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«Portugal sair do euro seria uma tragédia» - Durão Barroso

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Bem, sendo assim, tens que retirar a parte da inflação. A inflação, aquando da entrada no Euro, aumentou.

 

Pára aí um bocado. A inflação registou níveis inferiores e mais estáveis que outrora, como podes ver nesta figura aqui:

 

Infla%C3%A7%C3%A3o-em-Portugal-1977-a-2009.jpg

Editado por Vimaranes1922

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Pára aí um bocado. A inflação registou níveis inferiores e mais estáveis que outrora, como podes ver nesta figura aqui:

 

Infla%C3%A7%C3%A3o-em-Portugal-1977-a-2009.jpg

 

Como disse, sei do que falo. Tenho bases em Economia e não mando umas postas para o ar a ver se cola.

 

Desculpem aparecer a imagem, mas ainda sou novo nisto e ando às aranhas. :blink:

Editado por Carlos Dias

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Bem, sendo assim, tens que retirar a parte da inflação. A inflação, aquando da entrada no Euro, aumentou.

 

Andas a dominar largo Economia :laugh:

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Ainda bem que eu sou o único que estou a alucinar e estou a ver ali o aumento da curva da inflação, aquando da entrada do Euro. Mas deixem lá isso...

 

Ah e obrigado pela considerações sobre os meus conhecimentos de Economia e Finanças.

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O peplin disse que aumentou quando Portugal entrou no €, não nos anos seguintes.

 

Edit: já disseste :mrgreen:

Editado por Koper

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Ainda bem que eu sou o único que estou a alucinar e estou a ver ali o aumento da curva da inflação, aquando da entrada do Euro. Mas deixem lá isso...

 

Ah e obrigado pela considerações sobre os meus conhecimentos de Economia e Finanças.

Oh mestre da Economia, diz-me lá um coisa. Em que ano ficou definido o euro e em que ano entrou em circulação? Só para saber. É que nesses anos a inflação desceu, sinceramente não sei onde viste que a inflação aumentou. Mas fico à espera de resposta.

Editado por Carlos Dias

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Eu não percebo nada de economia, mas sei e lembro-me bem que há muita coisa que hoje custa mais do que há 10 anos atrás, por exemplo bens essenciais.

 

E recordo-me que muita coisa quase duplicou o preço com a entrada do euro... Por exemplo, coisas que custavam 50 escudos passaram quase imediatamente a custar 50 centimos (lembro-me dos paniques no café ao pé da escola lol)

 

Sinceramente senti que o custo do nível de vida subiu exageradamente e, na minha "profissão", não houve um aumento salarial desde 2003.

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Eu não percebo nada de economia, mas sei e lembro-me bem que há muita coisa que hoje custa mais do que há 10 anos atrás, por exemplo bens essenciais.

 

E recordo-me que muita coisa quase duplicou o preço com a entrada do euro... Por exemplo, coisas que custavam 50 escudos passaram quase imediatamente a custar 50 centimos (lembro-me dos paniques no café ao pé da escola lol)

 

Sinceramente senti que o custo do nível de vida subiu exageradamente e, na minha "profissão", não houve um aumento salarial desde 2003.

Resultou sim numa perda de poder de compra por parte de nós, consumidores. Mas como podes ver na tabela, tanto em 1999 como em 2002 a inflação diminuiu.

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Resultou sim numa perda de poder de compra por parte de nós, consumidores. Mas como podes ver na tabela, tanto em 1999 como em 2002 a inflação diminuiu.

Pois... segundo a tabela... Mas não seria a 1ª vez em que os "números" não representam a realidade

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Pois... segundo a tabela... Mas não seria a 1ª vez em que os "números" não representam a realidade

Não fui eu que apresentei a tabela, não sei até que ponto possa ser credível. Uma coisa é certa, sei que com a entrada do euro a inflação em Portugal baixou, mas alguns users contradizem isso.

Editado por Carlos Dias

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Continuavas a dever 100, mas como a tua divisa era mais fraca, digamos assim, custava-te mais a pagar.

E quanto a sermos nós a controlar ou não, a inflação, não é bem assim. Está sempre dependente do valor que teria a nossa divisa, valor esse decidido externamente e não por nós. Até podiamos dizer que 1 escudo valia mil euros ou vice - versa, que o mercado é que iria decidir o valor real da divisa.

