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Descartes

Hall Of Fame do Ténis Português

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A ideia para este tópico nasceu com as recentes vitórias do João Sousa sobre o Nishikori e do Gastão Elias sobre o Monfils.

 

Os mais atentos ao fenómeno do ténis em Portugal saberão que estas duas vitórias juntam-se à que o João obteve em Kuala Lumpur sobre o Ferrer, à do Frederico Gil em Monte Carlo sobre o Monfils e à do Nuno Marques no Estoril sobre o Berasategui para completar o conjunto de 5 vitórias sobre jogadores do Top 10 que os tenistas portugueses obtiveram até hoje. Até aqui é conhecimento generalizado. Entretanto surgiu-me a questão: e as outras a seguir? Quais foram as vitórias sobre Top 20? Top 30? Top 50? Top 100? Resolvi fazer a lista.

 

Pensei também que apresentar assim uma lista de 10, 20, 50 ou 100 vitórias, a seco, seria pouco interessante. Achei que lhe podia dar algum contexto e enquadramento. E lembrei-me que poderia construir a lista a partir de uma visão histórica. Mostrando a evolução que o ténis português registou ao longo dos anos. E é a isso que me proponho, sem grandes pretensiosismos. Pegando no universo dos jogadores portugueses que registaram presença no ranking mundial desde 1984 (o ano em que a ATP passou a considerar os rankings de forma sistemática e rigorosa) e nas vitórias que foram conseguindo, ano a ano, desde 1982.

 

Não prometo nenhuma regularidade ou ritmo certo nos posts, sendo que, como imaginam, os primeiros anos serão mais fáceis de trabalhar do que os mais recentes dada a diferença abissal no volume de informação a tratar.

 

Espero que seja do vosso agrado. O ano de 1982 será apresentado dentro de momentos...

Editado por Descartes

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Gosto de ténis, não sou um fã daqueles acerrimos, mas a história do desporto Portugues interessa-me

 

Vou gostar de ler Descartes :)

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1982

 

 

Nota prévia: Tenham sempre presentes duas limitações que este exercício tem: só considero os tenistas que têm presença no ranking mundial desde 1984 e só recolhi a informação disponível nos sites da ATP e do ITF. Estas limitações são particularmente relevantes nos primeiros anos.

 

 

Até ao ano de 1982 o ténis português não tinha qualquer expressão em termos profissionais. Era um desporto de elites,com um número muito limitado de praticantes que o faziam apenas por lazer e motivados por eventos sociais. A competição a nível internacional resumia-se basicamente às eliminatórias da Taça Davis. Por vezes a sorte colocava-nos pela frente equipas ainda mais incipientes do que a nossa e daí resultavam algumas raras vitórias.

 

Foi o caso em 1982, em que defrontámos a Tunísia. Ano da estreia vitoriosa (pelo menos no que respeita aos registos a que recorri) de dois tenistas de reconhecido mérito a nível nacional: o Pedro Cordeiro (ex-selecionador nacional) e o Manuel Sousa (o pai do Pedro Sousa). Foram deles as primeiras vitórias que iniciam esta lista.

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

2 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

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"Hall Of Fame do Ténis Português" como título ficaria bem, creio.

 

Adjudicado!

 

 

Nota adicional: A lista que colocarei em cada ano é acumulada com os anos anteriores. E será ordenada pelo ranking dos adversários na altura em que o encontro decorreu. Portanto, a cada momento estará a informação sobre as maiores vitórias até ao ano a que diz respeito o post.

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Muito bom! Comecei a interessar-me por ténis há 2 ou 3 anos atrás. Desde aí acompanho o circuito ATP e Challenger com particular interesse na prestação dos portugueses. Por isso os maiores êxitos que apanhei foram estes recentes juntando ao titulo de Valência e às finais que o Sousa conseguiu. E vá, também os Challengers que o Gastão ganhou e sua posterior ascensão no ranking. Isto vai-me ajudar a perceber melhor o que se passou antes :mrgreen:

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Descartes, o site da Davis também te pode ser útil, tem um registo de bem antes de 1982, encontras vitórias de pessoas como o José Vilela e o João Lagos. Bom trabalho!

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Descartes, o site da Davis também te pode ser útil, tem um registo de bem antes de 1982, encontras vitórias de pessoas como o José Vilela e o João Lagos. Bom trabalho!

 

Sim, eu sei. Por exemplo, nessa eliminatória com a Tunísia em 82 ganhámos 5-0. Os outros dois singulares foram disputados pelo Miguel Soares e pelo José Guedes.

 

Há que ter em atenção a finalidade deste tópico. É de chegar ao fim com uma lista (de 50, 100, 200, depois decidirei) das maiores vitórias até agora ordenadas pelo ranking dos adversários. Não é fazer um tratado sobre a história do ténis em Portugal. A mistura acontece, como expliquei, para dar mais interesse ao tópico.

 

Tendo este pressuposto não faz sentido elencar as vitórias ocorridas na altura em que não havia ranking oficial (iniciou-se a sua publicação em 1973). Tal como não faz grande sentido recolher informação do período em que o ranking era entendido apenas como um mero exercício indicativo para que os organizadores dos torneios tivessem o trabalho facilitado na ordenação das Entry-Lists e na definição dos Cabeças de Série. O ranking a sério, elaborado de forma sistemática e publicado semanalmente, só começou em 1984. Até lá era uma confusão. Principalmente nos lugares mais abaixo não traduz verdadeiramente os resultados.

