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Protestos em Hong Kong

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Hong Kong citizens step up protests as riot police withdrawn

 

Roads blocked, banks and schools closed, as thousands join unprecedented demonstrations disrupting daily life

 

Thousands of Hong Kong citizens protested across the city on Monday, blocking roads and prompting the closure of banks and schools, as they stepped up their calls for democracy.

 

Police attempts to use teargas to clear huge protests from Admiralty and Central in downtown Hong Kong late on Sunday backfired by spurring more people to take to the streets, with numbers peaking in the tens of thousands. Fresh protests sprang up in Causeway Bay and Mongkok, in Kowloon.

 

Parts of the financial hub, generally known for its orderliness, were paralysed by the demonstrators. The government announced on Monday morning that riot police had been taken off the streets as citizens “have mostly calmed down” and urged people to unblock roads and disperse.

 

Hong Kong enjoys considerable autonomy under the “one country, two systems” framework and has long been promised universal suffrage for the election of the next chief executive in 2017. But protesters are furious that the rules announced by Beijing will impose such tight controls on candidates that a democrat could not even stand. They see the decision as part of a broader attempt to tighten controls on the region.

 

The non-violent civil disobedience movement was expected to start on Wednesday, a public holiday. But it kicked off at the weekend after students who had been running class boycotts invaded the government compound at Admiralty, which police had blocked off.

 

The organisers spent months planning Occupy Central with Love and Peace, but it has now taken on a life and perhaps a name of its own. Some dubbed it “the umbrella revolution” in reference to the umbrellas that sprang up over protesters’ heads each time they feared a tear gas or pepper spray attack.

 

“This is a watershed,” said Hung Ho-fung of Johns Hopkins University, noting that in the past mass protests had occurred with police approval.

 

“This time people are using civil disobedience and setting up barricades. There’s also the disruptive aspect; in the past, they emphasised that demonstrations would not affect everyday life. This time they really don’t care. I really haven’t seen anything like this in Hong Kong history.”

 

But he warned: “Beijing has put itself in a corner and I don’t think it can back down. I think it’s out of Beijing’s expectations that Hong Kong people would be so persistent and so provoked by the decision.”

 

In previous cases where mass protests against Chinese government’s plans have led to them being dropped – such as 2012‘s plans for compulsory “national education” – the decisions have formally been made by the Hong Kong leadership. This time, the framework for reforms was announced by the standing committee for Beijing’s National People’s Congress. Beijing is explicitly tied to it and cannot portray a shift as a decision by the Hong Kong government.

 

Hung predicted that China would use loyalists to mobilise the counter-argument, with people warning of the need to prevent chaos.

 

“That might gain ground over time. But people see very clearly that the chaos has been created by the government’s use of force,” he said.

 

In some parts of the city, commuters cheered protesters. But Agence France-Presse reported angry confrontations in Mong Kok between the activists and people annoyed by the disruption.

 

The Hong Kong dollar fell to a six-month low when trading opened, and shares slipped to a three-month low.

 

More schools have gone on strike – students had already announced that last week’s class boycott was now an indefinite campaign – and the government decided to close schools in the Central, Wanchai and Western districts. Several banks closed branches, many businesses were shut and about 200 bus lines suspended, the South China Morning Post reported.

 

Officials said 41 people, including police, had been injured since protests began and 78 arrested for offences including forcible entry into government premises, unlawful assembly and obstructing police.

 

Occupy Central and others appear to be prioritising the demand to oust CY Leung, the highly unpopular chief executive. That seems a more achievable outcome than rolling back the electoral reform plans, but since the protests have taken on a momentum of their own, uniting all those on the streets may prove difficult.

 

In a statement, Occupy Central said Leung’s refusal to enter direct dialogue with people had driven Hong Kong into a crisis of disorder, which would be defused by his resignation.

 

“[Occupy Central] believes this has already become a spontaneous movement of the Hong Kong people that does not come under any organisation,” it said. “However, we will continue to fight alongside the people to strive for democracy and we fully support the current spontaneous and non-violent occupy actions.”

 

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Governo de Hong Kong diz que contestação estudantil é “ilegal” e promete acção “firme”

 

Polícia usa gás lacrimogéneo contra dezenas de milhar de manifestantes e detém 78 pessoas. Esta campanha de desobediência civil é a mais tenaz acção de protesto desde 1997.

 

A polícia lançou gás lacrimogéneo contra as dezenas de milhares demanifestantes que continuaram neste domingo frente à sede do governo de Hong Kong, na sua maioria estudantes. Os manifestantes, que há três dias ocupam aquela área, prometem continuar a contestação até que o Governo chinês confira maiores liberdades democráticas a Hong Kong, uma “região administrativa especial”, e desista de escolher os candidatos ao governo local nas eleições de 2017.

 

"Vergonha, vergonha!", gritavam os manifestantes , enquanto se tentavam proteger das nuvens de gás lacrimogéneo, descreve a AFP.

 

A zona administrativa de Hong Kong tornou-se um verdadeiro caos neste domingo, descreve a AFP. Os manifestantes invadiram uma importante avenida e paralisaram uma parte do centro da cidade para denunciar a decisão de Pequim de não permitir eleições livres. Quando Kong Kong foi reintegrado na China, em 1997, depois de séculos como colónia britânica, o Governo de Pequim comprometeu-se a realizar eleições por sufrágio universal directo na região em 2017. Porém, em Agosto, o Comité Permanente do Partido Comunista (a estrutura que manda na China) anunciou que embora os cidadãos possam votar, serão as autoridades a escolher os três únicos candidatos ao lugar.

