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Merkel: "Portugal tem demasiados licenciados"

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Merkel: "Portugal tem demasiados licenciados"

Chanceler alemã indica que a formação profissional deve ser o caminho para baixar o desemprego jovem em Portugal e Espanha, "que têm demasiados licenciados".

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse nesta terça-feira que países como Portugal e Espanha têm demasiados licenciados, o que faz com que não tenham noção das vantagens do ensino vocacional.

 

Citada pela agência de informação financeira Bloomberg, a chanceler alemã afirmou que o enfoque nos estudos universitários como um feito de topo da carreira é algo do qual deve haver um afastamento.

 

"Caso contrário, não conseguiremos persuadir países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados", dos benefícios do ensino vocacional, acrescentou a líder alemã, durante uma intervenção na confederação das associações patronais daquele país (BDA, na sigla em alemão).

 

De acordo com dados do gabinete de estatísticas europeu, em 2013, 25,3% da população da União Europeia entre os 15 e os 64 anos tinha completado estudos superiores, enquanto a percentagem portuguesa era de 17,6% e a alemã de 25,1%.

 

Na cabeça da lista encontrava-se a Irlanda, com 36,3% da população entre os 15 e os 64 anos licenciada, seguindo-se o Reino Unido com 35,7%, estando a Roménia (com 13,9%) e a Itália (com 14,4%) no final da lista.

 

No mesmo discurso, Merkel declarou que a economia alemã precisa de mais investimento, mas rejeitou que o seu Governo incorra num maior défice para resolver o problema.

 

"A necessidade [de novos investimentos] ainda é importante", disse Merkel.

 

Depois destas declarações da chanceler alemão, Nuno Crato já respondeu, afirmando não concordar que o país tenha licenciados a mais.

@Publico

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Não me preocupa o número de licenciados mas sim a facilidade com que eles se licenciaram.

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Esta 8 pontos percentuais abaixo da média europeia e da Alemanha, mas tem demasiado licensiado. Ta bem :lol:

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Nós só temos 1 Milhão e 700 mil de licenciados e são demasiados ?

São é demasiados licenciados de má qualidade e muitos a trabalhar fora da sua área de licenciatura.

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Esta 8 pontos percentuais abaixo da média europeia e da Alemanha, mas tem demasiado licensiado. Ta bem :lol:

tu não és um deles está visto :mrgreen:

Editado por insane1922

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Esta 8 pontos percentuais abaixo da média europeia e da Alemanha, mas tem demasiado licensiado. Ta bem :lol:

A diferença é que eles têm uma estrutura económica com maior necessidade de licenciados do que nós.

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Esta 8 pontos percentuais abaixo da média europeia e da Alemanha, mas tem demasiado licensiado. Ta bem :lol:

Nós só temos 1 Milhão e 700 mil de licenciados e são demasiados ?

São é demasiados licenciados de má qualidade e muitos a trabalhar fora da sua área de licenciatura.

e é isto.

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Demasiados licenciados? Não concordo. Existe, sim, uma dificuldade enorme, por parte do mercado laboral, em absorver os alunos que saem das universidades. Por outro lado, no geral, posso discordar do facto de haver demasiados licenciados, porém há profissões que têm demasiados profissionais desempregados, sendo que as universidades continuam a formar pessoas para essas mesmas áreas. Isto, no global, até teria uma solução óbvia, impor uma diminuição de vagas nesses cursos até o mercado de trabalho nessa área estabilizar. A isto se chama articulação. As universidades poderiam não gostar, contudo seria uma maneira de tentar combater o desemprego ou falta de emprego nessas áreas.

 

Além disso, atualmente, os licenciados não têm só conhecimentos de uma área específica, os cursos, cada vez mais, proporcionam acesso a um conhecimento mais abrangente, fazendo com que os alunos se tornem, à falta de melhor termo, polivalentes. Vou dar um exemplo que li algures, há empresas que produzem volumes de informação enormes e que têm imensa dificuldade em sintetizá-los, o que prejudica o seu trabalho, dado que têm que andar sempre a ler relatórios enormes à procura da informação que querem. Porque não contratar alguém licenciado, por exemplo em História, para fazer essa síntese? Os mais "cépticos" podem pensar, Um licenciado em História?!, sim, um licenciado em História, porque são pessoas que têm que digerir enormes quantidades de informação, acerca dos mais variados assuntos, e têm que condensá-los e estabelecer relações causais entre eles.