 

Como tal pareceu-me um critério suficientemente objetivo trabalhar apenas os jogadores portugueses que tiveram presença no ranking a partir de 1984. O que traz uma vantagem adicional. É que o ténis em Portugal só começou a ter expressão a partir da segunda metade dos anos 80 com o surgimento do João Cunha e Silva e do Nuno Marques. Estes primeiros 3 a 4 anos podem ser entendidos como o prelúdio da história para servirem como enquadramento. Até porque, no final das contas, independentemente da dimensão da lista, decerto que nenhum destes resultados dos primeiros anos lá constarão.

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1983

 

 

Portugal é um país que passou boa parte do século XX isolado, sem contactos ou interações com o exterior, com um povo conformado à máxima do "pobrezinho mas honrado". Depois veio a revolução e o período conturbado que se seguiu. A estabilidade só começou a ser vivida na década de 80. Foi nessa altura que o país se abriu ao exterior a todos os níveis. Político, com a perspetiva e concretização da adesão à CEE; económico, com o incremento das trocas comerciais com o estrangeiro e a aposta cada vez menos tímida no setor do turismo; e, como não podia deixar de ser, também a nível desportivo.

 

O desporto em Portugal era sinónimo de futebol. E mesmo esse com exposição internacional limitada se exceptuarmos as conquistas do Benfica e um ou outro brilharete. O resto era inexistente. Tudo mudou na década de 80. O próprio futebol aproveitou a modernidade e maior abertura para exportar alguns dos seus melhores praticantes, os clubes continuaram fortes no plano europeu com o FC Porto a juntar-se ao Benfica, a seleção marcou presença em europeus e mundiais, a formação transformou-se e deu origem à "Geração de Ouro". Para várias outras modalidades esta década marcou a entrada de Portugal no contexto europeu e mundial. A começar pelo Atletismo com as performances de Carlos Lopes, Fernando Mamede ou Rosa Mota.

 

O ténis não podia fugir à regra e foi nesta década que, verdadeiramente, tudo começou. E o ano foi este: 1983. Foi neste ano que se resolveu trazer para Portugal um torneio integrado no circuito profissional. O Open de Portugal que contava com algumas das figuras mais preponderantes do ténis da altura. A começar pelo jovem sueco Mats Wilander, digno sucessor da lenda Bjorn Borg, que trazia já no bolso o título de Roland Garros conquistado no ano de 1982 e o de Monte Carlo obtido na semana anterior ao torneio português. E continuando com o excêntrico francês Yannick Noah que dois meses depois se haveria de tornar o último francês (até hoje) a conquistar o Slam parisiense. A final entre ambos, que sorriu ao sueco, foi um hino ao ténis.

 

A partir desta altura tudo se alterou. É certo que passaram 7 anos até que Portugal voltasse a ter um torneio integrado no principal circuito do ténis profissional (Estoril Open em 1990), mas a semente estava lançada. Uma semente em forma de inúmeros torneios de categoria Challenger organizados nos principais locais turísticos do país (Lisboa, Estoril, Porto, Algarve, Setúbal/Tróia, Madeira e Açores) que duraram até à década de 90 e, principalmente, em forma de influência nos jovens que passaram a olhar o ténis não só como passatempo mas também como possível modo de vida futuro. Entre esses jovens estavam João Cunha e Silva e Nuno Marques, os "fundadores" do ténis de competição em Portugal.

 

No entanto, os efeitos não foram imediatos. E em termos de resultados continuámos, em 1983, limitados à habitual pobreza franciscana. Em todo o ano apenas se registou uma vitória em confrontos internacionais. Coube ao Pedro Cordeiro que derrotou o holandês Eric Wilborts num daqueles encontros da Davis que já não contam para nada. Fica o registo de que foi esta a primeira vitória de um tenista português sobre um adversário com classificação no ranking mundial.

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - Pedro Cordeiro | 1983 | Davis | Estoril (POR) | Z-1R | Eric Wilborts (NED) [308] | 57 61 61

2 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

3 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

Editado por Descartes

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Nessa altura o Wilander tinha apenas 18 anos. Bom post, Desc!

Editado por Peplin

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1984

 

 

1984 foi um ano que fica marcado na história do desporto em Portugal. Foi o ano em que pela primeira vez o nosso hino se fez ouvir no palco da maior competição desportiva do mundo. Em que a nossa bandeira subiu ao mastro mais alto dos Jogos Olímpicos. O protagonista deste feito, que fez meio país ficar acordado até altas horas da madrugada com os olhos colados às televisões, foi um humilde viseense chamado Carlos Lopes. Um homem que nos ensinou que velhos são os trapos e que, com trabalho, esforço e perseverança é possível alcançar os sonhos mais impossíveis. E que, acima de tudo, nos fez compreender que nós, portugueses, não somos inferiores aos outros. É tudo uma questão de trabalho e dedicação conjugado com talento natural.

 

Foi também o ano em que, no futebol, o FC Porto começou a construir a sua dimensão europeia ao disputar, em Basileia, a final da Taça das Taças, que perdeu para a Juventus de Platini e Boniek. O ano em que a seleção nacional regressou aos grandes palcos e se estreou na fase final de um Europeu, onde só tombou nas meias finais frente à França de... Platini e Tigana. O ano em que a Europa do futebol descobriu o génio inato de Fernando Chalana. O ano em que despontava um jovem prodígio a quem todos auguravam um futuro risonho ao mais alto nível (que se concretizou) chamado Paulo Futre.

