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Luís Silvares

A Vida é Bela irrecuperável deixa dívida de 13 milhões de euros

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A Vida é Bela irrecuperável deixa dívida de 13 milhões de euros

Plano de recuperação da empresa de "vouchers" A Vida é Bela foi 'chumbado' pelo BES, um dos maiores credores.

 

As empresas Maritz e Gift Voucher, através das quais a A Vida é Bela passava faturas e emitia os vouchers, foram dadas como irrecuperáveis, tendo sido decretada a falência.

 

O voto contra do BES, um dos maiores credores entre a banca, acabou por levar à inviabilização do plano de recuperação do negócio de António Quina.

 

No total são 1500 credores de uma dívida de 13 milhões de euros que vai ficar por pagar. Em declarações ao "Jornal de Negócios", segundo Alfredo Lemos Damião, o advogado de A Vida é Bela, "vai para liquidação, não há outro caminho. Como não há activos, os credores não vão receber nada. A dívida foi toda 'ao ar'".

 

A Vida é Bela facturou 46 milhões de euros em 2011 e um ano depois entrou na espiral descendente que viria a culminar no encerramento, no final do ano passado.

 

O Expresso não conseguiu entrar em contacto António Quina, que se encontra a viver no Brasil desde 2011.

 

:prayer:

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No total são 1500 credores de uma dívida de 13 milhões de euros que vai ficar por pagar. Em declarações ao "Jornal de Negócios", segundo Alfredo Lemos Damião, o advogado de A Vida é Bela, "vai para liquidação, não há outro caminho. Como não há activos, os credores não vão receber nada. A dívida foi toda 'ao ar'".

 

Então emprestam dinheiro sem terem garantias nenhumas? Isto não pode ser bem assim.

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Então emprestam dinheiro sem terem garantias nenhumas? Isto não pode ser bem assim.

 

Sem garantias reais. Existem inúmeros financiamentos concedidos cujas garantias são apenas pessoais, nomeadamente através de aval dos sócios da empresa. Provavelmente era esse o caso no que toca à dívida bancária ou então garantias reais que houvessem já foram todas executadas e as restantes são irrecuperáveis.

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Sem garantias reais. Existem inúmeros financiamentos concedidos cujas garantias são apenas pessoais, nomeadamente através de aval dos sócios da empresa. Provavelmente era esse o caso no que toca à dívida bancária ou então garantias reais que houvessem já foram todas executadas e as restantes são irrecuperáveis.

 

Isso é uma maneira cara de dizer incompetência? :mrgreen:

 

Percebi.

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oh, lá se foi um exemplo de empreendedorismo que os nossos média gostavam muito.

Há que ir bater punho para outro lado.

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Isso é uma maneira cara de dizer incompetência? :mrgreen:

 

Percebi.

 

Nem fui isso que quis dizer... para a Banca investir na empresa é porque provavelmente apresentava bons indicadores financeiros ou planos de negócio sólidos... esfumou-se tudo.

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oh, lá se foi um exemplo de empreendedorismo que os nossos média gostavam muito.

Há que ir bater punho para outro lado.

 

Culpa das pessoas que estavam lá, não do projeto em si.

 

Controlando bem os pagamentos e recebimentos (coisa que segundo se consta eles não fizeram) e tirando a parte física do produto poderia ter tido pernas para continuar.

 

Basta ver que quando eles ainda estavam "vivos" eles metiam a "experiência" naquelas caixas, que estavam à venda na fnac, worten, etc. Atualmente a Sapo Voucher (que se não me engano é a líder de mercado neste segmento de forma quase isolada) não faz isso, preferindo meter tudo online para as pessoas pagarem e depois de fazerem isso imprimir o comprovativo e apresentar isso no ponto onde vão ter esse desconto.

 

Não sei se a Sapo Voucher é assim que funciona ou não porque nunca adquiri coisas lá, mas a verdade é que eles não tem nada físico como A Vida é Bela tinha.

Editado por Lebohang

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Guest fiasco

Por momentos pensei que fosse o filme.

Sendo assim, no worries.

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oh, lá se foi um exemplo de empreendedorismo que os nossos média gostavam muito.

Há que ir bater punho para outro lado.

Isso foi o que ele fez. Foi para o Brasil. LOL

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Guest Dpitz

Por momentos pensei que fosse o filme.

