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Luís Silvares

A Vida é Bela irrecuperável deixa dívida de 13 milhões de euros

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Percebi que estas mais dentro do negocio, mas a maior parte das empresas têem gestão de tesouraria bem mais complexa do que essa....para mim o maior factor continua a ser incompetencia, inexperiencia e intrujisse!

Eu trabalhei lá nos últimos 8 meses "de vida" da empresa. Estágio Curricular durante 5 meses + 3 meses a 500€ por mês a recibos verdes. Só esclarecer que não estou a defender A Vida é Bela, estou somente a dar a minha visão das coisas.

 

Concordo contigo que foi incompetência é um facto, mas atenta no que o tio Hans escreveu aqui em baixo.

 

 

Boo, isso não invalida em nada o que o Burkina disse. Vocês recebiam quase a pronto e pagavam num período entre quase a pronto e ano e meio. Não me acredito que fosse por aí que houvesse problemas de tesouraria, uma vez que o prazo de recebimentos era inferior ao de pagamentos.

 

O que o Burkina não conseguiu entender é que havia uma volatilidade enorme no prazo de pagamentos, sendo este bastante impresivível e também uma volatilidade considerável no volume de vendas ao longo do ano. Acredito piamente que no Natal a AVEB facturasse muito muito mais do que no resto ano. A consequência disto era que possivelmente existisse alturas em que entrava pouco dinheiro e saía muitíssimo. Daí a difícil gestão de tesouraria de que falas.

Eu ia completar o meu post com isso que referes, mas apareceu um email importante e tive que voltar ao trabalho.

 

Quando falava na gestão da tesouraria era mesmo essa dificuldade que descreves.

 

As vendas no mês de Dezembro correspondiam a 80% da facturação anual. Era tipo "formiga", trabalhar um mês para dar para o resto do ano. Depois era 10% em Fevereiro (dia dos namorados) e os restantes espalhados pelos restantes 10 meses do ano lol.

 

Dificuldades na gestão da tesouraria:

 

1) Facturação demasiado concentrada num limitado (e curto) período de tempo.

2) Pagamento a fornecedores imprevisíveis e dificeis de controlar

3) Volatilidade no uso do produto

4) Uso excessivo e exagerado do produto numa altura específica (que foi, quanto a mim, o maior erro de sempre). 2 gamas de produto (ou seja, 160 tipo de experiências - 160 "pacotinhos" diferentes) a acabarem exactamente no mesmo mês, Janeiro/Fevereiro de 2012. Enquanto que há 3 anos atrás mais de metade dos consumidores de packs os efectivamente usavam, o ano passado houve uma taxa de 97% de utilização dos presentes (quando antes era de 35%-40% aproximadamente).

 

A gestão da tesouraria era difícil de fazer principalmente por estes factores, sendo que o último foi o crucial. De repente, era como se tivéssemos metade da facturação de 2010 e 2011 (28 milhões em 2010 e 13 milhões em 2011) para ser liquidada perante os parceiros.

 

Para concluir, o investimento em Espanha nos primeiros 4 anos deu prejuízo. Este investimento foi alicerçado em capitais portugueses, fruto da facturação existente no país. O investimento no Brasil deu prejuízo nos primeiros 2 anos por se atacar mal o mercado. Pensou-se que Portugal continuaria a facturar 30 milhoes de euros por ano e que era o suficiente para investir nestes 2 mercados grandes, que só deram resultado a médio-longo prazo (em Espanha teve-se lucro gigante em 2012 e no Brasil as coisas estavam a andar bem). Foi um dos grandes erros da empresa.

 

Sim a sazonalidade é importante, mas isso já se sabe que é um negocio desse tipo...como se fosse uma empresa que vende guarda-chuvas ou gelados...

Isto não é o típico caso de sazonalidade normal de peak season ou low season.

Editado por Boo

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Por curiosidade, gostaria de saber a opinião de alguém que tem experiência, neste negócio.

Boo, achas que uma futura empresa deste ramo poderá ser viável? Ou achas que a Vida é Bela mostrou que este é um negócio, fadado à falência?

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Não acho que está fadado à falência, mas nenhuma entidade turística (restaurante, hotel, wtv) quererá negociar algo deste género. Para além disso, o mercado já está cheio de "oportunidades" que envolvem descontos e promoções, cobrindo um grande leque de oferta turística, pelo que é desnecessário.

 

Veja-se o caso da Odisseias, que se viraram já há 3 anos para os ramos dos descontos e oportunidades, por aí fora.

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Não acho que está fadado à falência, mas nenhuma entidade turística (restaurante, hotel, wtv) quererá negociar algo deste género. Para além disso, o mercado já está cheio de "oportunidades" que envolvem descontos e promoções, cobrindo um grande leque de oferta turística, pelo que é desnecessário.

 

Veja-se o caso da Odisseias, que se viraram já há 3 anos para os ramos dos descontos e oportunidades, por aí fora.

