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Mayday

Porque continuamos a não consumir Cultura? Falta de Educação e dinheiro

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Os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores taxas de participação em actividades culturais, segundo o relatório do Eurobarómetro. São números que “não nos ficam bem”, diz o secretário de Estado da Cultura. Falta de investimento, fraca aposta na educação e baixo poder de compra explicam parte destes resultados dizem diversos especialistas e responsáveis.

 

Vamos menos ao cinema, quase não vamos a bibliotecas públicas nem visitamos museus. A espectáculos de teatro, dança ou ópera vamos muito pouco; só a concertos, de vez em quando. Não temos grande interesse em ler um livro, nem costumamos visitar monumentos. Mas vemos e ouvimos muita televisão e rádio. O retrato não nos deixa ficar bem mas é assim mesmo que, em traços largos, saímos representados no inquérito do Eurobarómetro sobre a participação em actividades culturais na União Europeia. Nele, Portugal surge ao fundo da tabela, ao lado de países como a Roménia ou a Bulgária. O que significa que os portugueses - tal como os romenos ou os búlgaros - quase não se envolveram no último ano em actividades culturais. A crise económica explica parte dos números mas diz-nos quem conhece o meio que o problema está muito para além disso. Falta estimular o ensino cultural nas escolas. Falta os decisores políticos, e a sociedade em geral, olharem para a cultura como um bem essencial. E falta um maior investimento.

 

Estas são as principais conclusões que se tiram depois de se ouvirem vários nomes reconhecidos da área. Há quem se surpreenda com os números, quem já estivesse à espera destes dados por estarem em linha com a tendência dos últimos anos e quem questione a forma como o inquérito da Comissão Europeia foi realizado. Mas há um adjectivo que todos repetem: “preocupante”.

 

Sermos tão pouco activos culturalmente é preocupante e é preciso perceber o que está a acontecer com a Cultura em Portugal. O que implica também questionar o estado da Educação e do sistema de ensino, dizem. Afinal, porque é que os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores taxas de participação em actividades culturais? Porque é que Portugal, por exemplo, é o país onde há maior falta de interesse pela leitura? E porque é que só 6% dos inquiridos, em Portugal, tem uma actividade cultural frequente? A média europeia não é particularmente alta mas as diferenças são grandes, como é o caso da Suécia (43%), da Dinamarca (36%) e dos Países Baixos (34%), onde os cidadãos descrevem a sua taxa de participação como elevada ou muito elevada. Na vizinha Espanha esta taxa é de 19%. Qual é então o problema dos portugueses?

 

“É uma questão de educação”, diz ao PÚBLICO Paulo Cunha e Silva, programador cultural e novo vereador da Cultura da Câmara do Porto, que acredita que em Portugal “não se cultiva a Cultura”. “'De pequenino se torce o pepino.' Este ditado popular explica esta situação com eficácia, é na infância que se devem começar a criar hábitos culturais e isso não acontece”, defende Cunha e Silva, que deste Eurobarómetro se surpreendeu mais com a fraca adesão às salas de cinema.

 

Os dados do inquérito revelam que 71% dos cidadãos portugueses não foram uma única vez ao cinema nos últimos 12 meses – uma diferença de quatro pontos percentuais quando comparado com os dados de 2007 (ano do último Eurobarómetro sobre a participação em actividades culturais). Segundo os últimos resultados divulgados pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), de Janeiro até Outubro registaram-se menos 1,2 milhões de espectadores nas salas de cinema portuguesas, o que representa uma quebra de 10,6% em relação ao mesmo período de 2012. A queda já vem do ano passado mas em 2013 tem vindo a acentuar-se.