 

Tanto o Governo chinês como o chefe do governo local condenam fortemente os protestos, que consideram ilegais. Leung Chun-ying, o líder de Hong Kong, disse numa conferência de imprensa neste domingo que os manifestantes estão a usar meios ilegais para ameaçar o governo e que seriam tomadas medidas “firmes” para travar os protestos.

 

Leung garantiu que as eleições iriam avançar como planeado e declarou a sua “absoluta confiança no discernimento profissional da polícia”. Por sua vez, um porta-voz do Governo chinês, citado pela agência estatal Xinhua, anunciou que “o Governo central opõe-se veementemente aos vários actos ilegais que têm ocorrido em Hong Kong, pondo em causa o estado de direito e a ordem social”.

 

Os organizadores do protesto dizem que 80 mil pessoas participaram na manifestação junto ao edifício central do governo, galvanizadas pela detenção de estudantes na sexta-feira e sábado.. Não existe qualquer estimativa independente sobre a participação no protesto, mas segundo a Reuters, esta campanha de desobediência civil é a mais tenaz acção de protesto desde 1997. A polícia deteve 78 pessoas até agora, segundo a Reuters, incluindo alguns líderes dos grupos que organizaram o protesto.

 

Durante a noite, uma das organizações de estudantes que está a organizar os protestos pediu aos manifestantes para que se retirassem das ruas, por recear a violência policial. Segundo a Reuters, alguns dos estudantes acederam ao apelo, mas milhares permaneceram no local dos protestos.

 

A polícia tem usado gás lacrimogéneo, gás-pimenta e os bastões para isolar o edifício do governo de Hong Kong. Os manifestantes muniram-se de guarda-chuvas, capas para a chuva, máscaras cirúrgicas e óculos protectores para tentarem defender-se das cargas policiais

 

Desafiando o cordão policial, este domingo os estudantes paralisaram algumas das ruas mais movimentadas de Hong Kong.

 

Para dia 1 de Outubro foi marcado uma manifestação no distrito financeiro de Hong Kong que os organizadores - os movimentos pró-democracia, liderados pelo grupo Occupy Central - querem que seja o maior protesto de sempre em Hong Kong.

 

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“Revolução dos guarda-chuvas” em Hong Kong mantém desafio às autoridades

 

Governador pede fim imediato dos protestos. Mas estes não param de aumentar.

 

A polícia antimotim já saiu das ruas e os protestos em Hong Kong continuam — pacíficos e já sem as nuvens de gás lacrimogéneo e gás pimenta com que as autoridades tentaram esvaziar as ruas.

 

O chefe do executivo da região administrativa especial da China, Leung Chun-ying, pediu o fim imediato dos protestos. “Os fundadores do movimento Occupy Central disseram repetidamente que se o movimento se descontrolar, eles apelariam ao seu fim”, disse Leung. “Estou a pedir-lhes agora que cumpram essa promessa que fizeram à sociedade, e que parem imediatamente esta campanha.”

 

Os manifestantes não querem que os candidatos às próximas eleições de 2017 sejam seleccionados previamente por Pequim e pedem a demissão de Leung, algo que ele já recusou. Mais, disseram que esperam uma resposta do governo às suas reivindicações ou anunciariam mais acções de desobediência civil.

 

Os protestos foram marcados por violência, especialmente no domingo, mas após a divulgação de imagens de cargas policiais e uso de gás, ainda mais pessoas saíram à rua. Estima-se que estejam cerca de 20 mil pessoas a manifestar-se, bloqueando avenidas normalmente movimentadas.

 

Têm uma rotina já mais ou menos estabelecida: ao final da tarde e à noite começa a chegar cada vez mais gente, a noite é passada na rua, de manhã há pessoas que começam a ir a casa e outras a limpar o que ficou da noite anterior, há turnos para idas a casa ou trabalho, e ao final da tarde os números voltam a crescer.

 

 

Como surgiu o guarda-chuva

 

Muitos dos manifestantes nos primeiros protestos, no final da semana passada, queriam proteger-se do sol e levaram guarda-chuvas para aguentar a tarde na rua. Acabaram a usar os guarda-chuvas para se proteger do gás. Fotos mostravam manifestantes em posição de rendição com dois guarda-chuvas, multidões de guarda-chuva. E assim nasceu um símbolo dos protestos.

 

Um artista de Hong Kong, Kacey Wong, começou uma campanha nas redes sociais com logos usando a imagem do guarda-chuva: “Inspirei-me ao ver as pessoas defenderem-se com utensílios domésticos. O contraste era tão marcado. Num lado havia brutalidade policial e do outro lado estes pobres guarda-chuvas”, comentou à BBC. “Agora o guarda-chuva é um símbolo de desafio, um símbolo de resistência.”

 

Para muitos, não protestar não é uma hipótese. “É a revolução do guarda-chuva”, comentava Emily Pang, 24 anos, recepcionista num clube de cricket, ao início da noite. “Tenho de proteger a nossa Hong Kong.” Os manifestantes temem que as relativas liberdades na região administrativa especial se percam e que o mote “um país, dois sistemas” mude, tornando-se o sistema cada vez mais igual em todo o território.

 

A atmosfera nas ruas é agora pacífica e estes já foram classificados como “os protestos mais bem-educados”, mas os manifestantes temem que a qualquer altura isso mude de novo (no início da semana, havia rumores de que a polícia se preparava para usar balas de borracha, ou que Pequim se prepararia para enviar soldados). A correspondente da BBC em Hong Kong, Saira Asher, contava como a meio da noite os manifestantes começaram a pôr máscaras antecipando uma acção policial. Afinal, tratava-se apenas de uma mudança de turno da polícia. Mas a tensão e o medo eram palpáveis.

