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FC Porto - Presidência, Marketing, SAD e Relatórios & Contas

Publicações recomendadas

SAD COM LUCRO SUPERIOR A 20 MILHÕES

 

A FC Porto – Futebol SAD encerrou o exercício 2012/13 com um lucro de 20,356 milhões de euros, numa época em que se sagrou tricampeão nacional. Destaque-se ainda o facto de o EBITDA (“cash flow” operacional) atingir os 58,285 milhões de euros, o que permite amortizar dívida ou ter uma atitude activa no mercado. As contas foram apresentadas na manhã desta sexta-feira, no Estádio do Dragão.

 

A sociedade continua dentro do valor recomendado pela UEFA (70%) para o rácio salários vs. proveitos operacionais, excluindo proveitos com passes de jogadores. O activo da sociedade cresceu 17 milhões de euros, para 227,853 milhões de euros, enquanto o passivo diminuiu três milhões, para 220,225 milhões, o que permitiu à sociedade voltar aos capitais próprios positivos, que agora são de 7,627 milhões.

 

Angelino Ferreira, administrador para a área financeira do FC Porto, sublinhou que se tratou de um “regresso rápido” da sociedade aos lucros, após um interregno de apenas um ano: “É importante realçar a nossa capacidade de gerar resultados positivos na exploração económica da sociedade desportiva e atentarmos na capacidade de gerar meios, porque o EBIDTA está na casa dos 58 milhões de euros, o que nos dá conta da capacidade de adquirir outros activos ou amortizar divida”.

 

“Do lado financeiro, há que relevar o controlo da gestão da dívida, um tema que temos de monitorizar muito de perto. Reduzimos a nossa dívida financeira de forma expressiva em relação à época anterior e os montantes do endividamento bancário e de colocação no mercado, através de obrigações, têm montantes ajustados. A actividade do futebol é de risco e exige uma alavancagem financeira; no nosso caso, ela está ajustada. Há que ter em conta que os montantes são controlados, mas também a qualidade dos activos da SAD, que permitem fazer face, a qualquer momento, a necessidades financeiras que possamos ter de assumir face ao mercado”, explicou.

 

O administrador considerou que se tratou de um “bom exercício”: “A principal questão que se põe na gestão de uma SAD é o equilíbrio entre o desportivo e o financeiro. Temos a vindo a consegui-lo com êxito nos últimos anos”. O exercício positivo verificou-se apesar da queda das receitas no item bilheteira, devido ao aumento do IVA e clima económico nacional. Angelino Ferreira explicou por isso as duas vertentes do “core business” da SAD: “Temos a produção de espectáculos desportivos, que envolve receitas e custos associados, e, por outro lado, a venda de activos no mercado de transferências, quer a nível de aquisição quer de venda. Considero que são proveitos quase operacionais neste ramo de actividade”.

 

Foi ainda deixada uma nota de atenção em relação a algumas informações que têm circulado na comunicação social e que podem induzir em erro o mercado: a questão dos orçamentos dos clubes e o valor das transferências (em que há que ter em conta o valor da aquisição e o valor do investimento, que envolve outras verbas para além do montante devido ao clube vendedor). Em relação ao primeiro ponto, Angelino Ferreira esclareceu: “Diz-se que temos o dobro do orçamento do nosso competidor directo e o quádruplo do outro grande clube. Um orçamento não é só o custo do plantel: para jogar, há que ter um estádio, infra-estruturas e uma operação associada. É de bom senso pensar que um clube num patamar competitivo idêntico tenha menos de metade do orçamento? Surpreende-me ler isso de pessoas que deveriam ter algum sentido crítico e continuam a informar o mercado de valores que não correspondem à realidade”.

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Relatório e contas

FC Porto com conforto financeiro para ir ao mercado

 

Angelino Ferreira garante que o FC Porto dispõe dos meios necessários para ir ao mercado de inverno se necessitar, depois de ter fechado a época com um lucro de 20,356 milhões de euros.

 

O responsável pela área financeira da SAD do FC Porto, Angelino Ferreira, defendeu que as contas relativas à época de 2012/13, nesta sexta-feira apresentadas, "revelam a solidez da situação financeira e económica da sociedade desportiva".

 

Angelino Ferreira falava na apresentação do relatório e contas da última temporada do FC Porto, no Estádio do Dragão, que regressou aos lucros, registando um resultado líquido positivo de 20,356 milhões de euros, depois de, na época anterior, ter verificado um prejuízo de 35,7.

 

"Naturalmente há sempre algumas fragilidades que temos que ir monitorizando e acompanhando", referiu Angelino Ferreira, admitindo que a venda de Hulk, Álvaro Pereira, James e João Moutinho foram contributos decisivos para a obtenção deste resultado positivo.

 

Ainda de acordo com Angelino Ferreira "este é um regresso aos resultados líquidos positivos após um breve interregno de um ano" e as contas apresentadas "revelam a capacidade de o FC Porto aliar o desempenho desportivo com a obtenção de resultados financeiros positivos, bem como de gerar meios".

 

O dirigente destacou ainda que os resultados obtidos pela SAD antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) andaram na casa dos 58 milhões de euros, o que traduz a "capacidade da sociedade em adquirir outros ativos e amortizar dívidas".

 

"Tendo em conta os montantes da divida, no que toca ao endividamento bancário e à divida colocada no mercado através de obrigações, esta revela montantes perfeitamente ajustados e equilibrada à nossa atividade", defendeu Angelino Ferreira.

 

O dirigente realçou a capacidade do FC Porto controlar e gerir a divida, "algo que conseguiu fazer de uma forma expressiva, relativamente à época anterior", e destacou a qualidade dos ativos que integram o balanço da sociedade desportiva.

 

"Os ativos que integram o FC Porto [nomeadamente o valor do plantel] são de qualidade e permitem fazer face, a qualquer momento, às necessidades financeiros que possamos ter que assumir perante o mercado", sublinhou.

 

Angelino Ferreira disse ainda que o FC Porto gostaria de "continuar a trabalhar para robustecer ainda mais a situação financeira através da capitalização da própria sociedade. Mas, como os próprios números indicam, foi um bom exercício", sustentou.