 

Ademais, os licenciados que estão no desemprego, quanto a mim, são prejudicados pelo facto de haver, nas empresas, pessoas que desempenham funções importantes e que não têm as competências necessárias para as desempenhar. E podemos ainda mencionar as fracas lideranças existentes em variadas empresas que, teimosamente, continuam a apostar em pessoas pouco qualificadas, uma vez que o seu vencimento será menor, ao invés de apostar em jovens com potencial e formação adequada, o que, claro, poderia implicar um investimento mais avultado. Mas, esta "miopia" impede os gestores de ver, a longo prazo, o benefício deste tipo de apostas, há uma certa "miopia para o futuro".

Editado por Vaart

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Obrigado CMPT por duplicares o meu post.

Editado por Vaart

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Merkel :prayer: :prayer: :prayer: :prayer:

 

VEM MANDAR NISTO :prayer: :prayer: :prayer: PLEASE :prayer: :prayer: :prayer:

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São é demasiados licenciados de má qualidade e muitos a trabalhar fora da sua área de licenciatura.

 

Podem fechar.

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Além disso, atualmente, os licenciados não têm só conhecimentos de uma área específica, os cursos, cada vez mais, proporcionam acesso a um conhecimento mais abrangente, fazendo com que os alunos se tornem, à falta de melhor termo, polivalentes. Vou dar um exemplo que li algures, há empresas que produzem volumes de informação enormes e que têm imensa dificuldade em sintetizá-los, o que prejudica o seu trabalho, dado que têm que andar sempre a ler relatórios enormes à procura da informação que querem. Porque não contratar alguém licenciado, por exemplo em História, para fazer essa síntese? Os mais "cépticos" podem pensar, Um licenciado em História?!, sim, um licenciado em História, porque são pessoas que têm que digerir enormes quantidades de informação, acerca dos mais variados assuntos, e têm que condensá-los e estabelecer relações causais entre eles.

Isso ao dia de hoje não faz sentido nenhum. Existem soluções tecnológicas mais eficazes, menos dispendiosas.

Essas pessoas licenciadas em história não teriam eficiência suficiente. Quanto muito essas pessoas poderiam desenvolver competências nas áreas tecnológicas de Business Intelligence/Business analytics.

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O que a tia Angela diz é uma meia-verdade/mentira.

 

Infelizmente o nosso sistema de ensino superior vive num país das maravilhas, onde se oferecem cursos superiores para tudo e mais um par de botas e a todo o tipo de alunos, dos medíocres aos excelentes.

 

Infelizmente, não existe uma articulação entre o mundo real, aka mercado de trabalho, e o que é oferecido pelas universidades.

 

Continuarei a defender que a educação superior não é para quem quer mas sim para quem pode. Não faz sentido o Estado desperdiçar constantemente recursos (dinheiro) em autênticos (re)cursos que não oferecem nada ao mercado de trabalho. Se pensarmos sobre este assunto chegamos rapidamente à conclusão que, com a mesma pessoa, o Estado acaba por ter uma dupla despesa: o dinheiro que esse aluno custa a formar + o dinheiro que ele vai custar por engrossar a lista de desemprego. Só pode estudar no ensino superior quem tem reais capacidades. O Estado não pode financiar cursos a todos. Os exames de acesso devem ser mais exigentes, o número de vagas menores, pois só assim filtramos aqueles que têm capacidade para fazer um BOM curso superior e não arrastar-se na faculdade. Devem, ainda, existir claras regras para os que se arrastam na faculdade sem fazer nada digno de registo.

 

Todos os anos deviam olhar para os índices de desemprego jovem e perceber quais são as áreas que o mercado está a absorver e quais as que não está. Mais, uma entidade independente das faculdades devia fazer um follow-up no final dos X anos de curso e avaliar alguns aspectos: (i) qual é a taxa de empregabilidade daquele curso? (ii) quanto tempo, em média, é que o aluno demorou a entrar no mercado de trabalho (na área do curso); (iii) Qual a % de alunos que tiveram de ir para o estrangeiro; (iv) qual a % de alunos que teve de optar por uma outra área.