Sendo assim, no worries.

pensei o mesmo :lol: mas estava todo wtf com a parte da dívida.

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Então emprestam dinheiro sem terem garantias nenhumas? Isto não pode ser bem assim.

Quando se fala dos 1500 credores, não se fala somente nos bancos que emprestaram dinheiro. Fala-se dos parceiros (hóteis, restaurantes, etc.) que ficaram com dívida acumulada e sem receber o pagamento devido. Daí o número exagerado de credores.

 

Culpa das pessoas que estavam lá, não do projeto em si.

 

Controlando bem os pagamentos e recebimentos (coisa que segundo se consta eles não fizeram) e tirando a parte física do produto poderia ter tido pernas para continuar.

 

Basta ver que quando eles ainda estavam "vivos" eles metiam a "experiência" naquelas caixas, que estavam à venda na fnac, worten, etc. Atualmente a Sapo Voucher (que se não me engano é a líder de mercado neste segmento de forma quase isolada) não faz isso, preferindo meter tudo online para as pessoas pagarem e depois de fazerem isso imprimir o comprovativo e apresentar isso no ponto onde vão ter esse desconto.

 

Não sei se a Sapo Voucher é assim que funciona ou não porque nunca adquiri coisas lá, mas a verdade é que eles não tem nada físico como A Vida é Bela tinha.

 

A Vida é Bela só teve 2 problemas: má gestão e incompetência. Incompetência por quererem um mercado pequeno como o nosso a financiar mercados enormes como Espanha e Brasil. Má gestão nas pessoas que ficaram responsáveis em PT.

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Além da Vida é Bela, a Smartbox está no mesmo caminho. Vou ter de os processar para reaver o meu dinheiro.

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(...)

A Vida é Bela só teve 2 problemas: má gestão e incompetência. Incompetência por quererem um mercado pequeno como o nosso a financiar mercados enormes como Espanha e Brasil. Má gestão nas pessoas que ficaram responsáveis em PT.

 

A culpa basicamente foi dos responsáveis que estavam na frente do negócio, porque eu sinceramente acredito que a ideia era viável, desde que (claro está) fosse bem gerida.

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A culpa basicamente foi dos responsáveis que estavam na frente do negócio, porque eu sinceramente acredito que a ideia era viável, desde que (claro está) fosse bem gerida.

era um negócio muito volátil e com alguma instabilidade no consumo. Tinha que ter havido grande gestão da tesouraria interna, o que é mt difícil.

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era um negócio muito volátil e com alguma instabilidade no consumo. Tinha que ter havido grande gestão da tesouraria interna, o que é mt difícil.

 

Exato. A bolha começou a rebentar para eles quando começaram a surgir notícias que não pagavam às empresas e que elas já estavam a rejeitar os vales d'A Vida é Bela. A partir daí foi efeito Bola de Neve, eles até tentaram fazer algumas medidas para corrigir os erros mas já foram tarde.

 

Quanto há outra parte também concordo mas eles poderiam ter feito algumas mudanças em termos de negócio para combater essa incerteza. Apostar noutros ramos, por exemplo. O Sapo Voucher agora tem uma data de vales para restaurantes. Teve o famoso da Pizza Hut, teve um duma marisqueira e da última vez que fui lá tinha um duma cadeia dedicada aos bifes. Outra coisa que poderiam fazer era passar a vender só na internet. Muito possivelmente iriam diminuir custos assim do que venderem nas lojas.

 

Mas agora que já faliram, tudo isto já vai tarde para evitar alguns riscos do negócio.

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Devem existir poucos negócios mais fáceis de gerir a nível da tesouraria...

Recebes o dinheiro e só pagas ao "fornecedor" 90 dias depois deste ter prestado o serviço (que pode ser até 6 meses)...não é má gestão de tesouraria é má estratégia e/ou intrujice...

Alem de ganharem a margem têm/tinham sempre juros de overnight com quantias bastante grandes...agora se quiseram comprar popos com o dinheiro que ainda tinham que pagar a fornecedores...é puramente imbecilidade!

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Exato. A bolha começou a rebentar para eles quando começaram a surgir notícias que não pagavam às empresas e que elas já estavam a rejeitar os vales d'A Vida é Bela. A partir daí foi efeito Bola de Neve, eles até tentaram fazer algumas medidas para corrigir os erros mas já foram tarde.