Além de que seria muito mais complicado obtermos investimento externo (sim, acabou-se a época dos fundos perdidos da UE) e sendo Portugal um país pouco sustentável pelos seus próprios meios, bem-vindo ao inferno

 

Estás a ver a coisa de forma limitada. Não é obrigatório que a taxa de câmbio seja flexível (ou flutuante). É possível praticar uma política cambial com taxas fixas, determinadas pelo Governo ou, até, taxas indexadas a uma moeda forte. Algo que aconteceu, por exemplo, no período que antecedeu a nossa adesão ao Euro.

 

Devias 100€, mas precisarias de 50 contos para pagar esses 100€ nao de 20 contos.

Se devesses 100Mil euros da tua casa ao banco, necessitarias de 50 mil contos para a pagar, nao 20 mil contos na conversao antiga.

 

Entretanto, os teus 1000€ de ordenado passariam a ser 500 contos, nao os 200 que eram, mas a moeda valeria quase tanto como papel higienico, considerando a inflaçao e a desvalorizaçao da mesma. .

E, ao dizeres que a decisao de nao desvalorizar a moeda era nossa, entao nao tinha sentido sair da moeda unica para voltar a ter esse mecanismo de regulção, se nao for para o usar, certo?

 

E como sustentavas isto, colocavas obrigatoriadade de aumentos salarias a uma massa empresarial, na sua maioria, já saturada e sem capacidade? Ou fazia a boa moda Chavesca, que era somar o anterior a uma boa dose de congelamento dos preços, á custa das mesmas empresas... qual delas a melhor opçao.

 

Custa me a crer que o Descartes, pessoa sensata, nao veja as consequencias brutais disso, é que nem é para ti, isto era coisa para entrar bem fundo e bem pesado na geraçao das tuas filhas como contribuintes a tempo inteiro...

 

Do que disseste, assinalei a bold a única frase relevante. De facto, a questão é que a saída do Euro só faria sentido se fosse para desvalorizar a moeda. E aí sim, por causa da desvalorização, teríamos consequências complicadas.

 

Dito isto, continuo a afirmar que é abusivo dizer-se que seria uma tragédia sair do Euro. Não é a saída do Euro, por si só, que implica dificuldades acrescidas. Se assim fosse não existiria uma corrente conservadora alemã a defender a saída da própria Alemanha do Euro. As dificuldades e a tragédia (dramatismo político idiota) sucederiam apenas porque nós não temos uma Economia suficientemente forte para utilizar uma moeda forte. Não tínhamos há 10 anos e muito menos temos agora, ao contrário de tudo aquilo que nos foi prometido.

 

Isso está mal. Mas já que o pessoal fala em valorizar ou desvalorizar a moeda, alguém vê os países não pertencentes ao dólar/euro a ver quem ganha a corrida de desvalorizar mais rapidamente a sua moeda?

 

A desvalorização da moeda permitiria reduzir as importações e aumentar as exportações, mas não devido ao aumento da competividade, mas sim a um efeito-preço, cujos benefícios seriam muito pouco significativos. Para além do fluxo de capital ser atingido e a população empobrecer, assim como a riqueza da moeda.

 

Não há nenhuma corrida porque o FMI tem a responsabilidade de regular as valorizações e desvalorizações das moedas a nível internacional por forma a não permitir que se gerem artifícios que condicionem as transacções de produtos, mercadorias e capitais a nível mundial.

 

Lembro me de ele dizer recentemente que votou BE, o que me deixou simplesmente abananado... Nao sei se é o partido dele, ou foi um voto "casual"

 

Votei BE e fiquei muito satisfeito com o meu voto. Votei neles exactamente para que houvesse uma voz crítica que alertasse o país para o buraco que estava à nossa frente. E isso aconteceu em vários domínios e muito em particular na área da Economia e das Finanças. Infelizmente estamos num país dominado pelo PS e pelo PSD, com uma comunicação social serventil, que pouco mais fez do que ridicularizar as posições do BE. Posições essas que, meses ou anos depois, passam a ser assumidas pelos teóricos do sistema como algo de evidente e óbvio.