 

Como irá responder Xi?

 

Todas as atenções se focam agora em Pequim: o que irá fazer o Presidente chinês Xi Jinpin? Perder a face em Hong Kong e fazer um compromisso relevante com os manifestantes arriscaria motivar protestos na China, mas o uso da força contra manifestantes pacíficos — como aconteceu em Tiananmen — na antiga colónia britânica iria provavelmente ser contraproducente, pondo em risco ainda a sua posição de centro financeiro global.

 

As formas de repressão usadas na China não resultarão em Hong Kong, comentou Xiao Shu, escritor chinês actualmente numa Universidade de Taiwan, ao jornal norte-americano New York Times: “Na China, enquanto se controlar a rua com soldados suficientes e armas, pode matar-se um protesto, porque tudo o resto já está controlado: a imprensa, a Internet, as escolas, todos os bairros e todas as comunidades”, comentou. “Em Hong Kong, as ruas não são o único campo de batalha.”

 

“Isto já é muito maior do que qualquer coisa que as autoridades de Pequim ou de Hong Kong alguma vez esperaram”, disse por seu lado Larry Diamond, especialista em desenvolvimento democrático da Universidade de Stanford (EUA). “Não há uma estratégia para fazer diminuir os protestos pacificamente, porque isso implicaria negociações, e não penso que o Presidente Xi Jinping permita isso. Se acontecer, vai parecer fraco, algo que ele claramente detesta.”

 

Mesmo um compromisso aparente, comenta o New York Times, poderia ser demasiado para o líder chinês. Se as autoridades retiraram a polícia antimotim, os sinais vindos da imprensa oficial chinesa são no sentido de um endurecimento da resposta. É imprevisível o que irá acontecer.

 

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A prenda de aniversário que a República Popular da China menos queria

 

O Partido Comunista Chinês celebra 65 anos da fundação da República Popular da China, mas os protestos em Hong Kong vão ensombrar as festividades.

 

Esta quarta-feira é um dia de festa para o Partido Comunista Chinês, que assinala o 65.º aniversário da fundação da República Popular. Mas quando em Pequim, o Presidente Xi Jinping estiver a assistir às festividades, a sua mente irá estar certamente a mais de dois mil quilómetros, em Hong Kong – palco de um dos maiores desafios ao poder em vigor na China nas últimas décadas.

 

Nas imediações da sede do governo local, ao início da noite de terça-feira milhares de pessoas juntavam-se às dezenas de milhares que lá tinham permanecido durante o dia e aguardava-se com expectativa o feriado nacional. A violência da noite de domingo – em que a polícia lançou gás-pimenta aos manifestantes, causando dezenas de feridos – não se repetiu e o ambiente é calmo e de solidariedade, como contou ao PÚBLICO, a partir de Hong Kong, o realizador português António Conceição. Os correspondentes do jornal The Guardian notavam a pouca presença policial durante o dia.

 

À medida que a noite se aproximava, cada vez mais pessoas se juntavam no bairro de Admiralty, onde se situa a sede do governo local. E nem a chuva ou a trovoada que se fizeram sentir afastou os manifestantes, que foram trazendo comida e materiais para fazerem barreiras de protecção, indicando que não há planos para que a concentração seja desfeita tão cedo.

 

Apesar de muito jovens – António Conceição diz ao PÚBLICO que muitos nem devem andar na faculdade –, a tenacidade dos manifestantes é inabalável. “Passámos mais de uma semana ao sol e a resistir ao gás pimenta, podemos suportar a chuva. Nada nos pode deter”, dizia à AFP Choi, um estudante no primeiro ano da universidade. Ao Guardian, Lester Shum, líder de um dos movimentos estudantis, disse não ter medo nem da polícia antimotim nem do gás lacrimogénio. “Não vamos sair até [o chefe do governo] Leung Chun-ying se demitir”, garantiu.

 

O próprio Leung admitiu, durante um discurso, citado pelo South China Morning Post que as manifestações vão durar “um tempo relativamente longo”. As ruas pedem a sua demissão imediata, mas o dirigente reafirmou que pretende manter-se no cargo. “Qualquer mudança de pessoal antes que a implementação do sufrágio universal seja alcançada irá apenas permitir que Hong Kong continue a eleger o seu líder através do modelo do Comité Eleitoral”, disse Leung.

 

O responsável referia-se à reforma eleitoral aprovada em Agosto, que é também um dos alvos das reivindicações dos manifestantes. A nova lei veio introduzir o sufrágio universal para o líder do território autónomo, mas as candidaturas têm de ser previamente aprovadas por um comité próximo de Pequim, algo que, alegam os manifestantes, impede uma escolha verdadeira.

 

Para já, o governo de Pequim mantém “a total confiança” e o “apoio incondicional” à gestão de Leung, de acordo com um porta-voz do Gabinete do Conselho de Estado para Hong Kong e Macau, citado pelo SCMP. Esta é, porém, uma posição que pode ser mudada consoante o rumo dos acontecimentos e, em última análise, da leitura que Xi fizer dos protestos.

 

Vários analistas avançam possíveis cenários para o Presidente chinês lidar com a revolta em Hong Kong. Um deles é a repressão violenta dos protestos, possivelmente através do recurso ao Exército de Libertação Popular. Esta é, para já, uma hipótese pouco provável, não só pela péssima repercussão internacional que teria mas também pela importância de Hong Kong como praça financeira de grande relevo, estatuto que Pequim não quererá perder.

