FManiac Publicado 10 Maio 2007 muito fraco. At? est? bom. N?o ? lirico, mas a mensagem ? boa! ;) Compartilhar este post Link para o post
Nate Robinson Publicado 12 Junho 2007 Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso, em serenos sobressaltos como estes pinheiros altos que em verde e ouro se agitam como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma. é fermento, bichinho alacre e sedento. de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel. arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa dos ventos, Infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança., Colombina e Arlequim, passarola voadora, para-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra som televisão desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre a mãos de uma criança. (António Gedeão) :prayer: :prayer: :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Rui Cardoso Publicado 3 Julho 2007 HORA ABSURDA O TEU SIL?NCIO ? uma nau com t?das as velas pandas... Brandas, as brisas brincam nas fl?mulas, teu sorriso... E o teu sorriso no teu sil?ncio ? as escadas e as andas Com que me finjo mais alto e ao p? de qualquer paraiso... Meu cora??o ? uma ?nfora que cai e que se parte... O teu sil?ncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto... Minha id?ia de ti ? um cad?ver que o mar traz ? praia..., e entanto Tu ?s a tela irreal em que erro em c?r a minha arte... Abre t?das as portas e que o vento varra a id?ia Que temos de que um fumo perfuma de ?cio os sal?es... Minha alma ? uma caverna enchida p'la mar? cheia, E a minha id?ia de te sonhar uma caravana de histri?es... Chove ouro ba?o, mas n?o no l?-fora...? em mim...Sou a Hora, E a Hora ? de assombros e t?da ela escombros dela... Na minha aten??o h? uma vi?va pobre que nunca chora... No meu c?u interior nunca houve uma ?nica estrela... Hoje o c?u ? pesado como a id?ia de nunca chegar a um p?rto... A chuva mi?da ? vazia...A Hora sabe a ter sido... N?o haver qualquer coisa como leitos para as naus!...Absorto Em se alhear de si, teu olhar ? uma praga sem sentido... T?das as minhas horas s?o feitas de jaspe negro, Minhas ?nsias t?das talhadas num m?rmore que n?o h?, N?o ? alegria nem dor esta dor com que me alegro, E a minha bondade inversa n?o ? nem boa nem m?... Os feixes dos lictores abriram-se ? beira dos caminhos... Os pend?es das vit?rias medievais nem chegaram ?s cruzadas... Puseram in-f?lios ?teis entre as pedras das barricadas... E a erva cresceu nas vias f?rreas com vi?os daninhos... Ah, como esta hora ? velha!... E t?das as naus partiram! Na praia s? um cabo morto e uns restos de vela falam De longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram Aquela ang?stia de sonhar mais que at? para si calam... O pal?cio est? em ru?nas... D?i ver no parque o abandono Da fonte sem repuxo... Ningu?m ergue o olhar da estrada E sente saudade de si ante aqu?le lugar-outono... Esta paisagem ? um manuscrito com a frase mais bela cortada... A doida partiu todos os candelabros glabros, Sujou de humano o lago com cartas rasgadas, muitas... E a minha alma ? aquela luz que n?o mais haver? nos candelabros... E que querem ao lago aziago minhas ?nsias, brisas fortuitas?... Por que me aflijo e me enfermo?...Deitam-se nuas ao luar T?das as ninfas... Veio o sol e j? tinham partido... O teu sil?ncio que me embala ? a id?ia de naufragar, E a id?ia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido... J? n?o h? caudas de pav?es t?das olhos nos jardins de outrora... As pr?prias sombras est?o mais tristes...Ainda H? rastros de vestes de aias (parece) no ch?o, e ainda chora Um como que eco de passos pela alam?da que eis finda... Todos os ocasos fundiram-se na minha alma... As relvas de todos os prados foram frescas sob meus p?s frios... Secou em teu olhar a id?ia de te julgares calma, E