 

No ténis nacional a grande notícia era também o início da carreira de um jovem talentoso. O jovem mais talentoso que o país já tinha visto com uma raquete nas mãos. Falo de João Cunha e Silva que cumpria, em 1984, 17 anos e já se encontrava entre os melhores praticantes nacionais, o que na altura, não era grande feito. Foi um jovem cuja carreira nas camadas jovens deixava perceber que podia estar ali o primeiro português a singrar no circuito profissional internacional.

 

E ele cumpriu. Protagonizou em cerca de década e meia uma carreira muito interessante. Algo modesta vista à luz do que temos hoje, mas quase impensável no contexto de meados dos anos 80. Certas vezes criticado por ser pouco ambicioso, por não sair da sua zona de conforto, dedicou-se essencialmente à competição em torneios Challenger, opção que talvez lhe tenha limitado a carreira e o tenha impedido de ingressar no Top 100 mundial (ficou-se pelo 108º posto, como posição mais alta). Mas foi ele quem começou a desbravar o caminho. Foi ele o primeiro a abraçar o profissionalismo, a disputar torneios de forma consistente, a pisar os grandes palcos. Foi pioneiro no ténis nacional.

 

E foi ele, apenas com 16 anos, que protagonizou a única vitória internacional do ano. O primeiro (do universo de tenistas que estou a trabalhar, como referi no 1º post) a vencer um encontro ao 5º set. O primeiro a vencer uma partida no estrangeiro. Foi na Noruega e a "vítima" foi Tony Jonsson, na inevitável eliminatória da Davis que ainda constituía a única participação internacional dos tenistas portugueses.

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - Pedro Cordeiro | 1983 | Davis | Estoril (POR) | Z-1R | Eric Wilborts (NED) [308] | 57 61 61

2 - João Cunha e Silva | 1984 | Davis | Oslo (NOR) | Z-1R | Tony Jonsson (NOR) [793] | 68 60 46 64 63

3 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

4 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

Editado por Descartes

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1985

 

 

Para Portugal e os portugueses 1985 foi um ano de "virar de página". Um ano de esperança, de sonho, de renovação, de confiança. Um ano em que passámos a acreditar que o futuro só podia ser melhor. Que estávamos no bom caminho.

 

Foi o ano em que se concretizou a nossa adesão à CEE, que ficou com data marcada para 1 de janeiro de 86. O ano em que nos despedimos do FMI que nos condicionava e nos mandava "apertar o cinto" e nos juntávamos como iguais aos países ricos europeus. Mal sabendo que 25 anos depois os teríamos de volta, mas isso são contas de outro rosário.

 

Aproveitando a onda, penalizámos também quem nos tinha governado com tantas restrições e elegemos pela primeira vez para Primeiro Ministro um homem que nos prometia arrumar a casa e embarcar num rumo de crescimento e prosperidade ao lado daqueles que viriam a ser os nossos parceiros europeus. Aníbal Cavaco Silva representava, em 1985, a renovação e a esperança num futuro melhor. Com ele não tardaríamos a ser tão ricos e felizes como alemães, franceses ou britânicos...

 

No desporto, enquanto Carlos Lopes batia o recorde mundial da Maratona em Roterdão e se sagrava campeão mundial de corta-mato e Aurora Cunha conquistava o título mundial de estrada, havia um homem que só pedia que o deixassem sonhar. E nós deixámos. E o sonho concretizou-se. Na forma de um pontapé fantástico de Carlos Manuel e uma série de defesas impossíveis de Bento. E assim, em Estugarda, no coração da Alemanha, o "Bom Gigante" José Torres viu o seu sonho concretizar-se e Portugal apurou-se para a fase final do mundial de futebol 20 anos depois da nossa última e única participação até à data.

 

Ainda no futebol este foi o ano em que Pinto da Costa comemorou o seu 1º título nacional como presidente do FC Porto. Um título marcado por uma grande carga simbólica porque ocorreu poucos meses depois do falecimento de uma das figuras mais gradas do futebol nacional e do Porto em particular, José Maria Pedroto. Igualmente carregado de simbolismo, embora ninguém de tal se tivesse apercebido na altura, é que cerca de um mês depois do falecimento daquele que foi, provavelmente, o maior mestre do futebol sem expressão internacional, do futebol que se esgotava em lutas intestinas, do futebol que tinha como ambição maior a conquista de títulos a nível interno, nascia aquele que vai ficar na história como o desportista português mais universal, que não conhece barreiras nem fronteiras, que é conhecido e reconhecido nos quatro cantos do mundo. A 5 de fevereiro nascia numa modesta terreola madeirense Cristiano Ronaldo!

 

Em 1985 Portugal também assistiu ao nascimento de outra figura maior do desporto mundial. Neste caso em sentido figurado. Na pista do Autódromo do Estoril, num fim de semana de chuva diluviana, mostrava-se ao mundo Ayrton Senna da Silva. Conquistou aqui o seu 1º título e a 1ª pole-position. Nunca mais ganhou em Portugal. Mas essa vez bastou para que o nosso país ficasse registado na história grandiosa daquele que, para muitos, foi o maior génio a colocar as mãos num volante na história dos desportos motorizados.

