Lebohang Publicado 12 Maio 2018 Citação do jornal "Expresso" online Chineses preparam OPA sobre a EDPConsórcio chinês, que inclui a China Three Gorges, está a preparar o lançamento de uma oferta pública de aquisição sobre a EDP, onde a República Popular da China já tem uma participação de 28,25%Um consórcio chinês que inclui a China Three Gorges está a preparar o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a EDP, de acordo com informações obtidas pelo Expresso.A OPA acontece num momento em que o Estado chinês já detém 28,25% do capital da EDP, e depois de nos últimos meses se ter especulado no mercado que a elétrica portuguesa poderia vir a fazer parte do movimento de consolidação no sector energético europeu.Entre as empresas que, pelo seu perfil, eram apontadas no mercado como potencialmente interessadas numa aquisição da EDP estavam a italiana Enel e a francesa Engie. A própria China Three Gorges já havia manifestado disponibilidade para reforçar no capital da EDP.Ao que o Expresso apurou, o Governo de António Costa não deverá criar qualquer entrave político à operação. Pelo contrário, deverá, para já, apoiar a mesma. Não é claro, para já, qual o sentido da recomendação que o conselho de administração da EDP dará aos acionistas, dado que, aparentemente, se trata de uma oferta não solicitada (ou seja, não articulada entre os vários acionistas da empresa).A notícia surge um dia depois de a EDP ter apresentado os resultados do primeiro trimestre, cujo lucro baixou 23%, para 166 milhões de euros.Na conferência com analistas do mercado esta sexta-feira de manhã não houve qualquer referência à vaga de consolidação no sector elétrico na Europa.Estado chinês já tem 28,25% da EDPA República Popular da China já detém 28,25% da EDP, juntando as participações da China Three Gorges (23,27%) e da CNIC (4,98%). Uma participação que deixava o Estado chinês a pouco mais de cinco pontos percentuais da obrigação de lançar uma OPA (que surge quando um acionista ultrapassa os 33,34%).O segundo maior acionista da EDP atualmente é o norte-americano Capital Group (12%), seguido da espanhola Oppidum Capital (7,19%) e da norte-americana Blackrock (5%).A composição acionista da elétrica presidida por António Mexia inclui ainda a Mubadala Investment Company (4,06%), o BCP (2,44%), Sonatrach (2,38%), Qatar Investment Authority (2,27%) e Norges Bank (2,75%). Citação do jornal "Expresso" online O que pode e o que vai correr mal na OPA chinesa à EDPA operação pode levar meses e é de esperar aumento do preço oferecido e até OPA concorrentes. Mas o mais difícil vai ser lidar com a oposição política europeia e americana ao domínio elétrica europeia por uma empresa pública chinesa. A análise de João Vieira Pereira, diretor-adjunto do ExpressoA operação foi cuidadosamente planeada durante meses. A China Three Gorges (CTG) e as autoridades chineses desdobraram-se em contactos com o Governo português para garantir o seu apoio, contrataram um gigante banco americano, o Bank of America Merrill Lynch, para montar a operação, conseguiram manter a oferta pública em segredo, e terão inclusive em seu poder pelo menos um parecer jurídico que garante que o controlo da EDP não coloca em causa a separação obrigatória entre a rede e a distribuição.Mesmo assim os riscos do ataque chinês à EDP, uma das maiores operações de sempre na bolsa portuguesa, são grandes. E apesar do imediato sim do Governo português pela voz do próprio primeiro-ministro que, mesmo antes do anúncio oficial da OPA veio dizer que não tinha nada a opor, é de esperar que a operação leve muitos meses até que se saiba se chega ou não a bom porto. Eis a lista dos maiores riscos.O preçoFontes do mercado consideram que o valor por ação oferecido na OPA pelos chineses é “ridículo”. A CTG quer comprar a totalidade do capital da EDP por €3,26 por ação, um prémio que não chega a 5% do valor do papel da elétrica no dia do lançamento da OPA. Este valor é inclusive mais abaixo daquele que a CTG pagou ao Estado português na privatização de 2011 (€3,45 por ação). Contudo os chineses argumentam que o valor de €3,26 por ação inclui um prémio de cerca de 10,8% em relação ao preço médio ponderado da ação nos seis meses anteriores à OPA. Este preço pode levar a administração da EDP a considerar que a operação não representa o real valor da empresa, aconselhar os