas, com hotel incluído, e no sorteio final, a realizar no dia 31 de Dezembro, ás duas primeiras “prendas” junta-se uma viagem para duas pessoas ao Club Med Bora-Bora. Como parceiros comerciais, para além da “TV Mais”, surge o McDonald’s, a BP, o Continente, Modelo e Worten, do grupo Sonae, que também oferecem “DOTs” consoante o montante das compras efectuadas. Os vencedores são sorteados diariamente na SIC, num espaço denominado “Família DOT” e exibido em prime-time. A “TV Mais” é o único suporte em papel a divulgar quais os programas com “DOT” e a anunciar semanalmente os premiados de cada programa. Sofia Jardim, marketing manager das revistas semanais femininas da ACJ, espera que a adesão a esta iniciativa da SIC provoque o aumento de circulação da revista, tal como aconteceu quando a SIC fez com que “Portugal adoptasse o DOT” pela primeira vez. Recorde-se que antes do aparecimento destes pequenos círculos a “TV Mais” tinha uma circulação de revistas vendidas na ordem dos 70 mil exemplares, número que subiu para 160 mil durante a campanha. Ou seja, aumentou as vendas em 120%. Após o final de Março as vendas situam-se nos 105 mil exemplares. http://www.meiosepublicidade.pt/2000/09/tv_mais_com_dot/ Está de volta :celebracao: Compartilhar este post Link para o post
Rei_Patricio Publicado 31 Agosto 2014 Bom tópico, coloquem pelo menos o ano da notícia. Compartilhar este post Link para o post
kewl Publicado 31 Agosto 2014 Eish o DOT, a cena mais anti-neurónio :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Enzo Dios Perez Publicado 31 Agosto 2014 (editado) Quem é que não gostava do Acosta?! Vá ok, tirando o Secretário. Citação do jornal "Record" online Benfica equaciona adquirir Totti e SávioAVANÇADO ITALIANO E EXTREMO-ESQUERDO BRASILEIRO NOS PLANOS DOS ENCARNADOS Domingo, 15 agosto de 1999 | 04:44 FRANCESCO Totti é o avançado eleito pelos responsáveis dos encarnados para substituir Sigurd Rushfeldt. Os dirigentes do Benfica pretendem contratar o jogador da AS Roma, o qual, poderá ingressar nos encarnados por um preço relativamente acessível. O italiano, de 22 anos, foi o escolhido por João Vale e Azevedo, José Manuel Capristano e Jupp Heynckes, numa conferência telefónica que decorreu na noite de ontem. O presidente, o vice-presidente para a área desportiva e o treinador do Benfica tinham três alternativas em carteira, mas optaram por fixar o alvo no internacional transalpino. Totti é, aliás, um dos grandes nomes do futebol italiano. Titular indiscutível da AS Roma, o avançado obteve 25 golos marcados nos dois últimos campeonatos. Embora sem se tratar de um homem de área, é tido como uma das peças chave da formação romana. O Benfica pretende iniciar negociações com o jogador já amanhã. Um dos factores que entusiasma os dirigentes dos encarnados é o facto de se tratar de um avançado de renome internacional, que poderá constituir um investimento bastante rentável a curto ou médio prazo. SÁVIO NA CALHA Mas, além de um avançado, os encarnados equacionam ainda a possibilidade de se reforçarem com um extremo-esquerdo. Os responsáveis do clube da Luz pretendem contactar os dirigentes do Real Madrid para a cedência de Sávio. O esquerdino brasileiro, de 25 anos, tem sido pouco utilizado pela formação madrilena.. BOSSIO DE FORA? Entretanto, o Benfica corre o sério risco de não contar com o argentino Carlos Bossio para a primeira jornada do Campeonato, frente ao Rio Ave. O Estudiantes, antigo clube do guarda-redes, ainda não enviou o passe internacional do jogador, documento necessário à respectiva inscrição. Caso se confirme a indisponibilidade de Carlos Bossio, Jupp Heynckes será obrigado a convocar o jovem José Moreira, campeão europeu na categoria de sub-18, que já esteve presente no estágio de pré-temporada, realizado na Áustria e na Alemanha. Com Nuno Santos a recuperar ainda de uma microrrotura contraída no ombro direito, não restará assim outra alternativa à equipa técnica que a chamada do guarda-redes da equipa júnior. http://www.record.xl.pt/Futebol/interior.aspx?content_id=10810 Editado 31 Agosto 2014 por Enzo Dios Perez Compartilhar este post Link para o post
Mister Master Publicado 31 Agosto 2014 Este tópico era mais giro com notícias do dia mas de outros anos. Compartilhar este post Link para o post
Marlo Stanfield Publicado 31 Agosto 2014 Quem é que não gostava do Acosta?! Vá ok, tirando o Secretário. Citação do jornal "Record" online Benfica equaciona adquirir Totti e SávioAVANÇADO ITALIANO E EXTREMO-ESQUERDO BRASILEIRO NOS PLANOS DOS ENCARNADOS Domingo, 15 agosto de 1999 | 04:44 FRANCESCO Totti é o avançado eleito pelos responsáveis dos encarnados para substituir Sigurd Rushfeldt. Os dirigentes do Benfica pretendem contratar o jogador da AS Roma, o qual, poderá ingressar nos encarnados por um preço relativamente acessível. O italiano, de 22 anos, foi o escolhido por João Vale e Azevedo, José Manuel Capristano e Jupp Heynckes, numa conferência telefónica que decorreu na noite de ontem. O presidente, o vice-presidente para a área desportiva e o treinador do Benfica tinham três alternativas em carteira, mas optaram por fixar o alvo no internacional transalpino. Totti é, aliás, um dos grandes nomes do futebol