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Lebohang

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Tudo que Lebohang publicou

  1. Bem sei que é a grafia do português brasileiro mas quando vejo nas fontes brasileiras "Irã" só penso
  2. Dinis Mota recusou também. Vai ser entre André Amaro, Bandidos do Cante e Sandrino
  3. Marinhense 1-1 Sernache União da Serra 2-0 Benfica e Castelo Branco Peniche 2-0 Naval Samora Correia 1-0 Mortágua Oliveira do Hospital 1-1 Os Marialvas Que jornada... nenhum dos 5 primeiros venceu
  4. Carrasco esse cujas as ideias políticas somam hoje de forma confortável 2/3 da Assembleia da República, o suficiente para promover até uma Revisão Constitucional. Vi o Eixo do Mal há poucos dias e o Daniel Oliveira até se espumava quando falava do Passos mas é preciso compreender o porquê e como é que em poucos anos o Passos passou de um resultado vergonhoso para a Direita (um dos piores em coligação PSD/CDS) para neste momento AD (liderada pelo líder parlamentar do Passos) IL (órfãos de Passos) e CH serem quasi hegemonicos na AR
  5. Também morreu nos bombardeamentos o Mahmoud Ahmadinejad, antigo Presidente do Irão
  6. Imaginem serem gozados pelos amigos por escolherem um curso de Animador Sociocultural e Turístico e acabar uns anos mais tarde com a Sydney Sweeney no colo.
  7. A "facilidade" com que apanharam o Khamenei quando todos já sabiam que as negociações não iriam dar a lado algum e que os bombardeamentos eram inevitáveis, honestamente, até faz-me pensar que o Khamenei quereria este desfecho de morrer glorificado do que ir para o exílio ou ser capturado.
  8. Curiosamente só a base de fanáticos apoia isto... segundo o NYT apenas 21% dos americanos apoiava um ataque direto dos EUA ao Irão sem haver primeiro uma provocação iraniana. Daí que segundo os relatos as forças americanas do Departamento de Guerra quisessem que Israel atacasse primeiro para depois haver reação iraniana e aí sim os EUA entrarem na jogada bem vistos pelas massas por estar a defender um aliado. Pelos vistos esse ponto não venceu.
  9. Talvez resulte lá fora, do pouco que vejo/leio de fóruns e canais internacionais até é considerada a favorita por eles a vencer o FC
  10. Antevê-se festejos dos colunistas do Observador nos próximos dias a elogiar Trump pela nova era de liberdade no Médio Oriente e a criticar a ExTrEmA-eSqUeRdA pelo apoio à teocracia iraniana
  11. O Irão segundo as fontes norte-americanas já estava a preparar linhas de sucessão, se morreu não haverá "vazio"
  12. Netanyahu está a avançar com a notícia que é muito provável que o Khamenei tenha morrido
  13. E quando o Trump fez campanha a dizer como ia baixar o preço da gasolina, dos ovos e da carne nos EUA? 🤣
  14. O governo cobarde da AD que tapou literalmente os olhos à passagem de caças e bombardeiros dos EUA nas Lajes para o Médio Oriente com o intuito de atacar o Irão, que é ilegal face aos acordos feitos com os EUA para a utilização da base, veio agora condenar os ataques iranianos enquanto passa lixívia aos ataques inciais de Israel e EUA
  15. Quem vai rebentar o budget anual para pagar a clausula de rescisão do Seixas? Aposto na UAE
  16. Sabina reside em Portugal há cerca de sete anos, tem participado nos protestos contra o regime, mas ainda não se sente confortável em dar o seu apelido por medo de retaliações à sua família, que permanece no Irão. Hoje de manhã, partilhou com o Expresso os seus primeiros pensamentos e sentimentos quando ficou a saber deste ataque. “Eu estava a dormir e acordei com o som do meu telemóvel. Vi que a minha amiga iraniana, que também está em Lisboa, me estava a ligar. Liguei a internet e começaram a chegar muitas mensagens a dizer: ‘Chegou! Chegou o dia por que tanto esperámos! O Trump e Israel atacaram a casa de Khamenei em Teerão’. Primeiro fiquei em choque: ‘O que se passa?’ Mas quando vi os vídeos no Instagram, comecei a chorar. A liberdade está a chegar ao Irão. Estamos a ver-nos livres dos aiatolás e dos mullahs. A República Islâmica está a sair da nossa terra. Os sentimentos positivos que estamos a viver agora são inacreditáveis. Ontem vimos um vídeo belíssimo do nosso príncipe Reza Pahlavi, sentado à mesa com a sua equipa de especialistas, onde dizia: ‘Esperamos que este seja o último vídeo gravado no exílio’. É uma emoção sem explicação. Depois de tanto tempo, sentimos que o regresso está perto. Esta malta não aprendeu com a situação da Venezuela ou apenas gostam de se iludir a si próprias?
