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Mesut Ozil

[Paris 2024] Portugueses em ação nos Jogos Olímpicos

Publicações recomendadas

Citação de Petar Musa, há 3 minutos:

Não percebi 😔 

É uma comparação estapafúrdia uma vez que os USA entram como país e a UE é um conjunto de 27 países. Desportos coletivos não tens uns USA A x USA B mas tens um França x Alemanha. Nos individuais o EUA só pode apresentar X atletas e a UE 27*X. Um post tirado do cu como muitos naquele perfil de twitter.

Editado por pedropb13
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Citação de antifa, há 17 horas:

😶

Este do PIB é ainda melhor que esse. 

Editado por HappyKing

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O Desporto em Portugal: o que os portugueses precisam de saber

Portugal é o país onde, por exemplo, parte das receitas das apostas desportivas numa liga estrangeira revertem para a federação que represente a modalidade por cá (através do Imposto Especial de Jogo Online). Ou onde o Estado, ao contrário do que se possa pensar, não assume a responsabilidade de definir um número mínimo de horas a lecionar de Educação Física no 1.º ciclo

O desporto em Portugal: o que os portugueses precisam de saber

1. Segundo os dados do último Eurobarómetro de desporto e atividade física, Portugal é o país da UE com pior atividade física: 73% dos portugueses dizem não praticar atividade física ou desportiva. Se queremos aumentar o número de atletas que chegam ao topo da pirâmide (alto rendimento), precisamos de alargar a sua base, isto é, aumentar rapidamente o nosso índice de prática desportiva;

2. Segundo o INE, Portugal investe no desporto cerca de 40€/habitante, enquanto a média na UE é 113€/habitante. No Orçamento de Estado (OE) para 2024, o Governo dedicou cerca de 50M€ para o desporto. Se é verdade que o valor é superior ao ano anterior, também é verdade que só em 2024 o valor previsto para o desporto no OE atingiu os valores pré-pandemia (2019). Para além disso, para termos uma melhor noção da realidade do financiamento ao sistema desportivo, só o orçamento da Federação Portuguesa de Futebol (120M€), para o mesmo período, é mais do dobro do que o Estado investe em todo o desporto nacional;

3. Há uma ideia generalizada que os contratos de desenvolvimento desportivo entre os Municípios e os clubes desportivos servem para financiar a formação desportiva. Quem anda no desporto sabe a verdade: são as famílias que estão a suportar os custos de formação desportiva das crianças e jovens portugueses, por via do pagamento de mensalidades. Uma larga maioria dos clubes desportivos aloca os apoios financeiros provenientes dos Municípios para os plantéis/atletas seniores;

4. Em 2015, o Governo de Portugal aprovou o Decreto-Lei n.º 66/2015 que veio criar o IEJO – Imposto Especial de Jogo Online nas apostas desportivas. Apesar de se dever exclusivamente ao sistema desportivo as receitas geradas por este imposto (pois sem eventos desportivos não há apostas desportivas), a verdade é que apenas 37,5% das receitas deste imposto especial são transferidas para organizações desportivas;

5. Apesar do Decreto-Lei, referido no ponto anterior, instituir que parte das receitas provenientes do imposto especial é atribuída à federação desportiva que organiza o evento alvo de aposta, a verdade é que o Estado está a fazer uma interpretação além da lei. Por exemplo, não é a Federação de Desportos de Inverno de Portugal que organiza a maior competição mundial de hóquei no gelo (a NHL - National Hockey League), mas é essa federação que está a receber as receitas provenientes do IEJO aplicadas às apostas desportivas dessa competição. Para termos noção do que está a acontecer, isto significa que, só nos últimos 4 anos, a Federação de Desportos de Inverno recebeu mais de 4 milhões de euros provenientes deste imposto especial. A injustiça que este Decreto-Lei está a criar no sistema desportivo sente-se ainda mais quando umas das modalidades desportivas menos praticadas em Portugal, por razões óbvias, são precisamente os desportos de inverno.

