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FC Barcelona e La Masia: que futuro?

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FC BARCELONA E LA MASIA: QUE FUTURO?

Um Barcelona 'milionário' e uma La Masia na escuridão: a crise de identidade em Can Barça

O futebol sofreu uma transformação daquelas. Hoje em dia, é visto como um negócio por todos os envolvidos. Jogadores, agentes, dirigentes. São milhares de milhões que envolvem o dia-a-dia do desporto-rei, dentro e fora. Realizam-se transferências astronómicas aos pontapés, rubricam-se contratos inusitados e os negócios insólitos… Bem, nem se fala., uma casa de lendas ©Getty /

A inflação do mercado futebolístico está a um nível nunca antes visto nem nunca ninguém imaginou que a coisa atingisse tamanhas proporções. E há um clube em particular que tem feito a sua parte. Ou, se quisermos ser um pouco mais benevolentes, um clube que sofreu com o fenómeno da inflação. O Fútbol Club Barcelona, por muitos considerado como um dos maiores clubes da história, dispensa apresentações. Ganhou todos os troféus possíveis e imaginários e foi a casa dos melhores de sempre quer dentro, quer fora das quatro linhas.

Camp Nou já viveu melhores dias. Dias mais felizes. É verdade que continua a abarrotar de gente e são raros os dias em que não se assiste a uma casa cheia. Mas o Barça, embora os troféus que vão enchendo o museu todas as épocas, deixou de ser aquele Barça. O Barça hegemónico. O Més que un club. A instituição que tinha como bandeira a La Masia, aquela escola de formação única que produzia os melhores craques do mundo, pensada ao pormenor por um dos maiores génios que alguma vez pisaram o relvado.

Abalado por uma Catalunha dividida na luta pela independência, o Barcelona dos dias de hoje é humano. Os ventos de instabilidade vão afastando, cada vez mais, a filosofia Cruyff. Há quem diga que o ADN Barça morreu. Outros garantem que a situação deriva de um péssimo modelo de gestão de Josep Bartomeu e companhia. Seja qual for o motivo, a imagem do FC Barcelona não é a mesma desde há muitos anos. Está denegrida, fraturada. Um facto que já não é de agora.

 «Não há maior vitória do que a de promover a estreia de um jogador da La Masia»

A frase acima mencionada pertence a Pep Guardiola, um dos maiores pensadores do futebol moderno. O antigo futebolista que conquistou o mundo ao leme de uma das equipas mais temíveis da história. Para muitos o melhor de sempre. Para o Barça, o treinador que lançou um total de 22 talentosos meninos da La Masia que jogaram, cresceram e se revelaram ao mundo. Sergio Busquets, Sergi Roberto, Rafinha, Deulofeu, Thiago Alcántara, Marc Muniesa, Xavi Torres, Abraham, Adreu Fontás, Jonathan dos Santos, Jonathan Soriano, Gai Assulin, Oriol Romeu, Sergi Gómez, Rubén Miño, Nolito, Isaac Cuenca, Cristian Tello e Martí Riverola. Todos eles tiveram uma oportunidade, embora uns com mais sucesso do que outros. Um processo natural do futebol, portanto.

Saiu Guardiola em 2012, e o Barça estagnou. Mudaram-se as políticas, as regras, as ligações, as mentalidades. Do oito ao oitenta num par de anos. De Tito Vilanova, seu sucessor e um elemento muito respeitado no seio blaugrana, ficam as memórias e um onze inicial repleto de canteranos num embate frente ao Levante, em novembro de 2012. Até ao final da temporada, só Carles Planas teve direito a uma estreia pela formação principal. E foi também na era de Tito que Thiago Alcântara decidiu rumar… a Munique.

De Tata Martino, com três estreantes, passamos diretamente para Luís Enrique. Outro homem da casa, mas que colocou o tiki-taka de lado. Ora amado, ora odiado, Enrique colocou o Barcelona de novo no topo – destaca-se o famoso triplete – e, durante os três anos no cargo, concedeu 14 estreias a jovens da cantera. Aleñá, Carbonell, Borja López, Cardona, Nili, Jordi Masip, Sergi Samper, Halilovic, Gumabu, Kaptoum, Aitor, Sandro Ramírez e Munir El Haddadi. Alguns mais antigos, outros mais recentes, como os casos do brasileiro Marlon e do português Edgar Ié, que também tiveram direito a alguns minutos. O certo é que nenhum acabou por vingar.