  17. Primeira vitória enquanto profissional do Henrique Bravo, jovem promessa brasileira, na etapa 7 do Tour do Ruanda. Esperemos que tenha uma carreira internacional melhor que o Vinicius Rangel, que esteve uns anos na Movistar antes de se transferir para a Swift (equipa brasileira que vai correr este ano a Volta a Portugal) e está atualmente suspenso até 2027 por falhas de localização
  18. OPERATION EPIC FURY BY GALACTIC PRESIDENT SUPERSTAR MCAWESOMEVILLE!
  19. A passada década do futebol sueco fora dominada pelo Malmö, campeão seis vezes desde 2015, quatro delas nas cinco temporadas antes de 2025. Os restantes vencedores recentes — Häcken, Djurgårdens, AIK — são das três maiores áreas metropolitanas, Estocolmo, Gotemburgo e Malmö. O Norrköping, vencedor em 2015, desafiou esta predominância, mas, com 163 mil habitantes, é gigante ao lado de Hällevik. Para contrariar a lógica e levar a liga para o seu pequeno território, o Mjällby juntou Karl Marius Aksum, que orientava os sub-19 e passou a adjunto na equipa principal de Anders Torstensson, treinador a quem, em agosto de 2024, foi diagnosticada uma leucemia linfocítica crónica. Após o título, Torstensson passou a diretor técnico. O protagonismo é, agora, todo de Aksum, ainda que o próprio diga que o trabalho não mudou substancialmente: “Continua a ser o meu modelo de treino, o meu modelo de jogo.” A transformação O futebol do Mjällby era, até janeiro de 2024, baseado no contra-ataque, num estilo direto, de pouca posse, com uma grande aposta nas bolas paradas. Mas chegou o novo cérebro e “tudo mudou completamente”. Karl Marius Aksum quer ter controlo nas partidas. Para isso, acredita em criar nos treinos “o máximo de situações semelhantes” às que haverá nos jogos. Como tal, não preconiza a realização de exercícios em pequenas parcelas do campo ou com poucos futebolistas. Quase tudo é “11 contra 11, em jogo corrido e no relvado inteiro”, para “colocar os jogadores em problemas específicos 100 vezes por semana”, explica. O grande mantra do treinador é “repetir sem repetição”: “Se fazes um exercício em que A passa para B e este para C, isso é repetição e repetição. Se treinas ataque contra bloco baixo, 11 contra 11, e o fazes 10 vezes, isso é repetir sem repetição, porque cada repetição é diferente, eles têm de encontrar sempre uma solução distinta”, sublinha Aksum. Pleno de autoestima, o treinador diz que são precisos cerca de seis meses para o seu ideário dar resultados. Em 2024, o Mjällby somou quatro derrotas nas primeiras 11 jornadas. Mas o tempo deu razão à teoria: a equipa só perdeu um dos derradeiros 13 desafios, acabando no quinto lugar, a quatro pontos do segundo, um crescimento considerável para quem vinha de terminar duas vezes em nono e uma em décimo. Pegando no exemplo da equipa da moda da vizinha Noruega, Aksum realça a importância do “trabalho em continuidade”, uma virtude “evidente no Bodø/Glimt” e também existente no seu projeto. De 2024 para 2025, apenas dois dos 11 jogadores mais utilizados saíram. O plantel é predominantemente sueco, com nove dos titulares da campanha que levou ao título, ao passo que o toque exótico é dado pelo internacional paquistanês, nascido em Copenhaga, Abdullah Iqbal, e por Abdoulie Manneh, da Gâmbia. “Vitinha possui o nível mais elevado de scanning que já vi”, diz o técnico do Mjällby sobre o médio português Recorde de pontos. Apenas uma derrota em toda a liga. Uns enormes 13 pontos de vantagem para o segundo. Uma segunda metade de época arrasadora, com 14 vitórias e dois empates nas últimas 16 jornadas e somente dois golos encaixados na dezena definitiva de compromissos. O milagre que se vinha forjando surgiu em todo o esplendor em 2025. Foi aí que o Mjällby atingiu o “ponto ótimo” de interpretação