Neste ponto, e a título de curiosidade, os 4 milhões de euros que a Federação de Desportos de Inverno recebeu de receitas com apostas desportivas dariam para pagar, durante 4 anos, 1141€, todos os meses, aos 73 atletas que participaram nestes Jogos Olímpicos;

6. Cerca de 75% das receitas provenientes do Imposto Especial de Jogo Online são para a Federação Portuguesa de Futebol e para a Liga de Portugal, isto é, mais de 50M€. As consequências são óbvias: desequilíbrios no sistema. Enquanto uns vivem com milhões, outros (sobre)vivem com tostões, e por mais esforço que outras federações desportivas possam fazer, sem capacidade financeira estarão sempre limitadas. Note-se que na vizinha Espanha, foi celebrado o Pacto de Viana, em abril de 2020, que veio criar um mecanismo solidário que faz com que o futebol abdique todos os anos de vários milhões de euros para os programas de preparação olímpica e paralímpica espanhóis. Em Portugal, desde 2015 que este é um tema tabu. Os sucessivos governos, conscientemente, têm fechado os olhos;

7. Ao longo dos últimos dias, fruto das medalhas históricas do ciclismo de pista nos Jogos Olímpicos Paris 2024, muitas foram as pessoas que relembraram (e muito bem!) a importância do investimento no Velódromo de Sangalhos (um Centro de Alto Rendimento do ciclismo, inaugurado há 15 anos no concelho de Anadia). O que os portugueses precisam de saber é que essa infraestrutura desportiva, como o Centro de Alto Rendimento da canoagem em Montemor-o-Velho e outras, foram esmagadoramente comparticipadas por fundos europeus. O problema é que nem o Portugal 2020, nem o Portugal 2030 (a decorrer) criaram, até ao momento, qualquer oportunidade de financiamento para a construção de novas infraestruturas desportivas. Como se não bastasse, o famoso PRR, com valor total superior a 20 mil milhões de euros, não tem qualquer verba prevista para construção ou requalificação de infraestruturas desportivas;

8. O desporto em Portugal sobrevive quase exclusivamente na base do voluntariado. Os portugueses precisam de saber que a esmagadora maioria dos dirigentes desportivos responsáveis por tomarem decisões fundamentais no desenvolvimento das diferentes modalidades desportivas são voluntários e não se podem dedicar à sua federação desportiva (ou clube desportivo) a tempo inteiro;

9. Não é possível comparar o desporto escolar ou o desporto universitário dos EUA com o existente em Portugal. Nos EUA, a formação desportiva está nos liceus e nas universidades, em Portugal está nos clubes desportivos. Claro que é possível melhorar o trabalho que é feito no desporto escolar e universitário, mas quem anda no mundo do desporto sabe a verdade: a esmagadora maioria dos atletas que participam nas competições escolares e universitárias são na realidade atletas federados já filiados nas suas federações desportivas. Para o desporto escolar e universitário servirem para alargamento da base da pirâmide desportiva, isto é, para atraírem para o sistema mais praticantes desportivos (em vez de serem espaços de competição dirigidos para atletas já federados), teriam que rever os seus modelos competitivos de forma a organizarem competições regulares o ano inteiro, em vez de competições esporádicas (realidade atual). Isso implica uma mudança brutal de paradigma e um enorme investimento financeiro (que só é possível com o apoio do Estado);

10. São os agrupamentos escolares que definem a carga horária da disciplina de Educação Física no primeiro ciclo de ensino (1.º ao 4.º ano de escolaridade). O Decreto-Lei n.º 55/2018 estabelece 5 horas de carga horária semanal para Educação Física, Artes Visuais, Expressão Dramática/Teatro, Dança e Música. O que os portugueses precisam de saber é que não existe uma carga horária mínima para a disciplina de Educação Física no primeiro ciclo e que, portanto, como o Estado se coloca de fora de definir a obrigatoriedade de carga horária para esta disciplina, tal facto fica à consideração exclusiva das direções dos agrupamentos escolares. Isto num país que hoje se lamenta de ter os piores índices de prática desportiva na UE;

11. O serviço público de rádio e televisão é atribuído pelo Estado à RTP, por via de um contrato de concessão. Este contrato de concessão, no que diz respeito à cobertura dos eventos desportivos, é demasiado aberto e dá espaço ao Conselho de Administração da RTP para definir a sua política de cobertura ao desporto nacional. A consequência é cada vez mais óbvia: a RTP colocou o desporto nacional como uma prioridade secundária. Para além disso, o que os dirigentes das federações desportivas sabem, mas o que a maioria dos portugueses não sabe, é que a RTP, ao longo dos últimos anos, tem exigido às federações desportivas comparticipações financeiras para cobertura dos seus eventos desportivos.

Muito outros tópicos poderiam ser referidos neste texto sobre a realidade atual do sistema desportivo, mas o que todos os portugueses precisam de saber é que o principal problema do desporto nacional não é a falta de financiamento, mas antes a falta de coragem política. Venha ela!

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2024 Summer Olympics - Wikipedia

 

RESULTADOS DOS PORTUGUESES

11 de Agosto

07:00 - Atletismo - Maratona feminina - Susana Santos - 57º lugar final

12:20 - Ciclismo de pista - Omnium feminino - Maria Martins - 14º lugar final

 

 

 

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Citação de HappyKing, há 4 horas:

Este do PIB é ainda melhor que esse. 