 

Quanto há outra parte também concordo mas eles poderiam ter feito algumas mudanças em termos de negócio para combater essa incerteza. Apostar noutros ramos, por exemplo. O Sapo Voucher agora tem uma data de vales para restaurantes. Teve o famoso da Pizza Hut, teve um duma marisqueira e da última vez que fui lá tinha um duma cadeia dedicada aos bifes. Outra coisa que poderiam fazer era passar a vender só na internet. Muito possivelmente iriam diminuir custos assim do que venderem nas lojas.

 

Mas agora que já faliram, tudo isto já vai tarde para evitar alguns riscos do negócio.

quando saiu a primeira notícia de que a AVEB não pagava às empresas parceiros (dia 11 ou 12 de Outubro), já há mais de um ano que não havia regularidade nos pagamentos lol, onde se devia a imensa gente e onde só se verificavam esforços de pagar aos parceiros que eram mais escolhidos pelos clientes.

A diversificação do negócio foi feita e até em coisas "mascaradas" como por exemplo o Portugal Genial que foi um sucesso de vendas e onde 80% do lucro ia para a AVEB. Para além disso, a diversificação de produtos também estava a ser feito e era a estratégia desde 2011 (onde, para além da facturação brutal, se começou a registar dificuldades na gestão da tesouraria), simplesmente necessitavas do nome da AVEB para negociar o que quer que seja, num mercado já repleto e farto de descontos - quer para consumidores quer para fornecedores de serviço. Eu estava responsável por outro produto da AVEB, o A2por1, e sozinho fechei 87 contratos com restaurantes de luxo and so on. Já tínhamos 130 restaurantes fechados para esse presente que iria sair em Outubro (quando rebentou a bolha), e ia ser um sucesso de vendas. Ou seja, o nome e a marca incontornável que a AVEB tinha era a "porta de entrada" para negociares outro tipo de produtos e apostares nessa mesma diversificação. Mesmo quem não soubesse o que era a vida é bela, toda a gente sabia o que eram "aquelas caixinhas vermelhas que se vendem nos quiosques dos centros comerciais".

 

Quanto ao que apontas da somente venda online, foi como a AVEB começou, mas para atingires o mercado que queres (escala nacional) e teres boa facturação, tens que pôr o produto nas prateleiras, para que toquem, abram, etc. Os primeiros 7 anos da empresa foram só online, mas depois criou-se a necessidade de expansão e o produto teve que se tornar físico para dar algumas garantias aos consumidores que não estavam habituados nem moldados à intangibilidade de um produto turístico.

 

Devem existir poucos negócios mais fáceis de gerir a nível da tesouraria...

Recebes o dinheiro e só pagas ao "fornecedor" 90 dias depois deste ter prestado o serviço (que pode ser até 6 meses)...não é má gestão de tesouraria é má estratégia e/ou intrujice...

Alem de ganharem a margem têm/tinham sempre juros de overnight com quantias bastante grandes...agora se quiseram comprar popos com o dinheiro que ainda tinham que pagar a fornecedores...é puramente imbecilidade!

Eu sei que tu és um iluminado e que Portugal não devia deixar gente tão inteligente como tu sair do país... mas o negócio não era fácil de gerir a nível de tesouraria. Principalmente porque as coisas foram mal feitas e o processo estava mal feito.

 

A fase de pagamentos não era assim.

Imagina que compravas um pack de 50€ dia 1 de Setembro. Esses 50€ eram logo facturados e entravam directamente na conta. Tinhas ano e meio de prazo de validade. Imaginando que marcavas a tua experência para dia 1 de Dezembro, entregavas o voucher e pronto. O parceiro no dia 5 de Dezembro ia introduzir o código do voucher na plataforma, e um mês depois no dia 8 de Janeiro ia receber 35€ (70% era o fee dado a cada parceiro). A margem de lucro é algo diminuta, tendo em conta que tens que pagar à distribuição( para pôres o produto nas suas lojas e, como sabes, FNAC's e assim são do mais mamão que existe) , construção do produto, impressão dos catálogos, colaboradores, etc..

 

Agora, num altura em que a malta não estava mt bem habituada a isto, não se preocupava tanto com as caixinhas, tinham guita para ir de férias tranquilas e tudo mais, muitos presentes eram vendidos e não utilizados, os chamados no-show, pelo que era € em caixa para a AVEB (reza a lenda de que 60% da facturação em 2010 foi assim). Há 2 anos isto mudou, a crise acentuou-se e a malta começou a usar tudinho e não deixava passar sequer o prazo. Ora, isso fez com que o pagamento a fornecedores fosse mt mais regular e constante, o cash-flow diminuiu, as contas dinâmicas começaram a sobrepôr-se e a não render o que deviam e foi o que foi...