 

“A não frequência das salas de cinema com esta dimensão é preocupante e é um indicador muito grave da crise social que estamos a atravessar, é que ir ao cinema não é só ver filmes de autor”, diz o vereador da Câmara do Porto, que vê no cinema uma das formas mais fáceis e populares de participar na Cultura. “Na sua dimensão de diversão e animação, o cinema poderia até funcionar como um escape para alguma tristeza ou depressão e por isso a não frequência das salas traduz uma expressão muito profunda da crise”, continua Cunha e Silva, considerando que é preciso parar para reflectir de que forma “este momento de patologia social que estamos a atravessar se está a reflectir nos hábitos das pessoas”.

 

Números que chocam

Para a professora catedrática da Faculdade de Letras do Porto e antiga ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, é uma questão de escolha a que a crise económica e social obriga. “Temos uma crise geral no consumo, que provoca, evidentemente, uma quebra no consumo cultural, até porque é neste que se corta habitualmente em primeiro lugar”, diz Pires de Lima, explicando que “entre gastar dez euros no supermercado ou na livraria, o cidadão comum não escolhe gastar cinco euros num lado e cinco euros noutro, gasta tudo no supermercado”. O mesmo exemplo é dado pelo escritor Vasco Graça Moura, que diz haver uma “opção óbvia” quando se trata de escolher entre “alimentar um filho ou ir a um concerto”. “A crise financeira obriga a prioridades rigorosas”, diz o presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), não escondendo, no entanto, que, até ver os resultados do Eurobarómetro, pensava que “estávamos muito melhor”. “De algum modo, estes números chocam-me”, continua Graça Moura, para quem o problema da queda da leitura “está a tornar-se crónico em Portugal”. "Temos de dar mais atenção ao Plano Nacional de Leitura. É importante e pode ser uma ajuda."

 

Segundo os números do inquérito, apenas 40% dos portugueses leram um livro no ano passado, uma taxa significativamente mais baixa do que a média europeia, que é de 68%. Se olharmos para os países nórdicos, a diferença então é esmagadora: na Suécia 90% dos cidadãos leram um livro no ano passado e na Dinamarca a taxa é de 82%. De resto, a actividade cultural mais comum na União Europeia, e em Portugal, é assistir/ouvir programas na televisão/rádio (72% pelo menos uma vez nos últimos 12 meses – em Portugal 61%).

 

No que respeita à leitura de um livro, o relatório diz que os resultados são “fortemente” influenciados pelo nível de escolaridade, assim como, por exemplo, a idade se reflectiu como um factor determinante naqueles que vêem mais televisão ou ouvem rádio.

 

“A ideia com que fico depois de ver estes números é a de que ainda há muito a fazer, mas deixa algum optimismo perceber que são os mais velhos que estão mais tempo ligados à televisão e à rádio”, diz Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura, explicando que “os mais novos são mais diversificados e dividem o tempo entre a leitura, o computador, o cinema”. “Ainda há alguma razão para pensar que nos mais novos a leitura ainda existe, enquanto nos mais velhos é mais complicado conseguir mudar hábitos”, explica. “As pessoas estão muitas vezes em casa, com poucos recursos financeiros, e a televisão é um meio muito fácil e directo que entra pela casa dentro”, continua Pinto do Amaral, para quem o cerne da questão é o “nível geral de educação do país e do interesse pela Cultura”. Ou, como diz Vasco Graça Moura: “Em Portugal há uma certa apatia por valores culturais”.

 

A deputada socialista e antiga ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, responsabiliza o discurso político actual que remete para segundo plano as actividades culturais. “A falta de importância que é dada à Cultura hoje é terrível. O discurso político que passa para os cidadãos é o de que não nos podemos preocupar com a Cultura quando há gente a passar fome, e esta é a mensagem que todos os dias se transmite para a opinião pública”, diz Canavilhas, que não tem dúvidas de que um “cidadão vulgar facilmente reproduz este discurso, quando há uns anos era do senso comum que a Cultura era importante para o quotidiano dos portugueses”.