 

Sem contar com a enorme quantidade de fundos que entram da UE em Portugal.

 

O que é que tem? Menos um jipe lá para casa?

 

Façam as contas da diferença de escudo para euro, e depois multipliquem a nossa dívida por isso. Têm aí a resposta ao porquê de ser uma catástrofe. Quem diz dívida diz coisas do dia-a-dia como muito bem disso o P_kor

 

Prémio disparate do tópico atribuído!!!

 

Resultou sim numa perda de poder de compra por parte de nós, consumidores. Mas como podes ver na tabela, tanto em 1999 como em 2002 a inflação diminuiu.

 

Mas não são esses os anos que interessam. Os anos de 2000 e, principalmente, 2001 é que são relevantes. Foram esses os anos da paridade dos preços. Se tiveres idade para isso hás-de recordar-te que passámos os últimos 6 meses de 2001 com a obrigatoriedade de afixar os preços em escudos e em euros. Foi principalmente nessa altura que se deu a transferência.

 

Se reparares com atenção no mapa, a inflação subiu para o dobro ou mais em 2 anos. Algo que nunca tinha acontecido desde 1977 (o ano em que o mapa começa). Semelhante subida só aquela que ocorreu entre 1980 e 1984 e que nos trouxe pela 2ª vez o FMI para tomar conta disto.

Editado por Descartes

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Oh mestre da Economia, diz-me lá um coisa. Em que ano ficou definido o euro e em que ano entrou em circulação? Só para saber. É que nesses anos a inflação desceu, sinceramente não sei onde viste que a inflação aumentou. Mas fico à espera de resposta.

 

Até já me chamam mestre! Estou arrepiado com tamanha consideração.

 

Ainda bem que eu sou mestre. Assim explico-te como é que funciona o mecanismo de inflação.

 

A inflação, no mercado monetário, funciona como mecanismo antecipado. Quer isto dizer que o acerto de preços no mercado, na passagem de uma moeda para outra, foi realizada antes, no período de preparação para a entrada da nova moeda.

 

O Euro, se bem me lembro, entrou em circulação, em 2002. O acerto foi feito principalmente em... 2001. É uma questão de olhares para a tabela. Mas olhar mesmo. A inflação duplicou. Passou de cerca de 2/2,5%, para algo perto dos 5%. Estamos a falar de uma variação homóloga brutal.

 

É óbvio que a inflação depois voltar a diminuir. O acerto já está feito. A questão aqui é da inflação AQUANDO da entrada do Euro. DUPLICOU. E essa inflação é a inflação média. Houve sectores de actividade que não foram muito afectados. Mas houve outros (sobretudo relacionados com o consumo) em que a inflação atingiu valores perto dos dois dígitos.

 

Quem viveu este período, sabe perfeitamente o aumento de preços que tivemos nos mais variados bens de consumo. E isto sentiu-se mais no nosso país, porque o escudo estava sobrevalorizado e o câmbio acabou por nos prejudicar. Desvalorização da moeda = aumento da inflação.

 

Espero que tenhas aprendido alguma coisa com o "mestre".

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Guest Vladimir Ilitch

Este Peplin está feito um economista do alho :prayer:

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Até já me chamam mestre! Estou arrepiado com tamanha consideração.

 

Ainda bem que eu sou mestre. Assim explico-te como é que funciona o mecanismo de inflação.

 

A inflação, no mercado monetário, funciona como mecanismo antecipado. Quer isto dizer que o acerto de preços no mercado, na passagem de uma moeda para outra, foi realizada antes, no período de preparação para a entrada da nova moeda.

 

O Euro, se bem me lembro, entrou em circulação, em 2002. O acerto foi feito principalmente em... 2001. É uma questão de olhares para a tabela. Mas olhar mesmo. A inflação duplicou. Passou de cerca de 2/2,5%, para algo perto dos 5%. Estamos a falar de uma variação homóloga brutal.

 

É óbvio que a inflação depois voltar a diminuir. O acerto já está feito. A questão aqui é da inflação AQUANDO da entrada do Euro. DUPLICOU. E essa inflação é a inflação média. Houve sectores de actividade que não foram muito afectados. Mas houve outros (sobretudo relacionados com o consumo) em que a inflação atingiu valores perto dos dois dígitos.