 

A demissão de Leung apresenta uma perspectiva mais realista do ponto de vista de Xi, que, ao cumprir a reivindicação mais imediata dos manifestantes, poderia assistir a um enfraquecer do protesto. No entanto, a saída do chefe do executivo iria provocar o regresso ao regime eleitoral anterior, o que poderia incendiar os ânimos dos movimentos pró-democráticos.

 

Xi poderia ainda acomodar os desejos das ruas e estabelecer um comité representativo das várias sensibilidades políticas de Hong Kong para a escolha dos candidatos às próximas eleições, em 2017. Finalmente, há a possibilidade de Pequim nada fazer, ou seja, manter o rumo que tem previsto para o processo eleitoral e apenas esperar que o protesto não alastre a outras zonas de Hong Kong e que acabe por esmorecer.

 

“Nenhuma das opções é muito atractiva para a liderança chinesa”, avisa Elizabeth Economy, do Council for Foreign Relations, uma vez que “todas elas vêm com custos políticos e económicos não insignificantes”. A mesma leitura é partilhada por Larry Diamond, especialista em desenvolvimento democrático da Universidade de Stanford, que nota que qualquer estratégia pacífica requer negociações, o que obrigaria Xi Jinping a fazer concessões. “Se isso acontecer, ele iria parecer fraco, algo que claramente detesta”, acrescenta Diamond, citado pelo New York Times.

 

Entretanto, no centro de Hong Kong, ninguém sabe bem o que vai acontecer depois do feriado nacional ou se aquilo por que estão a lutar irá realmente chegar. O espírito dominante é sintetizado por António Conceição: “Só o facto de isto estar a acontecer já é uma grande vitória e irá certamente ter consequências no futuro, seja próximo ou mais distante.”

 

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Não tenho conseguido acompanhar, tanto quanto queria, estes protestos, mas há uma coisa interessantíssima e que demonstra o grau de civismo das pessoas em causa, todos os dias, após se manifestarem, os manifestantes recolhem o lixo que fizeram.

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Chefe do governo de Hong Kong negoceia mas não se demite

 

Manifestantes e executivo evitam a violência nas ruas, mas o motivo da contestação —a decisão de Pequim escolher os candidatos nas eleições de 2017 —mantém-se.

 

Em Hong Kong evitou-se o confronto, que estava iminente, entre os manifestantes pró-democracia e as forças do governo local. Às primeiras horas de sexta-feira, as duas partes aceitaram encontrar-se, mas havia uma dose de cautela igual à do optimismo.

 

Ao longo desta quinta-feira, a sucessão de acontecimentos foi dramática e fez prever o pior. Os manifestantes tinham dado até às 23h30 para o chefe do governo deste território chinês, CY Leung, se demitir, por ter ordenado o uso de gás lacrimogéneo e gás pimenta contra os que participaram nos protestos frente à sede do executivo na sexta-feira da semana passada. Ameaçavam invadir os edifícios, para onde foi mobilizado um forte dispositivo policial com os agentes munidos de balas de borracha, conforme publicou o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que publicou fotografias dos contentores destas munições.

 

Leung marcou exactamente para as 23h30 (menos sete horas em Portugal continental) uma conferência de imprensa em que designou uma alta funcionária da sua equipa, Carrie Lam, para iniciar conversações com um dos grupos que lidera a contestação, a Federação de Estudantes. Mas avisou que não se demite.

 

A iniciativa de dialogar partiu, aliás, dos estudantes, que ao aproximar-se o prazo que deram a Leung publicaram uma carta aberta, dirigida a Lam, propondo um encontro público e com um único ponto na agenda: a lei eleitoral.

 

No centro do conflito que dura desde Agosto mas se agudizou na semana passada, está a eleição do próximo chefe do governo deste território chinês, em 2017 — será por sufrágio universal, conforme foi definido quando Hong Kong deixou de ser uma colónia britânica para se tornar parte da China, mas Pequim decidiu que escolherá os candidatos. As organizações pró-democracia não aceitam esta limitação e exigem “democracia plena no processo eleitoral”.

 

“Esta noite, a federação de Estudantes emitiu uma carta aberta a pedir um encontro [...) para discutir um tema — os desenvolvimentos constitucionais em Hong Kong. Estudámos a carta detalhadamente, e designo a primeira secretária [do executivo] para participar no encontro com os estudantes”, disse Leung.

 

Os protestos são liderados por outras duas organizações, o movimento pró-democracia Occupy Central — que promoveu a campanha de desobediência civil em curso — e o grupo Scholarism, formado sobretudo por alunos do ensino secundário. O Occupy fez saber que via com optimismo a iniciativa da Federação de Estudantes. Espera agora para ver os resultados, sendo que no fim da conferência de imprensa não ficou claro quando se realizará a reunião.

 

Parte das reservas dos líderes dos protestos prendem-se com palavras também proferidas pelo chefe do governo quando falou com os jornalistas, sabendo-se que a margem de autonomia de Leung é relativa e que as suas directivas vêem de Pequim: qualquer tentativa dos manifestantes para se aproximarem dos edifícios do governo terão “muito sérias consequências”. Mais reservas: Leung disse que vai continuar a “trabalhar na reforma eleitoral de Hong Kong” e insistiu que “qualquer diálogo tem que ser baseado na Lei Básica e no âmbito do Congresso Nacional Popular”. Ou seja, da parte das autoridades de Hong Kong há disponibilidade para o diálogo mas não para fazer as cedências exigidas na rua.