acionistas a não vender e a considerar a OPA como hostil. Além de que abre a porta para que outros possíveis interessados na EDP lancem uma OPA concorrente.Desblindagem de estatutosOs votos dos acionistas estão limitados a 25% independentemente do capital detido. Para controlar a empresa, a CTG tem de garantir que consegue em assembleia-geral apoio suficiente para alterar aquele limite. A um preço tão baixo como este, segundo acionistas já contactados pelo Expresso, vai ser difícil conseguir a desblindagem.RegulaçãoAs diretivas europeias, transpostas para a legislação nacional, são claras: deve haver uma separação entre os Operadores da Rede de Transporte (ORT) face às atividades de produção e de comercialização. A Rede Elétrica Nacional (REN) tem como principal acionista a State Grid of China, com 25%. A State Grid, bem como a CTG, são empresas públicas chinesas e por mais pareceres ou argumentos que sejam esgrimidos será difícil explicar que não têm o mesmo acionista, violando assim grosseiramente a legislação em vigor. Advogados contactados falam já na possibilidade de, por exemplo, os direitos de voto da State Grid na REN serem suspensos.Ofertas ConcorrentesAntónio Costa foi célere em dizer que não tinha nada a opor-se à OPA. Esta afirmação de aparente apoio à CTG pode virar-se contra ele e contra os chineses pois, sem qualquer oposição política, está aberta a porta a que surjam outras OPA sobre a EDP. É conhecido pelo menos o interesse espanhol e italiano.O não europeuVai ser difícil que os restantes países europeus aceitem de bom grado que o Estado Chinês detenha uma empresa europeia num sector-chave como o da produção de energia. Aliás nenhum país da Europa, além de Portugal, permitiu que a China tivesse participações relevantes no sector energético. Alemanha e a França têm mesmo vetado o investimento chinês em empresas que consideram estratégicas e o Parlamento Europeu deverá discutir dentro de algumas semanas legislação para criar barreiras à entrada chinesa em sector estratégicos. Bruxelas quer reciprocidade. E a EDP pode ser usada como exemplo, quer por via regulamentar, quer pelo incentivo para que empresas europeias ataquem também a EDP.O nunca americanoSe é provável o não europeu, pior será lidar com os Estados Unidos, onde as empresas chinesas são simplesmente barradas. A CTG montou esta operação com o gigante americano Bank of America Merril Lynch, um parceiro a não menosprezar no mundo do lóbi. Mas a operação tem de ser aprovada pelo Committee on Foreign Investment americano, o que não vai ser fácil perante o clima de guerra comercial que se vive entre a administração Trump e a China. Perante um não, a EDP poderá ser obrigada a vender os ativos nos EUA o que amputará a empresa do seu principal motor de crescimento.O problema BrasilQuando a oferta pública sobre a EDP foi conhecida o mercado em São Paulo ainda estava aberto. As ações da EDP Brasil, empresa detida em 51% pela EDP, dispararam de imediato cerca de 15%. Este salto mostra que o mercado considera que o preço oferecido é baixo e que pode haver novas subidas. Mas o problema Brasil é outro. Quando a CTG entrou na EDP, em 2011, não conhecia o mercado brasileiro. Hoje a empresa chinesa é um dos maiores investidores na área de energia no Brasil e na geração o maior produtor depois da Eletrobras. A compra da EDP, e o consequente domínio da EDP Brasil, levanta riscos de concentração naquele mercado e por isso é provável que possa haver imposição de remédios.OPA concorrente sobre a EDP renováveisA EDP controla a EDP renováveis, empresa que tem parte do seu capital disperso em bolsa e sobre a qual a CTG também lançou uma OPA. Mas o preço oferecido é inferior ao da cotação dos títulos na fecho de sexta-feira. As ações da Renováveis fecharam nos €7,845. A CTG oferece agora €7,33 por cada papel. E possível por isso que possa aparecer uma OPA sobre apenas esta empresa que se tornou uma espécie de estrela na produção de energia verde.A política a atrapalharOs riscos são já muitos mas há um que é totalmente imprevisível: o risco político. Como escreveu o Expresso na edição deste sábado, o negócio esteve a ser preparado com o Governo durante vários meses. António Costa não tem “nada a opor” e o executivo está agradado com o facto de a CTG querer fazer da EDP uma espécie de plataforma para investimentos chineses na