 

O dirigente disse ainda que a principal questão que se coloca na gestão das sociedades desportivas é fazer o equilíbrio entre o desportivo e o financeiro e esse é o desafio que o FC Porto tem vindo a conseguir concretizar nos últimos anos.

 

Angelino Ferreira pediu ainda "bom senso" quando se fala de orçamentos dos clubes, considerando "desajustado" pensar que as equipas com um patamar de competitividade idêntico ao dos "dragões" tenham metade ou um quarto do orçamento do FC Porto.

 

O dirigente defendeu ainda que o clube dispõe dos meios necessários para, se for necessário, ir ao mercado em janeiro reforçar o plantel, mas recordou que tal está sempre ao abrigo da política de aquisições do clube.

 

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Relatório e contas

Receitas de bilheteira no Dragão caem 38,7%

 

Aumento do IVA e menor poder de compra por parte dos adeptos entre as justificações para a quebra de assistência no Dragão. Maiores proveitos voltam a registar-se na Liga dos Campeões.

 

As receitas de bilheteira do FC Porto caíram 38,7% na época 2012/2013 face ao ano anterior, de 10,6 para 6,5 milhões de euros, algo que o administrador Angelino Ferreira atribuiu ao aumento do IVA e da conjuntura.

 

Durante a apresentação de resultados financeiros da FC Porto Futebol, Sociedade Anónima Desportiva (SAD), Angelino Ferreira salientou que "esta indústria não está imune ao que se passa".

 

"Também [se deve ao aumento do IVA para 23%], mas também tem a ver com o contexto económico", referiu o administrador, durante um encontro com jornalistas no Estádio do Dragão.

 

As receitas de bilheteiras do clube fixaram-se em 10,631 milhões de euros na temporada de 2011/2012, tendo caído para 6,521 milhões no ano seguinte, o que representou 8% dos proveitos operacionais da SAD, fora os montantes relativos aos passes dos jogadores.

 

Em primeiro lugar nos proveitos do FC Porto encontraram-se os ganhos referentes às provas da UEFA, no caso a Liga dos Campeões, num total de 20,39 milhões de euros, seguindo-se a 'corporate hospitality', serviços comerciais, que registaram um valor de 15,2 milhões de euros.

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Sem as mais-valias do Hulk, do James e do Moutinho, tínhamos 50M€ de prejuízo. Não preciso de dizer mais nada, pois não?

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Sem as mais-valias do Hulk, do James e do Moutinho, tínhamos 50M€ de prejuízo. Não preciso de dizer mais nada, pois não?

 

Dizer isso dessa forma é o mesmo que ganhar 3-0 e dizer que se não fossem os três golos tínhamos empatado.

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Os Meus Destaques do Relatório & Contas de 2013

 

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Tendo por base os dados preliminares enviados à CMVM, gostava de realçar os seguintes aspectos:

 

1- Para começar, o mais importante. Estamos perante um Relatório & Contas e não, como muitos dizem e escrevem, de um relatório de contas. Refiro isto para sublinhar que não se trata de uma só peça (as demonstrações financeiras a que vulgarmente chamam contas), mas sim de duas peças: a primeira é o Relatório de Gestão onde a administração da sociedade descreve a actividade desenvolvida no exercício e a sua evolução (aqui se integrando a actividade desportiva), e a segunda são as referidas Contas. Saliento este facto porque normalmente há a tendência para se discutirem as Contas do FCP-SAD como se tratasse de uma qualquer sociedade comercial cujo escopo principal é a obtenção de um lucro contabilístico. Ora, como bem sabemos, a FCP-SAD é uma sociedade desportiva que tem por objectivo maior a obtenção de títulos desportivos (no caso, o futebol) e onde o lucro financeiro é secundário (embora não despiciendo).

 

2- Assim sendo, o primeiro destaque vai para os resultados desportivos. Concretamente, o FCP-SAD alcançou o título de campeão nacional (aliás, tri-campeão), a Supertaça e passou a fase de grupos da Liga dos Campeões, tendo falhado a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Globalmente, o ano foi positivo, embora como é apanágio neste clube se espere sempre melhor – em especial fica “atravessada” a derrota na final da Taça da Liga e a eliminação aos pés do Málaga.

 

3- O resultado líquido do exercício cifrou-se em 20.356 m€, muito acima das expectativas visto que a administração tinha orçamentado um resultado líquido de 11.503 m€. Contudo, convém não esquecer que no ano anterior o prejuízo foi de 35.763 m€, razão porque na média dos dois últimos anos o saldo ainda é bastante negativo. Refiro este facto porque, para efeitos do fair-play financeiro da UEFA, concretamente o critério do “break-even”, são considerados os resultados dos últimos anos (média), motivo porque se impõe que no próximo ano se continue com resultados líquidos positivos.

 

4- Ainda mais relevante que a descida do passivo total em 3.160 m€ (montante pouco significativo), é a diminuição da dívida financeira líquida em 26.594 m€. Trata-se de uma redução muito importante porque é esta parte do passivo que gera os juros suportados, e que nos últimos anos têm vindo a subir consideravelmente. Para se ficar com uma ideia do problema, constata-se que a rubrica “resultados financeiros” (onde se incluem os juros pagos) afectou negativamente os resultados do exercício em 9.122 m€ quando no ano de 2012 esse valor tinha sido de 7.857 m€. Se disser que estes 9.122 m€ são o saldo (isto é, já abatidos dos juros recebidos, nomeadamente do FCP-Clube ao abrigo do protocolo existente), fácil será concluir que os juros pagos já ultrapassam os 10 milhões de euros/ano.

 

5- Os proveitos operacionais (sem resultados de transacções de passes) foram 78.441 m€. Como os resultados de transacções de passes foram 76.445 m€ conclui-se que esta rubrica de mais-valias na venda dos direitos económicos de jogadores representa quase 50 por cento da totalidade dos ganhos. Como referi em artigo anterior esta dependência excessiva da venda de passes pode vir, mais cedo ou mais tarde, a revelar-se um forte constrangimento na gestão da SAD.

 

6- Por outro lado, como os custos operacionais (também com exclusão de transacções de passes) foram 96.585 m€, confrontando com os 78.441 m€ de proveitos operacionais, as contas revelam um défice de 18.144 m€ (resultado operacional negativo). Como estamos a falar de proveitos e custos operacionais sem transacções de passes, estes 18.144 m€ de défice devem constituir um objectivo a eliminar no futuro, seja pela via da redução de custos, seja pela via do aumento de proveitos ou seja pelo efeito conjugado dos dois casos.