eu ver isso em ti ? um p?rto sem navios... Ergueram-se a um tempo todos os remos...pelo ouro das searas Passou uma saudade de n?o serem o mar...Em frente Ao meu trono de alheamento h? gestos com pedras raras... Minha alma ? uma l?mpada que se apagou e ainda est? quente... Ah, e o teu sil?ncio ? um perfil de p?ncaro ao sol! T?das as princesas sentiram o seio oprimido... Da ?ltima janela do castelo s? um girassol Se v?, e o sonhar que h? outros p?e brumas no nosso sentido... Sermos, e n?o sermos mais!... ? le?es nascidos na jaula!... Repique de sinos para al?m, no Outro Vale... Perto?... Arde o col?gio e uma crian?a ficou fechada na aula... Por que n?o h? de ser o Norte e Sul?... O que est? descoberto?... E eu deliro... De repente pauso no que penso...Fito-te... E o teu sil?ncio ? uma cegueira minha...Fito-te e sonho... H? coisas rubras e cobras no modo como medito-te, E a tua id?ia sabe ? lembran?a de um sabor de medonho... Para que n?o ter por ti despr?zo? Por que n?o perd?-lo?... Ah, deixa que eu te ignore...O teu sil?ncio ? um leque --- Um leque fechado, um leque que aberto seria t?o belo, t?o belo, Mas mais belo ? n?o o abrir, para que a Hora n?o peque... Gelaram t?das as m?os cruzadas s?bre todos os peitos.... Murcharam mais fl?res do que as que havia no jardim... O meu amar-te ? uma catedral de sil?ncio eleitos, E os meus sonhos uma escada sem princ?pio mas com fim... Algu?m vai entrar pela porta...Sente-se o ar sorrir... Tecedeiras vi?vas gozam as mortalhas de virgens que tecem... Ah, o teu t?dio ? uma est?tua de uma mulher que h? de vir, O perfume que os cris?ntemos teriam, se o tivessem... ? preciso destruir o prop?sito de t?das as pontes, Vestir de alheamento as paisagens de t?das as terras, Endireitar ? f?r?a a curva dos horizontes, E gemer por ter de viver, como um ru?do brusco de serras... H? t?o pouca gente que ame as paisagens que n?o existem!... Saber que continuar? a haver o mesmo mundo amanh? --- como nos desalegra!... Que o meu ouvir o teu sil?ncio n?o seja nuvens que atristem O teu sorriso, anjo exilado, e o teu t?dio, aur?ola negra... Suave, como ter m?e e irm?s, a tarde rica desce... N?o chove j?, e o vasto c?u ? um grande sorriso imperfeito... A minha consci?ncia de ter consci?ncia de ti ? uma prece, E o meu saber-te a sorrir ? uma flor murcha a meu peito... Ah, se f?ssemos duas figuras num long?nquo vitral!... Ah, se f?ssemos as duas c?res de uma bandeira de gl?ria!... Est?tua ac?fala posta a um canto, poeirenta pia batismal, Pend?o de vencidos tendo escrito ao centro ?ste lema --- Vit?ria! O que ? que me tortura?... Se at? a tua face calma S? me enche de t?dios e de ?pios de ?cios medonhos... N?o sei...Eu sou um doido que estranha a sua pr?pria alma... Eu fui amado em ef?gie num pa?s para al?m dos sonhos... 4-7-1913 Fernando Pessoa Compartilhar este post Link para o post
Stryka Publicado 7 Julho 2007 Fique sem perceber se se podem postar musicas feitas por nos mas ok... aqui vai (que seja o que deus quiser xD) És tu... (Confissões) O que escrevo agora aqui, sim é amor Ninguém neste mundo imagina o seu valor Só consigo pensar em ti, já não sei o que fazer Preferia morrer, do que ver-te sofrer, Pois és tudo para mim, és o meu viver É graças a ti que eu vivo cada amanhecer Com alegria, com felicidade Mas quando estás longe apenas vivo na saudade Saudade essa, que me faz sofrer Só com o teu amor conseguirei renascer A tua presença, eu quero sentir Mas com o teu amor talvez me esteja a iludir Quero que saibas que fazes parte de mim, E que por ti, vou lutar até ao fim... Refrão [2x] A tua perfeição é algo que não sei explicar Espero que um dia me possas amar O teu olhar é algo invulgar Pois é o único capaz de me fascinar, Capaz de me prender e de me hipnotizar É algo que, eu adoro observar O brilho dos teus olhos, faz me