 

A seguir, prometeu que a polícia “vai tratar os protestos dos estudantes com a maior tolerância”.

 

Não parecendo, o governo da região fez uma cedência — não dispersar, pela força, os protestos. De manhã, parecia ter sido essa a ordem de Pequim, dada perante a escalada da contestação.

 

Na quarta-feira, e segundo disseram fontes governamentais ao Wall Street Journal, Pequim mandara Leung parar com a acção policial e jogar com o tempo, apostando no enfraquecimento progressivo dos protestos, até à sua diluição. O ultimato dos manifestantes, o pedido de demissão do chefe do governo e a promessa de ocupação dos edifícios terá feito Pequim repensar a sua estratégia. E CY Leung recebeu um inequívoco apoio do Governo central. No editorial de quinta-feira do Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês, lê-se que o chefe do governo de Hong Kong estava a tomar as decisões mais correctas para gerir a crise.

 

“Durante muitos anos Hong Kong usufruiu da paz e da harmonia. Agora apareceu este caos embaraçoso e na origem dele está um punhado de pessoas que desrespeitam a lei”, diz o editorial do Diário do Povo, que surge também na edição em inglês, e onde as manifestações de Hong Kong são consideradas ilegais. “O caos está a negar a prosperidade aos residentes de Hong Kong, vai contra os seus desejos e não é o que o povo chinês deseja ver nem o que podemos tolerar”, diz o editorial.

 

Leung acirrara os ânimos ao dar ordem aos funcionários públicos para, na sexta-feira, regressarem ao trabalho — estes ficaram em casa durante os dois feriados que celebram o nascimento da república Popular da China, a 1 de Outubro de 1949. Na prática, estes não conseguiriam fazê-lo, porque parte da cidade está bloqueada pelos manifestantes, que mantém ocupadas quatro zonas: o bairro financeiro, Mong Kok, Causeway Bay e Canton Road. “Cerca de três mil funcionários públicos vão tentar, amanhã [sexta-feira] chegar aos seus trabalhos. A sede do governo tem que voltar a estar operacional”, lia-se num comunicado do governo do território. O chefe da polícia, Steve Hui, também emitiu um comunicado voltando a dizer que a polícia vai agir “de acordo com a lei” se os funcionários não puderem aceder aos seus locais de trabalho.

 

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A "conservadora" Macau espera para ver o que acontece em Hong Kong

 

A sociedade civil do antigo território português é mais apática e não tem grande experiência de activismo, mas isso é algo que pode mudar, “à boleia de Hong Kong”.

 

“Isto é um Maio de 68 em Hong Kong”, diz ao PÚBLICO a advogada Ana Soares, ao telefone a partir de Macau, de onde segue com atenção os protestos que têm trazido milhares de pessoas à rua nos últimos dias. Não há, contudo, expectativa de que esse cenário tenha continuidade na antiga colónia portuguesa, que partilha com Hong Kong um estatuto administrativo especial em relação a Pequim.

 

Há 28 anos a morar em Macau, Ana Soares nota que um movimento como aquele que está a ocorrer em Hong Kong “é coisa que não podia existir em Macau”. “Há uma noção de cidadania em Hong Kong”, mas “Macau tem um défice dessa noção”, observa. A opinião é partilhada por outro português de Macau, que preferiu não ser identificado, para quem os movimentos democráticos estão ainda numa “fase embrionária”. “A ideia de um regime democrático ainda não é capaz de trazer muita gente para a rua”, acrescenta.

 

Ainda assim, há uma empatia com a “revolução dos guarda-chuvas” de Hong Kong. Esta quarta-feira, um grupo cívico conseguiu juntar cerca de 800 pessoas na Praça da Amizade, numa acção de apoio aos manifestantes de Hong Kong, de acordo com o jornal South China Morning Post.

 

Bill Chou tinha acabado precisamente de regressar a casa depois de ter discursado na Praça da Amizade quando respondeu ao email enviado pelo PÚBLICO, em que dá conta do papel que o activismo de Hong Kong tem sobre Macau. “Os activistas de Macau procuram inspiração e seguem as pisadas dos seus iguais em Hong Kong”, diz-nos este professor universitário, que é também vice-presidente da Associação Novo Macau, um grupo pró-democrático que está representado na Assembleia Legislativa com dois deputados.

 

Mas mesmo entre os activistas há o reconhecimento das diferenças entre os dois territórios em termos de mobilização política. Bill Chou diz-nos que “a população de Macau é mais conservadora”. “O governo local tem mais formas de pressão sobre os cidadãos, incluindo em termos laborais e empresariais”, explica. A comunidade portuguesa, que hoje representa cerca de 2% da população, é “pró-democrática, de forma geral”, diz Bill. Contudo, “abstém-se de fazer muito ruído”, uma vez que “muitos portugueses relevantes estão dependentes do governo para a sua subsistência”, observa o activista.

 

A apatia da generalidade dos macaenses tem várias razões, na óptica de Ana Soares. A forte imigração de chineses para o território, “que não sentem Macau como deles”, é uma das explicações, mas, quando comparado com Hong Kong, “Macau é uma aldeia, onde a promiscuidade é muito grande”, lamenta a advogada. A profissão torna-a sensível a outros factores: nota no antigo território português “um sistema judicial extremamente permissivo” e alerta para o aumento dos “julgamentos políticos”.