No Publico de hoje, vem uns senhores astrofisicos e matemáticos que fizeram uma fórmula "justa" de definir o medalheiro.

Basicamente, a probalidade é definida pela população. Exemplo, Espanha tem 4x mais população de Portugal, ou seja, a probalidade de ganhar uma medalha é 4x maior que Portugal.

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Iuri recebido como um Deus em Viana. Torna se na maior figura desportiva da cidade, e uma das maiores do país, e acho que ele ainda não tem bem noção 

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2024 Summer Olympics - Wikipedia

 

RESULTADOS DOS PORTUGUESES

MEDALHAS

Iúri Leitão & Rui Oliveira - Ciclismo de pista - Medalha de Ouro

Iúri Leitão - Ciclismo de pista - Medalha de Prata

Pedro Pichardo - Atletismo - Medalha de Prata

Patrícia Sampaio - Judo - Medalha de Bronze

DIPLOMAS OLÍMPICOS

Vasco Vilaça - Triatlo - 5º classificado

Gabriel Albuquerque - Trampolim - 5º classificado

Estafeta Mista (Ricardo Batista, Vasco Vilaça, Melanie Santos, Maria Tomé) - Triatlo - 5º classificado

Carolina João & Diogo Costa - Vela Dinghy Misto - 5º classificados

Diogo Costa & Messias Baptista - Canoagem - 6º classificados

Ricardo Batista - Triatlo - 6º classificado

Fernando Pimenta - Canoagem - 6º classificado

Nélson Oliveira - Ciclismo - 7º classificado

Inês Barros - Tiro - 8º classificada

Jéssica Inchude - Atletismo - 8ª classificada

OUTROS RESULTADOS

Catarina Costa - Judo - 9º classificada

Nuno Borges & Francisco Cabral - Ténis - 9º classificados

Rochele Nunes - Judo - 9ª classificada

Jorge Fonseca - Judo - 9º classificado

Irina Rodrigues - Atletismo - 9º classificada

Yolanda Sequeira - Surf - 9ª classificada

Teresa Portela - Canoagem - 10ª classificada

Maria Tomé - Triatlo - 11ª classificada

Dressage Equipas - 12º classificados

Angélica André - Natação de águas abertas - 12º classificada

Vanessa Marina - Break Dance - 13ª classificada

Thomas Augusto - Skate - 13º classificado

Liliana Cá - Atletismo - 14ª classificada

Maria Martins - Ciclismo - 14ª classificada

Mafalda Pires de Lima - Vela - 14ª classificada

Eliana Bandeira - Atletismo - 15ª classificada

Salomé Afonso - Atletismo - 16ª classificada

Tsanko Arnaudov - Atletismo - 16º classificado

Diogo Ribeiro - Natação - 16º classificado

Taís Pina - Judo - 17ª classificada

Bárbara Timo - Judo - 17ª classificada

João Fernando - Judo - 17º classificado

Fu Yu - Ténis de mesa - 17ª classificada

Gustavo Ribeiro - Skate - 17º classificado

Jieni Shao - Ténis Mesa - 17ª classificada

Fatoumata Diallo - Atletismo - 17ª classificada

Camila Rebelo - Natação - 19ª classificada

Diogo Ribeiro - Natação - 20º classificado

Filipa Martins - Ginástica Artística - 20ª classificada

Isaac Nader - Atletismo - 20º classificado

Teresa Bonvalot - Surf - Eliminada Heat 2 - 23ª classificada (carece confirmação)