As conquistas vieram ofuscar, por outro lado, os negócios obscuros praticados pela direção. Sandro Rosell havia renunciado devido ao escândalo protagonizado pela transferência de Neymar, Bartomeu, com base nos estatutos do clube, ascendeu ao poder e aí… tudo descambou. Começando pelo investimento astronómico no plantel e terminando autêntica limpeza no corpo diretivo. Toni Freixa (dirigente e porta-voz), Guillermo Amor (diretor da formação) – regressou mais tarde –, Andoni Zubizarreta (diretor desportivo), Antonio Rossich (diretor geral) e Emili Sabadell (team manager), receberam guia de marcha. Muitos deles conhecedores da filosofia Barça e responsáveis pelas épocas de ouro do clube.

Praticamente todos se insurgiram contra as políticas do conselho diretivo, e Zubizarreta, hoje no Marselha, quebrou mesmo o silêncio em entrevista ao Mundo Deportivo: «A minha saída do Barcelona não foi por uma questão profissional, nem por uma questão de trabalho, nem devido à formulação do plantel (…). A minha saída teve a ver com a política do futebol, área e campo no qual não me safo bem. Na verdade, não sei mexer-me na parte mais obscura da política… e do futebol (…)».

Em pouco mais de um ano, Josep Bartomeu viu-se obrigado a abandonar a presidência por ter sido acusado de fraude fiscal no processo da transferência de Neymar. Renunciou, anunciou candidatura para concorrer às eleições… e ganhou. Tudo isto numa questão de meses.

Imagine-se a situação da La Masia quando, entre 2014 e 2016, a FIFA proibiu os culés de inscreverem novos futebolistas devido a «infrações graves» na contratação de 10 menores…

Nas três temporadas de Luís Enrique, o Barcelona gastou cerca de 341 milhões de euros em 16 aquisições para o plantel. Muitas deram certo, como Suárez, Ter Stegen, Umtiti e Rakitic e os restantes pouco ou nada acrescentaram. Tiraram, isso sim, o lugar a outros membros da casa como Marc Bartra e Pedro Rodríguez que se viram obrigados a abraçar novos desafios. Douglas e Marlon, completos desconhecidos do futebol europeu, fizeram parte desse lote.

Completamente desgastado, Luís Enrique bateu o pé. Entrou Ernesto Valverde, técnico reconhecido pelo excelente trabalho realizado no Athletic Bilbao, sob uma forte onda de críticas. Sem praticar um futebol deslumbrante, o Barcelona sagrou-se campeão nacional e venceu a Taça do Rei e investiu de uma forma... Vá, irrisória.

Contas feitas à passada e presente temporadas, o Barça gastou uns brutais 475,27 milhões de euros em 10 reforços. Algo nunca antes visto…

Para além dos troféus, Valverde conseguiu a proeza de elaborar um onze titular sem qualquer jogador da formação num duelo frente ao Celta de Vigo. O técnico viu-se no meio de uma enorme chuva de críticas e o desabafo de Marc Crosas, antigo jogador do clube, espelhou na perfeição a revolta do universo culé: «Há seis anos enchíamo-nos de orgulho por ver um Barça a atuar com 11 jogadores da cantera. Hoje? Nenhum! Não há maior crítica que esta à direção do Barcelona», afirmou o médio nas redes sociais.

Foi preciso recuar 16 anos para se encontrar um cenário semelhante…

Crise de identidade e de valores

Mergulhado no esquecimento e nas profundezas do futebol espanhol surge o Barcelona B, outrora a grande referência da La Masia. É na Segunda División B, terceiro escalão, que a equipa… vai sobrevivendo.

Na mesma formação B onde os meninos da La Masia ganhavam outra competitividade e se preparavam para um dia subirem à equipa principal. Hoje, é, talvez, a grande vítima da gestão danosa do clube. De lar de talento, passou para um simples plantel de reservas.