 

Há, porém, sinais de que algo está a mudar e o rumo que o movimento pró-democrático de Hong Kong tomar será determinante para o futuro político de Macau. Este ano, o pequeno território de 600 mil habitantes assistiu a uma das maiores manifestações da sua história, quando em Maio saíram à rua milhares de pessoas, algo “nunca visto”, garante Ana Soares.

 

Em causa estava um regime de compensações para altos funcionários, que os manifestantes, sobretudo estudantes, à semelhança de Hong Kong, queriam ver chumbado. Ana acredita que este foi “um ano de inversão” daquilo que é o activismo em Macau, em que as pessoas “manifestam-se uma vez por ano no 1º de Maio, mas nada de significativo”.

 

E será possível ver manifestações da mesma magnitude das que agora ocupam o centro de Hong Kong nos próximos tempos? Bill acha possível: “Os macaenses têm ficado mais consciencializados acerca dos seus direitos políticos e percebem a relação entre as más políticas públicas e um sistema político não democrático”.

 

Ana Soares não arrisca antecipar esse cenário, mas está certa de que a influência dos acontecimentos em Hong Kong será determinante. “São duas sociedades muito distintas, apesar de Macau ir à boleia de Hong Kong.”

 

Taiwan aprende com Hong Kong

 

Se em Macau se olha para Hong Kong como um laboratório do activismo pró-democrata, em Taiwan a leitura é mais pragmática. A grande luta deste território de 23 milhões de habitantes é o reconhecimento da sua independência em relação a Pequim, ao mesmo tempo que tenta manter boas relações no campo económico.

 

O governo chinês tem tentado múltiplas aproximações a Taiwan, propondo-lhe a reunificação através do sistema “um país, dois sistemas”, o mesmo que garante a autonomia – e uma série de liberdades e garantias – a Hong Kong e a Macau. O exemplo de Hong Kong tem sido especialmente vincado pela administração chinesa como um caso de sucesso, sendo prova disso a estabilidade e a prosperidade do território.

 

Agora, numa altura em que as ruas de Hong Kong desafiam abertamente Pequim, os governantes de Taiwan podem olhar para o antigo território britânico e ver um “sinal de alerta”, como escreveu a revista The Diplomat: “O presente de Hong Kong pode ser o futuro de Taiwan”, avisa.

 

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Estudantes cancelam diálogo com governo em Hong Kong

 

Nas ruas da grande praça financeira surgiram grupos organizados violentos para provocar os manifestantes.

 

Os estudantes de Hong Kong que há uma semana exigem nas ruas eleições democráticas no território, cancelaram a sua participação numa reunião com o governo local. A decisão foi justificada com a má fé das autoridades que, dizem os estudantes, permitiram que grupos violentos organizados atacassem, esta sexta-feira, os manifestantes.

 

Em comunicado, a Federação dos Estudantes de Hong Kong diz que perante o que aconteceu nas ruas, não tem outra alternativa a não ser cancelar a sua participação num diálogo, que aliás foi iniciativa sua.. "O governo e a polícia fecharam os olhos enquanto as tríades atacaram violentamente os que se manifestavam pacificamente".

 

Um encontro em que se discutiria o modelo eleitoral foi proposto pela Federação dos Estudantes na quarta-feira à noite, pouco tempo antes de terminar o prazo que deram ao chefe do governo local, CY Leung, para se demitir. Se o governante não abandonasse o cargo, os estudantes iriam ocupar os edifícios governamentais.

 

Leung não se demitiu mas aceitou o diálogo e designou uma responsável do executivo, Carrie Lam, como interlocutora dos estudantes. Mas não marcou a data do encontro.

 

Esta sexta-feira, porém, realizou-se uma primeira reunião exploratória entre representantes do governo e membros da organização do protesto - além da Federação, o movimento Occupy Central e o Scholarism (estudantes do ensino secundário). Correu mal, segundo o relato do jornal de Hong Kong South China Morning News.

 

Na origem do protesto que começou há uma semana - e que mantém bloqueadas algumas das principais artérias e bairros de Hong Kong - está a eleição, em 2017, do próximo chefe do governo. Pequim cumpriu o acordo feito com o Reino Unido, quando recebeu o território de volta, em 1997, de realizar eleições por sufrágio universal, mas em Agosto anunciou que será o Govenro central a escolher os candidatos. O Occupy Central e os estudantes mobilizaram-se para exigir um processo eleitoral realmente democrático. Cy Leung disse estar disposto a dialogar, mas segundo as determinações do Governo central. Não houve qualquer sinal de cedência por parte dos interlocutores na reunião preparatória (a demissão de Leung voltou a ser rejeitada pelas autoridades), como não havia grade optimismo para o encontro com Lam, que os estudantes cancelaram agora.

 

"As hipóteses de Pequim voltar atrás na decisão [sobre a escolha dos candidatos] são muito, muito baixas", disse ao Financial Times o analista político Zhang Xuezhong, da Universidade Normal da China Oriental.

 

O problema volta, desta forma, à estaca zero, com a agravante de a tensão nas ruas ter aumentado substancialmente nesta sexta-feira, com o surgimento de contra-manifestações e dos grupos violentos. Pelo menos numa das zonas bloqueadas pelos manifestantes, Mong Kok, um dos lugares mais movimentados do mundo - o centro do comércio de luxo, repleto de bares e restaurantes -, um grupo de mil pessoas com os rostos cobertos por máscaras aproximou-se dos manifestantes e agrediram-nos, segundo as agências noticiosas AFP e Reuters. O jornalista do Guardian no local relatou que os agressores atiraram garrafas e cuspiram contra os que lá estavam. "Voltem para Pequim", gritaram os manifestantes, alguns dizendo que as autoridades alugaram uma multidão violenta para perturbar o protesto.