Obrigado Boo ;)

 

Btw, nada a ver com o post do Boo mas, quando andava em Turismo, uma representante da Vida é Bela foi dar uma palestra num Job Shop, e na altura a empresa era vista como o auge do empreendedorismo e que todos deveriam fazer igual :lol:

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quando saiu a primeira notícia de que a AVEB não pagava às empresas parceiros (dia 11 ou 12 de Outubro), já há mais de um ano que não havia regularidade nos pagamentos lol, onde se devia a imensa gente e onde só se verificavam esforços de pagar aos parceiros que eram mais escolhidos pelos clientes.

A diversificação do negócio foi feita e até em coisas "mascaradas" como por exemplo o Portugal Genial que foi um sucesso de vendas e onde 80% do lucro ia para a AVEB. Para além disso, a diversificação de produtos também estava a ser feito e era a estratégia desde 2011 (onde, para além da facturação brutal, se começou a registar dificuldades na gestão da tesouraria), simplesmente necessitavas do nome da AVEB para negociar o que quer que seja, num mercado já repleto e farto de descontos - quer para consumidores quer para fornecedores de serviço. Eu estava responsável por outro produto da AVEB, o A2por1, e sozinho fechei 87 contratos com restaurantes de luxo and so on. Já tínhamos 130 restaurantes fechados para esse presente que iria sair em Outubro (quando rebentou a bolha), e ia ser um sucesso de vendas. Ou seja, o nome e a marca incontornável que a AVEB tinha era a "porta de entrada" para negociares outro tipo de produtos e apostares nessa mesma diversificação. Mesmo quem não soubesse o que era a vida é bela, toda a gente sabia o que eram "aquelas caixinhas vermelhas que se vendem nos quiosques dos centros comerciais".

 

Quanto ao que apontas da somente venda online, foi como a AVEB começou, mas para atingires o mercado que queres (escala nacional) e teres boa facturação, tens que pôr o produto nas prateleiras, para que toquem, abram, etc. Os primeiros 7 anos da empresa foram só online, mas depois criou-se a necessidade de expansão e o produto teve que se tornar físico para dar algumas garantias aos consumidores que não estavam habituados nem moldados à intangibilidade de um produto turístico.

(...)

 

Só agora que vi.

 

Obrigado pela explicação sobre esses dados da AVEB. :fixe:

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Obrigado Boo ;)

 

Btw, nada a ver com o post do Boo mas, quando andava em Turismo, uma representante da Vida é Bela foi dar uma palestra num Job Shop, e na altura a empresa era vista como o auge do empreendedorismo e que todos deveriam fazer igual :lol:

E não foi? Tens noção do que é uma PME portuguesa a facturar 28 milhões de euros num ano ? Esquece, não tens mesmo noção lol

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Para concluir, o investimento em Espanha nos primeiros 4 anos deu prejuízo. Este investimento foi alicerçado em capitais portugueses, fruto da facturação existente no país. O investimento no Brasil deu prejuízo nos primeiros 2 anos por se atacar mal o mercado. Pensou-se que Portugal continuaria a facturar 30 milhoes de euros por ano e que era o suficiente para investir nestes 2 mercados grandes, que só deram resultado a médio-longo prazo (em Espanha teve-se lucro gigante em 2012 e no Brasil as coisas estavam a andar bem). Foi um dos grandes erros da empresa.

os projectos de expansão e ainda por cima para o estrangeiro têm que ser bem analisados. Basicamente ele apanhou com a bomba da crise e do aumento de concorrência e ficou com a m*rda nas mãos. A análise de risco, se foi feita, pode e deve ter falhado.

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Para o Brasil sei que foi "à toa". Não estudou nada. Foi, gastou dinheiro, foi p'ra lá ver o que é que dava. lol

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Infelizmente há muito empresário incompetente e cego pelo dinheiro em Portugal.

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O gajo é um génio, grandes ideias, grande visão. O problema é a gestão e o controlo desse "empreendedorismo" exagerado. E depois o deslumbramento e o alheamneto perante a realidade.

 

Shit happens, né ?

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Com o dinheiro dos outros é sempre mais fácil.

Não se pode apagar 9 anos de trabalho e sacríficio, através das "tuas" próprias ideias, por um (vários) erros de gestão. Alias, isto só é a bronca que é muito graças à envergadura que a AVEB tinha no mercado, daí toda esta repercussão e mediatismo.

 

Tu tens o CMPT há 10 anos Luís, graças ao teu esforço e abnegação. Não é por fazeres uma ou duas ou três coisas erradas (e essas coisas virem a ser vitais para a continuidade do teu projecto), que alguém te vai tirar o mérito ;)

 

E com isto não tou a defender o gajo, tou só a dar pontos de vista diferentes.

 

PS: Coincidência das coincidências, o Quina tentou, recentemente, vender o iate ao meu actual chefe lol

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