Agate de Sousa - Atletismo - 24ª classificada

Rui Costa - Ciclismo - 25º classificado

Tiago Pereira - Atletismo - 25º classificado

Pedro Buaró - Atletismo - 26º classificado

Diogo Ribeiro - Natação - 28º classificado

Mariana Machado - Atletismo - 28ª classificada

Leandro Ramos - Atletismo - 28º classificado

Raquel Queirós - BTT - 29º classificada

João Coelho - Atletismo - 31º classificado

João Costa - Natação - 32º classificado

Tiago Apolónia - Ténis de Mesa - 33º classificado

Nélson Oliveira - Ciclismo - 33º classificado

Miguel Nascimento - Natação - 36º classificado

Vitória Oliveira - Atletismo - 38ª classificada

Cátia Azevedo - Atletismo - 38ª classificada

Daniela Campos - Ciclismo - 41º classificada

Ana Cabecinha - 43ª classificada

Lorene Bazolo - Atletismo - 44ª classificada

Melanie Santos - Triatlo - 45ª classificada

Rui Costa - Ciclismo - 46º classificado

Samuel Barata - Atletismo - 48º classificado

Duarte Seabra - Equestre - 48º classificado

Susana Santos - Atletismo - 57ª classificada

Marco Freitas - Ténis Mesa - Eliminado 1/64 final

Nuno Borges - Ténis - Eliminado 1/64 final

Francisco Cabral - Ténis - Eliminado 1/64 final

Ténis de Mesa Equipas - Eliminado 1/16 final

Manuel Grave - Equestre - Abandonou

Francisco Belo - Atletismo - sem classificação

OBJETIVO DO COP

- 4 posições de pódio

- 15 diplomas olímpicos (até ao 8º lugar)

- 36 posições até ao 16º lugar

RESULTADOS FINAIS

 

- 4 medalhas olímpicas (Uma medalha de Ouro, Duas medalhas de Prata, Uma medalha de Bronze)

- 14 diplomas olímpicos

- 33 posições até ao 16º lugar

 

HISTÓRICO PORTUGUÊS NOS JO

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O que é feito dos Diplomas Olímpicos de Tokyo 2020?

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Au Revoir Paris! See you soon LA!

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Citação de Hawkeye, há 23 horas:

Carlos Lopes. “Depois de ganhar a medalha, fui a correr para o McDonald’s”

12/8/1984. Passados quase 40 anos desde que se tornou o primeiro português a pendurar ao peito uma medalha de ouro olímpica, Carlos Lopes recorda o dia em que deixou o país acordado, em suspenso, até 
às três da manhã para o ver fazer história

Doze de agosto de 1984. O amanhecer anunciava calor para Santa Monica, nos EUA. Carlos Lopes levantou-se pouco depois das oito e foi treinar. “Só meia horinha, antes de tomar o pequeno-almoço.” O de sempre. Um café e “um bocadinho de pão”, que nunca foi homem de encher a barriga logo pela manhã. “Ao almoço comi um bifalhão com batatas fritas. A prova era só às cinco da tarde”, justifica. No quarto do hotel, a mulher, Teresa, continuava a olhá-lo, incrédula. “Ela não conseguiu dormir, estava ansiosa, com cólicas, foi não sei quantas vezes à casa de banho e eu não dei por nada. Dormi tranquilíssimo.”

Apesar de ser o mais velho entre os 114 participantes na maratona que fechava os Jogos Olímpicos de Los Angeles, o atleta português, então de 37 anos, sabia ao que ia. O plano vinha a ser delineado há dois anos e meio, o filme estava todo montado na sua cabeça. Chegara a hora de o realizar, sem falhas. Pelo menos no que dependesse dele, porque da parte da organização as coisas começaram tortas quando, a meio da tarde, após “um passeio higiénico à beira-mar”, se apercebeu de que não havia passe para Teresa entrar no estádio e poder assistir ao momento de glória do marido. “Zanguei-me a sério. Chamei-lhes de tudo, tratei toda a gente mal. Disse coisas que não devia ter dito, mas disse”, admite, sem as repetir. A paciência do atleta foi posta de novo à prova quando se viu obrigado a levar a mulher ao colo no carro da organização, lotado com outras pessoas.

Pouco ante das cinco, à saída para a maratona, na comitiva portuguesa limpavam-se os rostos de suores sucessivamente reabastecidos pelos mais de 30°C, 75% de humidade e nervoso miudinho. Pela primeira vez antes de uma competição, o professor Mário Moniz Pereira pegou no pulso do seu pupilo para contar os batimentos cardíacos. “Ele ia morrendo, não acreditava naquilo que se passava comigo, só dizia: ‘Este gajo parece que vai para uma festa, nós aqui a sofrer e ele com uma tranquilidade do caneco’”, recorda a rir.

Sapatos para a maratona 
só chegaram 24 horas antes

Nem o facto de ir estrear uns sapatos de bicos novos incomodava o atleta nascido em Vildemoinhos, concelho de Viseu. “Deram-me os sapatos com 24 horas de antecedência.” Coisa que, dizem, nunca se deve fazer. “Mas eu fiz. Só os experimentei durante 20 minutos na véspera da maratona.” Desengane-se quem pensa que foi uma novidade. “Calcei sapatos novos em campeonatos do mundo de cross e em muitas outras provas, nunca me dei mal.” Quanto à forma e aparência do modelo, não meteu prego nem estopa. Foi a Nike quem tratou de tudo, cinco dias antes da prova rainha. “Pediram-me para ir à sede, mediram-me todinho, disseram-me para meter os pezinhos num sítio, eu pus, desenharam à volta e na véspera deram-me os sapatos, pronto.”