 

“É preciso não deixar esmorecer o esforço que foi feito nestas últimas três décadas e que conquistou muitos degraus nos hábitos de consumo cultural, é que o que leva três décadas a ser construído, leva dois ou três anos a ser destruído”, alerta a deputada socialista, que vê na Educação a “chave para a mudança”. “Os indicadores da Cultura estão sempre ligados aos indicadores da Educação. Os países onde os hábitos culturais são mais consistentes são aqueles onde os níveis de Educação são mais elevados”, continua Canavilhas, explicando que investir na Educação é investir na Cultura. No entanto, a antiga ministra da Cultura do Governo de José Sócrates lamenta que além do desinvestimento que a Cultura enfrenta, também a educação esteja “num retrocesso sem precedentes”.

 

Isabel Pires de Lima dá o exemplo, recorrendo aos resultados deste inquérito, da frequência de bibliotecas públicas. Em Portugal, apenas 15% dos cidadãos visitaram uma biblioteca no último ano, registando-se uma quebra de nove pontos percentuais. Na Europa, a média é de 31%, também se verificando uma queda comparativamente com 2007, neste caso de quatro pontos percentuais. “É gravíssimo que haja uma quebra de nove pontos percentuais, tendo em conta o investimento bárbaro que se fez na rede de bibliotecas públicas”, aponta Pires de Lima, destacando que “no momento em que o país está quase coberto de equipamentos culturais, não seria de esperar uma quebra tão acentuada”. “Quando se investe barbaramente na Educação e não se percebe que investir um bocado mais em Cultura potenciaria imenso esse investimento em Educação, acontecem coisas como esta”, diz.

 

Para o presidente do Centro Nacional da Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins, não há outra forma de conseguir reverter estes números que não seja a aposta no sistema de ensino. “É preciso que os pedagogos compreendam, e muitas vezes não compreendem bem, que a Educação artística está no princípio e não fim”, diz Oliveira Martins, defendendo que “a Cultura não é uma flor de botoeira, é algo que está no centro do desenvolvimento”.

 

Ao PÚBLICO, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, reconhece que “estes números não nos ficam bem” e defende a necessidade de se reforçarem as políticas educativas com as políticas culturais. “Temos de ter em conta estes dados para reforçar a minha convicção de que a dinâmica de colaboração entre a área da Cultura e a área da Educação, desde o pré-escolar até ao ensino secundário, é absolutamente essencial”, diz Barreto Xavier.

 

No Parlamento, a 7 de Novembro, Barreto Xavier apresentou a Plataforma Educação-Cultura que pretende, precisamente, ser o eixo de desenvolvimento de políticas estruturais para as duas áreas. Será da responsabilidade desta Plataforma, por exemplo, o Plano Nacional de Cinema, que pretende promover a literacia para o cinema nas escolas, impulsionando a criação de novos públicos. Apesar do atraso na sua implementação, não estando ainda a funcionar em pleno, este foi um dos exemplos enumerados ao PÚBLICO pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), que garantiu que “vai continuar a reforçar, a incentivar e a apoiar programas de carácter cultural e sobretudo a valorizar os conteúdos de temática cultural nos programas, metas e orientações curriculares, manuais escolares e outros recursos didáctico-pedagógicos”. Continuar-se-á também “a sensibilizar todos os agentes educativos para a importância da presença da Cultura, nas suas diversas formas”, acrescenta a resposta do ministério, onde se lê que os baixos índices de participação cultural se devem à “falta de escolarização e literacia das gerações seniores, que não foram incentivadas nem educadas para isso”.

 

“A evolução do sistema educativo português, dos índices de escolarização e de analfabetismo nos últimos 30 anos permitem compreender os resultados”, lê-se ainda na resposta, por email, do gabinete de comunicação do MEC, que acredita que nos próximos anos, “com base no desenvolvimento dos currículos em vigor no sistema educativo, poderemos vir a testemunhar uma inversão desta tendência”.