 

Com base nestes dados, os cursos que abrissem nos anos seguintes deviam limitar o número de vagas que oferecem ou simplesmente não abrir qualquer vaga. Que sentido faz a Faculdade de Direito de Lisboa (Clássica) continuar a acolher 600 alunos de direito por ano? Nenhum.

 

Percebo que alguns possam jogar a carta dos direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade etc. Reconheço méritos nessa argumentação, mas julgo que o facto de ser terminar com determinados cursos/restringir a entrada nos mesmos (sector público) não põe em causa esses direitos.

 

Em suma, temos um sistema de ensino superior desfasado da realidade. Um sistema que, apesar de tentar acompanhar as novas tendências/exigências do mercado, não consegue cortar com determinadas amarras do passado. Um sistema que, em muitos casos, limita-se a vender um canudo, oferecendo conteúdos programáticos fracos e com um grau de exigência patético. Temos um sistema para as massas, sem qualquer cuidado com o estudante enquanto individuo. Lembro-me de quando optei pela Católica (Direito) o Reitor disse algo que achei muito curioso: "Vocês aqui não são um número, são pessoas". E foi a mais pura das verdades. Com menos alunos (100 vs. 600 [clássica] no momento da entrada), a UCP oferece um acompanhamento muito mais próximo. Lembro-me de estar a terminar o curso e receber uma chamada da Galp a perguntarem quando é que estaria disponível para marcar uma entrevista. Eu não lhes tinha enviado o CV, foi a faculdade e tentar enquadrar-me no mercado de trabalho de acordo com as preferências que havia expressado. Tenho imensos colegas que ficaram a trabalhar nos escritórios onde fizeram "clínicas legais" no 2.º, 3.º e 4.º da faculdade (isto é, passar umas horas por semana num escritório de advogados para ir, lentamente, entrando no mercado) e tantas outras mais iniciativas.

 

Sou apologista deste tipo de acompanhamento. Actualmente, nas faculdades públicas que conheço, este acompanhamento é feito "às três pancadas". Certo, existem departamentos só para este efeito. Contudo, os que conheço, não funcionam. E é normal que não funcionem. As nossa faculdades parecem fábricas que se limitam a despejar licenciados (sejam bons ou maus, vai tudo no mesmo pacote) para o mercado de trabalho. Não existe um cuidado para enquadrar os alunos no mercado. Não existe um cuidado das faculdades em garantir que aquilo que os alunos estudam está enquadrado com o que o mercado pede.

 

Em todo o caso, continuaremos a financiar cursos "sem saída" quando devíamos aproveitar esses recursos para reforçar o investimento em cursos fundamentais. Uma reorganização/reestruturação é FUNDAMENTAL, pois temos de dar a devida importância (no orçamento) aos cursos "com futuro" e que garantam empregabilidade aos seus estudantes.

 

E como se isto já não fosse tudo demasiado complicado, temos ainda o problema de mentalidades da nossa sociedade. Todos temos de ser Drs. e Eng.ºs. Só é gente quem tem um canudo, seja de que universidade for, seja com que aproveitamento escolar for, seja que curso for. Interessa é ter o canudo. Depois ouvimos aquelas queixas completamente vergonhosas "Andei eu a pagar um curso e agora não tenho emprego!! Andei X anos a estudar para agora trabalhar [inserir estereotipo qualquer de trabalho que, apesar de válido, é visto pela sociedade com um trabalho de 2.ª ou de 3.ª]." Mais recentemente veio a moda do "Andei a estudar X anos para agora ir para o estrangeiro".

 

Na cabeça desta gente o Estado tem de ser a muleta para tudo: tem de garantir um ensino superior a um preço irrisório (face ao custo real que o aluno representa para o Estado) e tem, ainda, de garantir emprego. Se calhar parte do problema está aqui...A outra parte está no facto do Estado andar há anos a desperdiçar dinheiro em "cursos".

 

TL;DR: Temos um ensino superior desfasado das exigências de mercado. Temos cursos que não deviam existir. Temos cursos que admitem demasiados alunos. Esses fundos poderiam ser direccionados a cursos com "mais saída". Em Portugal todos têm a mania que para serem alguem na vida precisam de ser Drs. ou Eng.ºs.

Editado por w0

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No meu trabalho vê-se bem como o pessoal recém-licenciado chega. Parece que não conseguem puxar pela cabecinha antes de perguntar as coisas. São uns atadinhos que jazus.