Com o passar dos anos, as situações graves foram-se amontoando. Jogadores saíram, jogadores entraram, e com os treinadores o mesmo. E sem esquecer os relatos que circularam na imprensa espanhola sobre os constantes problemas de balneário.

Nas últimas três épocas, foram 34 os jogadores que passaram na equipa B e 19 os que saíram sem sequer se estrearem. Em 2017/18, o plantel recebeu 11 jogadores de fora e o investimento calculado rondou os seis milhões de euros. ©Getty /

Com uma média de 2.586 espetadores no Miniestadi, o Barcelona B desceu de divisão e o ano ficou manchado pela polémica. Jordi Vinyals, face aos maus resultados iniciais alcançados por Eusebio Sacristán - para muitos o culpado do fracasso -, assumiu o comando técnico e não tardou em agravar uma situação por si só delicada: «O Barça B é o exemplo da perda de valores da La Masia», atirou, em resposta a uma reação pouco famosa de Halilovic no momento de uma substituição.

Eric García, Adrián Bernabé, Sergio Gómez, Jordi Mboula, Robert Navarro, José Arnaíz. São os últimos exemplos de joias da cantera que não resistiram ao assédio estrangeiro (e nacional) e que acabaram por deixar a maior e melhor academia do globo. Há, por isso, uma fé muito grande em torno de Carles Aleñá, Riqui Puig e Oriol Busquets. Se conseguirem seguir as pisadas de Sergi Roberto...

A La Masia, protegida por um código próprio e fechada a sete chaves ao exterior, passou a ser uma espécie de monumento de atração turística, com as portas sempre abertas aos meios de comunicação.

Nos mais diversos escalões, não se privilegia a beleza do futebol. A forma de jogar. A filosofia. Joga-se, sim, para ganhar e premeia-se os jogadores e os treinadores consoante o número de vitórias. Privilegiam-se os mais fortes ao invés dos melhores.

«Formávamos atletas para competir, respeitar o jogo limpo e, finalmente, vencer. Cruyff perguntava sempre como estávamos a jogar. Ele nunca perguntava sobre o resultado», relatou um ex-funcionário do clube ao portal Goal que preferiu manter o anonimato.

Barcelona, La Masia e uma identidade que vai morrendo lentamente, muito lentamente…

 

Fonte: zerozero.pt

 

Editado por Solero

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O problema é que a La Masia não deixou de produzir talentos, como mostra aí os talentos estão lá. Estão no City, no Monaco, no Dortmund... É verdade que creio que não existe uma lei em espanha que permita oferecer a esses supertalentos contratos profissionais aos 16/17 anos mas de qualquer forma eles também saem porque não existe uma política de integração a sério. A política de integração nos últimos anos tem sido levar 20 jovens à toda nas digressões de pré temporada, metê-los todos a jogar e depois voltar a metê-los nos jogos da copa mais 3 ou 4 vezes num ano.. E é isto.

O ano passado o Barça tinha a liga ganha em Fevereiro, era ideal colocar alguns destes jovens na equipa principal ia dar-lhes a experiência de integrarem-se numa equipa ganhadora. Iam falhar é certo, mas o futuro estava a ser preparado. Agora temos talentos como o Aleña que têm 21 anos e ainda estão a jogar na segunda B e quando são chamados à equipa principal é para jogar contra equipas também da terceira divisão. Como é que eles vão melhorar se não jogam contra ninguém melhor que eles? OU como vão melhorar se não jogam com companheiros melhores?

A verdade é que esta diretiva, tem sido boa a potenciar economicamente o Barça, mas em termos de futebol é bola. Por isso é que as pessoas que lá estão que percebiam de bola saíram de lá. Em termos desportivos esta diretiva vive do Messi. ponto. se não fosse ele a levar a equipa às costas e a ganhar campeonatos o Barça já estava nas lonas.

O resultado hoje do Barça contra a Real é sintomático dessa frase do Cruyff. O futebol do Valverde é uma miséria, vai ganhando na liga porque tem o Ter Stegen ou porque tem o Messi, mas para jogar com equipas de champions não basta isso. É preciso jogar à bola.

