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Gui Fla

Museu Nacional do Brasil é completamente destruído por grande incêndio

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Incêndio de grandes proporções destrói o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista

Ainda não há informações sobre as causas do fogo; ninguém se feriu, mas a maior parte do acervo foi destruída. Instituição tem 200 anos de história e foi residência de um rei e dois imperadores.

 

Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.

O fogo começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e foi controlado no fim da madrugada desta segunda-feira (3). Mas pequenos focos de fogo seguiam queimando partes das instalações da instituição que completou 200 anos em 2018 e já foi residência de um rei e dois imperadores.

A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade.

Segundo a assessoria de imprensa do museu e o Corpo de Bombeiros, não há feridos. Apenas quatro vigilantes estavam no local, mas eles conseguiram sair a tempo.

As causas do fogo, que começou após o fechamento para a visitantes, serão investigadas. A Polícia Civil abriu inquérito e repassará o caso para que seja conduzido pela Delegacia de Repressão a Crimes de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, da Polícia Federal, que irá apurar se o incêndio foi criminoso ou não.

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MAIS INFORMAÇÕES NO LINK: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2018/09/02/incendio-atinge-a-quinta-da-boa-vista-rio.ghtml
 

Caros amigos portugueses, postei esta notícia aqui no CMPT pois esta é uma tragédia não só para a história do Brasil, mas para a história de Portugal também. O prédio do museu é um palácio construído por D. João VI, quando este veio morar no Brasil, fugindo de Napoleão. A carta de independência do Brasil foi assinada neste palácio. Foi residência do Rei de Portugal e de dois Imperadores brasileiros, sendo lugar de nascimento de D. Pedro II. Este edifício, e muitos artigos que lá estavam, representava um elo histórico entre Brasil e Portugal. O palácio estava completando 200 anos em 2018.

Peças importantíssimas estavam lá: O esqueleto completo do maior dinossauro achado no Brasil, os fósseis mais antigos de um ser humano encontrado no Brasil (11,5 mil anos), a coleção de antiguidades egípcias, gregas e romanas de D. Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina, era o maior acervo de múmias no mundo fora do Egito, documentos históricos, a mobília que foi usada pelo Rei e pelos Imperadores, além de outras raridades de valor cultural imensurável. Tudo reduzido à cinzas. Eram 21 milhões de peças no total.

O prédio também era usado para fins de pesquisa, sendo a instituição científica mais antiga do país.

Enfim, um incêndio destruindo grande parte do passado do país é algo muito simbólico para o momento atual da nação.

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Esta imagem da estátua de D. Pedro II, de costas para o fim de parte da história do Brasil, tem uma simbologia imensa...

Editado por Gui Fla
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Uma tragédia cultural causada por falta de cuidado para com a cultura. Um grande abraço aos brasileiros do fórum porque realmente é uma grande perda

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Do que vi tinham cerca do equivalente a 900€/mês para o funcionamento do museu. É uma perda enorme.

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Citação de Sumudica by Night, há 14 minutos:

Uma thread com algumas das obras perdidas.

Lamentável. O meteorito resistiu ao fogo e fala-se que alguns artigos conseguiram ser salvos.

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Terrível...

E a simbologia do acontecimento é realmente surpreendente.

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Já agora, dizer só que as declarações do presidente da República Portuguesa sobre este acontecimento são de uma falta de nível terrível. O acervo perdido era importantíssimo para Portugal, sim, mas também para o Brasil, a America Latina e o Mundo, mas o nosso presi lamenta que se tenha perdido perdido o local onde moraram várias famílias reais portuguesas. Apenas isso. Uma falta de tacto.

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Ele disse:

Tinha património que, além de ser fundamental para a história do Brasil, da América Latina, da América em geral e do mundo, nos dizia muito também a nós portugueses"

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Sim, mas o grande destaque das declarações dele foi precisamente a perda para Portugal porque lá moraram quatro monarcas portugueses, dando foco principalmente a este facto. Podem discordar, mas entendo isto como uma falta de tacto terrível em todo este contexto.