área da energia na Europa, Estados Unidos e Brasil. Teoricamente até faz sentido. E é fácil vender a ideia que num cenário de concentração de empresas de energia na Europa é melhor a EDP ser dominada por Chineses do que controlada por espanhóis, franceses ou italianos. O problema é que o Estado já não é acionista da EDP e é difícil explicar como pode o Governo estar envolvido num projeto destes que acaba por entregar a uma empresa pública chinesa uma empresa que Portugal privatizou. Mais difícil ainda vai ser explicar à Europa que recebemos de braços abertos o controlo chinês da elétrica nacional numa altura em que é exigida reciprocidade à China. Outro ponto que o Governo vai ter esclarecer é o envolvimento ou não do ministro adjunto Pedro Siza Vieira na operação. Siza Vieira vem do escritório de advogados Linklaters, o mesmo que trabalha com a CTG e que ajudou a montar a operação. Segundo fontes contactadas pelo Expresso, Siza Vieira terá tido pelo menos uma reunião com os responsáveis da CTG durante a última deslocação destes a Portugal. Compartilhar este post Link para o post
Che Publicado 12 Maio 2018 Eu confio no Partido Comunista Chinês. Espero que o livre mercado torne a EDP em propriedade pública chinesa. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 27 Abril 2019 Citação OPA à EDP: a crónica de um falhanço anunciado Onze meses volvidos desde o anúncio da oferta de compra da EDP, a China Three Gorges enfrenta esta quarta-feira a possibilidade de os acionistas da elétrica recusarem levantar o limite de voto de 25%. A confirmar-se, a assembleia geral de acionistas da EDP será a certidão de óbito da OPA. Quarta-feira, 24 de abril de 2018. Esta ficará para a história como uma das datas mais relevantes no arquivo das assembleias gerais de acionistas da EDP. É esta quarta-feira que a elétrica chama os seus acionistas não apenas para aprovarem as contas do ano passado mas também para decidirem se querem manter um limite de votos de 25% ou eliminá-lo. E disso depende diretamente a oferta pública de aquisição (OPA). Se o limite se mantiver a operação morre. Se ele for extinto a China Three Gorges (CTG) tem um prazo de 45 dias para apresentar ao mercado todas as autorizações de reguladores que não apresentou nos 11 meses que já passaram desde que anunciou o lançamento da oferta, a 11 de maio de 2018. Este é um cenário complexo, ainda que a CTG afirme que “já obteve resultados positivos num grande número de aprovações regulatórias”. Até à data apenas é público que o Brasil deu “luz verde” à eventual tomada de controlo da EDP pela CTG. No total a empresa estatal chinesa tem de cumprir requisitos em 14 jurisdições diferentes, envolvendo mais de 25 entidades. A estrutura acionista da EDP é de tal modo diversificada que é impossível garantir à partida qual será o sentido de voto da maioria dos investidores. Além do Estado chinês, que tem 28,25% da EDP (23,37% são da CTG e 4,98% da CNIC), integram a estrutura acionista da elétrica a empresa espanhola Oppidum (7,2%), o fundo de investimento Blackrock (5%), o fundo soberano de Abu Dhabi (3,15%), a argelina Sonatrach (2,38%), a Qatar Investment Authority (2,27%), o Norges Bank (2,22%), a State Street (2%) e o BCP (2,43%). O único acionista de referência que anunciou previamente que votará contra a “desblindagem” da EDP foi o fundo Elliott, veículo norte-americano que detém pouco mais de 2% da elétrica e que é o autor da proposta para que se vote o fim dos limites de voto na empresa. Segundo as fontes ouvidas pelo Expresso, é possível que muitos dos acionistas de referência da EDP votem contra o levantamento dos limites de voto, dado que isso obrigará a CTG a desistir da OPA, atendendo a que esta segunda-feira a própria empresa estatal chinesa revelou que não renuncia à condição de apenas avançar com a operação se o limite de 25% acabar. Diversos fundos de investimento terão interesse em “enterrar” a OPA o mais rápido possível, para acabar com o clima de incerteza sobre este dossiê. A morte da OPA está, de resto, anunciada há vários meses: no final do ano passado a falta de informação da CTG sobre as autorizações regulatórias (também elas condição de base para que a oferta avançasse) começou a tornar evidente a dificuldade que a empresa chinesa teria para concretizar a operação. O presidente executivo da EDP, António Mexia, tem