 

CY Leung, que dera ordem aos funcionários públicos para se apresentarem ao trabalho esta sexta-feira (depois de dois dias feriados), optou por manter os edifícios governamentais fechados, pedindo às chefias para pedirem aos colaboradores que trabalhem em casa.

 

O seu objectivo - e o do Governo central em Pequim - é a diluição do protesto, evitando usar a polícia para desfazer as manifestações. Só desta forma, dizem os analistas, Pequim conseguirá sustentar a tese de que o que se passa em Hong Kong é um problema de segurança, não um problema político.

 

Num novo comunicado em que não separa os manifestantes pró-democracia dos grupos violentos que surgiram nas ruas esta sexta-feira, o governo de Hong Kong expressa essa visão: "O comportamento dos que participam neste protesto é ilegal, totalmente desprovido de razão e desumano, é pior do que o mais radical activismo social e é completamente anárquico. Actos sem sentido para impedir a polícia e outros funcionários públicos de fazerem o seu trabalho não serão tolerados".

 

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pena este topico não ter tanta atenção como outros com tematicas semelhantes...porque sera?

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pena este topico não ter tanta atenção como outros com tematicas semelhantes...porque sera?

 

eu leio o que metem aqui e no reddit. Não tenho nada a comentar, só a ler. Só isso já é atenção suficiente.

mas pronto, deixo aqui o comentário, não vás tu a sentir-te sozinho na tua ruminação de ódio e mal-dizer.

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Já que lançaste o isco vou morde-lo só para ficares contente.

 

Desconheço a realidade daquela região e portanto reservo-me ao direito de não falar do que não conheço, no entanto nos ultimos anos vi em várias regiões bastante distintas do globo situações em que se seguia o mesmo guião que ali parece estar a ser seguido e sei bem a quem lucrou com o resultado desses processos. Assim e como a memória de Maidan ou por exemplo do Egipto ainda está bastante clara não posso deixar de estar de pé atrás enquanto vejo o que os media têm mostrado.

 

 

Assim e como a minha memória ainda vai funcionando, eu dali de Hong Kong, as imagens que tenho na cabeça de protestos contra o governo são as de chineses com bandeiras colonialistas Britânicas que acontecem todos os anos. Se alguem me disser que quem agora está por detrás destes processos são as mesmas pessoas que decidiram mudar de estratégia em termos de imagem de forma a ganhar simpatias no Ocidente, não ficaria admirado.

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Governo de Hong Kong quer pôr fim aos protestos até segunda-feira

 

Jornal Diário do Povo diz que qualquer ideia de importar “uma revolução colorida” para a China continental a partir de Hong Kong é “pura fantasia”.

 

Pode ser na noite deste sábado. Pode ser domingo. Mas o governo de Hong Kong vai pôr fim ao protesto pró-democracia que, desde há uma semana, paraliza a vida neste território chinês. Um sinal de que poderá haver uma acção policial surgiu numa declaração do chefe do governo local, Leung Chun-ying, que anunciou que os edifícios públicos e as escolas "têm de" reabrir na segunda-feira.

 

Outro sinal surgiu no Diário do Povo, jornal do Partido Comunista Chinês, onde é declarado apoio à polícia de Hong Kong e, pela primeira vez, a revolta deste território é tratada como um assunto político, não como um mero problema de segurança — qualquer ideia de importar "uma revolução colorida" para a China continental a partir de Hong Kong é "pura fantasia", lê-se no jornal que tem uma edição em inglês e onde se defende o uso de gás lacrimogéneo. "Face aos manifestantes que ignoram as ordens da polícia, que se precipitam para transgredir os cordões de segurança, e que querem atingir os polícias com os seus guarda-chuvas (...) a polícia não tem outra alternativa senão usar o gás lacrimogéneo", diz o texto.

 

A certeza de que algo acontecerá veio de um antigo deputado do Partido Democrático de Hong Kong, Law Chi-Kwong, que, falando para os líderes da contestação — o movimento Occupy Central e associações de estudantes universitários e de liceu —, disse que os manifestantes estão, neste momento, "numa situação muito perigosa" que deve ser resolvida "no mais curto espaço de tempo que for possível".

 

Citado pelo South China Morning Post, jornal independente de Hong Kong, o antigo deputado disse saber que se prepara uma acção policial.

 

O protesto decorre em vários pontos de Hong Kong, mas os organizadores convocaram os apoiantes para uma grande concentração, esta noite, no Admiralty, zona que engloba o centro financeiro do território e a sede do governo. Apesar dos alertas do deputado e avisos de Leung e de Pequim, ao Admiralty começaram a afluir milhares de pessoas. Os organizadores pediram-lhes que levantassem os telemóveis para produzirem o efeito de "um mar de luz". Noutros locais, como Causeway Bay e Mong Kok (o centro do comércio de luxo de Hong Kong) os manifestantes sentaram-se no pavimento — à noite o protesto costuma diminuir, com muitos a aproveitarem para ir a casa dormir ou mudar de roupa —, expressando a intenção de que a contestação vai continuar.

 

O protesto que começou há uma semana tem na sua origem a eleição do próximo chefe do governo, em 2017. O Governo de Pequim aceitou a realização — pela primeira vez no território — de eleições por sufrágio universal, mas quer escolher os candidatos (na verdade serão escolhidos por um painel de representantes locais composto por homens da confiança do Partido Comunista Chinês). A campanha de desobediência civil contra esta decisão começou a 22 de Novembro e agudizou dias depois, quando os manifestantes cercaram a sede do governo e a polícia respondeu com gás lacrimogéneo. A multidão não dispersou. Pelo contrário, o protesto ganhou dimensão.