 

Cultura invisível

 

 

No entanto, o sociólogo Claudino Ferreira alerta que uma maior introdução das artes ao ensino geral “não exige só que se ponham mais conteúdos”. “É preciso que se pense como é que a relação com as artes nas escolas pode ser motivadora para os estudantes se interessarem”, diz o professor auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais, defendendo também uma maior pró-actividade das estruturas culturais e artísticas. “Não há só muito a fazer por parte das escolas e dos professores, é preciso que também as instituições e os artistas apresentem propostas concretas para contribuir para os estudantes”, continua o sociólogo, admitindo, porém, que os tempos são de dificuldade para as estruturas. “A situação dos últimos anos é dramática e, por isso, quando olho para a frente vejo uma situação muito difícil para a Cultura”, explica Claudino Ferreira, lembrando a constante reformulação de prioridades a que as instituições culturais e os artistas têm vindo a ser obrigados. “E assim vão perdendo alguma capacidade de intervenção pública e desse ponto de vista os próximos anos não serão muito produtivos, não consigo ver uma recuperação do interesse e do voluntarismo para a prática cultural.”

 

Para Isabel Pires de Lima a dificuldade de que Claudino Ferreira fala existe por “continuarmos presos a modelos de desenvolvimento que privilegiam sobretudo aquilo que é imediatamente rentável e aquilo que decorre do mundo do que é contabilizável”. “É a invisibilidade da Cultura que faz com que seja tão difícil aos políticos, empresários e sociedade civil investirem na área”, diz a catedrática, sem acreditar numa mudança no futuro. O mesmo acontece, aliás, com Gabriela Canavilhas, que antevê uma descida ainda maior destes valores nos próximos anos. “Vamos sofrer nas estatísticas as consequências das políticas que têm estado em curso”, afirma a deputada do PS.

 

Barreto Xavier não se atreve a antecipar o futuro mas admite que há um problema de perspectiva e modelo. “É uma questão de mudança de mentalidades e a mudança de mentalidades demora eventualmente uma geração”, diz o secretário de Estado ao mesmo tempo que de alguma forma desvaloriza os números deste inquérito por existirem variáveis que não foram consideradas e pelo modo como algumas perguntas foram feitas.

 

No mesmo sentido, Miguel Lobo Antunes, administrador da Culturgest, em Lisboa, defende que os números deste Eurobarómetro não são fiáveis nem podem apoiar reflexões sérias por se afastarem, "por vezes largamente", de resultados de outras estatísticas feitas em Portugal sobre o mesmo tema. Mas revela que tem sentido na Culturgest uma redução de público. “Para que os portugueses sejam mais cultos, é claro que a educação, os meios de comunicação, as políticas culturais, têm uma importância fundamental mas também é importantíssimo o papel desempenhado pelos teatros, pelos centros culturais, pelos programadores, pelos artistas, pelos pais, pelos mais velhos, pelas pessoas, que podem contagiar outras”, diz Lobo Antunes.

 

Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, vê com a preocupação generalizada estes números mas destaca que eles não são desagregados por cidades e/ou regiões, onde acredita que poderão existir diferenças importantes. “Nomeadamente em virtude das características sociodemográficas da população ou do investimento que algumas cidades têm feito, como por exemplo Lisboa, para manter o nível da oferta e participação cultural, da promoção da leitura e da valorização das bibliotecas municipais”, atesta a responsável.

 

Guilherme d’Oliveira Martins volta a destacar: “Ainda há muito trabalho a fazer”. “Temos de tirar lições da crise porque esta crise diz-nos que se não apostarmos na Educação, na Cultura e na Ciência, teremos naturalmente grandes dificuldades.”

 

No que ao secretário de Estado da Cultura diz respeito, fica o compromisso de “trabalhar mais e melhor na defesa de um modelo de desenvolvimento que tenha a Cultura no seu centro”.

 

Público

 

E já que gostamos tanto de comparações e a Irlanda está na moda..