assumido uma posição cautelosa. Apesar de desconfortável com o arrastar da indefinição da OPA, que durante longos meses penalizou a cotação das ações da empresa, em público Mexia foi procurando desvalorizar o tema. Em março dizia esperar para “breve” o registo formal da operação, afirmando que a CTG estava a dar “os passos obrigatórios”. Mas com o passar do tempo, e com o persistente silêncio da CTG, vem crescendo, dentro e fora da EDP, a convicção de que a OPA não tem hipóteses. Na semana passada a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) emitiu um esclarecimento que veio pôr um prazo concreto à CTG: a partir desta assembleia geral terá 45 dias para cumprir todas as formalidades ligadas à OPA. Ou a concretiza ou desiste dela. Esta segunda-feira, o esclarecimento da CTG deixa patente um tom de alguma conformação com o cenário de fim de OPA. “A CTG respeitará as decisões adotadas pelas autoridades e pela assembleia geral, como temos feito consistentemente no passado. Além disso, a CTG permanecerá como investidora estratégica de longo prazo da EDP e continuará a contribuir como parceira estratégica para o desenvolvimento da sociedade, independentemente do resultado final da oferta”, pode ler-se no documento. Cotadas em 3,428 euros, as ações da EDP valem hoje mais 17 cêntimos (ou 5%) do que a contrapartida anunciada pela CTG em maio do ano passado. Embora um diferencial de 5% não seja inultrapassável num cenário hipotético de revisão em alta do preço da oferta, a conjuntura em que a EDP opera hoje é distinta do cenário em que a OPA foi anunciada. Em março a administração liderada por António Mexia apresentou uma revisão da sua estratégia que contempla vários desinvestimentos, que servirão para financiar outros investimentos em energias renováveis e para reduzir o endividamento do grupo, em linha com as pretensões apresentadas em fevereiro pelo fundo Elliott. Nessa revisão da estratégia a EDP anunciou que pretendia encaixar 4 mil milhões de euros com a venda de participações maioritárias em parques eólicos (ou até com a venda da totalidade das suas posições), além de 2 mil milhões de euros com a alienação de centrais termoelétricas e barragens em Portugal e Espanha. Esta terça-feira a elétrica anunciou ao mercado um acordo com vários investidores para a venda de posições em parques eólicos com 997 megawatts (MW) de capacidade instalada, em França, Espanha, Portugal e Bélgica, que permitirão ao grupo um encaixe imediato de 800 milhões de euros (ou seja, um quinto do plano de venda de ativos eólicos até 2022). A assembleia geral que a EDP realiza esta quarta-feira a partir das 15h na sua sede, em Lisboa, poderá ser a certidão de óbito da OPA chinesa. Uma oferta que há 11 meses surpreendeu o mercado, apanhando a EDP num período conturbado da sua vida, entre a investigação do Ministério Público a suspeitas de corrupção envolvendo o antigo ministro Manuel Pinho, e a posterior comissão parlamentar de inquérito das rendas da energia. Meses antes do anúncio da OPA, a EDP tinha sido alvo de rumores de potenciais alianças com a espanhola Gas Natural Fenosa, com a francesa Engie e com a italiana Enel. Nenhum desses rumores se confirmou, mas a República Popular da China, maior acionista da EDP desde 2012, decidiu jogar por antecipação e lançar uma oferta para ficar com mais de 50% da elétrica portuguesa. O que a CTG não antecipou foi a dificuldade que enfrentaria na obtenção de aprovações dos reguladores, sobretudo num contexto em que quer a Europa quer os Estados Unidos da América assumem maior preocupação com o controlo dos seus ativos estratégicos, como são os ligados à produção e distribuição de energia. “Apesar de um ambiente geopolítico e macroeconómico mais desafiador, continuamos a trabalhar ativamente para a conclusão dos demais processos [de autorizações regulatórias]”, escreveu o presidente da CTG Europe, Wu Shengliang, na declaração enviada esta segunda-feira ao vice-presidente da mesa da assembleia geral da EDP. Todos esses trabalhos poderão ter já esta quarta-feira um ponto final, se os acionistas da EDP decidirem manter os limites de voto nos 25%. 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Mayday Publicado 27 Abril 2019 (editado) Não se preocupem, Marcelo já está a jantar com eles. Editado 27 Abril 2019 por Mayday Compartilhar este post Link para o post