 

Quem viveu este período, sabe perfeitamente o aumento de preços que tivemos nos mais variados bens de consumo. E isto sentiu-se mais no nosso país, porque o escudo estava sobrevalorizado e o câmbio acabou por nos prejudicar. Desvalorização da moeda = aumento da inflação.

 

Espero que tenhas aprendido alguma coisa com o "mestre".

A economia portuguesa perdeu, com a formação do euro, a capacidade de recurso a instrumentos de políticas monetárias, entre outros, mas beneficiou do efeito da zona económica do euro, tendo reduzido a inflação e as taxas de juro.

Mas alguém disse que a inflação não subiu antes da entrada do euro? Eu estava a referir-me após essa entrada, e se reparares no gráfico, a inflação entre o ano 2000 e o ano de 2002 é praticamente a mesma, e como tu disseste e bem, esse aumento foi devido à transição do escudo para o euro, após isso, voltou tudo à normalidade, como podes reparar em 2002. A partir daí, a inflação desceu até ao ano de 2005. Ou seja, o que eu disse está correcto ou não? Beneficiámos da zona económica do euro, reduzindo a inflação, ou não?

Com isto, a União Europeia passou a ter um instrumento comum de política monetária. Foi acordado que os bancos centrais passariam a integrar a BCE, e com isto, foi permitido a livre circulação de capitais. Assim, a BCE concentrou-se principalmente em definir objectivos quanto à taxa de juro, deixando assim o mercado ajustar a taxa de câmbio.

 

Por fim, e para não me alongar muito, Portugal beneficiou não só nestes pontos, evidentemente que com a entrada da nova moeda, esta veio a constituir-se como uma moeda internacional de reserva, além de ser um meio de pagamento de peso crescente nas trocas mundiais, no entanto com o escudo isso não seria possível.

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A economia portuguesa perdeu, com a formação do euro, a capacidade de recurso a instrumentos de políticas monetárias, entre outros, mas beneficiou do efeito da zona económica do euro, tendo reduzido a inflação e as taxas de juro.

Mas alguém disse que a inflação não subiu antes da entrada do euro? Eu estava a referir-me após essa entrada, e se reparares no gráfico, a inflação entre o ano 2000 e o ano de 2002 é praticamente a mesma, e como tu disseste e bem, esse aumento foi devido à transição do escudo para o euro, após isso, voltou tudo à normalidade, como podes reparar em 2002. A partir daí, a inflação desceu até ao ano de 2005. Ou seja, o que eu disse está correcto ou não? Beneficiámos da zona económica do euro, reduzindo a inflação, ou não?

Com isto, a União Europeia passou a ter um instrumento comum de política monetária. Foi acordado que os bancos centrais passariam a integrar a BCE, e com isto, foi permitido a livre circulação de capitais. Assim, a BCE concentrou-se principalmente em definir objectivos quanto à taxa de juro, deixando assim o mercado ajustar a taxa de câmbio.

 

Por fim, e para não me alongar muito, Portugal beneficiou não só nestes pontos, evidentemente que com a entrada da nova moeda, esta veio a constituir-se como uma moeda internacional de reserva, além de ser um meio de pagamento de peso crescente nas trocas mundiais, no entanto com o escudo isso não seria possível.

 

Tu bem dizes que Portugal beneficiou, mas eu não encontro os benefícios...

 

Vejo que Portugal perdeu autonomia no que respeita à política monetária e cambial; vejo que a inflação desceu para níveis que já existiam antes da entrada no Euro, o que quer dizer que apenas recuperámos do aumento provocado pela própria entrada no Euro; vejo ainda que a taxa de juro baixou para níveis históricos o que poderia ser bom se isso se reflectisse numa transferência das poupanças para investimento. Mas, como a UE nos obrigou a prosseguir uma política de desinvestimento nas actividades produtivas, a canalização das poupanças direccionou-se para o consumo. Consumo esse virado para bens importados o que se traduziu numa deterioração grave da balança comercial. As taxas de juro baixas tiveram ainda o condão de nos propiciar créditos baratos, dos quais usámos e abusámos, chegando a um ponto em sustentámos o nosso miserável crescimento da última década com o endividamento do estado e da economia. A dívida pública disparou, a dívida das empresas e das famílias entrou na estratosfera e eis-nos aqui chegados com o problema da dívida a juntar-se ao nosso crónico problema de competitividade e sem mecanismos para o controlar.