italiano. Titular indiscutível da AS Roma, o avançado obteve 25 golos marcados nos dois últimos campeonatos. Embora sem se tratar de um homem de área, é tido como uma das peças chave da formação romana. O Benfica pretende iniciar negociações com o jogador já amanhã. Um dos factores que entusiasma os dirigentes dos encarnados é o facto de se tratar de um avançado de renome internacional, que poderá constituir um investimento bastante rentável a curto ou médio prazo. SÁVIO NA CALHA Mas, além de um avançado, os encarnados equacionam ainda a possibilidade de se reforçarem com um extremo-esquerdo. Os responsáveis do clube da Luz pretendem contactar os dirigentes do Real Madrid para a cedência de Sávio. O esquerdino brasileiro, de 25 anos, tem sido pouco utilizado pela formação madrilena.. BOSSIO DE FORA? Entretanto, o Benfica corre o sério risco de não contar com o argentino Carlos Bossio para a primeira jornada do Campeonato, frente ao Rio Ave. O Estudiantes, antigo clube do guarda-redes, ainda não enviou o passe internacional do jogador, documento necessário à respectiva inscrição. Caso se confirme a indisponibilidade de Carlos Bossio, Jupp Heynckes será obrigado a convocar o jovem José Moreira, campeão europeu na categoria de sub-18, que já esteve presente no estágio de pré-temporada, realizado na Áustria e na Alemanha. Com Nuno Santos a recuperar ainda de uma microrrotura contraída no ombro direito, não restará assim outra alternativa à equipa técnica que a chamada do guarda-redes da equipa júnior. http://www.record.xl.pt/Futebol/interior.aspx?content_id=10810 Juntamos os dois e agora temos o "toto" salvio. Fusssaooooo dragon ball Compartilhar este post Link para o post
Oblivion Publicado 31 Agosto 2014 Citação do jornal "Record" online O templo do leãoESPAÇO É HOJE INAUGURADOTerça-Feira, 31 agosto de 2004“Olha a bicicleta do Agostinho! E as sapatilhas com que Rui Silva se sagrou campeão do mundo de pista coberta! Está ali o ‘stick’ do Livramento...” Soltas no tempo, estas foram algumas das tiradas escutadas, ontem ao final da tarde, por ocasião da visita ao Mundo Sporting, o museu do clube que é hoje à tarde inaugurado, abrindo amanhã ao público. À entrada deparamo-nos com a máxima proferida pelo Visconde de Alvalade, em 8 de Maio de 1906. “Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa.” Está dado o mote para a viagem ao centro do mundo leonino. Moderno e arejado, o espaço, que possui mil metros quadrados, passa em revista o historial do emblema, exposto através de troféus, objectos, imagens, sons, fotografias e muita interactividade. Quem não sabe fica a saber que o clube já teve 32 modalidades, algumas entretanto extintas – o críquete e a luta de tracção, por exemplo.“É um local de culto para os sportinguistas”, refere Mário Casquilho, director do museu, uns metros ao lado de um pedaço da pista de “tartan” do antigo Alvalade, colocado numa vitrina ao nível do solo.Neste hino ao eclectismo uma palavra para a modernidade. O recurso à imagem é disso exemplo. O visitante tropeça em filmes dos jogos e competições mais importantes conquistadas pelo clube, revendo recordes da Europa e do Mundo. Lá estão as botas de Acosta, a camisola do pentacampeonato de Bessone Basto no andebol, passando pela voz inconfundível de um relato de Artur Agostinho. Aprisionadas estão as fotografias de Quaresma, Simão e Figo, tão distantes, temporalmente falando, da medalha mais antiga, ganha em 1902 pelo SC Belas... Visita moderna a um passado cheio de glória Concebido pelo espanhol Joan Sibina e dirigido pelo portuguesíssimo Mário Casquilho, o Mundo Sporting é composto por oito áreas. Na primeira, denominada Um Grande Clube, destacam-se as 32 modalidades que já se praticaram no clube; segue-se a zona Fundadores, explicando o processo de criação do Sporting; em Os Primeiros Anos apresentam-se notícias, símbolos, equipamentos; a Grandeza do Clube proporciona ao visitante o contacto com os “milhentos” troféus conquistados; ruma-se a Uma História Intensa, onde se conta cronologicamente a evolução do emblema; a Entrada em Campo reproduz, por imagens, a entrada dos jogadores no relvado. O som e a imagem de um estádio cheio introduzem o visitante a um novo espaço – A Paixão Sporting. Aí, num auditório especial, assiste-se a um espectáculo audiovisual de dez minutos. A derradeira área, Todo o Sporting, proporciona a consulta de dois módulos interactivos. O espaço é hoje inaugurado por Dias da Cunha e Carmona Rodrigues, líder da edilidade lisboeta. Foi inaugurado há 10 anos. :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Red Prince Publicado 31 Agosto 2014 Senhor, posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer! Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza -- porque o não saberei fazer -- e os pilotos devem ter este cuidado. E portanto, Senhor, do que hei de falar começo: E digo quê: A partida de Belém foi -- como Vossa Alteza sabe, segunda-feira 9 de março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, a saber da ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto. Na noite seguinte à segunda-feira amanheceu, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com a sua nau, sem haver tempo forte ou contrário para poder ser ! Fez o capitão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas... não apareceu mais ! E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha -- segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas -- os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos. Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz! Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol-posto umas seis léguas da terra, lançamos ancoras, em dezenove braças -- ancoragem limpa. Ali ficamo-nos toda aquela noite. E quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante -- por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, doze, nove braças -- até meia légua da terra, onde todos lançamos ancoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas, pouco mais ou menos. E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro. Então lançamos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte. Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar. À noite seguinte ventou tanto sueste com chuvaceiros que fez caçar as naus. E especialmente a Capitaina. E sexta pela manhã, às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar ancoras e fazer vela. E fomos de longo da costa, com os batéis e esquifes amarrados na popa, em direção norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nós ficássemos, para tomar água e lenha. Não por nos já minguar, mas por nos prevenirmos aqui. E quando fizemos vela estariam já na praia assentados perto do rio obra de sessenta ou setenta homens que se haviam juntado ali aos poucos. Fomos ao longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que fossem mais chegados à terra e, se achassem pouso seguro para as naus, que amainassem. E velejando nós pela costa, na distância de dez léguas do sítio onde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada. E meteram-se dentro e amainaram. E as naus foram-se chegando, atrás deles. E um pouco antes de sol-pôsto amainaram também, talvez a uma légua do recife, e ancoraram a onze braças. E estando Afonso Lopez, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, foi, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meter-se logo no esquife a sondar o porto dentro. E tomou dois daqueles homens da terra que estavam numa almadia: mancebos e de bons corpos. Um deles trazia um arco, e seis ou sete setas. E na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas não os aproveitou. Logo, já de noite, levou-os à Capitaina, onde foram recebidos com muito prazer e festa. A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber. Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobre-pente, de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parte detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como, de maneira tal que a cabeleira era mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar. O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos pés uma alcatifa por estrado; e bem vestido, com um colar de ouro, mui grande, ao pescoço. E Sancho de Tovar, e Simão de Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Corrêa, e nós outros que aqui na nau com ele íamos, sentados no chão, nessa alcatifa. Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a alguém. Todavia um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata! Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora. Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que lho não havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas. O Capitão mandou pôr por baixo da cabeça de cada um seu coxim; e o da cabeleira esforçava-se por não a estragar. E deitaram um manto por cima deles; e consentindo, aconchegaram-se e adormeceram. Sábado pela manhã mandou o Capitão fazer vela, fomos demandar a entrada, a qual era mui larga e tinha seis a sete braças de fundo. E entraram todas as naus dentro, e ancoraram em cinco ou seis braças -- ancoradouro que é tão grande e tão formoso de dentro, e tão seguro que podem ficar nele mais de duzentos navios e naus. E tanto que as naus foram distribuídas e ancoradas, vieram os capitães todos a esta nau do Capitão-mor. E daqui mandou o Capitão que Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois homens, e os deixassem ir com seu arco e setas, aos quais mandou dar a cada um uma camisa nova e uma carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que foram levando nos braços, e um cascavel e uma campainha. E mandou com eles, para lá ficar, um mancebo degredado, criado de dom João Telo, de nome Afonso Ribeiro, para lá andar com eles e saber de seu viver e maneiras. E a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho. Fomos assim de frecha direitos à praia. Ali acudiram logo perto de duzentos homens, todos nus, com arcos e setas nas mãos. Aqueles que nós levamos acenaram-lhes que se afastassem e depusessem os arcos. E eles os depuseram. Mas não se afastaram muito. E mal tinham pousado seus arcos quando saíram os que nós levávamos, e o mancebo degredado com eles. E saídos não pararam mais; nem esperavam um pelo outro, mas antes corriam a quem mais correria. E passaram um rio que aí corre, de água doce, de muita água que lhes dava pela braga. E muitos outros com eles. E foram assim correndo para além do rio entre