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Visitante

O que a tia Angela diz é uma meia-verdade/mentira.

 

 

Sem dúvida o melhor post até agora, só não compreendo o porquê de o que a Merkel disse ser uma meia-verdade/mentira :confuso:

Ninguém aqui com uma empresa industrial iria investir em mais matéria prima do que apenas aquela que necessita, mesmo que que essa matéria prima ainda esteja em menor número do que a adquirida pelas outras empresas do sector. Então, sendo lógico investirmos apenas em quantidades que precisamos, porque é que não se há de admitir que há demasiados licenciados para o mercado de trabalho que existe em Portugal? É que nem falo naqueles cursos fraquinhos que à partida não têm saída e servem para duas coisas: dar dinheiro aos politécnicos/universidades e dar o canudo a pessoas que de outra forma não o teriam.

 

inb4, vem o Boo dizer que só digo asneiras e que dá para compreender muita coisa, blá blá, duas bufas e sai de fininho

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(1) onde se oferecem cursos superiores para tudo e mais um par de botas e a todo o tipo de alunos, dos medíocres aos excelentes. I

 

(2) não existe uma articulação entre o mundo real, aka mercado de trabalho, e o que é oferecido pelas universidades. Continuarei a defender que a educação superior não é para quem quer mas sim para quem pode. Não faz sentido o Estado desperdiçar constantemente recursos (dinheiro) em autênticos (re)cursos que não oferecem nada ao mercado de trabalho.

 

(3) Os exames de acesso devem ser mais exigentes, o número de vagas menores, pois só assim filtramos aqueles que têm capacidade para fazer um BOM curso superior e não arrastar-se na faculdade. Devem, ainda, existir claras regras para os que se arrastam na faculdade sem fazer nada digno de registo.Todos os anos deviam olhar para os índices de desemprego jovem e perceber quais são as áreas que o mercado está a absorver e quais as que não está.

 

(4) Mais, uma entidade independente das faculdades devia fazer um follow-up no final dos X anos de curso e avaliar alguns aspectos: (i) qual é a taxa de empregabilidade daquele curso? (ii) quanto tempo, em média, é que o aluno demorou a entrar no mercado de trabalho (na área do curso); (iii) Qual a % de alunos que tiveram de ir para o estrangeiro; (iv) qual a % de alunos que teve de optar por uma outra área.Com base nestes dados, os cursos que abrissem nos anos seguintes deviam limitar o número de vagas que oferecem ou simplesmente não abrir qualquer vaga.

 

(5) Em suma, temos um sistema de ensino superior desfasado da realidade. Um sistema que, apesar de tentar acompanhar as novas tendências/exigências do mercado, não consegue cortar com determinadas amarras do passado. Um sistema que, em muitos casos, limita-se a vender um canudo, oferecendo conteúdos programáticos fracos e com um grau de exigência patético. Temos um sistema para as massas, sem qualquer cuidado com o estudante enquanto individuo. Lembro-me de quando optei pela Católica (Direito) o Reitor disse algo que achei muito curioso: "Vocês aqui não são um número, são pessoas". E foi a mais pura das verdades.

 

 

(6) Sou apologista deste tipo de acompanhamento. Actualmente, nas faculdades públicas que conheço, este acompanhamento é feito "às três pancadas". Certo, existem departamentos só para este efeito. Contudo, os que conheço, não funcionam. E é normal que não funcionem. As nossa faculdades parecem fábricas que se limitam a despejar licenciados (sejam bons ou maus, vai tudo no mesmo pacote) para o mercado de trabalho. Não existe um cuidado para enquadrar os alunos no mercado. Não existe um cuidado das faculdades em garantir que aquilo que os alunos estudam está enquadrado com o que o mercado pede.Em todo o caso, continuaremos a financiar cursos "sem saída" quando devíamos aproveitar esses recursos para reforçar o investimento em cursos fundamentais. Uma reorganização/reestruturação é FUNDAMENTAL, pois temos de dar a devida importância (no orçamento) aos cursos "com futuro" e que garantam empregabilidade aos seus estudantes.