A minha esperança é que como o Cruyff e depois o Guardiola um dia revolucionaram o Barça, um dia venham estas lendas dos últimos anos, que também têm muita cabeça e revolucionem novamente o clube. O próprio Guardiola disse quando acabar a carreira, quer fazê-lo na formação do Barça(e ele não se quer reformar tarde), o Xavi um dia vai ser treinador, o Arteta também estou confiante que passe um dia por lá e ele é mais um La Masia product. O Puyol há-de fazer novamente parte da estrutura quando esta diretiva for com os porcos e quem sabe o Iniesta também.

 

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Citação de ascom, há 16 horas:

O problema é que a La Masia não deixou de produzir talentos, como mostra aí os talentos estão lá. Estão no City, no Monaco, no Dortmund... É verdade que creio que não existe uma lei em espanha que permita oferecer a esses supertalentos contratos profissionais aos 16/17 anos mas de qualquer forma eles também saem porque não existe uma política de integração a sério. A política de integração nos últimos anos tem sido levar 20 jovens à toda nas digressões de pré temporada, metê-los todos a jogar e depois voltar a metê-los nos jogos da copa mais 3 ou 4 vezes num ano.. E é isto.

O ano passado o Barça tinha a liga ganha em Fevereiro, era ideal colocar alguns destes jovens na equipa principal ia dar-lhes a experiência de integrarem-se numa equipa ganhadora. Iam falhar é certo, mas o futuro estava a ser preparado. Agora temos talentos como o Aleña que têm 21 anos e ainda estão a jogar na segunda B e quando são chamados à equipa principal é para jogar contra equipas também da terceira divisão. Como é que eles vão melhorar se não jogam contra ninguém melhor que eles? OU como vão melhorar se não jogam com companheiros melhores?

A verdade é que esta diretiva, tem sido boa a potenciar economicamente o Barça, mas em termos de futebol é bola. Por isso é que as pessoas que lá estão que percebiam de bola saíram de lá. Em termos desportivos esta diretiva vive do Messi. ponto. se não fosse ele a levar a equipa às costas e a ganhar campeonatos o Barça já estava nas lonas.

O resultado hoje do Barça contra a Real é sintomático dessa frase do Cruyff. O futebol do Valverde é uma miséria, vai ganhando na liga porque tem o Ter Stegen ou porque tem o Messi, mas para jogar com equipas de champions não basta isso. É preciso jogar à bola.

A minha esperança é que como o Cruyff e depois o Guardiola um dia revolucionaram o Barça, um dia venham estas lendas dos últimos anos, que também têm muita cabeça e revolucionem novamente o clube. O próprio Guardiola disse quando acabar a carreira, quer fazê-lo na formação do Barça(e ele não se quer reformar tarde), o Xavi um dia vai ser treinador, o Arteta também estou confiante que passe um dia por lá e ele é mais um La Masia product. O Puyol há-de fazer novamente parte da estrutura quando esta diretiva for com os porcos e quem sabe o Iniesta também.

 

Óbvio que não se deixou de produzir talentos. Agora quando se prefere gastar 20 milhões num Vidal, que para além de já estar a entrar na fase descende da carreira, nem sequer encaixa na filosofia do Barcelona, para o Aleña continuar a ser preterido....está tudo dito sobre a não política que ali anda.

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Sempre que leio "La Masia", lembro-me disto:

Citação de whatever, Em 14/02/2015 at 09:54:

Sonhei que o Rosell tinha sido apanhado num Clio vermelho de '92 com quatro dealers e cheio de droga mas o polícia que o parou não pôde fazer nada porque ele sabia de Leis e disse que de madrugada não se podiam fazer operações stops. Quando me contaram isto, no sonho, andava na rua a gritar "viva a La Masia, lá até lhes ensinam Direito!".

Obrigado, @whatever

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O primeiro passo foi deixar cultivar a ideia de que, sem Guardiola, Xavi e agora Iniesta, a filosofia tinha de mudar para continuarem a vencer e a dominar. Tudo o resto são consequências dessa mudança de mentalidades.

Pode ser que daqui a uns anos as coisas voltem a ser o que eram. Ou parecidas, vá.

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Citação de Refutador, há 5 horas:

Let it go.

NUNCA

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