 

Zonas nevrálgicas do território foram ocupadas por dezenas de milhares de activistas, quer forçaram o encerramento dos serviços da administração pública. Muitas carreiras de autocarros não circulam, os proprietários de lojas, restaurantes e outros serviços reclamam pelo prejuízo e até o turismo se ressente, com a China a cancelar as viagens do "continente" para Hong Kong. Entre a população, começaram a levantar-se vozes contra os manifestantes, devido aos prejuízos que o protesto está a provocar.

 

O protesto, porém, manteve-se pacífico até sexta-feira, quando grupos organizados atacaram os manifestantes. O Occupy Central denunciou tratar-se de elementos da máfia pagos pelas autoridades (de Honbg Kong e de Pequim) para gerarem a violência e justificarem a entrada da polícia.

 

"Um grupo de homens e mulheres atacaram-nos e destruíram os nosso mantimentos. Tive medo que ferissem os estudantes, mas eles disseram-me para não ter medo porque ficariam juntos e que se protegeriam uns aos outros", disse uma mulher ao SCMP.

 

A polícia deteve 19 pessoas, na sequência de actos de violência que, na sexta-feira, levaram os líderes estudantis a cancelarem o diálogo com o governo local. Entre os detidos estão oito suspeitos de pertencerem às tríades, anunciou a polícia, dando razão às denuncias do Occupy Central que dissera que entre os atacantes havia elementos da máfia chinesa.

 

Os ataques que começaram na sexta-feira continuaram na noite e madrugada de sábado. As televisões locais mostraram pessoas com rostos ensanguentados. No total, segundo as autoridades, ficaram feridas 12 pessoas, entre as elas seis polícias. A AFP recolheu testemunhos de agressões sexuais em vários locais da cidade e noticiou que três raparigas vítimas de abusos foram assistidas por médicos.

 

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Já que lançaste o isco vou morde-lo só para ficares contente.

 

Desconheço a realidade daquela região e portanto reservo-me ao direito de não falar do que não conheço, no entanto nos ultimos anos vi em várias regiões bastante distintas do globo situações em que se seguia o mesmo guião que ali parece estar a ser seguido e sei bem a quem lucrou com o resultado desses processos. Assim e como a memória de Maidan ou por exemplo do Egipto ainda está bastante clara não posso deixar de estar de pé atrás enquanto vejo o que os media têm mostrado.

 

 

Assim e como a minha memória ainda vai funcionando, eu dali de Hong Kong, as imagens que tenho na cabeça de protestos contra o governo são as de chineses com bandeiras colonialistas Britânicas que acontecem todos os anos. Se alguem me disser que quem agora está por detrás destes processos são as mesmas pessoas que decidiram mudar de estratégia em termos de imagem de forma a ganhar simpatias no Ocidente, não ficaria admirado.

 

A China como é uma virtude das democracias os protestantes só podem mesmo ser gente fascista....o pior cego é mesmo quem não quer ver...

Editado por Burkina2008

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Essa foi a tua interpretação do texto que leste? Porra... :lol:

 

Não claro que não. Apenas acho "interessante" quando se acredita em relatos de paginas obscuras sobre o que se passa na Ucrânia mas neste caso de Hong Kong apesar de não estar totalmente informado sobre a situação aponta como sendo um grupo de "semi-fascistas" como uma grande probabilidade.

 

É quase anedótica essa capacidade....

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Guest Dpitz

Como estes protestos estão a ser vistos pela imprensa chinesa/asiática:

 

- Imprensa chinesa acusa algumas organizações não-governamentais norte-americanas de promover acções de desestabilização contra o Governo chinês;

- Investigaram as figuras do movimento "Occupy Central" e verificaram que existem vínculos que ligam os "cabecilhas" e essas ONG de fachada;

- Entre essas organizações destaca-se a Hong Kong-America Center (HKAC), cuja missão consiste em "promover o entendimento mútuo entre chineses e americanos";

- O periódico Huanqiu Shibao diz que esta ONG procura incitar os chineses a promover mudanças democráticas naquela região, prometendo apoio de Washington a quem cooperar com a ONG e, inclusivé, direito a viver e estudar nos EUA;

- O mesmo jornal diz que as agências de inteligência norte-americanas estão a tratar de exportar a experiência das "Revoluções Coloridas" (aquilo que o Antifa falou em cima) e a guerra não-convencional a Hong Kong e à China;

-Morton Holbrook, nomeado director do HKAC no final do ano passado, é um (ex-)espião da CIA com 30 anos de experiência acumulados e que é bastante próximo ao ex-secretário de defesa dos EUA Paul Wolfowitz;

- Há também quem dê importância nesta onda de protestos à Fundação Nacional para a Democracia e o Instituto Nacional Democrata para os Assuntos Internacionais, que estão em Hong Kong desde 1997, por terem um historial de desestabilização na América do Sul, principalmente na Venezuela;

- Num outro periódico foi ainda revelado que a família de um dos líderes deste protesto, Joshua Wong (17 anos, actualmente), foi convidada a ir a Macau pela Câmara do Comércio Norte-Americana em 2011;

 

O Governo chinês já deixou bem claro que isto é uma questão interna e que não quer ingerências externas neste processo, isto depois de os EUA terem expressado o seu apoio ao movimento Occuppy Central.

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