 

7- Uma nota final para os custos com o pessoal que subiram de 49.595 m€ em 2012 para 54.065 m€ em 2013. Este valor está mesmo no limite do valor recomendado pela UEFA (70%) no fair-play financeiro. Como os proveitos operacionais foram 78.441 m€, estes 54.065 m€ representam exactamente 68.9% (54.065/78.441), motivo porque a administração da SAD não se pode distrair muito nesta área…

 

nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

 

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/2013/10/os-meus-destaques-do-relatorio-contas.html

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Mas por acaso são números que assustam um bocado se temos ai uns 2 ou 3 anos em que as coisas correm mal e não conseguimos negócios como os de costume vai ser complicado.

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Citação do jornal "A Bola" online

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Pinto da Costa recebe 400 mil euros brutos por ano

No relatório e contas consolidado são mencionados os salários dos administradores executivos da SAD do FC Porto.

Fica a saber-se, por exemplo, que Pinto da Costa aufere um ordenado bruto anual de 400 mil euros, enquanto os restantes administradores recebem 240 mil.

Estão ainda previstas gratificações para os principais elementos da estrutura azul e branca, com o presidente a encaixar 320 mil euros e os restantes três dirigentes 192 mil euros cada um.

A apresentação das contas realça, no entanto, que os prémios pagos aos administradores, no último exercício, totalizaram apenas 224 mil euros.


http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=436534

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As Perspectivas Financeiras Futuras da FCP-Futebol, SAD

 

Arrumadas as contas de 2013, e bem arrumadas com lucro muito significativo (para além dos títulos, que são sempre o mais importante), há que perspectivar o que pode acontecer em 2014, e para isso, nada melhor do que analisar o Orçamento de Exploração que anualmente o conselho de administração da FCP - Futebol, SAD, elabora e apresenta para aprovação na Assembleia Geral de Accionistas (a ocorrer no próximo dia 21 de Novembro). Como sabemos, um orçamento não passa disso mesmo, isto é, um documento de intenções que pode a vir a revelar-se mais ou menos acertado, no entanto, é sempre um documento muito importante por ser revelador das políticas e metas da administração da sociedade.

 

Mas, antes disso, e porque em matéria de contas grassa uma generalizada confusão (incluindo a própria comunicação social), onde o disparate campeia, importa primeiro saber de que contas se está a falar. Ora, no universo Futebol Clube do Porto existem actualmente quatro tipos de “relatórios e contas”, todos diferentes entre si, em função dos diferentes perímetros de englobamento, a saber:

 

- Futebol Clube do Porto, contas individuais;

- Futebol Clube do Porto, contas consolidadas; (*)

- Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, contas individuais;

- Futebol Clube do Porto -Futebol, SAD, contas consolidadas;

 

(*) Ao contrário do que os papagaios do clube do regime há anos vêm debitando, que apenas eles apresentam contas consolidadas (na lógica leninista de que uma mentira mil vezes repetida se torna verdade), na verdade, o ÚNICO clube entre os 3 grandes que apresenta contas INTEGRALMENTE consolidadas é o FC Porto. De facto, e deixo aqui este esclarecimento, porque foram pouquíssimos os portistas que estiveram na última Assembleia Geral do Clube, e por isso, poucos saberão que pela primeira vez, o FC Porto (Clube, não confundir com FCP-SAD) preparou as suas demonstrações financeiras consolidadas (no caso, reportadas a 30/06/2013), aliás, no cumprimento da legislação comercial em vigor em Portugal (artigos 6º e 7º do Decreto-Lei nº 158/2009, de 13 de Julho), situação que, para já, não tem paralelo nos dois clubes de Lisboa. E reforço este ponto para que se saiba que, quer os viscondes falidos (veja-se o perdão bancário encapotado, via VMOC´s - valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis), quer o clube do regime (também tecnicamente falido - capitais próprios negativos), nas suas contas PARCIALMENTE consolidadas, não englobam as contas dos respectivos clubes, o que para além de violar o citado decreto-lei, dá um enorme jeito para esconder dos seus associados a real situação económico-financeira desses clubes (por isso, por exemplo, no caso do clube campeão da propaganda, ninguém se entende quanto à verdadeira dimensão do passivo: uns, os apoiantes da linha oficial, referem o mais baixo, 440M€ - valor do consolidado da SAD; outros, os anti-vieiristas, somam o passivo do clube e chegam aos 560M€ …).

Posto isto, vamos então ver o que a administração da SAD espera do corrente exercício de 2013/2014. Para isso, são consideradas as contas individuais da FCP - Futebol, SAD, e para melhor compreensão, vou introduzir o comparativo com o realizado em 2012/2013, seleccionando e sintetizando apenas os indicadores mais significativos:

 

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Perante estes números, cada um poderá tirar as suas conclusões. Pela minha, parte suscitam-me os seguintes comentários:

 

1) A estimativa de descida acentuada nas mais-valias na venda de passes é não só natural, face ao elevado valor de vendas em 2012/13 (HulK, Álvaro Pereira, João Moutinho e James Rodriguez), como desejável no sentido em que diminui a excessiva dependência do orçamento desta rubrica, o que fica bem traduzido no facto de que embora diminuindo esta rubrica 45,8%, o total de proveitos operacionais só reduz 27,3%. Em todo o caso, certo é que a administração prevê vender 2/3 dos mais valiosos jogadores para poder facturar 70 a 80 milhões de euros e assim alcançar cerca de 40 milhões de mais-valias.

 

2) Positiva a previsão de diminuição de gastos com o pessoal em 3,8M€, a que não será estranha a venda de alguns dos passes dos jogadores (os atrás citados) que mais pesavam na folha salarial.

 

3) As amortizações de passes (isto é, o somatório dos preços de aquisição de cada atleta a dividir pelo nr. de anos do respectivo contrato) estão relativamente estáveis, nem é expectável que venham no futuro a diminuir, uma vez que para isso acontecer, seria necessário que os preços de aquisição dos atletas baixasse, o que sendo desejável, já deixaria de o ser se tal fosse obtido à custa de uma menor qualidade dessas aquisições.