do pensamento do seu ideólogo, que não acredita num futebol de “padrões”, mas sim de “princípios” — cerca de 300 —, que, depois de ensinados aos jogadores, os “levem a decidir por eles próprios”. Karl Marius Aksum desconfia do futuro idealizado por Luis Enrique, que antevê um futebol em que o treinador, sentado na bancada, vá dando instruções em tempo real e através de um qualquer intercomunicador: “Nós não vemos o que eles estão a ver. Pode-se tentar usar os futebolistas como se isto fosse um videojogo, mas isso é impossível e errado”, sustenta o sueco, de 36 anos. O mestre Vitinha Quem seguir o técnico nas redes sociais notará que tem uma frequente atividade, partilhando conceitos, ideias e pensamentos sobre equipas. O agora responsável máximo pelo Mjällby acredita numa “cultura de partilha”, que só não é mais profunda porque “não é correto para com o clube” contar demasiados segredos. “A maior parte das ideias são roubadas, eu adaptei-as e fi-las minhas”, revela. Parte dos conteúdos que Karl divulga está relacionado com o seu muito estudado scanning. O que é? O doutorado em perceção visual detalha: “Sucede sempre que um jogador não está a olhar para a bola, mas sim a mirar em redor para reunir informação, percebendo onde estão os colegas, os adversários, o espaço...” Da pesquisa académica que rea­lizou, Xavi Hernández tinha “os números mais altos de sempre” de scanning, fazia-o mais frequentemente que qualquer outro jogador. Mas, atualmente, há um português acima do catalão. “Vitinha possui o nível mais elevado de scanning que já vi. Fá-lo melhor que Xavi, porque o jogo está mais rápido e ele olha em redor em movimento, em velocidade, conduz a bola e descobre espaços enquanto olha para todo o lado.” Talvez o Mjällby defronte o Paris Saint-Germain de Vitinha na próxima Liga dos Campeões. O seu objetivo para este verão é chegar à fase de liga de uma das três competições europeias. Teremos um novo Bodø? “Claro que é uma grande inspiração para nós, mas seria estúpido dizer que faremos algo semelhante, porque o que o Bodø está a fazer é inédito. Mas podemos sempre sonhar.” NÚMEROS 0 experiência no futebol sénior tinha Karl Marius Aksum até janeiro de 2024. Antes de chegar à equipa principal do Mjällby, nunca treinara a nível profissional 9 suecos no onze titular faziam parte da equipa mais utilizada na época que levou ao título — era predominantemente nacional 75 foi o número de pontos com que o Mjällby ganhou a liga sueca em 2025, um registo recorde
  20. Lebohang

    Futures

    Pois... eu era para ter escrito que eles ou tinham desaprendido a jogar ao mesmo tempo ou que havia marosca da grande por detrás
  21. Qual arqueólogo, Alexandre Farto foi buscar jornais nacionais e estrangeiros com os principais acontecimentos dos últimos dez anos e fez tela com as notícias que encheram a vida do país e de um Marcelo Rebelo de Sousa, que para lá de político, manteve sempre a identidade de um animal noticioso. “É um retrato de uma década de governação e de visibilidade pública constante, de equilíbrio de forças e criação de pontes, tentando perceber o peso que isso teve pessoalmente, porque é um retrato, que é fotográfico e mostra a superfície, mas também podemos ir ao osso e à entranha”, revela, assumindo que a sua técnica tem um lado “que é agressivo e destrutivo”. Porque da colagem emerge um rosto, fruto da ação de escavar: “Eu vou cravando, expondo as camadas e é nessa tensão, e de alguma forma admiração por alguém que está disposto este trabalho, num contexto, a meu ver, cada vez mais injusto e polarizado.” “Há sempre um diálogo estético e de conceito, mas o trabalho do retrato é muito particular. Tento não fazer um julgamento, mas colocar a crueza do que não se consegue fixar numa