 

Foi certo que foi má gestão e incompetência, mas a gestão da tesouraria era tudo menos fácil. E o problema foi dar-se um passo maior que a perna. Mt maior.

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Eu sei que tu és um iluminado e que Portugal não devia deixar gente tão inteligente como tu sair do país... mas o negócio não era fácil de gerir a nível de tesouraria. Principalmente porque as coisas foram mal feitas e o processo estava mal feito.

 

A fase de pagamentos não era assim.

Imagina que compravas um pack de 50€ dia 1 de Setembro. Esses 50€ eram logo facturados e entravam directamente na conta. Tinhas ano e meio de prazo de validade. Imaginando que marcavas a tua experência para dia 1 de Dezembro, entregavas o voucher e pronto. O parceiro no dia 5 de Dezembro ia introduzir o código do voucher na plataforma, e um mês depois no dia 8 de Janeiro ia receber 35€ (70% era o fee dado a cada parceiro). A margem de lucro é algo diminuta, tendo em conta que tens que pagar à distribuição( para pôres o produto nas suas lojas e, como sabes, FNAC's e assim são do mais mamão que existe) , construção do produto, impressão dos catálogos, colaboradores, etc..

 

Agora, num altura em que a malta não estava mt bem habituada a isto, não se preocupava tanto com as caixinhas, tinham guita para ir de férias tranquilas e tudo mais, muitos presentes eram vendidos e não utilizados, os chamados no-show, pelo que era € em caixa para a AVEB (reza a lenda de que 60% da facturação em 2010 foi assim). Há 2 anos isto mudou, a crise acentuou-se e a malta começou a usar tudinho e não deixava passar sequer o prazo. Ora, isso fez com que o pagamento a fornecedores fosse mt mais regular e constante, o cash-flow diminuiu, as contas dinâmicas começaram a sobrepôr-se e a não render o que deviam e foi o que foi...

 

Foi certo que foi má gestão e incompetência, mas a gestão da tesouraria era tudo menos fácil. E o problema foi dar-se um passo maior que a perna. Mt maior.

 

Percebi que estas mais dentro do negocio, mas a maior parte das empresas têem gestão de tesouraria bem mais complexa do que essa....para mim o maior factor continua a ser incompetencia, inexperiencia e intrujisse!

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quando saiu a primeira notícia de que a AVEB não pagava às empresas parceiros (dia 11 ou 12 de Outubro), já há mais de um ano que não havia regularidade nos pagamentos lol, onde se devia a imensa gente e onde só se verificavam esforços de pagar aos parceiros que eram mais escolhidos pelos clientes.

A diversificação do negócio foi feita e até em coisas "mascaradas" como por exemplo o Portugal Genial que foi um sucesso de vendas e onde 80% do lucro ia para a AVEB. Para além disso, a diversificação de produtos também estava a ser feito e era a estratégia desde 2011 (onde, para além da facturação brutal, se começou a registar dificuldades na gestão da tesouraria), simplesmente necessitavas do nome da AVEB para negociar o que quer que seja, num mercado já repleto e farto de descontos - quer para consumidores quer para fornecedores de serviço. Eu estava responsável por outro produto da AVEB, o A2por1, e sozinho fechei 87 contratos com restaurantes de luxo and so on. Já tínhamos 130 restaurantes fechados para esse presente que iria sair em Outubro (quando rebentou a bolha), e ia ser um sucesso de vendas. Ou seja, o nome e a marca incontornável que a AVEB tinha era a "porta de entrada" para negociares outro tipo de produtos e apostares nessa mesma diversificação. Mesmo quem não soubesse o que era a vida é bela, toda a gente sabia o que eram "aquelas caixinhas vermelhas que se vendem nos quiosques dos centros comerciais".

 

Quanto ao que apontas da somente venda online, foi como a AVEB começou, mas para atingires o mercado que queres (escala nacional) e teres boa facturação, tens que pôr o produto nas prateleiras, para que toquem, abram, etc. Os primeiros 7 anos da empresa foram só online, mas depois criou-se a necessidade de expansão e o produto teve que se tornar físico para dar algumas garantias aos consumidores que não estavam habituados nem moldados à intangibilidade de um produto turístico.