sonhar E toda a minha atenção consegue captar! Isto é apenas, para te demonstrar Que o meu amor por ti é impossível superar Nada é tão lindo como teu sorriso, o teu olhar Amo-te e só a ti quero amar, Pois és linda, elegante, tão sensual Tua beleza é magnífica, teu sorriso é divinal Defeitos em ti é difícil encontrar, Porque és uma pessoa difícil de igualar És tudo aquilo que eu quero, És a pura simpatia, Desejo-te como nunca desejei ninguém, Tu és a minha fantasia És a perfeição impossível de alcançar És um sonho do qual não quero acordar És uma ilusão na qual eu tento tocar És um pensamento impossível de apagar... Refrão [2x] A tua perfeição é algo que não sei explicar Espero que um dia me possas amar O teu olhar é algo invulgar Pois é o único capaz de me fascinar, Capaz de me prender e de me hipnotizar É algo que, eu adoro observar O brilho dos teus olhos, faz me sonhar E toda a minha atenção consegue captar! O teu olhar é o único capaz de me fascinar Será que algum dia serás capaz de me amar? Será que vale a pena viver no sofrimento? Será que vale a pena só te ter a ti no pensamento? Espero um dia, ter uma resposta positiva A tua beleza é algo que me cativa Porque és original, não és cópia de ninguém És fora do normal, tu vais mais além Até porque és diferente, és alguém especial És sincera, atraente, és sobrenatural Na minha vida, tu és essencial Pois és tu quem faz bater o meu coração, És a minha Deusa, és a minha paixão, És tu quem mantém em mim a chama acesa... És tu quem eu amo... [És tu] És a minha Princesa... Refrão [2x] A tua perfeição é algo que não sei explicar Espero que um dia me possas amar O teu olhar é algo invulgar Pois é o único capaz de me fascinar, Capaz de me prender e de me hipnotizar É algo que, eu adoro observar O brilho dos teus olhos, faz me sonhar E toda a minha atenção consegue captar! És a minha musa, a minha musa inspiradora E é por ti que o meu coração chora O teu sentimento ele implora Pois estás dentro dele a toda a hora Já te disse mas volto a dizer Beleza maior que a tua é impossível conhecer Pois não existe, nem nunca há-de existir E isso fica provado quando te vejo sorrir, O meu amor por ti, não consigo exprimir Mas embora seja tímido já consegui admitir, Que te adoro, que és a minha amada És tu quem eu quero, serás sempre a desejada, Porque nunca conheci ninguém como tu Adoro-te, baby I love you! --------------------------------------------------------------------------------------- Fui eu que escrevi isto (não sei se é motivo de orgulho ou se é motivo para me esconder... mas como ela gosta que se lixe xD), com um colega meu... Compartilhar este post Link para o post
Kaká Publicado 13 Julho 2007 E agora, Jos?? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Jos?? e agora, voc?? voc? que ? sem nome, que zomba dos outros, voc? que faz versos, que ama, protesta? e agora, Jos?? Est? sem mulher, est? sem discurso, est? sem carinho, j? n?o pode beber, j? n?o pode fumar, cuspir j? n?o pode, a noite esfriou, o dia n?o veio, o bonde n?o veio, o riso n?o veio, n?o veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, Jos?? E agora, Jos?? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoer?ncia, seu ?dio – e agora? Com a chave na m?o quer abrir a porta, n?o existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas n?o h? mais. Jos?, e agora? Se voc? gritasse, se voc? gemesse, se voc? tocasse a valsa vienense, se voc? dormisse, se voc? cansasse, se voc? morresse... Mas voc? n?o morre, voc? ? duro, Jos?! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, voc? marcha, Jos?! Jos?, para onde? :handclap: :handclap: :handclap: E no segmento deste, que, na minha opini?o ? o questinamento mais f*dido que possa existir, sigo com Alberto Caeiro: O que penso eu do mundo? Sei l? o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que ideia tenho eu das cousas? Que opini?o tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a cria??o do mundo? N?o sei. Para mim pensar nisso ? fechar os olhos E n?o pensar. ? correr as cortinas Da minha janela (mas ela n?o tem cortinas). O mist?rio das cousas? Sei l? o que ? mist?rio! O ?nico mist?rio ? haver quem pense no mist?rio. Quem est? ao sol e fecha os olhos, Come?a a n?o saber o que ? o sol E a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e v? o sol, E j? n?o pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os fil?sofos e de todos os poetas. A luz do sol n?o sabe o que faz E por isso n?o erra e ? comum e boa. ALBERTO CAEIRO Compartilhar este post Link para o post
Rui Cardoso Publicado 13 Julho 2007 Andas a ler coisas bonitas... Compartilhar este post Link para o post
lookalike Publicado 18 Julho 2007 rendemo-nos os dois ? loucura de ousar querer sermos algu?m. n?o pensamos sen?o em n?s, cantamos os dois ? mesma voz, escondidos de ningu?m. fomos n?s que quisemos assim, perdermo-nos, adiando o fim, e agora somos antag?nicos j? n?o cantamos, ficamos af?nicos. n?o adianta tentarmos mais vai acabar n?o vamos voltar a ser n?s n?o vamos voltar a ser n?s Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 20 Janeiro 2008 Vou fazer um desenterran?o. Ouvi agora um poema de Stone Sour. Stone Sour - Omega [stone Sour] ? uma declara??o de um poema. What a skeletal wreck of a man this is Translucent flesh and feeble bones The kind of temple where the whores and villians try to tempt the holistic tones Running rampant with free thought to free form the free and clear And the matters at hand are shelled out like lint at a laundromat to sift and focus on the bigger, better, NOW We all have a little sin that needs venting, virtues for the rending and laws and systems and stems ripped from the branches of office do you know what your post entails? Do you serve a purpose or purposely serve? Wind down inside your adivistic allure, the value of a summer spent and a winter earned For the rest of us there is always sunday The day of the week that reeks of rest but all we do is catch our breath so we can wade naked into the bloody pool and place our hand on the big black book To watch the knives zigzag between our aching fingers A vacation is a countdown T minus your life and counting Time to drag your tongue across the sugar cube and hope you get a taste WHAT THE FUCK IS ALL THIS FOR? (*background*WHAT THE HELL IS GOING ON?) SHUT UP! I could go on and on but let's move on shall we? Say, you're me and I'm you and they all watch the things we do and like a smack of spite they threw me down the stairs haven't felt like this in years the great magnet of malicious magnanimous refuse Let me go and plunge me into the dead spot again That's where you go when theres no one else around it's just you and there was never anyone to begin with now was there? Sanctimonious pretentious dastardly bastards with their thumb on the pulse and a finger on the trigger CLASSIFIED MY ASS THAT'S A FUCKING SECRET AND YOU KNOW IT! Government is another way to say better, than, you! It's like ice but no pick a murder charge that won't stick its like a whole other world where you can smell the food But you can't touch the silverware *laughs* What luck! Facism you can vote for *snorts* Isn't that sweet And were all gonna die someday 'cause that's the american way and I've drunk too much and said too little when you're gaffer taped in the middle say a prayer save face get yourself together and (*sung in the background* SEE WHAT'S HAPPENING!) SHUT UP! (*background* FUCK YOU!) FUCK YOU! I'm sorry I could go on and on but its time to move on so Remember, your a wreck an accident Forget the freak your just nature Keep the gun oiled and the temple clean Shit, snort and blaspheme let the heads cool and the engine run because in the end everything we do, is just everything we've done. Compartilhar este post Link para o post