fotografia, daí esse acumular de informação e documentação do que foram estes últimos dez anos.” Marcelo Rebelo de Sousa toma a palavra: “Vhils é de outro mundo, é uma rutura. Pela primeira vez naquela galeria utilizam-se outras técnicas, para lá da pintura, novas aproximações estéticas. É um testamento político. A interpretação política da minha pessoa”, assumindo ter admiração pelo “lado idealista e quase teenager” do artista. Estava consumado o encontro improvável entre dois homens diferentes em tanta coisa. As versões Foram feitas várias alternativas, duas das quais tornaram-se preponderantes e serão entregues ao Museu da Presidência. Os vários caminhos foram sendo trilhados em simultâneo pelo artista, até perceber aquele que conseguiria perdurar no tempo. O Presidente não terá interferido nem feito exigências, garante Alexandre Farto. Uma das versões utilizou duas portas do mosteiro descartadas de Arouca como suporte da imagem e consegue conjugar a influência católica com os padrões moçárabes e o rosto do Presidente resulta da perfuração na madeira, a mesma técnica utilizada por Vhils no trabalho que foi exposto em frente às pirâmides de Gizé no ano passado. Mas Marcelo recuou quando se viu assim fixado. “Estava demasiado pesado, parecia que o mundo desabava sobre mim, não tinha o lado extrovertido”, conta o Presidente. Estava envelhecido. Como disse Eduardo Lourenço, “ver é ser visto” e como poderia o Presidente dos abraços e demolidores apertos de mão ficar para a posteridade como um idoso, pessimista e de olhar carregado? A alternativa foi descartada e ainda está por decidir o destino desta obra. Recusada esta versão, Vhils apresenta outra, mais solar, comunicativa. O Presidente revê-se, aceita-a. A segunda e definitiva versão terá conseguido cumprir o objetivo desejado pelo Presidente: ter um retrato psicológico. Encontram-se o artista que vê e o retratado que se revê. Mas, coberto por um manto de segredo e protegido por um contrato de confidencialidade, o retrato não foi visto pelos jornalistas do Expresso. Esta condição foi a única colocada pelo Presidente e pelo artista para participarem neste texto, que começou a ser concebido há um ano, com a auscultação de várias pessoas ligadas à política e à arte sobre quem seria o artista escolhido. E, ao longo deste período, ninguém ousou arriscar em Vhils, nem sequer os que lhe eram próximos. “A dessacralização da figura do Presidente e essa alegria que ele trouxe, com altos e baixos” estará, portanto, refletida na obra que será revelada em conferência de imprensa no início do próximo mês, conta ao Expresso quem melhor a conhece. Recorre à já tradicional técnica utilizada por Vhils de fazer colagens com camadas sobrepostas de materiais, sejam pósteres ou folhas de jornal, como neste caso, sobretudo jornais nacionais, com as notícias dos principais acontecimentos que marcaram o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém. Qual palimpsesto histórico-social, o artista interveio na realidade noticiosa, escavando por incisão, com a profundidade necessária até que, da conjugação de atos e escolhas, conseguisse fazer emergir o rosto do retratado. Desenho preparatório de Vhils para o retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa Ateliê de Vhils Questionado sobre a ausência dos símbolos de poder inerentes aos retratos institucionais de um chefe de Estado, como a cadeira com cabeças de leões que aparece em vários dos retratos presidenciais, Vhils invoca justamente a utilização das notícias, sinais de memórias vividas — “se calhar, o único símbolo presente é o do poder de comunicação e de o Presidente chegar às pessoas. E isso vê-se pelas notícias, com os altos e baixos da Presidência”. No final do processo produtivo, a imagem foi