 

(1) A atual oferta de cursos só existe porque eles foram aprovados pela Direção Geral de Ensino Superior (DGES), não nascendo, portanto, por geração espontânea sempre que a direção de uma universidade tem uma ideia. Portanto, há aqui uma responsabilidade do Ministério da Educação e Ciência (MEC). A aprovação de cursos devia de obedecer a critérios mais rígidos, especialmente ao nível da pertinência do curso, adequação das unidades curriculares, currículo dos docentes, etc.;

 

(2) Essa ligação entre o mundo laboral/mundo académico não existe, porque ninguém dá valor a isso. Todos falam dessa articulação, mas ninguém quer saber dela para nada, é o chamado para inglês ver. As universidades têm os seus interesses e as empresas também, sendo que nenhuma destas partes quer abdicar das suas exigências. Ao nível daquilo que falei acima, gestão das vagas nos cursos em termos da percentagem de desemprego na área, isso, quanto a mim, seria fundamental para ajudar à empregabilidade em certas áreas que estão sufocadas;

 

(3) Discordo quanto à exigência dos exames. Eles, por si só, já têm um grau de dificuldade elevado, não é preciso apertar ainda mais o crivo. O problema, quanto a mim, está no número de vagas que os cursos têm e na pertinência dos mesmos. Há cursos que são criados, mas cuja aplicação prática é nula ou muito residual. O problema é que somando esses valores residuais verificamos que eles são significativos nas taxas de desemprego. Além disso, cursos com vagas "para dar e vender", mesmo que se dividam os alunos em várias turmas, servem, somente, para fazer uma espécie de linha de montagem, sem haver um acompanhamento específico e não se atendendo às características individuais de cada aluno. Isto dito por alto parece ser um lugar comum, mas o acompanhamento dos alunos é fundamental para a sua formação profissional, nem digo académica;

 

(4) Os cursos são avaliados, em períodos de tempo regulares, por uma organização independente a AE3S que, mediante um conjunto de indicadores, diminui as vagas disponíveis, sugere modificações na estrutura do curso ou simplesmente encerra-o. Aliás, posso-te dizer que na última avaliação foram encerrados todos os doutoramentos em Psicologia de universidades privadas ou foi-lhes retirado o reconhecimento científico. Penso que o ISPA foi a única universidade privada que não foi apanhada nesta situação. Nas universidades públicas, para o mesmo ciclo de estudos, verificou-se uma diminuição das vagas, justificando-se com a necessidade de acompanhar mais de perto os alunos. Isto, na minha opinião, foi uma decisão sensata, todavia as universidades ficaram bastante insatisfeitas;

 

(5) O sistema está viciado, é verdade. Eu defendo uma educação tendencialmente gratuita, mas que não se limite única e simplesmente a passar os alunos de ano para ano até ao final do curso. Tem que haver um grau de exigência a ser cumprido para justificar o investimento que o Estado faz no Ensino Superior. Em várias conversas mantidas com colegas meus estamos a chegar a uma triste conclusão, as últimas fornadas de alunos a ingressar no Ensino Superior são manifestamente inferiores à nossa geração, estão mal preparados, não têm vontade de se preparar, vão para as aulas fazer fretes, não sabem escrever corretamente, não se preocupam com as notas, não mostram interesse, etc. Dificilmente se conseguem aproveitar mais de 5 alunos, quer na licenciatura, quer nos mestrados. Eu, por exemplo, licenciei-me numa universidade privada e tive um acompanhamento extraordinário, o que ajudou no meu rendimento académico, mas também na minha formação profissional. Graças ao muito que aprendi/desenvolvi nessa altura é que, neste momento, estou na posição em que estou. Todavia, se tivesse estudo no público, tenho a perfeita noção que o apoio (acompanhamento) iria ser muito menor e provavelmente os conhecimentos adquiridos seriam muito piores. Nem me refiro às notas, porque elas continuaram praticamente na mesma, mas a evolução orientada para o mundo profissional seria pior;

 

