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Peplin

Novo naufrágio no Mediterrâneo com cerca de 700 pessoas a bordo

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Novo naufrágio no Mediterrâneo com cerca de 700 pessoas a bordo

Equipas de resgate salvaram apenas 28 pessoas até ao momento, na "maior tragédia de sempre no Mediterrâneo". Navio com bandeira portuguesa terá sido o primeiro a chegar ao local.

Na semana passada, um outro naufrágio terá feito 400 mortos

 

 

Várias centenas de pessoas terão morrido esta noite no Mediterrâneo, em mais um naufrágio entre as costas da Líbia e a ilha italiana de Lampedusa. Até ao momento foram resgatadas 28 pessoas, mas a bordo da embarcação estariam "entre 500 e 700".

 

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, disse que a embarcação transportava 650 migrantes. Ao todo, estão envolvidos nas operações 20 navios e três helicópteros de Itália e Malta.

 

"Menos de 50 foram resgatados até ao momento. Teme-se que haja muitas mortes", escreveu o chefe do Governo de Malta na sua conta no Twitter. O número avançado pelas agências de notícias, que citam fontes da guarda costeira italiana, é de 28 sobreviventes.

 

Carlotta Sami, porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados no Sul da Europa, falou numa "tragédia de enormes proporções".

 

Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro de Malta disse que está a desenrolar-se "a maior tragédia de sempre no Mediterrâneo", e lamentou que o seu país e Itália estejam "sozinhos nesta crise" – referindo-se aos naufrágios que fazem milhares de mortos por ano no Mediterrâneo.

 

"Malta tem tido problemas com a imigração, mas ninguém deveria ter de morrer", disse Joseph Muscat, citado pelo jornal Times of Malta.

 

"Está a desenrolar-se uma tragédia no Mediterrâneo, e se a União Europeia e o mundo continuarem a fechar os olhos, serão julgados da forma mais severa possível, tal como foram julgados no passado quando fecharam os olhos a genocídios enquanto os que viviam bem nada fizeram", disse o chefe do Governo de Malta, antes de pedir que se guardasse um minuto de silêncio.

 

Os corpos das vítimas estão a ser levados para a cidade de Catania, na Sicília.

 

O site do Times of Malta avança que pelo menos 650 pessoas que tentavam chegar à Europa caíram ao mar por volta das 0h00 (23h de sábado em Portugal continental). Os responsáveis da guarda costeira italiana disseram à BBC que seguiam a bordo "entre 500 e 700" pessoas.

 

O Times of Malta avança que o naufrágio ocorreu a cerca de 190 quilómetros de Lampedusa, ainda em águas líbias, quando os passageiros se deslocaram para um dos lados do barco, no momento em que se aproximava um navio da marinha mercante.

 

Um jornalista do Times of Malta disse à BBC que muitos destes naufrágios acontecem no momento em que as embarcações são abordadas por navios da marinha mercante.

 

"Este cenário já aconteceu vezes sem conta. As embarcações viram-se no momento em que vai começar um resgate. É uma parte do problema: navios da marinha mercante mal equipados estão a ser enviados para cumprir funções para as quais não foram preparados", disse Mark Micallef.

 

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, o navio que recebeu ordens da Guarda Costeira italiana para se aproximar da embarcação chama-se "King Jacob" e é um porta-contentores com bandeira portuguesa.

 

O jornal avança que as autoridades italianas receberam um pedido de ajuda porque a embarcação com cerca de 700 pessoas a bordo estaria com "problemas de navegação". Foi então que o "King Jacob", com 147 metros de comprimento, foi enviado para a zona, com o objectivo de resgatar os passageiros.

 

"É possível que, ao avistarem o navio mercante, os migrantes se tenham dirigido todos para um dos lados, provocando o naufrágio", escreve o Corriere della Sera. Já com o navio tombado, pelo menos 28 migrantes foram salvos pelo navio com bandeira de Portugal, segundo o mesmo jornal.

 

De acordo com o site marinetraffic.com, o "King Jacob" saiu do porto de Augusta (Sicília) na madrugada de sábado e dirigia-se para o porto de Al Khor, no Qatar. Na noite de sábado para domingo, o porta-contentores estava na área do naufrágio, segundo as informações do mesmo site de navegação marítima.

 

O "King Jacob" tem 146,42 metros de comprimento e 22 metros de largura, e foi construído em 1998.

 

No sábado, em declarações ao jornal britânico The Guardian, o representante da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em Itália, Lauren Jolls, culpou a "retórica extremista e irresponsável" contra a imigração na Europa pelas falhas nas operações de resgate no Mediterrâneo.

 

"Neste momento, em muitos países europeus, o diálogo político e a retórica são bastante extremistas e muito irresponsáveis", disse Jolls, apontando o dedo à proximidade das eleições.

 

"É o medo dos estrangeiros, que é um medo natural, mas que está a ser explorado para fins populistas ou políticos, especialmente em períodos eleitorais", disse o responsável.