 

Só benefícios...

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Tu bem dizes que Portugal beneficiou, mas eu não encontro os benefícios...

 

Vejo que Portugal perdeu autonomia no que respeita à política monetária e cambial; vejo que a inflação desceu para níveis que já existiam antes da entrada no Euro, o que quer dizer que apenas recuperámos do aumento provocado pela própria entrada no Euro; vejo ainda que a taxa de juro baixou para níveis históricos o que poderia ser bom se isso se reflectisse numa transferência das poupanças para investimento. Mas, como a UE nos obrigou a prosseguir uma política de desinvestimento nas actividades produtivas, a canalização das poupanças direccionou-se para o consumo. Consumo esse virado para bens importados o que se traduziu numa deterioração grave da balança comercial. As taxas de juro baixas tiveram ainda o condão de nos propiciar créditos baratos, dos quais usámos e abusámos, chegando a um ponto em sustentámos o nosso miserável crescimento da última década com o endividamento do estado e da economia. A dívida pública disparou, a dívida das empresas e das famílias entrou na estratosfera e eis-nos aqui chegados com o problema da dívida a juntar-se ao nosso crónico problema de competitividade e sem mecanismos para o controlar.

 

Só benefícios...

E então? Com o escudo tudo seria diferente?

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E então? Com o escudo tudo seria diferente?

 

Sei lá... Não tenho poderes paranormais para responder a uma pergunta dessas.

 

Mas provavelmente não seria diferente. E se fosse seria para pior. Porque o nosso problema não é nem nunca foi um problema monetário. É um problema de base económica. De competitividade do aparelho produtivo e do modelo de desenvolvimento que andamos a aplicar há 25 anos.

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Tu bem dizes que Portugal beneficiou, mas eu não encontro os benefícios...

 

Vejo que Portugal perdeu autonomia no que respeita à política monetária e cambial; vejo que a inflação desceu para níveis que já existiam antes da entrada no Euro, o que quer dizer que apenas recuperámos do aumento provocado pela própria entrada no Euro; vejo ainda que a taxa de juro baixou para níveis históricos o que poderia ser bom se isso se reflectisse numa transferência das poupanças para investimento. Mas, como a UE nos obrigou a prosseguir uma política de desinvestimento nas actividades produtivas, a canalização das poupanças direccionou-se para o consumo. Consumo esse virado para bens importados o que se traduziu numa deterioração grave da balança comercial. As taxas de juro baixas tiveram ainda o condão de nos propiciar créditos baratos, dos quais usámos e abusámos, chegando a um ponto em sustentámos o nosso miserável crescimento da última década com o endividamento do estado e da economia. A dívida pública disparou, a dívida das empresas e das famílias entrou na estratosfera e eis-nos aqui chegados com o problema da dívida a juntar-se ao nosso crónico problema de competitividade e sem mecanismos para o controlar.

 

Só benefícios...

Pela tua ordem de ideias, ninguém aderia ao Euro. O que na realidade, tirando a Suiça, um Estado com um Sistema Político de Assembleia, e poucos mais países, é que não aderiram à moeda única, apesar de pertencerem à UE.

Só tomaram soluções para melhorar a situação do país, com certeza que não queriam piorar a situação. E não é só Portugal que enfrenta esta crise, tendo que recorrer à ajuda externa, a própria Grécia, e fala-se também da Itália, passam por situações idênticas.

Se o Escudo se mantivesse não sei até que ponto traria benefícios.

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Estás a ver a coisa de forma limitada. Não é obrigatório que a taxa de câmbio seja flexível (ou flutuante). É possível praticar uma política cambial com taxas fixas, determinadas pelo Governo ou, até, taxas indexadas a uma moeda forte. Algo que aconteceu, por exemplo, no período que antecedeu a nossa adesão ao Euro.

 

Como é que teríamos taxas indexadas a uma moeda forte? E isso não provocaria o que sucedeu na Argentina em 2001?