Curiosamente, os sapatos com o símbolo dourado que correram o mundo em fotos e vídeos e que agora repousam expostos no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, só correram aqueles 42 km. “Quando os fui experimentar mais 20 minutos, começaram a rasgar, a descolar. Aquilo foi só para aquela prova. Foram especiais porque na Nike sentiram que eu era mesmo candidato à vitória.”

Uma aposta arriscada da marca norte-americana num veterano português que oficialmente só tinha experimentado a distância por três vezes, com o desconcertante balanço de duas desistências e um recorde da Europa (2h8m39s em Roterdão, 1983). Nada que fugisse aos planos do atleta. Mesmo sem ter metido a maratona de Roterdão de 1984 no seu guião, acedeu voltar às ruas neerlandesas. “Eu não queria ir porque já tinha os mínimos e não tinha necessidade de fazer uma maratona quatro meses antes dos Jogos Olímpicos. Não gostava de brincar aos resultados. Ia despender muitas energias e teria mais dificuldade em recuperar”, lembra. Como sempre, usou cabeça fria para tirar o melhor proveito da situação e reescreveu o argumento à sua medida. “Não conhecia os africanos em maratonas, mas fui conhecê-los. Foi essa a condição que impus à organização, ia desde que estivessem lá os melhores africanos.” Numa corrida que se iniciou a um ritmo frenético, Lopes percebeu que os adversários queriam testá-lo. Trocou-lhes as voltas. “Desequilibrei aquilo tudo. A determinada altura impus um ritmo mais elevado para os desgastar, porque já levava na cabeça que ia desistir aos 30 km. Disse que tinha um problema na perna.”

Parar de correr por respeito aos adversários

Quando tudo parecia novamente nos eixos, a resiliência e o esqueleto do atleta voltaram a ser testados duas semanas antes da partida para Los Angeles. Enquanto fazia um treino na Segunda Circular, foi atropelado por Lobato Faria, candidato à presidência do clube pelo qual o atleta corria, o Sporting. Foi direto para o Hospital de Santa Maria, onde fez vários exames, que voltou a repetir já sob a supervisão de um médico do Sporting. Felizmente, estava tudo bem, tirando umas ligeiras escoriações.

Às cinco da tarde do dia 12 de agosto, em Los Angeles, quando alinhou à partida entre os primeiros, o fundista português, que oito anos antes tinha conquistado a prata nos Jogos de Montreal, no Canadá, estava seguro de que as cenas finais do seu filme iam ser realizadas como tinha idealizado. “Fui para a maratona a pesar menos um quilo do que o habitual, porque assim o meu desgaste ia ser menor e isso dava-me vantagem. Tinha definido chegar aos 37 km bem tranquilo, para desferir o golpe final, mas sabia que, se fosse preciso fazer os últimos 10 km em 29 minutos, estava preparado.” Lopes aproveitou bem o ritmo dos adversários e quando era preciso aumentava-o ainda mais, para “mexer com toda a gente”, mostrando maestria e inteligência.

Aos 37 km, o momento de suspense. Carlos Lopes arrancou. “Acelerei e, quando olhei para o lado, comecei a ganhar terreno, pensei, afinal é mais simples do que estava à espera.”

Aproveitando a confusão da multidão que não queria perder a chegada da maratona, Teresa entrou à má fila no estádio, quando apenas 2,5 km separavam o marido da glória.

Passavam dez minutos das três da manhã em Portugal, o país mantinha-se acordado para ver um português, fininho, de 37 anos, a entrar sozinho num estádio com 90 mil pessoas em apoteose. Com uma leveza estonteante, Carlos Lopes completou os 42.195 metros em 2h9m21s, um recorde olímpico que durou até aos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008, sem dar qualquer hipótese ao irlandês John Treacy nem ao britânico Charlie Spedding, que completaram o pódio.

De sorriso tímido num semblante calmo, parou para receber uma bandeira de Portugal. “E também para saber onde estava a minha mulher.” Seguiu para a volta de agradecimento ao estádio, que não dobrou por ver os concorrentes a chegar “mortos de cansaço”. “Senti-me na obrigação de não dar mais nenhuma volta, pois seria uma falta de respeito perante o esforço dos meus adversários. Tive consciência de que não o devia fazer. Também sou humano.”

O treinador, Mário Moniz Pereira, chorava sem conseguir dizer palavra, Teresa chorava, toda a comitiva estava emocionada, bem como todos os portugueses. Todos, menos Lopes. Não se emocionou? “Nada. O único sentimento que tinha era o do dever cumprido. Sempre fui uma pessoa tranquila. É normal? Não. Mas para mim era”, resume.