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Citação de Black Hawk, há 1 hora:

Sim, mas o grande destaque das declarações dele foi precisamente a perda para Portugal porque lá moraram quatro monarcas portugueses, dando foco principalmente a este facto. Podem discordar, mas entendo isto como uma falta de tacto terrível em todo este contexto.

Mas faz sentido que o Presidente da Republica Portuguesa se foque mais na perspectiva da perda que isto se traduz  para Portugal, em particular, e menos para a generalidade da Humanidade. Por isso não vejo aqui uma grande falta de tacto.

E não estou a dizer que aprecie particularmente este estilo "pouco institucional" do Marcelo (nem sequer tenho bem uma opinião formada sobre isso). Mas neste caso em concreto, acho que estas a exagerar (na minha opinião, claro, mas percebo que tenhas outra forma de avaliar) :22_stuck_out_tongue_winking_eye: 

 

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Citação de Homem do Bussaco, há 21 horas:

Mas faz sentido que o Presidente da Republica Portuguesa se foque mais na perspectiva da perda que isto se traduz  para Portugal, em particular, e menos para a generalidade da Humanidade. Por isso não vejo aqui uma grande falta de tacto.

E não estou a dizer que aprecie particularmente este estilo "pouco institucional" do Marcelo (nem sequer tenho bem uma opinião formada sobre isso). Mas neste caso em concreto, acho que estas a exagerar (na minha opinião, claro, mas percebo que tenhas outra forma de avaliar) :22_stuck_out_tongue_winking_eye: 

 

Não sei se fará sentido que se foque na perda para Portugal quando se trata de um acontecimento desta dimensão. Feitas as devidas diferenças, seria algo semelhante a que no rescaldo do 11 Setembro viesse um presidente lamentar a perda de cinco vidas portuguesas no meio das três mil que perderam a vida, deixando toda a tragédia envolvente num segundo plano.

 

É que se notarmos bem a nível de perdas, o Brasil perdeu memórias de quase 200 anos de história. O Brasil não tem 200 anos de história enquanto país independente. Ou seja, desapareceram memórias de quase toda a sua história. Perdeu-se o local onde se reuniu a assembleia constituinte do Brasil. Perdeu-se a primeira instituição científica do Brasil.

 

No que respeita ao continente americano, perderam-se esqueletos e fósseis únicos que permitiam entender a forma como foi feita a expansão do ser humano em passados pré-históricos. Por exemplo, alguns deles eram os únicos elementos que apontavam para a possibilidade de uma vaga migratória bastante antiga vinda de África, possivelmente anterior à que veio da Ásia. Com o incêndio, essas provas desapareceram, deixando em mistério se alguma vez ocorreu de facto.

 

Perderam-se registos de línguas nativas da América do Sul que já não existem em mais nenhum lugar. Lembro-me de ler há muitos anos que havia lá uma coleção de registos escritos e áudio de línguas, cantigas e conversas em línguas mortas que já ninguém fala, e que possivelmente se perderam para sempre. Poderemos nunca mais saber como falavam esses povos, quais as suas tradições, lendas e cultura. Perderam-se artefactos de tribos que eram os únicos elementos que nos permitiam saber que eles alguma vez existiram.

 

Perderam-se fósseis de espécies extintas que não existiam em mais nenhum lugar e que permitiam compreender melhor algumas das espécies existentes nos dias de hoje, além de serem para já as únicas provas da ligação entre espécies ancestrais extintas e espécies contemporâneas.

 

No meio disto tudo, o Marcelo lembra-se de realçar como facto principal a perda para Portugal por o edifício ter sido morada de 4 dos 35 reis de Portugal...? Não o sendo, obviamente, isso quase que passa por algo residual em tudo o que se perdeu!