 

4) Muito negativa é a contínua escalada das despesas financeiras. Aqui não há milagres: subindo as taxas de juro e não descendo significativamente o passivo financeiro, os juros pagos, claro, sobem.

 

5) O objectivo de redução de custos, desejo publicamente manifestado pelo administrador financeiro Angelino Ferreira, tem tradução expressa neste orçamento, prevendo-se uma redução de 16,1% no total de custos operacionais, o que será excelente (se for efectivamente alcançada...).

 

6) Mesmo assim, com esta redução nos gastos, o resultado operacional tem uma grande descida de 30 para 10 milhões de euros, fruto da referida diminuição nas mais-valias nas vendas de passes de jogadores.

 

7) Como corolário de tudo isto, o reflexo no resultado líquido final que se prevê baixe de 20 milhões em 2013 para apenas 629 mil euros em 2014.

 

8) Obviamente, um orçamento está sujeito a várias contingências, por exemplo a não passagem da fase de grupos da liga dos campeões pode colocar o resultado com saldo negativo, mas, por outro lado, vendas de passes superiores ao esperado podem mais do que compensar essa falha. Em qualquer caso, atendendo a que a soma dos resultados líquidos de 2012 e 2013 é bastante negativa (cerca de 15M€ de prejuízo), e considerando que estando já em vigor o Fair-Play Financeiro da UEFA (que obriga a um equilíbrio entre custos e proveitos, o chamado critério do “break-even”), a administração da SAD está bastante pressionada a apresentar neste exercício de 2014 resultados positivos (mesmo que marginais, como os orçamentados).

 

É este, pois, o panorama que de modo sintético se apresenta para o corrente exercício fiscal de 2013/2014 que encerra a 30/6.

 

P. S. – À data em que escrevo o presente artigo (14-Nov), ainda não são conhecidas as contas referentes ao 1º trimestre (Julho a Setembro), cujo prazo limite de comunicação à CMVM é 30-Nov, contudo, não será de estranhar que venham a ser significativamente negativas uma vez que estando dependentes da realização de 41M€ de mais-valias nas transacções de passes de jogadores (em termos anuais), neste primeiro trimestre, ainda não surgiram vendas de relevo (creio que, apenas, Atsu). Mais um motivo de pressão sobre a administração da SAD no mês de Junho de 2014 para a realização de mais-valias (caso não aconteça já na janela de transferências de Janeiro...).

 

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/2013/11/as-perspectivas-financeiras-futuras-da.html

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Era só para acrescentar que o R&C da SAD é claro como água: o FCP paga, pelo centro de estágios, 36144 euros por ano. Bem diferente dos 500€ por mês que alguém inventou.

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As contas da SAD

 

 

Após ter finalmente arranjado algum tempo para consultar o R&C de 12/13 (e do 1o trimestre de 13/14), aqui ficam as primeiras impressões que daí retirei sobre a saúde financeira da SAD.

 

Antes de mais, para o adepto comum foi surpreendente e uma desilusão que o lucro tenha sido de apenas 20M€ após as vendas (no período em causa) de A. Pereira, Hulk, J. Moutinho e James num total de 120M€ (brutos). No entanto para quem seguir estas coisas com alguma atenção não houve enorme surpresa, já que:

 

1) Uma coisa é uma venda bruta e outra muito diferente é as mais-valias daí resultantes (digamos, de uma forma muito grosseira e para simplificar, «lucro»), que é o que interessa para a demonstração de resultados – e para isso há que descontar o custo (amortizado) do passe, a % do passe que não detemos, e comissões de intermediação (e por vezes direitos de formação)

 

2) A gestão corrente da SAD tem um défice crónico considerável, já que as despesas «normais» são consideravelmente mais elevadas do que as receitas «normais».

 

Gosto de começar por olhar para o indicador-mor da evolução da saúde estrutural da SAD (que basicamente nos diz até que ponto estamos dependentes das vendas): quais seriam os resultados se não tivéssemos feito mais-valias? Ora bem, se formos a ver as coisas por esse prisma estamos um bocadinho melhor do que um ano antes: -56M€ vs -65M€ um ano antes. Menos mau.

 

Continuamos no entanto numa situação complicada, e por várias razões (já agora, a média na última década para esse indicador tem andado pelos -30M€, pelo que ultimamente temos andado muito mais dependentes de grandes vendas).

 

1) Repare-se que nas 4 grandes vendas acima mencionadas (num total de 120M€) as mais-valias foram 76M€ no total, ou seja 63% do valor bruto da venda. Supondo que teremos +- o mesmo rácio nas próximas grandes vendas, seria preciso fazer mais ou menos 90M€ brutos em vendas até 30 de Junho para não fazermos prejuízo em 13/14, o que não me parece minimamente provável.

 

2) Parece-me que o potencial do plantel actual para fazer mais-valias é claramente mais baixo do que há um ano (mesmo especulando que um ou outro se vai valorizar ainda muito, como por ex um Quintero entre outros). Primeiro porque o custo de muitos dos jogadores foi elevado (vários deles avaliados aquando da compra em 10M€ ou perto disso, alguns até mais), segundo porque só detemos parte do passe de alguns dos mais valiosos (por ex Mangala 57%, Quintero 50%, Iturbe 45% - e já agora o mais provável é que Fernando acabe por sair a custo zero se não for vendido no Natal); e terceiro porque parece-me que desportivamente o top 5 de jogadores pura e simplesmente não vale o mesmo que o top 5 de há uns 2 anos atrás.

 

3) Se por um lado as receitas de TV vão aumentar este ano alguns milhões, por outro lado outras receitas têm tendência a descer este ano - como bilheteira, merchandising e LC - fazendo com que as receitas no total (excluindo mais-valias) se mantenham mais ou menos estáveis; isto enquanto as despesas não param de aumentar, ainda que de forma mais suave que nos anos anteriores.

 

4) Ainda por cima, parece-me que ofertas como as do Zenit ou Mónaco por Hulk e Moutinho/James são cada vez mais a excepção e não a regra, ainda por cima com as regras de Fair Play financeiro da UEFA a entrar em força.

 

O outro indicador «top line» que me interessa (e que mais interessa à SAD na gestão corrente) é o saldo de curto prazo entre activos e passivos, i.e. a diferença entre o que temos a pagar nos próximos 12 meses e o que temos a receber no mesmo período em função dos compromissos assumidos.