submetida a passagem de uma tinta branca para dar homogeneidade ao resultado. E daqui a muitas décadas, se alguém quiser fazer um exercício de arqueologia, terá de desconstruir o retrato presidencial, e assim, talvez consiga perceber que país foi aquele que Marcelo Rebelo de Sousa liderou. Os outros A ideia de criar uma galeria de retratos dos Presidentes da República surgiu no Estado Novo. Ainda em 1925, um artigo no “Diário de Lisboa” dá o primeiro sinal, a propósito do retrato de Manuel Teixeira Gomes (1923-1925), pintado por Columbano Bordalo Pinheiro, assumindo que este viria posteriormente a ficar reunido com as pinturas de Manuel de Arriaga (1911-1915) e de Teófilo Braga (1915), numa sala do Palácio de Belém. Já na década de 30, António de Oliveira Salazar consolida o objetivo ao encomendar os retratos em falta — Sidónio Pais (1917-1918), João do Canto e Castro (1918-1919), António José de Almeida (1919-1923), Bernardino Machado (1915-1917 e 1925-1926) e Óscar Carmona (1926-1951). Torna-se assim quase hegemónico o traço de Henrique Medina, responsável pelos retratos de cinco presidentes, seguido de perto por Columbano (três). A galeria foi-se constituindo, portanto, muitas vezes através de encomendas póstumas ou com o aproveitamento de retratos realizados antes ou depois do exercício do cargo de cada chefe de Estado. É a partir de Mário Soares (1986-1996), no entanto, que a galeria de retratos presidenciais ganha interesse artístico, de tal forma que ficou instituída a tradição de que o Presidente não cesse funções sem que a galeria receba o seu retrato, nos últimos dias de mandato. Em 1992, ao apresentar a pintura de Júlio Pomar em que, pela primeira vez, um chefe de Estado português é retratado em pleno movimento e a sorrir, Soares derruba muros estéticos e estabelece um novo paradigma. Antes desta rutura, em 1980, já alguns sintomas de mudanças puderam ser percebidos com a apresentação do retrato de António de Spínola (1974), uma pintura com história própria. A primeira a mostrar um Presidente num cenário extramuros, com o Palácio de Belém ao fundo e transeuntes a circular pela cidade, foi iniciada por Manuel Lapa e terminada pelo seu filho Francisco, que chegou a ser preso pela polícia política na cadeia do Aljube por distribuir propaganda contra o regime de Salazar. Seguiu-se a este o mais mal-amado dos retratos, em que Francisco da Costa Gomes (1974-1976) aparece sentado, vestindo uma farda de gala, o colar da Ordem Militar da Torre e Espada, pintado por António Rebocho, cuja data de execução se desconhece. Por oposição, no retrato pintado por Luís Pinto-Coelho, o Presidente António Ramalho Eanes (1976-1986), militar de carreira, aparece, a seu pedido, despido de qualquer farda ou honraria. E, mais uma vez, surgem aspetos novos, como os elementos gráficos colocados por trás do Presidente que não se percebe o que significam ou representam. Chega-se então ao já referido retrato de Mário Soares, a estalar de brilho e vida, mas sem se esquecer de simbolizar o poder através da institucional cadeira dos leões. Amigos de longa data, os retratos de Soares feitos por Pomar remontam ao tempo em que os dois foram presos políticos. A segunda e definitiva versão terá conseguido cumprir o objetivo do Presidente: ter um retrato psicológico. Encontram-se o artista que vê e o retratado que se revê Jorge Sampaio (1996-2006) marca esta história de duas formas distintas. É o responsável pela criação em 2004 do Museu da Presidência da República, instalando-o nas antigas cavalariças do Palácio Nacional de Belém. O espaço preserva e divulga a história da República Portuguesa e da própria instituição presidencial, através da exposição de objetos pessoais, retratos oficiais e presentes de Estado. Mais