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Os melhores do mundo vão correr 85 quilómetros no Gerês

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Os melhores do mundo vão correr 85 quilómetros no Gerês

 

Campeonato Mundial de trail running acontece no sábado no Parque Nacional, atraindo cerca de 200 mil visitantes à região.

 

Os principais atletas internacionais de trail running vão lutar, no sábado, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), pelo título de campeão do mundo. São 270 concorrentes a correr ao longo de 85 quilómetros de percurso feito quase integralmente dentro da área protegida. É a primeira vez que esta prova é disputada em Portugal, o que está a atrair a atenção dos amantes da modalidade, prevendo-se que cerca 200 mil pessoas visitem a região a propósito desta competição.

 

A cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo de trail running está marcada para esta sexta-feira (16h00), na Avenida Central, em Braga. A cidade é a sede da prova, acolhendo as comitivas das selecções, que estão todas instaladas no Bom Jesus, e a “sports village”, que desde o início da semana ocupou a Avenida da Liberdade com diversas actividades, como acções de promoção da modalidade destinadas a crianças, sessões de autógrafos com alguns dos atletas e concertos.

 

Mas não é só a capital de distrito a beneficiar desta prova, que praticamente lotou a hotelaria nos vários concelhos da área do Parque Nacional, sobretudo na vila de Caldas do Gerês e em Arcos de Valdevez, para onde está prevista a chegada da prova. Ao todo, a organização estima que 200 mil pessoas visitem a região neste fim-de-semana a propósito do Campeonato Mundial, entre espectadores que vêm ver os seus ídolos e participantes nas Corridas Abertas que decorrerão em paralelo (ver caixa).

 

Na corrida pelo título mundial estão inscritas 40 selecções e 270 atletas, entre os quais estão quase todos os principais nomes da modalidade, como os campeões do mundo em título Sylvan Court e Nathalie Mauclair, que também tinha sido campeã em 2013, ou os vencedores do último Ultra-Trail do Mont-Blanc, nos Alpes, uma das mais míticas provas mundiais, Carolina Chaverot e Ludovic Pommeret.

 

A prova sairá às 5h00 da zona das pontes de Rio Caldo, sobre a albufeira da Caniçada, seguindo depois em direcção à vila do Gerês. Daí, os atletas terão que subir até ao miradouro de Pedra Bela, a 820 metros de altitude, prosseguindo em direcção à aldeia da Ermida e Fafião, já no concelho de Montalegre, onde surgem os primeiros trechos classificados como de grande dificuldade. Apesar disso, Carlos Sá – o ultra-maratonista português que lidera a organização nacional desta prova – entende que a primeira parte do percurso é “bastante rolante”. “Desenhámos o percurso dessa forma para não haver grande perigo de quedas e para não alargar muito o tempo de chegada e cortes”, explica.

 

Aos 30 quilómetros do percurso há uma segunda passagem na vila do Gerês, agendada para as 10h15. A partir daqui é que a prova começa a doer. Entra-se no “terreno característico” do PNPG, “muito técnico, muito difícil”, descreve Sá. Os atletas terão que enfrentar a subida da Serra Amarela (altitude máxima de cerca de 1335 metros e cerca de 9 quilómetros bastante íngremes), voltando depois de descer em direcção a Lindoso. Mas ainda há subidas muito difíceis como a de Juceda e do alto do Soajo antes do final, dois segmentos que o director da organização do Mundial de trail running classifica como de “dificuldades extrema”. Depois do Soajo, a prova entre em fase de descida, terminando praticamente em plano na vila de Arcos de Valdevez.

 

São 85 quilómetros de corrida, que os primeiros classificados deverão completar pelas 13h15, pouco mais de sete horas depois da partida. Para os mais lentos, o horário de chegada pode estender-se até às 21h00.

 

A prova será praticamente toda feita em zonas protegidas, mas evitará as zonas de protecção mais restrita do PNPG, utilizando quase sempre percursos e trilhos já marcados nas rotas de caminhada existentes na área do parque. Ainda assim, a sensibilidade do local implicará cuidados redobrados da organização, desde logo ao nível da presença do público. De modo a evitar a presença de espectadores em áreas particularmente sensíveis, os traçados não foram tornados públicos e só os atletas das selecções nacionais terão essa informação. Além disso, foram criadas zonas de espectáculo, onde as pessoas poderão ver passar os atletas, que estão identificadas com coordenadas que podem ser recolhidas nos pontos de apoio à prova em Braga e em Arcos de Valdevez.

 

Público

 

Ficam também os links das entrevistas do Público e Expresso ao organizador da prova (Carlos Sá)

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Espanhol vence Mundial de trail running na Peneda-Gerês

 

Luís Hernando venceu a prova, com Tiago Alves a assumir-se como o melhor português, em 13.º lugar.

 

O espanhol Luís Hernando sagrou-se neste sábado campeão do mundo de trail running, em prova que decorreu no Parque Nacional da Peneda-Gerês, e que teve chegada em Arcos de Valdevez.

 

O corredor, de 38 anos, que em 2015 tinha sido vice-campeão do mundo, concluiu o percurso de 85 quilómetros em 8h20m26s, tendo os restantes lugares do pódio sido ocupados pelos franceses Nicolas Martin e Sylvian Martin, campeão em 2016, que precisaram de mais 10 minutos para completar o exigente traçado, com um desnível positivo de 5 mil metros.

 

O melhor português foi Tiago Aires, que terminou na 13.ª posição, com 9h14m34s, depois de uma corrida em que chegou a andar no grupo da frente na primeira fase, mas quebrou na fase final da prova.

 

"Se me dissessem antes da prova que ia ficar em 13.º nunca acreditaria, mas, tendo em conta o desenrolar da corrida, acho que podia fazer bem melhor", começou por dizer o corredor luso.

 

Tiago Aires lembrou que chegou a andar "bem perto do sexto lugar", mas que, depois dos 60 quilómetros, foi ultrapassado por vários adversários. "Foi uma experiência fantástica, senti mesmo o carinho do público, e, apesar de estar competir com adversários que são profissionais da modalidade, talvez para o ano possa surgir para discutir uma medalha", acrescentou.

 

No lugar mais alto do pódio, o espanhol Luís Hernando falou numa corrida "muito difícil e sempre muito disputada".

"Até ao quilómetro 30 íamos 12 no grupo de frente, mas, depois, senti-me bem para me isolar. Estou muito contente e desfrutei muito de um percurso que foi muito bem conseguido e marcado", afirmou.

 

Na classificação por equipas, a França, com três corredores nos primeiros quatro lugares, averbou o título colectivo.

Os gauleses estiveram também em destaque no escalão feminino, com Caroline Chaverot a cortar a meta como a primeira mulher da prova, com 9h39m40s.

 

"Foi uma corrida muito difícil, tive mesmo de me sentar para descansar um pouco, e, como tinha uma adversária mesmo atrás de mim, tive na parte final de dar tudo por tudo. Foi uma das corridas mais difíceis que fiz e por isso estou muito contente por vencer", apontou a francesa.

 

O pódio do escalão feminino ficou completo pelo segundo lugar da espanhola Azara Garcia Salmones e pelo terceiro de Ragna Debats, da Holanda.

 

Público

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Estamos a cultivar um fenómeno preocupante e alguém vai enchendo os bolsos à conta disso. O caminho que nos levou há 30 anos a ser maior potência mundial de fundo não é este.

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