umas moitas de palmeiras onde estavam outros. E ali pararam. E naquilo tinha ido o degredado com um homem que, logo ao sair do batel, o agasalhou e levou até lá. Mas logo o tornaram a nós. E com ele vieram os outros que nós leváramos, os quais vinham já nus e sem carapuças. E então se começaram de chegar muitos; e entravam pela beira do mar para os batéis, até que mais não podiam. E traziam cabaças d'água, e tomavam alguns barris que nós levávamos e enchiam-nos de água e traziam-nos aos batéis. Não que eles de todo chegassem a bordo do batel. Mas junto a ele, lançavam-nos da mão. E nós tomávamo-los. E pediam que lhes dessem alguma coisa. Levava Nicolau Coelho cascavéis e manilhas. E a uns dava um cascavel, e a outros uma manilha, de maneira que com aquela encarna quase que nos queriam dar a mão. Davam-nos daqueles arcos e setas em troca de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa que a gente lhes queria dar. Dali se partiram os outros, dois mancebos, que não os vimos mais. Dos que ali andavam, muitos -- quase a maior parte --traziam aqueles bicos de osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles, traziam os beiços furados e nos buracos traziam uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha. E alguns deles traziam três daqueles bicos, a saber um no meio, e os dois nos cabos. E andavam lá outros, quartejados de cores, a saber metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, um tanto azulada; e outros quartejados d'escaques. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam. Ali por então não houve mais fala ou entendimento com eles, por a barbana deles ser tamanha que se não entendia nem ouvia ninguém. Acenamos-lhes que se fossem. E assim o fizeram e passaram-se para além do rio. E saíram três ou quatro homens nossos dos batéis, e encheram não sei quantos barris d'água que nós levávamos. E tornamo-nos às naus. E quando assim vínhamos, acenaram-nos que voltássemos. Voltamos, e eles mandaram o degredado e não quiseram que ficasse lá com eles, o qual levava uma bacia pequena e duas ou três carapuças vermelhas para lá as dar ao senhor, se o lá houvesse. Não trataram de lhe tirar coisa alguma, antes mandaram-no com tudo. Mas então Bartolomeu Dias o fez outra vez tornar, que lhe desse aquilo. E ele tornou e deu aquilo, em vista de nós, a aquele que o da primeira agasalhara. E então veio-se, e nós levamo-lo. Esse que o agasalhou era já de idade, e andava por galanteria, cheio de penas, pegadas pelo corpo, que parecia seteado como São Sebastião. Outros traziam carapuças de penas amarelas; e outros, de vermelhas; e outros de verdes. E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela. Nenhum deles era fanado, mas todos assim como nós. E com isto nos tornamos, e eles foram-se. À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros capitães das naus em seus batéis a folgar pela baía, perto da praia. Mas ninguém saiu em terra, por o Capitão o não querer, apesar de ninguém estar nela. Apenas saiu -- ele com todos nós -- em um ilhéu grande que está na baía, o qual, aquando baixamar, fica mui vazio. Com tudo está de todas as partes cercado de água, de sorte que ninguém lá pode ir, a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele, e todos nós, bem uma hora e meia. E pescaram lá, andando alguns marinheiros com um chinchorro; e mataram peixe miúdo, não muito. E depois volvemo-nos às naus, já bem noite. Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho. Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção. Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. E alguns deles se metiam em almadias -- duas ou três que lá tinham -- as quais não são feitas como as que eu vi; apenas são três traves, atadas juntas. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam, não se afastando quase nada da terra, só até onde podiam tomar pé. Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos indo todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam, indo na dianteira, por ordem do Capitão, Bartolomeu Dias em seu esquife, com um pau de uma almadia que lhes o mar levara, para o entregar a eles. E nós todos trás dele, a distância de um tiro de pedra. Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos e muitos deles os iam logo pôr em terra; e outros não os punham. Andava lá um que falava muito aos outros, que se afastassem. Mas não já que a mim me parecesse que lhe tinham respeito ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas. Estava tinto de tintura vermelha pelos peitos e costas e pelos quadris, coxas e pernas até baixo, mas os vazios com a barriga e estômago eram de sua própria cor. E a tintura era tão vermelha que a água lha não comia nem desfazia. Antes, quando saía da água, era mais vermelho. Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava no meio deles, sem implicarem nada com ele, e muito menos ainda pensavam em fazer-lhe mal. Apenas lhe davam cabaças d'água; e acenavam aos do esquife que saíssem em terra. Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão. E viemo-nos às naus, a comer, tangendo trombetas e gaitas, sem os mais constranger. E eles tornaram-se a sentar na praia, e assim por então ficaram. Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e sermão, espraia muito a água e descobre muita areia e muito cascalho. Enquanto lá estávamos foram alguns buscar marisco e não no acharam. Mas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um muito grande e muito grosso; que em nenhum tempo o vi tamanho. Também acharam cascas de berbigões e de amêijoas, mas não toparam com nenhuma peça inteira. E depois de termos comido vieram logo todos os capitães a esta nau, por ordem do Capitão-mor, com os quais ele se aportou; e eu na companhia. E perguntou a todos se nos parecia bem mandar a nova do achamento desta terra a Vossa Alteza pelo navio dos mantimentos, para a melhor mandar descobrir e saber dela mais do que nós podíamos saber, por irmos na nossa viagem. E entre muitas falas que sobre o caso se fizeram foi dito, por todos ou a maior parte, que seria muito bem. E nisto concordaram. E logo que a resolução foi tomada, perguntou mais, se seria bem tomar aqui por força um par destes homens para os mandar a Vossa Alteza, deixando aqui em lugar deles outros dois destes degredados. E concordaram em que não era necessário tomar por força homens, porque costume era dos que assim à força levavam para alguma parte dizerem que há de tudo quanto lhes perguntam; e que melhor e muito melhor informação da terra dariam dois homens desses degredados que aqui deixássemos do que eles dariam se os levassem por ser gente que ninguém entende. Nem eles cedo aprenderiam a falar para o saberem tão bem dizer que muito melhor estoutros o não digam quando cá Vossa Alteza mandar. E que portanto não cuidássemos de aqui por força tomar ninguém, nem fazer escândalo; mas sim, para os de todo amansar e apaziguar, unicamente de deixar aqui os dois degredados quando daqui partíssemos. E assim ficou determinado por parecer melhor a todos. Acabado isto, disse o Capitão que fôssemos nos batéis em terra. E ver-se-ia bem, quejando era o rio. Mas também para folgarmos. Fomos todos nos batéis em terra, armados; e a bandeira conosco. Eles andavam ali na praia, à boca do rio, para onde nós íamos; e, antes que chegássemos, pelo ensino que dantes tinham, puseram todos os arcos, e acenaram que saíssemos. Mas, tanto que os batéis puseram as proas em terra, passaram-se logo todos além do rio, o qual não é mais ancho que um jogo de mancal. E tanto que desembarcamos, alguns dos nossos passaram logo o rio, e meteram-se entre eles. E alguns aguardavam; e outros se afastavam. Com tudo, a coisa era de maneira que todos andavam misturados. Eles davam desses arcos com suas setas por sombreiros e carapuças de linho, e por qualquer coisa que lhes davam. Passaram além tantos dos nossos e andaram assim misturados com eles, que eles se esquivavam, e afastavam-se; e iam alguns para cima, onde outros estavam. E então o Capitão fez que o tomassem ao colo dois homens e passou o rio, e fez tornar a todos. A gente que ali estava não seria mais que aquela do costume. Mas logo que o Capitão chamou todos para trás, alguns se chegaram a ele, não por o reconhecerem por Senhor, mas porque a gente, nossa, já passava para aquém do rio. Ali falavam e traziam muitos arcos e continhas, daquelas já ditas, e resgatavam-nas por qualquer coisa, de tal maneira que os nossos levavam dali para as naus muitos arcos, e setas e contas. E então tornou-se o Capitão para aquém do rio. E logo acudiram muitos à beira dele. Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Também andava lá outra mulher, nova, com um menino ou menina, atado com um pano aos peitos, de modo que não se lhe viam senão as perninhas. Mas nas pernas da mãe, e no resto, não havia pano algum. Em seguida o Capitão foi subindo ao longo do rio, que corre rente à praia. E ali esperou por um velho que trazia na mão uma pá de almadia. Falou, enquanto o Capitão estava com ele, na presença de todos nós; mas ninguém o entendia, nem ele a nós, por mais coisas que a gente lhe perguntava com respeito a ouro, porque desejávamos saber se o havia na terra. Trazia este velho o beiço tão furado que lhe cabia pelo buraco um grosso dedo polegar. E trazia metido no buraco uma pedra verde, de nenhum valor, que fechava por fora aquele buraco. E o Capitão lha fez tirar. E ele não sei que diabo falava e ia com ela para a boca do Capitão para lha meter. Estivemos rindo um pouco e dizendo chalaças sobre isso. E então enfadou-se o Capitão, e deixou-o. E um dos nossos deu-lhe pela pedra um sombreiro velho; não por ela valer alguma coisa, mas para amostra. E depois houve-a o Capitão, creio, para mandar com as outras coisas a Vossa Alteza. Andamos por aí vendo o ribeiro, o qual é de muita água e muito boa. Ao longo dele há muitas palmeiras, não muito altas; e muito bons palmitos. Colhemos e comemos muitos deles. Depois tornou-se o Capitão para baixo para a boca do rio, onde tínhamos desembarcado. E além do rio andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante os outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então para a outra banda do rio Diogo Dias, que fora almoxarife de Sacavém, o qual é homem gracioso e de prazer. E levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se a dançar com eles, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem fez ali muitas voltas ligeiras, andando