 

A 1 de Outubro esse saldo era de 59M€ negativos – exactamente o mesmo que um ano antes. Esse «buraco» terá que ser coberto como de costume com um misto de:

 

a) Primeiras prestações de eventuais vendas de jogadores,

b) receitas de LC/LE não orçamentadas (que este ano certamente não vão chegar a 15M€, já excluindo o prémio de presença na fase de grupos que já estava previsto) tal como de bilheteira,

c) e novos empréstimos (a taxa de juro média dos que andamos a pagar, já agora, anda nos 8.5%).

 

Parece-me por essa perspectiva que a situação está bastante apertada, mas longe de desesperada. Parece-me extremamente provável que em grande parte teremos que recorrer a novos empréstimos, de uma ou outra forma (i.e. bancário, obrigacionista ou terceiros).

 

Para este artigo não ficar demasiado longo, deixo para um segundo artigo as impressões sobre dados mais detalhados do R&C.

http://www.reflexaoportista.pt/2013/12/as-contas-da-sad.html

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As receitas da SAD

Num artigo anterior comentei, muito por alto, as contas da SAD no passado ano. Passo agora a alguns dados mais especifícos, começando neste artigo pelos proveitos (receitas).

 

Os proveitos da SAD (excluindo vendas de jogadores) mantiveram-se em 12/13 grosso modo estáveis em relação ao ano anterior (sem grande surpresa).

 

À primeira vista, estes aumentaram 6M€ em 12/13; na realidade, aumentaram 1,5M€ ou cerca de 2% (o aumento de 4.5M€ em Corporate Hospitality é devido a uma mudança de tratamento contabilístico, tendo havido um aumento idêntico do lado dos custos). Isto deveu-se acima de tudo a um aumento de 6M€ nas receitas da UEFA (a época anterior tinha sido má nesse aspecto).

 

A crise económica que tem assolado o país tem servido no futebol como um bode expiatório para resultados menos bons (também pelos nossos dirigentes). Mas não passa mesmo de um bode expiatório, já que como se vê pelo lado das receitas não tem havido grande problema, tendo estas subido nos últimos anos (aliás, são hoje uns 40% mais altas do que há 5 anos atrás, cerca de 20M€ extra/ano). O futebol é um mundo aparte. Mas porque é que digo isto?

 

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As rubricas que têm um mínimo de relevância e que são claramente atingidas pela crise económica são - acima de tudo - o merchandising, quotas e a bilheteira (incl. Dragon Seats).

 

Ora acontece que estes proveitos da SAD – de 9M€ no total - correspondem a uns meros 6% do total dos proveitos, ou 12% se excluirmos as mais-valias nas vendas de jogadores (que são muito variáveis, mas não têm sido minimamente afectadas pela crise – isto devido a um bom trabalho da SAD nas vendas mas também devido a um contexto favorável, já que os clubes europeus em geral e em média têm gasto tanto ou mais em compras de jogadores do que há uns anos atrás).

 

Já os principais proveitos para a SAD não têm sido minimamente afectados, aliás têm subido a bom ritmo. Antes de mais temos as receitas da UEFA (20M€ em 12/13), que têm vindo a aumentar paulatinamente – não porque tenhamos feito nos últimos anos melhores campanhas europeias do que no passado, mas pura e simplesmente porque a UEFA tem aumentado o «bolo» a dividir pelos clubes, sendo hoje quase o dobro de há poucos anos atrás (e isto não porque esteja mais generosa, mas sim porque as suas receitas de TV e patrocínios têm aumentado).

 

Em seguida temos as receitas (nacionais) de TV, que têm aumentado consideravelmente, fruto do contrato progressivo com a Olivedesportos. Foram 13M€ em 12/13 (bem mais do que merchandising, quotas e bilheteiras juntos) e serão ainda mais milhões esta época (18M€, salvo erro). A longo prazo poderá eventualmente haver um risco (mas também uma oportunidade...), mas nos próximos 3 anos não há por onde preocupar por aqui, bem pelo contrário.

 

Temos também entre os principais proveitos o Corporate Hospitality (camarotes e outros serviços para empresas) que se tem mantido estável (15M€ em 12/13 com mudança contabilística). Parece-me que (sem grande surpresa) ou estas empresas clientes da SAD têm sido em geral pouco afectadas pela crise, ou então esta é uma despesa de que não querem prescindir. Esta poderá ser uma rubrica sob alguma pressão, mas não me acredito que possa haver aqui uma grande quebra no futuro: quanto muito estagnação ou uma pequena quebra (não mais do que um par de M€).

 

Finalmente, temos entre os principais proveitos os patrocínios e publicidade (13M€ em 12/13). Estes têm-se mantido estáveis nos últimos 5 anos e penso que muito dificilmente terão uma grande quebra (mas também é pouco provável que aumentem bastante no futuro).

 

Só depois temos a bilheteira e quotas, que baixaram de 10.6M€ para 6.5M€ em 12/13. Em parte esta quebra deveu-se um pouco à crise (e a uma certa desilusão com as exibições), mas em grande parte (2.5M€) deveu-se também a uma iniciativa dos sócios (que eu defendia há muito) que levou a % de quotas atribuída à SAD a baixar dos 75% para os 25%, ficando o clube com o restante.

 

Isto seria um balão de ar para as modalidades... não fosse o facto de que a Direção da SAD decidiu tirar mais ao clube com a mão esquerda do que os sócios tinham decidido dar com a mão direita – nomeadamente, ao passar a atribuir à SAD na totalidade as receitas relacionadas com suportes publicitários para as modalidades, num montante de cerca de 3M€ em 12/13, ficando o clube ainda pior do que antes (gostava de saber com que raio de lógica – a única comunicação que houve sobre isto foi uma curta nota de passagem na página 97 do R&C da SAD). Muito sinceramente, isto parece-me claramente um «chico-espertismo» e um pequeno escândalo que passou totalmente despercebido entre os sócios, e mais um sinal de que para os dirigentes os sócios parecem ser apenas meros consumidores e fontes de receita. Mas se alguém souber mais sobre isto, agradecia que comentassem.