(6) Há vários serviços úteis nas universidades, o problema é que não se fazem uso deles. Vou dar um exemplo que se passou na quarta-feira. Uma colega ligou-me porque enviou um email para o gabinete de inserção profissional da minha antiga universidade, solicitando um estagiário para a empresa onde trabalha. Ainda não lhe tinham respondido e já lá iam duas semanas. Para quem não sabe, nesta altura do ano, as universidades começam a facultar aos seus alunos os estágios curriculares, portanto têm todo o interesse nestas situações. A urgência da empresa era alguma, portanto eu ajudei-a, liguei a um antigo professor que pediu o email e depois o reencaminhou, com autorização do departamento, para os alunos do último ano. Possivelmente, se isto não tem acontecido, a minha colega ainda teria muito que esperar por uma resposta. Ora, se a necessidade da empresa era grande e se a universidade necessita de locais para colocar os seus estagiários, porque não foi dada prioridade a esta situação? O sistema precisa de ser atualizado, não tenho dúvidas nenhumas, mas caso isso venha a acontecer, irão haver enormes resistências à mudança (especialmente por parte das universidades e dos lobbies que as compõem) e temo que, por causa disso, nunca se cheguem a fazer mudanças de fundo. Infelizmente para os alunos, para as universidades, para as empresas e para o futuro do País.

 

No meu trabalho vê-se bem como o pessoal recém-licenciado chega. Parece que não conseguem puxar pela cabecinha antes de perguntar as coisas. São uns atadinhos que jazus.

 

kareca, isso pode não se dever somente ao facto de serem "recém-licenciados", mas sim porque não se sabem desenrascar e isso já parte da personalidade das pessoas. Por outro lado, algumas universidades/faculdades/cursos não estimulam a autonomia e pro-atividade dos estudantes, ajudando a que eles se tornem em receptores de informação passivos.

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neste site dá para ver algumas licenciaturas interessantes

http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/OfertaFormativa/CursosConferentesDeGrau/CiclosAutorizados/

 

 

Educação Ambiental e Cultural

 

Design de comunicação

 

Ciencias do consumo

 

Turismo Sustentavel

 

Estudos Europeus, Estudos Lusófonos

 

:mrgreen:

 

Uma amiga minha tirou isso.

 

Agora faz faturas na Galp.

Editado por Mr. Bacano

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(1) A atual oferta de cursos só existe porque eles foram aprovados pela Direção Geral de Ensino Superior (DGES), não nascendo, portanto, por geração espontânea sempre que a direção de uma universidade tem uma ideia. Portanto, há aqui uma responsabilidade do Ministério da Educação e Ciência (MEC). A aprovação de cursos devia de obedecer a critérios mais rígidos, especialmente ao nível da pertinência do curso, adequação das unidades curriculares, currículo dos docentes, etc.;

 

Só faltou indicar que tudo se move por interesses. Nenhuma universidade está disposta a abdicar de cursos/vagas. A aprovação de cursos devia obedecer, antes de tudo, às necessidades do mercado de trabalho português. Só com isso já ficava satisfeito.

 

(2) Essa ligação entre o mundo laboral/mundo académico não existe, porque ninguém dá valor a isso. Todos falam dessa articulação, mas ninguém quer saber dela para nada, é o chamado para inglês ver. As universidades têm os seus interesses e as empresas também, sendo que nenhuma destas partes quer abdicar das suas exigências. Ao nível daquilo que falei acima, gestão das vagas nos cursos em termos da percentagem de desemprego na área, isso, quanto a mim, seria fundamental para ajudar à empregabilidade em certas áreas que estão sufocadas;

 

É uma ligação que existe em algumas universidades privadas. Falando da minha experiência, essa articulação começa desde o primeiro dia até ao dia em que te fixas no mercado de trabalho. No meu caso, havia uma ligação muito próxima com os grandes escritórios de advogados de Lisboa e, ainda, com os departamentos jurídicos das grandes empresas a actuarem em Portugal. Muita gente estava contratada a meio do último ano. O interesse das empresas é contratar alunos que possam ser profissionais de excelência. O interesse de algumas universidades é receber a propina no fim do mês sem ter de se chatear muito. A bola está, claramente, do lado das Universidades.

