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O Benfica de Eriksson salvou-me

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O Benfica de Eriksson salvou-me

Não se compreende a força superior do Benfica em números de adeptos sem percebermos que o último êxodo rural da Europa ocidental aconteceu em Portugal no tempo dos nossos pais e do nosso, no fundo. O Benfica deu a esse povo desterrado e migrante da Grande Lisboa um sentimento de pertença; este apego salvador que dava um sentido de comunidade naquele missa dominical ouvida através da Bola Branca funcionou para a geração do meu pai com a equipa do Eusébio; para mim funcionou com esta equipa do Eriksson entre 1989 e 1992

Ainda me lembro da equipa base da época 1990-91, a época que fundou o meu benfiquismo. Na baliza tínhamos um coletivo mulato chamado Silveno (Silvino e Neno). Na lateral direita tínhamos um chaço a gasóleo, Veloso, lento mas confiável assim como uma carrinha Toyota. Na esquerda, estava um jovem viking chamado Schwartz – era médio, mas fazia ali esta perninha, tal como o Aursnes (há a maldição do Guttmann e depois há a maldição que é a nossa lateral esquerda; a primeira é da ordem do espiritualismo à mãe-de-santo, a segunda é da ordem da incompetência).

Como centrais, tínhamos a torre brasileira, Ricardo Gomes, um mordomo delicado que por acaso era central; e William, o único central da história do futebol que jogou de pantufas (talvez com a exceção de Ricardo Carvalho). A trinco, tínhamos o Paulo Sousa, um dos melhores médios europeus do final do século. A médio centro, aparecia o Thern, um dos primeiros box to box, como se diz no linguajar chato e científico dos comentadores.

Eu adorava o Thern, era o meu jogador favorito.

Um pouco mais à frente, como número dez, tínhamos o titular do escrete, Valdo. Sim, ainda havia números dez e por isso o futebol era mais lento, mais bonito, mais individual. Havia espaço para o indivíduo, quem mandava era o indivíduo e não o big data do treinador general.

Na ala direita, tínhamos o Vítor Paneira, o último ala pré ginásio, pré robotização, o último ala da ginga e revienga e não da força bruta. Na ala esquerda, tínhamos um mustang algarvio rapidíssimo, o Pacheco, recém falecido. Como ponta de lança, tínhamos um coletivo luso sueco, Rui Magnusoon. O Rui Águas foi o titular, o Mats Magnunsson entrava como arma secreta, como o Mantorras em 2005. O banco também saltava o Isaías, profeta brasileiro da gloriosa época 93/04.

Ao comando deste Benfica que me salvou, estava Sven Goran Eriksson, um dos grandes cavalheiros do futebol, representante de uma época em que os treinadores não poluíam o ar com má educação e ego. Eriksson deu ao Benfica dos anos 80/90 o sangue novo que só seria igualado mais tarde pelo Benfica de Jesus.

Esta época, 90/91, foi decisiva porque foi o ano em que eu mudei de casa; saltei do meu bairro para um mundo estranho onde a necessidade de me enturmar com os outros rapazes só encontrou eco na bola. Sempre fui um rapazola diferente dos outros, mas enquanto vivi no meu mundo de origem isso não foi um problema. Estranho ou não, era filho do bairro, nasci em casa à frente da mercearia e todas as vizinhas me viram nascer ao longo daquele longo parto assistido só por uma parteira. As vizinhas apareciam, deixaram um pacote de arroz na cozinha e iam ao quarto onde a minha mãe agonizada, Que o raio do catraio é teimoso!

Quando saí dali para um ambiente novo, o Benfica foi fundamental.

Não se compreende a força superior do Benfica em números de adeptos sem percebermos que o último êxodo rural da Europa ocidental aconteceu em Portugal no tempo dos nossos pais e do nosso, no fundo. O Benfica deu a esse povo desterrado e migrante da Grande Lisboa um sentimento de pertença; este apego salvador que dava um sentido de comunidade naquele missa dominical ouvida na Bola Branca funcionou para a geração do meu pai com a equipa do Eusébio; para mim funcionou com esta equipa do Eriksson entre 1989 e 1992, com destaque óbvio para 90/91. No ano anterior, tínhamos chegado à final da Taça dos Campeões, mas não liguei muito.

Na minha bolha pobríssima mas livre e protegida, o futebol não era prioridade. Um ano depois, quando fui largado num mundo estranho, sim, o Benfica passou a ser a primeira prioridade, era a linguagem que me permitia disfarçar a minha distância em relação aos outros rapazes. Foi uma camuflagem perfeita, que depois se entranhou. Naquele ano, o Benfica de Eriksson e o Herman salvaram-me, literalmente. Foi por isso que vi com bastante comoção a homenagem que a catedral fez a Eriksson na passada quinta-feira. Aquele menino assustado de 1990 manda cumprimentos e diz que agradece muito.

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Em 90/91 era assim:

Silvino; Veloso, Ricardo Gomes, William, Schwarz; Paulo Sousa, Thern; Vítor Paneira, Valdo, Pacheco; Rui Águas

Oito anos passados com o Raposo a apoiar, fazia-se esta equipa:

Ovchinnikov; Gary Charles, Tahar, Paulo Madeira, Steve Harkness; Michael Thomas, Andrade; Nandinho, Luís Carlos, Mark Pembridge; Martin Pringle

Do Eriksson para o Souness.