 

Finalmente temos os restantes proveitos, que pouco mais são do que erros de arredondamento (até porque muitos deles têm custos consideráveis como a outra face da moeda)... começando pelo merchandising – que com receitas de 2.8M€ em 12/13 (já agora, a Porto Comercial deu um lucro de uns meros 600mil euros) coloca o FCP como um autêntico pigmeu face à esmagadora maioria dos clubes europeus de grande e média dimensão. E isto quando o FCP tem das camisolas oficiais mais caras da Europa... Quanto ao Dragon Tour, tem custos praticamente idênticos aos proveitos.

 

Há, finalmente, as mais-valias nas vendas de jogadores (e um valor absoluto total de 120M€ em 12/13, pulverizando o recorde anterior, graças a Hulk, A. Pereira, James e Moutinho). Disto já se falou muito anteriormente, incluindo no meu artigo anterior sobre as contas.

 

Análise

 

Parece-me que os proveitos (excl. nas vendas de jogadores) estão no cômputo geral de boa saúde, melhor do que nunca, sendo o mais provável que se mantenham estáveis nos próximos 3 anos apesar de uma ou outra queda marginal (como bilheteira), compensada por um aumento nas receitas de TV; com a ressalva natural de que para tal presumo que teremos performances europeias na média dos últimos 10 anos, i.e. indo em média aos 1/8s de final da LC.

 

SAD+receitas+1213+part2.png

 

Quanto aos proveitos nas vendas de jogadores, parece-me claramente que haverá tendência para uma quebra pronunciada para, quanto muito, valores próximos da média dos últimos 10 anos (cerca de 30M€/ano de mais-valias, contra 76M€ na época passada), senão mesmo mais baixos - até porque é pouco credível que o FCP vá vender mais do que 3 titulares/época. Mais: parece-me que tal é mesmo em certa medida desejável (se for para vender um pouco menos jogadores/ano), já que é muito arriscado estar tão dependente como estamos das grandes vendas, para mais com a entrada em força das regras de Fairplay financeiro. Avancei as razões para tal raciocínio no artigo anterior sobre as contas. E isto já presume que o FCP irá continuar a descobrir e «fazer» ano após ano Moutinhos, James e Hulks...

 

Não me parece que a SAD possa fazer muito melhor do lado das receitas, sinceramente (há apenas uma área em que acho que poderia fazer muito melhor, que é explorar o vector multimédia incluindo por exemplo jogos, Apps e outros conteúdos – mas penso que mesmo esta área, quando explorada com excelência, não irá render mais do que um punhado de milhões/ano - e em menor medida o merchandising, incluindo e-commerce para o estrangeiro).

 

No cômputo geral penso que a SAD tem, do lado dos proveitos, feito um trabalho muito bom na globalidade (mesmo que haja sempre oportunidades para fazer ainda melhor).

 

Sendo assim a conclusão só poderá ser que de forma a ter as contas equilibradas (que não o estão) a SAD terá forçosamente que cortar nos custos (não drasticamente - a la SCP - mas uns bons 10 a 20%). Mas isso já é assunto para o próximo artigo sobre as contas...

 

Para concluir: obviamente, o objectivo de ter contas equilibradas não é um fim em si mas apenas um meio para outros fins, nomeadamente uma competitividade desportiva sustentada. Até porque, como se costuma dizer, «sem dinheiro não há palhaços»...

 

http://www.reflexaoportista.pt/2013/12/as-receitas-da-sad.html

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Os custos da SAD

 

Depois de comentar os proveitos da SAD, passemos então aos custos.

 

Comecemos pelos custos ditos «Operacionais» (que excluem acima de tudo a amortização dos passes de jogadores e juros nos empréstimos). À primeira vista, estes custos aumentaram cerca de 5M€ (ou 6%) em 12/13; na realidade, aumentaram cerca de 0.5M€ (ou menos de 1%), já que a contabilização para Corporate Hospitality mudou.

 

Por outro lado há uma diminuição de cerca de 3M€ que, embora seja uma diminuição concreta para a SAD, não o é para o FCP no seu cômputo geral, já que foram encaminhados de forma pouco compreensível para o clube (nomeadamente em FSE e no que diz respeito a receitas de publicidade para as amadoras, de que já falei aqui).

 

Apesar do aumento destes custos ter sido muitíssimo mais suave em 12/13, continuamos na linha da trajectória ascendente da última meia dúzia de anos (estes custos duplicaram neste período, ou seja aumentaram quase 50M€/ano em relação a 07/08, o que é um pouco preocupante).

 

A rubrica mais importante nestes custos operacionais é os chamados «custos com o pessoal» (o que exclui a amortização dos passes dos jogadores). Esta rubrica subiu 4.5M€ (ou 9%) em relação ao ano anterior (e cerca de 60% em relação à época de 06/07), para 54M€; apesar do orçamento inicial até ter previsto um corte considerável. Segundo a explicação dada no R&C, isto terá sido devido à criação da equipa B e a um «investimento» [em salários, subentende-se] no plantel A. No que diz respeito à equipa B, isso explica também o aumento do número jogadores remunerados pela SAD de 39 para 52.

 

No entanto isso só explica uma pequena parte desse aumento, já que pelos dados publicados dá para ver que apenas 1.8M€ do aumento teve lugar na remuneração de atletas/técnicos/médicos (para um total de 40.7M€ em 12/13). Já os restantes custos com o pessoal aumentaram 25% (!) para um total de 13.4M€: +0.7M€ na remuneração dos 4 administradores executivos, +1M€ (quase 20%) nos restantes funcionários da SAD e +0.5M€ (para 5.2M€) em seguros de acidente e outros encargos.

 

No que diz respeito aos administradores executivos (que receberam em média 640mil euros cada um), de assinalar que 100% dos seus rendimentos foram fixos, o que não me agrada. Penso que um salário base de 1/3 desse valor seria mais do que adequado (o que ainda daria uns jeitosos 15,000€/mês nem que ficássemos em 3o lugar no campeonato, o que já é óptimo para quem estiver lá por amor ao clube) com uma forte componente variável e generosa (que poderia ultrapassar de longe o salário base) em função dos resultados desportivos da equipa e da sustentabilidade financeira da SAD.