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Nasci lá e vivi lá, e com uma só nota comprava uma garrafa de água garanto-te, mas percebo a tua 'ironia' . Utilizei tanto dólares como Kwanzas, e da ultima vez que la fui deparei-me com lojas que já não aceitam Dólares. O kwanza ainda não é muito valorizada mas a seu tempo lá chegará.

Bold: Corrupção ou não tá a crescer, a modernizar e a apostar naquilo que faz falta e sinceramente depois daquilo que angola passou pouco interessa de onde vem o dinheiro e wathever . É preciso é querer-se trabalhar...

 

Estive em Angola muito recentemente e o Kwanza já é aceito uniformemente e tal como dizes podem haver até sítios onde não aceitam recebimentos em dólares. O kwanza está com taxa fixa ao dólar (97) e para euros só varia consoante variação dólar euro.

 

O que o P diz ainda assim tem alguma razão, sobretudo quando o exemplo que ele dá é o da água que é quase um bem de luxo lá. Já comprei uma garrafa de água por 1000 akz, cerca de 7€ quando a maior nota é de 2000 akz lol. Mas lá um preço normal num supermercado para uma garrafa de água, não importada, de litro e meio (não se vendem garrafões) é de 1€.

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Estive em Angola muito recentemente e o Kwanza já é aceito uniformemente e tal como dizes podem haver até sítios onde não aceitam recebimentos em dólares. O kwanza está com taxa fixa ao dólar (97) e para euros só varia consoante variação dólar euro.

 

O que o P diz ainda assim tem alguma razão, sobretudo quando o exemplo que ele dá é o da água que é quase um bem de luxo lá. Já comprei uma garrafa de água por 1000 akz, cerca de 7€ quando a maior nota é de 2000 akz lol. Mas lá um preço normal num supermercado para uma garrafa de água, não importada, de litro e meio (não se vendem garrafões) é de 1€.

 

1000 akz por uma garrafa de água? :o Dass, foste bem enganado. Pelo menos que tenha sido agua da Chela :grin:

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1000 akz por uma garrafa de água? :o Dass, foste bem enganado. Pelo menos que tenha sido agua da Chela :grin:

 

Só frequento restaurantes de luxo :mrgreen:.

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A economia portuguesa perdeu, com a formação do euro, a capacidade de recurso a instrumentos de políticas monetárias, entre outros, mas beneficiou do efeito da zona económica do euro, tendo reduzido a inflação e as taxas de juro.

Mas alguém disse que a inflação não subiu antes da entrada do euro? Eu estava a referir-me após essa entrada, e se reparares no gráfico, a inflação entre o ano 2000 e o ano de 2002 é praticamente a mesma, e como tu disseste e bem, esse aumento foi devido à transição do escudo para o euro, após isso, voltou tudo à normalidade, como podes reparar em 2002. A partir daí, a inflação desceu até ao ano de 2005. Ou seja, o que eu disse está correcto ou não? Beneficiámos da zona económica do euro, reduzindo a inflação, ou não?

Com isto, a União Europeia passou a ter um instrumento comum de política monetária. Foi acordado que os bancos centrais passariam a integrar a BCE, e com isto, foi permitido a livre circulação de capitais. Assim, a BCE concentrou-se principalmente em definir objectivos quanto à taxa de juro, deixando assim o mercado ajustar a taxa de câmbio.

 

Por fim, e para não me alongar muito, Portugal beneficiou não só nestes pontos, evidentemente que com a entrada da nova moeda, esta veio a constituir-se como uma moeda internacional de reserva, além de ser um meio de pagamento de peso crescente nas trocas mundiais, no entanto com o escudo isso não seria possível.

 

Eu continuo a perguntar se isso foi um benefício, olhando para a nossa situação actual...

 

Não. Mas qual redução da inflação? A inflação, após a entrada no Euro, voltou a atingir as percentagens que tínhamos antes. A redução que se deu em 2002/2003, foi devido ao facto do acerto monetário e cambial já estar feito. Nada mais. E o que tu disseste foi:

 

Estava a referir-me na altura em que entrou na zona euro, não na actualidade.

 

Na altura em que entrámos na zona Euro, a inflação aumentou. Quase duplicou. São estes os factos.

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