no chão, e salto real, de que se eles espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo os segurou e afagou muito, tomavam logo uma esquiveza como de animais montezes, e foram-se para cima. E então passou o rio o Capitão com todos nós, e fomos pela praia, de longo, ao passo que os batéis iam rentes à terra. E chegamos a uma grande lagoa de água doce que está perto da praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares. E depois de passarmos o rio, foram uns sete ou oito deles meter-se entre os marinheiros que se recolhiam aos batéis. E levaram dali um tubarão que Bartolomeu Dias matou. E levavam-lho; e lançou-o na praia. Bastará que até aqui, como quer que se lhes em alguma parte amansassem, logo de uma mão para outra se esquivavam, como pardais do cevadouro. Ninguém não lhes ousa falar de rijo para não se esquivarem mais. E tudo se passa como eles querem -- para os bem amansarmos ! Ao velho com quem o Capitão havia falado, deu-lhe uma carapuça vermelha. E com toda a conversa que com ele houve, e com a carapuça que lhe deu tanto que se despediu e começou a passar o rio, foi-se logo recatando. E não quis mais tornar do rio para aquém. Os outros dois o Capitão teve nas naus, aos quais deu o que já ficou dito, nunca mais aqui apareceram -- fatos de que deduzo que é gente bestial e de pouco saber, e por isso tão esquiva. Mas apesar de tudo isso andam bem curados, e muito limpos. E naquilo ainda mais me convenço que são como aves, ou alimárias montezinhas, as quais o ar faz melhores penas e melhor cabelo que às mansas, porque os seus corpos são tão limpos e tão gordos e tão formosos que não pode ser mais! E isto me faz presumir que não tem casas nem moradias em que se recolham; e o ar em que se criam os faz tais. Nós pelo menos não vimos até agora nenhumas casas, nem coisa que se pareça com elas. Mandou o Capitão aquele degredado, Afonso Ribeiro, que se fosse outra vez com eles. E foi; e andou lá um bom pedaço, mas a tarde regressou, que o fizeram eles vir: e não o quiseram lá consentir. E deram-lhe arcos e setas; e não lhe tomaram nada do seu. Antes, disse ele, que lhe tomara um deles umas continhas amarelas que levava e fugia com elas, e ele se queixou e os outros foram logo após ele, e lhas tomaram e tornaram-lhas a dar; e então mandaram-no vir. Disse que não vira lá entre eles senão umas choupaninhas de rama verde e de feteiras muito grandes, como as de Entre Douro e Minho. E assim nos tornamos às naus, já quase noite, a dormir. Segunda-feira, depois de comer, saímos todos em terra a tomar água. Ali vieram então muitos; mas não tantos como as outras vezes. E traziam já muito poucos arcos. E estiveram um pouco afastados de nós; mas depois pouco a pouco misturaram-se conosco; e abraçavam-nos e folgavam; mas alguns deles se esquivavam logo. Ali davam alguns arcos por folhas de papel e por alguma carapucinha velha e por qualquer coisa. E de tal maneira se passou a coisa que bem vinte ou trinta pessoas das nossas se foram com eles para onde outros muitos deles estavam com moças e mulheres. E trouxeram de lá muitos arcos e barretes de penas de aves, uns verdes, outros amarelos, dos quais creio que o Capitão há de mandar uma amostra a Vossa Alteza. E segundo diziam esses que lá tinham ido, brincaram com eles. Neste dia os vimos mais de perto e mais à nossa vontade, por andarmos quase todos misturados: uns andavam quartejados daquelas tinturas, outros de metades, outros de tanta feição como em pano de ras, e todos com os beiços furados, muitos com os ossos neles, e bastantes sem ossos. Alguns traziam uns ouriços verdes, de árvores, que na cor queriam parecer de castanheiras, embora fossem muito mais pequenos. E estavam cheios de uns grãos vermelhos, pequeninos que, esmagando-se entre os dedos, se desfaziam na tinta muito vermelha de que andavam tingidos. E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos. E o Capitão mandou aquele degredado Afonso Ribeiro e a outros dois degredados que fossem meter-se entre eles; e assim mesmo a Diogo Dias, por ser homem alegre, com que eles folgavam. E aos degredados ordenou que ficassem lá esta noite. Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na oposta. E diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que lhes deram de comer dos alimentos que tinham, a saber muito inhame, e outras sementes que na terra dá, que eles comem. E como se fazia tarde fizeram-nos logo todos tornar; e não quiseram que lá ficasse nenhum. E ainda, segundo diziam, queriam vir com eles. Resgataram lá por cascavéis e outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos, e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, espécie de tecido assaz belo, segundo Vossa Alteza todas estas coisas verá, porque o Capitão vo-las há de mandar, segundo ele disse. E com isto vieram; e nós tornamo-nos às naus. Terça-feira, depois de comer, fomos em terra, fazer lenha, e para lavar roupa. Estavam na praia, quando chegamos, uns sessenta ou setenta, sem arcos e sem nada. Tanto que chegamos, vieram logo para nós, sem se esquivarem. E depois acudiram muitos, que seriam bem duzentos, todos sem arcos. E misturaram-se todos tanto conosco que uns nos ajudavam a acarretar lenha e metê-las nos