 

E no ténis? Houve em 1985 sinais de esperança, de sonho, de renovação? Infelizmente não! Foi um ano como os anteriores. O João Cunha e Silva ainda era demasiado novo para embarcar em novas aventuras e o Pedro Cordeiro demasiado vulgar para mudar de vida. Neste ano tivemos a sorte de receber os simpáticos luxemburgueses e o João e o Pedro despacharam-nos com 5-0. Na eliminatória seguinte levámos o mesmo tratamento dos britânicos, mas isso não é para aqui chamado. Como registo fica a primeira vez em que dois tenistas portugueses derrotaram, no mesmo ano, um jogador classificado no Top 400 do ranking mundial. Não é grande coisa como recorde que mereça referência...:D

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - Pedro Cordeiro | 1983 | Davis | Estoril (POR) | Z-1R | Eric Wilborts (NED) [308] | 57 61 61

2 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 62 61 64

3 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 46 63 63

4 - João Cunha e Silva | 1984 | Davis | Oslo (NOR) | Z-1R | Tony Jonsson (NOR) [793] | 68 60 46 64 63

5 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

6 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

7 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 63

8 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 60 61

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Estou a adorar isto :prayer:

Obrigado pelos "ensinamentos" Descartes

 

E gostei da referência à minha conterrânea Aurora Cunha :mrgreen:

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1986

 

 

Ao contrário do ano anterior, que foi marcado pela esperança e coisas positivas, o ano de 1986 em Portugal teve muito drama e demasiada tragédia.

 

Membros de pleno direito da CEE, o ano iniciou-se, a nível político, com as eleições presidenciais mais concorridas de sempre. Uma primeira volta onde Freitas do Amaral ganhou de forma folgada e quase chegava aos 50% e uma segunda volta onde Mário Soares, que obteve apenas cerca de 25% dos votos na 1ª volta, virou o tabuleiro, uniu a esquerda e ganhou por uma unha negra. Tragédia à direita e drama à esquerda tendo ficado célebres as declarações de Álvaro Cunhal que aconselhava os militantes do PCP a votar Mário Soares: “Se for preciso tapem a cara de Soares no boletim de voto com uma mão e votem com a outra!” E votaram! Se Cunhal suspeitasse que, 30 anos depois, os comunistas seriam chamados novamente a dar a mão aos socialistas talvez tivesse ficado menos compungido...

 

No desporto o ano ficou marcado pela tragédia. Disputava-se a primeira classificativa do Rali de Portugal, prova pontuável para o campeonato do mundo e que contava com a presença dos principais pilotos e marcas da altura, na Lagoa Azul, perto de Sintra, quando o Ford RS200 pilotado pelo português Joaquim Santos se despistou e colheu dezenas de espetadores. O resultado foi a morte de quatro pessoas e mais de 3 dezenas de feridos. Na sequência do acidente os principais pilotos decidiram abandonar a prova alegando que a organização do Rali não assegurava as condições mínimas de segurança. O Rali acabou por ser vencido por Joaquim Moutinho que registou, assim, a primeira e única vitória de um piloto português numa competição integrada no mundial da especialidade. Todos nós, a começar pelo próprio Joaquim Moutinho, passavamos bem sem esse feito. Vídeo do acidente:

 

Drama e tragédia também no futebol. Com um nome que ficou para a história: Saltillo. Uma terreola desconhecida no México que passou a ser sinónimo de confusão, problemas, incompetência, falta de profissionalismo,...

 

Na fase final do mundial que começou por ser do México a acabou a ser de Diego Armando Maradona, tudo correu mal à seleção nacional. Começou logo na partida quando se soube que Veloso tinha acusado positivo numa análise anti-doping e teve que ser substituído à última hora por Bandeirinha. Continuou com a perna partida de Bento num treino em que ele jogou a avançado e prosseguiu com os ataques de ansiedade de Damas. A isto se juntou a principal preocupação dos jogadores: os prémios de jogo! A pacatez e incapacidade crónica de gerir conflitos demonstrada por José Torres. A incompetência de Amândio de Carvalho enquanto máximo responsável pela delegação portuguesa que só dizia que não tinha autoridade suficiente para tomar decisões. A ausência de Silva Resende, presidente da Federação, que tinha optado por ficar em Portugal. Os jogadores, movidos por um espírito revolucionário e reivindicativo, a ameaçar greve aos treinos. Indisciplina, p*tas e copos com fartura durante o estágio. Debates intensos no Parlamento com os deputados discutindo de forma acalorada que medidas poderiam ser tomadas. Intervenção do próprio Primeiro Ministro... Uma vergonha! Quem acabou por resolver o problema, no curto prazo, foram os polacos e os marroquinos que nos ganharam e nos recambiaram para casa mais cedo do que estava previsto.

 

O campeonato continuou e para a história ficou o golo que foi considerado pela FIFA (e que eu subscrevo) como o melhor de sempre. E também a "Manita de Dios", claro. E Maradona guindou-se àquele plano de imortalidade onde só moram os deuses.

 

Por cá foi decidido que os jogadores envolvidos no escândalo ficavam de castigo e deixavam de poder representar a seleção. E assim passámos, nos anos seguintes, por uma travessia do deserto com representações de segundo nível que em nada dignificaram o futebol português.