 

A culpa é do Raposo.

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Citação de Descartes, há 3 minutos:

Em 90/91 era assim:

Silvino; Veloso, Ricardo Gomes, William, Schwarz; Paulo Sousa, Thern; Vítor Paneira, Valdo, Pacheco; Rui Águas

Oito anos passados com o Raposo a apoiar, fazia-se esta equipa:

Ovchinnikov; Gary Charles, Tahar, Paulo Madeira, Steve Harkness; Michael Thomas, Andrade; Nandinho, Luís Carlos, Mark Pembridge; Martin Pringle

Do Eriksson para o Souness.

 

A culpa é do Raposo.

Também escolheste os melhores desse 98/99 😆

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Citação de kareca, há 1 minuto:

Também escolheste os melhores desse 98/99 😆

Podia ter posto o Paulo Lopes na baliza e o Sousa e o Bruno Basto nas laterais, mas como eu tinha uma especial predileção pelos ingleses, não os consegui deixar de fora. Mesmo assim não encontrei lugar para o Scott Minto, o Dean Saunders e o Brian Deane.

Em todo o caso, dos melhorzitos só ficou de fora o Preud'Homme com 40 anos, o João V. Pinto, o Poborsky e o Nuno Gomes.

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Citação de Descartes, há 1 hora:

Em 90/91 era assim:

Silvino; Veloso, Ricardo Gomes, William, Schwarz; Paulo Sousa, Thern; Vítor Paneira, Valdo, Pacheco; Rui Águas

Oito anos passados com o Raposo a apoiar, fazia-se esta equipa:

Ovchinnikov; Gary Charles, Tahar, Paulo Madeira, Steve Harkness; Michael Thomas, Andrade; Nandinho, Luís Carlos, Mark Pembridge; Martin Pringle

Do Eriksson para o Souness.

 

A culpa é do Raposo.

Do contentor de britânicos desconhecia por completo a existência do Gary Charles.

O Michael Thomas supostamente era o gajo que jogava para trás e para o lado. E há aí um, talvez o Pembridge, que já chegou cá com uns 34 ou 35 anos e só jogava parado ou paradinho.

Martin Pringle foi uma contratação genial depois de ter marcado golos ao Benfica num amigável.

Bons tempos.

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Citação de Mica, há 5 minutos:

Do contentor de britânicos desconhecia por completo a existência do Gary Charles.

O Michael Thomas supostamente era o gajo que jogava para trás e para o lado. E há aí um, talvez o Pembridge, que já chegou cá com uns 34 ou 35 anos e só jogava parado ou paradinho.

Martin Pringle foi uma contratação genial depois de ter marcado golos ao Benfica num amigável.

Bons tempos.

Era o Saunders. Esse e o Thomas já estavam a caminho dos 40. O Brian Deane também era trintão mas só com 31 ou 32.

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Aqueles jogos do Benfica na SIC com aquele típico comentador na velhinha Luz. 

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Citação de Mica, há 22 minutos:

Do contentor de britânicos desconhecia por completo a existência do Gary Charles.

O Michael Thomas supostamente era o gajo que jogava para trás e para o lado. E há aí um, talvez o Pembridge, que já chegou cá com uns 34 ou 35 anos e só jogava parado ou paradinho.

Martin Pringle foi uma contratação genial depois de ter marcado golos ao Benfica num amigável.

Bons tempos.

Nunca esquecer o homem das "big balls" 😂

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Se tiverem algum tempo livre. Esse canal tem de outras épocas melhores, incluindo algumas do Jesus e do Eriksson.

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Citação de Mica, há 1 hora:

O Michael Thomas supostamente era o gajo que jogava para trás e para o lado.

A melhor posição do Michael Thomas não era no meio campo, era em Anfield.

Michael Thomas celebrates his title-winning goal at Anfield

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Citação de pedritsh, há 57 minutos:

Aqueles jogos do Benfica na SIC com aquele típico comentador na velhinha Luz. 

Houve um Benfica-Porto que nem transmitiram até ao fim, para dar um filme sobre o 25 de abril.

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Citação de Descartes, Em 15/04/2024 at 22:05:

Era o Saunders. Esse e o Thomas já estavam a caminho dos 40. O Brian Deane também era trintão mas só com 31 ou 32.

O Michael Thomas é apenas 1 ano mais velho que o Brian Deane. O Saunders é que já ia nos 35.

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Citação de smashing_pumpkin , há 5 horas:

O Michael Thomas é apenas 1 ano mais velho que o Brian Deane. O Saunders é que já ia nos 35.

Pode ser. Não verifiquei. Mas em minha defesa terás que concordar que o Michael Thomas a jogar parecia que já tinha passado dos 50.

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Citação de JackBauerPT, Em 15/04/2024 at 23:14:

Houve um Benfica-Porto que nem transmitiram até ao fim, para dar um filme sobre o 25 de abril.

Foi no ano do penta, na altura dos 25 anos do 25 de abril.

Ainda me lembro bem de correr para ligar o rádio e ouvir os minutos finais 😂

Editado por tozequio

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