El`Matador Publicado 17 Fevereiro 2008 José Régio - Soneto de amor Não me peças palavras, nem baladas, Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio, Deixa cair as pálpebras pesadas, E entre os seios me apertes sem receio. Na tua boca sob a minha, ao meio, Nossas línguas se busquem, desvairadas... E que os meus flancos nus vibrem no enleio Das tuas pernas ágeis e delgadas. E em duas bocas uma língua..., - unidos, Nós trocaremos beijos e gemidos, Sentindo o nosso sangue misturar-se. Depois... - abre os teus olhos, minha amada! Enterra-os bem nos meus; não digas nada... Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! ______________________________________ Alguém sabe-me explicar o que se passa neste Soneto? Trata-se do amor como diz no título mas quê?! está a falar para uma mulher... Poesia nunca fui muito com isso. Compartilhar este post Link para o post
El`Matador Publicado 17 Fevereiro 2008 Se pudessem dar uma ajudinha quem perceber esse poema. Compartilhar este post Link para o post
Chandler Publicado 31 Março 2008 Aparentemente desaparecido pelo meio de tanta página, recupero com isto: Apontamento A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Caiu pela escada excessivamente abaixo. Caiu das mãos da criada descuidada. Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. Asneira? Impossível? Sei lá! Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada. E fitam os cacos que a criada deles fez de mim. Não se zanguem com ela. São tolerantes com ela. O que era eu um vaso vazio? Olham os cacos absurdamente conscientes, Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles. Olham e sorriem. Sorriem tolerantes à criada involuntária. Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros. A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? Um caco. E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali. Fernando Pessoa Compartilhar este post Link para o post
pAcO Publicado 28 Abril 2008 Poema pouco original do medo O medo vai ter tudo pernas ambulâncias e o luxo blindado de alguns automóveis Vai ter olhos onde ninguém o veja mãozinhas cautelosas enredos quase inocentes ouvidos não só nas paredes mas também no chão no teto no murmúrio dos esgotos e talvez até (cautela!) ouvidos nos teus ouvidos O medo vai ter tudo fantasmas na ópera sessões contínuas de espiritismo milagres cortejos frases corajosas meninas exemplares seguras casas de penhor maliciosas casas de passe conferências várias congressos muitos ótimos empregos poemas originais e poemas como este projetos altamente porcos heróis (o medo vai ter heróis!) costureiras reais e irreais operários (assim assim) escriturários (muitos) intelectuais (o que se sabe) a tua voz talvez talvez a minha com a certeza a deles Vai ter capitais países suspeitas como toda a gente muitíssimos amigos beijos namorados esverdeados amantes silenciosos ardentes e angustiados Ah o medo vai ter tudo tudo (Penso no que o medo vai ter e tenho medo que é justamente o que o medo quer) O medo vai ter tudo quase tudo e cada um por seu caminho havemos todos de chegar quase todos a ratos Alexandre O'Neill (Afinal, já tinha posto este - vai o do Manuel Alegre:) Variações sobre O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO de Alexandre O'Neill Os ratos invadiram a cidade povoaram as casas os ratos roeram o coração das gentes. Cada homem traz um rato na alma. Na rua os ratos roeram a vida. É proibido não ser rato. Canto na toca. E sou um homem. Os ratos não tiveram tempo de roer-me os ratos não podem roer um homem que grita não aos ratos. Encho a toca de sol. (Cá fora os ratos roeram o sol). Encho a toca de