 

Na semana passada, um outro barco com migrantes naufragou ao largo das costas líbias – 150 pessoas foram resgatadas, mas cerca de 400 terão morrido.

 

Em 2014, o Mediterrâneo tornou-se "a rota mais mortífera do mundo", com pelo menos 3419 mortes de migrantes que tentavam chegar à Europa, um número recorde, anunciou a Agência da ONU para os Refugiados em Dezembro do ano passado.

 

Se se confirmarem os piores receios no naufrágio desta madrugada, desde Janeiro terão morrido cerca de 1500 pessoas no Mediterrâneo.

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Visitante

Estas m*rda deixam-me mesmo revoltado :-|

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É mais fácil deixá-los morrer do que gastar dinheiro a patrulhar a zona, suponho.

 

E ainda vai morrer muito mais gente. Basta ver que, mal o tempo no Mediterrâneo ficou decente na semana passada, já morreram logo mais de 1000 pessoas.

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Isto é um caso bicudo, as pessoas não têm de morrer mas, também, não têm de tentar á força entrar no território, e como tal, o país de destino destes fura fronteiras não tem que os resgatar, penso eu

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Isto é um caso bicudo, as pessoas não têm de morrer mas, também, não têm de tentar á força entrar no território, e como tal, o país de destino destes fura fronteiras não tem que os resgatar, penso eu

 

Aí é que está, este pessoal são migrantes e refugiados e têm os seus direitos, principalmente os refugiados. Estamos a falar de gente que vem da Síria, Eritreia, Líbia etc., onde há guerra, repressão e falta de segurança.

 

Ou seja, sim, há obrigação de monitorizar a zona e resgatar. Aliás, depois do desastre em Lampedusa houve a operação "Mare Nostrum" de Itália que salvou mais de 50 e tal mil pessoas só naquela zona. Entretanto deixou de haver financiamento da UE e abandonaram a operação. A tendência é para morrer ainda mais gente este ano que o ano passado e nem estou a falar das restantes rotas de migração.

 

Mas quem quiser saber mais tem sempre este relatório da Amnistia Internacional sobre as fronteiras europeias e as politicas de imigração: http://www.amnistia-internacional.pt/files/Relatoriosvarios/SOSEurope_HumanCostOfFortress_Europe_Report.pdf

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Estas m*rda deixam-me mesmo revoltado :-|

isto deixa-me mais:

Muçulmanos atiraram cristãos ao mar em barco de imigrantes

A polícia italiana anunciou a detenção de 15 muçulmanos acusados de terem causado a morte de 12 cristãos que se encontravam na mesma embarcação no meio do Mediterrâneo.

 

"Assassínio múltiplo agravado devido a ódio religioso" é a acusação de que são alvo 15 muçulmanos que supostamente terão atirado borda fora, causando a sua morte, 12 cristãos que se encontravam a atravessar o Mediterrâneo, num bote de borracha, que levava a bordo 105 pessoas que tentavam chegar à Europa.

 

A polícia italiana soube do sucedido através dos relatos de sobreviventes, que se encontravam na embarcação intercetada. Os restantes cristãos, que se encontravam a bordo, conseguiram permanecer na embarcação graças a terem formado uma "corrente humana" que lhes permitiu fazer frente ao ataque.

 

As vítimas eram nigerianos e ganeses. Os suspeitos, que se encontram detidos em Palermo, eram da Costa do Marfim, Mali e Senegal.

 

A embarcação terá partido da Líbia na terça-feira, com 105 pessoas a bordo que procuravam entrar ilegalmente na Europa, mas acabou por ser intercetada por um barco italiano e os passageiros transferidos para um navio do Panamá, que os transportou até Palermo na quarta-feira.

 

O incidente ocorreu no mesmo dia em que outros 41 imigrantes foram dados como desaparecidos, provavelmente terão morrido após o barco insuflável em que se encontravam no Mediterrâneo ter afundado.

 

Inúmeros imigrantes continuam a morrer nas águas do Mediterrâneo, após tentarem fazer a viagem em embarcações precárias e sobrelotadas. Só desde o último fim de semana já chegaram à costa italiana vindas da Líbia mais de 10 mil pessoas, segundo indicou a guarda costeira italiana.

 

http://expresso.sapo.pt/muculmanos-atiraram-cristaos-ao-mar-em-barco-de-imigrantes=f920315#ixzz3Xky58YY1

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É mais fácil deixá-los morrer do que gastar dinheiro a patrulhar a zona, suponho.

 

E ainda vai morrer muito mais gente. Basta ver que, mal o tempo no Mediterrâneo ficou decente na semana passada, já morreram logo mais de 1000 pessoas.

Pelo que vi (reportagem recente no telejornal da tvi) a zona tem sido intensamente patrulhada

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Terá havido mais um naufrágio, num barco com 300 pessoas a bordo.

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Guest Dpitz

não andasse o ocidente a explorar esses países nos últimos 5 séculos e nada disto acontecia

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A capa do i hoje está muito forte.