A festa até de madrugada que provocou muita sede

Também foi normal para o recém-campeão olímpico correr para o McDonald’s em frente ao estádio após duas horas retido no controlo antidoping. Lopes saiu do estádio a pé, com a mulher e “uma fome que já não via ninguém à frente”. Assim que meteu o pé para atravessar a estrada, um polícia ao longe fez-lhe sinal de que tinha de ir à passadeira, uns metros ao lado. Com o cérebro já no estômago, decidiu ignorar e tentar a sorte. “Estava quase do outro lado quando o polícia conseguiu alcançar-me e obrigou-me a voltar para trás”, conta. A sabatina e o castigo (os americanos punem o que chamam de jaywalking quando alguém atravessa a rua fora da passadeira) ficaram pelo caminho por conta do feito acabado de conquistar e do qual voltou a ter consciência assim que chegou à porta da cadeia de fast-food. “Reconheceram-me, vieram todos para a rua para tirar fotografias. Clientes, funcionários. Foi uma loucura. Estava a ver que não comia.” Após matar a fome, o passeio a pé conti­nuou para a “Casa da Nike”, onde houve festa toda a noite. “Dancei, feliz, até às quatro da manhã. Quando cheguei ao quarto do hotel, estava lá uma garrafinha de champanhe fresquinha... Foi toda. Eu tinha era sede.”

A festa prolongou-se para este lado do Atlântico. Começou com uma chegada apoteótica e “uma romaria até ao Estádio de Alvalade”. Seguiram-se inúmeros eventos, um deles provocado por si, antes da ida para os Jogos, quando a comitiva se despediu do então primeiro-ministro Mário Soa­res. “Perguntei-lhe se não tínhamos direito a um churrasquinho se ganhasse uma medalha.” O churrasco não só aconteceu como Lopes cimentou a sua ligação a Soares, a quem disse, após o banquete: “Um dia que se candidate a Presidente da República conte com o meu apoio.” Não seria a primeira vez que o apoiava. Um dos momentos que o atleta mais recorda aconteceu quando Soares foi eleito primeiro-ministro pela última vez.

Lopes tornou público o seu apoio, um gesto que levou Soares a casa do atleta, no dia de anos deste, não só para o felicitar como para lhe agradecer. “A minha mulher e o Carlos Ventura Martins prepararam tudo sem eu saber. Ela apressou-me para me vestir, pôs uns copos de vidro diferentes na mesa. Achei estranho. Quando percebi que era o Mário Soares que ia a minha casa, caiu-me tudo.” O jantar foi divertido e teve como ponto alto o momento em que Soares resolveu perguntar aos mais pequenos na sala, o filho do meio e um sobrinho de Lopes: “Vocês sabem quem eu sou?” A resposta saiu pronta: “Sabemos, és o bochechas.” Hoje ri, na altura sentiu embaraço. “Eu fiquei envergonhado por eles terem dito aquilo, mas o Mário Soares ficou encantado por um miú­do de três anos saber quem ele era.”

As festas prolongaram-se por mais de um mês. “Tive de fugir para a América para acabar com as festas, porque tinha a Maratona de Chicago. Senão não treinava, chegava lá e era um desastre.” Curiosamente, no mês em que esteve sem treinar, quando voltou à balança o mostrador parecia avariado. “Tinha o mesmo peso, 53 kg.” Uma pluma. “Comi, bebi, não fiz nada durante esse período. Mostra bem o que foi o desgaste da maratona.”

A marca norte-americana com nome da “deusa” da mitologia grega Niké — que personificava a vitória, a força e a velocidade — voltou a ser generosa e ofereceu ao atleta português 50 mil dólares pela medalha de ouro conquistada. “Era muito dinheiro. Do Governo português recebi cerca de 1300 contos, qualquer coisa assim.” Investiu numa casa e nas lojas que, revela, “é aquilo que me tem safado”.

O atletismo como um jogo de paciência

Aos 77 anos, o ex-atleta é vice-presidente da Associação de Atletismo de Viseu, tem uma escola de meio-fundo e fundo no mesmo concelho e quer abrir em breve um polo em Lisboa, na Pista Moniz Pereira. Sobre o facto de nunca mais ter aparecido outro Carlos Lopes deixa um aviso: “Nós temos jovens com um valor do caneco, não os deixam é crescer. O atletismo é como um jogo de paciência. Deixem-nos ser eles próprios, mas ensinem-lhes os princípios de que necessitam: pontualidade, agressividade quanto baste e que aprendam com as derrotas, porque dá muita saúde e lucidez às pessoas.”