marcante, contudo, foi a escolha de Paula Rego para pintar o seu retrato presidencial. A primeira mulher a assinar um quadro na galeria, a artista luso-britânica era também uma antiga amiga do chefe de Estado. Foi ela também a única artista a oferecer as três versões que fez de Jorge Sampaio, duas na posse do museu e uma entregue à família. A maior inovação, no entanto, é o próprio traço de Paula Rego, marcante, irónico e crítico da instituição e dos símbolos do poder representados, como um busto da República que se assemelha a um bibelô vendido nas feiras populares. Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) regressa ao protocolo rígido dos retratos, sem deixar de introduzir uma nota de excitação ao escolher Carlos Barahona Possolo, pintor com obra feita em desenhos de cariz erótico. Mas há mais por dizer. Como conta o site oficial do Museu da Presidência, “a encomenda do retrato foi dirigida a dois pintores, em total segredo. No primeiro mandato, a Carlos Barahona Possolo, já no segundo mandato, a António Macedo”. O que não se diz, mas sabe, é que a segunda imagem retratou um Cavaco Silva muito envelhecido, abatido. Assim, após a submissão à aprovação de cerca de quatro dezenas de pessoas, sobretudo a família do chefe de Estado, a versão de Possolo foi a escolhida. Curiosa também a opção por retratar o Presidente com uma enorme bandeira nacional a tremular, embora o cenário remeta para um espaço fechado, a pilha de livros grossos, com destaque para “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, e a caneta na mão, sem que se veja qualquer documento por assinar. Pintados para reproduzir um modelo herdado da monarquia, a maioria destruídos pelo terramoto de 1755, os retratos da Galeria Presidencial são, como classifica Joaquim Caetano, ex-diretor do Museu Nacional de arte Antiga (MNAA), “retratos falantes”. “Têm grande peso iconográfico, que pretendem mostrar não só a realidade física da figura, mas toda a sua posição de poder na sociedade.” O exemplo mais emblemático, diz, é o retrato de dom Sebastião, pintado por Cristóvão de Morais, “porque exalta tudo o que o rei não foi”. O quadro oficial de Marcelo Rebelo de Sousa, embalado, no ateliê do artista visual, à espera de ser enviado para o Museu da Presidência da República, onde será apresentado na próxima semana Tiago Miranda Na origem desta tradição estão os retratos dos Habsburgos de que o pintor italiano Ticiano (séc. XVI) se tornaria a principal referência. Um modelo que passa pela presença de elementos essenciais, como a vestimenta do retratado, os adereços, os animais e o gestual, como a mão dos monarcas sobre um espadachim, por exemplo. Mas, por mais voltas que se dê, acaba-se sempre por regressar a Soares e a Pomar. “O retrato de Júlio Pomar é um corte de modernidade na galeria”, sublinha Joaquim Caetano, sobre a revolução provocada pela introdução do sorriso e do movimento. “É o único que retrata o ímpeto da palavra, é quase uma biografia do retratado”, acrescenta. O próprio Marcelo chegou a ter um primeiro retrato presidencial. Conhecido em 2017 e feito por António Bessa, um artista do norte do país, mostra o Presidente sentado numa escada, de pernas entreabertas, informal e a sorrir, de olhar brilhante. O quadro está no Palácio de Belém, no gabinete das ajudantes de campo. Mas o que realmente anima a diretora do Museu da Presidência, é a opção de Marcelo Rebelo de Sousa por Vhils. Entusiasta da opção, Maria Antónia Matos equipara a chegada da nova obra de arte à mudança de paradigma ocorrida com a instalação do retrato de Mário Soares. As interpretações “Foi uma ousadia do Presidente escolher Vhils”, concorda João Pinharanda, diretor do MAAT e responsável pela curadoria da primeira exposição de Vhils num museu, em 