 

 

No ténis, mais do mesmo. Duas vitórias na eliminatória da Davis em que recebemos o Zimbabwé obtidas pelo Pedro Cordeiro e pelo João Cunha e Silva. Mas houve uma novidade. O Pedro protagonizou a primeira vitória portuguesa num torneio de categoria Challenger. Aconteceu no torneio de Lisboa e a vítima foi o francês Bruno Dadillon. As coisas começavam a mudar. Muito devagarinho, mas os sinais iam aparecendo...

 

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - Pedro Cordeiro | 1983 | Davis | Estoril (POR) | Z-1R | Eric Wilborts (NED) [308] | 57 61 61

2 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 62 61 64

3 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 46 63 63

4 - Pedro Cordeiro | 1986 | CH | Lisboa | 1ª R | Bruno Dadillon (FRA) [435] | 76 76

5 - João Cunha e Silva | 1986 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Haroon Ismail (ZIM) [717] | 62 62 61

6 - Pedro Cordeiro | 1986 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Haroon Ismail (ZIM) [717] | 63 61 62

7 - João Cunha e Silva | 1984 | Davis | Oslo (NOR) | Z-1R | Tony Jonsson (NOR) [793] | 68 60 46 64 63

8 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

9 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

10 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 63

 

11 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 60 61

Editado por Descartes

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Já agora, como complemento, no Challenger de Lisboa desse ano, o Manuel Sousa jogou na 1ª ronda com o 1º CS do torneio, Claudio Mezzadri, e perdeu por duplo 6-1. O Mezzadri era, na altura, 120º do ranking.

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1987

 

 

O ano de 1987 foi de grande intensidade política em Portugal.

 

No ano em que morreu Zeca Afonso e em que Otelo Saraiva de Carvalho, um dos capitães de Abril, foi condenado em 1ª instância pelo seu envolvimento no grupo terrorista FP25, a aprovação de uma moção de censura ao Governo apresentada pelo PRD conduziu à dissolução da Assembleia da República e marcação de novas eleições. Cavaco Silva e o PSD foram os grandes beneficiados atingindo pela primeira vez a maioria absoluta. O PS ficou reduzido a cerca de 20% do eleitorado, o PCP manteve os seus bastiões, o PRD praticamente desapareceu e o CDS passou a ser conhecido pelo "partido do táxi" porque os seus 4 deputados poderiam deslocar-se todos nesse meio de transporte a caminho de São Bento. O país mudou de cor. Passou a laranja!

 

Foi também o ano em que os portugueses foram pela primeira vez chamados às urnas para eleger os seus representantes ao Parlamento Europeu. Aquele que prometia ser um momento importante na nossa cidadania europeia acabou por não passar de mais uma oportunidade para discutir a política interna. Trinta anos depois pouco mudou. A Europa e, em particular, a nossa representação no Parlamento Europeu continua a ser algo que pouco nos mobiliza.

 

Em termos desportivos os maiores impactos foram monopolizados pelo FC Porto. Este foi o ano da emancipação do clube da Invicta. O ano em que Pinto da Costa concretizou um sonho, em que Artur Jorge se tornou mestre de pleno direito, em que o calcanhar de Madjer entrou diretamente para a história, em que Paulo Futre expressou mundialmente todo o seu génio e em que um brasileiro modesto, Juary, se transformou na mais letal arma secreta que o futebol nacional conheceu. O FC Porto conquistou no Prater de Viena a glória ao vencer a Taça dos Campeões Europeus frente aos poderosos e considerados imbatíveis teutónicos do Bayern de Munique. E o FC Porto ainda fez mais em 87. Em Tóquio ultrapassou os uruguaios do Peñarol para conquistar o mundo vencendo a Taça Intercontinental. Com Madjer mais uma vez em evidência, superando as câimbras, para marcar um golo que desafiou todas as leis da física. Para muitos sobrenatural e só possível devidos aos méritos que nesse plano se atribuíam a Delane Vieira. O tal que, para alguns, até fez nevar em Tóquio.

 

O ténis dava finalmente sinais de evolução. Muito devido ao aparecimento de uma nova figura: o Nuno Marques. Se o Cunha e Silva foi o primeiro a sugerir que Portugal poderia ter ténis profissional, Nuno Marques foi o primeiro a dar a entender que o poderíamos ter de alto nível. O Nuno, enquanto jovem, batia-se com os melhores, fazia parte dos melhores. Juntava a uma técnica apurada a condição física pouco habitual num português. Se Cunha e Silva pouco passava de 1,70m, Nuno Marques ultrapassava o 1,90m. A sua carreira foi, de facto, a melhor de sempre até à entrada em cena de Rui Machado e Frederico Gil 20 anos depois. Foi o primeiro a marcar presença no Top 100 (chegou a nº 86) e a lutar de igual para igual com os tenistas mais fortes do mundo nos principais palcos. Mas deixou sempre um sabor a pouco. Ele prometia muito mais do que, na realidade, concretizou. A esta distância talvez a sua permanência em Portugal o tenha limitado. O nosso país não conseguia competir com os países mais desenvolvidos nas condições que oferece aos seus atletas (ainda hoje não consegue). Com outro enquadramento profissional a nível técnico e de gestão de carreira e acompanhamento físico e médico especializado teria chegado bem mais longe. Mas isto já sou eu a especular...