 

http://www.publico.pt/cultura/noticia/cultura-continua-e-empobrecer-ate-quando-1613663

Editado por Mayday

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Não é nada de novo, até com a música que é a coisa mais acessível desses todos à pala da internet continuam a ouvir Guettas e Pitbull's e afins

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Acho que a resposta está logo no título. Falta de educação (não no sentido de Educação propriamente dito, mas mais no sentido de educarmos as nossas crianças para lerem, ouvirem música, irem ao teatro e ao cinema, etc.) e também de dinheiro, sem dúvida.

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Não é nada de novo, até com a música que é a coisa mais acessível desses todos à pala da internet continuam a ouvir Guettas e Pitbull's e afins

 

Não há problema em ouvirem isso. O problema é serem pouco ecléticos e os gostos serem todos um bocado limitados.

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Para mim o problema principal é o dinheiro. A crise não ajuda e os preços nas bilheteiras e lojas não ajudam muito. Até porque acredito que a maioria gostaria de ir a mais concertos, ver mais filmes e comprar mais livros do que neste momento podem.

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Eu o cinema ainda dou de barato porque é mesmo caro e a Internet veio dar cabo de tudo isso. O acesso livre à música e os gostos são o habitual porque de grosso modo vai tudo atrás do que os grandes canais publicam, logo vão atrás do que é comercial. Se não tiverem ninguém para os orientar é sempre por ai que vão porque é o mais simples. E aqui toca-se no ponto fundamental de tudo. Se não tiverem quem os oriente para destrinçar o que é bom e o que é m*rda eles vão com a manada e MTVs e afins esfregam as mãos porque estão lá para ser o apoio de quem não o tem.

 

O que me espanta é mesmo a leitura e o pouco envolvimento cultural que cá se tem mas a resposta já a dei. É que se ainda fosse lá fora, percebia-se, não há um raio de um museu que não seja pago agora aqui é quase tudo grátis e mesmo assim ninguém tem um pingo de curiosidade de lá entrar. Aqui é a educação que falha, quer em casa quer na escola. Ver museus? Uma galeria? Eu nem percebo nada daquilo. Tipo, lol, não é preciso um livro de explicações para ir ver um museu. Só é preciso não se ser um muro de betão (como a maioria quase todas as escolas tornam os seus alunos). Aqui entro num assunto que me é caro (a mim e muitos outros que percebem mais disto do que eu) que é a total reformulação do ensino em todo o mundo mas isso já é outra história.

Editado por Scirea

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É mais falta de dinheiro que outra coisa.

Vontade.

 

 

 

Para mim o problema principal é o dinheiro. A crise não ajuda e os preços nas bilheteiras e lojas não ajudam muito. Até porque acredito que a maioria gostaria de ir a mais concertos, ver mais filmes e comprar mais livros do que neste momento podem.

O grande problema mais um vez é o IVA.

 

O acesso a grande parte da cultura ficaria bem mais facilitado é certo. Mas isso não é inteiramente verdade porque os agentes culturais já inventaram mil e uma formas de dar a volta a isso, por exemplo tu se tiveres menos de 30 anos podes assistir a uma Peça de Teatro num Camarote do Teatro Nacional de São Luiz por apenas 5€. É um luxo Cultural!

 

Mas é como disse alguém nessa entrevista, se tens 10€ não vais repartir esse dinheiro entre um espectáculo e comida. Porque, a crise dizem eles, obriga a que seja ainda mais importante gastar tudo num Supermercado em comida do que ser activo Culturalmente.

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Antes da crise havia pessoas a gastar balúrdios em gastos acessórios (chamemos-lhe assim) e pouco em cultura. A falta de dinheiro afecta, claro, mas não é a questão essencial.

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Again, Internet é uma solução. Encontram-se milhoes de pdfs pela internet, basta procurar, imprimir por uns miseros 2 ou 3 euros, talvez encadernar e tem-se um livro de 10/20€ por menos 70% do preço. Quem não pode arranja outras alternativas e o que não faltam hoje são essas alternativas. Se há uns bons séculos a maioria do povo era analfabeto porque o ensino e os livros eram dispensiosos, agora até livros podemos pedir emprestados de uma biblioteca. O preço nestas coisas não é de todo o problema.