 

(3) Discordo quanto à exigência dos exames. Eles, por si só, já têm um grau de dificuldade elevado, não é preciso apertar ainda mais o crivo. O problema, quanto a mim, está no número de vagas que os cursos têm e na pertinência dos mesmos. Há cursos que são criados, mas cuja aplicação prática é nula ou muito residual. O problema é que somando esses valores residuais verificamos que eles são significativos nas taxas de desemprego. Além disso, cursos com vagas "para dar e vender", mesmo que se dividam os alunos em várias turmas, servem, somente, para fazer uma espécie de linha de montagem, sem haver um acompanhamento específico e não se atendendo às características individuais de cada aluno. Isto dito por alto parece ser um lugar comum, mas o acompanhamento dos alunos é fundamental para a sua formação profissional, nem digo académica;

 

Os exames de acesso, pelo menos da minha área, eram patéticos. Eu fui fazer Português A "só porque sim", visto que tinha feito os exames franceses e a Católica aceitava-os. Achei o exame ridiculamente acessível. Hoje em dia, do que vou apanhando ocasionalmente na televisão, fico com a mesma sensação. Estes exames deviam ser o ultimate filter antes dos alunos entrarem na faculdade. Agora o seu peso tem de ser diluído. Isto é, não faz sentido uma exigência tão grande, quase num tudo ou nada, e isso substituir-se aos anos de formação continua que um aluno tem. Mas esse é outro ponto: em Portugal não há, no geral, exigência suficiente com os alunos. É vergonhoso ver que muitas escolas "dão notas" (até podia estar sem ser entre aspas). Mas a reforma do ensino devia começar quase nos 3 anos, porque o ensino em Portugal é para lá de vergonhoso. Eu via isso quando andava na escola e discutia algumas coisas com os meus amigos do ensino português. Era confrangedor. Claro que não é assim em todo o lado, mas é uma realidade em demasiados sítios.

 

Claramente o número de vagas deve ser ponderado com base no que o mercado consegue absorver. E isso leva a que outros cursos tenham de acabar URGENTEMENTE. Essa imagem da linha de montagem é perfeita, porque é isso mesmo que acontece: exame nacional > arrastar nas aulas > safar-se nos exames > receber o canudo. Pagaste as propinas? Ok, adeus e até à próxima.

 

(4) Os cursos são avaliados, em períodos de tempo regulares, por uma organização independente a AE3S que, mediante um conjunto de indicadores, diminui as vagas disponíveis, sugere modificações na estrutura do curso ou simplesmente encerra-o. Aliás, posso-te dizer que na última avaliação foram encerrados todos os doutoramentos em Psicologia de universidades privadas ou foi-lhes retirado o reconhecimento científico. Penso que o ISPA foi a única universidade privada que não foi apanhada nesta situação. Nas universidades públicas, para o mesmo ciclo de estudos, verificou-se uma diminuição das vagas, justificando-se com a necessidade de acompanhar mais de perto os alunos. Isto, na minha opinião, foi uma decisão sensata, todavia as universidades ficaram bastante insatisfeitas;

 

A avaliação dos cursos é vergonhosa. Tenho um primeiro que fazia parte dessa comissão e sei bem de como as coisas eram feitas. Os indicadores são uma vergonha e são raros os casos (como os que falas) em que existe, efectivamente, uma adequação dos cursos à realidade. Os cursos deviam ser avaliados anualmente e o primeiro critério tem de ser a empregabilidade na área. Agora uma avaliação que vai, essencialmente, promover alterações cosméticas...é a velha conversa dos grandes interesses das universidades.

 

(5) O sistema está viciado, é verdade. Eu defendo uma educação tendencialmente gratuita, mas que não se limite única e simplesmente a passar os alunos de ano para ano até ao final do curso. Tem que haver um grau de exigência a ser cumprido para justificar o investimento que o Estado faz no Ensino Superior. Em várias conversas mantidas com colegas meus estamos a chegar a uma triste conclusão, as últimas fornadas de alunos a ingressar no Ensino Superior são manifestamente inferiores à nossa geração, estão mal preparados, não têm vontade de se preparar, vão para as aulas fazer fretes, não sabem escrever corretamente, não se preocupam com as notas, não mostram interesse, etc. Dificilmente se conseguem aproveitar mais de 5 alunos, quer na licenciatura, quer nos mestrados. Eu, por exemplo, licenciei-me numa universidade privada e tive um acompanhamento extraordinário, o que ajudou no meu rendimento académico, mas também na minha formação profissional. Graças ao muito que aprendi/desenvolvi nessa altura é que, neste momento, estou na posição em que estou. Todavia, se tivesse estudo no público, tenho a perfeita noção que o apoio (acompanhamento) iria ser muito menor e provavelmente os conhecimentos adquiridos seriam muito piores. Nem me refiro às notas, porque elas continuaram praticamente na mesma, mas a evolução orientada para o mundo profissional seria pior;

 