 

Quanto a resultados positivos o Nuno Marques começou logo a aumentar a fasquia. No Challenger do Porto deu a Portugal a primeira vitória sobre um Top 300. Em Montabaur, França, obteve a primeira vitória num torneio no estrangeiro, passava pela primeira vez aos quartos de final de um challenger e derrotava pela primeira vez um Top 200. Em Dublin repetiu a presença nos quartos de final. O Cunha e Silva tentava seguir-lhe os passos e registou a sua 1ª vitória em Challengers. Em Knokke, na Bélgica. Como o Nuno Marques também passou aí uma ronda, fica registado como o primeiro torneio em que dois portugueses passaram à 2ª ronda.

 

A chegada de Nuno Marques ao primeiro plano nacional teve reflexos imediatos na Davis. Ele e Cunha e Silva começaram por derrotar o Mónaco em Monte Carlo, depois despacharam os húngaros em Lisboa e só foram travados pela poderosa Áustria, no Porto. A Áustria, liderada por Thomas Muster, ganhou por 4-1 mas todos os encontros foram pautados pelo equilíbrio. A vitória portuguesa foi protagonizada por Cunha e Silva sobre Horst Skoff, na altura o 41º do ranking. A primeira vitória nacional sobre um Top 50!

 

Para dar uma noção da mudança que este ano trouxe ao ténis nacional basta dizer que 7 das vitórias conseguidas este ano foram mais relevantes que todas as que ocorreram até 1986, se as ordenarmos pelo ranking dos adversários.

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Porto (POR) | Z-SF | Horst Skoff (AUT) [41] | 46 61 63

2 - Nuno Marques | 1987 | CH | Montabaur (FRA) | 1ª R | Jorge Lozano (MEX) [163] | 26 62 62

3 - Nuno Marques | 1987 | CH | Knokke (BEL) | 1ª R | Alberto Paris (LUX) [209] | 64 64

4 - Nuno Marques | 1987 | CH | Porto (POR) | 1ª R | Jose Lopez-Maeso (ESP) [219] | 64 62

5 - João Cunha e Silva | 1987 | CH | Knokke (BEL) | 1ª R | Givaldo Barbosa (BRA) [235] | 26 75 63

 

6 - Nuno Marques | 1987 | CH | Montabaur (FRA) | 2ª R | Agustin Moreno (MEX) [238] | 63 36 64

7 - Nuno Marques | 1987 | CH | Dublin (IRL) | 2ª R | Denys Maasdorp (RSA) [260] | 75 26 64

8 - Pedro Cordeiro | 1983 | Davis | Estoril (POR) | Z-1R | Eric Wilborts (NED) [308] | 57 61 61

9 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 62 61 64

10 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 46 63 63

 

11 - Nuno Marques | 1987 | CH | Dublin (IRL) | 1ª R | Stephen Botfield (GBR) [433] | 75 63

12 - Pedro Cordeiro | 1986 | CH | Lisboa (POR) | 1ª R | Bruno Dadillon (FRA) [435] | 76 76

13 - Nuno Marques | 1987 | CH | Estoril (POR) | 1ª R | Rodolphe Gilbert (FRA) [503] | 36 61 64

14 - João Cunha e Silva | 1986 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Haroon Ismail (ZIM) [717] | 62 62 61

15 - Pedro Cordeiro | 1986 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Haroon Ismail (ZIM) [717] | 63 61 62

 

16 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Monte Carlo (MON) | Z-1R | Bernard Balleret (MON) [773] | 63 64 06 75

17 - Nuno Marques | 1987 | Davis | Monte Carlo (MON) | Z-1R | Bernard Balleret (MON) [773] | 63 61 62

18 - João Cunha e Silva | 1984 | Davis | Oslo (NOR) | Z-1R | Tony Jonsson (NOR) [793] | 68 60 46 64 63

19 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Andras Lanyi (HUN) [838] | 64 64 57 86

20 - Nuno Marques | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Andras Lanyi (HUN) [838] | 60 46 62

 

21 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

22 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

23 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 63

24 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 60 61

25 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Laszlo Markovits (HUN) [-] | 46 62 61

 

26 - Nuno Marques | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Laszlo Markovits (HUN) [-] | 61 63 60

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Este Nuno Marques foi o 1º tuga a chegar a top 100, certo?

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Este Nuno Marques foi o 1º tuga a chegar a top 100, certo?

Aqui, Hawkeye

 

"Foi o primeiro a marcar presença no Top 100 (chegou a nº 86) e a lutar de igual para igual com os tenistas mais fortes do mundo nos principais palcos."

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1988

 

 

O ano em que Lisboa ardeu!

 

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O incêndio do Chiado, em que morreram duas pessoas, foi o acontecimento mais marcante do ano. Boa parte da zona comercial e histórica da capital consumida em 12 horas. O Grandela, a Valentim de Carvalho, a Rua do Carmo, a Rua Nova do Almada... a cidade nunca mais foi a mesma. A proteção civil passou a estar no centro das nossas preocupações.

 

No desporto foi ano de Jogos Olímpicos. Em Seoul. Onde brilhou Rosa Mota. A "menina da Foz" teve o mundo a seus pés quando conquistou o ouro na maratona olímpica.

 

No futebol os clubes portugueses afirmavam a sua qualidade nos palcos europeus. Aproveitando a suspensão dos clubes ingleses como consequência da tragédia de Heysel em 1985 e numa altura em que a Lei Bosman ainda não tinha aparecido para revolucionar o futebol europeu, os clubes nacionais encontravam espaço para brilhar.