2013 na Central Tejo. Com o título “Dissecação” apresentou um Alexandre Farto para lá das imagens escavadas nas paredes e muros, através de serigrafias e de uma cidade vista de cima, em relevo. Um risco, sublinha ainda. “Soares e Sampaio eram amigos dos artistas escolhidos, não é o caso deste Presidente. O gesto mais importante foi o que foi feito pelo encomendador, que escolhe alguém que pode não ser consensual. É um gesto mais relevante do que a aceitação do artista, que tradicionalmente trabalha por encomendas”, explica Pinharanda. Questionado sobre se a aceitação “institucionaliza” o artista que começou no graffiti, responde que “há muito tempo que Vhils faz retratos, e não é este o trabalho que o vai institucionalizar. Já não pode ser classificado como um artista marginal, há muito tempo que está institucionalizado, embora, do ponto de vista da análise crítica, ainda não esteja consolidado”, conclui. No dia 4 de março, o nicho, onde ainda só está escrito “Marcelo Rebelo de Sousa”, receberá o rosto colado e escavado por Vhils O crítico de arte do Expresso José Luís Porfírio prefere sublinhar uma diferença substancial para os demais retratos da galeria, “uma diferença física. Ainda não se conhece, mas será um retrato em relevo, uma obra em volume, que resulta da transposição de uma fotografia. Nota-se uma vontade de ser criativo por parte do Presidente da República. Mas Vhils já está muito institucionalizado, bem adaptado ao mercado, acaba por ser um risco controlado”. Celso Martins, também crítico do Expresso, aprofunda o debate ao contextualizar os retratos de forma cronológica. “Até à representação que Júlio Pomar fez de Mário Soares, os retratos oficiais dos Presidentes da República eram muito mais formais e esteticamente anacrónicos em relação ao seu tempo artístico. O de Pomar era um retrato psicológico que fazia jus à exuberância expressiva do protagonista e é bem mais interessante do que, por exemplo, o de Paula Rego para Sampaio.” Sobre Vhils, a opinião de Celso Martins é dura: “Vhils foi um dos responsáveis pela popularização da street art em Portugal, trazendo arte para a rua onde se via sobretudo publicidade, mas o seu percurso subsequente é exemplar dos equívocos que acometeram este tipo de intervenção que, entre encomenda e homenagem, viu essa energia ser neutralizada e transformada em entretenimento massificado.” O crítico não se espanta com a opção do atual chefe de Estado: “Esta é uma escolha espelho, que coincide exatamente com o perfil político de Marcelo e os seus mandatos presidenciais, na medida em que está a escolher levando em conta o que julga que é popular. A própria escolha já é a produção de uma imagem, e isso diz mais sobre Marcelo do que sobre Vhils.” Também Joaquim Caetano questiona a opção. “A arte contemporânea é marcada pela experimentação de meios e de estéticas. Vhils experimenta meios, mas a estética é previsível. Os seus métodos de trabalho são inovadores, mas os retratos são convencionais”, atira o ex-diretor do MNAA. Opiniões que sinalizam um debate que agora apenas se inicia. O legado Quando a rainha Isabel II escolheu Lucian Freud para a retratar no início deste século, o resultado causou espanto. Uma pintura a óleo invulgarmente pequena (de apenas 24x15 cm), muito marcado pelo realismo impiedoso característico do artista, que retratara figuras públicas como a modelo Kate Moss. Revelado em dezembro de 2001, transformou-se numa das mais controversas obras da história da arte real britânica. Não se espera tanto da apresentação do retrato de Marcelo Rebelo de Sousa feito por Vhils. Mas, desde já, questiona-se a reação dos agentes instituídos da comunidade das artes plásticas nacionais. Até porque, alguns artistas atuais não rejeitariam a oportunidade