A propósito de lucidez, algo que não lhe faltou na maratona dos Jogos de Los Angeles, o campeão olímpico faz questão de evocar a frase que, diz, lhe mudou a vida e que lhe foi dita por um fadista, Manuel de Almeida, no Estádio do Restelo, antes de um cross. Abeirando-se do então jovem atleta, sussurrou-lhe: “Carlos, você pode ser o melhor atleta português de sempre. Tem todas as condições. E tem uma coisa boa, tem duas pernas, dois braços e uma cabeça. Pense naquilo que lhe vou dizer: você só não é melhor se não quiser.” Nesse dia ganhou a prova. “Comecei a correr com a cabeça”, explica.

Acusado muitas vezes de ter mau feitio, garante que nunca o incomodou a opinião dos outros. “O que me interessa é o que eu penso. Sempre disseram que eu era um homem muito difícil. Dava-me gozo que sentissem isso. Mas não sou difícil. Agora, quando uma pessoa tem um valor próprio e sente que é capaz de fazer coisas sem incomodar ninguém, isso incomoda muita gente.”

Agradecido por todas as homenagens, como aquela que a Confederação do Desporto de Portugal lhe presta esta sexta-feira, na 27ª Gala do Desporto, pelas quatro décadas de aniversário do seu ouro olímpico, Carlos Lopes continua a sentir-se uma pessoa livre, simples, e conclui: “Sou um homem feliz.”

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Mas afinal o que é o madison? E o omnium?

Tudo o que queria saber sobre os conceitos básicos do ciclismo de pista e não tinha coragem de perguntar

Nos últimos anos, os sucessos desportivos de modalidades como judo ou canoagem abriram o léxico dos portugueses a conceitos e palavras até então desconhecidos. Com Nuno Delgado, Telma Monteiro ou Jorge Fonseca (e agora Patrícia Sampaio) aprendemos o que é um waza-ari, um ippon. José Garcia foi pioneiro para Portugal, ao chegar a uma final olímpica na canoagem em Barcelona 1992, e nos últimos 20 anos Emanuel Silva, Teresa Portela e Fernando Pimenta fizeram-nos perceber que uma pagaia é diferente de um remo.


Mas afinal o que é o madison? E o omnium?

 

A glória olímpica de Portugal no ciclismo de pista nos Jogos de Paris, alavancada nas pernas, pulmões e inteligência tática de Iúri Leitão e Rui Oliveira, ouro no madison (Iúri foi também prata no omnium), apanhou muito boa gente de surpresa, sem tempo para um curso intensivo de termos ligados a uma variante com regras complexas e uma miríade de provas. Portugal é um país apaixonado pelo ciclismo, mas aquele corrido dentro de um pavilhão (ver infografia) é um mundo à parte.

Iúri Leitão, ouro e prata nos Jogos, chegou a Paris como campeão mundial do ommium e europeu no scratch

Mas há muito que a seleção nacional acumula resultados de excelência com os talentos desenvolvidos no Velódromo de Sangalhos, inaugurado em 2009. Quatro anos depois, os gémeos Rui e Ivo Oliveira já colhiam os primeiros frutos a nível internacional de um projeto que tem um nome incontornável: o do selecionador nacional Gabriel Mendes. Ivo foi bronze na corrida por pontos nos Mundiais juniores em 2013 e no ano seguinte seria campeão mundial júnior em perseguição nos mesmos Mundiais, na Coreia do Sul, em que foi bronze no madison com o irmão Rui, que foi também medalhado individualmente — bronze no scratch. Os dois rapidamente começaram a ganhar medalhas em Europeus de elites, juntando-se-lhes depois Iúri Leitão, um ano mais novo.

Estreia dourada

Os gémeos Oliveira e Leitão eram então apostas fortes para um projeto a médio prazo de enviar pela primeira vez atletas da pista aos Jogos Olímpicos em 2020. A ideia ficou a meio caminho: Portugal estreou-se de facto em Tóquio, mas apenas com Maria Martins, com a vertente masculina a ficar dramaticamente às portas do apuramento. Foi preciso esperar mais um ciclo olímpico para a estreia no masculino, com o apuramento de dois ciclistas para o madison, um deles com entrada no omnium. Os selecionados seriam Rui Oliveira e Iúri Leitão, que chegou aos Jogos como campeão mundial de omnium, uma espécie de decatlo do ciclismo de pista, onde os atletas têm de competir em quatro disciplinas — foi o primeiro campeão mundial português na pista em senio­res. Este ano, o ciclista de Viana do Castelo foi também campeão europeu no scratch, tal como Oliveira já tinha sido, mas em 2021.