 

E essa do ter classe demais para as pessoas é o tipico tique de coitadinho que o tuga tem. Só m*rdas de complexos.

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Falta de dinheiro por aqui. Chorei por não ter ido ver o concerto do mágico Ludovico Einaudi.

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Este País tornou-se num Oasis capitalista onde a Cultura não tem lugar.

 

Veja-se a Lei do Cinema. Recambiaram o ex-secretário de estado da Cultura que estava determinado em conseguir o sucesso desta lei e quando ela vai para ser aprovada no parlamento, metem lá este Secretário de Estado que pouco ou nada tem feito pela Cultura, e a lei ficou esquecida a um canto porque diziam eles que neste momento há assuntos mais prioritários a merecer discussão.

 

Quando ela finalmente é aprovada os operadores de Televisão por subscrição recusam-se a cumprir a lei e por sua vez a financiar o cinema como acontece em quase toda a Europa. E foi esta mesma lei que funciona na França que permitiu ao Cinema Francês dar o grande salto e destacar-se do restante cinema Europeu.

 

Mais recentemente a oposição apresentou proposta para financiar e salvar a cinemateca e a maioria parlamentar chumbou. Resultou na demissão dos Directores da Cinemateca e mais cedo ou mais tarde o fecho da mesma.

 

No Teatro mais uma vez os cortes nos Subsídios, os sucessivos atrasos e a porcaria do IVA que afasta o público das salas do espectáculo, que mesmo com todos os descontos e promoções não vão porque continuam a achar que é caro. E não é. Caro são os espectáculos do Lá Feria que não tem um único desconto e vende bilhetes a 20€ mas as pessoas vão não sei porquê.

 

Falta Educação Cultural isso sim.

 

Antes da crise os livros custavam 30€ na mesma. E não era incomum ir a uma sala de cinema à noite e aquilo estar a abarrotar... Se os preços descessem, o consumo de cultura aumentaria e muito. Mas claro que para teatros e afins é sempre muito difícil encontrar público, muitas vezes por ignorância das pessoas. Já conheci muita gente que não vai a espetáculos organizados pelo teatro local da minha cidade porque consideram aquilo um lugar com demasiada classe para eles :mrgreen:

Manda-os ao Teatro A Barraca, quando lá entrarem não vão sentir tanto esse peso. Até vão sair de lá a perguntar como é que se faz teatro ali. E no entanto é onde se faz o melhor Teatro em Português e para os Portugueses.

Editado por Mayday

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Não é nada de novo, até com a música que é a coisa mais acessível desses todos à pala da internet continuam a ouvir Guettas e Pitbull's e afins

 

lol

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Visitante

Não se consome cultura porque dizer que cultura é para todos é mentira.

 

Eu muitas vezes quero ir ao teatro e o bilhete ronda os 15€ cada pessoa, ou seja, se quiser ir com a minha namorada é 30€ mais combustivel, mais portagens, mais estacionamento se for preciso, é demasiado caro.

 

Mesmo assim vou muitas vezes ao cinema, sai a 6,5€ por pessoa, acho caro mas aguenta-se.

 

O mercado vai ter de perceber (já há ramos onde já se nota a diferença) o que digo há anos: menos é mais, em tudo, para o mercado mexer é preciso baixar tudo, impostos, preços, tudo. A mentalidade de querer ganhar tudo de uma vez não funciona, as pessoas preferem guardar o dinheiro, há coisas mais importantes que ir ao teatro.

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Guest Dpitz

Falta educacao cultural e falta dinheiro.

E falta um governo que se aperceba disso e que tome medidas para contrariar esta tendencia de forma eficaz.