batéis. E lutavam com os nossos, e tomavam com prazer. E enquanto fazíamos a lenha, construíam dois carpinteiros uma grande cruz de um pau que se ontem para isso cortara. Muitos deles vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais para verem a ferramenta de ferro com que a faziam do que para verem a cruz, porque eles não tem coisa que de ferro seja, e cortam sua madeira e paus com pedras feitas como cunhas, metidas em um pau entre duas talas, mui bem atadas e por tal maneira que andam fortes, porque lhas viram lá. Era já a conversação deles conosco tanta que quase nos estorvavam no que havíamos de fazer. E o Capitão mandou a dois degredados e a Diogo Dias que fossem lá à aldeia e que de modo algum viessem a dormir às naus, ainda que os mandassem embora. E assim se foram. Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra. Todavia os que vi não seriam mais que nove ou dez, quando muito. Outras aves não vimos então, a não ser algumas pombas-seixeiras, e pareceram-me maiores bastante do que as de Portugal. Vários diziam que viram rolas, mas eu não as vi. Todavia segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves! E cerca da noite nós volvemos para as naus com nossa lenha. Eu creio, Senhor, que não dei ainda conta aqui a Vossa Alteza do feitio de seus arcos e setas. Os arcos são pretos e compridos, e as setas compridas; e os ferros delas são canas aparadas, conforme Vossa Alteza verá alguns que creio que o Capitão a Ela há de enviar. Quarta-feira não fomos em terra, porque o Capitão andou todo o dia no navio dos mantimentos a despejá-lo e fazer levar às naus isso que cada um podia levar. Eles acudiram à praia, muitos, segundo das naus vimos. Seriam perto de trezentos, segundo Sancho de Tovar que para lá foi. Diogo Dias e Afonso Ribeiro, o degredado, aos quais o Capitão ontem ordenara que de toda maneira lá dormissem, tinham voltado já de noite, por eles não quererem que lá ficassem. E traziam papagaios verdes; e outras aves pretas, quase como pegas, com a diferença de terem o bico branco e rabos curtos. E quando Sancho de Tovar recolheu à nau, queriam vir com ele, alguns; mas ele não admitiu senão dois mancebos, bem dispostos e homens de prol. Mandou pensar e curá-los mui bem essa noite. E comeram toda a ração que lhes deram, e mandou dar-lhes cama de lençóis, segundo ele disse. E dormiram e folgaram aquela noite. E não houve mais este dia que para escrever seja. Quinta-feira, derradeiro de abril, comemos logo, quase pela manhã, e fomos em terra por mais lenha e água. E em querendo o Capitão sair desta nau, chegou Sancho de Tovar com seus dois hóspedes. E por ele ainda não ter comido, puseram-lhe toalhas, e veio-lhe comida. E comeu. Os hóspedes, sentaram-no cada um em sua cadeira. E de tudo quanto lhes deram, comeram mui bem, especialmente lacão cozido frio, e arroz. Não lhes deram vinho por Sancho de Tovar dizer que o não bebiam bem. Acabado o comer, metemo-nos todos no batel, e eles conosco. Deu um grumete a um deles uma armadura grande de porco montês, bem revolta. E logo que a tomou meteu-a no beiço; e porque se lhe não queria segurar, deram-lhe uma pouca de cera vermelha. E ele ajeitou-lhe seu adereço da parte de trás de sorte que segurasse, e meteu-a no beiço, assim revolta para cima; e ia tão contente com ela, como se tivesse uma grande jóia. E tanto que saímos em terra, foi-se logo com ela. E não tornou a aparecer lá. Andariam na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e de aí a pouco começaram a vir. E parece-me que viriam este dia a praia quatrocentos ou quatrocentos e cinqüenta. Alguns deles traziam arcos e setas; e deram tudo em troca de carapuças e por qualquer coisa que lhes davam. Comiam conosco do que lhes dávamos, e alguns deles bebiam vinho, ao passo que outros o não podiam beber. Mas quer-me parecer que, se os acostumarem, o hão de beber de boa vontade! Andavam todos tão bem dispostos e tão bem feitos e galantes com suas pinturas que agradavam. Acarretavam dessa lenha quanta podiam, com mil boas vontades, e levavam-na aos batéis. E estavam já mais mansos e seguros entre nós do que nós estávamos entre eles. Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até um ribeiro grande, e de muita água, que ao nosso parecer é o mesmo que vem ter à praia, em que nós tomamos água. Ali descansamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dele, entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos. Ao sairmos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos em direitura à cruz que estava encostada a uma árvore, junto ao rio, a fim de ser colocada amanhã, sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. E a esses dez ou doze que lá estavam, acenaram-lhes que fizessem o mesmo; e logo foram todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim! Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos. Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus. Se lhes a gente acenava, se queriam vir às naus, aprontavam-se logo para isso, de modo tal, que se os convidáramos a todos, todos vieram. Porém não levamos esta noite às naus senão quatro ou cinco; a saber, o Capitão-mor, dois; e Simão de Miranda, um que já trazia por pagem; e Aires Gomes a outro, pagem também. Os que o Capitão trazia, era um deles um dos seus hóspedes que lhe haviam trazido a primeira vez quando aqui chegamos -- o qual veio hoje aqui vestido na sua camisa, e com ele um seu irmão; e foram esta noite mui bem agasalhados tanto de comida como de cama, de colchões e lençóis, para os mais amansar. E hoje que é sexta-feira, primeiro dia de maio, pela manhã, saímos em terra com nossa bandeira; e fomos desembarcar acima do rio, contra o sul onde nos pareceu que seria melhor arvorar a cruz, para melhor ser vista. E ali marcou o Capitão o sítio onde haviam de fazer a cova para a fincar. E enquanto a iam abrindo, ele com todos nós outros fomos pela cruz, rio abaixo onde ela estava. E com os religiosos e sacerdotes que cantavam, à frente, fomos trazendo-a dali, a modo de procissão. Eram já aí quantidade deles, uns setenta ou oitenta; e quando nos assim viram chegar, alguns se foram meter debaixo dela, ajudar-nos. Passamos o rio, ao longo da praia; e fomos colocá-la onde havia de ficar, que será obra de dois tiros de besta do rio. Andando-se ali nisto, viriam bem cento cinqüenta, ou mais. Plantada a cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiro lhe haviam pregado, armaram altar ao pé dela. Ali disse missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram conosco, a ela, perto de cinqüenta ou sessenta deles, assentados todos de joelho assim como nós. E quando se veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco, e alçaram as mãos, estando assim até se chegar ao fim; e então tornaram-se a assentar, como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim como nós estávamos, com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que nos fez muita devoção. Estiveram assim conosco até acabada a comunhão; e depois da comunhão, comungaram esses religiosos e sacerdotes; e o Capitão com alguns de nós outros. E alguns deles, por o Sol ser grande, levantaram-se enquanto estávamos comungando, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinqüenta ou cinqüenta e cinco anos, se conservou ali com aqueles que ficaram. Esse, enquanto assim estávamos, juntava aqueles que ali tinham ficado, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles, falando-lhes, acenou com o dedo para o altar, e depois mostrou com o dedo para o céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos! Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima, e ficou na alva; e assim se subiu, junto ao altar, em uma cadeira; e ali nos pregou o Evangelho e dos Apóstolos cujo é o dia, tratando no fim da pregação desse vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, que nos causou mais devoção. Esses que estiveram sempre à pregação estavam assim como nós olhando para ele. E aquele que digo, chamava alguns, que viessem ali. Alguns vinham e outros iam-se; e acabada a pregação, trazia Nicolau Coelho muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda. E houveram por bem que lançassem a cada um sua ao pescoço. Por essa causa se assentou o padre frei Henrique ao pé da cruz; e ali lançava a sua a todos -- um a um -- ao pescoço, atada em um fio, fazendo-lha primeiro beijar e levantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançavam-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinqüenta. E isto acabado -- era já bem uma hora depois do meio dia -- viemos às naus a comer, onde o Capitão trouxe consigo aquele mesmo que fez aos outros aquele gesto para o altar e para o céu, (e um seu irmão com ele). A aquele fez muita honra e deu-lhe uma camisa mourisca; e ao outro uma camisa destoutras. E segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente, não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, do que entenderem-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer como nós mesmos; por onde pareceu a todos que nenhuma idolatria nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados e convertidos ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar; porque já então terão mais conhecimentos de nossa fé, pelos dois degredados que aqui entre eles ficam, os quais hoje também comungaram. Entre todos estes que hoje vieram não veio mais que uma mulher, moça, a qual esteve sempre à missa, à qual deram um pano com que se cobrisse; e puseram-lho em volta dela. Todavia, ao sentar-se, não se lembrava de o estender muito para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior -- com respeito ao pudor. Ora veja Vossa Alteza quem em tal inocência vive se se convertera, ou não, se lhe ensinarem o que pertence à sua salvação. Acabado isto, fomos perante eles beijar a cruz. E despedimo-nos e fomos comer. Creio, Senhor, que, com estes dois degredados que aqui ficam, ficarão mais dois grumetes, que esta noite se saíram em terra, desta nau, no esquife, fugidos, os quais não vieram mais. E cremos que ficarão aqui porque de manhã, prazendo a Deus fazemos nossa partida daqui. Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos -- terra que nos parecia muito extensa. Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé! E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro -- o que d'Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500. Pero Vaz de Caminha. Compartilhar este post Link para o post