 

No que diz respeito aos restantes funcionários (administrativos e vendedores das lojas), não compreendo um aumento de 20% nos custos quando o seu número aumentou 4% (mais 3 vendedores de lojas e 1 administrativo do que um ano antes, num total de 153 pessoas). De assinalar que isto já exclui os encargos com os salários (por ex segurança social), contabilizados noutra rubrica. Pelos vistos o «aperto» que a maioria dos portugueses vivem não chegou à máquina da SAD, longe disso.

 

Passemos à 2ª rubrica mais importante em custos operacionais, os FSE (Fornecimentos e Serviços Externos): contabilisticamente estes subiram 7% para um total de 37.5M€ (mais do que as receitas de TV, UEFA e Dragon Seat combinadas...), mas na realidade desceram cerca de 1M€ ou 2.5% (fruto da tal mudança de tratamento contabilístico de Corporate Hospitality de que falei anteriormente).

 

Os FSE teriam continuado a subir tal como nos 4 anos anteriores – há 4 anos eram cerca de metade do que são hoje, ou seja subiram quase 20M€, dos quais só uma pequena parte se explica devido a mudanças no tratamento contabilístico... – não fosse terem deixado de passar ao clube cerca de 3M€ de receitas relacionadas com suportes publicitários para as modalidades, como já mencionei anteriormente. Pela positiva parecem ao menos ter estabilizado um pouco, mas a um valor muito elevado – é pena que também aqui (tal como nos custos com pessoal) as intenções públicas de contenção não tenham tido qualquer tradução na prática.

 

Já agora, para já não vejo qualquer efeito prático positivo da criação da «FCP Serviços Partilhados», que era suposto gerar sinergias consideráveis no grupo.

 

Para além dos custos operacionais, há ainda duas grandes rubricas de custos: antes de mais as «amortizações e perdas de imparidades com passes de jogadores».

 

Relembro que o que pagamos em passes não entra de uma só vez na demonstração de resultados, sendo sim amortizados ao longo do número de anos de contrato com o jogador, tendo portanto um efeito ao retardador considerável. Em 12/13 este valor desceu consideravelmente de 36.3M€ para 26.5M€ - nem tanto porque a SAD tenha gasto menos em passes em 12/13 como explica no R&C (afinal de contas gastámos 46.5M€ em passes em 12/13, um dos valores mais elevados da história da SAD...), mas também em boa parte porque nos «livrámos» de enormes amortizações dos passes de Hulk, A. Pereira e em muito menor medida James e Moutinho ao vendê-los (daí também que as mais-valias nessas vendas não tenham ultrapassado 65% do valor bruto). A evolução não deixa de ser positiva, muito embora estes custos continuem consideravelmente acima dos 20M€ de há 5 anos atrás, fruto do enorme investimento em passes nos últimos 4 anos (em que a média tem andado superior a 40M€/ano, o suficiente para nos incluir no top15 europeu).

 

Finalmente, temos os custos financeiros, nomeadamente o que pagamos em juros no serviço da dívida. Esta rubrica – um pesado fardo que «suga» recursos da SAD - ultrapassou pela primeira vez os 10M€ em 12/13, fruto do aumento da taxa de juro média (anda em 8.5%, contra 7.6% um ano antes) mas também do considerável aumento do recurso aos empréstimos nos últimos anos (103M€ em Julho quando era de 81M€ há 5 anos).

 

Análise

Se - como disse no artigo anterior - penso que a SAD tem feito bom trabalho nas receitas, já do lado dos custos penso que há ainda muito por onde melhorar, e em várias rubricas. Para já os números indicam que se o país em geral tem apertado o cinto nos últimos anos, não se vislumbra esforço idêntico da parte da SAD, apesar de algumas declarações de intenções inócuas: gastamos hoje muito mais do que antes da crise eclodir.

 

Para começar penso que deveria ser estabelecido o objectivo de reduzir o passivo financeiro (empréstimos) para metade nos próximos 3 anos (não de uma assentada, o que penso ser contraproducente), de forma a passarmos a poupar uns 5M€/ano em juros (e não me parece nada provável que a taxa de juro baixe consideravelmente nos próximos tempos, até porque a banca começa a restringir os empréstimos ao mundo do futebol). Para tal será preciso cortar um pouco em outros custos e reinvestir um pouco menos em passes o dinheiro encaixado nas vendas, encaminhando assim uns 15M€/ano para o abate de empréstimos.

 

Passando a custos com pessoal (excl. jogadores) e FSE, parece-me que deveria ser possível reduzir estas rubricas em 10% ou perto disso (o que se iria traduzir também numa poupança de cerca de 5M€/ano) sem ser necessário cortar no «músculo».

 

Falando finalmente de jogadores (passes e massa salarial), penso que a SAD devia contratar em menos quantidade (em média contratamos uma dúzia de jogadores por ano) apostando mais na prata da casa ou jogadores baratos saídos do campeonato português e gastando muitos milhões apenas nas posições menos bem preenchidas, tal como num plantel 2 ou 3 jogadores mais curto (recorrendo a um ou outro jogador da equipa B para preencher as convocatórias, se necessário).

 

Sabe-se à partida que todos os anos há apenas uns 15 jogadores utilizados com alguma regularidade, daí parecer-me exagerado ver dezenas de milhões de euros em passes e salários «empatados» no banco e na bancada como temos tido nos anos mais recentes (e muito ao contrário do que acontecia antes); para dar apenas um exemplo, penso que o 4º central poderia perfeitamente ser um jogador da equipa B (ou pelo menos ex-equipa B). Para ser claro, não defendo um corte drástico ou uma inversão drástica na gestão da SAD - penso que com um corte relativamente suave no investimento em jogadores (digamos, uns 10 a 20%) e tendo uns 4 jogadores «prata da casa» no plantel seria possível controlar as contas sem comprometer a competitividade desportiva da equipa, havendo ainda muito espaço para investir nos Jacksons ou Quinteros deste mundo.

 

Haveria no entanto algum risco nesse ajustamento de gestão? Haveria sempre sim senhor, muito embora se for feito com inteligência (e afinal de conta temos gestores com muito «know how» desportivo) será muito pequeno. Mas, meus caros... sem tal ajustamento há risco na mesma, nomeadamente de fazer a SAD «sangrar» constantemente em juros de dívida e também – acima de tudo - de eventualmente dar um «estouro» financeiro *e* desportivo em anos que corram mal desportivamente e/ou em vendas de jogadores (o que não depende só de nós, longe disso). E parece-me que esse risco é mais elevado.