Editado por Black Hawk
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Citação de Black Hawk, há 23 horas:

Sim, mas o grande destaque das declarações dele foi precisamente a perda para Portugal porque lá moraram quatro monarcas portugueses, dando foco principalmente a este facto. Podem discordar, mas entendo isto como uma falta de tacto terrível em todo este contexto.

Sinto como que uma lufada de ar fresco o facto de poder discordar abertamente de ti, já que habitualmente estamos de acordo na maioria dos assuntos.

Eu acho muito bem que o Marcelo se tenha focado na perspetiva portuguesa desta tragédia. Afinal ele é o Presidente da República Portuguesa, eleito pelos portugueses. Não é o Presidente do Brasil, nem o Presidente da América Latina, nem o Presidente da América, nem o Presidente do Mundo.

Deve registar a perda em termos globais mas focar-se na perda para Portugal e os portugueses.

Pegando no teu último post, eu considero que no rescaldo do 11 de Setembro o Presidente da República Portuguesa se deveria focar em primeiro lugar na perda de 5 vidas portuguesas. Tal como nos atos terroristas ocorridos em França lhe cabe salientar as vidas portuguesas que se perderam.

Eu percebo o teu purismo científico, se me permites que assim o classifique, mas o Presidente da República não é historiador. Nem cientista, nem economista, nem advogado, nem médico. O Presidente da República é político, representa o país e os portugueses, e fala em seu nome. É essa a sua função.

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Citação de Descartes, Em 05/09/2018 at 23:14:

Sinto como que uma lufada de ar fresco o facto de poder discordar abertamente de ti, já que habitualmente estamos de acordo na maioria dos assuntos.

Eu acho muito bem que o Marcelo se tenha focado na perspetiva portuguesa desta tragédia. Afinal ele é o Presidente da República Portuguesa, eleito pelos portugueses. Não é o Presidente do Brasil, nem o Presidente da América Latina, nem o Presidente da América, nem o Presidente do Mundo.

Deve registar a perda em termos globais mas focar-se na perda para Portugal e os portugueses.

Pegando no teu último post, eu considero que no rescaldo do 11 de Setembro o Presidente da República Portuguesa se deveria focar em primeiro lugar na perda de 5 vidas portuguesas. Tal como nos atos terroristas ocorridos em França lhe cabe salientar as vidas portuguesas que se perderam.

Eu percebo o teu purismo científico, se me permites que assim o classifique, mas o Presidente da República não é historiador. Nem cientista, nem economista, nem advogado, nem médico. O Presidente da República é político, representa o país e os portugueses, e fala em seu nome. É essa a sua função.

Não é comum, de facto 😄

 

Entendo perfeitamente o teu ponto de vista, nem sequer discordo (totalmente) dele. Temos visões um ponto discordantes no papel de um presidente da República. Eu, pelo menos, entendo que no mundo globalizado em que vivemos já não se justifica que um presidente de República se limite ao papel de "presidente dos portugueses"; certo, é o que ele é em termos práticos, mas preferia ser representado por alguém com uma visão mais abrangente dos fenómenos e que numa situação deste género tivesse um discurso mais globalizado - que realçasse as perdas para Portugal mas que não se ficasse por aí. No caso em apreço, que não se ficasse por realçar uma perda menor no bolo da destruição que deixou o mundo mais pobre. O mesmo mundo do qual fazemos parte e, por inerência, também nós ficámos mais pobres com tudo o que se perdeu.

 

Considero, por exemplo, que é uma perda mais significativa para nós, portugueses, a perda do acervo relativo às culturas indígenas do território brasileiro porque fomos nós quem em primeira instância contactámos com elas e as englobámos no "velho mundo". A perda desses elementos apaga alguns dos vestígios dos nossos contactos com elas, ou pelo menos, conforme os casos, dos povos com quem contactámos. É uma perda mais relevante para a nossa história do que o edifício onde moraram um punhado de monarcas portugueses.

 

Mas pah, como te disse acima, compreendo a tua posição sobre o assunto.

Editado por Black Hawk
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