Aqui está:

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O i é o melhor jornal da atualidade.

 

A nível gráfico, sim.

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Na capa do i fiquei com dúvidas sobre o que queriam dizer com a Europa "deixar de ser uma referência moral", não acho que de nenhuma forma nos tenhamos que sentir culpados ou em falta de esforço.

 

Esta tragédia humanitária faz parte do tráfego humano e funciona como "agências de viagens" para os países da metade de cima de África, que prometem a dita migração para a Europa - umas vez só isso, noutros casos com promessas de contratos, ou até mesmo com contratos verídicos para trabalhos com mão de obra ilegal (pedreiros, construção, futebol, fábricas, etc.). As pessoas juntam as poupanças da vida e caem no esquema à procura de uma vida melhor. Muitas vezes acontece que os próprios intermediários afundam os barcos de propósito, por diversão. As pessoas não sabem para o que vão, e os verdadeiros culpados são os que vendem estas viagens ou ocultam as informações.

Em alguns casos, e já não fazia ideia, já vêm de bastante longe e não fazem ideia de nada, nem de onde estão nem para onde estão a ser levados.

 

No entanto, se continuam a haver estes resgates e medidas remediadoras, melhor para eles - o esquema funciona todo muito melhor e já sabem de antemão que vão fazer os possíveis para os ir buscar e refugiar. Pessoalmente acho que já se deveria ter começado a tratar do problema na fonte: haver esforços dos governos do Norte de África em informar as pessoas, em patrulhar os portos e não as águas, talvez mesmo até uma intervenção militar conjunta nestes focos e investigação a quem faz este tráfico. Continuar à espera que caiam à água para os apanhar não tem funcionado nos últimos anos.

Este problema é do Norte de África e não me parece que a Europa tenha algum tipo de culpa, como alguns média têm dado a passar. Muito já se faz deste lado, mas a obrigação de socorrer só por si não resolve os problemas - e neste caso só vai motivar que continue a acontecer e em maior escala.

 

 

EDIT: Obrigado Osnofa, tinha curiosidade em ler algo do género, mas não tinha encontrado nada no site da Amnistia Internacional há uns dias.

Editado por Ricardo Gouveia

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Dizes isso como se muita daquela gente tivesse outra opção. Muitos arriscam porque a alternativa é a guerra e a fome.

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Dizes isso como se muita daquela gente tivesse outra opção. Muitos arriscam porque a alternativa é a guerra e a fome.

Não, eu compreendo que tenham os seus motivos e que face ao desespero e à ideia que tenham da vida na Europa, prefiram vir mesmo sabendo dos riscos. Não os culpo.

 

Parece-me é pouco sustentável que nas próximas décadas o ciclo seja igual: barcos partem do Norte de África > afundam-se > são salvos. Só vai fazer com que mais barcos venham, mais recursos sejam necessários para os resgates - e como não são 100% eficazes, causam-se mais mortes. Entre as possibilidades que existem, não é a pior, mas só serve para remendar um pouco o problema e torná-lo ainda mais frequente.

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não andasse o ocidente a explorar esses países nos últimos 5 séculos e nada disto acontecia

 

dizer isso é o mesmo que "Se não tivesse existido comunismo, não havia a vaga de imigrantes de Leste aqui na Europa"

 

como consegues relacionar o facto do Mandonga da Eritreia querer vir a saque para a Europa com a exploração do continente africano por parte do "Ocidente"?

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Dizes isso como se muita daquela gente tivesse outra opção. Muitos arriscam porque a alternativa é a guerra e a fome.

 

O que temos de fazer é criar condições para que estas pessoas possam imigrar...

Agora porque a Siria tá em guerra é tudo refugiado? Pega-se no 23 Milhões de habitantes da Siria e manda-se tudo para Paris? Imigração assim prejudica quem cá está e quem imigra da mesma forma

 

E isso do que nao tem alternativa, basta mostrar as inumeras reportagens de quem vem e depois passados uns meses só quer voltar para Africa porque a Europa não é o "El Dourado" mas sim um sitio onde só encontram semi-escravatura e miséria. Se não condições para acolher essas pessoas condignamente, não se acolhe.

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A pergunta é: A medida do PM Australiano influenciou o nº de barcos que tentam ir para lá largar refugiados? Diminuiu o lucro dos traficantes de pessoas dessas rotas?

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O que é preciso é falar com esses países que estão a deixar que milhares de imigrantes saiam de lá. As autoridades desses países têm de fazer algo.

 

Sinceramente o que é que a Europa pode fazer mais?

Editado por ascom

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Guest Alonso.

Na capa do i fiquei com dúvidas sobre o que queriam dizer com a Europa "deixar de ser uma referência moral", não acho que de nenhuma forma nos tenhamos que sentir culpados ou em falta de esforço.

 

 

é isto, não percebi o "esta vida vale mais que a nossa", quando não temos culpa nenhuma do que aconteceu.

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