 

E so para curiosidade, o cinema mais proximo da minha casa esta a 50km....em lisboa. O teatro idem, ha so aqui uma associacao que traz uma peca uma ou duas vezes por ano.

Concertos... festas populares conta? Alem diso so veio ca o tony lol

Quem nao mora em grandes cidades esta feito, o acesso a cultura e mesmo muito limitado.

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http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2182151&seccao=Sul

 

Falta de dinheiro. Vai-se transformar um dos cinemas com mais história e dos mais emblemáticos de Lisboa num espaço Comercial. Custo total? 12 Milhões de Euros. É um investimento privado que vai dar em troca mais um parque de estacionamento subterrâneo.

 

Já o Chiado Terrasse acabou convertido numa agência bancária.

Enfim, prioridades.

 

Entretanto em França:

 

http://www.publico.pt/cultura/noticia/louxor-renasce-a-sala-de-cinema-mais-mitica-de-paris--1591484#/1

 

Não se consome cultura porque dizer que cultura é para todos é mentira.

 

Eu muitas vezes quero ir ao teatro e o bilhete ronda os 15€ cada pessoa, ou seja, se quiser ir com a minha namorada é 30€ mais combustivel, mais portagens, mais estacionamento se for preciso, é demasiado caro.

 

Mesmo assim vou muitas vezes ao cinema, sai a 6,5€ por pessoa, acho caro mas aguenta-se.

 

O mercado vai ter de perceber (já há ramos onde já se nota a diferença) o que digo há anos: menos é mais, em tudo, para o mercado mexer é preciso baixar tudo, impostos, preços, tudo. A mentalidade de querer ganhar tudo de uma vez não funciona, as pessoas preferem guardar o dinheiro, há coisas mais importantes que ir ao teatro.

Não é querer duvidar desses preços de ti aliás mas duvido que sempre que queiras ir ao Teatro te depares com esses preços.

Editado por Mayday

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Dinheiro? Poderia ser, mas o problema não vem daí. Se o pessoal tivesse mais dinheiro seria mais dinheiro investido em álcool, tabaco ou droga. Eu se quero comprar livros, ir a concertos ou ao teatro tenho de ter dinheiro, logo não posso ter vícios. Ou aliás, tantos vícios já que de vez em quando compro um jogo ou gasto em coisas mais "banais". Mas um tipo que tem o vício do tabaco investe bem todos os dias.

 

Porque há muito museu de borla ou até boa parte das pessoas (estudantes, jovens, idosos, etc) têm descontos em algumas coisas e não aproveitam.

 

Poderiam dizer que há falta de tempo? Também, para fazermos tudo que gostamos. Mas é a mesma questão do dinheiro, a maior parte iria gastar no sofá. Invés de ver a gala da casa dos segredos, via o dia todo a casa dos segredos. Por isso é uma questão de educação vinda dos pais, professores, etc. Vem da própria cultura do país, e o nosso apesar de termos bons poetas, músicos, etc a verdade é que não estamos para aí virados. E o exemplo vem de cima e vê-se que tinham pouco mas os cortes caem sempre na cultura.

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E esta maravilha que funciona neste momento como Hotel e tem a sala por baixo em estado de degradação :lol:

 

 

 

eden2.jpg

 

eden+interior.jpg

 

 

E como já ouvi dizer agora presta serviço Público porque funciona lá uma Loja do Cidadão.

 

Bem, pelo menos voltaram a fazer fila à porta de uma Teatro :lol:

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Visitante
Não é querer duvidar desses preços de ti aliás mas duvido que sempre que queiras ir ao Teatro te depares com esses preços.

 

As peças que me suscitam interesse ou espectáculos têm sempre esses preços. A mais barata que me lembro de ver era 12€ por pessoa o que continua a ser um rombo se considerarmos todas as outras despesas. E eu até nem me posso queixar, como fundado de um projecto de divulgação de arte e cultura, até tenho acesso facilitado.