 

Depois da vitória do FC Porto no ano anterior foi a vez do Benfica chegar à final da principal competição de clubes. No Neckarstadion, em Estugarda, onde Portugal tinha sido tão feliz 3 anos antes, o Benfica tentava afastar de vez a maldição de Bella Guttman. Não foi possível! Os holandeses do PSV Eindhoven, comandados por Guus Hiddink no banco e por Ronald Koeman dentro das 4 linhas foram mais competentes na "lotaria dos penaltys". António Veloso ficou na história do clube pelos piores motivos, falhando o penalty decisivo.

 

Foi também ano de europeu. Que glorificou uma geração brilhante de holandeses. Marco Van Basten, Ruud Gullit, Frank Rijkaard, os irmãos Koeman subiram ao plano da excelência. Tal como Portugal em 1987 também o futebol europeu se tornou laranja no final dos anos 80... Era a cor da moda!

 

No ténis os recordes continuavam a cair a um ritmo avassalador.

 

Em fevereiro João Cunha e Silva era o primeiro português a disputar uma final de um torneio Challenger, em Nairobi, no Quénia. Proeza que repetiu em agosto nos Açores.

 

O Nuno Marques apenas conseguiu chegar por duas vezes a meias finais. Na Madeira e em Vilamoura. Mas redimiu-se ao conseguir para o ténis nacional, em 1988, a primeira vitória num torneio ATP. Foi em Atenas, na Grécia, derrotando o espanhol Fernando Luna. E repetiu a gracinha no final do ano em São Paulo, derrotando o também espanhol Javier Sanchez.

 

Estas vitórias do Nuno Marques foram duas das três obtidas por portugueses sobre jogadores no Top 100 em 1988. A outra foi do Cunha e Silva na 2ª ronda do Challenger de Clermont-Ferrand. O adversário era o mítico argentino Guillermo Vilas, já com 35 anos. Infelizmente foi uma vitória sem grande sabor. O Vilas desistiu quando o resultado estava em 1-1 no 1º set.

 

Na Davis Portugal foi ganhar à Roménia por 3-2 (mérito exclusivo do Cunha e Silva) e depois levou uma ensaboadela em Lisboa da forte equipa russa.

 

No final do ano a contabilidade mostrava que 7 das 8 maiores vitórias de sempre do ténis nacional foram obtidas em 1988. Sobrava apenas a vitória do Cunha e Silva sobre o Horst Skoff que se mantinha a liderar a lista.

 

 

Jogador | Ano | Categoria | Local | Ronda | Adversário [Rank] | Resultado

 

1 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Porto (POR) | Z-SF | Horst Skoff (AUT) [41] | 46 61 63

2 - Nuno Marques | 1988 | ATP | Atenas (GRE) | 1ª R | Fernando Luna (ESP) [81] | 62 76

3 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Clermont Ferrand (FRA) | 2ª R | Guillermo Vilas (ARG) [96] | 11 ret

4 - Nuno Marques | 1988 | ATP | São Paulo (BRA) | 1ª R | Javier Sanchez (ESP) [97] | 76 60

5 - Nuno Marques | 1988 | CH | Madeira (POR) | 2ª R | Eduardo Masso (BEL) [124] | 62 57 76

 

6 - Nuno Marques | 1988 | CH | Madeira (POR) | QF | Pablo Arraya (PER) [138] | 63 62

7 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Lisboa (POR) | 2ª R | Jean-Philippe Fleurian (FRA) [140] | 63 64

8 - Nuno Marques | 1988 | CH | Porto (POR) | 2ª R | Eduardo Osta (ESP) [155] | 63 76

9 - Nuno Marques | 1987 | CH | Montabaur (FRA) | 1ª R | Jorge Lozano (MEX) [163] | 26 62 62

10 - João Cunha e Silva | 1988 | Davis | Timisoara (ROM) | Z1-QF | Florin Segarceanu (ROM) [164] | 16 60 60 62

 

11 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Travemunde (GER) | 1ª R | Josef Cihak (CZE) [164] | 16 75 76

12 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Madeira (POR) | 2ª R | Wojtek Kowalski (POL) [173] | 46 62 61

13 - Nuno Marques | 1988 | CH | Vilamoura (POR) | QF | Jorge Bardou (ESP) [187] | 63 36 63

14 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Clermont Ferrand (FRA) | 1ª R | Edoardo Mazza (ITA) [194] | 75 75

15 - Nuno Marques | 1987 | CH | Knokke (BEL) | 1ª R | Alberto Paris (LUX) [209] | 64 64

 

16 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Porto (POR) | 1ª R | Huub Van Boeckel (NED) [210] | 63 67 76

17 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Hanko (FIN) | 1ª R | Marcello Bassanelli (ITA) [216] | 61 63

18 - Nuno Marques | 1987 | CH | Porto (POR) | 1ª R | Jose Lopez-Maeso (ESP) [219] | 64 62

19 - João Cunha e Silva | 1987 | CH | Knokke (BEL) | 1ª R | Givaldo Barbosa (BRA) [235] | 26 75 63

20 - Nuno Marques | 1987 | CH | Montabaur (FRA) | 2ª R | Agustin Moreno (MEX) [238] | 63 36 64

 

21 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Açores (POR) | SF | Nduka Odizor (NGR) [241] | 63 76

22 - João Cunha e Silva | 1988 | Davis | Timisoara (ROM) | Z1-QF | Adrian Marcu (ROM) [249] | 64 63 63