 

http://www.reflexaoportista.pt/2013/12/os-custos-da-sad.html

 

Curiosidades soltas do R&C

 

Para terminar a série de artigos sobre os dados mais recentes dos R&C da SAD, aqui fica um número de curiosidades:

 

- Pelos vistos o Lyon entrou em incumprimento... (já que os 1.7M€ que deviam ter pago em 12/13 como tranche final de Lisandro e Cissokho transitaram na totalidade para 13/14)

 

- Em média o FCP paga os passes de jogadores mais rapidamente do que nos pagam a nós; para além de Jun 2014 teremos a receber ainda 13.5M€, mas apenas 4M€ ainda a pagar

 

- O Mónaco foi um excelente comprador, pagando praticamente quase tudo na aquisição (ficaram apenas 3.5M€ por pagar, e já nesta época). Isto é raríssimo.

 

- O Zenit ainda deve 20M€ de Huk, dos quais 10M€ a pagar ainda esta época, «garantidos» [sic] por uma «carta de conforto» de uma multinacional (Gazprom, presumo)

 

- De todos os jogadores comprados em 2013, apenas Quiñones o foi a 100%.

 

- Reyes e Herrera receberam 1.4M€ e 700mil € de prémio de assinatura, respectivamente

 

- Os jogadores detidos a 100% pela SAD são os seguintes: Jackson, Danilo, A. Sandro, Otamendi, Maicon, Quiñones e Caballero.

 

- A SAD ainda detém 25% dos passes de O. Sá e Souza; 50% de T. Costa, Stepanov e Prediguer; e 70% de Soares.

 

- 90% dos empréstimos bancários da SAD são com o BES

 

- Em 12/13 a SAD gastou 7M€ em serviços de prospeção de mercado, consultadoria jurídica, auditoria e consultadoria financeira (vs 3M€ em média nos anos anteriores).

 

- A SAD registou inicialmente 1.1M€ de perdas de imparidade por dissolução da FCP Basquetebol SAD que foram no entanto assumidas pelo FCP clube, saindo pois a SAD incólume dessa dissolução

 

- Pinto da Costa detém 1.4% da SAD (206mil acções), e R. Teles um punhado de acções. Adelino Caldeira, Angelino Ferreira e Rui Sá continuam a ser os membros do C.A. que não detêm qualquer acção da SAD.

 

- À cotação actual de 0.36€ (queda de 93% vs valor nominal), a SAD vale 5.4M€ na na sua totalidade (teoricamente falando), incluindo os 40% detidos pelo FCP clube.

 

http://www.reflexaoportista.pt/2013/12/curiosidades-soltas-do-r.html

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Acho impossível o prémio de assinatura do Reyes ter sido 1.4M €. Quem terá sido que ficou com esse dinnheiro. :-

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Contas à moda do Porto

 

​Uma das mentiras mais vezes repetidas no futebol português nos últimos anos tem a ver com as contas consolidadas, que alegadamente o FC Porto não apresenta e que o Benfica e o Sporting apresentam. Esta mentira tem servido para iludir os adeptos menos informados, justificando assim, ano após ano, que o FC Porto junte aos muito melhores resultados desportivos também muito melhores resultado económico-financeiros.

​O decreto-Lei n.º 36-A/2011, que no seu artigo 7.º refere a “obrigatoriedade de apresentar contas consolidadas” é claro quanto à inclusão dos clubes desportivos que tenham um volume de negócios anual superior a 500 mil euros. Ou seja, por obrigação legal, os três grandes clubes são obrigados a apresentarem contas consolidadas sobre todo o seu universo, o que supostamente acabaria com o diz que disse nesta matéria.

 

Acabaria se a lei fosse cumprida, porque a verdade é que só o FC Porto cumpre a lei e apresenta contas consolidadas de todo o seu universo. Benfica e Sporting não o fizeram e nem há notícia que a Comissão de Normalização Contabilística e outras autoridades pretendam obrigar os incumpridores a fazê-lo.

 

O FC Porto não tem nada a esconder aos seus sócios, os donos do nosso clube e a quem a direcção presta contas. Apresentamos no último exercício 11,2 milhões de euros de lucro, 68,3 milhões de capitais próprios, 258,9 milhões de passivo e 327,3 milhões de activo.

 

Para que as mentiras não subsistam, aqui fica o repto para que Benfica e Sporting cumpram a lei e apresentem aos seus sócios as contas consolidadas de todo o seu universo. E já agora, que as autoridades façam cumprir os incumpridores.

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Confirma-se...

 

 

Citação do jornal "O Jogo" online

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Angelino Ferreira deixa SAD portista

 

 

O FC Porto informou esta quarta-feira a CMVM de que Fernando Gomes, ex-presidente da Câmara Municipal, foi nomeado como administrador

 

Angelino Ferreira apresentou a renúncia ao cargo de administrador da SAD do FC Porto, informou o clube em comunicado enviado à CMVM. O mesmo comunicado anuncia que Fernando Gomes, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, é o novo administrador.

 

Comunicado na íntegra

 

"Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 do Código dos Valores Mobiliários, a FUTEBOL CLUBE DO PORTO - FUTEBOL, SAD vem informar que, na reunião do Conselho de Administração de hoje, o Exmo. Sr. Dr. Angelino Cândido de Sousa Ferreira apresentou renúncia ao seu cargo de Administrador desta Sociedade, com produção de efeitos no dia 31 de Março de 2014.

 

Mais se informa que o Conselho de Administração, igualmente em reunião realizada hoje, deliberou cooptar, como administrador, o Exmo. Sr. Dr. Fernando Manuel Santos Gomes em substituição do Exmo. Sr. Dr. Angelino Cândido de Sousa Ferreira".

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Só pode ser para rir. Nomeia-se administrador com a pasta das finanças um indivíduo que, enquanto presidente, quase faliu a câmara do Porto e que só vai administrar a SAD em part-time, uma vez que também é administrador da Galp.

 

É mais para juntar ao bando.

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Angelino Ferreira:

"Saio por divergências na estratégia de gestão da sociedade".

 

Já não se disfarça.

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