 

 

Eu sei que tu és um iluminado e que Portugal não devia deixar gente tão inteligente como tu sair do país... mas o negócio não era fácil de gerir a nível de tesouraria. Principalmente porque as coisas foram mal feitas e o processo estava mal feito.

 

A fase de pagamentos não era assim.

Imagina que compravas um pack de 50€ dia 1 de Setembro. Esses 50€ eram logo facturados e entravam directamente na conta. Tinhas ano e meio de prazo de validade. Imaginando que marcavas a tua experência para dia 1 de Dezembro, entregavas o voucher e pronto. O parceiro no dia 5 de Dezembro ia introduzir o código do voucher na plataforma, e um mês depois no dia 8 de Janeiro ia receber 35€ (70% era o fee dado a cada parceiro). A margem de lucro é algo diminuta, tendo em conta que tens que pagar à distribuição( para pôres o produto nas suas lojas e, como sabes, FNAC's e assim são do mais mamão que existe) , construção do produto, impressão dos catálogos, colaboradores, etc..

 

Agora, num altura em que a malta não estava mt bem habituada a isto, não se preocupava tanto com as caixinhas, tinham guita para ir de férias tranquilas e tudo mais, muitos presentes eram vendidos e não utilizados, os chamados no-show, pelo que era € em caixa para a AVEB (reza a lenda de que 60% da facturação em 2010 foi assim). Há 2 anos isto mudou, a crise acentuou-se e a malta começou a usar tudinho e não deixava passar sequer o prazo. Ora, isso fez com que o pagamento a fornecedores fosse mt mais regular e constante, o cash-flow diminuiu, as contas dinâmicas começaram a sobrepôr-se e a não render o que deviam e foi o que foi...

 

Foi certo que foi má gestão e incompetência, mas a gestão da tesouraria era tudo menos fácil. E o problema foi dar-se um passo maior que a perna. Mt maior.

Boo, isso não invalida em nada o que o Burkina disse. Vocês recebiam quase a pronto e pagavam num período entre quase a pronto e ano e meio. Não me acredito que fosse por aí que houvesse problemas de tesouraria, uma vez que o prazo de recebimentos era inferior ao de pagamentos.

 

O que o Burkina não conseguiu entender é que havia uma volatilidade enorme no prazo de pagamentos, sendo este bastante impresivível e também uma volatilidade considerável no volume de vendas ao longo do ano. Acredito piamente que no Natal a AVEB facturasse muito muito mais do que no resto ano. A consequência disto era que possivelmente existisse alturas em que entrava pouco dinheiro e saía muitíssimo. Daí a difícil gestão de tesouraria de que falas.

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Boo, isso não invalida em nada o que o Burkina disse. Vocês recebiam quase a pronto e pagavam num período entre quase a pronto e ano e meio. Não me acredito que fosse por aí que houvesse problemas de tesouraria, uma vez que o prazo de recebimentos era inferior ao de pagamentos.

 

O que o Burkina não conseguiu entender é que havia uma volatilidade enorme no prazo de pagamentos, sendo este bastante impresivível e também uma volatilidade considerável no volume de vendas ao longo do ano. Acredito piamente que no Natal a AVEB facturasse muito muito mais do que no resto ano. A consequência disto era que possivelmente existisse alturas em que entrava pouco dinheiro e saía muitíssimo. Daí a difícil gestão de tesouraria de que falas.

 

Sim a sazonalidade é importante, mas isso já se sabe que é um negocio desse tipo...como se fosse uma empresa que vende guarda-chuvas ou gelados...

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O problema é que a sazonalidade da compra e do pagamento não é necessariamente a mesma. Estes pacotes tinham uma saída em grande volume no natal ou no dia dos namorados, acima de tudo. Mas as pessoas podiam cobrá-los no Verão, quando tivessem férias, ou numa semaninha da Páscoa, ou até num fim-de-semana. Quem vende guarda-chuvas ou gelados faz o investimento na altura em que vai vender. Se for uma empresa, terá, em teoria, escoamento durante todo o ano, sendo que tem a possibilidade de aumentar a produção nos meses altos.

Neste caso a empresa não fazia os pagamentos quando contratualizava. Isso muda tudo.

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