a que Alexandre Farto começou por recusar. É o futuro, contudo, que já ocupa os interessados na área. “O Presidente teria sido mais disruptivo se tivesse optado por um fotógrafo. Talvez o próximo o faça”, arrisca Joaquim Caetano. “O tempo faz com que as verdades venham ao de cima. Estes retratos existem para perpetuar a memória e esta foi uma boa escolha para o momento, não sei se o será para a posteridade”, completa. Celso Martins também acrescenta dúvidas. “Obviamente, ainda não conheço o retrato em apreço, mas os primeiros retratos de rua de Vhils tinham como interesse fundamental o de trazerem pessoas anónimas para a visibilidade pública, ou seja, neles interessavam mais as circunstâncias envolvidas do que a riqueza expressiva do retrato. Obviamente, estas condições não se aplicam à reprodução da imagem de um Presidente da República que fez tudo para ser omnipresente. Esse será um desafio a resolver: como distinguir um retrato autoral de mais uma selfie?” No dia 4 de março, o nicho, onde ainda só está escrito “Marcelo Rebelo de Sousa”, receberá o rosto colado e escavado por Vhils. Ao lado, no nicho restante ainda vazio, como manda a tradição, será inscrito o nome de António José Seguro e as avaliações começarão a surgir, baseadas na imagem revelada. “Claro que fico intimidado e é muito difícil estar num espaço destes, tendo vindo da Margem Sul, da Arrentela, e de pintar comboios, de puxar por artistas, fazer trabalho social com o Eminente — projeto que celebra a criatividade emergente e a cultura de rua. No entanto, é importante que estes telhados de vidro se consigam partir, o que, para mim, foi uma honra, mas é também para que outros artistas consigam entrar nestes espaços e comecem a trazer a contemporaneidade para que os diálogos que existam em espaços como o Conselho de Estado, reflitam também a realidade do país, que é muito diferente de há dez anos”, desabafa Alexandre Farto, num depoimento sobre a sua escolha e aceitação. Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, apetece recordar o ato 5, de “Macbeth”: “Ainda assim, quem poderia imaginar que o velho teria tanto sangue dentro dele?” Um político que percebeu, naquela que será uma das suas últimas cenas, que “o rei tem em si dois corpos, isto é, um corpo natural e um corpo político. (…) O corpo natural é um corpo mortal, sujeito a todas as enfermidades que ocorrem por natureza ou por acidente (…). Mas o seu corpo político é um corpo que não pode ser visto nem tocado, consistindo numa sociedade política e num governo, e sendo constituído pela direção do povo e pela gestão do bem público”, como explicou Evelyne Pieiller, num artigo do “Le Monde Diplomatique”, em dezembro de 2023, citando o emblemático “Os Dois Corpos do Rei”, de Ernst Kantorowicz (1957). Marcelo, um filho do antigo regime, que soube distanciar-se da tradição de pinturas como a de Luís XIV (1638-1715), o Rei-Sol, em trajes da coroação, de Hyacinthe Rigaud, e preferiu apostar no artista de 39 anos. Um risco pensado, medido, uma aposta na inovação controlada, na notoriedade assegurada, na história por ele marcada. Depois de Spínola, o pastiche do naïf; de Costa Gomes, o disforme; da contenção de Eanes, do brilho de Soares, da preocupação de Sampaio e da austeridade de Cavaco; Marcelo tinha de deixar a sua assinatura. E o ex-jornalista escolheu a comunicação. Segue-se Seguro, a incógnita do parágrafo em branco. Nota: Este texto foi corrigido no dia 26 de fevereiro, às 16h45, para que todas as referências à apresentação do retrato, previstas para dia 3 de março, fossem substituídas por 4 de março.
  22. Lebohang

    Futures

    Neumayer, provavelmente a muito contragosto, venceu o tie break decisivo por 8-6
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