O problema é que o Estado só tem prejuízo nesta relação. Revolta-me que os meus impostos sirvam para aguentar os parasitas que fazem esses fretes nas aulas e cujo aproveitamento é muito reduzido. O acompanhamento nesta fase é fundamental. A verdade é que no público esse acompanhamento não existe. Uma rapariga que está num mestrado na católica e que tinha vindo de uma licenciatura da clássica dizia-me que estava surpreendida com o nível de acompanhamento e que assim limitava-se a preocupar em estudar e aproveitar o mestrado. Tudo o resto é tratado pelo secretariado. Essa é outra, já tem 2 propostas e ainda o Mestrado vai no inicio.

 

(6) Há vários serviços úteis nas universidades, o problema é que não se fazem uso deles. Vou dar um exemplo que se passou na quarta-feira. Uma colega ligou-me porque enviou um email para o gabinete de inserção profissional da minha antiga universidade, solicitando um estagiário para a empresa onde trabalha. Ainda não lhe tinham respondido e já lá iam duas semanas. Para quem não sabe, nesta altura do ano, as universidades começam a facultar aos seus alunos os estágios curriculares, portanto têm todo o interesse nestas situações. A urgência da empresa era alguma, portanto eu ajudei-a, liguei a um antigo professor que pediu o email e depois o reencaminhou, com autorização do departamento, para os alunos do último ano. Possivelmente, se isto não tem acontecido, a minha colega ainda teria muito que esperar por uma resposta. Ora, se a necessidade da empresa era grande e se a universidade necessita de locais para colocar os seus estagiários, porque não foi dada prioridade a esta situação? O sistema precisa de ser atualizado, não tenho dúvidas nenhumas, mas caso isso venha a acontecer, irão haver enormes resistências à mudança (especialmente por parte das universidades e dos lobbies que as compõem) e temo que, por causa disso, nunca se cheguem a fazer mudanças de fundo. Infelizmente para os alunos, para as universidades, para as empresas e para o futuro do País.

 

 

Uma vergonha que devia ser reportada. O responsável por esse serviço devia ser posto no olho da rua. Esse tipo de situações são demasiado comuns na Função Pública em Portugal pq ninguém é responsabilizado. Eu tenho conhecidos na FP e apesar de saber que é polémica a afirmação que vou fazer, a FP, enquanto um todo, é um dos maiores cancros do Estado. Não existe um sistema de responsabilização pelos actos/omissões dos trabalhadores e sempre foram demasiado protegidos. O resultado é que a maioria das coisas funciona mal. Mas isto vem do topo da hierarquia. Os que estão na base da pirâmide seguem maus exemplos. O resultado é desastroso para o país...

 

---

 

Eliot desculpa. É uma meia verdade pelo que referi nos meus posts. É uma meia mentira porque não deve ser cortado cegamente. Ou seja, Portugal tem de continuar a formar gente boa, com uma sólida formação superior. Mas temos é de fazê-lo bem (com base no que disse anteriormente). Ou seja, se eu ler aquela informação a seco, parece que ela quer cortar a direito e tornar-nos "menos formados". A formação é chave, seja a que nível for. A boa formação é condição essencial para o futuro.

Editado por w0

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Eu só deixo uma adenda aos meus posts, apesar das críticas apontadas, lá fora continuamos a ter uma boa reputação relativamente ao nível dos nossos licenciados e investigadores. É uma coisa absurdamente estranha, por exemplo, ver investigadores portugueses a fazerem trabalhos notáveis e cá dentro ninguém saber quem eles são.

 

Se a nossa reputação é boa mesmo com as limitações acima apresentadas, imaginem como não seria se o sistema funcionasse melhor.

Editado por Vaart

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Num país com pouquissimos recursos naturais temos que investir é nas pessoas. podemos ser é um país de mão de obra barata ou de mão de obra especializada. Para a Alemanha covinha-lhes que fossemos um país de mão de obra barata. Portanto so temos que os mandar f*der.

 

Agora a realidade é que a Economia atual não consegue absorver todos os licenciados. Isso de dizerem que somos um país de doutores e eng's é treta. É muito mais o contrário. Podemos comparar o nosso caso com o da Irlanda, a diferença é que na Irlanda a economia potenciou-se de forma a que o setor dos serviços conseguisse absorver muitas das pessoas.

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