luar. (Cá fora os ratos roeram a lua). Encho a toca de amor. (Cá fora os ratos roeram o amor). Na toca que já foi dos ratos cantam os homens que não chiam. E cantando a toca enche-se de sol. (O pouco sol que os ratos não roeram). Manuel Alegre Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 9 Maio 2008 Separados pelo tempo Desunidos por uma ranhura Nem por um simples momento Podem viver uma aventura Assim espalha o vento A semente do amor Sem olhar para onde atira A semente que causa dor Olhando para dentro Tento esquecer a tristeza Que me causa esta injustiça Provocada com tanta frieza Escrevi agora. Compartilhar este post Link para o post
Ricardo Fernandes Publicado 10 Maio 2008 Por trás dos olhos frios, Ninguém sabe como é ser, o homem mau, o homem triste, Por trás dos olhos negros. Ninguém quer saber como é ser, odiado estar destinado fadado a contar apenas mentiras. Mas nos meus sonhos não sou eu, Como para minha consciência pareço ser Eu tenho horas, de pura solidão Meu amor é a vingança De que nunca estou livre. Ninguém quer saber como é Sentir esses sentimentos Como eu sinto E a culpa é tua. Ninguém se engana com ninguém Na tua raiva Nada da minha dor é como mostrar A desgraça que sou. Mas nos meus sonhos não sou eu, Como para minha consciência pareço ser Eu tenho horas, de pura solidão Meu amor é a vingança De que nunca estou livre. Adaptação de uma letra dos The Who Compartilhar este post Link para o post
Sete Publicado 11 Maio 2008 "Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recondito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." De quem é este poema ? Dizem que é do Fernando Pessoa, se sim, de que poema dele é ? Compartilhar este post Link para o post
Sete Publicado 12 Maio 2008 É de Fernando Pessoa. Então podes-me dizer de que poema ? Cumprimentos Alex Compartilhar este post Link para o post
El Shafto Publicado 14 Maio 2008 Não quero ser Fernando Pessoa Nem David-Mourão Ferreira Quero apenas passar as tardes no café, a gozar a vida boa Com o prazer de a viver à minha maneira Sou um mero aprendiz ao pé de Camões Génio que morreu com poucos tostões Quem me dera ter metade dessa genialidade Mais que um ídolo, um herói de verdade Qual o meu favorito? Eu próprio! Este meu ego, é o meu maior ópio. ______________________________________________ Não rimes. Ou rima, se quiseres, mas não violentes a palavra. Espera antes a sua vinda. Música e rima são acessórios dispensáveis: O poema é outra coisa. Deixa, pois que as palavras acordem na matriz e caiam maduras. Áridas ou frias, secas e imperturbáveis, orvalhadas, humildes estropiadas até, que sejam precisas, prenhas de significado. Espera as palavras. Elas viajam misteriosas, desconhecidas ainda, elas germinam em ti. Caem. Juntam-se. Doloridas, feias sob o visto placentário, deselegantes por vezes, elas procuram-se e organizam-se. Juntas transcendem-se, há algo de íntimo, coeso e secreto nelas. O poema está aí. ____________________________________________ E se de repente rompesse das ondas uma deusa verde com algas nos seios, olhos de espuma, graça de peixe, e uma estrela-do-mar nos cabelos de sol molhados de música?... Ah! não me espantava. O que me espanta é este mar sujo, negro, vil, sem imaginação de ninfas... Compartilhar este post Link para o post
Osnofa Publicado 14 Maio 2008 De quem é este poema ? Dizem que é do Fernando Pessoa, se sim, de que poema dele é ? Não é, penso que alguém da Casa FP disse que não era Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 27 Maio 2008 Cabelos ao vento Sobrevoam tua face Tão belo momento Talvez nunca o ultrapasse Na memória fica A resposta tão breve No entanto, tão rica Tanto fez por nós Essa passagem pelo leste Naquele momento a sós Em que o "sim" por fim me deste Fiz há uns dias :) Compartilhar este post Link para o post