 

Mas sei que o que estão aqui a dizer que o pessoal quer é bebida e droga, isso é generalizar ao mais alto nível. Há publico, o publico (familia) não pode é gastar 30-40-50€ num espectáculo seja ele qual for nesta altura (quer dizer, neste momento temos uma classe média-pobre e uma média-rica, como pertenço à primeira mas vejo ai muito boa gente a pertencer à segunda), isso são quase 10% do ordenado da média nacional a ir embora em 90 minutos.

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A cultura faz-se nas ruas, querer quase obrigar as pessoas a assistir a eventos culturais finos é contra-natura.

 

Eu cá vou à bola.

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Dinheiro? Poderia ser, mas o problema não vem daí. Se o pessoal tivesse mais dinheiro seria mais dinheiro investido em álcool, tabaco ou droga. Eu se quero comprar livros, ir a concertos ou ao teatro tenho de ter dinheiro, logo não posso ter vícios. Ou aliás, tantos vícios já que de vez em quando compro um jogo ou gasto em coisas mais "banais". Mas um tipo que tem o vício do tabaco investe bem todos os dias.

 

Porque há muito museu de borla ou até boa parte das pessoas (estudantes, jovens, idosos, etc) têm descontos em algumas coisas e não aproveitam.

 

Poderiam dizer que há falta de tempo? Também, para fazermos tudo que gostamos. Mas é a mesma questão do dinheiro, a maior parte iria gastar no sofá. Invés de ver a gala da casa dos segredos, via o dia todo a casa dos segredos. Por isso é uma questão de educação vinda dos pais, professores, etc. Vem da própria cultura do país, e o nosso apesar de termos bons poetas, músicos, etc a verdade é que não estamos para aí virados. E o exemplo vem de cima e vê-se que tinham pouco mas os cortes caem sempre na cultura.

que parvoíce pegada lol

so faltou dizer q o pessoal se queixa do desemprego mas prefere ficar em casa a viver do subsidio para mandares os cliches todos

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Eu normalmente não costumo postar neste forúm. Costumo apenas vir aqui diariamente e ler um ou dois posts. Mas gostava de deixar a minha opinião. O que é essa cultura de que falam? É o que é mais "chique", mais popular, ou apenas algo que algumas pessoas que não partilham os gostos da maioria querem impôr?.

Vou partir do príncipio que a tal cultura seja aquela "coisa secante" que os adolescentes, que se auto-consideram "rebeldes", acham que é uma só para os velhotes.

No artigo refere "Vamos menos ao cinema, quase não vamos a bibliotecas públicas nem visitamos museus. A espectáculos de teatro, dança ou ópera vamos muito pouco; só a concertos, de vez em quando." Sinceramente não entendo desde quando é que a população jovem vais a tal "coisa" como um museu, ópera ou de música. Aliás atrevo-me a dizer que 99% nunca pôs lá os pés. Não os censuro.Aceito que se diga que mtvs, internet, televisão influenciem grande parte da população a nível de gostos. Aceito que os tempos tenham mudado e isso não esta na "moda".Agora quem realmente gosta não se deixa influenciar por essa "moda". Também não se pode dizer, salvo algumas exceções, que é por causa de dinheiro. Hoje um concerto é praticamente acessível a qualquer pessoa, há bilhetes que custam 5 euros, outros 10 e também há aqueles mais caros. E porque raio se há-de investir na cultura, se a geração atual não se "identifica" com ela. Se não partilham os mesmos gostos que os outros problema vosso.

Agora que estou na última frase, não me identifico com o que escrevi pois me encontra nessa tal minoria e sinto-me prejudicado.

Peço desculpa se ofendi algum leitor, e se tiver dito algo que não corresponde à realidade.

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que parvoíce pegada lol

so faltou dizer q o pessoal se queixa do desemprego mas prefere ficar em casa a viver do subsidio para mandares os cliches todos

Ronaldo > Messi

Editado por José Mourinho

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