23 - Nuno Marques | 1987 | CH | Dublin (IRL) | 2ª R | Denys Maasdorp (RSA) [260] | 75 26 64

24 - Pedro Cordeiro | 1988 | CH | Açores (POR) | 2ª R | Vicente Solves (ESP) [262] | 76 64

25 - Nuno Marques | 1988 | CH | Vilamoura (POR) | 2ª R | Eddie Edwards (RSA) [266] | 61 67 76

 

26 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Nairobi (KEN) | 2ª R | Thierry Pham (FRA) [293] | 64 63

27 - Pedro Cordeiro | 1983 | Davis | Estoril (POR) | Z-1R | Eric Wilborts (NED) [308] | 57 61 61

28 - Nuno Marques | 1988 | CH | Vilamoura (POR) | 1ª R | Derek Tarr (USA) [315] | 62 63

29 - Nuno Marques | 1988 | CH | Madeira (POR) | 1ª R | Otis Smith (USA) [318] | 75 76

30 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 62 61 64

 

31 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Johny Goudenbour (LUX) [335] | 46 63 63

32 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Açores (POR) | QF | Xavier Daufresne (BEL) [383] | 63 60

33 - Nuno Marques | 1988 | CH | Madeira (POR) | 1ª R | Michael Tauson (DEN) [395] | 76 63

34 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Açores (POR) | 2ª R | Denis Langaskens (BEL) [416] | 76 63

35 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Nairobi (KEN) | 1ª R | Stephan Medem (SUI) [422] | 75 76

 

36 - Nuno Marques | 1987 | CH | Dublin (IRL) | 1ª R | Stephen Botfield (GBR) [433] | 75 63

37 - Pedro Cordeiro | 1986 | CH | Lisboa (POR) | 1ª R | Bruno Dadillon (FRA) [435] | 76 76

38 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Budapeste (HUN) | 1ª R | Oliver Ploner (AUT) [478] | 64 64

39 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Nairobi (KEN) | SF | Paolo Pambianco (ITA) [489] | 76 62

40 - Nuno Marques | 1988 | CH | São Paulo (BRA) | 1ª R | Ricardo Acioly (BRA) [493] | 64 62

 

41 - Nuno Marques | 1987 | CH | Estoril (POR) | 1ª R | Rodolphe Gilbert (FRA) [503] | 36 61 64

42 - Nuno Marques | 1988 | CH | São Paulo (BRA) | 2ª R | Otavio Della (BRA) [514] | 64 76

43 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Madeira (POR) | 1ª R | Rodolphe Gilbert (FRA) [522] | 63 26 62

44 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Lisboa (POR) | 1ª R | Francisco Clavet (ESP) [565] | 26 75 60

45 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Nairobi (KEN) | QF | Daniel Deboer (GER) [633] | 62 75

 

46 - Pedro Cordeiro | 1988 | CH | Açores (POR) | 1ª R | Mika Hedman (FIN) [643] | 60 64

47 - João Cunha e Silva | 1986 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Haroon Ismail (ZIM) [717] | 62 62 61

48 - Pedro Cordeiro | 1986 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Haroon Ismail (ZIM) [717] | 63 61 62

49 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Monte Carlo (MON) | Z-1R | Bernard Balleret (MON) [773] | 63 64 06 75

50 - Nuno Marques | 1987 | Davis | Monte Carlo (MON) | Z-1R | Bernard Balleret (MON) [773] | 63 61 62

 

51 - João Cunha e Silva | 1984 | Davis | Oslo (NOR) | Z-1R | Tony Jonsson (NOR) [793] | 68 60 46 64 63

52 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Andras Lanyi (HUN) [838] | 64 64 57 86

53 - Nuno Marques | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Andras Lanyi (HUN) [838] | 60 46 62

54 - Nuno Marques | 1988 | CH | Porto (POR) | 1ª R | Pedro Cordeiro (POR) [880] | 63 62

55 - João Cunha e Silva | 1988 | CH | Açores (POR) | 1ª R | José Nunes (POR) [991] | 62 63

 

56 - Manuel Sousa | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Abdel-Aziz Zouhir (TUN) [-] | 63 61

57 - Pedro Cordeiro | 1982 | Davis | Porto (POR) | Z-1R | Raouf Ben Farhat (TUN) [-] | 61 61 63

58 - João Cunha e Silva | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 63

59 - Pedro Cordeiro | 1985 | Davis | Lisboa (POR) | Z-1R | Mike Van Kauvenbergh (LUX) [-] | 61 60 61

60 - João Cunha e Silva | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Laszlo Markovits (HUN) [-] | 46 62 61

 

61 - Nuno Marques | 1987 | Davis | Lisboa (POR) | Z-QF | Laszlo Markovits (HUN) [-] | 61 63 60

62 - Nuno Marques | 1988 | CH | Viña Del Mar (CHI) | 1ª R | Rodrigo Urzua (CHI) [-] | 57 63 61

63 - Nuno Marques | 1988 | CH | Viena (AUT) | 1ª R | Hans Priller (AUT) [-] | 26 62 75

64 - Sotero Rebelo | 1988 | CH | Madeira (POR) | 1ª R | Jorge Gonçalves (POR) [-] | 36 76 64

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Porque é que deixou de haver torneios Challenger em Portugal? Actualmente não deveríamos ter?

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