Termos como “corrida por pontos”, “scratch” e “madison” são agora questões de léxico nacional, depois das medalhas de Paris. Estas e outras provas estão explicadas no glossário abaixo. Porque vamos precisar de as ter na ponta da língua.

 

Todos os eventos do ciclismo de pista

Sprint

A prova inicia-se com uma qualificação individual. Seguem-se eliminatórias, duelos entre dois atletas de cada vez, durante três voltas, até ao sprint final

Sprint por equipas

Equipas de três elementos competem em três voltas à pista. Trios começam em extremos opostos da pista. Cada ciclista lidera trio em cada uma das voltas, terminando aí a sua prova. O tempo da equipa é tirado quando o terceiro elemento passa a meta na última volta.

Corrida de 1 quilómetro (500 metros no feminino)

Nas qualificações, dois atletas partem de dois pontos opostos da pista e tentam fazer o menor tempo possível em um quilómetro (ou 500 metros para as mulheres). Nas finais, os atletas correm sozinhos no mesmo sistema, com o tempo mais rápido a ser o vencedor.

Keirin

Durante três voltas, os ciclistas seguem atrás de uma moto, que dita o ritmo, em velocidade ascendente. A moto sai depois da pista e os atletas correm durante mais três voltas até ao sprint final.

Perseguição individual

Dois ciclistas começam a prova em zonas opostas da pista, competindo em contrarrelógio durante quatro quilómetros (3 km na prova feminina). O vencedor é o ciclista que conseguir apanhar o adversário ou, se tal não acontecer, que tenha feito o tempo mais rápido.

Perseguição por equipas

Mesma lógica da perseguição individual, mas com equipas de quatro elementos. Faz parte do programa olímpico, ao contrário da prova individual.

Corrida por pontos

Corrida em pelotão com a duração de 25 km nas mulheres e 40 km nos homens, com os ciclistas a ganharem pontos nos sprints, que acontecem a cada 10 voltas ao velódromo. O primeiro a passar na meta ganha 5 pontos, o 2º três pontos, o 3º dois pontos e o 4º um ponto — pontuação é a dobrar no derradeiro sprint. Se um corredor der uma volta de avanço ao grupo principal, ganha 20 pontos, mas se for dobrado são-lhe atribuídos 20 pontos negativos.

Madison

Ou “Americana”, já que o nome tem origem no Madison Square Garden, em Nova Iorque, onde se disputou pela primeira vez. Equipas de dois ciclistas competem em estafeta durante 50 km nos homens e 30 km nas senhoras, com sprints a cada 10 voltas que atribuem pontos, tal como na corrida por pontos. Enquanto um atleta corre, o outro descansa, voltando à pista com um impulso dado pelo colega com a mão. Uma volta de avanço ao pelotão vale também 20 pontos e são deduzidos 20 pontos caso a equipa seja dobrada.

Scratch

Corrida em pelotão de 15 km nos masculinos e 10 km nas mulheres. Vence o primeiro na meta.

Eliminação

Corrida em pelotão. A cada determinado número de voltas, é eliminado o último ciclista a passar a meta.

Ritmo

Trinta voltas para a vertente feminina e 40 para a masculina. Um ponto é atribuído ao primeiro ciclista a passar pela meta a partir da 5ª volta. Se um corredor der uma volta ao pelotão ganha 20 pontos e se for dobrado pelo pelotão deve deixar a pista, perdendo todos os pontos.

Omnium

Ciclistas ganham pontos em quatro provas, todas disputadas no mesmo dia: scratch, ritmo, eliminação e pontos. Em cada disciplina, o 1º lugar ganha 40 pontos para a classificação geral, o 2º classificado 38 pontos e assim sucessivamente. Na última corrida, por pontos, contam todos os pontos amealhados pelo ciclista e não apenas, por exemplo, os 40 de um 1º lugar, mantendo assim o vencedor do omnium em aberto até ao fim.

 

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Na canoagem, Messias ouro agora nos 200m, estes mundiais de velocidade estão a correr muito bem aos portugueses. 5 medalhas com 4 atletas.
(há tópico para a canoagem?)

Editado por kareca

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Citação de Lebohang, Em 12/08/2024 at 17:21:

Para além disso, o que os dirigentes das federações desportivas sabem, mas o que a maioria dos portugueses não sabe, é que a RTP, ao longo dos últimos anos, tem exigido às federações desportivas comparticipações financeiras para cobertura dos seus eventos desportivos.

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